Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3519332 Português
Assinale a alternativa em que há erro na concordância nominal:
Alternativas
Q3519329 Português
Assinale a alternativa em que identifica, correta e respectivamente, as conjunções assinaladas do seguinte período: “Eu emprestei um livro de álgebra linear, pois gosto desse assunto, embora tenha certa dificuldade para compreendê-lo.” 
Alternativas
Q3519328 Português
Em qual alternativa a conjunção destacada estabelece relação de oposição?
Alternativas
Q3519107 Português
Tantas são as velhas árvores

        Ainda não anoitecera e a notícia tinha sido confirmada. Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família.

        Papai me pegou pela mão e diante de todos me sentou no colo. Balançou devagar a cadeira para que eu não ficasse tonto.

        — Tudo passou, meu filho. Tudo. Você um dia vai ser pai e vai também descobrir como são difíceis certos momentos na vida de um homem. Parece que nada dá certo, provocando um desespero interminável. Mas agora, não. Papai foi nomeado gerente da Fábrica de Santo Aleixo. Nunca mais vai faltar nada nos seus sapatinhos na noite de Natal.

        Fez uma pausa. Ele também nunca mais ia esquecer daquilo para o resto da vida.

        — Vamos viajar muito. Mamãe não precisará mais trabalhar, nem suas irmãs. Você ainda tem a medalha do índio?

        Remexi os bolsos e encontrei a medalha.

        — Pois bem, vou comprar de novo um relógio e colocar a medalha. Um dia será seu...

        “Portuga, você sabe o que é carborundum?”
        E Papai falava e falava sempre.
        Me fazia mal seu rasto barbado roçar no meu rosto. O cheiro que escapava da sua camisa muito usada me fazia arrepios. Fui escorregando pelos seus joelhos e caminhei para a porta da cozinha. Sentei-me nos degraus e contemplei o quintal com o morrer de todas as luzes. Meu coração se revoltara sem raiva. “Que quer esse homem que me pega no colo?” Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.

        Papai tinha me seguido e viu que os meus olhos se encontravam de novo molhados.

        Quase se ajoelhou para falar comigo.

        — Não chore, meu filho. Nós vamos ter uma casa muito grande. Um rio de verdade passa bem atrás. Grandes árvores e tantas, que serão só suas. Você pode fazer, armar balanços.

        Ele não entendia. Ele não entendia. Nenhuma árvore deveria ser tão linda na vida, como a Rainha Carlota.

        — O primeiro a escolher as árvores, será você.

        Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

        — Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

        Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

        — Não adianta, Papai. Não adianta...

        E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto:

        — Já cortaram, Papai. Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.

VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 1975, pp.119-120. Com adaptações.

“Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família” (1º§).


O termo destacado deve ser corretamente classificado como:

Alternativas
Q3519104 Português
Tantas são as velhas árvores

        Ainda não anoitecera e a notícia tinha sido confirmada. Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família.

        Papai me pegou pela mão e diante de todos me sentou no colo. Balançou devagar a cadeira para que eu não ficasse tonto.

        — Tudo passou, meu filho. Tudo. Você um dia vai ser pai e vai também descobrir como são difíceis certos momentos na vida de um homem. Parece que nada dá certo, provocando um desespero interminável. Mas agora, não. Papai foi nomeado gerente da Fábrica de Santo Aleixo. Nunca mais vai faltar nada nos seus sapatinhos na noite de Natal.

        Fez uma pausa. Ele também nunca mais ia esquecer daquilo para o resto da vida.

        — Vamos viajar muito. Mamãe não precisará mais trabalhar, nem suas irmãs. Você ainda tem a medalha do índio?

        Remexi os bolsos e encontrei a medalha.

        — Pois bem, vou comprar de novo um relógio e colocar a medalha. Um dia será seu...

        “Portuga, você sabe o que é carborundum?”
        E Papai falava e falava sempre.
        Me fazia mal seu rasto barbado roçar no meu rosto. O cheiro que escapava da sua camisa muito usada me fazia arrepios. Fui escorregando pelos seus joelhos e caminhei para a porta da cozinha. Sentei-me nos degraus e contemplei o quintal com o morrer de todas as luzes. Meu coração se revoltara sem raiva. “Que quer esse homem que me pega no colo?” Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.

        Papai tinha me seguido e viu que os meus olhos se encontravam de novo molhados.

