Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q1825039 Português
Sepultura em capela finlandesa do século 18 revela detalhe mórbido sobre mulher grávida
    Durante uma expedição em uma capela na região de Vihti, na Finlândia, a arqueóloga Tiina Vare e outros pesquisadores da Universidade de Oulu, encontraram um sepultamento macabro do século 19.
    Ao analisar a capela construída no século 18, que abrigou enterros por quase cem anos, de 1785 até 1829, a especialista identificou oito caixões, mas um possível novo esqueleto. Os resultados da pesquisa foram divulgados na International Journal of Osteoarchaeology.
    Contendo uma câmara funerária, muitos nobres buscaram a capela para ter seu descanso final, como foi o caso de Charlotta Bjornram que, segundo documentos eclesiásticos, morreu em outubro de 1808, aos 24 anos. A mulher estava grávida quando morreu, algo que chocou os especialistas que analisaram sua sepultura. Nas cavidades pélvicas de Bjornram havia um crânio de um feto sobressaindo o canal vaginal.
    O fenômeno é conhecido como ‘extrusão fetal após a morte’ e ocorre quando uma mulher morre e o feto é “expulso” de seu ventre devido ao processo de decomposição do cadáver. Segundo os estudiosos, a mulher estava no primeiro trimestre de gestação e pode ter morrido por algum tipo de infecção, que ainda não está claro para a equipe.
    Para os pesquisadores, a extrusão ocorreu alguns dias depois da morte de Charlotta, a razão por trás disso foi os gases que se formaram na cavidade abdominal do corpo sem vida. Descobertas arqueológicas milenares sempre impressionam, pois, além de revelar objetos inestimáveis, elas também, de certa forma, nos ensinam sobre como tal sociedade estudada se desenvolveu e se consolidou ao longo da história.
    Sem dúvida nenhuma, uma das que mais chamam a atenção ainda hoje é a dos egípcios antigos. Permeados por crendices em supostas maldições e pela completa admiração em grandes figuras como Cleópatra e Tutancâmon, o Egito gera curiosidade por ser berço de uma das civilizações que foram uma das bases da história humana e, principalmente, pelos diversos achados de pesquisadores e arqueólogos nas últimas décadas.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/sepulturaem-capela-finlandesa-do-seculo-18-revela-detalhe-morbido-sobre-mulhergravida.phtml Acesso em 23 de julho de 2021.
Assinale a alternativa que apresente a circunstância estabelecida pela oração em destaque em relação à oração principal no período: Contendo uma câmara funerária, muitos nobres buscaram a capela para ter seu descanso final, como foi o caso de Charlotta Bjornram que, segundo documentos eclesiásticos, morreu em outubro de 1808, aos 24 anos.
Alternativas
Q1825038 Português
Sepultura em capela finlandesa do século 18 revela detalhe mórbido sobre mulher grávida
    Durante uma expedição em uma capela na região de Vihti, na Finlândia, a arqueóloga Tiina Vare e outros pesquisadores da Universidade de Oulu, encontraram um sepultamento macabro do século 19.
    Ao analisar a capela construída no século 18, que abrigou enterros por quase cem anos, de 1785 até 1829, a especialista identificou oito caixões, mas um possível novo esqueleto. Os resultados da pesquisa foram divulgados na International Journal of Osteoarchaeology.
    Contendo uma câmara funerária, muitos nobres buscaram a capela para ter seu descanso final, como foi o caso de Charlotta Bjornram que, segundo documentos eclesiásticos, morreu em outubro de 1808, aos 24 anos. A mulher estava grávida quando morreu, algo que chocou os especialistas que analisaram sua sepultura. Nas cavidades pélvicas de Bjornram havia um crânio de um feto sobressaindo o canal vaginal.
    O fenômeno é conhecido como ‘extrusão fetal após a morte’ e ocorre quando uma mulher morre e o feto é “expulso” de seu ventre devido ao processo de decomposição do cadáver. Segundo os estudiosos, a mulher estava no primeiro trimestre de gestação e pode ter morrido por algum tipo de infecção, que ainda não está claro para a equipe.
    Para os pesquisadores, a extrusão ocorreu alguns dias depois da morte de Charlotta, a razão por trás disso foi os gases que se formaram na cavidade abdominal do corpo sem vida. Descobertas arqueológicas milenares sempre impressionam, pois, além de revelar objetos inestimáveis, elas também, de certa forma, nos ensinam sobre como tal sociedade estudada se desenvolveu e se consolidou ao longo da história.
    Sem dúvida nenhuma, uma das que mais chamam a atenção ainda hoje é a dos egípcios antigos. Permeados por crendices em supostas maldições e pela completa admiração em grandes figuras como Cleópatra e Tutancâmon, o Egito gera curiosidade por ser berço de uma das civilizações que foram uma das bases da história humana e, principalmente, pelos diversos achados de pesquisadores e arqueólogos nas últimas décadas.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/sepulturaem-capela-finlandesa-do-seculo-18-revela-detalhe-morbido-sobre-mulhergravida.phtml Acesso em 23 de julho de 2021.
Assinale a alternativa que apresente a função sintática exercida pelo termo em destaque no período: Durante uma expedição em uma capela na região de Vihti, na Finlândia, a arqueóloga Tiina Vare e outros pesquisadores da Universidade de Oulu, encontraram um sepultamento macabro do século 19.
Alternativas
Q1824845 Português

