Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

Foram encontradas 41.988 questões

Q3212930 Português
A mão humana: sofisticação biológica e o desafio da inteligência artificial


A mão humana é uma das partes do corpo mais surpreendentemente sofisticadas e fisiologicamente intrincadas. Ela tem mais de trinta músculos, vinte e sete articulações e uma rede de ligamentos e tendões que proporcionam vinte e sete eixos de movimento. Há mais de dezessete mil receptores de toque e terminações nervosas somente na palma da mão. Esses recursos permitem que nossas mãos executem uma variedade impressionante de tarefas altamente complexas por meio de uma ampla gama de movimentos diferentes.

Até mesmo pegar algo tão simples como uma caneta, e movê-la por nossos dedos até adotar uma posição para escrever envolve uma integração perfeita entre o corpo e o cérebro. As tarefas manuais que realizamos sem pensar exigem uma combinação refinada de controle motor e resposta sensorial, desde abrir uma porta até tocar piano.

Os avanços na inteligência artificial dão início a uma geração de máquinas que chegam perto de corresponder à destreza humana. Próteses inteligentes podem antecipar e refinar os movimentos.

Os robôs de colheita de frutas macias são capazes de colher um morango em um campo e colocá-lo delicadamente em uma caixinha com outras frutas sem amassá-las. Os robôs guiados por visão conseguem até mesmo extrair cuidadosamente resíduos nucleares de reatores. Mas será que eles podem realmente competir com as incríveis capacidades da mão humana?



https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce8y137mz3xo.adaptado.

"Há" mais de dezessete mil receptores de toque e terminações nervosas somente na palma da mão.


O verbo destacado, nesta frase, comporta-se como um verbo:

Alternativas
Q3212869 Português
O peixe que vive mais de cem anos

O peixe-búfalo-boca-grande é nativo da América do Norte. Ele pode ser encontrado desde o sul do Canadá até os Estados Unidos.

O público e os pescadores costumam considerá-lo um "peixe não comercial" — uma expressão não científica de longa data, usada para indicar que eles não são particularmente desejados. A espécie não é objeto da pesca comercial e, por isso, não é economicamente importante.

Esta visão sobre os peixes-búfalos-boca-grande fez com que eles passassem muito tempo desprezados pelos cientistas, mas, nos últimos cinco anos, pesquisadores fizeram novas e surpreendentes descobertas sobre a espécie.

Em primeiro lugar, foram documentados indivíduos com até cento e vinte e sete anos de idade. A descoberta fez do peixe-búfalo-boca-grande o peixe de água doce que vive por mais tempo no mundo. E eles também não parecem entrar em declínio biológico com a idade.

Mais recentemente, pesquisadores descobriram que a estabilidade da sua população ao longo das últimas décadas se deve ao fato de que os peixes idosos não estão morrendo, mesmo sem conseguirem produzir filhotes que sobrevivam até a idade adulta.

Os poucos especialistas que estudam estes peixes receiam que uma queda abrupta da sua população pode ser iminente e inevitável. Mas o que as pesquisas deixam claro até aqui é que sabemos muito pouco sobre o peixe-búfalo-boca-grande e muitas perguntas sobre a espécie continuam sem respostas.

"Esta é uma das populações de animais mais idosas do mundo e não existe gestão, nem proteção da espécie", afirma o pesquisador de peixes Alec Lackmann, da Universidade de Minnesota em Duluth, nos Estados Unidos. Ele é um dos principais especialistas no peixe-búfalo-boca-grande e seu envelhecimento.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6273ze88j8o.adaptado.

Esta é uma das populações de animais mais idosas do mundo "e não existe gestão, nem proteção da espécie".


A expressão destacada trata-se de uma oração:

Alternativas
Q3212868 Português
O peixe que vive mais de cem anos

O peixe-búfalo-boca-grande é nativo da América do Norte. Ele pode ser encontrado desde o sul do Canadá até os Estados Unidos.

O público e os pescadores costumam considerá-lo um "peixe não comercial" — uma expressão não científica de longa data, usada para indicar que eles não são particularmente desejados. A espécie não é objeto da pesca comercial e, por isso, não é economicamente importante.

Esta visão sobre os peixes-búfalos-boca-grande fez com que eles passassem muito tempo desprezados pelos cientistas, mas, nos últimos cinco anos, pesquisadores fizeram novas e surpreendentes descobertas sobre a espécie.

Em primeiro lugar, foram documentados indivíduos com até cento e vinte e sete anos de idade. A descoberta fez do peixe-búfalo-boca-grande o peixe de água doce que vive por mais tempo no mundo. E eles também não parecem entrar em declínio biológico com a idade.

Mais recentemente, pesquisadores descobriram que a estabilidade da sua população ao longo das últimas décadas se deve ao fato de que os peixes idosos não estão morrendo, mesmo sem conseguirem produzir filhotes que sobrevivam até a idade adulta.

Os poucos especialistas que estudam estes peixes receiam que uma queda abrupta da sua população pode ser iminente e inevitável. Mas o que as pesquisas deixam claro até aqui é que sabemos muito pouco sobre o peixe-búfalo-boca-grande e muitas perguntas sobre a espécie continuam sem respostas.

