Questões de Concurso
Sobre sintaxe em português
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TEXTO: Quanto custa um sonho?
Quanto custa um sonho?
Alguma coisa ele sempre custa.
Muitas vezes muitas coisas ele custa, outras vezes outros sonhos ele custa.
Não importam os percalços, os sacrifícios, os espinhosos enredos.
Não importa.
Uma vez vivido, o sonho está sempre num ótimo preço!
Elisa Lucinda – A Conta do Sonho
Considero lindo e verdadeiro esse poema! E adoro quando ela diz “Uma vez vivido, o sonho está sempre num ótimo preço!”, o que me faz lembrar a alegria que sente uma mulher quando recebe em seus braços o filho que acaba de nascer. Naquele momento, passam para o esquecimento eventuais dificuldades para engravidar, sustos, medos, inseguranças, problemas durante a gestação, as dores do parto1. Tudo isso cede espaço ao sonho realizado.
E sempre admiramos quem corre atrás dos seus sonhos, quem tem persistência, resiliência, fé, quem cai, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Porque todos temos sonhos, mas, na maioria das vezes, pouco fazemos para realizá-los, gastando mais tempo e energia buscando desculpas para a nossa INÉRSIA/INÉRCIA, a nossa ineficácia.
Só que pode acontecer de, ao conseguirmos realizar nosso sonho, descobrirmos que tudo o que mais queríamos não passava de um pesadelo DISFARÇADO/DISFARSADO que nos traz sofrimento, desencanto, tristeza e raiva de nós mesmos por não termos considerado os ventos, as nuvens carregadas, os conselhos que prenunciavam a terrível tempestade que se formava.
De qualquer forma, o que encontramos pelo caminho2, de bom e de mau, nos prepara melhor para viver o sonho, assim como nos prepara para enfrentar o pesadelo que pode estar a nossa espera após tantas lutas. E até na hipótese ruim, podemos, uns com mais, outros com menos facilidade, reorganizarmo-nos na tentativa de, no mínimo, conseguirmos nos proteger da dor do que costumamos chamar fracasso.
Mas também pode ocorrer de nos depararmos com um vazio que em nada se parece nem com a realização de um sonho nem mesmo com um pesadelo DISCIMULADO/DISSIMULADO. Para mim, esse é o pior cenário. Não nos preparamos para o nada. Não sabemos lidar com o nada. E ficamos ali estarrecidos, com a sensação de que até o instinto de sobrevivência nos abandonou.
E eu acredito que isso pode acontecer quando, como diz Elisa Lucinda, aquele sonho custou outros sonhos, quando ainda não entendemos que somos muito mais do que aquele ANSEIO/ANCEIO e nele apostamos todas as nossas fichas, como se nada mais existisse.
Sonhos precisam ser sempre reavaliados, e não há nada de errado em desistirmos de um ou mais deles. Até porque estamos sempre em evolução, e alguns podem perder totalmente o sentido com o passar do tempo, com o nosso amadurecimento.
Dizem que a felicidade está mais na jornada do que no destino. Então, é preciso que tenhamos olhos para ver e ouvidos para ouvir tudo e todos ao longo do processo. Somente se nos permitirmos ponderar, sopesar nossos sonhos e nos abrirmos para a beleza do percurso, estaremos protegidos do paralisante, do assustador vazio que pode nos devorar emocionalmente e nos embotar3 a ponto de não mais voltarmos a sonhar.
Nós nunca perdemos. Mesmo quando o sonho exigiu de nós um enorme investimento e não se realizou como desejávamos, todo o aprendizado, toda a VIVÊNSIA/VIVÊNCIA do percurso continuará a nosso dispor4 para novos sonhos. Isso jamais se perderá. Serão sempre como tesouros que nem a traça nem a ferrugem conseguirão corroer, que nem ladrões poderão escavar e roubar. E é neles que estará também o nosso coração, ainda mais preparado para a próxima jornada.
SANT’ANA, Maraci. Quanto custa um sonho? Correio Braziliense, 20 de julho de 2023. Opinião. Disponível em:
https://blogs.correiobraziliense.com.br/consultoriosentimental/quanto-custa-um-sonho/. Acesso em: 25 jan. 2024. Adaptado.
Qual é o tipo de predicado que estrutura a oração “Considero lindo e verdadeiro esse poema!” (1º parágrafo)
Texto:
As crianças, as frustrações e o suicídio
Que atire a primeira pedra quem nunca recebeu ou não foi tocado por um daqueles vídeos com crianças das décadas de 50, 60 e 70 brincando na rua, correndo feito loucas, cheias de hematomas, esfoladas de dar dó, suadas e sujas de dar nojo, mas, como diria minha mãe, “rindo a bandeiras despregadas”. E muitos de nós vivemos essa infância, mas a sensação que temos é a de que, entre aquele tempo e hoje, há a eternidade. Havia disputas acirradas? Sem dúvida. Havia brigas? Muitas. Havia Bullying? Todo o tempo.
Mas não víamos casos de suicídio entre crianças e adolescentes como vemos hoje. E não estou falando das que têm vidas desoladoras, mas das chamadas “crianças que têm tudo”. É claro que vivíamos situações estressantes, mesmo ______ os pais eram rigorosos demais e até violentos, não nos ouviam porque achavam que criança não tinha que falar, mas obedecer. Muitas de nós sofríamos de depressão e ansiedade, como vemos hoje, mas acredito que essa atividade física ao ar livre, a exposição ao sol, o contato presencial com outras crianças, ajudavam-nos a esquecer, pelo menos por alguns momentos, as agruras da vida.