        Quase se ajoelhou para falar comigo.

        — Não chore, meu filho. Nós vamos ter uma casa muito grande. Um rio de verdade passa bem atrás. Grandes árvores e tantas, que serão só suas. Você pode fazer, armar balanços.

        Ele não entendia. Ele não entendia. Nenhuma árvore deveria ser tão linda na vida, como a Rainha Carlota.

        — O primeiro a escolher as árvores, será você.

        Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

        — Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

        Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

        — Não adianta, Papai. Não adianta...

        E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto:

        — Já cortaram, Papai. Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.

VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 1975, pp.119-120. Com adaptações.
Quanto ao título “Tantas são as velhas árvores”, o termo destacado desempenha função sintática de: 
Alternativas
Q3519102 Português
Festival Intermunicipal de Malha em Piraju

    Neste domingo, dia 23/02, a partir das 8 da manhã, no Clube da Malha em Piraju, ocorre o Festival Intermunicipal de Malha 2025, com premiação em troféus e medalhas, coordenação de Octávio Alves e realização do Departamento Municipal de Esportes e Lazer. O clube da malha está ao lado do Centro de Lazer Dr. Luiz Ferreira de Oliveira na Vila Cantizni em Piraju. Entrada franca.

Disponível em <https://www.estanciadepiraju.sp.gov.br/vernoticia/festival-intermunicipal-de-malha-em-piraju>.
Acesso em 09/03/2025. Com adaptações.
“O clube da malha está ao lado do Centro de Lazer Dr. Luiz Ferreira de Oliveira na Vila Cantizni em Piraju”.
O termo em destaque é sintaticamente equivalente a um: 
Alternativas
Q3519098 Português
Festival Intermunicipal de Malha em Piraju

    Neste domingo, dia 23/02, a partir das 8 da manhã, no Clube da Malha em Piraju, ocorre o Festival Intermunicipal de Malha 2025, com premiação em troféus e medalhas, coordenação de Octávio Alves e realização do Departamento Municipal de Esportes e Lazer. O clube da malha está ao lado do Centro de Lazer Dr. Luiz Ferreira de Oliveira na Vila Cantizni em Piraju. Entrada franca.

Disponível em <https://www.estanciadepiraju.sp.gov.br/vernoticia/festival-intermunicipal-de-malha-em-piraju>.
Acesso em 09/03/2025. Com adaptações.
“Neste domingo, dia 23/02, a partir das 8 da manhã, no Clube da Malha em Piraju, ocorre o Festival Intermunicipal de Malha 2025, com premiação em troféus e medalhas, coordenação de Octávio Alves e realização do Departamento Municipal de Esportes e Lazer”.
O sujeito do verbo destacado é:
Alternativas
Q3519051 Português

Assinale a alternativa que apresenta apenas conjunções subordinativas: 

Alternativas
Q3519050 Português
Qual das orações abaixo apresenta erro de concordância verbal?
Alternativas
Q3519048 Português
Assinale a alternativa que apresenta correta análise sintática do termo destacado na oração “As crianças gostam de doces.”.
Alternativas
Q3518337 Português
Texto 01

Se não em todas, em muitas das análises sobre o fenômeno das fake news é possível encontrar um sentimento comum: a frustração. Vale dizer, um olhar pessimista e de incômodo frente à deterioração da democracia e do espaço público autônomo constituído pelas redes sociais. O jornalismo está estruturado em um jogo de forças que se estabelece entre, de um lado, incentivos gerados por imperativos econômicos e interesses políticos; e, de outro, incentivos provenientes da reputação e da regulação estatal. Na internet e nas redes sociais, a tênue estabilidade entre essas forças, que vigorava no ambiente da mídia tradicional, deu lugar a uma relação de desequilíbrio, dada a ampliação exponencial da ação de incentivos econômicos e políticos e a consequente perda de relevância da reputação, bem como a redução da intensidade da regulação estatal. Tal desequilíbrio foi gerado por uma conjugação de fatores, tais como a descentralização dos meios de expressão, a redução de barreiras de entrada no mercado, a personalização de anúncios, a perda da importância de antigos e a ascensão de novos intermediários.


