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Questões de Concurso Comentadas sobre termos essenciais da oração: sujeito e predicado em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 3.363 questões

Q3119304 Português
Qual das alternativas apresentadas justifica a concordância do verbo em destaque no trecho abaixo?

"Muito se discute sobre a relação da nossa galera com o trabalho, o comportamento nas redes sociais e a visão de futuro."

Disponível em: https://capricho.abril.com.br/identidade/alguem-ja-te-perguntou-como-e-ser-jovem-em-um-mundo-em-colapso/. Acesso em: 20 nov. 2024.
Alternativas
Q3119164 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.

E dá-lhe burrice


A burrice urbana galopa sem rédeas, e a inteligência parece engatar a marcha à ré. Estudos de James Flynn apontaram que o Q.I. médio da humanidade cresceu até 2000, mas vem caindo assustadoramente desde então. Uma provável causa é o empobrecimento da linguagem, reflexo da era digital.

Ao ler, o cérebro realiza processos sofisticados de interpretação e associação, essenciais para desenvolver pensamentos complexos. No entanto, a leitura é cada vez menos praticada. O resultado? Preguiça mental, facilitada por abreviações, emojis e músicas simplórias. A exclusão de tempos verbais também limita projeções temporais, restringindo o pensamento ao presente imediato.

Adolescentes, grandes vítimas da cultura digital, sucumbem ao imediatismo e seguem "influencers" sem questionar. Essa submissão à mediocridade resulta na simplificação da linguagem e no empobrecimento da comunicação, tornando-a rasteira e fácil de manipular. Parece que os vilões dos quadrinhos se materializaram, disfarçados de práticos e modernos, conduzindo a humanidade ao pasto do conformismo.


Fernando Fabbrini - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/e-da-lhe-burrice-1 .3343242

No trecho:


"A burrice urbana galopa sem rédeas, e a inteligência parece engatar a marcha à ré."


Sobre os termos da oração, é correto afirmar que:

Alternativas
Q3119085 Português

O texto a seguir deve ser lido com atenção para responder à questão.


Conheça a história da educação para relações étnico-raciais no Brasil



O Ministério da Educação (MEC) tem promovido ações e programas educacionais voltados para a superação das desigualdades étnico-raciais, com o intuito de avançar significativamente na construção de uma educação mais inclusiva e plural. Nesse sentido, a Pasta lançou, em 2024, a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq). 


Coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), a política tem, entre suas metas, a formação de profissionais da educação para gestão e docência em educação para as relações étnico-raciais (Erer) e em educação escolar quilombola (EEQ). Assim, o MEC investirá, até 2027, R$ 2 bilhões para formação de 215 mil gestores e professores em todo o país.


Outra meta da política é o reconhecimento de avanços institucionais de práticas educacionais antirracistas. Além disso, a política busca consolidar a EEQ com a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola, instituídas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) por meio da Resolução nº 8/2012. 


De acordo com a secretária da Secadi, Zara Figueiredo, a Pneerq surgiu em meio a desafios para a concretização da Erer e da EEQ na prática. Entre as dificuldades enfrentadas, estava a ausência de monitoramento da implementação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana no currículo das escolas de educação básica. Mais tarde, essa legislação foi modificada pela Lei nº 11.645/2008, que incluiu o ensino da história e cultura indígena na obrigatoriedade. Por isso, a primeira ação da Política Nacional de Equidade foi realizar um levantamento das ações para o cumprimento dessas leis entre as redes de ensino de todo o país.


Além disso, a política visa abordar o baixo número de docentes com formação voltada à gestão escolar para a Erer e a EEQ; a ausência de ações oficiais para a prevenção e o enfrentamento de ações racistas na escola e nas universidades; a elevada desigualdade no percurso de estudantes da educação básica; a baixa implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Quilombola; e a inadequada estrutura física e pedagógica nas escolas quilombolas, entre outras problemáticas.


"No que toca aos avanços e aos desafios após 20 anos de promulgação da Lei nº 10.639/2003, a Pneerq objetiva implementar ações e programas voltados à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo na educação brasileira e à promoção da política educacional para a população quilombola", explicou a secretária da Secadi.