Sim, as agruras da vida! ______ está redondamente enganado aquele que pensa que criança que tem “tudo nas mãos”, que “não precisa se preocupar com mais nada além de brincar e estudar”, não tem motivo para se sentir infeliz. As estatísticas estão aí para provar que isso não é verdade, e várias são as causas para ideações e tentativas de suicídio – problemas mentais, como depressão e transtorno de personalidade Bordelense; perda de um ente querido, por morte ou separação; Bullying; abusos sexuais; dificuldades de aprendizagem. E alguns sinais não podem ser ignorados, servindo de alerta, como alterações do apetite e do peso, cansaço excessivo, baixa autoestima, agitação, desânimo, isolamento, irritabilidade, ataques de raiva, comportamentos estranhos como roupas que mais parecem esconderijos.
Mas uma coisa chama a minha atenção nas crianças e nos adolescentes de hoje, que é o despreparo para lidar com as frustrações, com as decepções. Aquelas crianças de antigamente, às quais só restava obedecer, já tinham um “não” para tudo e tinham que correr atrás do “sim” para qualquer coisa que não fosse acordar, dormir, comer, tomar banho, ir para a escola, fazer as lições. Toda e qualquer coisa que saísse desse script demandava permissão que precisava ser perseguida. Em geral, pedia-se à mãe, que empurrava a responsabilidade para o pai, que a devolvia com um “Se sua mãe disser que pode, tudo bem pra mim”. E lá ia a criaturinha de volta para a mãe, com o coração aos pulos.
Hoje, a garotada já nasce com um “sim” para tudo. [o]s pais, desejosos de serem “[o]s melhores pais do mundo” e, cá entre nós, morrendo de medo de não [o] serem ou de assim não serem considerados, raramente dizem “não” às suas crias e, quando [o] fazem, diante do espanto e do choque provocado, entram em pânico e voltam atrás nas suas decisões, restabelecendo a calma nas relações. Só que a vida não é feita só de “sins”, mas também de “nãos”. Aliás, bem mais “nãos” do que “sins”. E quando [o] filhote começa a dar [o]s primeiros passos fora da bolha de proteção, [o] bicho pega, não alisa!
Um exemplo de ambiente que não passa a mão na cabeça de ninguém é o das redes sociais. Mesmo para muitos adultos, é difícil lidar com críticas, até mesmo construtivas. Agora imagine o que é para uma criança ou um adolescente acostumado aos “sins” receber “nãos” ou, o que é pior, ser alvo dos haters, que disseminam o ódio, fazendo comentários maldosos e até absurdos, criminosos. Muitas crianças e adolescentes tiram a própria vida por não suportarem o que lhes é dito pela internet. E a solução não é impedir o uso das redes sociais, ______ elas são uma realidade, são parte da nossa vida.
Assim, deixo aqui alguns conselhos aos pais que desejam ser os melhores do mundo. Em primeiro lugar, entenda que, em situações ordinárias, todos os pais e todas as mães tentam ser os melhores pais e as melhores mães do mundo, mas todos, sem exceção, falham ______ os consumidores desses esforços, que são os filhos, costumam ter uma noção diferente do pai ou da mãe ideal. Então tente ser o pai que você gostaria de ter tido e vá se adaptando aos seus filhos, aprendendo com eles, com os novos modelos sociais, com os novos tempos. Siga firme e ponha todo o seu amor nesse percurso.
Em segundo lugar, pense que seus pais provavelmente também desejaram ser os melhores do mundo ou, no mínimo, não cometer os erros cometidos pelos pais deles. Assim, mesmo que você ache que eles não se saíram bem, não cometa o erro de acreditar que eles fizeram tudo errado. Em geral, começamos pensando que eles erraram em tudo, depois começamos a pensar que eles acertaram em algumas coisas e terminamos pensando que eles acertaram muito, às vezes naquilo que abominávamos.
Em terceiro lugar, seu filho precisa mesmo é ser amado – acolhido, respeitado, ouvido, orientado. Ele precisará ouvir “sins” e “nãos”; precisará ouvir que a vida nem sempre é como a gente quer que ela seja, exigindo de nós resiliência, paciência, perseverança; precisará ouvir de você um pedido de desculpas sempre que você entender que falhou com ele; precisará entender que pais não são super-heróis, apenas seres humanos tentando acertar, que continuam a nos amar mesmo quando erram feio, mesmo quando nós erramos feio.
E procure se conhecer, observar como você costuma lidar com os “nãos” da vida, como reage diante das frustrações. Você se mantém tranquilo, respira fundo e tenta encontrar uma saída para o problema? Ou você é do tipo que tem um ataque, desconta nos outros, enche a cara ou toma um calmante e fica largado na cama babando? Lembre que os nossos filhos estão sempre de olho em nós, aprendendo com o que falamos, mas, principalmente, com o exemplo que damos. Como dizem, a palavra convence, mas o exemplo arrasta.
SANT’ANA, Maraci. As crianças, as frustrações e o suicídio. Correio Braziliense, 23 de agosto de 2023. Opinião. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/consultoriosentimental/ascriancas-e-as-frustracoes/. Acesso em: 25 jan. 2024. Adaptado.
Como se classifica o sujeito do verbo grifado no trecho “Toda e qualquer coisa que saísse desse script demandava permissão que precisava ser perseguida.” (4º parágrafo)?
Algumas dúvidas sobre o chip implantado no cérebro
Por Aluizio Falcão Filho
- Talvez a maior notícia científica dos últimos anos foi divulgada ontem (30/01/2024) – o
- onipresente Elon Musk anunciou que uma de suas empresas, a Neuralink, realizou o implante de
- um chip em cérebro humano que permite ao usuário utilizar telefones e computadores, por
- exemplo, apenas pela ação do pensamento (nesta fase, apenas indivíduos sem membros do
- corpo, como braços e pernas, poderão experimentar a nova tecnologia).
- É importante ressaltar que outros chips já foram acoplados .... mente humana, mas com
- finalidades diferentes da “Telepathy”, o sugestivo nome criado pela empresa de Musk.
