Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

Foram encontradas 38.353 questões

Ano: 2024 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Palhoça - SC Provas: FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Educação Infantil - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Educação Anos Iniciais (1º ao 5º ano) do Ensino Fundamental - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Ciências - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Ensino Religioso - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Geografia - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - História - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Língua Portuguesa - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Matemática - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Arte - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Educação Especial - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Educação Física - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Inglês - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Música - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Sala Informática Pedagógica - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Nível I / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Nível II / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Ciências / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Geografia / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - História / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Inglês / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Língua Portuguesa / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Anos Finais - Matemática / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Arte / EJA - Edital nº 12 | FEPESE - 2024 - Prefeitura de Palhoça - SC - Professor de Educação Física / EJA - Edital nº 12 |
Q3027423 Português
Texto 1

Inteligência artificial: faz escolhas por nós

À medida que as nossas vidas ficam mais dependentes da IA – das previsões meteorológicas às transações do mercado financeiro ou às análises de DNA –, estamos delegando as escolhas humanas. A IA escolhe as notícias e informações a que estamos expostos e sugere o que devemos comprar.
A utilização de algoritmos nas redes sociais resulta na diminuição da exposição das pessoas a notícias que suscitem atitudes contrárias, facilitando a polarização de pontos de vista. Entre os millenials – também conhecidos como Geração Y –, em muitas partes do mundo, as redes sociais são frequentemente a fonte dominante de notícias sobre política e governos. Ao recomendarem vídeos e notícias de forma automatizada, o conteúdo manipulativo chega agora facilmente aos que o visualizam, amplificando a difusão da desinformação. As redes sociais também podem alimentar ondas populistas, nacionalistas e xenófobas em todas as sociedades.
A IA contribui para a criação de informações falsas e para a propagação da desinformação. Deve-se considerar que as redes geradoras antagônicas criam áudios e vídeos falsos. Essas tecnologias podem agora ser facilmente utilizadas através de aplicações para criar falsificações graves e perigosas. Em 2016, mais de 50% do tráfego da Internet foi gerado por bots. De fato, a informação falsa tende a espalhar-se mais amplamente que a verdadeira. As redes sociais podem reduzir a avaliação crítica e facilitar a difusão de teorias da conspiração.
Na mesma ordem de ideias, quem é responsável por decisões erradas em matéria de IA? Os pedidos de crédito são rejeitados, e as publicações nas redes sociais são eliminadas com base em decisões de IA, enquanto os mecanismos para contestar essas decisões não se encontram totalmente desenvolvidos. Muitos algoritmos são opacos, não são regulamentados e difíceis de contestar. Algoritmos de reconhecimento de padrões podem ser aplicados para atingir determinadas pessoas ou produzir danos colaterais desproporcionais e tendenciosos quando há imperfeições no código ou nos dados de formação. A utilização de IA nas forças armadas para a utilização de armas autônomas ou de robôs assassinos levanta muitas questões.
A aprendizagem automática também fornece às empresas informações de mercado que nunca tiveram antes, criando novos caminhos para a publicidade enquanto violam potencialmente a privacidade do consumidor. Quando os consumidores compram online, revelam as suas preferências e, possivelmente, informações sobre os seus amigos e familiares, que as empresas podem utilizar para expandirem o alcance do mercado. Tais dados, frequentemente fornecidos inadvertidamente pelos consumidores, podem transferir informações para empresas sem restrições sobre a forma como podem ser utilizados.

Desenvolvimento Humano: relatório de 2021/2022. Disponível em: <https://www.undp.org/sites/g/files/zskgke326/files/2023-05/hdr2021-22ptpdf.pdf>, p. 45. Acesso em: 12 de ago. 2024. Fragmento
adaptado.
Assinale a frase que está na ordem direta e na qual constam sujeito, verbo e complementos verbais e complementos nominais.
Alternativas
Q3027334 Português
Nova micose se espalha


da Revista Pesquisa FAPESP


      Mais uma doença se espalha no Brasil: a esporotricose, micose causada por fungos do gênero Sporothrix que entram no organismo por meio de feridas na pele. Análises genéticas indicam uma epidemia em andamento no Brasil, causada principalmente pelo fungo S. brasiliensis. Já se registrou transmissão de animal para animal e de animal para humano. Das 72 amostras de várias espécies de Sporothrix examinadas, coletadas de 2013 a 2022, 55 eram de esporotricose humana e 17 animal, principalmente em gatos, os principais transmissores; 67 eram do Brasil, três dos Estados Unidos e duas da Colômbia. Em outro estudo, um grupo das Universidades Federais rural de Pernambuco (UFRPE) e de São Paulo (Unifesp) identificou 1.176 casos de esporotricose em gatos nos municípios pernambucanos de Jaboatão dos Guararapes, de Olinda e do Recife entre 2016 e 2021; segundo análise genética, a espécie predominante, S. brasiliensis, pode ter vindo do Rio de Janeiro. Em gatos e cães, a micose causa feridas principalmente na face, nas orelhas e nas patas. Em pessoas, a lesão inicial é parecida com uma picada de inseto; pode desaparecer espontaneamente ou chegar aos pulmões e provocar tosse, falta de ar, febre e dor ao respirar. Trata-se com antifúngico por três a seis meses em média (Lancet Microbe, março; Mycopathologia, 14 de julho).


Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/nova-micose-se-espalha/. Acesso em: 01 set. 2024. Adaptado.
Na sentença “Já se registrou transmissão de animal para animal e de animal para humano.”, qual é a classificação do sujeito do verbo “registrar”?
Alternativas
Q3027329 Português
Tem tatu-bolinha no jardim


Patrícia Espírito Santo | 01/09/2024

    Minha nora londrina adora plantas. Na casa de meu filho, temos que pedir licença às folhagens para nos locomover pela sala. Lá, as moradias são pequenas, e as que contam com um pedaço de terra onde se possa plantar alguma coisa não são populares. Então, resta à maioria dos que têm o dedo verde espalhar vasos em todo e qualquer espaço vazio dentro de casa.

  Apaixonados por abacates, costumam colocar na terra grande parte das sementes dos que consomem, nem que seja para vê-las brotar e logo sucumbir ao frio congelante, principalmente para uma espécie acostumada a climas quentes. Mas, ainda assim, uma delas persiste e, há cinco anos, cresce lentamente em um vaso no qual, provavelmente, viverá pelo resto de seu tempo. As demais foram espalhadas por diversos parques da cidade e nem por milagre verão seus galhos crescerem, mas vale a intenção.

    Mês passado, enquanto se recuperava de uma cirurgia no pé, minha nora aproveitou o período de licença do trabalho para montar alguns terrários. Diariamente trata deles e acompanha a evolução de cada um. Sua última aquisição foi uma leva de tatusbolinha, daquele tipo pequenininho que se enrola a qualquer toque. Há muito não vejo um, recordação prazerosa de minha infância, quando eles eram figurinhas fáceis em todo e qualquer jardim ou lote da cidade.

    Os dela foram comprados pela internet e entregues em casa dentro de uma caixa. Chegaram todos vivos e aparentemente saudáveis. Tem tatuzinho transparente e colorido à escolha no catálogo da empresa que os comercializa. Dá pra acreditar?

    Para equilibrar o bioma do terrário, ela e meu filho saíram à caça de aranhas, predadores naturais dos tatuzinhos, que estavam procriando a uma velocidade inadequada para o ambiente.

   Vontade mesmo ela tinha de criar um cachorro de tamanho médio, mas a realidade atual só a possibilita ter tatu-bolinha como pet. Modernidades um pouco exóticas para mim, brasileira e mineira que sou. Mas é no mínimo interessante a maneira como a juventude resolve suas demandas e desejos.


ESPÍRITO SANTO, Patrícia. Tem tatu-bolinha no jardim. Estado de Minas, 1º de setembro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/patriciaespirito-santo/2024/09/6932195-tem-tatu-bolinha-no-jardim.html. Acesso em: 01 set. 2024. Adaptado.
No trecho “Há muito não vejo um, recordação prazerosa de minha infância, quando eles eram figurinhas fáceis em todo e qualquer jardim ou lote da cidade.” (3º parágrafo), a oração sublinhada funciona sintaticamente como um
Alternativas
Q3027320 Português
Assinale a alternativa cuja sentença se apresenta com a regência (verbal ou nominal) adequada à norma padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3027248 Português
Assinale a alternativa em que temos o sujeito indeterminado.
Alternativas
Q3027076 Português

Leia atentamente o texto que segue para responder à questão.


RESENHA CRÍTICA | INTOCÁVEIS (2011)


Q13_15.png (666×461)



    De tempos em tempos, o cinema nos apresenta obras baseadas em histórias reais (esta, na relação de Philippe Pozzo di Borgo e Abdel Sellou) que simplesmente nos fazem parar um pouco, pensar, respirar fundo e admirarmos o quanto a sétima arte consegue fazer ligação entre ficção e realidade com um misto de exagero, verdade, humor e humanidade. Intocáveis (2011), filme dos parceiros de Intocáveis longa data Olivier Nakache e Eric Toledano, é uma dessas obras.
    Utilizando-se de uma concepção já bastante comum para as biografias de superação ou dramas morais com apelo emocional (inclusive no excelente trabalho de direção de arte ao mostrar os clichês de contrastes entre pobreza e riqueza), os diretores e também roteiristas partiram de um princípio bastante simples e eficiente para contar a história de Philippe (François Cluzet, em ótima interpretação), um milionário tetraplégico que contrata Driss (Omar Sy, simpaticíssimo), um auxiliar sem nenhum treinamento prático para esse tipo de cuidado, mas com um coração enorme e uma forma de tratamento livre de preconceitos e estereótipos de “coitadismo” para com o outro.
    Ao tomar esse ponto de vista humano e talvez interpretado como “politicamente incorreto” se posto em situações cotidianas comuns, os diretores saíram do maior conforto desse tipo de enredo e entraram em um uma seara mais difícil de se trabalhar. O texto de Intocáveis não cai na armadilha de contar várias histórias ao mesmo tempo e deixar nas mãos do público o que deve acontecer no final. A trama é rigidamente objetiva, focada em especial na relação entre Philippe e Driss (com sequências de outros personagens aqui e ali, quase todos bem colocados no texto, à exceção da filha de Philippe) e escrita de forma a dar a cada um dos protagonistas duas coisas: a oportunidade de criar laços que jamais haviam imaginado criar nesse atual estágio de suas vidas e a maturidade para poder seguir sem a dependência um do outro, apesar da saudade e do alento pela possibilidade de encontros posteriores.
    Sem pesar a mão em um único bordão emocional, como é frequente nas fitas menos exigentes desse modelo fílmico, percebemos que os diretores focaram em uma personalidade mais realista para os protagonistas, tratando-os como indivíduos em estado de crise e mudança. Há emoção, frustração e superação, mas tudo isso exposto de forma a fazer sentido dentro de determinado momento e sem exageros. É a partir das enormes diferenças e necessidades (metafísicas) mútuas que Philippe e Driss estabelecem uma amizade. O afeto vindo do lugar improvável.
    A relação benéfica para os dois lados, o amor, o orgulho e a teimosia de cada um aparecem em momentos diferentes da fita, que ganha muitos pontos por conseguir mostrar um cenário de elementos genuinamente cômicos onde dificilmente poderia haver um. Esse ganho não nubla as outras reflexões, ao contrário, as enriquecem e fazem com que o público atente para cada novo acontecimento com outros olhos. No fim, a felicidade vinda após uma série de tristezas não é filmada como um plano de despedida e promessas de eterno sorriso, mas sim como um capítulo adicionado à [longa?] jornada imprevisível que é a vida.

Fonte: SANTIAGO, Luiz. Resenha Crítica: Intocáveis. Disponível em: https://www.planocritico.com/critica-intocaveis-2011/. Acesso em: 13 maio 2024. Adaptado.
Em “Há emoção, frustração e superação, mas tudo isso exposto de forma a fazer sentido dentro de determinado momento e sem exageros”, o uso das vírgulas se justifica pela ocorrência de:
Alternativas
Q3027069 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Sintaxe À Vontade

O Teatro Mágico


Sem horas e sem dores

Respeitável público pagão

Bem-vindos ao Teatro Mágico

Sintaxe à vontade


Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser

Todo verbo é livre para ser direto e indireto

Nenhum predicado será prejudicado

Nem a frase, nem a crase e ponto final!

Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas

E estar entre vírgulas pode ser aposto

E eu aposto o oposto

Que vou cativar a todos

Sendo apenas um sujeito simples

Um sujeito e sua oração, sua prece

Que a regência da paz sirva a todos nós

Cegos ou não

Que enxerguemos o fato

De termos acessórios para nossa oração

Separados ou adjuntos, nominais ou não

Façamos parte do contexto

E de todas as capas de edição especial

Sejamos também da contracapa

Mas ser capa e ser contracapa

É a beleza da contradição

É negar a si mesmo

E negar a si mesmo pode ser também encontrar-se com Deus

Com o teu Deus

Sem horas e sem dores

Que nesse encontro que acontece agora

Cada um possa se encontrar no outro

Até porque tem horas que a gente se pergunta

Por que é que não se junta

Tudo numa coisa só?

A partir da leitura do verso a seguir, analise o que se pede.
“Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas"
Sintaticamente, o trecho em destaque é qualificado como:
Alternativas
Q3027068 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Sintaxe À Vontade

O Teatro Mágico


Sem horas e sem dores

Respeitável público pagão

Bem-vindos ao Teatro Mágico

Sintaxe à vontade


Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser

Todo verbo é livre para ser direto e indireto

Nenhum predicado será prejudicado

Nem a frase, nem a crase e ponto final!

Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas

E estar entre vírgulas pode ser aposto

E eu aposto o oposto

Que vou cativar a todos

Sendo apenas um sujeito simples

Um sujeito e sua oração, sua prece

Que a regência da paz sirva a todos nós

Cegos ou não

Que enxerguemos o fato

De termos acessórios para nossa oração

Separados ou adjuntos, nominais ou não

Façamos parte do contexto

E de todas as capas de edição especial

Sejamos também da contracapa

Mas ser capa e ser contracapa

É a beleza da contradição

É negar a si mesmo

E negar a si mesmo pode ser também encontrar-se com Deus

Com o teu Deus

Sem horas e sem dores

Que nesse encontro que acontece agora

Cada um possa se encontrar no outro

Até porque tem horas que a gente se pergunta

Por que é que não se junta

Tudo numa coisa só?

Sobre o processo de construção observado em “Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser/ Todo verbo é livre para ser Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser direto e indireto /Nenhum predicado será prejudicado/Nem a frase, nem a crase e ponto final!”, é CORRETO afirmar que existe uma:
Alternativas
Q3027066 Português

O texto a seguir se refere à questão.


O perigo de uma história única


    Sou de uma família nigeriana convencional, de classe média. Meu pai era professor universitário e minha mãe era administradora. Tínhamos, como era comum, empregados domésticos que moravam em nossa casa e que, em geral, vinham de vilarejos rurais próximos. No ano em que fiz oito anos, um menino novo foi trabalhar lá em casa. O nome dele era Fide. A única coisa que minha mãe nos contou sobre ele foi que sua família era muito pobre. Minha mãe mandava inhame, arroz e nossas roupas velhas para eles. Quando eu não comia todo o meu jantar, ela dizia: “Coma tudo! Você não sabe que pessoas como a família de Fide não têm nada?”. E eu sentia uma pena enorme deles. Certo sábado, fomos ao vilarejo de Fide fazer uma visita. Sua mãe nos mostrou um cesto de palha pintado com uns desenhos lindos que o irmão dele tinha feito. Fiquei espantada. Não havia me ocorrido que alguém naquela família pudesse fazer alguma coisa. Eu só tinha ouvido falar sobre como eram pobres, então ficou impossível para mim vê-los como qualquer coisa além de pobres. A pobreza era minha história única deles.

    Anos depois, pensei nisso quando saí da Nigéria para fazer faculdade nos Estados Unidos. Eu tinha dezenove anos. Minha colega de quarto americana ficou chocada comigo. Ela perguntou onde eu tinha aprendido a falar inglês tão bem e ficou confusa quando respondi que a língua oficial da Nigéria era o inglês. Também perguntou se podia ouvir o que chamou de minha “música tribal”, e ficou muito decepcionada quando mostrei minha fita da Mariah Carey. Ela também presumiu que eu não sabia como usar um fogão. O que me impressionou foi: ela já sentia pena de mim antes de me conhecer. Sua postura preestabelecida em relação a mim, como africana, era uma espécie de pena condescendente e bem-intencionada. Minha colega de quarto tinha uma história única da África: uma história única de catástrofe. Naquela história única não havia possibilidade de africanos serem parecidos com ela de nenhuma maneira; não havia possibilidade de qualquer sentimento mais complexo que pena; não havia possibilidade de uma conexão entre dois seres humanos iguais.

    Devo dizer que, antes de ir para os Estados Unidos, eu não me reconhecia conscientemente como africana. Mas, naquele país, sempre que a África era mencionada, as pessoas se voltavam para mim. Não importava que eu não soubesse nada sobre lugares como a Namíbia. Passei a aceitar essa identidade e, de muitas formas, agora penso em mim como africana, embora ainda que bastante irritada quando dizem que a África é um país. O exemplo mais recente disso foi num voo da Virgin, maravilhoso em todos os outros aspectos, que peguei em Lagos dois dias atrás, durante o qual falaram de obras de caridade feitas “na Índia, na África e em outros países”. Depois que passei alguns anos nos Estados Unidos como africana, comecei a entender a reação da minha colega de quarto em relação a mim. Se eu não tivesse crescido na Nigéria e se tudo o que eu soubesse sobre a África viesse das imagens populares, também ia achar que se tratava de um lugar com paisagens maravilhosas, animais lindos e pessoas incompreensíveis travando guerras sem sentido, morrendo de pobreza e de aids, incapazes de falar por si mesmas e esperando para serem salvas por um estrangeiro branco e bondoso. Veria os africanos da mesma maneira como eu via a família de Fide quando era criança. Acho que essa história única da África veio, no final das contas, da literatura ocidental.

Fonte: ADICHIE, Chimamanda. O perigo de uma história única [fragmento] São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Considerando a estrutura do período composto “Ela também presumiu que eu não sabia como usar um fogão”, analise as afirmações abaixo.

I- Ela também presumiu exerce a função sintática de oração principal. II- Que, no período composto em análise, exerce a função de conjunção integrante. III- Que, no período composto em análise, exerce a função de pronome relativo. IV- A oração introduzida pelo que se classifica como oração subordinada substantiva objetiva direta.  V- A oração introduzida pelo que se classifica como oração subordinada adverbial consecutiva. 

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3027065 Português

O texto a seguir se refere à questão.


O perigo de uma história única


    Sou de uma família nigeriana convencional, de classe média. Meu pai era professor universitário e minha mãe era administradora. Tínhamos, como era comum, empregados domésticos que moravam em nossa casa e que, em geral, vinham de vilarejos rurais próximos. No ano em que fiz oito anos, um menino novo foi trabalhar lá em casa. O nome dele era Fide. A única coisa que minha mãe nos contou sobre ele foi que sua família era muito pobre. Minha mãe mandava inhame, arroz e nossas roupas velhas para eles. Quando eu não comia todo o meu jantar, ela dizia: “Coma tudo! Você não sabe que pessoas como a família de Fide não têm nada?”. E eu sentia uma pena enorme deles. Certo sábado, fomos ao vilarejo de Fide fazer uma visita. Sua mãe nos mostrou um cesto de palha pintado com uns desenhos lindos que o irmão dele tinha feito. Fiquei espantada. Não havia me ocorrido que alguém naquela família pudesse fazer alguma coisa. Eu só tinha ouvido falar sobre como eram pobres, então ficou impossível para mim vê-los como qualquer coisa além de pobres. A pobreza era minha história única deles.

    Anos depois, pensei nisso quando saí da Nigéria para fazer faculdade nos Estados Unidos. Eu tinha dezenove anos. Minha colega de quarto americana ficou chocada comigo. Ela perguntou onde eu tinha aprendido a falar inglês tão bem e ficou confusa quando respondi que a língua oficial da Nigéria era o inglês. Também perguntou se podia ouvir o que chamou de minha “música tribal”, e ficou muito decepcionada quando mostrei minha fita da Mariah Carey. Ela também presumiu que eu não sabia como usar um fogão. O que me impressionou foi: ela já sentia pena de mim antes de me conhecer. Sua postura preestabelecida em relação a mim, como africana, era uma espécie de pena condescendente e bem-intencionada. Minha colega de quarto tinha uma história única da África: uma história única de catástrofe. Naquela história única não havia possibilidade de africanos serem parecidos com ela de nenhuma maneira; não havia possibilidade de qualquer sentimento mais complexo que pena; não havia possibilidade de uma conexão entre dois seres humanos iguais.

    Devo dizer que, antes de ir para os Estados Unidos, eu não me reconhecia conscientemente como africana. Mas, naquele país, sempre que a África era mencionada, as pessoas se voltavam para mim. Não importava que eu não soubesse nada sobre lugares como a Namíbia. Passei a aceitar essa identidade e, de muitas formas, agora penso em mim como africana, embora ainda que bastante irritada quando dizem que a África é um país. O exemplo mais recente disso foi num voo da Virgin, maravilhoso em todos os outros aspectos, que peguei em Lagos dois dias atrás, durante o qual falaram de obras de caridade feitas “na Índia, na África e em outros países”. Depois que passei alguns anos nos Estados Unidos como africana, comecei a entender a reação da minha colega de quarto em relação a mim. Se eu não tivesse crescido na Nigéria e se tudo o que eu soubesse sobre a África viesse das imagens populares, também ia achar que se tratava de um lugar com paisagens maravilhosas, animais lindos e pessoas incompreensíveis travando guerras sem sentido, morrendo de pobreza e de aids, incapazes de falar por si mesmas e esperando para serem salvas por um estrangeiro branco e bondoso. Veria os africanos da mesma maneira como eu via a família de Fide quando era criança. Acho que essa história única da África veio, no final das contas, da literatura ocidental.

Fonte: ADICHIE, Chimamanda. O perigo de uma história única [fragmento] São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Analise o que é solicitado, a partir da leitura do enunciado abaixo:
“Tínhamos, como era comum, empregados domésticos que moravam em nossa casa e que, vinham de vilarejos rurais em geral, próximos”.
O elemento em destaque, sintaticamente, funciona no trecho como:
Alternativas
Q3027054 Português

Leia o pensamento a seguir.


"A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade."

(CLARICE LISPECTOR)

A conjunção "MAS" pode ser trocada sem prejuízo de sentido por:
Alternativas
Q3027015 Português

Leia o pensamento a seguir.


"A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade."

(CLARICE LISPECTOR)

"(...) as emoções QUE podemos deixar (...)"


A palavra destacada consiste num pronome relativo, retomando um termo antecedente e EXERCENDO nessa oração a FUNÇÃO de:

Alternativas
Q3026923 Português
Julgue as proposições acerca das regras de concordância verbal e marque a opção correta.

I. A regra geral de concordância indica que o verbo deve concordar em número e pessoa com o sujeito simples da oração.
II. Quando o sujeito é um substantivo coletivo, e estiver especificado, o verbo deve ser conjugado no singular.
III. Nas orações sem sujeito, o verbo assume a forma de 3ª pessoa do singular.
Alternativas
Q3026922 Português
Em “O Rio de Janeiro continua lindo”, os termos em destaque exercem, respectivamente, as seguintes funções sintáticas:
Alternativas
Q3026921 Português
Os verbos destacados no texto a seguir, quanto à regência, devem ser classificados, respectivamente, como:

“Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra (Trecho de Vidas Secas – Graciliano Ramos).”
Alternativas
Q3026918 Português
Anjos Tronchos

Uns anjos tronchos do Vale do Silício
Desses que vivem no escuro em plena luz
Disseram vai ser virtuoso no vício
Das telas dos azuis mais do que azuis
Agora a minha história é um denso algoritmo
Que vende venda a vendedores reais
Neurônios meus ganharam novo outro ritmo
E mais e mais e mais e mais e mais
Primavera Árabe e logo o horror
Querer que o mundo acabe-se
Sombras do amor


VELOSO, Caetano. Anjos Tronchos. Em: VELOSO, Caetano. Meu Coco. Rio de Janeiro: Uns Produções/Polysom, 2021. Disponível em: Spotify. Acesso em: 28 jun. 2024.
A oração “Que vende venda a vendedores reais”, pode ser classificada como:
Alternativas
Q3026917 Português
Anjos Tronchos

Uns anjos tronchos do Vale do Silício
Desses que vivem no escuro em plena luz
Disseram vai ser virtuoso no vício
Das telas dos azuis mais do que azuis
Agora a minha história é um denso algoritmo
Que vende venda a vendedores reais
Neurônios meus ganharam novo outro ritmo
E mais e mais e mais e mais e mais
Primavera Árabe e logo o horror
Querer que o mundo acabe-se
Sombras do amor


VELOSO, Caetano. Anjos Tronchos. Em: VELOSO, Caetano. Meu Coco. Rio de Janeiro: Uns Produções/Polysom, 2021. Disponível em: Spotify. Acesso em: 28 jun. 2024.
Na oração: “Que vende venda a vendedores reais”, o termo destacado exerce a função sintática de:
Alternativas
Q3026609 Português
Texto CB4A1-I

        Existem desde previsões de que a inteligência artificial (IA) substituirá os seres humanos e eliminará uma lista de profissões até alegações de que ela contribuirá para “o uso humano dos seres humanos” (parafraseando-se o subtítulo do livro de 1954 do matemático considerado fundador da cibernética, Norbert Wiener), liberando-os para usarem melhor o tempo enquanto assume as tarefas repetitivas.
         Um grupo de pesquisadores de diversos países produziu a publicação Inteligência Liberada — um argumento para a IA na educação, para demonstrar os benefícios da IA para a educação.
         É importante, nesse ponto, definir o que é a IA aplicada na educação — algo que vem sendo estudado no meio acadêmico há mais de três décadas. Para os autores da publicação mencionada, IA corresponde a “sistemas de computador que foram projetados para interagir com o mundo por meio de capacidades (por exemplo, percepção visual e reconhecimento de fala) e comportamentos inteligentes (por exemplo, avaliar as informações disponíveis e, em seguida, tomar a ação mais sensata para atingir um objetivo declarado) que seriam considerados essencialmente humanos”.
         Um dos objetivos do uso da IA na educação é abrir a chamada “caixa-preta do aprendizado”, ou, em outras palavras, contribuir para uma compreensão mais profunda e detalhada de como o aprendizado realmente acontece (por exemplo, como é influenciado pelo contexto socioeconômico e físico dos alunos ou por tecnologia).
            Nesse contexto, a IA na educação oferece a possibilidade de uma aprendizagem mais personalizada, flexível, inclusiva e envolvente. Além disso, as ferramentas fornecem informações não apenas sobre o que está sendo aprendido, mas também como está sendo aprendido e como os alunos estão se sentindo. Ainda, a IA pode ajudar os professores a criar ambientes de aprendizagem colaborativa e a atender as necessidades de seus alunos por meio de técnicas de mineração de dados educacionais para “rastrear” o comportamento dos alunos.