CARVALHO, L. A democracia frustrada: fake news, política e liberdade de expressão nas redes sociais. 2020. Disponível em: https://revista.internetlab.org.br. Acesso em: 12 setembro. 2024
Analise o termo marcado na oração: “Se não em todas, em muitas das análises sobre o fenômeno das fake news é possível encontrar um sentimento comum: a frustração.”. Em seguida, assinale a alternativa cujo termo ou expressão destacado apresenta a mesma função sintática que o termo destacado na oração.
Alternativas
Q3518336 Português
Texto 01

Se não em todas, em muitas das análises sobre o fenômeno das fake news é possível encontrar um sentimento comum: a frustração. Vale dizer, um olhar pessimista e de incômodo frente à deterioração da democracia e do espaço público autônomo constituído pelas redes sociais. O jornalismo está estruturado em um jogo de forças que se estabelece entre, de um lado, incentivos gerados por imperativos econômicos e interesses políticos; e, de outro, incentivos provenientes da reputação e da regulação estatal. Na internet e nas redes sociais, a tênue estabilidade entre essas forças, que vigorava no ambiente da mídia tradicional, deu lugar a uma relação de desequilíbrio, dada a ampliação exponencial da ação de incentivos econômicos e políticos e a consequente perda de relevância da reputação, bem como a redução da intensidade da regulação estatal. Tal desequilíbrio foi gerado por uma conjugação de fatores, tais como a descentralização dos meios de expressão, a redução de barreiras de entrada no mercado, a personalização de anúncios, a perda da importância de antigos e a ascensão de novos intermediários.


CARVALHO, L. A democracia frustrada: fake news, política e liberdade de expressão nas redes sociais. 2020. Disponível em: https://revista.internetlab.org.br. Acesso em: 12 setembro. 2024
Assinale a alternativa cujo termo destacado esteja analisado corretamente, de acordo com a sintaxe da língua portuguesa.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: DECORP Órgão: Prefeitura de Rodrigues Alves - AC Provas: DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Assistente Social | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Biomédico | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Cirurgião Dentista | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Educador Físico | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Enfermeiro | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Farmacêutico | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Fisioterapeuta | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Médico Clínico Geral | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Nutricionista | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor de Ciências | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor de Geografia | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor de História | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor de Matemática | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor de Matemática e suas Tecnologias | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor de Língua Portuguesa | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor Educação Infantil | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Psicólogo | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Professor EJA I | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Psicopedagogo | DECORP - 2025 - Prefeitura de Rodrigues Alves - AC - Terapeuta Ocupacional |
Q3518295 Português
Leia atentamente as frases abaixo e marque aquela que apresenta clareza e coerência estrutural, sem ambiguidade: 
Alternativas
Q3517747 Português
        No Itamaraty, em dependência do Serviço de Informações, opera autônoma e praticamente sem cessar o telex, espécie de bem-mandada máquina, que tiquetaqueia recebendo notícias diretas radiotelegráficas. Naquela tarde de 22 de novembro de 1963, passando por ali meu amigo o Ministro Portella, perguntou-lhe um subalterno de olhos espantados: que queria dizer “shot” em inglês? A tremenda coisa, no instante, anunciava-se já completa, ainda quente, frases e palavras golpeadas na longa tira de papel que ia adiante desenrolando-se. “Presidente Kennedy...” Susto e consternação confundiam depressa a cidade, os países, todo-o-mundo lívido. Antes que tudo, o assombro. Era uma das vezes em que, enorme, o que devia não ser possível sucede, o desproporcionado. Lembro-me que me volveram à mente outras sortes e mortes. E — por que então — a de Gandhi. Tende-se a supor que esses seres extraordinários, em fino evoluídos, almas altas, estariam além do alcanço de grosseiros desfechos. Quando, ao que parece, são, virtualmente, os que de preferência os chamam; talvez por fato de polarização, o positivo provocando sempre o negativo. De exformes zonas inferiores, onde se atrasa o Mal, medonhantes braços estariam armando a atingir o luminoso. Apenas os detêm permanentes defesas de ordem sutil; mas que, se só um momento cessam de prevalecer, permitem o inominável. Para nós a Providência é incompreendida computadora.

João Guimarães Rosa. Os abismos e os astros. In: Ave, palavra.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, p. 69-70. 

Com base no texto precedente, julgue o item subsequente.  


