Questões de Concurso
Sobre sintaxe em português
Foram encontradas 56.444 questões
[Uma espécie complicada]
O grande biólogo norte-americano Richard Dawkins acredita sem qualquer hesitação na teoria de Darwin acerca da sobrevivência dos mais fortes e capazes e na importância da adaptação a mutações fortuitas na evolução das outras espécies, mas se declara contra a ideia do darwinismo social na evolução da sua própria espécie. Aceitar o darwinismo social seria aceitar posições conservadoras em matéria de política e economia, o que vai contra suas convicções progressistas.
Já os conservadores, que negam a teoria de Darwin sobre a origem e o desenvolvimento das espécies, pregam o darwinismo social sob vários nomes: liberalismo, antidirigismo, antiassistencialismo etc. A sobrevivência, portanto, dos mais competitivos e sortudos, como no universo neutro de Darwin.
Esquerda progressista e direita conservadora trocam incoerências. A direita abomina a ideia de que o homem descende de animais inferiores, mas não tem problema com a ideia de que ele deve seu progresso à ganância que tem em comum com os chimpanzés. A esquerda aceita a ascendência de macacos e a evolução da sua espécie, mas não quer outra coisa senão um planejamento inteligente, humanista, para organizar a sua sociedade.
Progressistas costumam ser a favor do direito do aborto e contra a pena de morte. Conservadores, que denunciam a interferência indevida do Estado na vida das pessoas, invocam a santidade da vida para que o Estado proíba o aborto, e geralmente são a favor da pena de morte, a mais radical interferência possível do Estado na vida de alguém. Enfim, seja como for que chegamos a isto, somos uma espécie complicada.
(Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando O mundo é bárbaro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, p. 163-164)
Em relação às formas verbais tem (I. 20) e mantém (I. 29), considere as seguintes afirmações.
I - Ambas as formas verbais estão flexionadas no mesmo tempo, modo, número e pessoa.
II - A forma verbal tem está sendo empregada no texto como verbo auxiliar, enquanto a forma verbal mantém está sendo empregada como verbo pleno.
Ill- As formas verbais tem e mantém apresentam, no texto, comportamento idêntico quanto à predicação.
Quais estão corretas?
Em relação à função sintática das expressões destacadas abaixo, assinale com V (verdadeiro) se a análise está correta ou com F (falso) se a análise está incorreta.
( ) A expressão a deusa da memória (I. 22) desempenha a função sintática de predicativo do sujeito.
( ) A expressão a mãe das artes(I. 27) desempenha a função sintática de adjunto adnominal.
( ) A expressão sua existência (I. 29) desempenha a função sintática de complemento verbal.
( ) A expressão dois modos de rememoração (l. 35) desempenha a função sintática de agente da passiva.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir.
( ) O sujeito da forma verbal atenazava (I. 10) é oculto.
( ) O sujeito da forma verbal Queixava-se (I. 11) é inexistente.
( ) O sujeito da forma verbal se ausentavam (I. 22) é indeterminado.
( ) O sujeito da forma verbal consegue (I. 50) é simples.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
No que se refere à flexão verbal, considere as seguintes sentenças.
I - É necessário que a instituição se precavenha contra possíveis roubos.
II - Ele reouve seu direito à liberdade.
III- O advogado requeriu vistas ao processo.
Quais estão corretas?
No que se refere às funções sintáticas do pronome relativo, considere as afirmações abaixo.
I - Em "A flor que plantei há meses floresceu", o pronome relativo exerce função de predicativo.
II - Em "Este é o colega a quem emprestei a mala", o pronome relativo exerce função de objeto indireto.
III- Em "Este é o artista por quem a tela foi pintada", o pronome relativo exerce função de agente da passiva.
Quais estão corretas?
Considere as seguintes afirmações.
I - O sujeito da forma verbal ficamos(I. 19) é indeterminado.
II - O sujeito da forma verbal subsistem (I. 24) é composto.
III- O sujeito da forma verbal tratam (I. 37) é oculto.
Quais estão corretas?
Acaso e planejamento
“Deus não joga dados com o Universo”, disse o físico Albert Einstein, para nos assegurar que existe um plano por trás de, literalmente, tudo, e que o comportamento da matéria é lógico e previsível. A física quântica depois revelou que a matéria é mais maluca do que Einstein pensava e que o acaso rege o Universo mais do que gostaríamos de imaginar. Mas fiquemos com a palavra do velho. Deus não é um jogador, o Universo não está aí para ele jogar contra a sorte e contra Ele mesmo.
Já os semideuses que controlam o capital especulativo do planeta Terra jogam com economias inteiras e podem destruir países com um lance de dados, ou uma ordem dos seus computadores, em segundos. Às vezes eles têm uma cara e um temperamento, aparecem nos jornais e na TV, mas quase sempre são operadores anônimos, com um poder sobre nossas vidas que o Deus de Einstein morreria de inveja.
(Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, p. 139)
Entre o público e o privado
“Pichou o nome da gangue em parede de igreja.” Essa frase está no dicionário Houaiss para exemplificar o sentido do verbo pichar: “escrever, rabiscar (dizeres de qualquer espécie) em muros, paredes, fachadas de edifícios etc.”. Mas o exemplo de aplicação do verbo não é neutro: a diferença entre “nome da gangue” e “parede de igreja” parece sugerir a violência de um ato condenável, herético, pecaminoso, aplicado sobre o espaço do sagrado.
Do ponto de vista dos pichadores, porém, sua ação é política, e corresponderia, ainda, a uma manifestação artística de caráter transgressivo. A pichação seria o direito de os anônimos marginalizados inscreverem sua marca pessoal no espaço público, para proclamarem sua existência como sujeitos. Já os adversários dos pichadores costumam ver nas pichações a obsessão pela sujeira atrevida, pelo prazer rudimentar de manchar o que é limpo. Os mais sofisticados chegam mesmo a reverter a justificativa dos pichadores: a pichação seria a manifestação de uma iniciativa privada dentro do espaço aberto ao público.
A discussão está lançada. Não parece que estejamos próximos de ver terminada essa batalha pela distribuição e reconhecimento de direitos conflitantes. O espaço da cidade continua, assim, um campo de disputa entre os que detêm o direito de propriedade e os que justificam a ação transgressiva como o direito a uma assinatura.
(Teobaldo Tirreno, inédito)






