Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3524080 Português
Tantas são as velhas árvores


       Ainda não anoitecera e a notícia tinha sido confirmada. Parecia que uma nuvem de paz voltaria a reinar sobre a nossa casa e nossa família.

       Papai me pegou pela mão e diante de todos me sentou no colo. Balançou devagar a cadeira para que eu não ficasse tonto.

      — Tudo passou, meu filho. Tudo. Você um dia vai ser pai e vai também descobrir como são difíceis certos momentos na vida de um homem. Parece que nada dá certo, provocando um desespero interminável. Mas agora, não. Papai foi nomeado gerente da Fábrica de Santo Aleixo. Nunca mais vai faltar nada nos seus sapatinhos na noite de Natal.

       Fez uma pausa. Ele também nunca mais ia esquecer daquilo para o resto da vida.

    — Vamos viajar muito. Mamãe não precisará mais trabalhar, nem suas irmãs. Você ainda tem a medalha do índio?

       Remexi os bolsos e encontrei a medalha.

       — Pois bem, vou comprar de novo um relógio e colocar a medalha. Um dia será seu...

       “Portuga, você sabe o que é carborundum?”

        E Papai falava e falava sempre.

      Me fazia mal seu rasto barbado roçar no meu rosto. O cheiro que escapava da sua camisa muito usada me fazia arrepios. Fui escorregando pelos seus joelhos e caminhei para a porta da cozinha. Sentei-me nos degraus e contemplei o quintal com o morrer de todas as luzes. Meu coração se revoltara sem raiva. “Que quer esse homem que me pega no colo?” Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.

       Papai tinha me seguido e viu que os meus olhos se encontravam de novo molhados.

       Quase se ajoelhou para falar comigo.

       — Não chore, meu filho. Nós vamos ter uma casa muito grande. Um rio de verdade passa bem atrás. Grandes árvores e tantas, que serão só suas. Você pode fazer, armar balanços.

     Ele não entendia. Ele não entendia. Nenhuma árvore deveria ser tão linda na vida, como a Rainha Carlota.

       — O primeiro a escolher as árvores, será você.

       Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos.

      Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.

     — Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.

        Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.

        — Não adianta, Papai. Não adianta...

        E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto:

        — Já cortaram, Papai. Faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima.


VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 1975, pp.119-120. Com adaptações.
“E olhando o seu rosto, que também se encontrava cheio de lágrimas, murmurei como um morto” (20º§).

A oração em evidência é uma oração subordinada adjetiva explicativa, que, sintaticamente, tem função de:
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Q3524072 Português
1ª Copa Estância Regional de Futsal


   O Departamento Municipal de Esportes e Lazer promove a 1ª Copa Estância Regional de Futsal Categorias de Base 2025, Sub-10, Sub-12, Sub-14 com a participação dos municípios de: Piraju, Timburi, Sarutaiá, Águas de Santa Bárbara, Chavantes, Fartura, Ipaussu e Taguaí. A abertura será neste sábado, dia 15, às 8:00 horas, no Ginásio de Esportes Professor Cyro Barreiros, com termino previsto para o dia 31/05/2025, rodadas a partir das 08:00 horas. Entrada franca.


Disponível em <https://www.estanciadepiraju.sp.gov.br/ver-noticia/1-copa-estancia-regional-de-futsal>. Acesso em 13/03/2025. Com adaptações.

“A abertura será neste sábado, dia 15, às 8:00 horas...”.


O sujeito do verbo destacado é:

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Q3524071 Português
1ª Copa Estância Regional de Futsal


   O Departamento Municipal de Esportes e Lazer promove a 1ª Copa Estância Regional de Futsal Categorias de Base 2025, Sub-10, Sub-12, Sub-14 com a participação dos municípios de: Piraju, Timburi, Sarutaiá, Águas de Santa Bárbara, Chavantes, Fartura, Ipaussu e Taguaí. A abertura será neste sábado, dia 15, às 8:00 horas, no Ginásio de Esportes Professor Cyro Barreiros, com termino previsto para o dia 31/05/2025, rodadas a partir das 08:00 horas. Entrada franca.


Disponível em <https://www.estanciadepiraju.sp.gov.br/ver-noticia/1-copa-estancia-regional-de-futsal>. Acesso em 13/03/2025. Com adaptações.
Questão 5 - “O Departamento Municipal de Esportes e Lazer promove a 1ª Copa Estância Regional de Futsal Categorias de Base 2025...”.

Os termos em evidência desempenham função sintática, respectivamente, de: 
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Q3524039 Português

Burnout: o esgotamento que ameaça a saúde e o desempenho no trabalho



    O trabalho ocupa boa parte da vida das pessoas e, embora seja uma fonte de realização para muitos, também pode ser uma das principais causas de sofrimento. Para o psiquiatra francês Christophe Dejours, o ambiente profissional nem sempre promove bem-estar. Em muitos casos, pode gerar desde simples insatisfação até quadros graves de esgotamento físico e emocional.


    Nos últimos anos, estudos apontam que o adoecimento relacionado ao trabalho tem impacto direto na produtividade das empresas. O chamado absenteísmo — quando o profissional precisa se afastar por problemas de saúde — traz prejuízos como afastamentos prolongados, necessidade de contratação de substitutos e gastos com treinamentos (MorenoJimenez e Schaufeli, 2007). Além disso, afeta a qualidade dos serviços prestados e compromete os resultados financeiros das organizações.