- Isso, evidentemente, é só o começo. Musk pretende estender o uso do chip para outros
- equipamentos e, mais à frente, usar essa ferramenta para aumentar a inteligência humana.
- “Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido que um datilógrafo ou leiloeiro.
- Esse é o objetivo”, afirmou Musk em rede social (leiloeiros americanos, especialmente os de
- gado, falam muito rápido quando estão anunciando os produtos .... plateias).
- Aumentar a inteligência dos seres humanos é um objetivo de vários cientistas – e
- preocupação de alguns teóricos, como o autor israelense Yuval Harari. Ele acredita que os chips
- vão criar duas castas na sociedade: aqueles que são superdotados pela tecnologia e aqueles que
- não são. Isso, para ele, terá impactos terríveis na sociedade por conta do desequilíbrio que será
- causado por essa diferença.
- Ocorre que o sistema capitalista sempre busca baratear e popularizar um determinado
- produto tecnológico – especialmente um chip com esse apelo, o de melhorar a inteligência. Dessa
- forma, se duas castas forem formadas, a tendência é a de que o chip se popularize rapidamente
- e iguale a sociedade, exatamente o que aconteceu com a disseminação dos telefones celulares.
- Mas aumentar a inteligência talvez não seja suficiente para que nos tornemos uma espécie
- mais evoluída. É possível ver pessoas inteligentes e com preconceitos pré-históricos. Um chip
- melhoraria o discernimento desses indivíduos, .... ponto de diminuir a intolerância? Ou
- simplesmente vai fornecer novos argumentos para fortalecer posições retrógradas?
- Outro ponto importante é a capacidade de analisar um processo antes de dar início a um
- trabalho. Como o próprio Musk diz, “possivelmente o erro mais comum de um engenheiro
- inteligente é otimizar algo que não deveria existir”. Para isso, no entanto, não é preciso
- inteligência – e sim bom senso.
- Tenho três dúvidas sobre o funcionamento desse chip:
- SONHOS – O chip continua funcionando durante o sono? Que comandos ele pode acionar
- se o usuário estiver, por exemplo, sonhando? A Neuralink informou que o aparelho foi instalado
- em uma área do cérebro que coordena os movimentos e, assim, não estaria sujeito aos efeitos
- do inconsciente. Mesmo assim, é bom efetuar testes neste sentido. Prevenir é melhor que
- remediar.
- ROMPANTES – Várias vezes temos o impulso de fazer alguma coisa e nos arrependemos
- segundos depois. Como vai se comportar o chip nessa hora?
- HACKERS – Nosso cérebro, uma vez abrigando um chip, pode ser acessado por alguém de
- fora? Ou seja, é possível hackear o cérebro de quem instalou um chip? Obrigar alguém a seguir
- ordens?
- Essas e outras perguntas vão surgir com o tempo. Mesmo que a ideia pareça assustadora,
- precisamos nos acostumar com ela. A alternativa ao chip é uma vida muito mais limitada e sem
- nenhuma competitividade.
(Disponível em: www.exame.com/colunistas/money-report-aluizio-falcao-filho/algumas-duvidas-sobre-o-chip-implantado-no-cerebro/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Quanto à predicação, o verbo empregado na frase “Esse é o objetivo” (l. 11) é:
Algumas dúvidas sobre o chip implantado no cérebro
Por Aluizio Falcão Filho
- Talvez a maior notícia científica dos últimos anos foi divulgada ontem (30/01/2024) – o
- onipresente Elon Musk anunciou que uma de suas empresas, a Neuralink, realizou o implante de
- um chip em cérebro humano que permite ao usuário utilizar telefones e computadores, por
- exemplo, apenas pela ação do pensamento (nesta fase, apenas indivíduos sem membros do
- corpo, como braços e pernas, poderão experimentar a nova tecnologia).
- É importante ressaltar que outros chips já foram acoplados .... mente humana, mas com
- finalidades diferentes da “Telepathy”, o sugestivo nome criado pela empresa de Musk.
- Isso, evidentemente, é só o começo. Musk pretende estender o uso do chip para outros
- equipamentos e, mais à frente, usar essa ferramenta para aumentar a inteligência humana.
- “Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido que um datilógrafo ou leiloeiro.
- Esse é o objetivo”, afirmou Musk em rede social (leiloeiros americanos, especialmente os de
- gado, falam muito rápido quando estão anunciando os produtos .... plateias).
- Aumentar a inteligência dos seres humanos é um objetivo de vários cientistas – e
- preocupação de alguns teóricos, como o autor israelense Yuval Harari. Ele acredita que os chips
- vão criar duas castas na sociedade: aqueles que são superdotados pela tecnologia e aqueles que
- não são. Isso, para ele, terá impactos terríveis na sociedade por conta do desequilíbrio que será
- causado por essa diferença.
- Ocorre que o sistema capitalista sempre busca baratear e popularizar um determinado
- produto tecnológico – especialmente um chip com esse apelo, o de melhorar a inteligência. Dessa
- forma, se duas castas forem formadas, a tendência é a de que o chip se popularize rapidamente
- e iguale a sociedade, exatamente o que aconteceu com a disseminação dos telefones celulares.
- Mas aumentar a inteligência talvez não seja suficiente para que nos tornemos uma espécie
- mais evoluída. É possível ver pessoas inteligentes e com preconceitos pré-históricos. Um chip
- melhoraria o discernimento desses indivíduos, .... ponto de diminuir a intolerância? Ou
- simplesmente vai fornecer novos argumentos para fortalecer posições retrógradas?
- Outro ponto importante é a capacidade de analisar um processo antes de dar início a um
- trabalho. Como o próprio Musk diz, “possivelmente o erro mais comum de um engenheiro
- inteligente é otimizar algo que não deveria existir”. Para isso, no entanto, não é preciso
- inteligência – e sim bom senso.
