Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3664703 Português
Festa e discurso de Morgan Freeman marcam abertura da Copa do Mundo do Catar


Cerimônia acontece na manhã deste domingo, pelo horário de Brasília, antes do confronto de estreia entre os anfitriões Catar diante do Equador


Por Redação do ge — Doha 20/11/2022



O Catar queria transformar a abertura da Copa em espetáculo. Prometeu show olímpico e teve até horários e data de estreia modificados para atender aos ensejos de país anfitrião. No estádio Al Bayt, neste domingo, a cerimônia de 30 minutos contou com projeções, show pirotécnico, e as participações de Morgan Freeman e do influencer catari Ghanim Al Muftah.


Os discursos, em meio às duras críticas sobre o desrespeito aos direitos humanos no Catar, foram em tom de incentivo à diversidade e inclusão.


As movimentações começaram com a apresentação do Emir do Catar, Tamim bin Hamad, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Em seguida, o campeão da Copa de 1998, Marcel Desailly - zagueiro da França - apareceu em campo carregando a taça do Mundial.


Após a contagem regressiva, exibiu-se um vídeo com imagens do Catar e de um tubarão baleia, “nadando” em direção ao estádio, sob a inconfundível narração de Morgan Freeman.


- Dessa terra ouvimos um chamado para o mundo, para reconectar, para retornar apenas por um momento para o que nos agrupa, para o que nos junta nessa jornada do leste para o oeste. Nós nos movemos juntos buscando um objetivo - disse na narração.


Sob as luzes apagadas no estádio, três camelos estiveram ao centro do campo, sendo os primeiros animais vivos a participarem do evento. Ao lado dos camelos, havia também mulheres cataris, viajantes e tratadores.


Morgan Freeman, antes apenas na narração em áudio, apareceu ao centro do campo. Ao lado do ator americano, entrou também o influencer catari Ghanim Al Muftah, que tem síndrome de regressão caudal - uma má formação rara que interfere no desenvolvimento das extremidades inferiores.


[…] inicia-se o diálogo entre Morgan Freeman e Ghanim Al Muftah: sob a temática de inclusão e diversidade. Trata-se justamente da questão central para as críticas ao país sede, diante das leis anti-LGBTQIA+ ainda em vigor no Catar. A Lei Sharia, por exemplo, permite a imposição de pena de morte para homossexuais no país.

[…]


Freeman e Ghanim saem de cena para a entrada de 100 artistas com bastões de led, que interagiram com as projeções no campo, ao som dos “cantos da nação”. Em seguida, as 32 bandeiras e camisas das seleções foram mostradas no gramado, ao redor do símbolo desta Copa.

[…]


Em meio às músicas, chegaram ao campo também os mascotes de Copas que se passaram - entre eles o Fuleco, do Brasil. O último a aparecer foi mascote para desta edição, do Catar: La’eeb. Ele tem o formato dos tradicionais lenços árabes e seu nome significa “jogador super habilidoso”.


No palco, foi a vez das atrações musicais, que foram mantidas em sigilo e divulgadas apenas às vésperas da abertura, no último sábado.

[…]


No último ato da cerimônia, o Emir Tamim bin Hamad al-Thani apareceu em cena mais uma vez para fazer o discurso de abertura.

[…]


“Recebemos a todos de braços abertos na Copa do Mundo 2022. Nós trabalhamos e fizemos muitos esforços para garantir o sucesso desta edição.”


- Investimos para o bem de toda a humanidade. Durante 28 dias, vamos acompanhar essa festa de futebol nesse espaço de diálogo e civilização. As pessoas, por mais que sejam de culturas, nacionalidades e orientações diferentes, vão se reunir aqui no Catar. Que beleza juntar todas essas diferenças. Desejo a todas as seleções muito sucesso. Para todos vocês meus desejos de felicidades. Bem-vindos a Doha - finalizou.


[…]



Fonte: https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2022/11/20/festa-marca-a-abertura-da-copa-do-mundo-do-catar.ghtml Acesso 20 nov 2022 (Adaptado)
Assinale a alternativa em que a regência está correta.
Alternativas
Q3664700 Português
Festa e discurso de Morgan Freeman marcam abertura da Copa do Mundo do Catar


Cerimônia acontece na manhã deste domingo, pelo horário de Brasília, antes do confronto de estreia entre os anfitriões Catar diante do Equador


Por Redação do ge — Doha 20/11/2022



O Catar queria transformar a abertura da Copa em espetáculo. Prometeu show olímpico e teve até horários e data de estreia modificados para atender aos ensejos de país anfitrião. No estádio Al Bayt, neste domingo, a cerimônia de 30 minutos contou com projeções, show pirotécnico, e as participações de Morgan Freeman e do influencer catari Ghanim Al Muftah.


Os discursos, em meio às duras críticas sobre o desrespeito aos direitos humanos no Catar, foram em tom de incentivo à diversidade e inclusão.


As movimentações começaram com a apresentação do Emir do Catar, Tamim bin Hamad, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Em seguida, o campeão da Copa de 1998, Marcel Desailly - zagueiro da França - apareceu em campo carregando a taça do Mundial.


Após a contagem regressiva, exibiu-se um vídeo com imagens do Catar e de um tubarão baleia, “nadando” em direção ao estádio, sob a inconfundível narração de Morgan Freeman.


- Dessa terra ouvimos um chamado para o mundo, para reconectar, para retornar apenas por um momento para o que nos agrupa, para o que nos junta nessa jornada do leste para o oeste. Nós nos movemos juntos buscando um objetivo - disse na narração.


Sob as luzes apagadas no estádio, três camelos estiveram ao centro do campo, sendo os primeiros animais vivos a participarem do evento. Ao lado dos camelos, havia também mulheres cataris, viajantes e tratadores.


Morgan Freeman, antes apenas na narração em áudio, apareceu ao centro do campo. Ao lado do ator americano, entrou também o influencer catari Ghanim Al Muftah, que tem síndrome de regressão caudal - uma má formação rara que interfere no desenvolvimento das extremidades inferiores.


[…] inicia-se o diálogo entre Morgan Freeman e Ghanim Al Muftah: sob a temática de inclusão e diversidade. Trata-se justamente da questão central para as críticas ao país sede, diante das leis anti-LGBTQIA+ ainda em vigor no Catar. A Lei Sharia, por exemplo, permite a imposição de pena de morte para homossexuais no país.

[…]


Freeman e Ghanim saem de cena para a entrada de 100 artistas com bastões de led, que interagiram com as projeções no campo, ao som dos “cantos da nação”. Em seguida, as 32 bandeiras e camisas das seleções foram mostradas no gramado, ao redor do símbolo desta Copa.