    Foi em 1974 que o psicólogo Herbert Freudenberger cunhou o termo burnout para descrever um quadro de esgotamento extremo, perda de motivação e isolamento entre profissionais da saúde mental. Desde então, o tema passou a ser debatido em congressos internacionais e entre diferentes categorias profissionais, especialmente médicos e enfermeiros, que relatam queda na qualidade do atendimento devido ao desgaste emocional.


    Um levantamento citado por pesquisadores revelou que até 27% dos pacientes no Canadá avaliaram de forma negativa os cuidados recebidos em internações recentes. A escassez de enfermeiros — agravada pelo burnout e pela insatisfação — aparece como uma das principais causas desse cenário preocupante.


    A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversos estudiosos reconhecem o burnout como um risco ocupacional sério, principalmente em áreas como saúde, educação e serviços sociais (Maslach, 2007). No Brasil, o Decreto nº 3.048, de 1999, incluiu a “Síndrome de Burnout” na lista de transtornos mentais relacionados ao trabalho, com o código Z73.0 na Classificação Internacional de Doenças (CID-10).  

  

    Diante disso, cresce a urgência por estratégias que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis, com apoio psicológico, valorização dos profissionais e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ignorar o problema pode sair caro — para os trabalhadores, para as empresas e para a sociedade como um todo.  



(ADAPTADO. Artigo: Síndrome de burnout ou estafa profissional e os transtornos psiquiátricos. Telma Ramos Trigo; Chei Tung Teng; Jaime Eduardo Cecílio Hallak)

No trecho “Diante disso, cresce a urgência por estratégias que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis...”, o conectivo destacado tem a função de
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Q3523090 Português

Seja Você Mesmo



Dê sempre o melhor...


E o melhor virá.


Às vezes as pessoas são egocêntricas,


Ilógicas e insensatas...


Perdoe-as assim mesmo.


Se você é gentil, todas as pessoas do mundo podem


Acusá-lo de egoísta e interesseiro...


Seja gentil assim mesmo.


Se você é um vencedor, terá alguns


Falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...


Vença assim mesmo.


Se você é honesto e franco,


As pessoas podem enganá-lo...


Seja honesto e franco assim mesmo.


O que você levou anos pra construir,


Alguém pode destruir de uma hora para outra...


Construa assim mesmo.


Se você tem paz e é feliz,


As pessoas podem sentir inveja...


Seja feliz assim mesmo.


O bem que você faz hoje


Pode ser esquecido amanhã...


Faça o bem assim mesmo.


Dê ao mundo o melhor de você,


Mas isso pode nunca ser o bastante...


Dê o melhor assim mesmo.


E veja você que, no final das contas,


É entre você e Deus...


NUNCA SERÁ ENTRE VOCÊ E ELES!



(pensador.com/textos_de_auto_ajuda/adaptação Márcia Rebêlo)

Com base no texto em questão, julgue as premissas abaixo e, na sequência, assinale a opção correta.




I. No trecho: ”Se você tem paz e é feliz,...”, o termo grifado é, sintaticamente, “Objeto direto”.



II. No título do texto em questão, há um exemplo de período simples, já que possui apenas uma oração, chamada de absoluta.



III. Em: “Perdoe-as assim mesmo.” (linha 5), o termo grifado retoma “pessoas”.



IV. No trecho: “Se você é um vencedor, terá alguns...”, o termo “Vencedor” ganhou hífen devido ao Acordo Ortográfico Vigente. Ficando, portanto, da seguinte forma: “Vence-dor”.



V. Em: “As pessoas podem enganá-lo...”, o verbo “podem” está concordando com o artigo “As”, por isso que se encontra no plural.




Conforme o julgamento das premissas, são verdadeiras 

Alternativas
Q3523085 Português

Quem decide por mim?



Um colunista conta uma estória em que acompanhava um amigo a uma banca de jornais.


O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro.


Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo do colunista sorriu polidamente e desejou um bom fim de semana ao jornaleiro.


Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:


– Ele sempre te trata com tanta grosseria?


– Sim, infelizmente foi sempre assim…


– E você é sempre tão polido e amigável com ele?


– Sim, procuro ser.


– Por que você é tão educado, já que ele é tão grosseiro com você?


– Porque não quero que ele decida como eu devo agir.


Nós é que decidimos como devemos agir e reagir – não os outros!


Portanto, seja sempre educado!



(refletirpararefletir.com.br/textos-para-leitura – adaptação Márcia Rebêlo)

Analise as seguintes afirmações e após marque a assertiva correta.




I. Em: “Um colunista conta uma estória...”, temos um caso de sujeito simples, tendo como núcleo “estória”.



II. A palavra “amavelmente” é composta por 10 fonemas.



III. Os termos “amigo” e “banca” são paroxítonos.



IV. No título do texto, não há a presença de verbo.




Quais informações, acima mencionadas, estão corretas?

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Q3523083 Português

Quem decide por mim?



Um colunista conta uma estória em que acompanhava um amigo a uma banca de jornais.


O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro.


Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo do colunista sorriu polidamente e desejou um bom fim de semana ao jornaleiro.


Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:


– Ele sempre te trata com tanta grosseria?


– Sim, infelizmente foi sempre assim…


– E você é sempre tão polido e amigável com ele?


– Sim, procuro ser.


– Por que você é tão educado, já que ele é tão grosseiro com você?