- Tenho três dúvidas sobre o funcionamento desse chip:
- SONHOS – O chip continua funcionando durante o sono? Que comandos ele pode acionar
- se o usuário estiver, por exemplo, sonhando? A Neuralink informou que o aparelho foi instalado
- em uma área do cérebro que coordena os movimentos e, assim, não estaria sujeito aos efeitos
- do inconsciente. Mesmo assim, é bom efetuar testes neste sentido. Prevenir é melhor que
- remediar.
- ROMPANTES – Várias vezes temos o impulso de fazer alguma coisa e nos arrependemos
- segundos depois. Como vai se comportar o chip nessa hora?
- HACKERS – Nosso cérebro, uma vez abrigando um chip, pode ser acessado por alguém de
- fora? Ou seja, é possível hackear o cérebro de quem instalou um chip? Obrigar alguém a seguir
- ordens?
- Essas e outras perguntas vão surgir com o tempo. Mesmo que a ideia pareça assustadora,
- precisamos nos acostumar com ela. A alternativa ao chip é uma vida muito mais limitada e sem
- nenhuma competitividade.
(Disponível em: www.exame.com/colunistas/money-report-aluizio-falcao-filho/algumas-duvidas-sobre-o-chip-implantado-no-cerebro/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando a frase adaptada “A Neuralink realizou o implante de um chip em cérebro humano”, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O fragmento apresenta dois adjuntos adnominais do sujeito, que são representados por um artigo e um adjetivo.
( ) O sujeito da oração é classificado como simples, pois possui apenas um núcleo.
( ) O verbo “realizou” é classificado como transitivo indireto, pois apresenta um complemento verbal que inicia por preposição.
( ) A expressão “em cérebro humano” é classificada como objeto direto.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Algumas dúvidas sobre o chip implantado no cérebro
Por Aluizio Falcão Filho
- Talvez a maior notícia científica dos últimos anos foi divulgada ontem (30/01/2024) – o
- onipresente Elon Musk anunciou que uma de suas empresas, a Neuralink, realizou o implante de
- um chip em cérebro humano que permite ao usuário utilizar telefones e computadores, por
- exemplo, apenas pela ação do pensamento (nesta fase, apenas indivíduos sem membros do
- corpo, como braços e pernas, poderão experimentar a nova tecnologia).
- É importante ressaltar que outros chips já foram acoplados .... mente humana, mas com
- finalidades diferentes da “Telepathy”, o sugestivo nome criado pela empresa de Musk.
- Isso, evidentemente, é só o começo. Musk pretende estender o uso do chip para outros
- equipamentos e, mais à frente, usar essa ferramenta para aumentar a inteligência humana.
- “Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido que um datilógrafo ou leiloeiro.
- Esse é o objetivo”, afirmou Musk em rede social (leiloeiros americanos, especialmente os de
- gado, falam muito rápido quando estão anunciando os produtos .... plateias).
- Aumentar a inteligência dos seres humanos é um objetivo de vários cientistas – e
- preocupação de alguns teóricos, como o autor israelense Yuval Harari. Ele acredita que os chips
- vão criar duas castas na sociedade: aqueles que são superdotados pela tecnologia e aqueles que
- não são. Isso, para ele, terá impactos terríveis na sociedade por conta do desequilíbrio que será
- causado por essa diferença.
- Ocorre que o sistema capitalista sempre busca baratear e popularizar um determinado
- produto tecnológico – especialmente um chip com esse apelo, o de melhorar a inteligência. Dessa
- forma, se duas castas forem formadas, a tendência é a de que o chip se popularize rapidamente
- e iguale a sociedade, exatamente o que aconteceu com a disseminação dos telefones celulares.
- Mas aumentar a inteligência talvez não seja suficiente para que nos tornemos uma espécie
- mais evoluída. É possível ver pessoas inteligentes e com preconceitos pré-históricos. Um chip
- melhoraria o discernimento desses indivíduos, .... ponto de diminuir a intolerância? Ou
- simplesmente vai fornecer novos argumentos para fortalecer posições retrógradas?
- Outro ponto importante é a capacidade de analisar um processo antes de dar início a um
- trabalho. Como o próprio Musk diz, “possivelmente o erro mais comum de um engenheiro
- inteligente é otimizar algo que não deveria existir”. Para isso, no entanto, não é preciso
- inteligência – e sim bom senso.
- Tenho três dúvidas sobre o funcionamento desse chip:
- SONHOS – O chip continua funcionando durante o sono? Que comandos ele pode acionar
- se o usuário estiver, por exemplo, sonhando? A Neuralink informou que o aparelho foi instalado
- em uma área do cérebro que coordena os movimentos e, assim, não estaria sujeito aos efeitos
- do inconsciente. Mesmo assim, é bom efetuar testes neste sentido. Prevenir é melhor que
- remediar.
- ROMPANTES – Várias vezes temos o impulso de fazer alguma coisa e nos arrependemos
- segundos depois. Como vai se comportar o chip nessa hora?
- HACKERS – Nosso cérebro, uma vez abrigando um chip, pode ser acessado por alguém de
- fora? Ou seja, é possível hackear o cérebro de quem instalou um chip? Obrigar alguém a seguir
- ordens?
- Essas e outras perguntas vão surgir com o tempo. Mesmo que a ideia pareça assustadora,
- precisamos nos acostumar com ela. A alternativa ao chip é uma vida muito mais limitada e sem
- nenhuma competitividade.
(Disponível em: www.exame.com/colunistas/money-report-aluizio-falcao-filho/algumas-duvidas-sobre-o-chip-implantado-no-cerebro/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Na frase “Ocorre que o sistema capitalista sempre busca baratear e popularizar um determinado produto tecnológico”, se o vocábulo “sistema” fosse flexionado no plural, quantas outras palavras precisariam ter a grafia modificada para garantir a correta concordância verbo-nominal?
“Ainda não se acostumou, mãe?”
