Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3691370 Português
                                                                O QUE É INTELIGÊNCIA EMOCIONAL? 


     Inteligência emocional é a habilidade de reconhecer e lidar com as próprias emoções e as emoções dos outros. Sendo assim, é a capacidade de perceber e compreender as emoções, de usar a emoção para orientar o pensamento e a ação e de gerenciar as emoções de forma eficaz. 


     Uma pessoa com inteligência emocional sabe como lidar com situações estressantes, conflitos e desafios sem perder o controle. Dessa forma, ela é capaz de manter a calma e a clareza mental mesmo sob pressão e de se comunicar de forma eficaz em situações difíceis.


     A inteligência emocional é uma habilidade muito importante para o sucesso pessoal e profissional. Por isso, ela é fundamental para a construção de relacionamentos saudáveis e para a resolução de conflitos de forma pacífica. Além disso, é essencial para liderar equipes e para tomar decisões importantes. 


     Para desenvolver a inteligência emocional, é preciso praticar a autoconsciência, a autogestão, a empatia e a habilidade social. Sendo assim, a autoconsciência envolve reconhecer as próprias emoções e os gatilhos que as desencadeiam. A autogestão envolve controlar as próprias emoções e comportamentos. Dessa maneira, a empatia envolve entender as emoções dos outros e a habilidade social envolve interagir de forma eficaz com outras pessoas. 


     Em resumo, a inteligência emocional é uma habilidade que pode ser desenvolvida e que é fundamental para o sucesso pessoal e profissional. Ademais, é uma habilidade que ajuda a construir relacionamentos saudáveis, resolver conflitos e tomar decisões importantes. Por isso, é importante investir na sua própria inteligência emocional e ajudar os outros a desenvolverem essa habilidade também. 
Inteligência emocional é a habilidade de reconhecer e lidar com as próprias emoções e as emoções dos outros. Sendo assim, é a capacidade de perceber e compreender as emoções, de usar a emoção para orientar o pensamento e a ação e de gerenciar as emoções de forma eficaz”. Analisando esse primeiro parágrafo, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3691273 Português
Leia:

“Sujeito é o termo da oração que constitui seu assunto central, controla a concordância verbal e normalmente apresenta como núcleo um substantivo ou um pronome ou uma palavra substantivada”.

Assinale a alternativa em que a parte destacada é o sujeito da oração:
Alternativas
Q3691234 Português

“A maior parte dos torcedores _______ (aderiu/aderiram) às medidas do clube."


Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna da frase acima e justifica o uso do(s) verbo(s) de forma adequada. 

Alternativas
Q3691020 Português
Analise as afirmativas a seguir e verifique se os sinais de pontuação estão sendo utilizados corretamente.
I. Vivian, apresentou o produto a todos.
II. Saia já daí, Rex!
III. Por que você chegou tão tarde? 
Assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Quadrix Órgão: CORE-SE Prova: Quadrix - 2025 - CORE-SE - Contador |
Q3690490 Português
ESTÁ TUDO ACABADO
— Está tudo acabado.

        A frase foi dita em uma terça‑feira banal. Ele foi da fé ao desespero setenta vezes sete num curto período: correu, nadou, jejuou e orou, murmurou ao céu, ouviu a discografia de vários artistas, emagreceu de dieta e de má saúde, ceifou‑lhe a vida e também a de várias pessoas, suicidou‑se e renasceu, reinventou‑se. Quando voltou a si e à razão simples da vida, ela estava no mesmo lugar, convocando‑o à luta diária e incessante de não saber o que se quer e, mesmo assim, entender que está tudo bem.

Internet:<folhadabaixada.com.br>  (com adaptações). 
No trecho “Ele foi da fé ao desespero setenta vezes sete num curto período: correu, nadou, jejuou e orou, murmurou ao céu, ouviu a discografia de vários artistas, emagreceu de dieta e de má saúde, ceifou‑lhe a vida e também a de várias pessoas, suicidou‑se e renasceu, reinventou‑se”, ocorre um
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Ano: 2025 Banca: Quadrix Órgão: CORE-SE Prova: Quadrix - 2025 - CORE-SE - Contador |
Q3690489 Português
ESTÁ TUDO ACABADO
— Está tudo acabado.