– Porque não quero que ele decida como eu devo agir.


Nós é que decidimos como devemos agir e reagir – não os outros!


Portanto, seja sempre educado!



(refletirpararefletir.com.br/textos-para-leitura – adaptação Márcia Rebêlo)

Em “...o amigo do colunista sorriu polidamente e desejou um bom fim de semana ao jornaleiro.”, a oração destacada é:
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Q3522980 Português
Para explicar a diferença entre orações subordinadas substantivas objetivas diretas e indiretas, o procedimento mais eficiente é:
Alternativas
Q3522976 Português
No trecho jornalístico “os dados colhidos contradizem frontalmente a hipótese inaugural”, a palavra “frontalmente” exerce papel de:
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Q3522973 Português
Ao propor paráfrase de trecho complexo, o recurso de coesão que evita ambiguidade na retomada de ideias é:
Alternativas
Q3522721 Português

Flexibilidade e qualidade de vida na velhice



    A flexibilidade é a capacidade de as articulações se moverem com total amplitude e sem dor. Na prática, é a habilidade de estender os braços para alcançar uma caixa em uma prateleira alta, realizar alguma atividade corriqueira do cotidiano, como amarrar o próprio tênis, ou então tocar os dedos dos pés com as mãos. Nesse último caso, basta dar um pulinho na academia para verificar que nem todo mundo consegue fazer isso.

    Mas, diferente de outras capacidades físicas, como a força ou o equilíbrio, a flexibilidade diminui com a idade. Essa perda é natural e está associada a mudanças estruturais nos tendões e nas articulações, que se tornam menos elásticos com o passar do tempo. Fatores hormonais e comportamentais, como o uso limitado de certas articulações, também podem acelerar o declínio. A boa notícia, contudo, é que exercícios simples podem melhorar a flexibilidade, resultando em benefícios para saúde e para o bem-estar, especialmente para os idosos, que tendem a sofrer mais com a falta de elasticidade.

    A redução da flexibilidade, segundo o médico Cláudio Gil Soares de Araújo, compromete a autonomia do indivíduo, limitando a realização de tarefas simples que antes eram realizadas com facilidade. Mas os exercícios, de acordo com os especialistas, têm impacto positivo na postura e na eficiência dos movimentos corporais. Idosos com boa flexibilidade, por exemplo, tendem a caminhar com mais segurança, subir e descer escadas sem dificuldades e manter uma postura ereta, o que contribui para evitar dores musculares e tensões desnecessárias.

    “Já se sabe que os exercícios de flexibilidade e mobilidade oferecem benefícios imediatos. Essa melhora pode ser percebida ainda durante a execução, com ganhos mensuráveis no momento”, diz o fisioterapeuta Rafael Macedo.


Fonte: Portal Drauzio Varella. Adaptado. 

A oração sublinhada no trecho abaixo é classificada em:

Já se sabe que os exercícios de flexibilidade e mobilidade oferecem benefícios imediatos. Essa melhora pode ser percebida ainda durante a execução, com ganhos mensuráveis no momento.
Alternativas
Q3522718 Português

Flexibilidade e qualidade de vida na velhice



    A flexibilidade é a capacidade de as articulações se moverem com total amplitude e sem dor. Na prática, é a habilidade de estender os braços para alcançar uma caixa em uma prateleira alta, realizar alguma atividade corriqueira do cotidiano, como amarrar o próprio tênis, ou então tocar os dedos dos pés com as mãos. Nesse último caso, basta dar um pulinho na academia para verificar que nem todo mundo consegue fazer isso.

    Mas, diferente de outras capacidades físicas, como a força ou o equilíbrio, a flexibilidade diminui com a idade. Essa perda é natural e está associada a mudanças estruturais nos tendões e nas articulações, que se tornam menos elásticos com o passar do tempo. Fatores hormonais e comportamentais, como o uso limitado de certas articulações, também podem acelerar o declínio. A boa notícia, contudo, é que exercícios simples podem melhorar a flexibilidade, resultando em benefícios para saúde e para o bem-estar, especialmente para os idosos, que tendem a sofrer mais com a falta de elasticidade.

    A redução da flexibilidade, segundo o médico Cláudio Gil Soares de Araújo, compromete a autonomia do indivíduo, limitando a realização de tarefas simples que antes eram realizadas com facilidade. Mas os exercícios, de acordo com os especialistas, têm impacto positivo na postura e na eficiência dos movimentos corporais. Idosos com boa flexibilidade, por exemplo, tendem a caminhar com mais segurança, subir e descer escadas sem dificuldades e manter uma postura ereta, o que contribui para evitar dores musculares e tensões desnecessárias.

    “Já se sabe que os exercícios de flexibilidade e mobilidade oferecem benefícios imediatos. Essa melhora pode ser percebida ainda durante a execução, com ganhos mensuráveis no momento”, diz o fisioterapeuta Rafael Macedo.


Fonte: Portal Drauzio Varella. Adaptado. 

Se passarmos a palavra sublinhada abaixo para o plural, quantas outras também deverão ser alteradas?



Essa perda é natural e está associada a mudanças estruturais nos tendões e nas articulações, que se tornam menos elásticos com o passar do tempo.

Alternativas
Q3522497 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Seres humanos e animais selvagens podem cooperar de maneiras que você nem imagina!

