Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3892478 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Vespa invasora ameaça abelhas



Uma invasão de vespas asiáticas ameaça prejudicar as populações de abelhas no Reino Unido, pois os insetos se alimentam de abelhas e vespas nativas, prejudicando a biodiversidade. O alerta surge no momento em que cientistas renomados divulgam um relatório global sobre as ameaças causadas por espécies invasoras, também chamadas de espécies exóticas. Estudos mostram que os invasores têm influência em 60% das extinções de animais e plantas do planeta.


Espécies exóticas são seres vivos transportados pelos humanos a lugares onde não estariam naturalmente. Exemplos vão desde a Uva do Japão até fungos que matam árvores. Eles são um dos cinco principais impulsionadores da perda de biodiversidade e prevê-se que o problema se agrave.


A vespa asiática é um exemplo de espécie exótica em risco de ganhar uma posição permanente no Reino Unido. Em Folkestone, um dos focos de ocorrência de vespas asiáticas, o apicultor Simon contabiliza os custos para suas abelhas. Ele diz que os predadores que comem abelhas causam devastação, com dez das suas dezessete colmeias perdidas rapidamente. "Esses insetos se estabelecerão aqui e predarão todos os outros, especialmente as abelhas, sua fonte natural de alimento", alerta. "Eles acabarão destruindo ou complicando a apicultura para todos, reduzindo a biodiversidade na área de toda a Inglaterra."


Quando visitamos seu apiário, vimos várias vespas asiáticas capturadas naquele dia. O Departamento do Meio Ambiente afirma que a vespa asiática não representa maior risco para a saúde humana do que outras vespas, mas causa danos às colônias de abelhas que produzem mel e outros insetos benéficos. A população britânica foi aconselhada a se manter atenta e relatar imediatamente caso uma vespa seja vista.


É importante tomar cuidado para não se aproximar ou perturbar o ninho. "Ao garantir o alerta sobre possíveis casos o mais cedo possível, podemos tomar medidas rápidas e eficazes para acabar com a ameaça representada pelas vespas asiáticas", disse Nicola Spence, chefe do Departamento do Meio Ambiente e responsável pela saúde das abelhas.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c061pgrk3rko. Adaptado.

Esses insetos se estabelecerão aqui 'e predarão todos os outros, especialmente as abelhas'.



A expressão destacada trata-se de uma oração:

Alternativas
Q3892477 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Vespa invasora ameaça abelhas



Uma invasão de vespas asiáticas ameaça prejudicar as populações de abelhas no Reino Unido, pois os insetos se alimentam de abelhas e vespas nativas, prejudicando a biodiversidade. O alerta surge no momento em que cientistas renomados divulgam um relatório global sobre as ameaças causadas por espécies invasoras, também chamadas de espécies exóticas. Estudos mostram que os invasores têm influência em 60% das extinções de animais e plantas do planeta.


Espécies exóticas são seres vivos transportados pelos humanos a lugares onde não estariam naturalmente. Exemplos vão desde a Uva do Japão até fungos que matam árvores. Eles são um dos cinco principais impulsionadores da perda de biodiversidade e prevê-se que o problema se agrave.


A vespa asiática é um exemplo de espécie exótica em risco de ganhar uma posição permanente no Reino Unido. Em Folkestone, um dos focos de ocorrência de vespas asiáticas, o apicultor Simon contabiliza os custos para suas abelhas. Ele diz que os predadores que comem abelhas causam devastação, com dez das suas dezessete colmeias perdidas rapidamente. "Esses insetos se estabelecerão aqui e predarão todos os outros, especialmente as abelhas, sua fonte natural de alimento", alerta. "Eles acabarão destruindo ou complicando a apicultura para todos, reduzindo a biodiversidade na área de toda a Inglaterra."


Quando visitamos seu apiário, vimos várias vespas asiáticas capturadas naquele dia. O Departamento do Meio Ambiente afirma que a vespa asiática não representa maior risco para a saúde humana do que outras vespas, mas causa danos às colônias de abelhas que produzem mel e outros insetos benéficos. A população britânica foi aconselhada a se manter atenta e relatar imediatamente caso uma vespa seja vista.


É importante tomar cuidado para não se aproximar ou perturbar o ninho. "Ao garantir o alerta sobre possíveis casos o mais cedo possível, podemos tomar medidas rápidas e eficazes para acabar com a ameaça representada pelas vespas asiáticas", disse Nicola Spence, chefe do Departamento do Meio Ambiente e responsável pela saúde das abelhas.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c061pgrk3rko. Adaptado.

 alerta 'surge' no momento em que cientistas renomados divulgam um relatório global sobre as ameaças causadas por espécies invasoras.



O verbo destacado na primeira oração, quanto à sua regência, trata-se de verbo:

Alternativas
Q3888547 Português
Leia o texto para responder à questão.