[…]


Em meio às músicas, chegaram ao campo também os mascotes de Copas que se passaram - entre eles o Fuleco, do Brasil. O último a aparecer foi mascote para desta edição, do Catar: La’eeb. Ele tem o formato dos tradicionais lenços árabes e seu nome significa “jogador super habilidoso”.


No palco, foi a vez das atrações musicais, que foram mantidas em sigilo e divulgadas apenas às vésperas da abertura, no último sábado.

[…]


No último ato da cerimônia, o Emir Tamim bin Hamad al-Thani apareceu em cena mais uma vez para fazer o discurso de abertura.

[…]


“Recebemos a todos de braços abertos na Copa do Mundo 2022. Nós trabalhamos e fizemos muitos esforços para garantir o sucesso desta edição.”


- Investimos para o bem de toda a humanidade. Durante 28 dias, vamos acompanhar essa festa de futebol nesse espaço de diálogo e civilização. As pessoas, por mais que sejam de culturas, nacionalidades e orientações diferentes, vão se reunir aqui no Catar. Que beleza juntar todas essas diferenças. Desejo a todas as seleções muito sucesso. Para todos vocês meus desejos de felicidades. Bem-vindos a Doha - finalizou.


[…]



Fonte: https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2022/11/20/festa-marca-a-abertura-da-copa-do-mundo-do-catar.ghtml Acesso 20 nov 2022 (Adaptado)
Assinale a alternativa em que se verifica a concordância verbal correta
Alternativas
Q3664287 Português

Silêncio


É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembrança de palavras. Se és morte, como te alcançar. É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz. A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes. Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas. Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece. O coração bate ao reconhecêlo. Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta – como ardemos por ser chamados a responder – cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio. Quantas horas se perdem na escuridão supondo que o silêncio te julga – como esperamos em vão por ser julgados pelo Deus. Surgem as justificações, trágicas justificações forjadas, humildes desculpas até a indignidade. Tão suave é para o ser humano enfim mostrar sua indignidade e ser perdoado com a justificativa de que se é um ser humano humilhado de nascença. Até que se descobre – nem a sua indignidade ele quer. Ele é o silêncio. Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro de cabeceira cair no chão. Mas, horror – o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio. Então, se há coragem, não se luta mais. Entra-se nele, vai-se com ele, nós os únicos fantasmas de uma noite em Berna. Que se entre. Que não se espere o resto da escuridão diante dele, só ele próprio. Será como se estivéssemos num navio tão descomunalmente enorme que ignorássemos estar num navio. E este singrasse tão largamente que ignorássemos estar indo. Mais do que isso um homem não pode. Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do nada sozinho e sozinho bater alto nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio. Se não há coragem, que não se entre. [...]


Clarice Lispector. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

No excerto “Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento.”, a narradora se refere ao silêncio da madrugada como algo incômodo. A oração condicional “Se ao menos houvesse o vento” é utilizada para expressar:
Alternativas
Q3663898 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Ortografia não é língua!


Vivemos numa cultura grafocêntrica, isto é, numa cultura em que a escrita exerce um papel central na vida diária das pessoas. Mesmo as analfabetas estão imersas nessa cultura, porque têm de pegar ônibus, fazer compras, lidar com dinheiro, cartão de banco, documentos, boletos, embalagens, ícones do telefone celular etc. A escrita está presente na vida delas o tempo todo, tanto quanto na das pessoas alfabetizadas. Aliás, justamente por isso, as especialistas no tema dizem que existem pessoas analfabetas, sim, mas não pessoas iletradas, já que todas têm de aprender a interagir a todo momento (com maior ou menor desenvoltura) com a letra, ou seja, com a escrita.


Nós também nos movemos no interior daquilo que se chama paisagem linguística. Por onde andamos, no meio urbano e também fora dele (dentro de um avião, por exemplo), estamos rodeadas de cartazes, letreiros de lojas, sinalização de trânsito, painéis de elevadores, publicidade colada nos postes, instruções escritas no asfalto, numeração das casas, folheto de cartomante, placas com nomes de ruas, inscrições em veículos etc. A paisagem linguística é objeto de conflitos em sociedades plurilíngues, onde os grupos de falantes de línguas minorizadas lutam para que todo esse universo de escrita também esteja grafado em sua língua não hegemônica. No Canadá, por exemplo, tudo o que chega às mãos da população tem de vir, obrigatoriamente, por lei, escrito em inglês e francês, assim como, na Bélgica, em neerlandês e francês. (...) Esse impacto da escrita na nossa vida em sociedade é tamanho que para muitas pessoas é difícil pensar em “língua” sem pensar imediatamente em “escrita”, quando não acham que são sinônimos! Mas não são.


Para essa enganosa sinonímia contribui muito o processo de escolarização. Mesmo sendo precário e quase indigente no Brasil, o ensino institucionalizado de língua se faz, evidentemente, por meio da escrita e da leitura do que está escrito. Isso explica, por exemplo, por que a grande maioria do que se chama “erro de português” é, na verdade, mero erro de ortografia: “Credo, o e-mail de fulano está cheio de erros de português”.


Vai ver, são basicamente erros de ortografia. Quando ouvimos alguém dizer [kizɛh], não temos a menor ideia de se, na hora de escrever, ela vai grafar quiser, com <s>, ou quizer, com <z>.  A pronúncia [kizɛh] é um fato de língua, mas a grafia considerada correta (por lei) é quiser, e isso não tem nada a ver com a língua, mas com as convenções que foram estabelecidas socioculturalmente para a representação escrita (sempre falha e incompleta) dos fatos de língua (por que existe debaixo, uma palavra só, e de cima, duas? Por que quiser com <s> e fizer, com <z>?). Tanto é assim que nossos avós escreviam physica mas pronunciavam [fizika], exatamente como pronunciamos hoje, apesar de escrevermos física. Por isso é que dizemos (e escrevemos): a ortografia não faz parte da língua. Aliás, até o início do século passado o que se escrevia era orthographia!


Quando, na linguística, falamos de língua, o que temos em mente é um conjunto de regularidades que permitem o funcionamento de um modo de falar presente numa dada comunidade humana: os sons que compõem esse idioma, a combinação deles, a morfologia e a sintaxe (ou seja, a gramática), as formas variantes que as e os falantes têm de dizer a mesma coisa (uma “pôça” ou uma “póça” d’água, por exemplo, é algo que independe da ortografia, que é poça para os dois casos, mas de fatores sociais variáveis, como a origem geográfica da pessoa) etc. É assim que aplicamos o rótulo de língua aos modos de falar de centenas de etnias indígenas diferentes, muito embora elas não tenham uma tradição escrita originária — são as pesquisadoras, antropólogas e linguistas, que, para empreender seus estudos, colocam no papel essas línguas, usando convenções gráficas que jamais passaram pela cabeça de quem as fala. Se nós escrevemos tupi, é porque falamos português. Se o Brasil tivesse sido invadido e colonizado por ingleses, por exemplo, o nome dessa etnia e de sua língua provavelmente seria escrito Toopee; se por franceses, toupi ou algo assim. Se fossem russos, nem sequer usariam o alfabeto latino… E nunca é demais lembrar: existem muitas centenas de línguas faladas no mundo hoje que não têm forma escrita, existem exclusivamente na forma oral — são as chamadas línguas ágrafas. No Brasil mesmo, passam de cem. São ágrafas, mas são línguas, em todos os sentidos da palavra.