"Esta é uma das populações de animais mais idosas do mundo e não existe gestão, nem proteção da espécie", afirma o pesquisador de peixes Alec Lackmann, da Universidade de Minnesota em Duluth, nos Estados Unidos. Ele é um dos principais especialistas no peixe-búfalo-boca-grande e seu envelhecimento.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6273ze88j8o.adaptado.

"Em primeiro lugar", foram documentados indivíduos com até cento e vinte e sete anos de idade.


Sintaticamente, a expressão destacada na frase trata-se de um termo: 

Alternativas
Q3212865 Português
O peixe que vive mais de cem anos

O peixe-búfalo-boca-grande é nativo da América do Norte. Ele pode ser encontrado desde o sul do Canadá até os Estados Unidos.

O público e os pescadores costumam considerá-lo um "peixe não comercial" — uma expressão não científica de longa data, usada para indicar que eles não são particularmente desejados. A espécie não é objeto da pesca comercial e, por isso, não é economicamente importante.

Esta visão sobre os peixes-búfalos-boca-grande fez com que eles passassem muito tempo desprezados pelos cientistas, mas, nos últimos cinco anos, pesquisadores fizeram novas e surpreendentes descobertas sobre a espécie.

Em primeiro lugar, foram documentados indivíduos com até cento e vinte e sete anos de idade. A descoberta fez do peixe-búfalo-boca-grande o peixe de água doce que vive por mais tempo no mundo. E eles também não parecem entrar em declínio biológico com a idade.

Mais recentemente, pesquisadores descobriram que a estabilidade da sua população ao longo das últimas décadas se deve ao fato de que os peixes idosos não estão morrendo, mesmo sem conseguirem produzir filhotes que sobrevivam até a idade adulta.

Os poucos especialistas que estudam estes peixes receiam que uma queda abrupta da sua população pode ser iminente e inevitável. Mas o que as pesquisas deixam claro até aqui é que sabemos muito pouco sobre o peixe-búfalo-boca-grande e muitas perguntas sobre a espécie continuam sem respostas.

"Esta é uma das populações de animais mais idosas do mundo e não existe gestão, nem proteção da espécie", afirma o pesquisador de peixes Alec Lackmann, da Universidade de Minnesota em Duluth, nos Estados Unidos. Ele é um dos principais especialistas no peixe-búfalo-boca-grande e seu envelhecimento.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6273ze88j8o.adaptado.

O peixe-búfalo-boca-grande é nativo da América do Norte.


O núcleo do sujeito da frase em questão é:

Alternativas
Q3212789 Português
Qual é a classificação da oração sublinhada no trecho abaixo?
Após uma sequência de frentes frias, que amenizaram as temperaturas principalmente no Centro−Sul, o tempo deve voltar a esquentar em boa parte do Brasil. A partir desta quinta−feira, uma nova massa de ar quente deve se instalar na região central, fazendo com que as temperaturas voltem a subir.
Fonte: G1 (julho de 2024).
Alternativas
Q3212788 Português
Assinalar a alternativa que apresenta uma frase na qual as conjunções ou locuções conjuntivas sublinhadas correspondem ao sentido indicado entre parênteses.
Alternativas
Q3212751 Português
Proibição de celulares nas escolas: proteção ou medida insuficiente?

A lei que proíbe os celulares nas escolas brasileiras afirma ter como objetivo salvaguardar a saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes.

Ao defender a restrição, o ministro da Educação, Camilo Santana, citou estudos que mostram que o uso excessivo desses equipamentos causa ansiedade e depressão. Segundo Santana, a proibição seria uma demanda dos próprios professores. A nova lei abre exceções para estudantes que precisem do celular por razões de acessibilidade, inclusão ou condições de saúde, além de permitir o uso dos aparelhos "para fins estritamente pedagógicos ou didáticos, conforme orientação dos profissionais de educação".

Também decreta que as redes de ensino criem estratégias para abordar o tema do uso excessivo de telas com os estudantes e acolham aqueles que estiverem em sofrimento psíquico devido à nomofobia (medo ou ansiedade pela falta do celular).

Alguns educadores, no entanto, debatem se a lei realmente está em consonância com as atividades escolares, como no caso da professora Débora Garofalo. "A máquina pode contribuir para o processo de ensino-aprendizagem, mas não vai substituir o professor", diz.

Eu não sou contra, mas acredito que é uma medida incompleta. Esquecemos que o papel principal da escola é educar. Não é possível falar em proibição, uma ação radical, se não educar as crianças verdadeiramente para um uso consciente da tecnologia.

A lei é importante para dar um resguardo pedagógico aos professores, mas isso não é suficiente para haver uma mudança. Não podemos negar que vivenciamos uma revolução tecnológica. Não dá para retornar à era do giz e da lousa e do livro didático somente.

Precisamos educar para o uso, ainda mais em uma sociedade em que teremos cada vez mais a disseminação de notícias falsas. O estudante tem que saber que, quando acessa uma rede social ou faz uma pesquisa, existem algoritmos. Ele precisa saber o que está por trás desse algoritmo.

Não se trata de formar um programador, mas que ele [o aluno] compreenda o que significa mentalmente o conceito de uma informação advinda de um algoritmo. Ao acessar uma informação, que ele não tome aquilo como verdadeiro e cheque esse dado antes de repassar. 