Por Martha Medeiros
- Parece que foi ontem. Ela estava sentada à mesa conosco, nossa versão de “éramos seis”:
- eu, ela, o pai dela, a avó, a irmã e o namorado da irmã. Pedi para a Clair, minha funcionária
- ____ 32 anos, que ___________ uma lasanha inesquecível para o almoço de despedida. Depois
- de três semanas visitando a família, minha filha mais velha voltaria para sua própria casa. Menos
- de 24 horas depois, já tinha aterrissado na França, onde vive. Que invenção, o avião. Perdi a
- conta de quantas vezes os preparativos para sua estada se repetiram: fazer uma fa...ina
- capri...ada em seu antigo quarto, abastecer a despensa com feijão, doce de leite, guaraná e pão
- de queijo, buscá-la no aeroporto, levá-la ao aeroporto. Mas, recorrente mesmo, é o nosso diálogo
- antes de ela desaparecer por trás do portão de embarque. Trocamos um longo abraço e ao me
- ver meio desen...abida, sempre pergunta: “Ainda não se acostumou, mãe?”. Não sou de
- lamúrias: me acostumei, sim. Já são muitos anos de distância geográfica – e viva a tecnologia.
- Trocamos WhatsApp regulares e, através de chamadas de vídeo, percebo pelo seu olhar se está
- alegre ou preocupada. É quase como estar junto. Sou madura. Não faço drama.
- Quem dera ___________ mais beijos e abraços entre nós, mas as demandas pessoais dela
- são prioridade. Se viver fora do Brasil atende suas necessidades de expansão e conhecimento,
- vou eu fazer chantagem emocional? Quero que avance, que cresça, que se divirta e que, quando
- as tristezas surgirem (surgem em qualquer lugar do mundo), ela me ligue para a gente segurar
- a onda juntas. É possível ficar perto de quem está longe, distância não é um conceito exato.
- A conexão que importa é a da sintonia. Não posso desconsiderar seus desejos e
- menosprezar sua coragem de enfrentar a vida em outro idioma e mantendo outras relações.
- Parentes são abrigos, cais, plataformas de lançamento e recepção, mas crescemos mesmo
- através do que nos é estranho. Infelizmente, ninguém estimula pais e mães a pensarem assim.
- Aprendemos que, quanto maior o sofrimento pela ausência deles, maior é o amor. Então as
- queixas de saudade se acumulam e os filhos lá fora, coitados, que se virem com a culpa por
- terem partido.
- Se defendo minha liberdade, tenho que defender a liberdade da minha prole também – e
- apoiá-la. Não sofro, não me escabelo, sei que ela está bem, e quando está mal, não é por viver
- em um país estrangeiro, mas por questões emocionais que atingem a todos, onde quer que se
- esteja. Confio no amor que demonstro através da minha confiança e torcida. E os aviões estão
- aí para recuperar os abraços e beijos quando essa maturidade toda começa a fraquejar.
- Embarco depois de amanhã. É a vez dela de botar a mesa para mim.
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2024/02/ainda-nao-se-acostumou-mae-cls3dvasz001z012b2y6wgcvn.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando a correta concordância verbal em Língua Portuguesa, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 03 (duas ocorrências) e 14.
Por que a reciclagem de embalagem plástica no Brasil é tão baixa?
Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos, reciclagem de alguns dos principais materiais no Brasil encontra barreiras.
No Brasil, cada pessoa produz, em média, 343 quilos de resíduos sólidos por ano, totalizando cerca de 80 milhões de toneladas anualmente.
RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) são todos os materiais produzidos nas residências, comércios, indústrias, hospitais e demais instalações e descartados após o término de sua utilidade. Os RSU são classificados em quatro tipos: resíduos orgânicos (restos de alimentos, folhas, galhos e esterco), recicláveis (papel, plástico, metal e vidro), perigosos (pilhas, baterias e resíduos hospitalares) e rejeitos materiais (não recicláveis ou reutilizáveis).
A fração orgânica é a mais significativa, representando 46% do total, enquanto entre os resíduos recicláveis secos destaca-se o plástico, que constitui cerca de 17% dos RSU. Em 2022, o Brasil gerou aproximadamente 13,7 milhões de toneladas de resíduos plásticos nas cidades, o equivalente a 64 quilos por pessoa durante o ano. Essa produção coloca o Brasil como o quarto maior produtor global de resíduos plásticos, atrás somente de Estados Unidos, China e Índia.
Além do excesso de resíduos plásticos gerados pela população brasileira, outro grande problema é a sua baixa taxa de reciclagem, apesar da lei nº 12.305/2010, que instituiu a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos).
A PNRS introduziu a logística reversa como um dos pilares fundamentais para promover a responsabilidade compartilhada pelos setores por todo ciclo de vida dos produtos. O objetivo é que produtos e embalagens pós-consumo retornem para um novo ciclo de aproveitamento, seja por reúso ou reciclagem.
Apesar desses esforços impulsionados pela legislação, os índices de reciclagem de alguns dos principais materiais no Brasil permanecem significativamente baixos, especialmente no que diz respeito às embalagens plásticas. Os maiores índices de reciclagem de embalagem pós-consumo são de latas de alumínio (97,4%), seguidos de papel e papelão (66,9%). Somente 22% das embalagens plásticas são recicladas no Brasil.
A baixa taxa de reciclagem de embalagens plásticas no Brasil pode ser atribuída a diversos fatores. Um deles é a falta de infraestrutura adequada para coleta seletiva, separação e processamento de resíduos plásticos. Muitas regiões do país não têm sistemas eficientes de coleta seletiva e reciclagem.
Além disso, existem diferentes tipos de plásticos, com diferentes composições químicas, o que dificulta o processo de reciclagem. A falta de padronização dos materiais e a necessidade de separação por tipo tornam o processo mais dispendioso e complicado.
A baixa conscientização da população sobre a importância da separação adequada e da reciclagem é outro fator importante.