Ortografia não é língua, ok. Mas é gramática? A resposta depende do que se entende por gramática. A grandíssima maioria das pessoas entende “gramática” como “livro de gramática”, uma obra que contém supostamente tudo o que existe na língua e, principalmente, tudo o que é “certo”. Assim, se o livro chamado “gramática” tem um capítulo que trata da ortografia, então a ortografia faz parte da gramática (foi disso que tentou me convencer a pessoa que me retrucou). Na ciência linguística, no entanto, gramática é um termo que desgina “todo o sistema e estrutura de uma língua ou das línguas em geral, habitualmente considerado como constituído de sintaxe e morfologia (incluindo flexões) e às vezes também fonologia e semântica”, conforme define o famoso dicionário Oxford da língua inglesa (pensei em usar a definição de um conhecido dicionário brasileiro, mas topei com um “estudo sistemático ... do sistema” e desisti).


Assim, para a teoria linguística, tanto “tu foi” quanto “tu foste” são regras da gramática do português brasileiro, assim como “as mesa pequena” e “as mesas pequenas”, para citar só esses mínimos exemplos. Significa que tudo o que é possível encontrar nos usos autênticos das pessoas que falam uma língua pertence à gramática dessa língua — e tudo o que é possível encontrar nesses usos pode ser sistematizado em regras. Sim, existe uma regra (cognitiva) que governa “as mesa pequena ficou lá fora”: se as gramáticas normativas não apresentam essa regra, o problema é delas. Observe que, na definição do dicionário Oxford, não aparece letra, pontuação, divisão silábica, acentuação gráfica… nada do que constitui o modo de escrever a língua. Por quê? Ora, porque a forma de escrever uma língua (e, principalmente, sua ortografia oficial) não faz parte da gramática dessa língua. Se eu enviar uma mensagem escrita assim: “quandu vossê xegá in caza, mi aviza”, a ortografia está errada, mas a gramática está perfeita, tanto que, lida em voz alta, qualquer falante de português brasileiro vai reconhecer ali sua língua.

[...]


A ortografia é uma decisão política, está regulamentada por lei, de modo que podemos, sim, dizer que existe erro de ortografia, mesmo sendo uma lei que não prevê sanções contra seu descumprimento. Por sua vez, a gramática (no sentido que se dá ao termo em linguística), seja de que língua for, não tem a mais remota possibilidade de ser regulamentada por lei, muito embora tanta gente acredite que os manuais de gramática normativa têm de ser seguidos à risca, como códigos penais. Não têm. Os usos da língua são múltiplos e variáveis, se transformam ao longo do tempo, o que provoca mudanças na gramática, mudanças às vezes acompanhadas pela ortografia oficial (como no caso do português, com tantas e obsessivas reformas ortográficas ao longo do século 20), às vezes não. (...)


A eficácia do ensino-aprendizagem da ortografia não depende do sistema de escrita nem da maior ou menor racionalidade de suas regras. O português tem uma ortografia bastante razoável no que diz respeito à relação letra-som, mas, com exceção de Portugal, os demais países que têm o português como língua oficial apresentam baixíssimos níveis de letramento de suas populações, incluindo o Brasil, em que o número de pessoas analfabetas funcionais ultrapassa facilmente os cem milhões (entre as quais, evidentemente, as pessoas que padecem de fome ou vivem na insegurança alimentar). Em contrapartida, o Reino Unido, que tem o inglês como língua de ensino, apresenta um índice de alfabetização superior a 99% de sua população de quase 68 milhões. O Sri Lanka, país em que se usa um sistema de escrito próprio e muito complexo para a língua cingalesa, tem 98% de sua população letrada. O espanhol tem uma ortografia muito racional e fácil de aprender, mas enquanto Cuba (11 milhões de habitantes) apresenta um índice de alfabetismo que beira os 100%, na Guatemala (17 milhões) 75% da população maior de 15 anos é analfabeta. A ortografia não faz parte da língua, mas oferecer (ou não) à população a oportunidade de aprendê-la para ler e escrever, como é direito de toda pessoa no mundo de hoje, faz parte do tipo de projeto que os diferentes governos têm para suas respectivas nações.


BAGNO, Marcos. Ortografia não é língua! (adaptado). Blog da Parábola Editorial, [s. l.], 2023. Disponível em: https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/ortografia-nao-e-lingua-1. Acesso em: 10 set. 2023. 

“Mesmo sendo precário e quase indigente no Brasil, o ensino institucionalizado de língua se faz, evidentemente, por meio da escrita e da leitura do que está escrito.”


A única reescrita que mantém as relações de sentido contidas no período e sua correção gramatical é: 

Alternativas
Q3663641 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão:


Cientistas defendem livros didáticos em papel


Dá para renunciar a livros físicos e estudar somente pelas telas? Como isso afeta o desempenho dos alunos em idade escolar e a sua capacidade de leitura? Essa discussão foi alimentada pelo anúncio, agora parcialmente revertido, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, de que alunos da rede pública nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio contariam apenas com livros didáticos digitais, e não mais em papel. O Ministério Público Estadual abriu uma apuração do caso e o governador Tarcísio de Freitas afirmou que tanto livros didáticos impressos quanto digitais serão ofertados.


Diferentes acadêmicos e entidades debatem o quanto do material didático deve ou não migrar para o ambiente digital, mas evidências científicas sugerem que o papel ainda é a forma mais eficiente para ensinar a habilidade de leitura aprofundada e crítica - particularmente em países com tantas desigualdades como o Brasil.


Ao mesmo tempo, há pesquisadores que lamentam que questões igualmente importantes - como a qualidade dos livros - foram ofuscadas pela mera oposição entre papel e digital.


Alguns dados importantes nessa discussão vêm do Pisa, o principal exame internacional a comparar o aprendizado em vários países.


No ano passado, a entidade organizadora do exame, a OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - identificou que estudantes de 15 anos que tinham o hábito de lerem livros em papel fizeram, em média, 49 pontos a mais na prova de leitura do Pisa 2018, em comparação aos jovens que raramente ou nunca liam livros. Esses 49 pontos equivalem a mais ou menos 10% da pontuação média total dos países na prova de leitura do Pisa.