    Leonardo Da Vinci aprendeu sobretudo a partir de um tipo de investigação e observação “com a mão na massa”. Ele se voltou para o estudo da anatomia e até mesmo para a prática da dissecção a fim de representar corpos de humanos e de cavalos com precisão, mas seguiu investigando por pura curiosidade. Já se disse que a anatomia foi o campo em que ele fez as descobertas mais abrangentes. Leonardo parece ter sido o primeiro a estudar o desenvolvimento da arteriosclerose e também desvendou a função da válvula aórtica no coração. De maneira similar, começou a estudar óptica para aprimorar sua arte, mas depois descobriu, por exemplo, que a pupila do olho se dilata e se contrai segundo a luminosidade ou a escuridão dos objetos à vista.

    Leonardo também era entusiasta da geometria e estudou campos que hoje conhecemos por mecânica, hidráulica, química, botânica, zoologia, geologia e cartografia. Ironicamente, agora são necessários muitos especialistas para avaliar as realizações de Leonardo em todas essas disciplinas.

    Ele era fascinado pelo movimento da água, o qual observava, por exemplo, jogando nela grãos e corantes. Leonardo também fez experimentos químicos com tinta e preparação de superfícies para pintura. Seus cadernos de anotações revelam uma cuidadosa observação de plantas, assim como sua famosa pintura A virgem das rochas, na qual ele representou apenas as flores que seriam encontradas em uma gruta úmida em determinada estação do ano. A geologia e a botânica alpinas estão representadas com precisão nessa obra.

    Leonardo também colecionou fósseis, os quais via como evidência da história da Terra. Calculou a idade das árvores examinando seus anéis. E observou cuidadosamente não apenas cavalos e pássaros, mas também morcegos, lagartos e crocodilos. Os mapas que ele fez revelam seu interesse pela geografia. Como o artista Giorgio Vasari comentou em sua biografia de Leonardo, “mesmo as coisas mais difíceis a que voltou seu pensamento, ele as resolveu com facilidade”.


(BURKE, Peter. O polímata. São Paulo: Editora Unesp. 2020. Fragmento adaptado)
As expressões em destaque nos trechos − ...a fim de representar corpos de humanos e de cavalos com precisão... (1° parágrafo) − e − ...as flores que seriam encontradas em uma gruta úmida em determinada estação do ano (3° parágrafo) − apresentam, respectivamente, circunstâncias de 
Alternativas
Q3760801 Português

O Texto II serve de base para à questão abaixo.


Julián Fuks

Colunista do UOL

21/01/2023 06h00


        Era a primeira noite franca depois de muitos dias de chuva. Casualmente, olhamos para o alto e surpreendemos as estrelas, um céu tão cheio de astros quanto estávamos cheios de desejos. As meninas decidiram fazer pedidos, eе Penélope, a menor, tomou a dianteira: quero todo mundo em casa. Pensei no ano duro que deixamos para trás, feito de pressas, fugas, perdas, e senti seu anseio justo e certeiro. Tulipa, a maior, sem baixar a cabeça, mas fechando os olhos com força, não fez bem um pedido, e sim uma exigência para si mesma: quero aprender logo, hoje, amanhã ou depois de amanhã, a escrever todas as palavras. Nada pude responder, não me cabia invadir a intimidade de seu pedido, ouvi-lo era já um excesso. Mas pensei no que havia de ternura e beleza naquela vontade, e na avidez com que ela tem delineado letras em qualquer papel, ou soletrado nomes em sussurros para ninguém. Está começando a aprender a escrever, e já entendeu que as palavras podem ser estranhas, esquivas, insensatas, incertas, que é preciso olhá-las com desconfiança, que podem se reger por leis obscuras que nunca conhecemos por completo. Nada pude dizer, mas pensei naquele momento que essa é também a minha ânsia, que quero aprender logo a escrever todas as palavras. Que essa é tarefa para muitos amanhãs, e que será sorte se ela e eu preservarmos tal desejo a vida inteira.

[...]


        Você, Tulipa, já conhece essa vastidão do tempo, e por isso posso escrever este texto confiando que você o lerá amanhã, aos seus quinze, ou vinte, ou trinta anos. Talvez eu não tenha nada a lhe oferecer num amanhã tão longínquo, talvez não lhe interesse amanhã nenhum conselho, mas ainda assim o ofereço, como um pai envelhecido. Paciência, filha, é preciso paciência para chegar a escrever todas as palavras. Calma, filha, é possível ter calma porque as palavras não têm pressa, não fogem, não se perdem.


Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2023/01/21/sobre-criancas-palavras-estrelas-conselho-a-quem-comeca-a-escrever.htm.Acesso em: 21 jan 2023. (Fragmento).



Assinale a alternativa em que a justificativa para o uso da(s) vírgula(s) está INCORRETA
Alternativas
Q3760800 Português

O Texto II serve de base para à questão abaixo.