IDOETA, P.A. 8 lições após um ano de ensino remoto na pandemia. Disponível em:<https://educacao.uol.com.br/ultimas/bbc/2021/04/24/8-licoes-apos-um-de-ensino-remoto-na-pandemia.htm>. Acesso em: 21 jul. 2021. Adaptado.

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, a concordância do termo em destaque está plenamente respeitada em:
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Q1824844 Português

IDOETA, P.A. 8 lições após um ano de ensino remoto na pandemia. Disponível em:<https://educacao.uol.com.br/ultimas/bbc/2021/04/24/8-licoes-apos-um-de-ensino-remoto-na-pandemia.htm>. Acesso em: 21 jul. 2021. Adaptado.

A concordância verbal está de acordo com as exigências da norma-padrão da língua portuguesa, na forma verbal destacada em:
Alternativas
Q1824842 Português

IDOETA, P.A. 8 lições após um ano de ensino remoto na pandemia. Disponível em:<https://educacao.uol.com.br/ultimas/bbc/2021/04/24/8-licoes-apos-um-de-ensino-remoto-na-pandemia.htm>. Acesso em: 21 jul. 2021. Adaptado.

No trecho “A importância de cultivar interações entre os estudantes, mesmo que eles não estejam no mesmo ambiente físico” (parágrafo 4), a expressão destacada estabelece com a oração principal a relação de
Alternativas
Q1824819 Português

Leia a tirinha para responder à questão.

(Jim Davis. Garfield fenomenal. Porto Alegre: L&PM, 2014)

Observe os trechos a seguir, extraídos da tirinha:
“Agradeço por ter vindo tão rápido...” (segundo quadrinho) “Mas da próxima vez abra a porta!” (terceiro quadrinho)
As palavras destacadas, na ordem em que se apresentam, estabelecem sentido de
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Q1824817 Português
As lacunas das frases devem ser preenchidas, respectivamente e de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, por:
As pessoas __________  __________ que o conhecido imitador de gato iria ____ praça no sábado.
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Q1824465 Português
Texto para a questão
(Música: Alberto Nepomuceno. Letra: Thomaz Pompeu Lopes Ferreira) 

Selvas e rios, serras e florestas (verso 29)

O verso acima exerce, no hino, função de 

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Q1824461 Português

Texto para a questão


(João Carlos Ribeiro Jr. Le monde diplomatique. 25 de maio de 2021)

Acredita-se que os hutus seriam povos mais ligados ao trabalho na agricultura. (linha 36)
A oração sublinhada no período acima exerce função sintática de
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Q1824460 Português

Texto para a questão


(João Carlos Ribeiro Jr. Le monde diplomatique. 25 de maio de 2021)

Assinale a alternativa em que o termo indicado NÃO exerça, no texto, papel adverbial. 
Alternativas
Q1824455 Português