Além disso, estudantes com o hábito de ler em papel também demonstraram mais prazer com a leitura do que aqueles que liam textos digitais. "Os resultados do Pisa confirmam que o acesso a capital cultural, como livros, é um forte preditor do desempenho dos estudantes", aponta a OCDE. A leitura digital tem vantagens importantes, como a busca rápida por fontes de informação e checagem de dados. Mas uma preocupação dos cientistas é que, nas telas, nossa leitura é mais superficial do que no papel, ou seja, "passamos os olhos" em vez de ler de verdade.


"As pesquisas dos últimos dez anos mostram que, se você medir a compreensão do quanto as pessoas se lembram do que leem, ela é sempre melhor no texto impresso, especialmente para textos longos", diz à BBC News Brasil a pesquisadora Naomi S. Baron, professora emérita de Linguística da American University em Washington.


O texto impresso convida a uma leitura mais lenta e concentrada do que o texto em tela, geralmente ditado pelo ritmo das redes sociais e da multitarefa, agrega Baron. "Muito do que fazemos no mundo digital é veloz: olhar para um post no Facebook, uma foto no Instagram, os resultados de jogos de futebol, e daí, seguir adiante. Com o texto impresso, presumindo que você não ficará checando o seu telefone, você foca mais."


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq52xyr0l92o. Adaptado. 

Esses 49 pontos equivalem a mais ou menos 10% da pontuação média total dos países na prova de leitura do Pisa.


Sintaticamente, é correto afirmar que o(a): 

Alternativas
Q3663570 Português

"Meu pai, que havia arrancado três dentes, não pôde viajar naquele dia".


A oração grifada classifica-se como subordinada: 

Alternativas
Q3663486 Português
Na frase: "Gabriel estava convicto de que estava para ser homenageado", a oração destacada é:      
Alternativas
Q3663485 Português

"Lembro-me de que ela só comprava sapatos caros".


A oração sublinhada é:

Alternativas
Q3663300 Português

Silêncio


É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembrança de palavras. Se és morte, como te alcançar. É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz. A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes. Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas. Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece. O coração bate ao reconhecêlo. Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta – como ardemos  por ser chamados a responder – cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio. Quantas horas se perdem na escuridão supondo que o silêncio te julga – como esperamos em vão por ser julgados pelo Deus. É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembrança de palavras. Se és morte, como te alcançar. É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz. A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes. Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas. Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece. O coração bate ao reconhecêlo. Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta – como ardemos Surgem as justificações, trágicas justificações forjadas, humildes desculpas até a indignidade. Tão suave é para o ser humano enfim mostrar sua indignidade e ser perdoado com a justificativa de que se é um ser humano humilhado de nascença. Até que se descobre – nem a sua indignidade ele quer. Ele é o silêncio. Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro de cabeceira cair no chão. Mas, horror – o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio. Então, se há coragem, não se luta mais. Entra-se nele, vai-se com ele, nós os únicos fantasmas de uma noite em Berna. Que se entre. Que não se espere o resto da escuridão diante dele, só ele próprio. Será como se estivéssemos num navio tão descomunalmente enorme que ignorássemos estar num navio. E este singrasse tão largamente que ignorássemos estar indo. Mais do que isso um homem não pode. Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do nada sozinho e sozinho bater alto nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio. Se não há coragem, que não se entre. [...]


Clarice Lispector. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:


I. “Ele é o silêncio.”

II. “Os ouvidos se afiam.”

III. “Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio.”


Ocorre verbo pronominal apenas na(s) sentença(s):

Alternativas
Q3663297 Português

Silêncio


É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembrança de palavras. Se és morte, como te alcançar. É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz. A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes. Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas. Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece. O coração bate ao reconhecêlo. Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta – como ardemos  por ser chamados a responder – cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio. Quantas horas se perdem na escuridão supondo que o silêncio te julga – como esperamos em vão por ser julgados pelo Deus. É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembrança de palavras. Se és morte, como te alcançar. É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz. A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes. Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas. Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece. O coração bate ao reconhecêlo. Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta – como ardemos Surgem as justificações, trágicas justificações forjadas, humildes desculpas até a indignidade. Tão suave é para o ser humano enfim mostrar sua indignidade e ser perdoado com a justificativa de que se é um ser humano humilhado de nascença. Até que se descobre – nem a sua indignidade ele quer. Ele é o silêncio. Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro de cabeceira cair no chão. Mas, horror – o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio. Então, se há coragem, não se luta mais. Entra-se nele, vai-se com ele, nós os únicos fantasmas de uma noite em Berna. Que se entre. Que não se espere o resto da escuridão diante dele, só ele próprio. Será como se estivéssemos num navio tão descomunalmente enorme que ignorássemos estar num navio. E este singrasse tão largamente que ignorássemos estar indo. Mais do que isso um homem não pode. Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do nada sozinho e sozinho bater alto nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio. Se não há coragem, que não se entre. [...]


Clarice Lispector. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

No excerto “Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento.”, a narradora se refere ao silêncio da madrugada como algo incômodo. A oração condicional “Se ao menos houvesse o vento” é utilizada para expressar: 
Alternativas
Q3663015 Português
A concordância de número se refere à correspondência gramatical entre as palavras em uma frase em relação ao número. Identifique a alternativa em que há um erro de concordância nominal: 
Alternativas
Q3663004 Português
Leia o seguinte trecho de um romance e responda à pergunta a seguir:
"O sol brilhava no céu azul, as árvores balançavam suavemente ao vento e os pássaros cantavam alegremente."

A conjunção "e" no trecho acima desempenha que função na estrutura da frase? 
Alternativas
Q3663001 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.


As escavações arqueológicas que trazem novas revelações sobre o cotidiano de escravizados em Portugal

As imagens que mais vêm à tona quando se pensa em africanos escravizados é a do Brasil colonial, especialmente com as imensas plantações de cana e os engenhos. Faz sentido: estudos recentes estimam que foram trazidos da África para a colônia estabelecida por Portugal no Novo Mundo pelo menos 5,8 milhões de indivíduos escravizados entre os séculos 16 e 19 — quase a metade do total de toda a América.

Mas o passado escravagista português não se resume ao emprego de mão-de-obra forçada nas colônias. Cada vez mais pesquisadores revelam que houve escravidão africana também na metrópole — ou seja, em Portugal — no mesmo período.

Essa história vem sendo confirmada por escavações arqueológicas. No mês passado, a equipe coordenada pelo arqueólogo Rui Gomes Coelho, pesquisador na Universidade de Durham, na Inglaterra, encontrou vestígios de ocupações, nos séculos 16 e 17, de escravizados africanos na região do Monte do Vale de Lachique, ao sul de Lisboa.