        A frase foi dita em uma terça‑feira banal. Ele foi da fé ao desespero setenta vezes sete num curto período: correu, nadou, jejuou e orou, murmurou ao céu, ouviu a discografia de vários artistas, emagreceu de dieta e de má saúde, ceifou‑lhe a vida e também a de várias pessoas, suicidou‑se e renasceu, reinventou‑se. Quando voltou a si e à razão simples da vida, ela estava no mesmo lugar, convocando‑o à luta diária e incessante de não saber o que se quer e, mesmo assim, entender que está tudo bem.

Internet:<folhadabaixada.com.br>  (com adaptações). 
Em “Quando voltou a si e à razão simples da vida”, o emprego do acento grave indicativo de crase deve‑se
Alternativas
Q3690405 Português
Pistu, o menino do dedo vermelho

        Pistu desde criança vivia com um dom: tudo o que tocava ganhava sangue e vida. Tocou pássaros, gatos, cães, um bebê natimorto. Um dia, pôs o indicador sobre uma roseira e feriu‑se num espinho. Seu sangue tingiu o botão mais branco da mais bela rosa que já vira. E a roseira morreu.

Internet:<folhadabaixada.com.br>  (com adaptações).
No trecho “Seu sangue tingiu o botão mais branco da mais bela rosa que já vira”, o pronome relativo “que” introduz uma oração que exerce função sintática de
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Ano: 2025 Banca: FUNCERN Órgão: IF-PE Prova: FUNCERN - 2025 - IF-PE - Assistente de Alunos |
Q3689568 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.


Valorizar as culturas das infâncias é o primeiro passo contra a adultização


Ana Paula Yazbek e Miruna Kayano Genoino


    Agosto foi definido pelo governo federal como o mês da primeira infância, mas vivemos uma contradição. Enquanto iniciativas buscam valorizar os primeiros anos de vida, surgem denúncias de hiperexposição e exploração de crianças na internet. O termo que ganhou força é "adultização", quando meninas e meninos são pressionados a assumirem comportamentos e estéticas que não correspondem à sua idade. Como agir diante disso?

     Antes de tudo, para combater esse tipo de comportamento, para além da regulamentação das redes sociais que já está sendo discutida no Congresso Nacional e do compromisso de todos com o tema (famílias e escolas), é preciso que a sociedade reconheça a importância e o direito de ser criança.

    A infância é um período repleto de descobertas, imaginação e aprendizagens que não se resumem a conteúdos, mas à própria experiência de ser criança. Brincar livre, ouvir e contar histórias, mergulhar em jogos simbólicos e na curiosidade espontânea fazem parte do que chamamos de culturas das infâncias. E dizemos no plural por reconhecer a diversidade racial, social, de gênero, cultural e econômica das crianças em diferentes territórios e tempos históricos.

    É por meio dessas experiências da infância que a criança constrói sua identidade, desenvolve habilidades socioemocionais e aprende a se relacionar com o mundo ao seu redor. Quando respeitamos e incentivamos essa cultura, contribuímos para uma formação mais saudável e integral, onde há espaço para a ludicidade, para o erro como parte do processo de aprendizagem e para o tempo próprio de cada etapa do desenvolvimento.

    Por outro lado, a adultização impõe às crianças padrões estéticos, consumistas e comportamentais próprios do mundo adulto. Isso pode ser observado, por exemplo, na sexualização precoce em mídias e roupas, ainda mais forte nas meninas, na pressão por desempenho em excesso, e na substituição do brincar por agendas cheias de compromissos. Esses fatores podem gerar ansiedade, estresse e até dificuldades de socialização, além de comprometer o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças. O excesso de estímulos, a falta de tempo livre e o acesso irrestrito a mídias adultizantes corroem a espontaneidade, a criatividade e a liberdade de ser criança.

    Ou seja, a adultização precoce pode apagar a cultura das infâncias, diminuindo a importância do "aqui e agora" em prol de um "tornar-se" alguém. Esse é um lugar de exposição, de desamparo, já que a criança não tem mecanismos cognitivos, afetivos, emocionais, físicos, para lidar com o que representa essa adultização.