Fonte: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2024/novembro/conheca-a-historia-da-educacao-para-relacoes-etnico-raciais-no-brasil (adaptado). 

O sujeito é o termo da oração que determina a concordância com o verbo. Analisar e classificar o sujeito é essencial para a compreensão da estrutura sintática. Nesse sentido, no trecho "o MEC investirá, até 2027, R$ 2 bilhões", o sujeito da oração é:
Alternativas
Q3118854 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Café: mocinho ou vilão?

A cafeína é a droga psicoativa mais popular do mundo.

Os seres humanos tomam café − uma fonte natural de cafeína − há séculos, mas, nas últimas décadas, têm surgido orientações contraditórias sobre os seus efeitos para a saúde humana.

"Tradicionalmente, o café é considerado algo ruim", segundo o professor de epidemiologia do câncer Marc Gunter, do Imperial College de Londres. Ele já chefiou o departamento de nutrição e metabolismo da Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês).

"Pesquisas dos anos 1980 e 1990 concluíram que as pessoas que tomam café apresentam maior risco de doenças cardiovasculares", explica o professor, "mas os estudos evoluíram desde então."

Na última década, foram realizados novos estudos de base populacional, em escala maior. Com isso, Gunter afirma que os cientistas dispõem, agora, de dados de centenas de milhares de consumidores de café.

O que nos contam essas pesquisas? O consumo de café oferece riscos ou benefícios à saúde?

O café é associado ao aumento do risco de câncer por conter acrilamida, uma substância carcinogênica encontrada em alimentos como torradas, bolos e batatas fritas. Mas a IARC concluiu, em 2016, que o café não é carcinogênico (que causa câncer), a menos que seja bebido muito quente − acima de 65 °C.

Em um estudo de 2023, pesquisadores defenderam que, embora o café seja uma das principais fontes de acrilamida na nossa alimentação, ainda não existe uma base forte e conclusiva de evidências demonstrando sua relação com o risco de desenvolvimento de câncer.

Outras pesquisas também concluíram que o café, na verdade, tem efeito protetor. Estudos demonstraram, por exemplo, associação entre o consumo de café e menor risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer entre os pacientes.

Em 2017, Gunter publicou os resultados de um estudo que analisou os hábitos de consumo de café de meio milhão de pessoas em toda a Europa, por um período de 16 anos. As pessoas que bebiam mais café apresentaram menor risco de morrer de doenças cardíacas, AVC e câncer.

Estas conclusões são coerentes com pesquisas realizadas em outras partes do mundo, incluindo os Estados Unidos, e as pesquisas mais recentes conduzidas no Reino Unido.

Gunter explica que existe consenso suficiente entre os estudos observacionais para confirmar que as pessoas que tomam até quatro xícaras de café por dia sofrem de menos doenças que aquelas que não consomem a bebida.

E os possíveis benefícios do café podem ser ainda maiores.

No estudo de Gunter, as pessoas que tomavam café apresentaram maior propensão a fumar e manter alimentação menos saudável do que as demais.

Esta é uma indicação de que, se o café realmente reduzir o risco de doenças cardíacas e câncer, talvez ele seja mais poderoso do que pensamos. Afinal, seus efeitos compensariam os hábitos não saudáveis dos seus consumidores.

Estes mesmos benefícios são observados com o café descafeinado, que contém quantidades de oxidantes similares ao café normal, segundo as pesquisas.

Gunter não encontrou, nos seus estudos, nenhuma diferença entre a saúde das pessoas que consomem café tradicional e descafeinado. Isso o levou a concluir que os benefícios associados ao café se devem a outra substância, não à cafeína.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5ype30g24ro.adaptado.
Estudos demonstraram, por exemplo, associação entre o consumo de café e menor risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer entre os pacientes.
Assinale a alternativa correta em relação à análise sintática apresentada a seguir.
Alternativas
Q3118308 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


O cotidiano da grosseria urbana


Perto de minha casa, há uma área reservada para veículos de idosos, com espaço para três carros. A medida é útil, sobretudo pela proximidade de um supermercado. Contudo, o desrespeito por regras básicas é comum. Alguns idosos (e outros nem tanto) utilizam a área, descarregam suas compras e abandonam os carrinhos na calçada, ignorando o simples ato de devolvê-los à loja, a poucos metros de distância.