“Sabemos que durante esse período foram levadas muitas pessoas escravizadas para o sul de Portugal para trabalharem na agricultura e outras atividades, e ficaram em locais como esse monte”, afirma Coelho, à BBC News Brasil.

"Também descobrimos que antes desse período não existiu ocupação permanente na área durante mais de mil anos, desde a época romana. Isto sugere que a região só foi realmente ocupada a partir do final do século 15", conta. Em outras palavras, a ocupação moderna da área se deve aos escravizados.

"Esse é um período em que o tráfico de pessoas escravizadas para Portugal a partir da África Ocidental e Central foi bastante intenso", comenta o arqueólogo. 

 Ele ressalta que os vestígios ali encontrados confirmam relatos documentais que indicam que "áreas de mato" daquelas redondezas foram limpadas para o cultivo graças ao trabalho de escravizados.

"É inevitável pensarmos no que estava acontecendo nessa época em outras partes do Atlântico. Por exemplo, nas ilhas atlânticas ou até no Brasil", acrescenta ele.

"Estamos perante um fenômeno de colonização, mas no interior da Europa."

Os objetos encontrados ali que remetem a esse passado escravagista ainda devem passar por análise e serão apresentados em um congresso de arqueologia marcado para novembro. Mas não é a primeira vez que vestígios do tipo são encontrados em Portugal.

Em 2009, outro grupo de pesquisadores descobriu 158 esqueletos de africanos na cidade de Lagos e estudos constataram que esses homens e mulheres sofriam de desnutrição, lesões e abusos físicos graves.


(Edison Veiga Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil. Disponível em:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq5dn
2w31gwo

Considere o trecho a seguir:
"O autor escreveu, com habilidade notável, diversos contos que encantaram os leitores."
Nesse contexto, a pontuação com vírgulas desempenha um papel específico. Qual é a função principal das vírgulas no trecho acima? 
Alternativas
Q3662973 Português
Considere o seguinte excerto, retirado de uma reportagem da Revista Superinteressante: “O Doberman é banido em alguns países do leste europeu, além da Irlanda e de algumas partes dos EUA, que restringem a circulação da raça. Assim como o pit bull, ela foi criada como cão de guarda.” O uso do pronome pessoal “ela”, neste contexto, é um recurso linguístico de: 
Alternativas
Q3662888 Português
Festa e discurso de Morgan Freeman marcam abertura da Copa do Mundo do Catar


Cerimônia acontece na manhã deste domingo, pelo horário de Brasília, antes do confronto de estreia entre os anfitriões Catar diante do Equador


Por Redação do ge — Doha 20/11/2022



O Catar queria transformar a abertura da Copa em espetáculo. Prometeu show olímpico e teve até horários e data de estreia modificados para atender aos ensejos de país anfitrião. No estádio Al Bayt, neste domingo, a cerimônia de 30 minutos contou com projeções, show pirotécnico, e as participações de Morgan Freeman e do influencer catari Ghanim Al Muftah.


Os discursos, em meio às duras críticas sobre o desrespeito aos direitos humanos no Catar, foram em tom de incentivo à diversidade e inclusão.


As movimentações começaram com a apresentação do Emir do Catar, Tamim bin Hamad, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Em seguida, o campeão da Copa de 1998, Marcel Desailly - zagueiro da França - apareceu em campo carregando a taça do Mundial.


Após a contagem regressiva, exibiu-se um vídeo com imagens do Catar e de um tubarão baleia, “nadando” em direção ao estádio, sob a inconfundível narração de Morgan Freeman.


- Dessa terra ouvimos um chamado para o mundo, para reconectar, para retornar apenas por um momento para o que nos agrupa, para o que nos junta nessa jornada do leste para o oeste. Nós nos movemos juntos buscando um objetivo - disse na narração.


Sob as luzes apagadas no estádio, três camelos estiveram ao centro do campo, sendo os primeiros animais vivos a participarem do evento. Ao lado dos camelos, havia também mulheres cataris, viajantes e tratadores.


Morgan Freeman, antes apenas na narração em áudio, apareceu ao centro do campo. Ao lado do ator americano, entrou também o influencer catari Ghanim Al Muftah, que tem síndrome de regressão caudal - uma má formação rara que interfere no desenvolvimento das extremidades inferiores.


[…] inicia-se o diálogo entre Morgan Freeman e Ghanim Al Muftah: sob a temática de inclusão e diversidade. Trata-se justamente da questão central para as críticas ao país sede, diante das leis anti-LGBTQIA+ ainda em vigor no Catar. A Lei Sharia, por exemplo, permite a imposição de pena de morte para homossexuais no país.

[…]


Freeman e Ghanim saem de cena para a entrada de 100 artistas com bastões de led, que interagiram com as projeções no campo, ao som dos “cantos da nação”. Em seguida, as 32 bandeiras e camisas das seleções foram mostradas no gramado, ao redor do símbolo desta Copa.

[…]


Em meio às músicas, chegaram ao campo também os mascotes de Copas que se passaram - entre eles o Fuleco, do Brasil. O último a aparecer foi mascote para desta edição, do Catar: La’eeb. Ele tem o formato dos tradicionais lenços árabes e seu nome significa “jogador super habilidoso”.


No palco, foi a vez das atrações musicais, que foram mantidas em sigilo e divulgadas apenas às vésperas da abertura, no último sábado.

[…]


No último ato da cerimônia, o Emir Tamim bin Hamad al-Thani apareceu em cena mais uma vez para fazer o discurso de abertura.

[…]


“Recebemos a todos de braços abertos na Copa do Mundo 2022. Nós trabalhamos e fizemos muitos esforços para garantir o sucesso desta edição.”


- Investimos para o bem de toda a humanidade. Durante 28 dias, vamos acompanhar essa festa de futebol nesse espaço de diálogo e civilização. As pessoas, por mais que sejam de culturas, nacionalidades e orientações diferentes, vão se reunir aqui no Catar. Que beleza juntar todas essas diferenças. Desejo a todas as seleções muito sucesso. Para todos vocês meus desejos de felicidades. Bemvindos a Doha - finalizou.

[…]



Fonte: https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2022/11/20/festa-marca-a-abertura-da-copa-do-mundo-do-catar.ghtml Acesso 20 nov 2022 (Adaptado)

Analise as frases abaixo:


.................................... uma bola atingiu o cenário e o derrubou.

Bem ................................... o povo começou a se retirar.

O rei descobriu a verdade, ................................... ficou irritado.

Faça sua tarefa ................................... , para podermos ir ao dentista.


Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente as lacunas das frases.