    A criança tem de estar no lugar de criança, vivendo experiências que ela só pode viver nessa fase, como a experimentação intensa das muitas oportunidades que lhe são apresentadas, fazendo muitas perguntas, ouvindo respostas, recebendo olhares e gestos que as acolhem. Por isso, valorizar a infância não significa impedir ou desvalorizar a presença e o comportamento dos adultos. Pelo contrário, os adultos são os responsáveis por oferecer às crianças condições, espaços e ambientes para que elas sejam produtoras dessa cultura. E devem participar desse desenvolvimento da infância, não só controlar e observar.

    Assim, ao estar com as crianças nos momentos de brincadeira livre, por exemplo, aprendemos o que está acontecendo com elas, observamos quais decisões tomam, quem consegue brincar bem, quem ainda está ficando sozinho. Nesse processo, nós, adultos, podemos ser um pouquinho mais crianças para termos trocas significativas. Se não formos, as crianças podem ter como experiência maior a entrada no mundo adulto, com todas as suas consequências.

   Mas quantas infâncias são desamparadas? Seja pelas políticas públicas, dentro de escolas que não conseguem cuidar efetivamente delas ou de famílias sem condições básicas. É urgente que famílias, educadores, instituições e a sociedade como um todo reflitam sobre o papel que estamos atribuindo às crianças.

   Educar contra a adultização é também um ato político e de cuidado: envolve garantir os direitos das crianças — brincar, conviver, aprender, se expressar —, assim como lutar por uma infância inclusiva, criativa e culturalmente rica. Valorizá-la é recuar da lógica produtiva e dar espaço ao afeto, à imaginação, à diversidade e à proteção de sua identidade própria. É compreender que a criança não é um "miniadulto", mas um indivíduo em desenvolvimento que precisa de apoio, cuidado e espaço para ser criança.


Disponível em: correiobraziliense.com.br. Acesso em: 02 set. de 2025. [Adaptado]
Analise o período a seguir.

Valorizá-la é recuar da lógica produtiva e dar espaço ao afeto, à imaginação, à diversidade e à proteção de sua identidade própria.

Analisando esse período, deve se concluir que
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FUNCERN Órgão: IF-PE Prova: FUNCERN - 2025 - IF-PE - Assistente de Alunos |
Q3689566 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.


Valorizar as culturas das infâncias é o primeiro passo contra a adultização


Ana Paula Yazbek e Miruna Kayano Genoino


    Agosto foi definido pelo governo federal como o mês da primeira infância, mas vivemos uma contradição. Enquanto iniciativas buscam valorizar os primeiros anos de vida, surgem denúncias de hiperexposição e exploração de crianças na internet. O termo que ganhou força é "adultização", quando meninas e meninos são pressionados a assumirem comportamentos e estéticas que não correspondem à sua idade. Como agir diante disso?

     Antes de tudo, para combater esse tipo de comportamento, para além da regulamentação das redes sociais que já está sendo discutida no Congresso Nacional e do compromisso de todos com o tema (famílias e escolas), é preciso que a sociedade reconheça a importância e o direito de ser criança.

    A infância é um período repleto de descobertas, imaginação e aprendizagens que não se resumem a conteúdos, mas à própria experiência de ser criança. Brincar livre, ouvir e contar histórias, mergulhar em jogos simbólicos e na curiosidade espontânea fazem parte do que chamamos de culturas das infâncias. E dizemos no plural por reconhecer a diversidade racial, social, de gênero, cultural e econômica das crianças em diferentes territórios e tempos históricos.

    É por meio dessas experiências da infância que a criança constrói sua identidade, desenvolve habilidades socioemocionais e aprende a se relacionar com o mundo ao seu redor. Quando respeitamos e incentivamos essa cultura, contribuímos para uma formação mais saudável e integral, onde há espaço para a ludicidade, para o erro como parte do processo de aprendizagem e para o tempo próprio de cada etapa do desenvolvimento.

    Por outro lado, a adultização impõe às crianças padrões estéticos, consumistas e comportamentais próprios do mundo adulto. Isso pode ser observado, por exemplo, na sexualização precoce em mídias e roupas, ainda mais forte nas meninas, na pressão por desempenho em excesso, e na substituição do brincar por agendas cheias de compromissos. Esses fatores podem gerar ansiedade, estresse e até dificuldades de socialização, além de comprometer o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças. O excesso de estímulos, a falta de tempo livre e o acesso irrestrito a mídias adultizantes corroem a espontaneidade, a criatividade e a liberdade de ser criança.