Texto para a questão


(João Carlos Ribeiro Jr. Le monde diplomatique. 25 de maio de 2021)

No entanto, uma vez que as pessoas participam da vida social, todos passam a reproduzir uma noção culturalmente aceita do que é considerado bonito. (linhas 7 e 8)
Assinale a alternativa que apresente corretamente o valor semântico da oração sublinhada no período acima. 
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Q1824454 Português

Texto para a questão


(João Carlos Ribeiro Jr. Le monde diplomatique. 25 de maio de 2021)

...admite que havia uma divisão étnica antes da chegada dos brancos à região no fim do século XIX, mas reconhece que não existia uma compreensão comum sobre o significado dela. (linhas 34 a 36) No trecho acima, há ocorrência dos verbos “haver” e “existir”.
Assinale a alternativa em que, alterando-se a composição dessas formas verbais, tenha havido adequação à norma culta. Não leve em conta alterações de sentido.  
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Q1824449 Português

Texto para a questão


(João Carlos Ribeiro Jr. Le monde diplomatique. 25 de maio de 2021)

Ela explodiu no genocídio de 1994, no qual centenas de milhares de ruandeses foram assassinados. (linhas 19 e 20)
Assinale a alternativa em que a alteração do segmento sublinhado no período acima NÃO esteja gramaticalmente de acordo com a norma culta. Não leve em conta alterações de sentido. 
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Q1824360 Português
Texto para a questão
(João Carlos Ribeiro Jr. Le monde diplomatique. 25 de maio de 2021)
A solução era saber de si pelos olhos de outros. Essa situação nos permite ver um pouco da matéria de que é feita a literatura de Mukasonga: relações comunitárias, precariedade material, busca de si. (linhas 11 e 12)
O segmento sublinhado no excerto acima, em relação ao que é dito anteriormente, reproduz uma 
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Q1824355 Português
Texto para a questão
(João Carlos Ribeiro Jr. Le monde diplomatique. 25 de maio de 2021)
A mãe da escritora, Stefania, era uma pessoa a quem muitas garotas recorriam para descobrir se poderiam ser consideradas moças bonitas. (linhas 3 e 4)
Assinale a alternativa em que a alteração do segmento sublinhado no excerto acima NÃO tenha se mantido com adequação à norma culta. Não leve em conta alterações de sentido em relação ao período. 
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Q1824222 Português

TEXTO I

ONU: 931 milhões de toneladas de alimentos foram para o lixo em 2019 


    Cerca de 931 milhões de toneladas de alimentos – 17% do total disponível aos consumidores em 2019 – foram para o lixo de residências, do comércio varejista, de restaurantes e de outros serviços alimentares, segundo pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU). O montante equivale a 23 milhões de caminhões de 40 toneladas carregados, o que, segundo a entidade, seria suficiente para circundar a Terra sete vezes. 

    O Índice de Desperdício de Alimentos 2021, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da organização parceira WRAP, do Reino Unido, divulgado esta semana, analisa sobras alimentares em pontos de venda, restaurantes e residências – considerando partes comestíveis e não comestíveis, como ossos e conchas. 

    Foram observadas, ao todo, 152 unidades em 54 países. De acordo com o documento, o desperdício de alimentos é um problema global e não apenas de países desenvolvidos. As perdas de alimentos foram substanciais em quase todas as nações onde o desperdício foi medido, independentemente do nível de renda. 

    A maior parte desse desperdício, segundo o relatório, tem origem em residências – 11% do total de alimentos disponíveis para consumo são descartados nos lares. Já os serviços alimentares e os estabelecimentos de varejo desperdiçam 5% e 2%, respectivamente. 

    Em termos globais per capita, 121 quilos de alimentos são desperdiçados por consumidor a cada ano. Desse total, 74 quilos são descartados no ambiente doméstico. O desperdício tem impactos ambientais, sociais e econômicos significativos, assinala o relatório. Entre 8% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, por exemplo, estão associadas a alimentos não consumidos, considerando as perdas em toda a cadeia alimentar. 