Alternativas
Q3662886 Português
Festa e discurso de Morgan Freeman marcam abertura da Copa do Mundo do Catar


Cerimônia acontece na manhã deste domingo, pelo horário de Brasília, antes do confronto de estreia entre os anfitriões Catar diante do Equador


Por Redação do ge — Doha 20/11/2022



O Catar queria transformar a abertura da Copa em espetáculo. Prometeu show olímpico e teve até horários e data de estreia modificados para atender aos ensejos de país anfitrião. No estádio Al Bayt, neste domingo, a cerimônia de 30 minutos contou com projeções, show pirotécnico, e as participações de Morgan Freeman e do influencer catari Ghanim Al Muftah.


Os discursos, em meio às duras críticas sobre o desrespeito aos direitos humanos no Catar, foram em tom de incentivo à diversidade e inclusão.


As movimentações começaram com a apresentação do Emir do Catar, Tamim bin Hamad, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Em seguida, o campeão da Copa de 1998, Marcel Desailly - zagueiro da França - apareceu em campo carregando a taça do Mundial.


Após a contagem regressiva, exibiu-se um vídeo com imagens do Catar e de um tubarão baleia, “nadando” em direção ao estádio, sob a inconfundível narração de Morgan Freeman.


- Dessa terra ouvimos um chamado para o mundo, para reconectar, para retornar apenas por um momento para o que nos agrupa, para o que nos junta nessa jornada do leste para o oeste. Nós nos movemos juntos buscando um objetivo - disse na narração.


Sob as luzes apagadas no estádio, três camelos estiveram ao centro do campo, sendo os primeiros animais vivos a participarem do evento. Ao lado dos camelos, havia também mulheres cataris, viajantes e tratadores.


Morgan Freeman, antes apenas na narração em áudio, apareceu ao centro do campo. Ao lado do ator americano, entrou também o influencer catari Ghanim Al Muftah, que tem síndrome de regressão caudal - uma má formação rara que interfere no desenvolvimento das extremidades inferiores.


[…] inicia-se o diálogo entre Morgan Freeman e Ghanim Al Muftah: sob a temática de inclusão e diversidade. Trata-se justamente da questão central para as críticas ao país sede, diante das leis anti-LGBTQIA+ ainda em vigor no Catar. A Lei Sharia, por exemplo, permite a imposição de pena de morte para homossexuais no país.

[…]


Freeman e Ghanim saem de cena para a entrada de 100 artistas com bastões de led, que interagiram com as projeções no campo, ao som dos “cantos da nação”. Em seguida, as 32 bandeiras e camisas das seleções foram mostradas no gramado, ao redor do símbolo desta Copa.

[…]


Em meio às músicas, chegaram ao campo também os mascotes de Copas que se passaram - entre eles o Fuleco, do Brasil. O último a aparecer foi mascote para desta edição, do Catar: La’eeb. Ele tem o formato dos tradicionais lenços árabes e seu nome significa “jogador super habilidoso”.


No palco, foi a vez das atrações musicais, que foram mantidas em sigilo e divulgadas apenas às vésperas da abertura, no último sábado.

[…]


No último ato da cerimônia, o Emir Tamim bin Hamad al-Thani apareceu em cena mais uma vez para fazer o discurso de abertura.

[…]


“Recebemos a todos de braços abertos na Copa do Mundo 2022. Nós trabalhamos e fizemos muitos esforços para garantir o sucesso desta edição.”


- Investimos para o bem de toda a humanidade. Durante 28 dias, vamos acompanhar essa festa de futebol nesse espaço de diálogo e civilização. As pessoas, por mais que sejam de culturas, nacionalidades e orientações diferentes, vão se reunir aqui no Catar. Que beleza juntar todas essas diferenças. Desejo a todas as seleções muito sucesso. Para todos vocês meus desejos de felicidades. Bemvindos a Doha - finalizou.

[…]



Fonte: https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2022/11/20/festa-marca-a-abertura-da-copa-do-mundo-do-catar.ghtml Acesso 20 nov 2022 (Adaptado)
Analise as palavras sublinhadas e assinale ( V ) para as concordâncias verdadeiras e ( F ) para as falsas.

( ) Os candidatos não ficaram para a apuração dos resultados, foram acompanhados de seus assessores.
( ) Estou quites com os meus cobradores, consegui pagar todos!
( ) Não pretendo votar em nenhum candidato.
( ) As atas estão anexas ao email.
( ) Foram inclusos no envelope o recibo e a gorjeta do garçom da festa.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q3662884 Português
Festa e discurso de Morgan Freeman marcam abertura da Copa do Mundo do Catar


Cerimônia acontece na manhã deste domingo, pelo horário de Brasília, antes do confronto de estreia entre os anfitriões Catar diante do Equador


Por Redação do ge — Doha 20/11/2022



O Catar queria transformar a abertura da Copa em espetáculo. Prometeu show olímpico e teve até horários e data de estreia modificados para atender aos ensejos de país anfitrião. No estádio Al Bayt, neste domingo, a cerimônia de 30 minutos contou com projeções, show pirotécnico, e as participações de Morgan Freeman e do influencer catari Ghanim Al Muftah.


Os discursos, em meio às duras críticas sobre o desrespeito aos direitos humanos no Catar, foram em tom de incentivo à diversidade e inclusão.


As movimentações começaram com a apresentação do Emir do Catar, Tamim bin Hamad, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Em seguida, o campeão da Copa de 1998, Marcel Desailly - zagueiro da França - apareceu em campo carregando a taça do Mundial.


Após a contagem regressiva, exibiu-se um vídeo com imagens do Catar e de um tubarão baleia, “nadando” em direção ao estádio, sob a inconfundível narração de Morgan Freeman.


- Dessa terra ouvimos um chamado para o mundo, para reconectar, para retornar apenas por um momento para o que nos agrupa, para o que nos junta nessa jornada do leste para o oeste. Nós nos movemos juntos buscando um objetivo - disse na narração.


Sob as luzes apagadas no estádio, três camelos estiveram ao centro do campo, sendo os primeiros animais vivos a participarem do evento. Ao lado dos camelos, havia também mulheres cataris, viajantes e tratadores.


Morgan Freeman, antes apenas na narração em áudio, apareceu ao centro do campo. Ao lado do ator americano, entrou também o influencer catari Ghanim Al Muftah, que tem síndrome de regressão caudal - uma má formação rara que interfere no desenvolvimento das extremidades inferiores.


[…] inicia-se o diálogo entre Morgan Freeman e Ghanim Al Muftah: sob a temática de inclusão e diversidade. Trata-se justamente da questão central para as críticas ao país sede, diante das leis anti-LGBTQIA+ ainda em vigor no Catar. A Lei Sharia, por exemplo, permite a imposição de pena de morte para homossexuais no país.