    Ou seja, a adultização precoce pode apagar a cultura das infâncias, diminuindo a importância do "aqui e agora" em prol de um "tornar-se" alguém. Esse é um lugar de exposição, de desamparo, já que a criança não tem mecanismos cognitivos, afetivos, emocionais, físicos, para lidar com o que representa essa adultização.

    A criança tem de estar no lugar de criança, vivendo experiências que ela só pode viver nessa fase, como a experimentação intensa das muitas oportunidades que lhe são apresentadas, fazendo muitas perguntas, ouvindo respostas, recebendo olhares e gestos que as acolhem. Por isso, valorizar a infância não significa impedir ou desvalorizar a presença e o comportamento dos adultos. Pelo contrário, os adultos são os responsáveis por oferecer às crianças condições, espaços e ambientes para que elas sejam produtoras dessa cultura. E devem participar desse desenvolvimento da infância, não só controlar e observar.

    Assim, ao estar com as crianças nos momentos de brincadeira livre, por exemplo, aprendemos o que está acontecendo com elas, observamos quais decisões tomam, quem consegue brincar bem, quem ainda está ficando sozinho. Nesse processo, nós, adultos, podemos ser um pouquinho mais crianças para termos trocas significativas. Se não formos, as crianças podem ter como experiência maior a entrada no mundo adulto, com todas as suas consequências.

   Mas quantas infâncias são desamparadas? Seja pelas políticas públicas, dentro de escolas que não conseguem cuidar efetivamente delas ou de famílias sem condições básicas. É urgente que famílias, educadores, instituições e a sociedade como um todo reflitam sobre o papel que estamos atribuindo às crianças.

   Educar contra a adultização é também um ato político e de cuidado: envolve garantir os direitos das crianças — brincar, conviver, aprender, se expressar —, assim como lutar por uma infância inclusiva, criativa e culturalmente rica. Valorizá-la é recuar da lógica produtiva e dar espaço ao afeto, à imaginação, à diversidade e à proteção de sua identidade própria. É compreender que a criança não é um "miniadulto", mas um indivíduo em desenvolvimento que precisa de apoio, cuidado e espaço para ser criança.


Disponível em: correiobraziliense.com.br. Acesso em: 02 set. de 2025. [Adaptado]

Considere o trecho a seguir.


A criança tem de estar no lugar de criança, vivendo experiências que ela[1] só pode viver nessa fase, como a experimentação intensa das muitas oportunidades que lhe[2] são apresentadas, fazendo muitas perguntas, ouvindo respostas, recebendo olhares e gestos que as[3] acolhem.


Sobre as palavras em destaque, é correto afirmar:

Alternativas
Q3688841 Português
Há falta de concordância nominal em:
Alternativas
Q3688838 Português
Maioridade


    Aos dez anos descobri o primeiro dos objetivos de minha vida: fazer 14 anos. 14 anos são calças compridas, colégio pela manhã, álgebra, certas penugens, centímetros a mais em minha altura, ver Folias de Chicago, deixar de fazer a preliminar nos jogos de futebol de praia; 14 anos, principalmente, era uma idade maior — só poderia ser melhor — que dez anos.

    Aos 14 anos descobri que o mundo é das pessoas de 18 anos. Ter 18 anos é rever Folias de Chicago, tomar cuba-libre com um sorriso de quem tem 19 anos, mandar adaptar o smoking do pai para a festa de formatura, tirar carteira de motorista, ficar na rua até o sol nascer, comprar gravatas amarelas, jogar fora uma coleção inteira do Suplemento Juvenil (1941-1945). 18 anos são quase 21.

    Aos 21 anos tem-se os documentos todos e uma vontade enorme de se perder. Deixar crescer o bigode, rever Folias de Chicago, falar um pouco depressa (um pouco alto) demais, apaixonar-se por uma mulher casada, rasgar alguns papéis, deixar crescer a barba, começar a escrever o nome com formalidade, raspar o bigode, descobrir bares, orgulhar-se dentro do corpo, raspar a barba, perceber tons intermediários, deixar crescer novamente o bigode: leva-se mais de 20 anos para se ter 21 anos.