Em muitos casos, o custo de reciclar plásticos pode superar o de produzir novos a partir de matéria-prima virgem. Isso se deve à inexistência ou à má estruturação dos mercados locais de comercialização e reciclagem, à alta carga tributária, à competição desigual com alternativas inadequadas de descarte final (como lixões e aterros controlados) e à instabilidade da cadeia logística.
Esses fatores comprometem a consistência, estabilidade e segurança no fornecimento de materiais, desencorajando os investimentos em infraestrutura de reciclagem e impactando a rentabilidade do processo.
Para ilustrar, o preço de compra do plástico reciclável varia de R$ 0,30 a R$ 3,00 por quilo, dependendo das condições locais de mercado, das flutuações nos preços de commodities e de outras variáveis econômicas. Por outro lado, o preço de compra do alumínio para reciclagem pode variar de R$ 3,00 a R$ 7,00 por quilo.
Para melhorar os índices de coleta e reciclagem de embalagens plásticas, é fundamental um esforço coordenado entre os setores público e privado, juntamente com organizações de catadores.
Isso envolve investimentos direcionados para aprimorar a infraestrutura de reciclagem, promover programas de educação ambiental, implementar políticas governamentais que incentivem práticas sustentáveis e continuar a conscientização da população sobre a importância da reciclagem.
Essa abordagem integrada e colaborativa é essencial para contribuir para a preservação do meio ambiente, para a segurança climática e para o uso mais eficiente dos recursos naturais.
(Priscila Borin Claro. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Adaptado.)
Analise a função sintática do trecho sublinhado em “[...] existem diferentes tipos de plásticos, com diferentes composições químicas [...]” (8º§). Assinale a alternativa em que o trecho sublinhado exerce a mesma função sintática.
Na frase "O grupo de funcionários da prefeitura [está/estão] preparado(s) para a apresentação.", qual é a forma correta de concordância verbal?
Indique a opção na qual a concordância está devidamente empregada.
Disponível em: <https://www.gov.br/agricultura/>. Acesso em: 3 fev. 2024, com adaptações.
Considerando os sentidos e os aspectos gramaticais do texto, assinale a alternativa correta.
Texto
DE VESTIDO DE ONCINHA E PLUMAS
Por Martha Medeiros – Jornal Zero Hora – 27/11/11
Temos o direito de ficar ressabiados por postarem nossas fotos pré-históricas sem nos consultar?
Outro dia aconteceu algo que me deixou sem saber direito o que pensar. Um caso corriqueiro, mas novidade pra mim. Quando era publicitária, trabalhei por três meses numa agência. Estamos falando do ano de 1984 – ou seja, 27 anos atrás.
Pois uma ex-colega da agência postou essa semana, no blog de uma confraria da qual faz parte, uma foto daquela época, onde apareço numa festa à fantasia. Uma homenagem que ela me fez, sem nenhuma intenção difamatória. Nem estou tão medonha na foto, apesar do cabelo estilo Dallas, o vestido de oncinha e a echarpe de plumas negras. Foi a primeira festa à fantasia que fui. E a última.
Me garantiram que o blog é acessado por pouquíssimas pessoas. As confrades estavam crentes de que eu iria me comover. Mas, nascida com vários defeitos de fabricação, não me comovi. Em vez disso, considerei que a titular do blog poderia ter pedido autorização para publicar uma foto minha de 27 anos atrás. Seria atencioso da parte dela. Mas devo estar variando: quem pede licença antes de postar foto dos outros?
Lembrei de uma discussão que testemunhei entre duas amigas: uma delas havia ficado chateada por a outra ter postado a foto do seu chá de panela, onde ela aparecia completamente descomposta, mas descomposta de uma maneira que só quem já foi num chá de panela sabe que é possível.
Já a outra amiga defendia o seu direito de postar o que quisesse, e de julgar ela mesma o que era descompostura e o que era apenas uma foto engraçada. De fato, era uma foto engraçada. Lembro que pensei: “Quá, quá, quá, que engraçado – ainda bem que não sou eu”.
Agora sou eu. E se ainda não chegou sua vez, aguarde.
Tenho plena consciência de que cada vez que tiro foto com um leitor numa sessão de autógrafos, aquela foto estará no Facebook em poucos segundos. Tudo bem. Meu trabalho faz com que me exponha e sei que não há controle sobre a propagação de imagens.
E mesmo quando não é um evento profissional, tudo bem também: ao viajar com amigos ou ir a um churrasco, sei que serei fotografada junto ao grupo e logo estarei num álbum virtual, para quem quiser espiar. Qualquer pessoa que se deixe fotografar, hoje, sabe que é assim. Se quiser discrição, melhor evaporar na hora do clique.
Não tive essa prerrogativa em 1984. Naquela época, nem em meus devaneios mais premonitórios poderia supor que o conceito de privacidade em breve estaria condenado à morte e que o “cá entre nós” seria substituído pelo “cá entre todos”.
Por isso, a dúvida: temos o direito de ficar ressabiados por postarem nossas fotos pré-históricas sem nos consultar ou dá no mesmo se a foto foi tirada 27 anos atrás ou ontem à noite? Suspeito que estou sendo preciosista. Vaidosa. Tá bom: chata. Mas queria compartilhar essa indagação.
Quanto à ex-colega, sem mágoas. Assimilei. Nenhum problema de eu circular pela internet de oncinha e plumas. Ao menos estou vestida, ufa.
Disponível em https://avaranda.blogspot.com/2011/11/de-vestido-de-oncinha-e-plumas-martha.html.