Diferentes espécies de animais podem cooperar para obter benefícios mútuos, e isso não é lá grande novidade! Mesmo nós, humanos, estabelecemos esse tipo de relacionamento com outros animais, como acontece com as abelhas que polinizam nossos jardins e plantações. Mas nossa cooperação com animais selvagens pode atingir um outro nível, que exige coordenação ativa e voluntária de comportamentos entre as duas espécies.

Imagine, por exemplo, um cavaleiro e seu cavalo. Para trabalharem juntos, eles precisam estar muito sintonizados e compreender os sinais sutis um do outro. Pois saiba que a nossa espécie já conseguiu estabelecer o mesmo tipo de parceria também com diversas espécies de animais selvagens, como lobos, orcas, aves e golfinhos.

Um ótimo exemplo vem do continente africano, de onde se conhece há centenas de anos uma incrível relação entre humanos e uma ave chamada pássaro-do-mel (Indicator indicator). Quando querem coletar mel, as pessoas emitem sons específicos, como assobios ou batuques, que variam dependendo da região na África, mas que são prontamente reconhecidos e atendidos por algum pássaro-do-mel presente nas redondezas. A ave logo inicia a busca por uma colmeia e, ao encontrá-la, emite também piados específicos, que facilitam sua localização pelos humanos. Os coletores de mel afugentam as abelhas com fumaça e abrem a colmeia com facas e machados, deixando para a ave parceira a cera de abelha que ela tanto aprecia.

Disponível em:https://chc.org.br/artigo/trabalho-em-equipe
"Quando querem coletar mel, as pessoas emitem sons específicos, como assobios ou batuques, que variam dependendo da região na África, mas que são prontamente reconhecidos e atendidos por algum pássaro-do-mel presente nas redondezas."
Considerando os aspectos de concordância verbal, ortografia oficial, acentuação gráfica, bem como as relações de sinonímia e antonímia referentes ao trecho e ao texto-base, assinale a alternativa INCORRETA: 
Alternativas
Q3522345 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O homem rouco



Deus sabe o que andei falando por aí; coisa boa não há de ter sido, pois Ele me tirou a voz.


Ela sempre foi embrulhada e confusa; a mim próprio muitas vezes parecia monótona e enjoada, que dirá aos outros. Mas era, afinal de contas, a voz de uma pessoa, e bem ou mal eu podia dizer ao mendigo "não tenho trocado", ao homem parado na esquina, "o senhor pode ter a gentileza de me dar fogo", e ao garçom, "por favor, mais um pedaço de gelo". Dizia certamente outras coisas e numa delas me perdi. Fiquei vários dias afônico e, hoje, me comunico e lamento com uma voz de túnel, roufenha, intermitente e infame.


Ora, naturalmente que me trato. Deram-me várias pastilhas horríveis e um especialista me receitou uma injeção e uma inalação que cheguei a fazer uma vez e me aborreceu pelo seu desagradável jeito de vício secreto ou de rito religioso oriental. Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira, laranja da terra e eucalipto, tudo isso agravado por um dente de alho bem moído.


Não farei essas coisas. Vejo-me à noite, no recolhimento do lar, tomando esse chá dos tempos coloniais e me sinto velho e triste de cortar o coração.


Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa, o que me deixa desconfiado de mim mesmo. Terei muitos complexos? Precisamente quantos? Feios, graves? Por que me atacaram a garganta e não, por exemplo, o joelho? Ou quem sabe que havia alguma coisa que eu queria dizer e não podia, não devia, não ousava, estrangulado de timidez, e então engoli a voz?


Quando era criança, agora me lembro, passei um ano gago porque fui com outros moleques gritar alto "Capitão Banana" diante da tenda de um velho que vendia frutas, e ele estava escondido no escuro e me varejou um balde d'água em cima. Naturalmente devo contar essa história a um psicanalista. Mas então ele começará a me escarafunchar a pobre alma e isso não vale a pena. Respeitemos a morna paz desse brejo noturno onde fermentam coisas estranhas e se movem monstros informes e insensatos.


Afinal posso aguentar isso, sou um rapaz direito, bem comportado, talvez até bom partido para uma senhorita da classe média que não faça questão da beleza física, mas sim da moral, modéstia à parte.


O remédio é falar menos e escrever mais, antes que os complexos me paralisem os dedos, pobres dedos, triste mão que... Mas, francamente, página de jornal não é lugar para a gente falar essas coisas.


Eu vos direi, senhora, apenas, que a voz é feia e roufenha, mas o sentimento é límpido, é cristalino, puro − e vosso.


− Crônica de Rubem Braga



https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13137/o-homem-rouco

"Ela sempre foi embrulhada e confusa; a mim próprio muitas vezes parecia monótona e enjoada, que dirá aos outros. Mas era, afinal de contas, a voz de uma pessoa, e bem ou mal eu podia dizer ao mendigo "não tenho trocado", ao homem parado na esquina, "o senhor pode ter a gentileza de me dar fogo", e ao garçom, "por favor, mais um pedaço de gelo"." 


Com base na análise sintática do trecho, julgue as afirmativas:



I. As expressões 'monótona' e 'enjoada' são predicativos do sujeito que se referem ao sujeito expresso pelo pronome oblíquo 'mim'.


II. A expressão 'a voz de uma pessoa' representa o sujeito simples da oração, sendo considerada termo essencial.


III. A forma verbal 'dar' apresenta dois termos integrantes da oração: um objeto direto e um objeto indireto, ambos explícitos.