Certa manhã, vi uma senhora estacionar seu SUV nessa área. Apesar do direito ao espaço, ela ocupou mais de uma vaga, restringindo o uso a outros veículos. Ao sugerir educadamente que reposicionasse o carro, fui surpreendido por uma resposta arrogante e uma atitude hostil. Sua reação pareceu fruto de alguma frustração pessoal, mas não deixou de refletir a crescente grosseria no convívio urbano.


Casos como esse se repetem. Outro exemplo ocorreu com uma motorista em um SUV que, parada em local proibido e atrapalhando o trânsito, ignorou os pedidos para liberar a passagem e respondeu com desdém: "Vá cuidar da sua vida!".


Supermercados, aliás, são um palco constante de falta de educação. Pessoas ignoram filas, empurram carrinhos nos calcanhares alheios e sequer pedem licença para pegar algo na prateleira. Em uma ocasião, crianças corriam pelos corredores soprando cornetas, enquanto o pai, alheio ao caos, analisava vinhos importados.


Esses episódios mostram como o egoísmo e a falta de empatia se manifestam em situações cotidianas. As grosserias urbanas, cada vez mais frequentes, evidenciam uma necessidade urgente de reflexão sobre respeito e convivência. Autor:



Fernando Fabbrini - Texto adaptado.


https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/2024/10/17/gross erias



No trecho "Alguns idosos (e outros nem tanto) utilizam a área, descarregam suas compras e abandonam os carrinhos na calçada", a análise dos sujeitos das orações revela que:
Alternativas
Q3116929 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


IA e educação: o que precisamos ensinar hoje para que nossos filhos se virem amanhã?

A revolução tecnológica e o impacto da IA estão transformando o mercado de trabalho. Como preparar as próximas gerações para um futuro incerto? Confira o artigo de Joice Leite

A revolução tecnológica, impulsionada pela inteligência artificial (IA), está transformando o mercado de trabalho a uma velocidade inédita. Hoje, pais e educadores enfrentam um desafio central: preparar crianças e jovens para um futuro incerto, no qual muitas das profissões para as quais estão sendo formados sequer existem. Como, então, podemos educá-los para esse cenário em constante evolução?

O impacto da IA e a criação de novas profissões

Nos últimos anos, a ideia de que milhões de empregos podem desaparecer tem ganhado força, com números alarmantes reforçando essa previsão. O Fórum Econômico Mundial aponta que cerca de 83 milhões de empregos serão eliminados globalmente nos próximos anos, enquanto 69 milhões de novos postos surgirão. A IA está no epicentro dessa transformação, com 75% das empresas previstas para adotar a tecnologia em suas operações. Apesar das previsões de crescimento de empregos, 25% das empresas acreditam que a IA pode reduzir vagas de trabalho.

O impacto da IA, entretanto, vai além da simples substituição de tarefas repetitivas. Ela está abrindo oportunidades em áreas completamente novas, que exigem habilidades contempladas na BNCC. No entanto, muitas vezes as instituições educacionais não dispõem dos recursos necessários para implementar na prática as habilidades do século XXI, como a criatividade, o pensamento crítico e a resolução de problemas complexos. Além disso, é crucial que as políticas públicas invistam em infraestrutura adequada e tecnologia acessível, garantindo que todos os estudantes tenham a oportunidade de explorar e integrar a IA em seu aprendizado, contribuindo assim para uma educação mais inclusiva e equitativa. Isso exige uma reflexão urgente sobre o que realmente estamos ensinando aos nossos filhos.

O papel da educação no preparo para o futuro

As disciplinas que atualmente compõem o currículo escolar são indiscutivelmente importantes. A matemática, a história e a gramática continuam a ser pilares fundamentais do conhecimento humano; porém, à medida que nos deparamos com um mundo em rápida transformação, a maneira como essas disciplinas são ensinadas e aprendidas deve evoluir.