O período composto “As confrades estavam crentes(1) de que eu iria me comover(2).” é formado por orações subordinadas classificadas como
“Ser professora é um estilo de vida”
(Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Salvador)
No Recife, professora diz ter encontrado propósito de vida depois de começar a atuar com educação infantil: “Vou alfabetizar quantas crianças eu puder”
O período de isolamento acabou sendo uma oportunidade para que nós, educadores, buscássemos novas soluções para a sala de aula. Na Internet, encontrei o Polo e resolvi fazer a formação Experiência e Protagonismo: a BNCC na Educação Infantil. Entendi que é preciso envolver a família para garantir o direito à aprendizagem das crianças pequenas. Pensando nisso, desenvolvi um podcast, o Educação & Família. Eu gravava em casa e enviava aos pais e responsáveis. Dessa forma, por menor que fosse seu nível de alfabetização, era possível estimular as crianças em casa.
Enquanto estive fazendo o podcast, ainda não havia conhecido a minha turma pessoalmente. Quando finalmente retornamos à modalidade presencial, fiquei surpresa ao perceber que algumas das crianças já liam. O comprometimento da família é fundamental para a aprendizagem, e eu pude perceber isso também dentro de casa. Durante a pandemia, investi muito no incentivo à leitura para os meus dois filhos. Comprei livros e li com eles, que também voltaram à escola lendo.
Além de professora sou gestora do Instituto Mucambo, cuja sede fica no quintal de minha casa. A organização surgiu para formalizar um projeto que outros educadores e eu já realizávamos, chamado Leituras Brincantes. Com crianças em situação de vulnerabilidade, realizamos atividades como mediação de leitura, contação de histórias e distribuição de livros, além de arrecadação e doação de alimentos. No mesmo intuito de envolver as famílias, fazemos periodicamente rodas de leitura com as mães.
Inscrevemos o Instituto Mucambo no programa Leia com uma criança e recebemos caixas de livros. Nesse processo, fiz mais uma formação no Polo, dessa vez voltada à mediação de leitura para o público infantil. Gosto dos cursos da plataforma porque são objetivos e práticos. Esse tipo de abordagem é muito importante para professores porque geralmente temos muita vontade de aprender, mas pouco tempo. Usei os livros na escola, no instituto e também em casa. Por aqui, o maior sucesso foi o Meu crespo é de rainha. Ao final da leitura, meus filhos perguntaram se o cabelo deles é crespo. Quando eu disse que não, disseram que queriam ter o cabelo crespo.
Alfabetizar é o meu propósito. Em minha trajetória, pretendo ensinar a leitura e a escrita a quantas crianças conseguir. Esse é um direito delas. Fico pensando como seria a minha vida se eu não soubesse ler e escrever. Que perspectiva de vida têm aquelas pessoas que não são alfabetizadas? Foi por meio desse propósito que me encontrei ao começar a trabalhar com a educação infantil.
Antes disso, atuei com o Ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Formada em letras, dava aulas de inglês e de língua portuguesa, até começar a lecionar na rede municipal, em 2016. Eu já entendia que a alfabetização era uma questão delicada, mesmo sem saber como funciona esse processo. Tive alunos do terceiro ano do ensino médio que não tinham autonomia para escrever.
A educação infantil me fez entender vulnerabilidades, como a pobreza e outras violações de direito. Esses contextos também existiam na realidade dos outros públicos com quem eu trabalhava antes, mas as crianças não mentem. Elas me dizem que estão com fome, ou que passaram a noite trabalhando, ou mesmo que sofreram algum tipo de abuso. Alfabetizar crianças expostas a situações de vulnerabilidade ocasionadas pela pobreza é um desafio enorme.
Desde que tive esse choque de realidade pela primeira vez, busco entender o impacto da pobreza no desenvolvimento cognitivo da criança. Durante a pandemia, por exemplo, enviamos fichas de atividades. Não funcionavam muito bem porque as fichas devem ser a finalização de todo um processo lúdico de ensino e aprendizagem, e os pais não são (nem têm que ocupar o papel de) professores. Uma parcela relevante deles tem um grau de escolaridade muito básico, o que aumentava o desafio.
Ser professora é mais do que uma profissão. É um estilo de vida. Nós pensamos e falamos em educação 24 horas por dia, 7 dias por semana. O Instituto Mucambo, espaço onde posso experimentar, tem me ajudado muito nesse processo. Levo para a escola o que aprendo lá, e vice-versa. Trabalhar com crianças em vulnerabilidade é aprender todos os dias que não dá pra atuar só com um livro na mão numa realidade de insegurança alimentar. Como diz a letra da canção, “a gente quer comida, diversão e arte”.
Disponível em: https://www.itausocial.org.br/noticias/ser-
professora-e-um-estilo-de-
vida/?gad_source=1&gclid=CjwKCAiAp5qsBhAPEiwAP0qeJjaA Tmxip8Xd_91FihDufStbSH1dmUZORUMHWGygoZiMKDVDyE6
bdBoCQvUQAvD_BwE. Acesso em 23 dez.2023.
Aponte o período em que a expressão destacada é um complemento nominal.
“Ser professora é um estilo de vida”
(Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Salvador)
No Recife, professora diz ter encontrado propósito de vida depois de começar a atuar com educação infantil: “Vou alfabetizar quantas crianças eu puder”
O período de isolamento acabou sendo uma oportunidade para que nós, educadores, buscássemos novas soluções para a sala de aula. Na Internet, encontrei o Polo e resolvi fazer a formação Experiência e Protagonismo: a BNCC na Educação Infantil. Entendi que é preciso envolver a família para garantir o direito à aprendizagem das crianças pequenas. Pensando nisso, desenvolvi um podcast, o Educação & Família. Eu gravava em casa e enviava aos pais e responsáveis. Dessa forma, por menor que fosse seu nível de alfabetização, era possível estimular as crianças em casa.
Enquanto estive fazendo o podcast, ainda não havia conhecido a minha turma pessoalmente. Quando finalmente retornamos à modalidade presencial, fiquei surpresa ao perceber que algumas das crianças já liam. O comprometimento da família é fundamental para a aprendizagem, e eu pude perceber isso também dentro de casa. Durante a pandemia, investi muito no incentivo à leitura para os meus dois filhos. Comprei livros e li com eles, que também voltaram à escola lendo.