IV. A expressão 'ao mendigo' é um termo integrante da oração com função de objeto indireto.


V. A expressão 'trocado' tem valor de adjetivo; refere-se ao verbo 'trocar' no particípio, exercendo a função de predicativo do sujeito.



É correto o que se afirma em: 

Alternativas
Q3522344 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O homem rouco



Deus sabe o que andei falando por aí; coisa boa não há de ter sido, pois Ele me tirou a voz.


Ela sempre foi embrulhada e confusa; a mim próprio muitas vezes parecia monótona e enjoada, que dirá aos outros. Mas era, afinal de contas, a voz de uma pessoa, e bem ou mal eu podia dizer ao mendigo "não tenho trocado", ao homem parado na esquina, "o senhor pode ter a gentileza de me dar fogo", e ao garçom, "por favor, mais um pedaço de gelo". Dizia certamente outras coisas e numa delas me perdi. Fiquei vários dias afônico e, hoje, me comunico e lamento com uma voz de túnel, roufenha, intermitente e infame.


Ora, naturalmente que me trato. Deram-me várias pastilhas horríveis e um especialista me receitou uma injeção e uma inalação que cheguei a fazer uma vez e me aborreceu pelo seu desagradável jeito de vício secreto ou de rito religioso oriental. Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira, laranja da terra e eucalipto, tudo isso agravado por um dente de alho bem moído.


Não farei essas coisas. Vejo-me à noite, no recolhimento do lar, tomando esse chá dos tempos coloniais e me sinto velho e triste de cortar o coração.


Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa, o que me deixa desconfiado de mim mesmo. Terei muitos complexos? Precisamente quantos? Feios, graves? Por que me atacaram a garganta e não, por exemplo, o joelho? Ou quem sabe que havia alguma coisa que eu queria dizer e não podia, não devia, não ousava, estrangulado de timidez, e então engoli a voz?


Quando era criança, agora me lembro, passei um ano gago porque fui com outros moleques gritar alto "Capitão Banana" diante da tenda de um velho que vendia frutas, e ele estava escondido no escuro e me varejou um balde d'água em cima. Naturalmente devo contar essa história a um psicanalista. Mas então ele começará a me escarafunchar a pobre alma e isso não vale a pena. Respeitemos a morna paz desse brejo noturno onde fermentam coisas estranhas e se movem monstros informes e insensatos.


Afinal posso aguentar isso, sou um rapaz direito, bem comportado, talvez até bom partido para uma senhorita da classe média que não faça questão da beleza física, mas sim da moral, modéstia à parte.


O remédio é falar menos e escrever mais, antes que os complexos me paralisem os dedos, pobres dedos, triste mão que... Mas, francamente, página de jornal não é lugar para a gente falar essas coisas.


Eu vos direi, senhora, apenas, que a voz é feia e roufenha, mas o sentimento é límpido, é cristalino, puro − e vosso.


− Crônica de Rubem Braga



https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13137/o-homem-rouco

"Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira.."



Quanto à regência do verbo 'receitar' empregado no trecho acima, a afirmativa que apresenta sua transitividade de forma totalmente correta é:

Alternativas
Q3522200 Português
Leia o texto para responder à questão.


Na educação, a pandemia não acabou


    Com a edição de 2023 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), pela primeira vez foi possível analisar em detalhes o efeito da pandemia sobre o desempenho de alunos do ensino básico. Um levantamento do Todos pela Educação revelou que em 2023 a aprendizagem média dos estudantes ainda não tinha voltado aos patamares de 2019. Projetando-se a trajetória ascendente, não é impossível que hoje já tenha voltado. Mas o ritmo lento preocupa.

    O estudo buscou ainda enquadrar o impacto da pandemia no contexto mais amplo da evolução da educação nacional nas duas últimas décadas. Nessa perspectiva, houve avanço relevante, mas longe de suficiente, no porcentual de estudantes com níveis de aprendizagem considerados “adequados” conforme os critérios do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. 

    Os índices de sucesso se mostraram decrescentes à medida que se avança nas etapas da educação básica. Entre os alunos do 5º ano, por exemplo, em 20 anos o porcentual com nível de aprendizado adequado em português cresceu de 21% para 55% e, em matemática, de 11% para 43%. No caso dos alunos do 9º ano, as elevações foram menos expressivas: de 15% para 36% em português e de 9% para 16% em matemática. No ensino médio, a elevação em português foi a menor dos três níveis: 13 pontos porcentuais (de 19% para 32%). Em matemática, houve retrocesso – de 5,8% para 5,2%.

    Assim, é possível distinguir dois desafios críticos e persistentes para a educação básica: em termos de estágios, a formação no ensino médio; em termos de disciplinas, a formação em matemática. Nesse último caso, o tamanho do problema é evidenciado pelo desempenho das escolas particulares. Em geral, alunos do ensino privado têm resultados gerais razoavelmente próximos dos de seus pares nos países desenvolvidos e superiores aos de seus conterrâneos nas escolas públicas. Na matemática, a defasagem é geral: pior nas escolas públicas, mas ainda assim muito ruim nas escolas privadas.


(Editorial. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.05.2025. Adaptado)
Considere as reescritas de informações do texto:

•  Assim, ___________ dois desafios críticos e persistentes para a educação básica: a formação no ensino médio e a formação em matemática.
•  Na matemática, os desempenhos são ___________ preocupantes: ___________ nas escolas públicas, mas ainda assim muito ___________ nas escolas privadas.