Para preparar os estudantes para os desafios do século XXI, é crucial que as disciplinas tradicionais não sejam apenas ensinadas de forma isolada, mas integradas a metodologias que estimulem o desenvolvimento de habilidades essenciais. O pensamento crítico, a resolução de problemas complexos, a criatividade e a capacidade de adaptação são competências que não podem ser negligenciadas no ambiente educacional atual.

Vivemos em tempos nos quais, além de dominar a tabuada, as crianças precisam aprender a lidar com incertezas e mudanças rápidas. Profissões como analista de dados, especialista em cibersegurança e desenvolvedor de IA, que não existiam há dez anos, são apenas exemplos de campos que continuarão a emergir. Para pais e educadores, isso implica uma mudança de mentalidade: mais do que garantir boas notas, é necessário incentivar a curiosidade e o desenvolvimento de habilidades tecnológicas e emocionais.

O papel das escolas e o desenvolvimento de competências

As escolas, por sua vez, percebem a necessidade de se adaptar às demandas do futuro. Muitas já estão conscientes dessas mudanças, buscando ir além do currículo acadêmico tradicional. Instituições que estimulam o desenvolvimento de competências emocionais, tecnológicas e sociais, como empatia, liderança, pensamento computacional e trabalho colaborativo, estão preparando melhor seus alunos para os desafios que virão.

A importância de se adaptar a diferentes cenários, resolver problemas de maneira criativa e pensar de forma inovadora não pode ser subestimada. O desenvolvimento dessas habilidades é essencial para que os jovens se tornem agentes ativos e preparados para moldar o mundo em que viverão, e isso não pode ser feito apenas pela escola; os pais também devem estar envolvidos nesse processo.

Como os pais podem ajudar a moldar o futuro de seus filhos

Para os pais, refletir sobre o futuro é especialmente importante. A educação formal pode ser complementada por estímulos externos, como atividades extracurriculares, leitura e incentivo a projetos pessoais. Essas experiências ajudam a desenvolver o espírito empreendedor, a criatividade e a capacidade de inovação, elementos essenciais para atuar em um mercado de trabalho em constante transformação.

Com profissões emergindo em áreas como sustentabilidade, energias renováveis, saúde digital e desenvolvimento de novas tecnologias, as oportunidades para as próximas gerações são vastas. Porém, elas exigirão uma mentalidade flexível, aberta e adaptável às mudanças.

Portanto, é necessário ter coragem para inovar e determinação para educar para um futuro que já começou. Ao educar nossas crianças e jovens para enfrentar desafios que ainda não podemos prever, estamos, na verdade, abrindo caminho para que eles liderem essa nova era de inovações e descobertas. 


(https://exame.com/bussola/ia-e-educacao-o-que-precisamos-ensinar-hoje-para-que-nossos-filhos-se-virem-amanha/)
Analise as afirmativas levando em conta a fonologia, a morfologia e a análise sintática dos vocábulos presentes no texto, bem como conceitos adicionais que complementam a análise:

I.O vocábulo destacado em "...eles liderem essa nova era de inovações e descobertas", pertence a mesma classe gramatical que o destacado em "A educação formal pode ser complementada por estímulos externos".
II. Em "Isso não pode ser feito apenas pela escola ", o vocábulo destacado tem função de sujeito.
III. Em "Ao educar nossas crianças e jovens para enfrentar desafios que ainda não podemos prever", o verbo 'prever', conjugado na 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito e no futuro do presente do modo indicativo, assume as formas 'previram' e 'preverão', respectivamente.
IV. Em "Como, então, podemos educá-los para esse cenário em constante evolução?", a forma pronominal ' los' tem a mesma função sintática do pronome destacado em "Porém, elas exigirão uma mentalidade flexível, aberta e adaptável às mudanças.
V. A forma 'abobra' (abóbora), é um exemplo que confirma que a vogal em posição postônica interna é suscetível de síncope na pronúncia distensa do português.
VI. Na variedade temporal da língua, do português antigo ao contemporâneo, muitos substantivos passaram a ter gêneros diferentes. O substantivo 'mar', por exemplo, atualmente masculino, já foi usado como feminino, como é evidenciado nas formas 'preamar' e 'baixa-mar'.

Estão corretas: 
Alternativas
Q3115312 Português
"Mas a hipótese de que a forma como interpretamos uma noite de sono ruim pode mudar o quão cansados nos sentimos é uma consideração intrigante e potencialmente fortalecedora."
O núcleo do sujeito da forma verbal destacada é:
Alternativas
Q3114762 Português
Leia com atenção a afirmativa abaixo:

Choveu mais do que o esperado na última quarta-feira.

Como se classifica o tipo de sujeito da oração acima?
Alternativas
Q3114761 Português
Assinale a alternativa que possua o emprego de um predicado verbo-nominal:
Alternativas
Q3114122 Português
Leia com atenção as afirmativas abaixo:

I.Fui ao supermercado ontem e comprei frutas.
II.Vamos sair mais tarde para encontrar os amigos.
III.Choveu bastante durante a madrugada.
IV.Disseram que a festa será incrível.
V.Estava pensando em viajar no próximo feriado.

Em quais das afirmativas lidas há o emprego de um sujeito oculto?
Alternativas
Q3114042 Português
Visitante noturno

        O inseto apareceu sobre a mesa como todos os insetos: sem se fazer anunciar. E sem que se atinasse por que motivo escolhera aquele pouso. Não parecia bicho da noite, desses que não podem ver lâmpada acesa, e logo se aproximam, fascinados. Era uma coisinha insignificante, encolhida sobre o papel e ali disposta, aparentemente, a passar o resto de sua vida mínima, sem explicação, sem sentido para ninguém.
        Ninguém? O homem, que tem o hábito de ficar altas horas entre papéis e livros, sentiu-lhe a presença e pensou imediatamente em esmagar o intruso. Chegou a mover a mão. Não o mataria com os dedos, mas com outra folha de papel.
        Deteve-se. Não seria humano liquidar aquele bichinho só porque estava em lugar indevido, sem fazer mal algum. Inseto nocivo? Talvez. Mas sua ignorância em entomologia não lhe dava chance de decidir entre a segurança e a injustiça. E na dúvida, era melhor deixar viver aquilo, que nem nome tinha para ele. Com que direito aplicaria pena de morte a um desconhecido infinitamente desprovido de meios sequer para reagir, quanto mais para explicar-se?
        O inseto parecia pouco ligar para ele, juiz autonomeado e algoz em perspectiva. Dormia ou modorrava, sobre a mesa literária, indiferente, simplesmente. Chegara por acaso, sumiria daí a pouco; deixá-lo viver a seu modo, que era um viver anônimo, desligado de inquietações humanas, invariável dentro da natureza; curto e pobre.
        Uma ternura imprevista brotou no homem pelo animáculo que momentos antes pensara em destruir. Como se alguém viesse de longe para vê-lo, fazer-lhe companhia, em sua noite de trabalho. Não conversava, não incomodava, era uma questão apenas de estar à sua frente, imóvel, em secreta comunhão. Ele fora o escolhido de um inseto, que poderia ter voado para outro apartamento, onde houvesse outra vigília de escrevedor de coisas, mas fora aquela a casa de sua preferência.
        A menos que o acaso determinasse aquele encontro? Era possível. O inseto voara a esmo. O homem quis aferrar-se a essa hipótese, bem plausível. Já se envergonhava de ter envolvido o estranho numa aura de sensibilidade, e talvez voltasse ao impulso inicial de eliminação. A essa altura, espantou-se com a mobilidade de suas reações. Passava de verdugo a sentimentalão, depois a observador cético e crítico, finalmente perdia-se na confusão das várias atitudes que podemos assumir diante de um inseto instalado na mesa de um escritório, a uma hora que ainda não é madrugada, mas já é noite alta e de sono profundo.
        Aquietou-se, afinal, na contemplação do “bicho da terra tão pequeno”. Era alguma coisa parecida com um botão marrom rombudo, que tivesse olhos e um projeto de asas – o suficiente para deslocar-se no espaço em aventuras breves. Aquela não era uma aventura simples: a altura do edifício exigia esforço grande para chegar da árvore até o décimo primeiro andar. Entretanto, o botão vivo o fizera, e ali estava, tranquilo ou cansado, à mercê do gigante indeciso, que procurava entender, não propriamente sua presença, mas a turbação íntima que essa presença despertava no gigante.
        O homem não pensou em recorrer às enciclopédias para identificar o visitante. Ainda que chegasse a identificá-lo como espécie, não avançaria muito no conhecimento do indivíduo, que era único por ser entre todos o que o visitava. E na multidão de insetos, imagináveis e inimagináveis, só lhe interessava aquele, companheiro noturno vindo de não se sabe onde, a caminho de ignorado rumo.
        Já não escrevia. Olhava. Mirava. Sentia-se também olhado e mirado, quando o inseto fez ligeiro movimento que o colocou diretamente sob o foco de luz. Seria exagero encontrar expressão naqueles dois pontinhos negros e reluzentes, mas o fato é que deles parecia vir para os olhos do homem um sinal de atenção ou curiosidade. E os dois, homem e inseto, assim ficaram longo tempo, na muda inspeção, ou conversa, que não conduzia a nada.
        A nada? Muitas conversas entre homens também não levam a resultado algum, mas há sempre a esperança de um entendimento que pode vir das palavras ou de uma troca desprevenida de olhares. E o olhar pode penetrar mais fundo que as palavras. O homem sabia disso. Mas aí notou que, sabendo falar alguma coisa, não era perito em ver diretamente o real. A figura do inseto dizia-lhe pouco. Dos dois, talvez fosse ele, homem, o que menos habilitado se achava para uma forma de comunicação, aquém – ou além – dos códigos tradicionais.
        Distraiu-se avaliando essas limitações e, ao voltar à observação do visitante, este havia desaparecido, decepcionado talvez com a incomunicabilidade dos gigantes. Não é todas as noites que um inseto nos visita. E, se consegue insinuar-nos alguma coisa, nunca jamais foi captada para os homens que merecem crédito; só os ficcionistas é que costumam registrá-la, mas quem leva a sério ficcionistas?

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Boca de luar. Brasil, Editora Record, 1984.) 
Nas alternativas a seguir constam verbos sublinhados cujo sujeito pode ser corretamente identificado como desinencial, EXCETO em: 
Alternativas
Q3113166 Português
Analise e assinale a alternativa que apresenta a classificação correta das palavras em destaque:
“O menino é dedicado.” 
Alternativas
Q3113165 Português
Analise a oração:
“Choveu a semana toda.”
Assinale a opção que possui o tipo de sujeito presente acima: 
Alternativas
Q3113086 Português
Analise e assinale a alternativa correta:
“Os netos presentearam o avô.
Disseram que vai nevar.”
Alternativas
Q3111316 Português
Amor com cabeça de oito

   Seu Manéu era o carroceiro da nossa rua e também o único carroceiro que eu conhecia. Quando eu tinha oito, não entendia que quando um pai de família é carroceiro isso quer dizer que ele não tem muita escolha de sustento. Na minha cabeça de oito, ser carroceiro era algo incrível, uma profissão de controle, um ser dono de uma carruagem própria, mas é claro que eu também não pensava na malvadeza que era pro coitado do jumento, que puxava no espinhaço um monte de tijolo, de mudança, de terra, de qualquer coisa empilhada que obrigassem o jumento a puxar.

   Feito um pai de família sem opção de sustento, o jumento era condenado a sustentar um peso que não era seu. Mas eu, com minha cabeça de oito, achava a carroça maravilhosa, rangendo rua acima e rua abaixo, contando histórias de onde vinha. [...]