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6266ggw22eo.adaptado. 
A lei "proíbe" os celulares nas escolas brasileiras e afirma ter como objetivo salvaguardar a saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes.
O verbo destacado, nesta frase, comporta-se como um verbo:
Alternativas
Q3212601 Português
“No Canadá, as equipes de rugby alegam falta de estrutura nos estádios”.
O sujeito da frase acima é: 
Alternativas
Q3212554 Português
"Foi começando bem, mas tudo teve um fim": o impacto do plágio no mercado musical

22/01/2025

Por Juliano Félix de Souza | Advogado especialista em Proteção Intelectual do escritório Escobar Advocacia

A recente decisão liminar da 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que determinou a suspensão da música “Million Years Ago”, lançada pela cantora britânica Adele em 2015, por considerá-la plágio da canção “Mulheres”, composta por Toninho Geraes e gravada em 1995 por Martinho da Vila, lança luz [___]SOB/SOBRE a importância da proteção dos direitos autorais, especialmente no contexto empresarial. O juiz do caso reconheceu a “INDISFARÇÁVEL/INDISFARSÁVEL simetria” entre as melodias das duas obras, ordenando a retirada da música de todas as plataformas digitais, [___]SOB/SOBRE pena de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

No universo jurídico, o plágio é definido como a cópia não autorizada de uma obra intelectual, configurando violação dos direitos do autor. No Brasil, a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998) protege as criações intelectuais, assegurando aos autores o direito exclusivo sobre suas obras. A Convenção de Berna, da qual o Brasil é SIGNATÁRIO/SIGUINATÁRIO, ESTENDE/EXTENDE essa proteção internacionalmente, garantindo que os direitos autorais sejam respeitados além das fronteiras nacionais.

Esse caso não é isolado. Em 1978, o cantor britânico Rod Stewart lançou “Da Ya Think I’m Sexy?”, ______ melodia apresentava semelhanças com “Taj Mahal”, de Jorge Ben Jor. Após alegações de plágio, Stewart ADMITIU/ADIMITIU a influência involuntária e acordou que os lucros da canção fossem destinados ao Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Outro exemplo envolve a banda britânica The Rolling Stones, que em 1968 lançou “Sympathy for the Devil”. A canção apresenta similaridades com “Sá Marina”, de Antônio Carlos e Jocafi, lançada no mesmo ano. Embora não tenha havido ação judicial, o caso é frequentemente citado em discussões sobre plágio na música.

As consequências do plágio na economia digital vão muito além da indenização devida ao autor. O infrator, além de arcar com os custos judiciais e os valores compensatórios, enfrenta prejuízos significativos decorrentes da indisponibilidade da música em plataformas de streaming, principal canal de consumo musical na atualidade. Isso pode acarretar [___]A/NA perda de receitas consideráveis, impactando contratos publicitários e royalties. Soma-se a isso o pagamento de eventuais RECISÕES/RESCISÕES contratuais com gravadoras, distribuidoras e parceiros comerciais, além do desperdício do custo de produção da obra retirada de circulação.

Por fim, o impacto reputacional é incalculável: a marca do artista e de sua equipe sofre danos que podem comprometer futuras colaborações e contratos. Em um mercado tão competitivo e globalizado, o plágio não é apenas uma violação legal, mas também um grande erro estratégico e financeiro.


SOUZA, Juliano Félix de. "Foi começando bem, mas tudo teve um fim": o impacto do plágio no mercado musical. Correio de Pernambuco, 22 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2025/01/foi-comecando-bem-mas-tudo-teve-u m-fim-o-impacto-do-plagio-no-mer.html. Acesso em: 25 jan. 2025. Adaptado.
Em meio ao texto, podem ser vistos três espaços inseridos entre colchetes, acompanhados, cada um, de um par de palavras. Analise cada um dos contextos sintáticos em que tais espaços se encontram e, em seguida, identifique a palavra do par que completa esses espaços, segundo a regência padrão da língua portuguesa. 
Alternativas
Q3212552 Português
"Foi começando bem, mas tudo teve um fim": o impacto do plágio no mercado musical

22/01/2025

Por Juliano Félix de Souza | Advogado especialista em Proteção Intelectual do escritório Escobar Advocacia

A recente decisão liminar da 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que determinou a suspensão da música “Million Years Ago”, lançada pela cantora britânica Adele em 2015, por considerá-la plágio da canção “Mulheres”, composta por Toninho Geraes e gravada em 1995 por Martinho da Vila, lança luz [___]SOB/SOBRE a importância da proteção dos direitos autorais, especialmente no contexto empresarial. O juiz do caso reconheceu a “INDISFARÇÁVEL/INDISFARSÁVEL simetria” entre as melodias das duas obras, ordenando a retirada da música de todas as plataformas digitais, [___]SOB/SOBRE pena de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

No universo jurídico, o plágio é definido como a cópia não autorizada de uma obra intelectual, configurando violação dos direitos do autor. No Brasil, a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998) protege as criações intelectuais, assegurando aos autores o direito exclusivo sobre suas obras. A Convenção de Berna, da qual o Brasil é SIGNATÁRIO/SIGUINATÁRIO, ESTENDE/EXTENDE essa proteção internacionalmente, garantindo que os direitos autorais sejam respeitados além das fronteiras nacionais.