De acordo com a norma-padrão, as lacunas das frases devem ser preenchidas, respectivamente, com: 
Alternativas
Q3522106 Português
Por que se apavora o falante apavorado?


Escrevendo profissionalmente sobre a língua portuguesa brasileira já faz um quarto de século, esbarrei muitas vezes com a figura do falante apavorado.

O falante apavorado trata a língua como se ela fosse uma cristaleira cara que, herdada dos avós, decora o salão onde seus filhos jogam futebol. Vive em sobressalto, o coitado, à espera do chute forte que vai estilhaçar seu tesouro.

Um elitismo confuso, misturado a bastante ignorância linguística, pode até levá-lo a mover uma acusação de lusocídio contra quem escreve brasilidades como “Se oriente, rapaz” ou “Tinha uma pedra no meio do caminho”.

Imagino que sejam uma minoria pequena, mas não sei. O fato é que de vez em quando um deles me acusa de ser um vândalo que ensina a fuzilar a concordância e a escrever gato com jota.

Embora a acusação seja vazia, não vou negar que magoa um pouco. Logo eu, pô, que desde pequeno arrasto uma asa bandeirosa pela tal de língua portuguesa.

Eu que decorei poemas ribombantes para recitar na escola, bestificado com a sinfonia das palavras, e nunca mais os esqueci – embora tenha renegado aquilo um milhão de vezes pela vida.

Sempre que trato da atualização normativa do português brasileiro, tarefa cívica para a qual nossa linguística está madura, vem um falante apavorado me chamar de destruidor do idioma.

Você aponta alguma aresta que pode ser aparada na relação entre uma norma culta idealizada e a norma culta praticada de fato no país. Sugestão, pensando bem, bastante modesta.

Um exemplo da semana passada: minha crítica à regra brasileira de separar, por escrito, preposição e artigo em frases como “a hora de a onça beber água” ou “o fato de a noite ser fria”.

A regra é besta, mas merece mais algumas palavras. Mesmo relativizada por nossos melhores gramáticos tradicionais, perdura nos meios editoriais, jurídicos, acadêmicos e jornalísticos do país.

Não é que seja especialmente idiota – embora seja um pouco – escrever “de o” em vez de contraí-lo em “do”, como fazemos todos os lusófonos ao falar. Idiota mesmo é afirmar que só pode ser assim.

Ah, mas não tem como ser diferente, se apavora ainda mais o falante apavorado. Diz ele que o fato da (opa) onça ser sujeito de uma nova oração impede a contração. Por quê? Não faz sentido. A onça não deixa de sentir sede porque alguém juntou duas palavras.

Os portugueses não perdem tempo com isso. Eu sei, nós não ligamos para o que os portugueses pensam da nossa língua. Só que neste caso eles têm razão.

Num idioma saudável, pruridos pedantes como esse não são base legítima para um divórcio tão desastroso e desnecessário entre forma e expressão.

O conservadorismo do falante apavorado é mais político do que linguístico. É preciso haver marcas, selos, carimbos para separar os falantes do alto e os falantes do baixo português. Nada melhor para isso do que certas pegadinhas, confere?

Passou da hora da gente se livrar de entulhos como esse, tornando nosso português escrito menos hostil aos milhões de brasileiros que lutam para dominá-lo nos bancos escolares.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: junho de 2025.)
A silepse é um tipo de concordância que não se estabelece com a forma das palavras, mas sim com a ideia que se pretende veicular ou com termos implícitos no enunciado. Por isso, também é conhecida como concordância ideológica. Nesse sentido, assinale a alternativa a seguir relacionada em que há um caso de silepse.
Alternativas
Q3522105 Português
Por que se apavora o falante apavorado?


Escrevendo profissionalmente sobre a língua portuguesa brasileira já faz um quarto de século, esbarrei muitas vezes com a figura do falante apavorado.

O falante apavorado trata a língua como se ela fosse uma cristaleira cara que, herdada dos avós, decora o salão onde seus filhos jogam futebol. Vive em sobressalto, o coitado, à espera do chute forte que vai estilhaçar seu tesouro.

Um elitismo confuso, misturado a bastante ignorância linguística, pode até levá-lo a mover uma acusação de lusocídio contra quem escreve brasilidades como “Se oriente, rapaz” ou “Tinha uma pedra no meio do caminho”.

Imagino que sejam uma minoria pequena, mas não sei. O fato é que de vez em quando um deles me acusa de ser um vândalo que ensina a fuzilar a concordância e a escrever gato com jota.

Embora a acusação seja vazia, não vou negar que magoa um pouco. Logo eu, pô, que desde pequeno arrasto uma asa bandeirosa pela tal de língua portuguesa.

Eu que decorei poemas ribombantes para recitar na escola, bestificado com a sinfonia das palavras, e nunca mais os esqueci – embora tenha renegado aquilo um milhão de vezes pela vida.

Sempre que trato da atualização normativa do português brasileiro, tarefa cívica para a qual nossa linguística está madura, vem um falante apavorado me chamar de destruidor do idioma.

Você aponta alguma aresta que pode ser aparada na relação entre uma norma culta idealizada e a norma culta praticada de fato no país. Sugestão, pensando bem, bastante modesta.