(ARRAES, Jarid. Redemoinho em dia quente. 1ª ed. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2019)
Em “é claro que eu também não pensava na malvadeza” (1º§), tem-se um período composto, em que a segunda oração exerce a função sintática de ______. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
Alternativas
Q3110024 Português
Assinale a alternativa em que o sujeito é indeterminado:
Alternativas
Q3109431 Português
Texto CB4A1


       Não se sabe exatamente se a primeira eleição a que Rui Barbosa concorreu foi para deputado provincial, na Bahia, em 1875. Vagou-se um cargo na Assembleia Provincial, em razão da morte de um de seus membros, João Victor de Carvalho. As províncias do Império foram divididas em distritos eleitorais de três deputados cada um, eleitos por maioria relativa de votos.
        A eleição dos membros das Assembleias Provinciais far-se-ia da mesma maneira que a dos deputados à Assembleia Geral, não havendo suplentes: no caso de “morte do deputado, opção por outro distrito, ou perda do seu lugar por qualquer motivo”, proceder-se-ia a uma nova eleição no mesmo distrito.
         Luiz Vianna Filho — que é, reconhecidamente, junto com João Mangabeira, um dos mais completos biógrafos de Rui — nega essa candidatura. E diz:
         “No prestimoso volume Correspondência, em que reuniu cartas e documentos de Rui Barbosa, publica o Sr. Homero Pires uma circular de Rui dirigida aos eleitores do 3.º Distrito, datada de 4 de outubro de 1875, e à qual pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota: ‘Somente em 1878 Rui Barbosa teve ingresso na Assembleia Legislativa Provincial da Bahia’. De fato, a circular existe em facsímile no arquivo da Fundação Casa Rui Barbosa. Entretanto, uma vez que essa nota pode suscitar equívoco, deve ser esclarecido que, na realidade, Rui, candidato em 1878, o foi nesse ano pela primeira vez. Até porque, em 1875, estava o Partido Liberal afastado das lides eleitorais, atitude que só foi modificada em 19 de março de 1876.”
      Vianna alega, ainda, que o próprio Rui, “ao responder à comissão promotora da candidatura dele pelo 1.º Distrito da Corte, em 1889, declara expressamente: ‘Nos cinco escrutínios em que corri os azares da luta eleitoral...’. Ora, os cinco escrutínios são o de 1878, o de 1881, o de 1884, o de 1886 e o de 1888”.
           Mas, se a circular é de 4 de outubro de 1875, não se sabendo se teria sido distribuída, a eleição, a que parece Rui ter concorrido, foi em 10 de janeiro daquele ano. E há um parecer da Comissão de Poderes da Assembleia, lido em 3 de março de 1875, que indica o resultado do pleito: Francisco José da Costa – 182 votos; Tenente Coronel Manuel Jerônimo Ferreira – 39 votos; Rui Barbosa – 6 votos; Cícero Emiliano Alcamim – 1 voto.
       O parecer conclui: “[...] considerando que se acha regular a referida eleição, contra a qual não houve reclamação, é de parecer que seja declarado deputado à Assembleia Provincial pelo 1.º Distrito o Dr. Francisco José da Costa, que obteve maior soma de votos”. 


Walter Costa Porto. Rui Barbosa e o voto. In: Estudos Eleitorais na História. v. 11, n.º 3, setembro/dezembro 2016. Brasília: Escola Judiciária eleitoral, 2017. Internet: <bibliotecadigital.tse.jus.br> (com adaptações).
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB4A1, julgue o item seguinte.

O texto apresenta, em diferentes trechos, orações invertidas, em que o sujeito aparece posposto ao verbo, como é o caso dos exemplos a seguir: ‘publica o Sr. Homero Pires uma circular’ e ‘pôs o Dr. Homero Pires a seguinte nota’ no primeiro período do quarto parágrafo, e ‘não houve reclamação’, no sétimo parágrafo.
Alternativas
Q3108635 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O Crescente impacto econômico da obesidade no Brasil

Uma pesquisa mostrou que, em uma análise do impacto econômico da obesidade em mais de cento e sessenta países, mantidas as tendências atuais, em 2060 o Brasil será a sétima economia do mundo com maiores gastos relacionados a essa condição.

Segundo as projeções, divulgadas em um estudo publicado na revista científica BMJ Global Health, o percentual de pessoas obesas ou com sobrepeso no Brasil chegará a 88,1% em 2060, resultando em um impacto econômico de US$ 218,2 bilhões (cerca de R$ 1,3 trilhão). 