[…]


Freeman e Ghanim saem de cena para a entrada de 100 artistas com bastões de led, que interagiram com as projeções no campo, ao som dos “cantos da nação”. Em seguida, as 32 bandeiras e camisas das seleções foram mostradas no gramado, ao redor do símbolo desta Copa.

[…]


Em meio às músicas, chegaram ao campo também os mascotes de Copas que se passaram - entre eles o Fuleco, do Brasil. O último a aparecer foi mascote para desta edição, do Catar: La’eeb. Ele tem o formato dos tradicionais lenços árabes e seu nome significa “jogador super habilidoso”.


No palco, foi a vez das atrações musicais, que foram mantidas em sigilo e divulgadas apenas às vésperas da abertura, no último sábado.

[…]


No último ato da cerimônia, o Emir Tamim bin Hamad al-Thani apareceu em cena mais uma vez para fazer o discurso de abertura.

[…]


“Recebemos a todos de braços abertos na Copa do Mundo 2022. Nós trabalhamos e fizemos muitos esforços para garantir o sucesso desta edição.”


- Investimos para o bem de toda a humanidade. Durante 28 dias, vamos acompanhar essa festa de futebol nesse espaço de diálogo e civilização. As pessoas, por mais que sejam de culturas, nacionalidades e orientações diferentes, vão se reunir aqui no Catar. Que beleza juntar todas essas diferenças. Desejo a todas as seleções muito sucesso. Para todos vocês meus desejos de felicidades. Bemvindos a Doha - finalizou.

[…]



Fonte: https://ge.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2022/11/20/festa-marca-a-abertura-da-copa-do-mundo-do-catar.ghtml Acesso 20 nov 2022 (Adaptado)
Nos períodos abaixo, retirados da notícia, a oração assinalada está trazendo que ideia para o período composto.
Assinale a alternativa que indica corretamente a ideia da oração (em itálico) com relação ao que é dito na oração anterior:
Alternativas
Q3662739 Português
Por que o tigre-da-tasmânia foi extinto – e como isolaram seu RNA

Ele foi o primeiro animal extinto a ter seu RNA extraído e sequenciado, e pode ser um dos primeiros a serem trazidos de volta à vida.


O RNA do Tigre-da-Tasmânia foi extraído pela primeira vez. O Thylacinus cynocephalus, também chamado de Tilacino ou Lobo-da Tasmânia, foi extinto nos anos de 1930, e pode se tornar a primeira espécie animal a ser trazida de volta à vida. O feito foi reportado na última semana, em estudo publicado no periódico Genome Research. Mas por que esses animais foram extintos para começo de conversa e por que os cientistas querem trazer ele de volta?


A história da extinção

Apesar de parecer um cachorro (e de ser chamado de Tigre), o tigre-da-tasmânia era um marsupial, aquela classe de mamíferos que têm uma bolsa de pele onde guardam o filhote – como os cangurus. O “tigre” do nome é por causa de suas listras características nas costas. Eles eram nativos da Oceania, vivendo na Austrália e Nova Guiné, e seu processo de extinção foi gradual. Hoje em dia, as pesquisas indicam que diversos fatores levaram à extinção desses animais, mas é certo afirmar que o principal deles foi a chegada dos humanos ao continente, por volta de 50 mil anos atrás. A caça indiscriminada levou à extinção não só dos tilacinos, mas também da famosa megafauna australiana. Posteriormente, os dingos (um tipo de cão selvagem) foram levados ao continente. As duas espécies competiam pelos mesmos recursos, o que fez a população dos tilacinos diminuir ainda mais. Esse cenário confinou os animais à Tasmânia, uma ilha ao sul do continente australiano. Lá eles ficaram e sobreviveram – até a chegada dos colonos europeus, no começo do século 19. Como os tilacinos costumavam atacar as ovelhas nas fazendas, o governo criou recompensas para a caça desses animais. Resultado: dos 5 mil indivíduos que existiam na ilha até a chegada dos colonos, aproximadamente 3.500 tilacinos foram mortos, entre os anos de 1830 e 1920. Isso levou pesquisadores a pensar em formas de se proteger o animal. Mas já era tarde demais. Em setembro de 1936, o último exemplar da espécie, batizado de Benjamin, morreu no zoológico de Hobart/Beaumaris, na Tasmânia.

[...]

Lá e de volta outra vez

O tigre-da-tasmânia era um dos principais predadores da Ilha, sendo um dos responsáveis por controlar o equilíbrio entre as populações de animais da região. Sem um predador para controlar, muitas dessas espécies podem se tornar verdadeiras pragas, ameaçando o equilíbrio do ecossistema local. E é justamente esse um dos principais argumentos utilizados para trazer essa espécie de volta. A ficção científica já nos mostrou que trazer animais extintos de volta à vida não é exatamente a melhor ideia. Mas, para alguns pesquisadores, essa pode ser a melhor opção para recuperar o equilíbrio ecológico de ecossistemas inteiros que foram devastados. E a isso se dá o nome de “desextinção”. E com essa ideia em mente, e com uma façanha digna de Jurassic Park, pesquisadores conseguiram extrair o RNA de uma espécie de tigre-da-tasmânia preservado em um museu. Cientistas da Universidade de Estocolmo conseguiram extrair essa amostra de um tecido muscular e da pele do espécime. Diferentemente do DNA, o RNA é uma sequência genética que revela quais genes estão ativos. É o RNA que leva as informações contidas no nosso código genético para virarem proteínas, as moléculas responsáveis pelo funcionamento de todas as células no nosso corpo. “A recuperação dos perfis de expressão de RNA que não existem mais em células vivas expande a possibilidade de explorar a biologia de animais extintos”, explica Emilio Mármol Sánchez, professor da Universidade de Estocolmo e um dos líderes do estudo. Para isso, eles extraíram mais de 220 milhões de fragmentos de RNA da pele e músculo do animal. Então, purificaram esses fragmentos e depois conseguiram isolar e sequenciar o RNA da espécie. Foi possível identificar genes que codificam proteínas para a contração das fibras musculares, além de outra na pele responsável pela queratina. A amostra foi retirada de um espécime do Museu de História Natural de Estocolmo, de 1891. Geralmente, o RNA é mais frágil que o DNA: fora da célula, costuma se degradar em questão de minutos. Sua preservação depende de uma série de fatores, o que torna a façanha da equipe ainda mais impressionante. Essas informações serão essenciais para os projetos que visam trazer o tigre-da-tasmânia de volta à vida. [...]


