Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q2193082 Português



Internet: <www.caupa.gov.br> (com adaptações)

Com base nos aspectos formais e de conteúdo do texto, julgue o item.


A expressão “sobre o uso da placa de obras com os dados mínimos” (linhas 7 e 8) classifica-se como adjunto adverbial de modo. 

Alternativas
Q2193080 Português



Internet: <www.caupa.gov.br> (com adaptações)

Com base nos aspectos formais e de conteúdo do texto, julgue o item.


A forma verbal “destacou-se” (linha 9) indica um sujeito indeterminado. 

Alternativas
Q2193079 Português



Internet: <www.caupa.gov.br> (com adaptações)

Com base nos aspectos formais e de conteúdo do texto, julgue o item.


O sujeito da forma verbal “orientou-se” (linha 7) classifica-se como indeterminado.

Alternativas
Q2193074 Português





Augustinho Paludo. Administração Pública. 5.a ed. São Paulo:
Forense (GEN Jurídico), 2016.

Considerando o conteúdo, a estrutura e os aspectos linguísticos do texto, julgue o item.


O termo “por Kaplan e Norton (1997)” (linha 3) desempenha a função sintática de complemento nominal. 

Alternativas
Q2193072 Português





Augustinho Paludo. Administração Pública. 5.a ed. São Paulo:
Forense (GEN Jurídico), 2016.

Considerando o conteúdo, a estrutura e os aspectos linguísticos do texto, julgue o item.


Na linha 7, a expressão “esse executivo” é um objeto direto anteposto da locução verbal “deve ter”.

Alternativas
Q2193070 Português





Augustinho Paludo. Administração Pública. 5.a ed. São Paulo:
Forense (GEN Jurídico), 2016.

Considerando o conteúdo, a estrutura e os aspectos linguísticos do texto, julgue o item.


O conectivo “que” (linha 1) classifica-se como conjunção integrante. 

Alternativas
Q2192950 Português
CAU Brasil lança portal de formação continuada
para o profissional de arquitetura e urbanismo
Internet: <www.caupa.gov.br> (com adaptações).

Com relação à forma e ao conteúdo do texto, julgue o item.


No trecho “Esse edital, o Chamamento Público n.o 3/2023” (linhas 17 e 18), as vírgulas foram utilizadas para isolar o termo com a função sintática de aposto. 

Alternativas
Q2192945 Português
CAU Brasil lança portal de formação continuada
para o profissional de arquitetura e urbanismo
Internet: <www.caupa.gov.br> (com adaptações).

Com relação à forma e ao conteúdo do texto, julgue o item.


É correto afirmar que os termos “informações, notícias e contextualização” (linha 5) desempenham a função sintática de núcleos do objeto direto, coordenados pela vírgula e pela conjunção aditiva “e”.

Alternativas
Q2192942 Português
CAU Brasil lança portal de formação continuada
para o profissional de arquitetura e urbanismo
Internet: <www.caupa.gov.br> (com adaptações).

Com relação à forma e ao conteúdo do texto, julgue o item.


É correto afirmar que, no título do texto, há um predicado verbal. 

Alternativas
Q2192941 Português




John Summerson. A linguagem clássica da arquitetura. 
São Paulo: Martins Fontes, 2006 (com adaptações).

Acerca da estrutura e do conteúdo do texto, julgue o item.


O termo “muito bonita” (linha 19) exerce a função sintática de predicativo do sujeito.  

Alternativas
Q2192937 Português




John Summerson. A linguagem clássica da arquitetura. 
São Paulo: Martins Fontes, 2006 (com adaptações).

Acerca da estrutura e do conteúdo do texto, julgue o item.


Os dois períodos a seguir, extraídos do texto, “Mas se quisermos compreender o pensamento dos séculos XV e XVI, precisamos ser simples” (linhas 17 e 18) e “Em uma certa ocasião, em 1485, foi anunciada a descoberta, em um sarcófago, do corpo de uma mulher romana, em estado de perfeita conservação” (linhas de 19 a 22) poderiam ser ligados pela expressão Por exemplo, com a devida alteração de maiúscula para minúscula no vocábulo “Em” – em –, sem prejuízo ao sentido original do texto e à correção gramatical.