Um exemplo da semana passada: minha crítica à regra brasileira de separar, por escrito, preposição e artigo em frases como “a hora de a onça beber água” ou “o fato de a noite ser fria”.

A regra é besta, mas merece mais algumas palavras. Mesmo relativizada por nossos melhores gramáticos tradicionais, perdura nos meios editoriais, jurídicos, acadêmicos e jornalísticos do país.

Não é que seja especialmente idiota – embora seja um pouco – escrever “de o” em vez de contraí-lo em “do”, como fazemos todos os lusófonos ao falar. Idiota mesmo é afirmar que só pode ser assim.

Ah, mas não tem como ser diferente, se apavora ainda mais o falante apavorado. Diz ele que o fato da (opa) onça ser sujeito de uma nova oração impede a contração. Por quê? Não faz sentido. A onça não deixa de sentir sede porque alguém juntou duas palavras.

Os portugueses não perdem tempo com isso. Eu sei, nós não ligamos para o que os portugueses pensam da nossa língua. Só que neste caso eles têm razão.

Num idioma saudável, pruridos pedantes como esse não são base legítima para um divórcio tão desastroso e desnecessário entre forma e expressão.

O conservadorismo do falante apavorado é mais político do que linguístico. É preciso haver marcas, selos, carimbos para separar os falantes do alto e os falantes do baixo português. Nada melhor para isso do que certas pegadinhas, confere?

Passou da hora da gente se livrar de entulhos como esse, tornando nosso português escrito menos hostil aos milhões de brasileiros que lutam para dominá-lo nos bancos escolares.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: junho de 2025.)
O conector “Só que”, no 13º§, foi utilizado com a função de:
Alternativas
Q3522076 Português
A partir do texto abaixo, leia-o com atenção para responder à questão.

Relatos de um homem morto

    Recrutado pelo “doutor Antônio”, comandante da base militar de São Raimundo e violentíssimo agente da repressão, foi atuar como rastejador na base militar de São Raimundo. Tal base ficava nas cercanias da reserva dos índios Suruí, em São Geraldo do Araguaia (PA).
   Segundo seu depoimento para o então Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), coordenado pelo Ministério da Defesa em março de 2011, o “doutor Antônio” era “uma pessoa mal encarada, alto, forte e de cabelos crespos”, e que até janeiro de 1985 permanecera na área conflagrada “procurando algum guerrilheiro sobrevivente”. Sabe-se que até 1992-1993 gente da região fora presa apenas por chamar-se “Dina” e militar em movimentos sociais.
    Raimundo “Cacaúba”, também conhecido por Raimundo “Baixinho”, relatou que em sua última missão de rastejador teria passado 12 dias ininterruptos na mata, na região do “Jacaré Grande”, rio que desce da Serra das Andorinhas/Martírios e vai encontrar depois de muitos desvios sinuosos o Araguaia. Estava ali, guiando uma tropa, para localizar os últimos guerrilheiros vivos.
    Provavelmente deve ter se referido ao ano de 1974, quando as forças repressivas promoveram uma verdadeira caçada na região. E o rigor das últimas pesquisas revela-nos que mais de quarenta guerrilheiros foram mortos, assassinados, sob a custódia das forças armadas. E que depois de 1973 a ordem direta do gabinete de Garrastazu Médici, presidente de então, era torturar até a náusea e matar a sangue frio todos os insurgentes presos nas matas. E o ano de 1974 fora pródigo neste sentido, inclusive com o provável fuzilamento de cerca de 50 camponeses e castanheiros que trabalhavam na região.
    Os casos mais graves, colhidos até agora, revelam que São João do Araguaia (PA) e Xinguara (PA) foram palco de tais execuções sumárias. Cremos, porém, que pode haver mais casos da sandice sanguinária dos generais da época e só o avanço das pesquisas poderá nos dar a medida exata da atuação do “satanás de botas”, segundo ensina a analogia corrente entre os camponeses referindo-se à atuação dos militares daqueles tempos.
    Mas “Cacaúba”, depois do silêncio de quase quarenta anos, informara que “no local conhecido por centrinho, ao lado do Rio Sororozinho, conheceu 'Zé Carlos' (André Grabois), 'Ivo' (José Lima Piauhy Dourado) e 'Joca' (Líbero Giancarlo Castiglia), este ferido no braço”. Teria, também, conhecido “a ‘Valquíria' (Walkíria Afonso Costa), moradora do São Raimundo que apareceu em sua casa acompanhada de Joca depois do tiroteio com o 'Juca' (João Carlos Haas)”. Curiosa mesmo foi a informação de que “os meninos do mato se comunicavam com os moradores Antonio Monteiro (...), Luís Roque e Antonio Luís através de uma vara seca e uma vara verde”. 
    Afirmara que “a Valkíria, muito magra, foi presa na casa do Zezinho e Maria Fo-goió e foi morta pelo Capitão Magno”. Tal “Capitão Magno” é muito citado pelas torturas perpetradas contra os camponeses e que teria sido um dos agentes que atuou, anos depois, na prisão dos padres franceses do Araguaia, Aristide Camio e Francisco Gouriou, no início dos anos de 1980. A acusação era de que os religiosos promoviam a subversão, intentavam novas guerrilhas e por isso foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional (LSN).
    Na região da “Abóbora” viu “o Joca amarrado com embira (fibra extraída de algumas árvores e que serve para fabricação de cordas), todo obrado e muito machucado”. Teria presenciado o traslado do combatente, depois de assassinado, para a Base de Xambioá (TO) para um local conhecido como “cemitério da base” e lá fora sepultado.
    Quando ‘Amaury’ (Paulo Roberto Pereira Marques) fora preso com o pé baleado e ‘Doutor Antunes’, da base de São Raimundo, provocava-o perguntando se queria comer um Mutum. O ‘Ivo’ foi preso e vestia calça azul tropical e que o ‘Doutor Alberto’ dizia que viu o Nunes (Divino Ferreira de Souza) morrer. O guia Olímpio, da fazenda ‘Carrapicho’, matou o ‘Peri' (Pedro Alexandrino de Oliveira) que estava com outros que conseguiram fugir. O João Goiano (Vandick Reidner Pereira Coqueiro) foi encontrar-se com o ‘Simão’ (Cilon da Cunha Brum) e quando se aproximou percebeu algo diferente e correu, porém foi alvejado pelos militares emboscados. Seu corpo foi mantido em um lastro de madeira depois retirado por um helicóptero. Isso conteceu na ‘grota da lima’. Vi o ‘Simão’puxando água do poço por uma bomba na base de Xambioá (TO), relatou à missão governamental.
    Recordara, ainda, que houve um encontro de militares e ouviu pelo rádio a notícia da prisão de ‘Raul’ (Antônio Teodoro de Castro). Estava subindo a Serra do Cajueiro, próximo ao Rio Sororozinho. Além dos militares já citados teria trabalhado, também, com os “doutores Ivan, Maia, Molina e João”, e que esse Molina “não falava igual a nós”. Sabe-se que militares portugueses, apeados do poder pela Revolução dos Cravos, teriam assessorado militares brasileiros repassando-lhes as experiências dos combates contra os movimentos independentistas da África, como Angola e Moçambique. É bem provável que a CIA, fétida agência de inteligência estadunidense, também teria “ensinado” nossos generais, como Hugo de Abreu e Antônio Bandeira, como debelar a insurreição das matas do Pará.
    Raimundo “Cacaúba” foi assassinado em fins de junho de 2011. Três dias antes do estranho crime, o major Curió esteve na Serra Pelada, local do assassinato, em reunião com aqueles que ainda lhe são fiéis. Sabemos que o ex-guia teria dito, horas antes do ocorrido, que sua cabeça estava a prêmio.