No trecho “Tende-se a supor que esses seres extraordinários, em fino evoluídos, almas altas, estariam além do alcanço de grosseiros desfechos. Quando, ao que parece, são, virtualmente, os que de preferência os chamam; talvez por fato de polarização, o positivo provocando sempre o negativo. De exformes zonas inferiores, onde se atrasa o Mal, medonhantes braços estariam armando a atingir o luminoso”, identifica-se um alinhamento semântico entre “esses seres extraordinários”, “almas altas”, “os” — em “os que de preferência” —, “o positivo” e “o luminoso”.  

Alternativas
Q3517740 Português
(Cannes – 31 – maio – 1952)

        Em abril de 1952 embrenhei-me numa aventura singular: fui a Moscou e a outros lugares medonhos situados além da cortina de ferro exposta com vigor pela civilização cristã e ocidental. Nunca imaginei que tal coisa pudesse acontecer a um homem sedentário, resignado ao ônibus e ao bonde quando o movimento era indispensável. Absurda semelhante viagem — e quando me trataram dela, quase me zanguei. Faltavam-me recursos para realizá-la; a experiência me afirmava que não me deixariam sair do Brasil; e, para falar com franqueza, não me sentia disposto a mexer-me, abandonar a toca onde vivo. Recusei, pois, o convite, divagação insensata, julguei. Tudo aquilo era impossível. Mas uma série de acasos transformou a impossibilidade em dificuldade; esta se aplainou sem que eu tivesse feito o mínimo esforço, e achei-me em condições de percorrer terras estranhas, as malas arrumadas, os papéis em ordem, com todos os selos e carimbos. Depois de andar por cima de vários estados do meu país, tinha-me resolvido a não entrar em aviões: a morte horrível de um amigo levara-me a odiar esses aparelhos assassinos. Meses atrás, para ir a um congresso em Porto Alegre, rolara nove dias em automóvel. Tenho horror às casas desconhecidas. E falo pessimamente duas línguas estrangeiras. Estava decidido a não viajar; e, em consequência da firme decisão, encontrei-me um dia metido na encrenca voadora, o cinto amarrado, os cigarros inúteis, em obediência ao letreiro exigente aceso à porta da cabina.

Graciliano Ramos. Viagem (Checoslováquia — URSS).
Rio de Janeiro: José Olympio, 2022, p. 9-10 (com adaptações).  

A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue o item a seguir.  


Na oração “e quando me trataram dela” (terceiro período), o verbo tratar é empregado como transitivo indireto, no sentido denotativo de debelar (indisposição, fobia). 

Alternativas
Q3517723 Português
        Após as experiências históricas do século passado, na psicanálise, no estruturalismo lévi-straussiano, na semiologia e no pós-estruturalismo, não há mais plausibilidade para se pensar em um humano típico do século XIX. Um ser volitivo e racional, plenamente consciente de suas necessidades materiais e que age movido por suas decisões voluntariosas com a finalidade de atender a essas necessidades. Tudo muito coerente, porém ficcional. A pessoa que pensamos desde o final do século XX é bem diversa. Muito mais ambígua e inconsistente em seu agir no mundo, um agir reativo ao seu meio em confronto com suas vivências culturais. Atende a necessidades materiais e a “necessidades” simbólicas, isto é, a desejos. Pensamos a pessoa como um animal simbólico e desejante, uma estrutura movida por algo bem mais complexo do que aquela simples e plena consciência racional. Movimenta-se por algo que vai além de suas necessidades biológicas. O desejo abarca a necessidade.

         Cada pessoa é uma entidade eminentemente simbólica, deseja por meio do simbólico. Movimenta-se por seus desejos, fala seus desejos, deseja mediante a expressão simbólica. Fala por significações desejantes. Trata-se de um ente constituído na e pela linguagem, enlaçado socialmente pela linguagem. Não uma linguagem como mera transmissão de ideias que já estariam na consciência individual. Não uma linguagem como um simples produto da mente racional e intencional que estaria meramente expressando e comunicando pensamentos que a antecedem, mas linguagem como produção, como processo de produção de ideias desejantes. Uma linguagem considerada como laço societário. Como aquilo que une um humano a outro, que os faz humanos e, assim, os torna pessoas simbólico-desejantes. São sujeitos sujeitados à linguagem. Cada pessoa fala seus desejos e se torna sujeito desses desejos que a sujeitam.

Carlos Alvarez Maia. História, ciência e linguagem: o dilema do relativismo-realismo.
Rio de Janeiro: Mauad Editora, 2015, p. 11.  

Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue o seguinte item. 