Esse caso não é isolado. Em 1978, o cantor britânico Rod Stewart lançou “Da Ya Think I’m Sexy?”, ______ melodia apresentava semelhanças com “Taj Mahal”, de Jorge Ben Jor. Após alegações de plágio, Stewart ADMITIU/ADIMITIU a influência involuntária e acordou que os lucros da canção fossem destinados ao Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Outro exemplo envolve a banda britânica The Rolling Stones, que em 1968 lançou “Sympathy for the Devil”. A canção apresenta similaridades com “Sá Marina”, de Antônio Carlos e Jocafi, lançada no mesmo ano. Embora não tenha havido ação judicial, o caso é frequentemente citado em discussões sobre plágio na música.

As consequências do plágio na economia digital vão muito além da indenização devida ao autor. O infrator, além de arcar com os custos judiciais e os valores compensatórios, enfrenta prejuízos significativos decorrentes da indisponibilidade da música em plataformas de streaming, principal canal de consumo musical na atualidade. Isso pode acarretar [___]A/NA perda de receitas consideráveis, impactando contratos publicitários e royalties. Soma-se a isso o pagamento de eventuais RECISÕES/RESCISÕES contratuais com gravadoras, distribuidoras e parceiros comerciais, além do desperdício do custo de produção da obra retirada de circulação.

Por fim, o impacto reputacional é incalculável: a marca do artista e de sua equipe sofre danos que podem comprometer futuras colaborações e contratos. Em um mercado tão competitivo e globalizado, o plágio não é apenas uma violação legal, mas também um grande erro estratégico e financeiro.


SOUZA, Juliano Félix de. "Foi começando bem, mas tudo teve um fim": o impacto do plágio no mercado musical. Correio de Pernambuco, 22 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2025/01/foi-comecando-bem-mas-tudo-teve-u m-fim-o-impacto-do-plagio-no-mer.html. Acesso em: 25 jan. 2025. Adaptado.
Identifique, dentre os conectivos abaixo, aquele que preenche adequadamente a lacuna inserida no terceiro parágrafo do texto, de acordo com a norma padrão da língua portuguesa. 
Alternativas
Q3212551 Português
"Foi começando bem, mas tudo teve um fim": o impacto do plágio no mercado musical

22/01/2025

Por Juliano Félix de Souza | Advogado especialista em Proteção Intelectual do escritório Escobar Advocacia

A recente decisão liminar da 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que determinou a suspensão da música “Million Years Ago”, lançada pela cantora britânica Adele em 2015, por considerá-la plágio da canção “Mulheres”, composta por Toninho Geraes e gravada em 1995 por Martinho da Vila, lança luz [___]SOB/SOBRE a importância da proteção dos direitos autorais, especialmente no contexto empresarial. O juiz do caso reconheceu a “INDISFARÇÁVEL/INDISFARSÁVEL simetria” entre as melodias das duas obras, ordenando a retirada da música de todas as plataformas digitais, [___]SOB/SOBRE pena de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

No universo jurídico, o plágio é definido como a cópia não autorizada de uma obra intelectual, configurando violação dos direitos do autor. No Brasil, a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998) protege as criações intelectuais, assegurando aos autores o direito exclusivo sobre suas obras. A Convenção de Berna, da qual o Brasil é SIGNATÁRIO/SIGUINATÁRIO, ESTENDE/EXTENDE essa proteção internacionalmente, garantindo que os direitos autorais sejam respeitados além das fronteiras nacionais.

Esse caso não é isolado. Em 1978, o cantor britânico Rod Stewart lançou “Da Ya Think I’m Sexy?”, ______ melodia apresentava semelhanças com “Taj Mahal”, de Jorge Ben Jor. Após alegações de plágio, Stewart ADMITIU/ADIMITIU a influência involuntária e acordou que os lucros da canção fossem destinados ao Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Outro exemplo envolve a banda britânica The Rolling Stones, que em 1968 lançou “Sympathy for the Devil”. A canção apresenta similaridades com “Sá Marina”, de Antônio Carlos e Jocafi, lançada no mesmo ano. Embora não tenha havido ação judicial, o caso é frequentemente citado em discussões sobre plágio na música.

As consequências do plágio na economia digital vão muito além da indenização devida ao autor. O infrator, além de arcar com os custos judiciais e os valores compensatórios, enfrenta prejuízos significativos decorrentes da indisponibilidade da música em plataformas de streaming, principal canal de consumo musical na atualidade. Isso pode acarretar [___]A/NA perda de receitas consideráveis, impactando contratos publicitários e royalties. Soma-se a isso o pagamento de eventuais RECISÕES/RESCISÕES contratuais com gravadoras, distribuidoras e parceiros comerciais, além do desperdício do custo de produção da obra retirada de circulação.

Por fim, o impacto reputacional é incalculável: a marca do artista e de sua equipe sofre danos que podem comprometer futuras colaborações e contratos. Em um mercado tão competitivo e globalizado, o plágio não é apenas uma violação legal, mas também um grande erro estratégico e financeiro.


SOUZA, Juliano Félix de. "Foi começando bem, mas tudo teve um fim": o impacto do plágio no mercado musical. Correio de Pernambuco, 22 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2025/01/foi-comecando-bem-mas-tudo-teve-u m-fim-o-impacto-do-plagio-no-mer.html. Acesso em: 25 jan. 2025. Adaptado.
No trecho “Embora não tenha havido ação judicial, o caso é frequentemente citado em discussões sobre plágio na música.”, a oração destacada confere ao período um sentido de 
Alternativas
Q3212410 Português
Qual dos conectivos listados nas alternativas preenche coerentemente a lacuna inserida no parágrafo abaixo?
Era para Gabigol, que estreava oficialmente com a camisa celeste, ser a estrela da tarde no Mineirão, ______ seu protagonismo foi tomado pela negatividade, especialmente, sobre seu treinador. Neste sábado (25/1), o Cruzeiro empatou por 1 a 1 com o Betim, pelo Campeonato Mineiro, resultado que aumentou ainda mais a pressão sobre Fernando Diniz. [...] MORAES, Gabriel. Em estreia de Gabigol, Cruzeiro empata com o Betim e aumenta pressão sobre Diniz. O Tempo, 25 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.otempo.com.br/sports/cruzeiro/2025/1/25/em-estreia-de-gabigol-cruzeiro-empata-com-o-b etim-e-aumenta-pressao-sobre-diniz. Acesso em: 25 jan. 2025. Adaptado.
Alternativas
Q3212346 Português
Assinalar a alternativa em que a oração sublinhada é uma oração coordenada.
Alternativas
Q3212345 Português
Origem do Universo

    Na astronomia, o Universo corresponde ao conjunto de toda a matéria, energia, espaço e tempo existente. Ele reúne os astros: planetas, cometas, estrelas, galáxias, nebulosas, satélites, entre outros.    
    O Universo é, portanto, mais que um local imenso, ele é tudo, e engloba tudo o que existe. Para muitos, infinito. Note que do latim, a palavra universum significa “todo inteiro” ou “tudo em um só”.
    Segundo a teoria criada pelo astrônomo George Lemaître (1894−1966), o Universo tem uma origem comum, a partir da qual tudo se originou. Esta teoria foi confirmada pelo astrônomo norte−americano Edwin Hubble, que verificou que as galáxias estão em constante expansão e afastamento.
    A teoria do Big Bang diz que toda matéria e energia se concentravam em um ponto superdenso e quente, conhecido como singularidade. A partir deste ponto, o Universo se expandiu num processo conhecido como inflação, que durou uma fração infinitesimal de tempo.
    Uma série de transformações continuou a acontecer por bilhões de anos, até a estrutura com a qual o conhecemos hoje. O Universo foi se expandindo cada vez mais, de forma que foi se resfriando, dando origem aos diversos astros.

Fonte: Toda Matéria. Adaptado.
Com base no texto, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.
( ) No 3º parágrafo, se “Segundo” fosse substituído por “Conforme”, não alteraria o sentido da frase.
( ) No 1º parágrafo, os dois pontos poderiam ser substituídos, sem alteração de sentido, por parênteses.
( ) No 3º parágrafo, caso a palavra “Universo” fosse substituída por “universos”, mais 4 palavras, além dela, seriam também modificadas na oração.
Alternativas
Q3212341 Português
Origem do Universo

    Na astronomia, o Universo corresponde ao conjunto de toda a matéria, energia, espaço e tempo existente. Ele reúne os astros: planetas, cometas, estrelas, galáxias, nebulosas, satélites, entre outros.    
    O Universo é, portanto, mais que um local imenso, ele é tudo, e engloba tudo o que existe. Para muitos, infinito. Note que do latim, a palavra universum significa “todo inteiro” ou “tudo em um só”.
    Segundo a teoria criada pelo astrônomo George Lemaître (1894−1966), o Universo tem uma origem comum, a partir da qual tudo se originou. Esta teoria foi confirmada pelo astrônomo norte−americano Edwin Hubble, que verificou que as galáxias estão em constante expansão e afastamento.
    A teoria do Big Bang diz que toda matéria e energia se concentravam em um ponto superdenso e quente, conhecido como singularidade. A partir deste ponto, o Universo se expandiu num processo conhecido como inflação, que durou uma fração infinitesimal de tempo.
    Uma série de transformações continuou a acontecer por bilhões de anos, até a estrutura com a qual o conhecemos hoje. O Universo foi se expandindo cada vez mais, de forma que foi se resfriando, dando origem aos diversos astros.

Fonte: Toda Matéria. Adaptado.
Com base no texto, no 4º parágrafo, a forma verbal “concentravam” concorda com:
Alternativas
Q3211565 Português
Assinale a alternativa cuja frase está em conformidade com a norma-padrão de concordância verbal.
Alternativas
Q3211557 Português

Leia o texto para responder à questão. 



    Existem várias formas de preconceito. Uma primeira distinção útil é aquela entre preconceitos individuais e preconceitos coletivos. Neste momento, não estou interessado nos preconceitos individuais, tais como as superstições, as crenças no azar, na maldição, no mau-olhado, que nos induzem a cruzar os dedos e a carregar folhas de arruda, ou a não realizar certas ações, como viajar às sextas-feiras ou sentar-se à mesa em treze pessoas, a buscar apoio em amuletos para afastar o azar ou em talismās para trazer sorte. Não me interesso por isso porque são crenças mais ou menos inócuas, que não têm a periculosidade social dos preconceitos coletivos.


    Chamo de preconceitos coletivos aqueles que são compartilhados por um grupo social inteiro e estão dirigidos a outro grupo social. A periculosidade dos preconceitos coletivos depende do fato de que muitos conflitos entre grupos, que podem até mesmo degenerar na violência, derivam do modo distorcido com que um grupo social julga o outro, gerando incompreensão, rivalidade, inimizade, desprezo ou escárnio. Geralmente, este juízo distorcido é recíproco, e em ambas as partes é tão mais forte quanto mais intensa é a identificação entre os membros individuais e o próprio grupo. A identificação com o próprio grupo faz com que se perceba o outro como diverso, ou mesmo como hostil. Para esta identificação-contraposição contribui precisamente o preconceito, ou seja, o juízo negativo que os membros de um grupo fazem das características do grupo rival.


    Os preconceitos de grupo são inumeráveis, mas os dois historicamente mais relevantes e influentes são o preconceito nacional e o preconceito de classe. Não é por outro motivo que os grandes conflitos que marcaram a história da humanidade são os derivados das guerras entre nações ou povos (ou também raças) e da luta de classes. Não há nação que não traga nas costas uma ideia persistente, tenaz e dificilmente modificável da própria identidade, que se apoiaria em sua pretensa e presumida diversidade em relação a todas as outras nações. Há uma grande diferença, às vezes uma oposição, entre o modo como um povo vê a si mesmo e o modo como é visto pelos outros povos; mas, geralmente, ambos os modos são constituídos por ideias fixas, por generalizações superficiais (todos os alemães são prepotentes, todos os italianos são espertalhões etc.), que precisamente por isso são chamadas de “estereótipos”.


(Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais, 1998. Adaptado)

Considere os trechos a seguir.



•  ... não estou interessado nos preconceitos individuais... (1o parágrafo)


•  ... que podem até mesmo degenerar na violência... (2o parágrafo)



A reescrita das passagens destacadas está em conformidade com a norma-padrão de regência verbal em:

Alternativas
Q3210557 Português
Assinale a alternativa na qual o termo sublinhado NÃO tenha a função sintática de complemento nominal.
Alternativas
Q3210309 Português
A Amazônia fora dos trilhos

Márcio Souza desnuda o custo da ‘civilização’ em ‘Mad Maria’, que é reeditado em momento decisivo da região.

Antes de se embrenhar nas páginas de Mad Maria, o leitor é avisado de que “há muito de verdadeiro” no relato da construção da ferrovia Madeira-Mamoré nos primeiros anos do século 20, mas que o livro “não passa de um romance”. Ainda assim, se algo soar familiar, não será por engano, pois “o capitalismo não tem vergonha de se repetir”. Os tratores que derrubavam a floresta para estender em alguns quilômetros o delírio chamado Transamazônica ratificavam o comentário de Márcio Souza enquanto o manauara escrevia o romance, entre 1977 e 1980. Essa repetição persiste na Amazônia, a julgar por projetos como Belo Monte, a BR-319 e o avanço do garimpo que extermina flora, fauna e povos da floresta. Neste momento em que a região cresce em relevância no debate público, temos a sorte de reencontrar o livro, que acaba de ganhar reedição após quase vinte anos fora de catálogo.

O plano de uma ferrovia que funcionasse como alternativa ao traiçoeiro rio Madeira no transporte da borracha remonta a fins do século 19, mas foram as escaramuças entre Brasil e Bolívia que impulsionaram o projeto. O Tratado de Petrópolis, assinado pelos dois países em 1903, reconheceu o Acre como território brasileiro e formalizou a nossa promessa de construir uma estrada de ferro que contribuiria para o escoamento da produção boliviana. Souza, aliás, estreou na literatura com o divertido Galvez, imperador do Acre (1976), romance folhetinesco que narra as desventuras do espanhol Luis Galvez Rodríguez de Arias nesse período.

Mad Maria - Márcio Souza

Mad Maria, que carrega no título o apelido da locomotiva da Madeira-Mamoré, se passa em 1911, quando a construção da “ferrovia do diabo” já contabilizava quatro anos e milhares de operários — imigrantes aliciados primeiro nas periferias da Europa e do Caribe e depois na Índia — mortos em decorrência das condições desumanas de trabalho e de doenças como malária e beribéri. Para praticamente todos os envolvidos na obra nessa porção de Mato Grosso (hoje Rondônia), os 366 quilômetros de trilhos não ligavam Porto Velho a Guajará-Mirim, mas o nada a parte alguma, com uma parada no inferno no meio do caminho. A narrativa elege seis personagens para acompanharmos mais detidamente: o médico norte-americano Richard Finnegan e o engenheiro britânico Stephan Collier, funcionários da Madeira-Mamoré Railway Company; a boliviana Consuelo e um indígena karipuna que acabam envolvidos com a obra; o dono do empreendimento, o empresário norte-americano Percival Farquhar, e o então ministro da Viação e Obras Públicas, J. J. Seabra — esses dois verídicos.

Atmosfera de terror

Dividido em capítulos curtos que fragmentam a ação e alternam sempre o foco do narrador, o livro pode ser lido como um romance de aventura, mas sem qualquer leveza. A batalha política travada no Rio de Janeiro entre Farquhar e Seabra em ambientes luxuosamente decorados só atenua a atmosfera de terror deixada pelos eventos na frente de trabalho da estrada de ferro, que incluem decapitações, mutilações e execuções. Finnegan, recém-chegado ao canteiro de obras, conserva um certo idealismo. “É que aqui estamos vivendo uma espécie de guerra. É a civilização que está avançando, vencendo a barbárie. Numa guerra acontecem coisas ruins, em geral. Mas sempre o homem consegue fazer conquistas”, pensa o médico. Isso o contrapõe a Collier, engenheiro que trabalhou na construção do canal do Panamá para quem o progresso nada mais é que “uma política de ladrões enganando povos inteiros”. Não são apenas árvores que caem diante dos trilhos da Madeira-Mamoré, mas também qualquer noção edulcorada da humanidade, como atesta a transformação do médico ao longo da narrativa, que ecoa o Coração das trevas de Joseph Conrad.
embate entre homem e natureza, entre “civilização e barbárie” é proposto em diversos momentos, e não só na Amazônia. A um aliado, Farquhar desabafa: “Meus pedidos de concessões no Paraná estão paralisados. E por um motivo ridículo, dizem que há índios ali”. É verdade, porém, que o livro poderia dar mais espaço ao seu único personagem indígena. O trecho em que ele narra um mito karipuna que explica a razão das chuvas é de uma beleza singular e reluz em meio a tanta desgraça. É uma pena que, a partir de certo ponto, deixemos de acompanhar o que se passa na mente de Joe Caripuna, batizado assim por Finnegan.

O poeta no divã Redação Quatro Cinco Um Divulgação Científica Um manual para usar alucinógenos Carlos Minuano como os arquivos da Madeira-Mamoré Railway Company foram destruídos, Souza teve de “sair pelo mundo buscando informações”. Na mesma entrevista ele mencionou a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, o Museu Britânico e a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos como algumas das fontes de sua pesquisa. A formação em ciências sociais o moveu a sempre fundamentar bem o que escreve. Talvez por isso, Souza é um autor tão competente de romances históricos: além de Galvez e Mad Maria, que ganhou uma adaptação da Globo em 2005, merece lembrança a tetralogia Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro, na qual o amazonense se inspira em O tempo e o vento de Érico Veríssimo para contar a “desformação” do Norte do Brasil no século 19.

Quando a Madeira-Mamoré foi enfim aberta, em 1912, o ciclo brasileiro da borracha já havia sofrido um duro golpe. O látex oriundo dos seringais da Malásia começava a invadir o mercado global, pavimentando a hegemonia inglesa no setor. Natimorta, a ferrovia passou para as mãos do governo na década de 30. Em 1972, foi desativada definitivamente. Naquele mesmo ano, o presidente Emílio Garrastazu Médici inaugurou o primeiro trecho da Transamazônica.

Fonte: Adaptado – Revista 451 - Guilherme Magalhães -24 fev 2023 | Edição #67.

Disponível em: https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/literatura-brasileira/a-amazonia-fora-dos-trilhos/
No trecho "A narrativa elege seis personagens para acompanharmos mais detidamente", o verbo "acompanharmos" está empregado de forma reflexiva. Considerando a regência e a concordância verbal, qual das alternativas abaixo apresenta a forma CORRETA de conjugação do verbo "acompanhar" para manter a concordância adequada?
Alternativas
Q3210308 Português
A Amazônia fora dos trilhos

Márcio Souza desnuda o custo da ‘civilização’ em ‘Mad Maria’, que é reeditado em momento decisivo da região.

Antes de se embrenhar nas páginas de Mad Maria, o leitor é avisado de que “há muito de verdadeiro” no relato da construção da ferrovia Madeira-Mamoré nos primeiros anos do século 20, mas que o livro “não passa de um romance”. Ainda assim, se algo soar familiar, não será por engano, pois “o capitalismo não tem vergonha de se repetir”. Os tratores que derrubavam a floresta para estender em alguns quilômetros o delírio chamado Transamazônica ratificavam o comentário de Márcio Souza enquanto o manauara escrevia o romance, entre 1977 e 1980. Essa repetição persiste na Amazônia, a julgar por projetos como Belo Monte, a BR-319 e o avanço do garimpo que extermina flora, fauna e povos da floresta. Neste momento em que a região cresce em relevância no debate público, temos a sorte de reencontrar o livro, que acaba de ganhar reedição após quase vinte anos fora de catálogo.

O plano de uma ferrovia que funcionasse como alternativa ao traiçoeiro rio Madeira no transporte da borracha remonta a fins do século 19, mas foram as escaramuças entre Brasil e Bolívia que impulsionaram o projeto. O Tratado de Petrópolis, assinado pelos dois países em 1903, reconheceu o Acre como território brasileiro e formalizou a nossa promessa de construir uma estrada de ferro que contribuiria para o escoamento da produção boliviana. Souza, aliás, estreou na literatura com o divertido Galvez, imperador do Acre (1976), romance folhetinesco que narra as desventuras do espanhol Luis Galvez Rodríguez de Arias nesse período.