Julián Fuks

Colunista do UOL

21/01/2023 06h00


        Era a primeira noite franca depois de muitos dias de chuva. Casualmente, olhamos para o alto e surpreendemos as estrelas, um céu tão cheio de astros quanto estávamos cheios de desejos. As meninas decidiram fazer pedidos, eе Penélope, a menor, tomou a dianteira: quero todo mundo em casa. Pensei no ano duro que deixamos para trás, feito de pressas, fugas, perdas, e senti seu anseio justo e certeiro. Tulipa, a maior, sem baixar a cabeça, mas fechando os olhos com força, não fez bem um pedido, e sim uma exigência para si mesma: quero aprender logo, hoje, amanhã ou depois de amanhã, a escrever todas as palavras. Nada pude responder, não me cabia invadir a intimidade de seu pedido, ouvi-lo era já um excesso. Mas pensei no que havia de ternura e beleza naquela vontade, e na avidez com que ela tem delineado letras em qualquer papel, ou soletrado nomes em sussurros para ninguém. Está começando a aprender a escrever, e já entendeu que as palavras podem ser estranhas, esquivas, insensatas, incertas, que é preciso olhá-las com desconfiança, que podem se reger por leis obscuras que nunca conhecemos por completo. Nada pude dizer, mas pensei naquele momento que essa é também a minha ânsia, que quero aprender logo a escrever todas as palavras. Que essa é tarefa para muitos amanhãs, e que será sorte se ela e eu preservarmos tal desejo a vida inteira.

[...]


        Você, Tulipa, já conhece essa vastidão do tempo, e por isso posso escrever este texto confiando que você o lerá amanhã, aos seus quinze, ou vinte, ou trinta anos. Talvez eu não tenha nada a lhe oferecer num amanhã tão longínquo, talvez não lhe interesse amanhã nenhum conselho, mas ainda assim o ofereço, como um pai envelhecido. Paciência, filha, é preciso paciência para chegar a escrever todas as palavras. Calma, filha, é possível ter calma porque as palavras não têm pressa, não fogem, não se perdem.


Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2023/01/21/sobre-criancas-palavras-estrelas-conselho-a-quem-comeca-a-escrever.htm.Acesso em: 21 jan 2023. (Fragmento).



No trecho: "Tulipa, a maior, sem baixar a cabeça, mas fechando os olhos com força, não fez bem um pedido, e sim uma exigência para si mesma: quero aprender logo, hoje, amanhã ou depois de amanhã, a escrever todas as palavras", sem que haja prejuízo ao sentido do texto, os termos em destaque podem ser substituídos, respectivamente, por:
Alternativas
Q3760326 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
No trecho “sempre se descobre a providencial porta falsa”, o termo “se” exerce a função de:
Alternativas
Q3760325 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
Em relação à oração “Os velhos, a longa vida já lhes ensinou”, marque a alternativa que indica o termo que exerce a função de núcleo do sujeito.
Alternativas
Q3760318 Português
“Em todos estes nossos anos de república, e por mais convulsionados que fossem os seus períodos de governo, todos os nossos presidentes vinham morrendo honrada e sossegadamente nas suas camas. Mesmo Deodoro, o proclamador. Mesmo Floriano. Porém o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente, por suicídio: como que das consequências da ditadura. E sempre tem sido assim, no mundo, desde César e mesmo antes de César, acabando em Mussolini e Hitler. Getúlio, que era orgulhoso e era valente, e gostava do poder pelo poder, e não pelo dinheiro ou pelas regalias do ofício, não teve forças para enfrentar as humilhações que o ameaçavam naquela deposição muito diferente da primeira ― e matou-se. Não estou a dizer que fez bem em matar-se; claro que não tento fazer a apologia do suicídio. Mas, homem sem Deus evidentemente que ele era, naquele desespero em que se via, naquela tremenda solidão, com tudo desmoronado ao seu redor, todas as confianças traídas, o famoso mar de lama cada vez mais se cavando aos seus pés ― pareceu-lhe que outra porta não havia e procurou voluntariamente a morte. Sendo um valente, repito-o, procurou morte arriscada e difícil, e deu um tiro no peito. Aliás, no fim de Vargas, um dos aspectos que mais me impressionou foi esse suicídio de moço num homem de setenta anos. Já a simples ideia da morte voluntária, qualquer que seja a forma de sua execução, não parece coisa de velho, pois de um velho não se esperam esses paroxismos de desespero que levam ao suicídio. Só à inexperiência, à intolerância da mocidade, é que agradam as soluções radicais para um problema pessoal. (E é uma mistificação grosseira pretender que Vargas se matou numa voluntária imolação política, e não em virtude de um drama íntimo). Os velhos, a longa vida já lhes ensinou que não há beco totalmente sem saída, neste mundo; é só usar da paciência e atenção e sempre se descobre a providencial porta falsa. Mas Getúlio, ele, o contemporizador por definição, ele, o homem do ‘deixa como está para ver como fica’, parece que tinha nas suas veias de ancião um sangue turbulento de vinte anos. Desesperou-se como um adolescente ― e matou-se. Mas nós estávamos falando era na terrível sorte que quase sempre espera os ditadores ao fim do caminho, roubando-lhes uma morte honrada e pacífica. O ambiente de ódios e frustrações, a cadeia de ressentimentos que eles criam ao redor de si, parece que propicia a criação do clima dramático que se resolve em fim wagneriano. Aí, não é tão doce assim o quinhão dos ambiciosos! A princípio, quando o demônio os tenta, tudo parece suave, fácil ― estrada de flores, aberta por batedores alados e ao fundo uma porta que já nem tem mais trancas, basta forçar um pouco. Mas, arrombada a porta, invadido o palácio, passado o primeiro assombro, verifica-se que os defensores vão surgindo de modo sutil, brotando não se sabe como, nem de onde. Vão se arregimentando; e acabam lutando mesmo, matando e morrendo. A moral do caso é esta: mesmo que alimentem as melhores intenções, os candidatos a ditador devem pensar muito antes de se atirarem à terrível aventura."
(A estrada perigosa, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
No trecho “o único presidente que se fez ditador morreu tragicamente”, o termo “se” pode ser classificado como:
Alternativas
Q3760125 Português
Tem alguém aí?


Publicado em 13/10/2023
Paulo Pestana
Crônica


   Cheguei para uma reunião de trabalho um pouco antes do horário combinado e a secretária da autoridade pôs uma caixinha de madeira sobre a mesa, e avisou: é para deixar o telefone quando entrar. Na hora não entendi, mas um companheiro mais escolado me socorreu. “É para evitar grampo”, disse. “Medo de ser gravado”.

   Eu sempre penso em mim como um sujeito de confiança. É uma das minhas raras virtudes, acho eu. Só falo mal de pessoas que merecem espinafração. Mas na antessala daquele gabinete, a autoridade deixava claro que não confiava em mim; mas antes que eu começasse a ficar amuado, fui me lembrando que na verdade eu sou suspeito.

   Afinal, só um suspeito é vigiado 24 horas por dia, sete dias por semana, como acontece comigo. Não ____ um lugar em que eu vá que não tenha uma câmera acompanhando meus movimentos e agora sei como se sentia Ubaldo, o Paranoico, personagem das tirinhas do Henfil1 , que tinha certeza de que estava sendo vigiado.

   Encerrado o assunto com a autoridade, não resisti ____ um chiste quando ele perguntou se eu havia entendido a nossa conversa. “Está tudo gravado”, eu disse. Antes que ele tivesse um sobressalto, apontei para a cabeça. “Aqui”. Deixei escapar um sorriso, mas ele não pareceu entender. Depois me caiu a ficha: eu não havia gravado nada, mas não tinha tanta certeza de não ter sido gravado por alguma câmera escondida.

   Saindo dali fui ____ farmácia depois de ter passado por uns três pardais de trânsito; lá dentro havia o cartaz – “Sorria, você está sendo filmado”. Embora o cartaz estivesse escondido atrás de uma estante, pelo menos era um aviso. No supermercado não vi aviso, mas tinha câmera; até ajeitei a camisa dentro da calça.

   O fato é que dá saudade dos tempos em que as únicas câmeras escondidas eram as dos programas de televisão que mostram pegadinhas, para flagrar incautos em situações constrangedoras. Hoje todo mundo é um potencial espião – e ao mesmo tempo está sendo vigiado – como aquele velho quadrinho da revista Mad: Spy vs. Spy2 .

   Na Feira do Paraguai3 , tem botão de camisa que grava até duas horas de vídeo de boa qualidade[,] microfone disfarçado de brochinho e ligado a um gravador fica nas costas ou no bolso[,] captadores de som do tamanho de uma unha que pode ser deixado num canto da sala e transmitir para um gravador colocado fora do ambiente[,] relógio que filma sem atrasar as horas e mais um bocado de tralha para vigiar a vida alheia.

   No mundo virtual é pior. Consultar ou comprar pelo computador equivale a entregar um pouquinho da nossa alma. Comprei o livro Trinta Segundos Sem Pensar no Medo, de Pedro Pacífico, e no mesmo momento em que fechava a conta, me ofereceram cinco outros livros que “poderiam interessar” ____ mim. Estou fichado. No fim, resta um consolo: pode ser que eu não me conheça direito, mas o computador da Amazon4 sabe exatamente quem sou e o que quero. É o meu analista.


1 Henrique de Souza Filho (Ribeirão das Neves MG 1944 - Rio de Janeiro RJ 1988). Cartunista, jornalista, escritor. (Fonte: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5430/henfil)

2 Série de quadrinhos publicada na revista de humor Mad. Criada por Antonio Prohias, sua primeira aparição foi em 1961. Satiriza a espionagem da Guerra Fria e depois os filmes e séries do gênero, populares a partir da década de 1960. (Fonte: https://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/papel-de-parede-spy-vs-spy/)

3 Conhecida oficialmente como Feira dos Importados de Brasília. (Fonte: https://www.feirabrasilia.com.br/feira-dos-importados/)

4 Sítio eletrônico de comércio varejista online com atuação mundial. (Fonte: https://www.amazon.com/)


(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/tem-alguem-ai/. Adaptado.)
Qual das alternativas a seguir apresenta as palavras adequadas para preencher as lacunas inseridas no texto?
Alternativas
Q3760124 Português
Tem alguém aí?


Publicado em 13/10/2023
Paulo Pestana
Crônica


   Cheguei para uma reunião de trabalho um pouco antes do horário combinado e a secretária da autoridade pôs uma caixinha de madeira sobre a mesa, e avisou: é para deixar o telefone quando entrar. Na hora não entendi, mas um companheiro mais escolado me socorreu. “É para evitar grampo”, disse. “Medo de ser gravado”.

   Eu sempre penso em mim como um sujeito de confiança. É uma das minhas raras virtudes, acho eu. Só falo mal de pessoas que merecem espinafração. Mas na antessala daquele gabinete, a autoridade deixava claro que não confiava em mim; mas antes que eu começasse a ficar amuado, fui me lembrando que na verdade eu sou suspeito.

   Afinal, só um suspeito é vigiado 24 horas por dia, sete dias por semana, como acontece comigo. Não ____ um lugar em que eu vá que não tenha uma câmera acompanhando meus movimentos e agora sei como se sentia Ubaldo, o Paranoico, personagem das tirinhas do Henfil1 , que tinha certeza de que estava sendo vigiado.

   Encerrado o assunto com a autoridade, não resisti ____ um chiste quando ele perguntou se eu havia entendido a nossa conversa. “Está tudo gravado”, eu disse. Antes que ele tivesse um sobressalto, apontei para a cabeça. “Aqui”. Deixei escapar um sorriso, mas ele não pareceu entender. Depois me caiu a ficha: eu não havia gravado nada, mas não tinha tanta certeza de não ter sido gravado por alguma câmera escondida.

   Saindo dali fui ____ farmácia depois de ter passado por uns três pardais de trânsito; lá dentro havia o cartaz – “Sorria, você está sendo filmado”. Embora o cartaz estivesse escondido atrás de uma estante, pelo menos era um aviso. No supermercado não vi aviso, mas tinha câmera; até ajeitei a camisa dentro da calça.

   O fato é que dá saudade dos tempos em que as únicas câmeras escondidas eram as dos programas de televisão que mostram pegadinhas, para flagrar incautos em situações constrangedoras. Hoje todo mundo é um potencial espião – e ao mesmo tempo está sendo vigiado – como aquele velho quadrinho da revista Mad: Spy vs. Spy2 .

   Na Feira do Paraguai3 , tem botão de camisa que grava até duas horas de vídeo de boa qualidade[,] microfone disfarçado de brochinho e ligado a um gravador fica nas costas ou no bolso[,] captadores de som do tamanho de uma unha que pode ser deixado num canto da sala e transmitir para um gravador colocado fora do ambiente[,] relógio que filma sem atrasar as horas e mais um bocado de tralha para vigiar a vida alheia.

   No mundo virtual é pior. Consultar ou comprar pelo computador equivale a entregar um pouquinho da nossa alma. Comprei o livro Trinta Segundos Sem Pensar no Medo, de Pedro Pacífico, e no mesmo momento em que fechava a conta, me ofereceram cinco outros livros que “poderiam interessar” ____ mim. Estou fichado. No fim, resta um consolo: pode ser que eu não me conheça direito, mas o computador da Amazon4 sabe exatamente quem sou e o que quero. É o meu analista.


1 Henrique de Souza Filho (Ribeirão das Neves MG 1944 - Rio de Janeiro RJ 1988). Cartunista, jornalista, escritor. (Fonte: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5430/henfil)

2 Série de quadrinhos publicada na revista de humor Mad. Criada por Antonio Prohias, sua primeira aparição foi em 1961. Satiriza a espionagem da Guerra Fria e depois os filmes e séries do gênero, populares a partir da década de 1960. (Fonte: https://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/papel-de-parede-spy-vs-spy/)

3 Conhecida oficialmente como Feira dos Importados de Brasília. (Fonte: https://www.feirabrasilia.com.br/feira-dos-importados/)

4 Sítio eletrônico de comércio varejista online com atuação mundial. (Fonte: https://www.amazon.com/)


(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/tem-alguem-ai/. Adaptado.)
No penúltimo parágrafo da crônica, as três vírgulas sinalizadas com os colchetes foram empregadas para:
Alternativas
Q3760042 Português
“Uma pesquisa liderada por cientistas do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas (UTIG), nos Estados Unidos, revelou a existência de um reservatório de água gigante no oceano Pacífico. Sua presença pode estar atenuando terremotos na vizinha Zona de Subducção de Hikurangi, na Nova Zelândia.”

(Fonte: https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2023/10/reservatorio-de-agua-e-descoberto-sob-pacifico-e-pode-explicar-tremores.ghtml)

Quais são, respectivamente, os sujeitos das duas orações presentes no trecho apresentado?
Alternativas
Q3737222 Português

 A VIDA É COMO A DENGUE

Renato Essenfelder

Os sintomas foram se acumulando rapidamente. No intervalo de dois ou três dias, estavam todos lá: cansaço, depois cansaço extremo. Moleza, fraqueza. Inapetência. Enxaqueca em grau até então desconhecido (pode respirar mais baixo, por favor?) - e já não lembrava nem o que havia almoçado horas antes. Enjoos. Nas semanas anteriores, a dor na coluna havia me levado duas vezes ao PS Ortopédico (Primeiro foram os anti-inflamatórios, depois os analgésicos, depois as bolsas térmicas, depois acupuntura, depois RPG e então, enfim, admitamos: só Deus). Mas só quando surgiu a febre alta, repentina, instantânea, suspeitei realmente.
(...)
Fui acometido por uma certeza fria de que era dengue. A dengue daria sentido a tudo, ao cansaço, à insatisfação, à moleza, à inapetência. À vida, nestes dias. Era dengue. Preparei as malas para ir ao hospital e decretar triunfalmente: estou com dengue. Meus amigos tiveram dengue. Colegas de trabalho tiveram dengue. Matei um mosquito de listras brancas dentro do meu carro esses dias. Tenho todos os sintomas do Google, digo, da dengue, portanto é saber qual tipo e se vou sobreviver. O médico contestou. Fez-me pagar um exame particular, já que os planos de saúde já não cobrem mais testes de dengue - como se sabe, servem para todas as coisas de que não precisamos.
Paguei para ver.
Não era dengue. Fiquei desconcertado. O rosário que daria sentido aos meus sintomas - e a mais do que isso, aos meus dias - se desfazia.
Não era dengue, era a vida.
Aquela doença que me andava deprimindo, exaurindo, que na quinta-feira às sete horas da noite engolfou meu corpo na cama como um oceano de algodão - era a vida.
Era a vida, que também derruba. A vida, que não é transmitida por mosquitos, mas por mães, e da qual a gente só se lembra assim, de vez em quando, quando um mosquito inocula um falso vírus, quando uma dor trava a coluna, quando alguém próximo morre.
A vida, que, quando ignorada, volta-se contra nós de mansinho, com lábios de Monalisa, enfraquecendo pernas e pés, costas e ombros, turvando a vista e ricocheteando furiosamente nas paredes do crânio até que nos apercebamos dela. A vida, cachorro que morde a mão, cachorro cuja indignação é inexplicável até que notada.
A vida de minhas retinas tão fatigadas. A vida de acordar muito cedo, estender-se na rua até tarde, culpar- se pela pouca atenção à família, à mulher, ao cachorro, às crianças e velhos que morrem sem vida; ao corpo, ao sono, à cabeça. A vida de São Paulo, Brasil, classe média, escritor fatigado de 34 anos.
Eu não sei se fez sol ou se choveu, ontem à tarde. Não lembro o que comi no almoço. Tenho 16 relatórios para esta semana.
A vida é como a dengue. 

(Fonte: https://www.estadao.com.br/emais/renatoessenfelder/a-vida-e-como-a-dengue/ - Adaptado)

"Fui acometido por uma certeza fria de que era dengue."



As palavras destacadas no trecho acima, transcrito do texto, introduzem termo ou oração, respectivamente, com as funções de

Alternativas
Q3737219 Português

 A VIDA É COMO A DENGUE

Renato Essenfelder

Os sintomas foram se acumulando rapidamente. No intervalo de dois ou três dias, estavam todos lá: cansaço, depois cansaço extremo. Moleza, fraqueza. Inapetência. Enxaqueca em grau até então desconhecido (pode respirar mais baixo, por favor?) - e já não lembrava nem o que havia almoçado horas antes. Enjoos. Nas semanas anteriores, a dor na coluna havia me levado duas vezes ao PS Ortopédico (Primeiro foram os anti-inflamatórios, depois os analgésicos, depois as bolsas térmicas, depois acupuntura, depois RPG e então, enfim, admitamos: só Deus). Mas só quando surgiu a febre alta, repentina, instantânea, suspeitei realmente.
(...)
Fui acometido por uma certeza fria de que era dengue. A dengue daria sentido a tudo, ao cansaço, à insatisfação, à moleza, à inapetência. À vida, nestes dias. Era dengue. Preparei as malas para ir ao hospital e decretar triunfalmente: estou com dengue. Meus amigos tiveram dengue. Colegas de trabalho tiveram dengue. Matei um mosquito de listras brancas dentro do meu carro esses dias. Tenho todos os sintomas do Google, digo, da dengue, portanto é saber qual tipo e se vou sobreviver. O médico contestou. Fez-me pagar um exame particular, já que os planos de saúde já não cobrem mais testes de dengue - como se sabe, servem para todas as coisas de que não precisamos.
Paguei para ver.
Não era dengue. Fiquei desconcertado. O rosário que daria sentido aos meus sintomas - e a mais do que isso, aos meus dias - se desfazia.
Não era dengue, era a vida.
Aquela doença que me andava deprimindo, exaurindo, que na quinta-feira às sete horas da noite engolfou meu corpo na cama como um oceano de algodão - era a vida.
Era a vida, que também derruba. A vida, que não é transmitida por mosquitos, mas por mães, e da qual a gente só se lembra assim, de vez em quando, quando um mosquito inocula um falso vírus, quando uma dor trava a coluna, quando alguém próximo morre.
A vida, que, quando ignorada, volta-se contra nós de mansinho, com lábios de Monalisa, enfraquecendo pernas e pés, costas e ombros, turvando a vista e ricocheteando furiosamente nas paredes do crânio até que nos apercebamos dela. A vida, cachorro que morde a mão, cachorro cuja indignação é inexplicável até que notada.
A vida de minhas retinas tão fatigadas. A vida de acordar muito cedo, estender-se na rua até tarde, culpar- se pela pouca atenção à família, à mulher, ao cachorro, às crianças e velhos que morrem sem vida; ao corpo, ao sono, à cabeça. A vida de São Paulo, Brasil, classe média, escritor fatigado de 34 anos.
Eu não sei se fez sol ou se choveu, ontem à tarde. Não lembro o que comi no almoço. Tenho 16 relatórios para esta semana.
A vida é como a dengue. 

(Fonte: https://www.estadao.com.br/emais/renatoessenfelder/a-vida-e-como-a-dengue/ - Adaptado)

Analise atentamente os termos destacados no trecho abaixo, transcrito do texto, e assinale a afirmativa INCORRETA.

"Eu não sei se fez sol ou se choveu, ontem à tarde."
Alternativas
Q3737218 Português

 A VIDA É COMO A DENGUE

Renato Essenfelder

Os sintomas foram se acumulando rapidamente. No intervalo de dois ou três dias, estavam todos lá: cansaço, depois cansaço extremo. Moleza, fraqueza. Inapetência. Enxaqueca em grau até então desconhecido (pode respirar mais baixo, por favor?) - e já não lembrava nem o que havia almoçado horas antes. Enjoos. Nas semanas anteriores, a dor na coluna havia me levado duas vezes ao PS Ortopédico (Primeiro foram os anti-inflamatórios, depois os analgésicos, depois as bolsas térmicas, depois acupuntura, depois RPG e então, enfim, admitamos: só Deus). Mas só quando surgiu a febre alta, repentina, instantânea, suspeitei realmente.
(...)
Fui acometido por uma certeza fria de que era dengue. A dengue daria sentido a tudo, ao cansaço, à insatisfação, à moleza, à inapetência. À vida, nestes dias. Era dengue. Preparei as malas para ir ao hospital e decretar triunfalmente: estou com dengue. Meus amigos tiveram dengue. Colegas de trabalho tiveram dengue. Matei um mosquito de listras brancas dentro do meu carro esses dias. Tenho todos os sintomas do Google, digo, da dengue, portanto é saber qual tipo e se vou sobreviver. O médico contestou. Fez-me pagar um exame particular, já que os planos de saúde já não cobrem mais testes de dengue - como se sabe, servem para todas as coisas de que não precisamos.
Paguei para ver.
Não era dengue. Fiquei desconcertado. O rosário que daria sentido aos meus sintomas - e a mais do que isso, aos meus dias - se desfazia.
Não era dengue, era a vida.
Aquela doença que me andava deprimindo, exaurindo, que na quinta-feira às sete horas da noite engolfou meu corpo na cama como um oceano de algodão - era a vida.
Era a vida, que também derruba. A vida, que não é transmitida por mosquitos, mas por mães, e da qual a gente só se lembra assim, de vez em quando, quando um mosquito inocula um falso vírus, quando uma dor trava a coluna, quando alguém próximo morre.
A vida, que, quando ignorada, volta-se contra nós de mansinho, com lábios de Monalisa, enfraquecendo pernas e pés, costas e ombros, turvando a vista e ricocheteando furiosamente nas paredes do crânio até que nos apercebamos dela. A vida, cachorro que morde a mão, cachorro cuja indignação é inexplicável até que notada.
A vida de minhas retinas tão fatigadas. A vida de acordar muito cedo, estender-se na rua até tarde, culpar- se pela pouca atenção à família, à mulher, ao cachorro, às crianças e velhos que morrem sem vida; ao corpo, ao sono, à cabeça. A vida de São Paulo, Brasil, classe média, escritor fatigado de 34 anos.
Eu não sei se fez sol ou se choveu, ontem à tarde. Não lembro o que comi no almoço. Tenho 16 relatórios para esta semana.
A vida é como a dengue. 

(Fonte: https://www.estadao.com.br/emais/renatoessenfelder/a-vida-e-como-a-dengue/ - Adaptado)

Era a vida, que também derruba. A vida, que não é transmitida por mosquitos"

Em relação às palavras destacadas no trecho acima, transcrito do texto, é CORRETO afirmar que ambas 
Alternativas
Q3737215 Português

 A VIDA É COMO A DENGUE

Renato Essenfelder

Os sintomas foram se acumulando rapidamente. No intervalo de dois ou três dias, estavam todos lá: cansaço, depois cansaço extremo. Moleza, fraqueza. Inapetência. Enxaqueca em grau até então desconhecido (pode respirar mais baixo, por favor?) - e já não lembrava nem o que havia almoçado horas antes. Enjoos. Nas semanas anteriores, a dor na coluna havia me levado duas vezes ao PS Ortopédico (Primeiro foram os anti-inflamatórios, depois os analgésicos, depois as bolsas térmicas, depois acupuntura, depois RPG e então, enfim, admitamos: só Deus). Mas só quando surgiu a febre alta, repentina, instantânea, suspeitei realmente.
(...)
Fui acometido por uma certeza fria de que era dengue. A dengue daria sentido a tudo, ao cansaço, à insatisfação, à moleza, à inapetência. À vida, nestes dias. Era dengue. Preparei as malas para ir ao hospital e decretar triunfalmente: estou com dengue. Meus amigos tiveram dengue. Colegas de trabalho tiveram dengue. Matei um mosquito de listras brancas dentro do meu carro esses dias. Tenho todos os sintomas do Google, digo, da dengue, portanto é saber qual tipo e se vou sobreviver. O médico contestou. Fez-me pagar um exame particular, já que os planos de saúde já não cobrem mais testes de dengue - como se sabe, servem para todas as coisas de que não precisamos.
Paguei para ver.
Não era dengue. Fiquei desconcertado. O rosário que daria sentido aos meus sintomas - e a mais do que isso, aos meus dias - se desfazia.
Não era dengue, era a vida.
Aquela doença que me andava deprimindo, exaurindo, que na quinta-feira às sete horas da noite engolfou meu corpo na cama como um oceano de algodão - era a vida.
Era a vida, que também derruba. A vida, que não é transmitida por mosquitos, mas por mães, e da qual a gente só se lembra assim, de vez em quando, quando um mosquito inocula um falso vírus, quando uma dor trava a coluna, quando alguém próximo morre.
A vida, que, quando ignorada, volta-se contra nós de mansinho, com lábios de Monalisa, enfraquecendo pernas e pés, costas e ombros, turvando a vista e ricocheteando furiosamente nas paredes do crânio até que nos apercebamos dela. A vida, cachorro que morde a mão, cachorro cuja indignação é inexplicável até que notada.
A vida de minhas retinas tão fatigadas. A vida de acordar muito cedo, estender-se na rua até tarde, culpar- se pela pouca atenção à família, à mulher, ao cachorro, às crianças e velhos que morrem sem vida; ao corpo, ao sono, à cabeça. A vida de São Paulo, Brasil, classe média, escritor fatigado de 34 anos.
Eu não sei se fez sol ou se choveu, ontem à tarde. Não lembro o que comi no almoço. Tenho 16 relatórios para esta semana.
A vida é como a dengue. 

(Fonte: https://www.estadao.com.br/emais/renatoessenfelder/a-vida-e-como-a-dengue/ - Adaptado)

"No intervalo de dois ou três dias, estavam todos lá: cansaço, depois cansaço extremo. Moleza, fraqueza. Inapetência. Enxaqueca em grau até então desconhecido (pode respirar mais baixo, por favor?) - e já não lembrava nem o que havia almoçado horas antes. Enjoos."



Em relação à estruturação das frases e pontuação realizadas no trecho acima, transcrito do texto, é CORRETO afirmar que 

Alternativas
Q3736573 Português

Aposto: termo de caráter nominal que se junta a um substantivo, a um pronome, ou a termos equivalentes a esses, para ampliar, resumir, explicar ou desenvolver seu significado.


Qual das frases não apresenta um aposto?

Alternativas
Q3736572 Português

A palavra “aonde” é formada pela união da preposição “a” e do advérbio, ou pronome relativo “onde”.


Portanto, só usamos esse termo quando ele vem acompanhado de outro termo que exija a preposição “a”. Expõe noção de movimento, não apresenta ideia de permanência, mas de movimento, transporte.


“Onde” é um advérbio de lugar e também pode exercer a função de pronome relativo (quando se refere a um lugar mencionado anteriormente na frase). Possui noção de lugar, mas sempre no sentido estático, permanente, isto é, sem movimento.



Sobre o uso de onde e aonde, assinale a alternativa indevida.

Alternativas
Q3736568 Português

Referindo-se a orações subordinadas, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta.



( ) Não fui à aula porque estava doente. (Subordinada adverbial causal).


( ) Embora chova, vou à praia. (Subordinada adverbial concessiva).


( ) Se chover, não irei à praia. (Subordinada adverbial condicional).


( ) Cada um colhe conforme semeia. (Subordinada adverbial conformativa).


( ) Falei tanto, que fiquei rouco. (Subordinada adverbial consecutiva).

Alternativas
Q3736541 Português
Com relação aos tipos de predicado, assinale a alternativa que apresenta um predicado verbo-nominal. 
Alternativas
Q3736504 Português
As conjunções desempenham um papel essencial na conexão de elementos em uma frase ou texto. Qual das seguintes alternativas apresenta uma conjunção coordenativa que indica uma relação de oposição ou contraste?
Alternativas
Respostas
15741: D
15742: A
15743: D
15744: D
15745: C
15746: D
15747: D
15748: B
15749: C
15750: B
15751: D
15752: D
15753: A
15754: E
15755: D
15756: D
15757: B
15758: C
15759: D
15760: D