Além de professora sou gestora do Instituto Mucambo, cuja sede fica no quintal de minha casa. A organização surgiu para formalizar um projeto que outros educadores e eu já realizávamos, chamado Leituras Brincantes. Com crianças em situação de vulnerabilidade, realizamos atividades como mediação de leitura, contação de histórias e distribuição de livros, além de arrecadação e doação de alimentos. No mesmo intuito de envolver as famílias, fazemos periodicamente rodas de leitura com as mães.
Inscrevemos o Instituto Mucambo no programa Leia com uma criança e recebemos caixas de livros. Nesse processo, fiz mais uma formação no Polo, dessa vez voltada à mediação de leitura para o público infantil. Gosto dos cursos da plataforma porque são objetivos e práticos. Esse tipo de abordagem é muito importante para professores porque geralmente temos muita vontade de aprender, mas pouco tempo. Usei os livros na escola, no instituto e também em casa. Por aqui, o maior sucesso foi o Meu crespo é de rainha. Ao final da leitura, meus filhos perguntaram se o cabelo deles é crespo. Quando eu disse que não, disseram que queriam ter o cabelo crespo.
Alfabetizar é o meu propósito. Em minha trajetória, pretendo ensinar a leitura e a escrita a quantas crianças conseguir. Esse é um direito delas. Fico pensando como seria a minha vida se eu não soubesse ler e escrever. Que perspectiva de vida têm aquelas pessoas que não são alfabetizadas? Foi por meio desse propósito que me encontrei ao começar a trabalhar com a educação infantil.
Antes disso, atuei com o Ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Formada em letras, dava aulas de inglês e de língua portuguesa, até começar a lecionar na rede municipal, em 2016. Eu já entendia que a alfabetização era uma questão delicada, mesmo sem saber como funciona esse processo. Tive alunos do terceiro ano do ensino médio que não tinham autonomia para escrever.
A educação infantil me fez entender vulnerabilidades, como a pobreza e outras violações de direito. Esses contextos também existiam na realidade dos outros públicos com quem eu trabalhava antes, mas as crianças não mentem. Elas me dizem que estão com fome, ou que passaram a noite trabalhando, ou mesmo que sofreram algum tipo de abuso. Alfabetizar crianças expostas a situações de vulnerabilidade ocasionadas pela pobreza é um desafio enorme.
Desde que tive esse choque de realidade pela primeira vez, busco entender o impacto da pobreza no desenvolvimento cognitivo da criança. Durante a pandemia, por exemplo, enviamos fichas de atividades. Não funcionavam muito bem porque as fichas devem ser a finalização de todo um processo lúdico de ensino e aprendizagem, e os pais não são (nem têm que ocupar o papel de) professores. Uma parcela relevante deles tem um grau de escolaridade muito básico, o que aumentava o desafio.
Ser professora é mais do que uma profissão. É um estilo de vida. Nós pensamos e falamos em educação 24 horas por dia, 7 dias por semana. O Instituto Mucambo, espaço onde posso experimentar, tem me ajudado muito nesse processo. Levo para a escola o que aprendo lá, e vice-versa. Trabalhar com crianças em vulnerabilidade é aprender todos os dias que não dá pra atuar só com um livro na mão numa realidade de insegurança alimentar. Como diz a letra da canção, “a gente quer comida, diversão e arte”.
Disponível em: https://www.itausocial.org.br/noticias/ser-
professora-e-um-estilo-de-
vida/?gad_source=1&gclid=CjwKCAiAp5qsBhAPEiwAP0qeJjaA Tmxip8Xd_91FihDufStbSH1dmUZORUMHWGygoZiMKDVDyE6
bdBoCQvUQAvD_BwE. Acesso em 23 dez.2023.
Em relação à sintaxe, aponte o período em que o trecho destacado tem função de objeto direto.
“As pessoas que conseguem parar de usar drogas são aquelas que não sofrem de outras doenças associadas. A depressão geralmente está associada ao alcoolismo e a outros abusos de drogas. Quando não tratada adequadamente pode levar à morte. A melhor forma de evitar riscos para a saúde de um dependente químico é encorajá-lo a procurar, antes de tudo, um profissional de saúde.”
Hélio Lippi
O processo de construção sintática, no texto, denominado concordância nominal está presente em:
Na construção da frase do cartaz, há um desvio linguístico referente à:
https://anoticiadovale.com
Sobre o lançamento do projeto “Sobradinho+verde”, é INCORRETO afirmar que:
“O lago de Sobradinho é o segundo maior lago artificial do mundo e o primeiro da América Latina, com 828 km² de área e 32200 km³ de água. Situado no norte do estado da Bahia, foi construído na década de 1970, mediante o represamento das águas do rio São Francisco, com vistas ao aproveitamento hidroelétrico do rio através da usina de Sobradinho, a maior do estado e uma das maiores usinas hidrelétricas do Brasil.”
https://rafhatur.com.br
Sobre o texto, é CORRETO afirmar que:
CASA ARRUMADA.
Casa arrumada é assim: Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não centro cirúrgico, um cenário de novela. Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas... Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos... E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Arrume a casa todos os dias... Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo para viver nela... E reconhecer nela o seu lugar.
Carlos Drummond de Andrade
"Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida ..." Levando em consideração o verbo destacado e as regras de regência, conforme a gramática normativa, uma continuação que infringiria tal regra é:
TEXTO II
Atente para o post feito veiculado numa rede social para responder as questões seguintes.
“O CESTO DE LIXO” está exercendo nesse período função:
TEXTO I
Leia o trecho de “O último voo do flamingo” de Mia Couto.
“A guerra nunca partiu, meu filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas a amadurecer no ódio de gente miúda. ”
A expressão “meu filho”, é uma interpelação que indica um: