Questões de Concurso
Comentadas sobre sintaxe em português
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão,
A fila do mineiro
Um comportamento é digno de atenção aqui. Mineiro não forma fila. Ele faz um semicírculo. Um paredão que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada. Jamais vi uma fila indiana em Minas, um atrás do outro, como no padrão internacional.
O conjunto irradia espontaneamente para os cantos e laterais. Não se dispõe de maneira uniformizada, em linha reta, como acontece nos demais Estados do país.
Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro em fileira devido às trilhas estreitas e obstáculos das pastagens. É uma fila livre da fila. Todos sabem quando é a sua vez, não há desrespeito ao espaço alheio, à preferência do antecessor.
De modo nenhum, esse movimento de se espalhar é um jeito criativo de furar fila. Existe em cada um a consciência do momento em que se chegou ali e a fixação mental de seu lugar.
A fila se distribui horizontalmente em qualquer ambiente. Pode ser numa unidade de saúde, numa entrevista de emprego, numa balada, na entrada de um restaurante, para realizar algum concurso, para ingressar na escola, para colher autógrafos de um autor, para entrar num estádio ou teatro.
Todo mineiro dá um passo à frente antes da hora, transgredindo a delimitação prévia. Pensei primeiramente que era um recurso para ampliar o campo de visão e espiar o quanto faltava para o final. Até que reparei que tem mais a ver com o afeto: ele reencontra amigos e colegas na fila e puxa assunto lado a lado. Arruma um grupo. Arruma uma panelinha. Arruma um bando. Arruma um clube da esquina.
Tanto que é o único povo no Brasil que conversa no elevador. Fila, então, é sua chance de começar um comício.
É impressionante a sua capacidade de criar raízes nas casualidades. Mesmo quando não conhece ninguém, resgata algum parentesco ou afinidade perguntando onde a pessoa mora, onde nasceu, onde estudou, com o que trabalha. O sobrenome desperta uma família que desemboca num laço remoto, ou uma cidade lembra um parente que resulta numa observação espirituosa, e se estabelece a magia. O mineiro vai questionando exaustivamente, rodeando, numa investigação da intimidade sem precedentes. Sempre acaba achando um ponto em cruz para tricotar coincidências, para firmar convergências.
É o que batizo de "visita de rua". Mineiro não realiza visitas unicamente em casa, mas também efetua abordagens no meio de seu trajeto, pescando colóquios e audiências.
Assim o tempo passa mais rapidamente, o desconforto se transforma em prazer, e nem parece que você estava aguardando algo. Fica, inclusive, com o gosto amargo de ter que se despedir das amizades. É comum se mostrar contrariado ao ser chamado para o guichê ou balcão. Só em Minas, a fila é melhor do que o atendimento.
Fabrício Carpinejar
https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/9/27/a-fila-do-mineiro
"Pensei primeiramente que era um recurso para ampliar o campo de visão e espiar o quanto faltava para o final."
O texto seguinte servirá de base para responder à questão,
A fila do mineiro
Um comportamento é digno de atenção aqui. Mineiro não forma fila. Ele faz um semicírculo. Um paredão que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada. Jamais vi uma fila indiana em Minas, um atrás do outro, como no padrão internacional.
O conjunto irradia espontaneamente para os cantos e laterais. Não se dispõe de maneira uniformizada, em linha reta, como acontece nos demais Estados do país.
Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro em fileira devido às trilhas estreitas e obstáculos das pastagens. É uma fila livre da fila. Todos sabem quando é a sua vez, não há desrespeito ao espaço alheio, à preferência do antecessor.
De modo nenhum, esse movimento de se espalhar é um jeito criativo de furar fila. Existe em cada um a consciência do momento em que se chegou ali e a fixação mental de seu lugar.
A fila se distribui horizontalmente em qualquer ambiente. Pode ser numa unidade de saúde, numa entrevista de emprego, numa balada, na entrada de um restaurante, para realizar algum concurso, para ingressar na escola, para colher autógrafos de um autor, para entrar num estádio ou teatro.
Todo mineiro dá um passo à frente antes da hora, transgredindo a delimitação prévia. Pensei primeiramente que era um recurso para ampliar o campo de visão e espiar o quanto faltava para o final. Até que reparei que tem mais a ver com o afeto: ele reencontra amigos e colegas na fila e puxa assunto lado a lado. Arruma um grupo. Arruma uma panelinha. Arruma um bando. Arruma um clube da esquina.
Tanto que é o único povo no Brasil que conversa no elevador. Fila, então, é sua chance de começar um comício.
É impressionante a sua capacidade de criar raízes nas casualidades. Mesmo quando não conhece ninguém, resgata algum parentesco ou afinidade perguntando onde a pessoa mora, onde nasceu, onde estudou, com o que trabalha. O sobrenome desperta uma família que desemboca num laço remoto, ou uma cidade lembra um parente que resulta numa observação espirituosa, e se estabelece a magia. O mineiro vai questionando exaustivamente, rodeando, numa investigação da intimidade sem precedentes. Sempre acaba achando um ponto em cruz para tricotar coincidências, para firmar convergências.
É o que batizo de "visita de rua". Mineiro não realiza visitas unicamente em casa, mas também efetua abordagens no meio de seu trajeto, pescando colóquios e audiências.
Assim o tempo passa mais rapidamente, o desconforto se transforma em prazer, e nem parece que você estava aguardando algo. Fica, inclusive, com o gosto amargo de ter que se despedir das amizades. É comum se mostrar contrariado ao ser chamado para o guichê ou balcão. Só em Minas, a fila é melhor do que o atendimento.
Fabrício Carpinejar
https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/9/27/a-fila-do-mineiro
I."Ele faz um semicírculo."
II."Rompe-se com aquele sentimento de rebanho."
III."De modo nenhum, esse movimento de se espalhar é um jeito criativo de furar fila."
IV."Fica, inclusive, com o gosto amargo de ter que se despedir das amizades."
Assinale a alternativa correta quanto à análise da regência verbal e nominal de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa:
Julgue o próximo item, em relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.
Levando-se em consideração a articulação das ideias do texto, é correto afirmar que o vocábulo “porém” (terceiro período) está empregado com o mesmo sentido de portanto.
No quarto período, o segmento “o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós” exerce a função de complemento da forma verbal “forneceram”.
De acordo com as ideias veiculadas no texto precedente e considerando suas características linguístico-discursivas, julgue o item a seguir.
No terceiro parágrafo, o conectivo “Mas” estabelece uma relação de contraposição entre os períodos que estão por ele ligados.
Julgue o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto precedente.
O segmento “Estar com aquela turma” (primeiro período) desempenha a função sintática de sujeito.
Julgue o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto precedente.
A oração “Tudo é natureza.” forma um período simples cujo sujeito é um sintagma adverbial.
Julgue o item que se segue, a respeito de aspectos linguísticos e semânticos do texto apresentado anteriormente.
No terceiro período do primeiro parágrafo, composto por subordinação, o segmento “tanto mais me incomoda” corresponde à oração principal e o trecho “quanto menos reclama” classifica-se como oração subordinada adverbial proporcional.
Julgue o item que se segue, a respeito de aspectos linguísticos e semânticos do texto apresentado anteriormente.
As orações que aparecem no trecho “Ela me incomoda tanto que fiquei oco” (primeiro parágrafo) estão coordenadas entre si, expressando a segunda oração uma justificativa sobre a primeira.
Em relação à linguagem, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, que apresenta um trecho da obra dramatúrgica Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, julgue os seguintes itens.
Na última fala apresentada no texto, a expressão “Santa Maria” desempenha a função sintática de sujeito da oração.
Em relação à linguagem, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, que apresenta um trecho da obra dramatúrgica Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, julgue os seguintes itens.
Na última fala do texto, o segmento “mãe de Deus” desempenha a função sintática de aposto.
Julgue o item subsequente, referente a construções linguísticas do texto apresentado.
Em “uma formação que o torne isento de preconceitos” (último período), o termo “isento” exerce a função sintática de predicativo do objeto expresso pela forma pronominal “o”.
Julgue o item subsequente, referente a construções linguísticas do texto apresentado.
O trecho “que existia até então” (terceiro período) constitui uma oração subordinada adjetiva sem sujeito.
Julgue o item subsequente, referente a construções linguísticas do texto apresentado.
No primeiro período do texto, a oração “que um dos legados (...) variedades de línguas” desempenha a função sintática de sujeito.
Julgue o item subsequente, referente a construções linguísticas do texto apresentado.
A oração “como reagir diante de situações de variação dialetal” (último período) classifica-se como subordinada adverbial comparativa.
Julgue o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto 19A1.
No último período do segundo parágrafo, a oração “não confundir a língua com o discurso” classifica-se como subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo.
No que se refere à pontuação e ortografia no texto 19A1, bem como a aspectos fonológicos de vocábulos nele empregados, julgue o item que se segue.
A supressão da vírgula após “texto” (primeiro período do primeiro parágrafo) prejudicaria a correção gramatical do texto, visto que, naquele período, o emprego da vírgula é obrigatório para separar o adjunto adverbial antecipado.
Julgue o próximo item, relativo a aspectos linguísticos do texto precedente.
Sem prejuízo à correção gramatical e aos sentidos do texto, o trecho “será difícil tecer a manhã em Paris” (último período) poderia ser reescrito da seguinte forma: A manhã será difícil de que eu teça em Paris.
Em relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item que se segue.
O trecho “Lembra-me mesmo que” (segundo período), em que o verbo lembrar é empregado de modo formal, pode ser reescrito, sem prejuízo de significação e mantendo-se o registro de formalidade, por Eu me lembro que.