Mad Maria - Márcio Souza

Mad Maria, que carrega no título o apelido da locomotiva da Madeira-Mamoré, se passa em 1911, quando a construção da “ferrovia do diabo” já contabilizava quatro anos e milhares de operários — imigrantes aliciados primeiro nas periferias da Europa e do Caribe e depois na Índia — mortos em decorrência das condições desumanas de trabalho e de doenças como malária e beribéri. Para praticamente todos os envolvidos na obra nessa porção de Mato Grosso (hoje Rondônia), os 366 quilômetros de trilhos não ligavam Porto Velho a Guajará-Mirim, mas o nada a parte alguma, com uma parada no inferno no meio do caminho. A narrativa elege seis personagens para acompanharmos mais detidamente: o médico norte-americano Richard Finnegan e o engenheiro britânico Stephan Collier, funcionários da Madeira-Mamoré Railway Company; a boliviana Consuelo e um indígena karipuna que acabam envolvidos com a obra; o dono do empreendimento, o empresário norte-americano Percival Farquhar, e o então ministro da Viação e Obras Públicas, J. J. Seabra — esses dois verídicos.

Atmosfera de terror

Dividido em capítulos curtos que fragmentam a ação e alternam sempre o foco do narrador, o livro pode ser lido como um romance de aventura, mas sem qualquer leveza. A batalha política travada no Rio de Janeiro entre Farquhar e Seabra em ambientes luxuosamente decorados só atenua a atmosfera de terror deixada pelos eventos na frente de trabalho da estrada de ferro, que incluem decapitações, mutilações e execuções. Finnegan, recém-chegado ao canteiro de obras, conserva um certo idealismo. “É que aqui estamos vivendo uma espécie de guerra. É a civilização que está avançando, vencendo a barbárie. Numa guerra acontecem coisas ruins, em geral. Mas sempre o homem consegue fazer conquistas”, pensa o médico. Isso o contrapõe a Collier, engenheiro que trabalhou na construção do canal do Panamá para quem o progresso nada mais é que “uma política de ladrões enganando povos inteiros”. Não são apenas árvores que caem diante dos trilhos da Madeira-Mamoré, mas também qualquer noção edulcorada da humanidade, como atesta a transformação do médico ao longo da narrativa, que ecoa o Coração das trevas de Joseph Conrad.
embate entre homem e natureza, entre “civilização e barbárie” é proposto em diversos momentos, e não só na Amazônia. A um aliado, Farquhar desabafa: “Meus pedidos de concessões no Paraná estão paralisados. E por um motivo ridículo, dizem que há índios ali”. É verdade, porém, que o livro poderia dar mais espaço ao seu único personagem indígena. O trecho em que ele narra um mito karipuna que explica a razão das chuvas é de uma beleza singular e reluz em meio a tanta desgraça. É uma pena que, a partir de certo ponto, deixemos de acompanhar o que se passa na mente de Joe Caripuna, batizado assim por Finnegan.

O poeta no divã Redação Quatro Cinco Um Divulgação Científica Um manual para usar alucinógenos Carlos Minuano como os arquivos da Madeira-Mamoré Railway Company foram destruídos, Souza teve de “sair pelo mundo buscando informações”. Na mesma entrevista ele mencionou a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, o Museu Britânico e a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos como algumas das fontes de sua pesquisa. A formação em ciências sociais o moveu a sempre fundamentar bem o que escreve. Talvez por isso, Souza é um autor tão competente de romances históricos: além de Galvez e Mad Maria, que ganhou uma adaptação da Globo em 2005, merece lembrança a tetralogia Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro, na qual o amazonense se inspira em O tempo e o vento de Érico Veríssimo para contar a “desformação” do Norte do Brasil no século 19.

Quando a Madeira-Mamoré foi enfim aberta, em 1912, o ciclo brasileiro da borracha já havia sofrido um duro golpe. O látex oriundo dos seringais da Malásia começava a invadir o mercado global, pavimentando a hegemonia inglesa no setor. Natimorta, a ferrovia passou para as mãos do governo na década de 30. Em 1972, foi desativada definitivamente. Naquele mesmo ano, o presidente Emílio Garrastazu Médici inaugurou o primeiro trecho da Transamazônica.

Fonte: Adaptado – Revista 451 - Guilherme Magalhães -24 fev 2023 | Edição #67.

Disponível em: https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/literatura-brasileira/a-amazonia-fora-dos-trilhos/
No trecho da resenha que descreve a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, observa-se a frase: "Para praticamente todos os envolvidos na obra nessa porção de Mato Grosso (hoje Rondônia), os 366 quilômetros de trilhos não ligavam Porto Velho a Guajará-Mirim, mas o nada a parte alguma, com uma parada no inferno no meio do caminho."
Considerando a análise sintática dessa frase, qual é a função sintática do termo "os 366 quilômetros de trilhos"?
Alternativas
Respostas
9681: C
9682: A
9683: B
9684: A
9685: C
9686: B
9687: C
9688: B
9689: A
9690: C
9691: A
9692: A
9693: C
9694: D
9695: D
9696: C
9697: B
9698: C
9699: A
9700: C