No segundo parágrafo, está elíptico o sujeito das orações “Fala por significações desejantes” e “Trata-se de um ente constituído na e pela linguagem”, sendo o sujeito de referência de ambas o termo “Cada pessoa”, que introduz o parágrafo.  

Alternativas
Q3517722 Português
        Após as experiências históricas do século passado, na psicanálise, no estruturalismo lévi-straussiano, na semiologia e no pós-estruturalismo, não há mais plausibilidade para se pensar em um humano típico do século XIX. Um ser volitivo e racional, plenamente consciente de suas necessidades materiais e que age movido por suas decisões voluntariosas com a finalidade de atender a essas necessidades. Tudo muito coerente, porém ficcional. A pessoa que pensamos desde o final do século XX é bem diversa. Muito mais ambígua e inconsistente em seu agir no mundo, um agir reativo ao seu meio em confronto com suas vivências culturais. Atende a necessidades materiais e a “necessidades” simbólicas, isto é, a desejos. Pensamos a pessoa como um animal simbólico e desejante, uma estrutura movida por algo bem mais complexo do que aquela simples e plena consciência racional. Movimenta-se por algo que vai além de suas necessidades biológicas. O desejo abarca a necessidade.

         Cada pessoa é uma entidade eminentemente simbólica, deseja por meio do simbólico. Movimenta-se por seus desejos, fala seus desejos, deseja mediante a expressão simbólica. Fala por significações desejantes. Trata-se de um ente constituído na e pela linguagem, enlaçado socialmente pela linguagem. Não uma linguagem como mera transmissão de ideias que já estariam na consciência individual. Não uma linguagem como um simples produto da mente racional e intencional que estaria meramente expressando e comunicando pensamentos que a antecedem, mas linguagem como produção, como processo de produção de ideias desejantes. Uma linguagem considerada como laço societário. Como aquilo que une um humano a outro, que os faz humanos e, assim, os torna pessoas simbólico-desejantes. São sujeitos sujeitados à linguagem. Cada pessoa fala seus desejos e se torna sujeito desses desejos que a sujeitam.

Carlos Alvarez Maia. História, ciência e linguagem: o dilema do relativismo-realismo.
Rio de Janeiro: Mauad Editora, 2015, p. 11.  

Em relação às ideias e a aspectos linguísticos e textuais do texto precedente, julgue o seguinte item. 


No antepenúltimo período do segundo parágrafo, “humanos” e “pessoas simbólico-desejantes” exercem, nas orações em que se inserem, a mesma função sintática.

Alternativas
Q3517528 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O amor é o silêncio que diz delicadezas


O amor, às vezes, se expressa mais no silêncio do que nas palavras. Ela estava cansada da rotina dura, ele, cansado de tentar animá-la com esperanças. A visita foi breve: um chá com hortelã, xícaras antigas, e uma conversa sobre os quase setenta anos de vida compartilhada. Falou-se do tempo e, sobretudo, do amor — esse que suspende o tempo e silencia o ego.


Enquanto ela relatava sobre sua saúde, ele apenas a olhava, com olhos inteiros. O amor deles resistia à doença, como se vencesse algo ainda mais profundo: o egoísmo. Havia ternura em cada gesto. Quando perguntei sobre o casamento, ele riu, disse que eu gostava de ouvir aquela história de sempre — a de uma ex-freira e um irmão de padre que escolheram viver o amor.


Ela sorriu ao recordar o passado, ele beijou o sorriso dela. Pediu a caixa de bilhetes de amor que ele ainda escreve. Leu alguns, e ele chorou ao ouvir aquele que falava do impossível que seria viver sem ela. Ela, não chorou — apenas sorriu, grata por ter amado tanto e por tanto tempo.


Ali estavam dois devotos do amor, que morreram para o individualismo e renasceram no outro. Ela sabia que seguiria vivendo nele, mesmo se partisse. Ele tocou piano no entardecer. Pensei nas décadas de amor, nas xícaras, nos invernos partilhados. Não sei quanto tempo ainda têm, mas sei: nada apagará um amor que aprendeu a dizer delicadezas em silêncio.