    Mudança climática 

    A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, avalia que a redução do desperdício de alimentos ajudaria a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, retardaria a destruição da natureza, aumentaria a disponibilidade de comida e, assim, reduziria a fome, além de contribuir para economizar dinheiro em um momento de recessão global. 

    "Se quisermos levar a sério o combate à mudança climática, à perda da natureza e da biodiversidade, à poluição e ao desperdício, empresas, governos e cidadãos de todo o mundo devem fazer a sua parte para reduzir o desperdício de alimentos”, disse, ao destacar que a Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU deste ano será uma oportunidade de lançar “novas e ousadas” ações para enfrentar o desperdício alimentar. 

    Segundo a ONU, o total de 690 milhões de pessoas afetadas pela fome ao longo de 2019 deverá crescer de maneira acentuada por conta da pandemia de covid-19. Além dessa parcela da população global, existem também, de acordo com a entidade, 3 bilhões de pessoas incapazes de custear uma dieta saudável. 

    Uma das sugestões apontadas no relatório é que os países incluam o desperdício de alimentos nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) no âmbito do Acordo de Paris, enquanto fortalecem a segurança alimentar e reduzem os custos para as famílias. O documento também defende a prevenção do desperdício de alimentos como uma área primária a ser incluída nas estratégias de recuperação da Covid-19. 

    Cerca de 14 países já possuem dados sobre o desperdício doméstico de alimentos coletados de forma compatível com o índice do Pnuma. Outros 38 países têm dados sobre desperdício doméstico que, com pequenas mudanças na metodologia, cobertura geográfica ou tamanho da amostra, permitiriam a criação de uma estimativa compatível. 


Disponível em https://www.opovo.com.br/noticias/brasil/2021/03/06/onu--931-milhoes-de-toneladas-de-alimentos-foram-para-o-lixo-em-2019. Acesso em 06/03/2021

No período “O montante equivale a 23 milhões de caminhões de 40 toneladas carregados, o que, segundo a entidade, seria suficiente para circundar a Terra sete vezes”, o verbo destacado está realizando a sua concordância  
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Q1824191 Português

TEXTO II



Disponível em https://bichinhosdejardim.com/animacao-ano-novo/

Sobre o uso do advérbio “meio” em “Tuta, estou meio preocupada...”, é correto afirmar que
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Q1824190 Português

TEXTO II



Disponível em https://bichinhosdejardim.com/animacao-ano-novo/

Os termos destacados no período “Essa festa falaciosa vendida pelo governo e pelo comércio pra nos distrair de nossas vidas miseráveis?” exercem função sintática de
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Q1824186 Português

TEXTO I

A solidão amiga


    A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz.     Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida. 

    Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, "parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis". A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: "Como se comporta a Sua Solidão?" Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

    Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você." Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

    Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim: "Por muito tempo achei que a ausência é falta./ E lastimava, ignorante, a falta./ Hoje não a lastimo./ Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim./ E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,/ que rio e danço e invento exclamações alegres,/ porque a ausência, essa ausência assimilada,/ ninguém a rouba mais de mim.!" (...)

    O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...

    A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira. (...)


Rubem Alves

Disponível em https://www.pensador.com/cronicas_de_rubem_alves/

Em “O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação”, as vírgulas destacadas foram empregadas para
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Q1824185 Português

TEXTO I

A solidão amiga


    A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz.     Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida. 

    Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, "parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis". A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: "Como se comporta a Sua Solidão?" Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

    Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você." Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

    Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim: "Por muito tempo achei que a ausência é falta./ E lastimava, ignorante, a falta./ Hoje não a lastimo./ Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim./ E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,/ que rio e danço e invento exclamações alegres,/ porque a ausência, essa ausência assimilada,/ ninguém a rouba mais de mim.!" (...)

    O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...

    A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira. (...)


Rubem Alves

Disponível em https://www.pensador.com/cronicas_de_rubem_alves/

No período composto “Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói”, a oração em destaque é classificada como
Alternativas
Respostas
28421: A
28422: E
28423: A
28424: C
28425: B
28426: E
28427: B
28428: D
28429: D
28430: E
28431: D
28432: E
28433: C
28434: C
28435: A
28436: A
28437: D
28438: C
28439: A
28440: A