Revista Superinteressante. Por que o tigre-da tasmânia foi extinto – e como isolaram seu RNA (adaptado). Disponível em:

<https://super.abril.com.br/ciencia/por-que-o-tigre-da-tasmania-foi
extinto-e-como-isolaram-seu-rna/
Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

I. “diversos fatores levaram à extinção desses animais”
II. “As duas espécies competiam pelos mesmos recursos”

Nas sentenças dadas, os verbos “levar” e “competir” apresentam, respectivamente, regência: 
Alternativas
Q3662737 Português
Por que o tigre-da-tasmânia foi extinto – e como isolaram seu RNA

Ele foi o primeiro animal extinto a ter seu RNA extraído e sequenciado, e pode ser um dos primeiros a serem trazidos de volta à vida.


O RNA do Tigre-da-Tasmânia foi extraído pela primeira vez. O Thylacinus cynocephalus, também chamado de Tilacino ou Lobo-da Tasmânia, foi extinto nos anos de 1930, e pode se tornar a primeira espécie animal a ser trazida de volta à vida. O feito foi reportado na última semana, em estudo publicado no periódico Genome Research. Mas por que esses animais foram extintos para começo de conversa e por que os cientistas querem trazer ele de volta?


A história da extinção

Apesar de parecer um cachorro (e de ser chamado de Tigre), o tigre-da-tasmânia era um marsupial, aquela classe de mamíferos que têm uma bolsa de pele onde guardam o filhote – como os cangurus. O “tigre” do nome é por causa de suas listras características nas costas. Eles eram nativos da Oceania, vivendo na Austrália e Nova Guiné, e seu processo de extinção foi gradual. Hoje em dia, as pesquisas indicam que diversos fatores levaram à extinção desses animais, mas é certo afirmar que o principal deles foi a chegada dos humanos ao continente, por volta de 50 mil anos atrás. A caça indiscriminada levou à extinção não só dos tilacinos, mas também da famosa megafauna australiana. Posteriormente, os dingos (um tipo de cão selvagem) foram levados ao continente. As duas espécies competiam pelos mesmos recursos, o que fez a população dos tilacinos diminuir ainda mais. Esse cenário confinou os animais à Tasmânia, uma ilha ao sul do continente australiano. Lá eles ficaram e sobreviveram – até a chegada dos colonos europeus, no começo do século 19. Como os tilacinos costumavam atacar as ovelhas nas fazendas, o governo criou recompensas para a caça desses animais. Resultado: dos 5 mil indivíduos que existiam na ilha até a chegada dos colonos, aproximadamente 3.500 tilacinos foram mortos, entre os anos de 1830 e 1920. Isso levou pesquisadores a pensar em formas de se proteger o animal. Mas já era tarde demais. Em setembro de 1936, o último exemplar da espécie, batizado de Benjamin, morreu no zoológico de Hobart/Beaumaris, na Tasmânia.

[...]

Lá e de volta outra vez

O tigre-da-tasmânia era um dos principais predadores da Ilha, sendo um dos responsáveis por controlar o equilíbrio entre as populações de animais da região. Sem um predador para controlar, muitas dessas espécies podem se tornar verdadeiras pragas, ameaçando o equilíbrio do ecossistema local. E é justamente esse um dos principais argumentos utilizados para trazer essa espécie de volta. A ficção científica já nos mostrou que trazer animais extintos de volta à vida não é exatamente a melhor ideia. Mas, para alguns pesquisadores, essa pode ser a melhor opção para recuperar o equilíbrio ecológico de ecossistemas inteiros que foram devastados. E a isso se dá o nome de “desextinção”. E com essa ideia em mente, e com uma façanha digna de Jurassic Park, pesquisadores conseguiram extrair o RNA de uma espécie de tigre-da-tasmânia preservado em um museu. Cientistas da Universidade de Estocolmo conseguiram extrair essa amostra de um tecido muscular e da pele do espécime. Diferentemente do DNA, o RNA é uma sequência genética que revela quais genes estão ativos. É o RNA que leva as informações contidas no nosso código genético para virarem proteínas, as moléculas responsáveis pelo funcionamento de todas as células no nosso corpo. “A recuperação dos perfis de expressão de RNA que não existem mais em células vivas expande a possibilidade de explorar a biologia de animais extintos”, explica Emilio Mármol Sánchez, professor da Universidade de Estocolmo e um dos líderes do estudo. Para isso, eles extraíram mais de 220 milhões de fragmentos de RNA da pele e músculo do animal. Então, purificaram esses fragmentos e depois conseguiram isolar e sequenciar o RNA da espécie. Foi possível identificar genes que codificam proteínas para a contração das fibras musculares, além de outra na pele responsável pela queratina. A amostra foi retirada de um espécime do Museu de História Natural de Estocolmo, de 1891. Geralmente, o RNA é mais frágil que o DNA: fora da célula, costuma se degradar em questão de minutos. Sua preservação depende de uma série de fatores, o que torna a façanha da equipe ainda mais impressionante. Essas informações serão essenciais para os projetos que visam trazer o tigre-da-tasmânia de volta à vida. [...]


Revista Superinteressante. Por que o tigre-da tasmânia foi extinto – e como isolaram seu RNA (adaptado). Disponível em:

<https://super.abril.com.br/ciencia/por-que-o-tigre-da-tasmania-foi
extinto-e-como-isolaram-seu-rna/
Considere o seguinte excerto: “A recuperação dos perfis de expressão de RNA que não existem mais em células vivas expande a possibilidade de explorar a biologia de animais extintos”. Neste contexto, a palavra “existem” está em relação direta de concordância com: 
Alternativas
Q3662548 Português
Leia o texto e responda a questão.


        Uma pesquisa, da Coleman Parkes Research, mostra que a transformação digital gera um crescimento médio de 37% na receita com novos negócios. Isso vale para empreendimentos de portes e setores diversos. Pelo ritmo com que soluções tecnológicas ocupam espaço nas relações humanas, pode-se calcular que até mesmo profissionais liberais e autônomos serão levados a aderir à transformação digital.

     Então, se você tem um negócio ou pretende empreender, é preciso começar a pensar, estudar e se questionar: como a tecnologia pode ajudar o negócio a se tornar mais ágil, eficiente e melhorar o relacionamento com o cliente? A transformação era o passe para o futuro, e o futuro chegou!

[Adaptado] ANDRADA, Doorval. O desafio da transformação digital. Disponível em: https://gazetadotriangulo.com.br/artigo-deopiniao-o-desafio-da-transformacao-digital/. Acesso em: 17 fev. 2023
 Assinale a alternativa em que é possível identificar uma conjunção alternativa.
Alternativas
Respostas
16161: A
16162: E
16163: A
16164: C
16165: C
16166: A
16167: A
16168: C
16169: E
16170: A
16171: C
16172: D
16173: B
16174: D
16175: D
16176: D
16177: A
16178: D
16179: A
16180: C