Alternativas
Q2192936 Português




John Summerson. A linguagem clássica da arquitetura. 
São Paulo: Martins Fontes, 2006 (com adaptações).

Acerca da estrutura e do conteúdo do texto, julgue o item.


O trecho “de que essas mesmas ordens corporificavam algum princípio absoluto de verdade ou beleza” (linhas de 5 a 7) exerce a função sintática de complemento nominal do núcleo “persuadido” (linha 5), na forma de uma oração subordinada. 

Alternativas
Q2192934 Português




John Summerson. A linguagem clássica da arquitetura. 
São Paulo: Martins Fontes, 2006 (com adaptações).

Acerca da estrutura e do conteúdo do texto, julgue o item.


A locução “À medida que” (linha 23) poderia ser substituída, sem que isso acarretasse prejuízo ao sentido original do texto e à correção gramatical, por Na medida em que.

Alternativas
Q2192897 Português
Em qual frase a concordância nominal está INCORRETA? 
Alternativas
Q2192894 Português

Aprenda a chamar a polícia


Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.

Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.

Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:

— Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro de escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!

Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.

Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:

— Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.

Eu respondi:

— Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.

(Fonte: Luis Fernando Verissimo - adaptado.)

Considerando-se o trecho “Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão”, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE:


Com relação à primeira oração, a segunda traz uma ____________. Para uni-las em um único período, mantendo-se a mesma ordem das orações, poderia ser utilizado o conectivo ______________.

Alternativas
Q2192737 Português
Texto para responder a questão:

O empreendedorismo feminino vai salvar o planeta 

E se eu te contar que as mudanças climáticas afetam mais algumas pessoas do que outras? De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), as mulheres são quatro vezes mais impactadas por esses efeitos, devido a razões socioculturais e econômicas. Atualmente, 70% da população que vive em pobreza extrema é feminina, aproximadamente 900 milhões de mulheres. E a solução pode estar mais próxima do que imaginamos: apostar nas lideranças femininas.
A escritora Lindsey Jean Schueman apontou as razões principais que podem fazer de nós a solução para a crise climática. Além de sermos as mais impactadas (econômica e fisicamente), somos líderes melhores em tempos incertos, porque pensamos mais no coletivo. Outro ponto citado é a facilidade feminina em criar conexões (network) e buscar soluções inovadoras.
Transformando conhecimento em ação, as mulheres se consolidam como dínamos econômicos – companhias de capital de risco fundadas por nós superam em faturamento as dos homens em 63%. Também buscamos pela igualdade de oportunidades, afinal, recebemos apenas 2% do investimento masculino, e não podemos nos esquecer do nosso lado visionário – o Acordo de Paris, em 2015, foi encabeçado por 30 ‘leoas’.
Recentemente, tivemos a Convenção Anual da ONU Mulheres Brasil, em Nova York, que focou em ações de inclusão financeira e digitalização para mulheres, além da UN Women CSW67, maior encontro anual de equidade de gênero. Tive a oportunidade de participar do painel Fashion Impact Fund, que abordou a inserção de meninas negras na indústria da moda sustentável e ouvir Tamburai Chirume, cofundadora da ‘The African Academy of Fashion’ e Ngozi Okaro, diretora da ‘Custom Collaborative’.
Presenciar a atuação de empreendedoras internacionais de variados gêneros, raças e etnias me faz acreditar que ganhamos poder quando unimos e compartilhamos ideias, projetos, resultados e iniciativas. Mas não acho justa a tarefa de liderar o projeto de salvar o mundo. O caminho é convocar a todos, dividir as tarefas e atuar em prol de um futuro próspero. O que aconteceu na ONU provou que, quando mulheres empreendedoras recebem apoio, o mundo inteiro ganha.
(Janine Bitencourt*. Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/espaco-doleitor/2023/03/29/interna_espaco-do-leitor,1474810/oempreendedorismo-feminino-vai-salvar-o-planeta.shtml.)
Considerando as relações de concordância e regência observadas de acordo com a norma padrão da língua, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q2192735 Português
Texto para responder a questão:

O empreendedorismo feminino vai salvar o planeta 

E se eu te contar que as mudanças climáticas afetam mais algumas pessoas do que outras? De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), as mulheres são quatro vezes mais impactadas por esses efeitos, devido a razões socioculturais e econômicas. Atualmente, 70% da população que vive em pobreza extrema é feminina, aproximadamente 900 milhões de mulheres. E a solução pode estar mais próxima do que imaginamos: apostar nas lideranças femininas.
A escritora Lindsey Jean Schueman apontou as razões principais que podem fazer de nós a solução para a crise climática. Além de sermos as mais impactadas (econômica e fisicamente), somos líderes melhores em tempos incertos, porque pensamos mais no coletivo. Outro ponto citado é a facilidade feminina em criar conexões (network) e buscar soluções inovadoras.
Transformando conhecimento em ação, as mulheres se consolidam como dínamos econômicos – companhias de capital de risco fundadas por nós superam em faturamento as dos homens em 63%. Também buscamos pela igualdade de oportunidades, afinal, recebemos apenas 2% do investimento masculino, e não podemos nos esquecer do nosso lado visionário – o Acordo de Paris, em 2015, foi encabeçado por 30 ‘leoas’.
Recentemente, tivemos a Convenção Anual da ONU Mulheres Brasil, em Nova York, que focou em ações de inclusão financeira e digitalização para mulheres, além da UN Women CSW67, maior encontro anual de equidade de gênero. Tive a oportunidade de participar do painel Fashion Impact Fund, que abordou a inserção de meninas negras na indústria da moda sustentável e ouvir Tamburai Chirume, cofundadora da ‘The African Academy of Fashion’ e Ngozi Okaro, diretora da ‘Custom Collaborative’.
Presenciar a atuação de empreendedoras internacionais de variados gêneros, raças e etnias me faz acreditar que ganhamos poder quando unimos e compartilhamos ideias, projetos, resultados e iniciativas. Mas não acho justa a tarefa de liderar o projeto de salvar o mundo. O caminho é convocar a todos, dividir as tarefas e atuar em prol de um futuro próspero. O que aconteceu na ONU provou que, quando mulheres empreendedoras recebem apoio, o mundo inteiro ganha.
(Janine Bitencourt*. Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/espaco-doleitor/2023/03/29/interna_espaco-do-leitor,1474810/oempreendedorismo-feminino-vai-salvar-o-planeta.shtml.)
Considerando a pergunta introdutória do texto “E se eu te contar que as mudanças climáticas afetam mais algumas pessoas do que outras?” (1º§), ela pode ser indicada como: 
Alternativas
Q2192695 Português
LÍNGUA PORTUGUESA

Texto para responder  a questão:

Passarinho não se empresta

Não é bom que o homem esteja só; apesar disso hesitei muito em arranjar um passarinho, pelo mesmo motivo que hesito em tomar uma mulher. Pede muita assistência, requer muito cuidado, e sou um homem distraído que de vez em quando precisa viajar. 
Tenho uma experiência triste no assunto. Não de mulher, mas de passarinho.
Uma vez José Olympio, editor e amigo velho, me trouxe de São Paulo um bicudo, e outra pessoa me deu um galo-de-campina. Este era muito espantado e não chegamos a nos afeiçoar. Mas o bicudo ficou logo meu amigo — ou, mais precisamente, meu inimigo cordial. Podia se assustar com outras pessoas, mas logo me reconhecia quando eu me aproximava da gaiola. Sabia que estava na hora da briga. Eu o aborrecia de toda maneira, metendo os dedos na gaiola, jogando-lhe água na cabeça, assobiando alto. Ele se eriçava um pouco, fingia-se desentendido, e de repente me dava uma bicada. Fiz verdadeiras chantagens sentimentais para conquistá-lo. Privei-o dois dias de sua comida predileta, sementes de cânhamo. Ele não reclamou, mas era visível que estava zangado.
No terceiro dia ofereci-lhe as sementes — na mão. Ficou quieto, me olhando de banda. Saltou para um lado e outro mais de uma vez, mas se deteve novamente perto de minha mão, sempre olhando de lado as sementes. Mais de cinco minutos ficou nesse conflito íntimo. Afinal pegou uma semente, mas logo a deixou cair no fundo da gaiola — e bicou com toda a força o meu dedo. Era um caráter. 
Eu tinha de passar muitos meses no estrangeiro e levei dias ponderando as virtudes e defeitos de meus amigos, para ver com quem podia deixar os passarinhos. 
Excluí os solteiros. São sujeitos desorganizados, que podem ser arrastados por algum rabo-de-saia a passar um fim de semana em Petrópolis ou Cabo Frio e deixar um bichinho morrer de fome ou de sede. A respeito dos casados pensei muito em suas esposas. Nada de senhoras que varam madrugada jogando biriba ou frequentam boates. Isso é gente capaz de esquecer os próprios filhos, que dirá meu bicudinho. Sondei em vários lares a existência de gatos ou de meninos pequenos. Eliminei da lista uma das casas porque a cara da empregada não me agradou — e acabei decidindo pela casa de um amigo nordestino (o engenheiro Jucá), que me pareceu o melhor lar para o cuidado e educação de meus pássaros. Viajei saudoso, mas tranquilo. 
No dia seguinte à minha volta peguei meu amigo no escritório, à tarde, com a intenção de passar pela sua casa e apanhar meus passarinhos. Ele perguntou se eu queria mesmo os bichos de volta; por que não os deixava mais algum tempo em sua casa? Achei que ele estava desconversando; vai ver que algum passarinho tinha morrido. Jurou que não. De toda maneira, relutou em vir para Ipanema comigo; senti que não queria que eu fosse à sua casa. Quando insisti, ele disse com ar misterioso: — Bem, se você puder levar… Quando cheguei à casa é que senti o drama. A mulher de meu amigo não estava de maneira alguma disposta a me devolver os passarinhos, e teve uma discussão com ele a esse respeito. Não me meto em discussão de casais, e embora fosse a parte mais interessada, fiquei quieto. Deixei passar o tempo. Depois do jantar com um bom vinho, entrei jeitosamente na conversa com a senhora. Ela relutava, punha a culpa nas crianças que iriam ficar muito tristes, uma empregada até chorara quando soube que eu ia levar os passarinhos.
Fiz uma pergunta: ficasse com o galo-de-campina; mas meu bicudo… 
Percebendo nossa conversa, o marido entrou no meio, disse que não ficava bem aquilo que ela estava fazendo, que ele até sentia vergonha. Aí a discussão recomeçou, e eu me limitei a declarar que, de toda maneira, ia levar para casa o meu bicudo.
–Você tem certeza? — perguntou a senhora.
– Claro que tenho certeza. O Jucá me deu a palavra!
Ela ficou um momento quieta, me olhando. Pensei que estivesse conformada. 
Mas depois disse calmamente, com a voz lenta e firme.
– É? O Jucá lhe deu a palavra? Então está bem. Você pegue o Jucá, ponha dentro de uma gaiola e pendure na sua varanda. Ele faz muito menos falta nesta casa do que o bicudo.
Passarinho não se empresta a ninguém. Nem a quem não gosta de passarinho, nem, muito menos, a quem gosta de passarinho. 
(BRAGA, Rubem. In: 200 Crônicas Escolhidas. Editora Record, 2010. Adaptado.)
Em “Não me meto em discussão de casais, e embora fosse a parte mais interessada, fiquei quieto.” (7º§), o conectivo destacado tem a finalidade de estabelecer uma relação semântica de 
Alternativas
Q2192694 Português
LÍNGUA PORTUGUESA

Texto para responder  a questão:

Passarinho não se empresta

Não é bom que o homem esteja só; apesar disso hesitei muito em arranjar um passarinho, pelo mesmo motivo que hesito em tomar uma mulher. Pede muita assistência, requer muito cuidado, e sou um homem distraído que de vez em quando precisa viajar. 
Tenho uma experiência triste no assunto. Não de mulher, mas de passarinho.
Uma vez José Olympio, editor e amigo velho, me trouxe de São Paulo um bicudo, e outra pessoa me deu um galo-de-campina. Este era muito espantado e não chegamos a nos afeiçoar. Mas o bicudo ficou logo meu amigo — ou, mais precisamente, meu inimigo cordial. Podia se assustar com outras pessoas, mas logo me reconhecia quando eu me aproximava da gaiola. Sabia que estava na hora da briga. Eu o aborrecia de toda maneira, metendo os dedos na gaiola, jogando-lhe água na cabeça, assobiando alto. Ele se eriçava um pouco, fingia-se desentendido, e de repente me dava uma bicada. Fiz verdadeiras chantagens sentimentais para conquistá-lo. Privei-o dois dias de sua comida predileta, sementes de cânhamo. Ele não reclamou, mas era visível que estava zangado.
No terceiro dia ofereci-lhe as sementes — na mão. Ficou quieto, me olhando de banda. Saltou para um lado e outro mais de uma vez, mas se deteve novamente perto de minha mão, sempre olhando de lado as sementes. Mais de cinco minutos ficou nesse conflito íntimo. Afinal pegou uma semente, mas logo a deixou cair no fundo da gaiola — e bicou com toda a força o meu dedo. Era um caráter. 
Eu tinha de passar muitos meses no estrangeiro e levei dias ponderando as virtudes e defeitos de meus amigos, para ver com quem podia deixar os passarinhos. 
Excluí os solteiros. São sujeitos desorganizados, que podem ser arrastados por algum rabo-de-saia a passar um fim de semana em Petrópolis ou Cabo Frio e deixar um bichinho morrer de fome ou de sede. A respeito dos casados pensei muito em suas esposas. Nada de senhoras que varam madrugada jogando biriba ou frequentam boates. Isso é gente capaz de esquecer os próprios filhos, que dirá meu bicudinho. Sondei em vários lares a existência de gatos ou de meninos pequenos. Eliminei da lista uma das casas porque a cara da empregada não me agradou — e acabei decidindo pela casa de um amigo nordestino (o engenheiro Jucá), que me pareceu o melhor lar para o cuidado e educação de meus pássaros. Viajei saudoso, mas tranquilo. 
No dia seguinte à minha volta peguei meu amigo no escritório, à tarde, com a intenção de passar pela sua casa e apanhar meus passarinhos. Ele perguntou se eu queria mesmo os bichos de volta; por que não os deixava mais algum tempo em sua casa? Achei que ele estava desconversando; vai ver que algum passarinho tinha morrido. Jurou que não. De toda maneira, relutou em vir para Ipanema comigo; senti que não queria que eu fosse à sua casa. Quando insisti, ele disse com ar misterioso: — Bem, se você puder levar… Quando cheguei à casa é que senti o drama. A mulher de meu amigo não estava de maneira alguma disposta a me devolver os passarinhos, e teve uma discussão com ele a esse respeito. Não me meto em discussão de casais, e embora fosse a parte mais interessada, fiquei quieto. Deixei passar o tempo. Depois do jantar com um bom vinho, entrei jeitosamente na conversa com a senhora. Ela relutava, punha a culpa nas crianças que iriam ficar muito tristes, uma empregada até chorara quando soube que eu ia levar os passarinhos.
Fiz uma pergunta: ficasse com o galo-de-campina; mas meu bicudo… 
Percebendo nossa conversa, o marido entrou no meio, disse que não ficava bem aquilo que ela estava fazendo, que ele até sentia vergonha. Aí a discussão recomeçou, e eu me limitei a declarar que, de toda maneira, ia levar para casa o meu bicudo.
–Você tem certeza? — perguntou a senhora.
– Claro que tenho certeza. O Jucá me deu a palavra!
Ela ficou um momento quieta, me olhando. Pensei que estivesse conformada. 
Mas depois disse calmamente, com a voz lenta e firme.
– É? O Jucá lhe deu a palavra? Então está bem. Você pegue o Jucá, ponha dentro de uma gaiola e pendure na sua varanda. Ele faz muito menos falta nesta casa do que o bicudo.
Passarinho não se empresta a ninguém. Nem a quem não gosta de passarinho, nem, muito menos, a quem gosta de passarinho. 
(BRAGA, Rubem. In: 200 Crônicas Escolhidas. Editora Record, 2010. Adaptado.)
 Assinale a alternativa que NÃO apresenta um período composto.
Alternativas
Q2192371 Português
Assinale a alternativa que apresenta a sentença com concordância incorreta:
Alternativas
Respostas
20941: E
20942: E
20943: C
20944: E
20945: E
20946: E
20947: C
20948: C
20949: C
20950: E
20951: C
20952: C
20953: E
20954: B
20955: B
20956: A
20957: B
20958: B
20959: C
20960: D