Internet:<observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br>  (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo a aspectos linguísticos do texto CB4A1-I.


No primeiro período do terceiro parágrafo, o vocábulo “algo” tem como referente a expressão “a IA aplicada na educação”.

Alternativas
Q3026501 Português

Texto para responder à questão.      


      D. Margarida tira os sapatos que lhe apertam os pés, machucando os calos.

      – Não faz mal. Estou no camarote. Ninguém vê.

     Mexe os dedos do pé com delícia. Agora sim, pode ouvir melhor o que ele está tocando, ele, o seu Gilberto. Parece um sonho… um teatro deste tamanho. Centenas de pessoas finas, bem vestidas, perfumadas, os homens de preto, as mulheres com vestidos decotados – todos parados, mal respirando, dominados pelo seu filho, pelo Betinho!

    D. Margarida olha com o rabo dos olhos para o marido. Ali está ele a seu lado, pequeno, encurvado, a calva a reluzir foscamente na sombra, a boca entreaberta, o ar pateta. Como fica ridículo nesse smoking! O pescoço descarnado, dançando dentro do colarinho alto e duro, lembra um palhaço de circo.


(VERÍSSIMO, Érico. As mãos de meu filho. Rio de Janeiro: Meridiano, 1942. Fragmento.)

Em uma perspectiva mais funcionalista da gramática, uma palavra pode exercer várias funções em uma frase. Considere a seguinte frase retirada do texto “D. Margarida tira os sapatos que lhe apertam os pés, machucando os calos.” (1º§) Nela, o pronome lhe exerce a função de:
Alternativas
Q3026491 Português

Texto para responder à questão.  


    “Se existe um professor que pode ser substituído por uma máquina, é porque ele realmente merece ser substituído.” A resposta foi uma provocação do indiano Sugata Mitra, professor de Tecnologia Educacional da Newcastle University, na Inglaterra, e professor visitante do Massachusetts Institute of Technology, o famoso MIT.

     Em palestra ontem no EducaParty, programação voltada para a Educação na Campus Party, ele relatou as pesquisas que comprovaram a habilidade das crianças em aprender sozinhas quando têm acesso a um computador com internet, dispensando a intermediação de um adulto.

     Seu mais emblemático experimento é o “Hole in the Wall” (Buraco na Parede, em tradução livre). Sugata Mitra colocou um computador com acesso à internet no muro de uma favela em Nova Delhi, na Índia e, com auxílio de câmeras, observou o processo durante dois meses. O resultado? Crianças que nunca viram um computador e não sabiam inglês aprenderam rapidamente a navegar na internet e ainda ensinavam outras crianças. “Em 9 meses, as crianças atingem o nível de secretárias que trabalham com o computador no escritório”, disse Mitra.

    Essa experiência pode ser uma solução para um dos problemas que Mitra encontra na Educação atualmente: a falta de escolas. “Ela demonstra que crianças expostas ao computador rapidamente entendem seu funcionamento” e os benefícios não tardam a aparecer: melhora a leitura, a compreensão e a capacidade de responder a perguntas. Porém, a principal transformação que esse aprendizado realiza nas crianças é outra. Elas ficam mais confiantes, a autoestima cresce, a postura muda. “Elas dizem para si mesmas que são capazes de fazer o que as outras crianças fazem, mesmo que não tenham a mesma condição financeira”, relata Mitra.

(HAN, Iana. O computador pode substituir o professor? Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/blog/isto-dacerto/. Acesso em: 28/05/2024.)

No trecho “Elas dizem para si mesmas que são capazes de fazer o que as outras crianças fazem, mesmo que não tenham a mesma condição financeira [...]” (4º§), o conectivo mesmo que introduz uma oração que estabelece com a oração anterior uma relação de:
Alternativas
Respostas
11601: A
11602: A
11603: A
11604: A
11605: B
11606: D
11607: C
11608: A
11609: D
11610: B
11611: A
11612: C
11613: C
11614: B
11615: A
11616: D
11617: C
11618: C
11619: C
11620: C