(FONTELES FILHO, Paulo. Araguaianas: as histórias que não podem ser esquecidas. Ilustrado e editado por Paulo Emmanuel. 1ed. São Paulo: Anita Garibaldi, coedição com a Fundação Maurício Grabois, 2013. Páginas 113 a 115)
No trecho do texto: “Cremos, porém, que pode haver mais casos da sandice sanguinária dos generais da época e só o avanço das pesquisas poderá nos dar a medida exata da atuação do 'satanás de botas'...”, a oração destacada em “que pode haver mais casos da sandice sanguinária dos generais da época” exerce qual função sintática?
Alternativas
Q3521785 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão:

Uma viagem de saudades

        Ela saíra aos dezessete anos, trinta anos atrás. Deixou noivo e uma promessa de emigrarem juntos para a América logo que voltasse da viagem que duraria três meses. Ia conhecer o pai, que, por causa de uma hipótese de traição, tinha jurado nunca mais voltar à ilha Brava.

        Dos três meses iniciais a ausência durou trinta anos e três dias. Voltava agora. Intacta. Para casar com o primeiro namorado, moço bonito, branco e de cabelo fino; tão fino como qualquer francês. Voltava e nunca mais, em nome de coisa nenhuma, se separariam.

        Contou-me todos os sonhos da sua juventude, os segredos, os jogos partilhados com o noivo, as esperanças e as certezas.

        Era a primeira vez, naqueles anos todos, que falava do assunto e abria o coração, porque dantes não valia a pena.

        Mas agora que estava tão perto da ilha Brava, só lhe apetecia falar dele, dele e mais dele e da certeza de se casarem que sempre guardou.

        Disse-me o nome do homem e teve que o repetir umas duas vezes para eu o ligar à pessoa que conhecia, atarracado pelos anos e pelas gorduras, careca, avermelhado pelo grogue*.

        Não disse nada à rapariga de dezessete anos, que estava à minha frente trinta anos depois.

        Ela casara em França, foi feliz, foi infeliz, viveu e morreu como todos nós nesses anos todos; mas era como se o tempo lhe tivesse poupado o coração; como se a esperança não tivesse sofrido um lanho* que fosse, enquanto estivera ausente.

        Podia ter-lhe dito que voltasse para a França, para junto da filha e dos netos e que esquecesse os antigos amores que só devem existir na lembrança guardada, mas fiquei calado e nem pude sorrir para ela e desejar-lhe sorte quando se levantou do caixote para embarcar no Furna a caminho da sua ilha e do seu homem.

        Nunca mais a vi. Nem gostaria de a ter visto. Para que saber de anseios sem resposta.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

*Grogue: aguardente.
**Lanho: ferimento.
A reescrita de informações do texto atende à norma-padrão de regência em:
Alternativas
Respostas
7721: A
7722: C
7723: D
7724: D
7725: D
7726: C
7727: D
7728: B
7729: C
7730: B
7731: B
7732: C
7733: C
7734: C
7735: A
7736: A
7737: A
7738: D
7739: D
7740: D