O cálculo leva em conta tanto gastos médicos diretos quanto os resultantes do processo de cuidados de saúde, como o custo de viagens para pacientes e acompanhantes. Também inclui perdas econômicas resultantes de mortes prematuras, dias de trabalho perdidos e queda de produtividade devido a problemas de saúde relacionados ao excesso de peso.

De acordo com o estudo, em 2019 a prevalência de sobrepeso e obesidade no Brasil era de 53,8% da população e gerava impacto econômico de US$ 37,1 bilhões (cerca de R$ 190,5 bilhões), o décimo maior entre os 161 países.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0v38dy8vygo.adaptado 
De acordo com o estudo, em 2019 a prevalência de sobrepeso e obesidade no Brasil era de 53,8% da população.
Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase,
Alternativas
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Q3107718 Português

Leia o trecho da obra “A Insustentável Leveza do Ser” do escritor tcheco Milan Kundera e responda a questão a seguir.


“Aquele que deseja continuamente ‘elevar-se’ deve esperar um dia pela vertigem. O que é a vertigem? O medo de cair? Mas porque sentimos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada? A vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados.”


KUNDERA, Milan. A insustentável leveza do ser. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. 

No trecho “A vertigem não é o medo de cair”, a expressão “o medo de cair” exerce a função sintática de:
Alternativas
Q3107048 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



A descoberta suíça e a produção de chocolate com cacau inteiro e sem açúcar


Imagine pegar uma maçã suculenta, mas em vez de comê-la, você guarda as sementes e joga o resto fora.


É o que os produtores de chocolate tradicionalmente fazem com o cacau: usam as sementes e descartam o resto.


Agora, cientistas de alimentos na Suíça descobriram uma maneira de fazer chocolate usando todo o fruto do cacaueiro, em vez de apenas as sementes, e sem usar açúcar.


O chocolate, desenvolvido no renomado Instituto Federal de Tecnologia de Zurique pelo cientista Kim Mishra e sua equipe, inclui a polpa do cacau, o sumo e a casca, ou endocarpo.


O processo já chamou a atenção de empresas de alimentos sustentáveis.


Elas dizem que a produção tradicional de chocolate, usando apenas as sementes, também chamadas de amêndoas, envolve deixar o restante da fruta — do tamanho de um mamão papaia e repleto de valor nutritivo — apodrecendo nos campos.


O segredo para o novo chocolate está em seu sumo bastante doce, tendo um gosto "bem frutado, um pouco como o abacaxi", explica Mishra.


Esse sumo, que tem 14% de açúcar, é destilado para formar um xarope altamente concentrado, combinado com a polpa e, na sequência, misturado com a casca seca, ou endocarpo, para formar um gel de cacau bem doce, levando a sustentabilidade a um novo patamar. Este gel, quando adicionado às amêndoas de cacau para fazer o chocolate, elimina a necessidade de açúcar.


Mishra vê sua invenção como a mais recente de uma longa linha de inovações dos fabricantes de chocolate suíços.


No século 19, Rudolf Lindt, da família que fundou os chocolates Lindt, acidentalmente inventou a etapa crucial da conchagem do chocolate — processo de mistura, agitação e arejamento da massa de cacau aquecida para torná-la suave e reduzir sua acidez —, deixando a máquina de mixagem de cacau funcionando durante a noite. O resultado pela manhã? Um chocolate doce e deliciosamente suave.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjw3y59g66vo.adaptado.

O chocolate, 'desenvolvido no renomado Instituto Federal de Tecnologia de Zurique pelo cientista Kim Mishra e sua equipe', inclui a polpa do cacau, o sumo e a casca, ou endocarpo.
Sintaticamente, o termo destacado nesta frase trata-se de: 
Alternativas
Respostas
501: B
502: A
503: B
504: A
505: B
506: B
507: C
508: A
509: B
510: C
511: B
512: C
513: D
514: C
515: D
516: C
517: E
518: D
519: C
520: B