Gabriel Chalita - Texto Adaptado


https://odia.ig.com.br/opiniao/2025/06/7075346-o-amor-e-o-silencio-que -diz-delicadezas.html 

No período "Quando perguntei sobre o casamento, ele riu, disse que eu gostava de ouvir aquela história de sempre — a de uma ex-freira e um irmão de padre que escolheram viver o amor", observa-se uma articulação entre orações coordenadas e subordinadas de diferentes tipos. Considerando a estrutura sintática do período e a classificação das orações, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3517527 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O amor é o silêncio que diz delicadezas


O amor, às vezes, se expressa mais no silêncio do que nas palavras. Ela estava cansada da rotina dura, ele, cansado de tentar animá-la com esperanças. A visita foi breve: um chá com hortelã, xícaras antigas, e uma conversa sobre os quase setenta anos de vida compartilhada. Falou-se do tempo e, sobretudo, do amor — esse que suspende o tempo e silencia o ego.


Enquanto ela relatava sobre sua saúde, ele apenas a olhava, com olhos inteiros. O amor deles resistia à doença, como se vencesse algo ainda mais profundo: o egoísmo. Havia ternura em cada gesto. Quando perguntei sobre o casamento, ele riu, disse que eu gostava de ouvir aquela história de sempre — a de uma ex-freira e um irmão de padre que escolheram viver o amor.


Ela sorriu ao recordar o passado, ele beijou o sorriso dela. Pediu a caixa de bilhetes de amor que ele ainda escreve. Leu alguns, e ele chorou ao ouvir aquele que falava do impossível que seria viver sem ela. Ela, não chorou — apenas sorriu, grata por ter amado tanto e por tanto tempo.


Ali estavam dois devotos do amor, que morreram para o individualismo e renasceram no outro. Ela sabia que seguiria vivendo nele, mesmo se partisse. Ele tocou piano no entardecer. Pensei nas décadas de amor, nas xícaras, nos invernos partilhados. Não sei quanto tempo ainda têm, mas sei: nada apagará um amor que aprendeu a dizer delicadezas em silêncio.


Gabriel Chalita - Texto Adaptado


https://odia.ig.com.br/opiniao/2025/06/7075346-o-amor-e-o-silencio-que -diz-delicadezas.html 

Considerando as regras de regência e o uso do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que justifica corretamente o emprego da crase na forma "à doença" presente no trecho citado.
Alternativas
Q3517526 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O amor é o silêncio que diz delicadezas


O amor, às vezes, se expressa mais no silêncio do que nas palavras. Ela estava cansada da rotina dura, ele, cansado de tentar animá-la com esperanças. A visita foi breve: um chá com hortelã, xícaras antigas, e uma conversa sobre os quase setenta anos de vida compartilhada. Falou-se do tempo e, sobretudo, do amor — esse que suspende o tempo e silencia o ego.


Enquanto ela relatava sobre sua saúde, ele apenas a olhava, com olhos inteiros. O amor deles resistia à doença, como se vencesse algo ainda mais profundo: o egoísmo. Havia ternura em cada gesto. Quando perguntei sobre o casamento, ele riu, disse que eu gostava de ouvir aquela história de sempre — a de uma ex-freira e um irmão de padre que escolheram viver o amor.


Ela sorriu ao recordar o passado, ele beijou o sorriso dela. Pediu a caixa de bilhetes de amor que ele ainda escreve. Leu alguns, e ele chorou ao ouvir aquele que falava do impossível que seria viver sem ela. Ela, não chorou — apenas sorriu, grata por ter amado tanto e por tanto tempo.


Ali estavam dois devotos do amor, que morreram para o individualismo e renasceram no outro. Ela sabia que seguiria vivendo nele, mesmo se partisse. Ele tocou piano no entardecer. Pensei nas décadas de amor, nas xícaras, nos invernos partilhados. Não sei quanto tempo ainda têm, mas sei: nada apagará um amor que aprendeu a dizer delicadezas em silêncio.


Gabriel Chalita - Texto Adaptado


https://odia.ig.com.br/opiniao/2025/06/7075346-o-amor-e-o-silencio-que -diz-delicadezas.html 

Com base na análise sintática do período "Ela, não chorou — apenas sorriu, grata por ter amado tanto e por tanto tempo.", assinale a alternativa correta quanto à predicação verbal e à função dos termos destacados.
Alternativas
Respostas
7781: D
7782: A
7783: B
7784: B
7785: A
7786: D
7787: C
7788: E
7789: B
7790: D
7791: D
7792: E
7793: C
7794: C
7795: E
7796: E
7797: C
7798: A
7799: A
7800: B