    Às vezes eu pensava em coisas: achava que estava traçando o futuro. Não estava, era do passado que eu me lembrava, sem saber. Depois dos 21 anos não há mais idades, todo ano é ano, cada idade é legal. A não ser fazer 30 anos. 30 anos é tempo. Sofrer é tão diferente do que eu pensava que fosse.

    Mas nesse tempo — não sei direito onde nem quando — houve um tempo de terrível lucidez. Não dava para durar. Sobrevivi por muito tempo a mim mesmo. Sei que era um tempo com hora, minuto e ponteiro (como se fosse uma lança: a ferir e apontar), uma soma de relógios não o reviveria. Era de uma luminosidade palpável; palpável polpa — de fruta madura, pronta: úmida e à mostra, estourando de dentro da casca. Fruta que, olhando-se de fora, dizia-se ter semente ou não. Não dava para plantar ou pôr na boca. Era fruta de se deixar em cima das mesas e outros móveis. Fruta de se levar por aí, de se mostrar. De cera, não. Não cabia num prato, mas enchia a mão. E não alimentava: iluminava. Uma luminosidade que de mim se usava, eu não tinha nada com ela, eu era parte de um tempo — acidente feito gente.

    Eu sou quase uma coisa. Como é que é? Me perguntam. Mais ou menos, vou respondendo. Para tudo.


LESSA, I. Diário Carioca, 1965. Disponível em
<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12761/maiorida
de>. 
As colocações pronominais em “[...] leva-se mais de 20 anos para se ter 21 anos.” correspondem, respectivamente, a:
Alternativas
Q3688668 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.


A educação e a formação já dançaram?


Dirce Waltrick do Amarante e Fedra Rodríguez


     Um jovem no primeiro ano do ensino médio é um aluno exemplar. Certo dia, ao se levantar para receber a nota máxima na feira de ciências de sua escola, ouve, entre assobios e vaias, diversos comentários. Até que uma das agressões verbais se torna o "grito de guerra" dos colegas: "Vai ser CLT! Vai ser CLT!". Deram-lhe a pena máxima, a predição de um futuro de miséria, além de colocar-lhe a pecha de fracassado. O apreço pelo estudo é um sinal claro de falta de ambição e incapacidade de faturar milhões - e, portanto, de "ter sucesso" na vida - para essa multidão berrante. Certamente, é um "crime" que merece tamanha punição, claro.

   Cenas semelhantes, embora não tenham acontecido exatamente da forma como a ficção contada aqui, já são um fato corriqueiro entre crianças, adolescentes e jovens do Brasil. Por si só, esse dado já seria de extrema preocupação, revelando o desprezo das novas gerações - doutrinadas pelo panorama contemporâneo - pelo modelo de trabalho que garante o sustento de milhões de brasileiros. Mas o problema, neste caldo de tigrinhos, dancinhas, jogadores que não jogam nem declaram impostos e que estão bilionários, é justamente o trabalho. O trabalho, da forma como até pouco tempo o concebíamos, se tornou sinônimo de burrice, por conseguinte, о conhecimento e a responsabilidade também. E não, não culpemos esses jovens, supostamente de "cabeça fraca", como já ouvimos de nossos pais e eles de nossos avós. A crise civilizatória de nosso tempo é feita de uma miríade de "subcrises", inclusive éticas e intelectuais, que envolvem e repercutem em diversas camadas sociais.

   Os mais novos, em formação, revelam o contexto complexo em que estamos imersos e reagem a ele com a prontidão e a insensatez típicas da juventude. Porém, na era das big techs megalomaníacas, dos coaches de soluções milagrosas e das celebridades instantâneas, a insensatez não é mais uma prerrogativa juvenil, embora as atitudes observadas entre indivíduos da geração alpha sejam os sintomas mais emblemáticos.

   De acordo com o Inep, entre 2013 e 2023, houve uma queda de 45,6% de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Um declínio que se acentuou com os anos de pandemia e com a crescente febre de influencers e de investidores mágicos que dão inveja a Houdini. A desvalorização do ensino superior - refletido no desmonte das universidades - e do modelo convencional de trabalho, a ameaça da inteligência artificial aos atuais postos de emprego e o incentivo ao lucro rápido tiveram peso considerável para que alcançássemos esse resultado. 

   Um fato curioso ajuda a corroborar esta análise: as páginas de grandes universidades brasileiras nas mídias sociais têm menos seguidores do que as páginas de influenciadores digitais. Vejamos, por exemplo, três instituições de diferentes estados: no Instagram, a página da USP, uma das maiores e mais bem conceituadas da América Latina, tem 421 mil seguidores; a de outra grande universidade brasileira, a PUC/RIO tem minguados 18.700; já a da UFSC tem apenas 154 mil seguidores. O número de seguidores dessas três instituições de ensino juntas é menor do que o número de seguidores de uma influenciadora como Virgínia Fonseca (a que chupou o microfone do Senado), que tem 56 milhões. A PUC/RIO consegue ter menos seguidores do que a influenciadora mirim Vicky Justus, que começou ontem na "profissão", mas já é seguida por 125 mil pessoas. Se compararmos a Carlinhos Maia, com seus 35,6 milhões de fãs de Instagram, a situação se torna vexatória.

    Há, é claro, todo tipo de influenciador digital. Alguns promovem grandes debates e reflexões, outros dançam, cantam e perguntam para os seguidores que roupa devem vestir. Aqueles que promovem o debate contribuem para a sociedade e também para as universidades, pois acabam remetendo a elas ou são, muitas vezes, frutos delas. Esse é o caso, por exemplo, de Rita von Hunty, nome artístico de Guilherme Terreri Lima Pereira, Bacharel em atuação cênica pela UNIRIO, e em literatura inglesa pela USP.

    Mas e os outros influenciadores? Como é possível explicar que aqueles que dançam ou compartilham seu dia a dia, geralmente bastante glamourosos, consigam chamar mais atenção do que uma instituição de ensino com cursos e saberes variados?

    Vilém Flusser, o pensador checo-brasileiro, talvez explique o fenômeno no livro A filosofia da Caixa Preta, publicado em 1985. Com um olhar muito à frente de seu tempo, Flusser reflete sobre o poder das imagens técnicas, ou seja, daquelas produzidas por aparelhos, em contraponto às imagens tradicionais. Enquanto "as imagens tradicionais imaginam o mundo", as imagens técnicas, de "carácter aparentemente não-simbólico, objetivo", fazem com que "seu observador as olhe como se fossem janelas e não imagens. O observador confia nas imagens técnicas tanto quanto confia em seus próprios olhos". A função por trás das imagens técnicas, de acordo com Flusser, seria então a de "emancipar a sociedade da necessidade de pensar conceitualmente".

    Dos anos 1980 até os dias de hoje, houve uma proliferação de imagens técnicas, que culmina agora na chegada das imagens produzidas pelas inteligências artificiais. Ao longo dessas últimas décadas, a "liberdade" de não precisar pensar conceitualmente, parece ter provocado uma onda de comodismo ou preguiça, que levou à perda do senso crítico. Desse modo, as pessoas passaram a confiar cada vez mais nessas imagens, sem colocá-las em xeque, ou melhor, sem considerar que elas devem, como qualquer imagem, "ser decifradas por quem deseja captar-lhe o significado", como alerta Flusser. Segundo o pensador, aliás, "decifrá-las é reconstituir os textos que tais imagens significam. Quando as imagens técnicas são corretamente decifradas, surge o mundo conceitual como sendo o seu universo de significado". Portanto, quando se contempla uma imagem técnica, como diz Flusser, o que vemos, na verdade, "não é 'o mundo', mas determinados conceitos relativos ao mundo, a despeito da automaticidade da impressão do mundo sobre a superfície da imagem".

    As redes sociais estão inundadas de imagens técnicas. Os influenciadores abusam delas, talvez não tão ingenuamente quanto se pensa. Eles parecem confiar na "magia" que elas provocam nos seguidores. A respeito dessa magia, ou "nova magia", como afirma Flusser, ela não tem a ver com ideia de elaboração de um mito, mas com a simples ritualização de um programa que não tem por objetivo "modificar o mundo lá fora", mas criar "seus receptores para um comportamento mágico programado". Em um efeito manada, influenciadores angariam novos "receptores" programados, que se encantam com aquilo que lhes é oferecido como verdade e possibilidade.

   Os influenciadores entenderam como lidar com as imagens técnicas e manipular seus seguidores, cooptando cada vez mais deles. As universidades, ao contrário, em vez de angariar mais seguidores, parecem cada vez mais encantadas com as imagens técnicas, principalmente depois das lAs, e com a sua revolução que, como disse Flusser nos anos 1980, tomou rumo diferente: as imagens técnicas "não tornam visível o conhecimento científico, mas o falseiam; não reintroduzem as imagens tradicionais, mas as substituem; não tornam visível a magia subliminar, mas a substituem por outra. Nesse sentido, as imagens técnicas passam a ser 'falsas', 'feias' e 'ruins', além de não terem sido capazes de reunificar a cultura, mas apenas de fundir a sociedade em massa amorfa".

   Como introduzir nas imagens técnicas a magia da busca pelo conhecimento se "ter" é melhor do que "ser" e até mesmo "estar"? Como reprogramar seus observadores para que ponham em xeque o que veem?

    Nesse momento, nos vem à mente uma tirinha da pequena intelectual Mafalda, criação do argentino Quino. Em um diálogo com Susanita - epítome da frivolidade -, Mafalda confessa que, quando crescer, quer "ter cultura". Susanita, por sua vez, declara que prefere vestidos e então provoca: "Se sair na rua sem cultura, você é presa?". Mafalda responde que não. E Susanita, triunfante, finaliza: "Experimente sair na rua sem vestidos". Como Mafalda, acabamos admitindo - ainda que com revolta - que Susanita tem razão. Em 2025, experimente dizer que é CLT.


Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/. Acesso em: 02 set. 2025.
Os dois períodos que compõem o terceiro parágrafo estão interligados por uma palavra sinalizadora de relação sintático-semântica de
Alternativas
Q3688667 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.


A educação e a formação já dançaram?


Dirce Waltrick do Amarante e Fedra Rodríguez


     Um jovem no primeiro ano do ensino médio é um aluno exemplar. Certo dia, ao se levantar para receber a nota máxima na feira de ciências de sua escola, ouve, entre assobios e vaias, diversos comentários. Até que uma das agressões verbais se torna o "grito de guerra" dos colegas: "Vai ser CLT! Vai ser CLT!". Deram-lhe a pena máxima, a predição de um futuro de miséria, além de colocar-lhe a pecha de fracassado. O apreço pelo estudo é um sinal claro de falta de ambição e incapacidade de faturar milhões - e, portanto, de "ter sucesso" na vida - para essa multidão berrante. Certamente, é um "crime" que merece tamanha punição, claro.

   Cenas semelhantes, embora não tenham acontecido exatamente da forma como a ficção contada aqui, já são um fato corriqueiro entre crianças, adolescentes e jovens do Brasil. Por si só, esse dado já seria de extrema preocupação, revelando o desprezo das novas gerações - doutrinadas pelo panorama contemporâneo - pelo modelo de trabalho que garante o sustento de milhões de brasileiros. Mas o problema, neste caldo de tigrinhos, dancinhas, jogadores que não jogam nem declaram impostos e que estão bilionários, é justamente o trabalho. O trabalho, da forma como até pouco tempo o concebíamos, se tornou sinônimo de burrice, por conseguinte, о conhecimento e a responsabilidade também. E não, não culpemos esses jovens, supostamente de "cabeça fraca", como já ouvimos de nossos pais e eles de nossos avós. A crise civilizatória de nosso tempo é feita de uma miríade de "subcrises", inclusive éticas e intelectuais, que envolvem e repercutem em diversas camadas sociais.

   Os mais novos, em formação, revelam o contexto complexo em que estamos imersos e reagem a ele com a prontidão e a insensatez típicas da juventude. Porém, na era das big techs megalomaníacas, dos coaches de soluções milagrosas e das celebridades instantâneas, a insensatez não é mais uma prerrogativa juvenil, embora as atitudes observadas entre indivíduos da geração alpha sejam os sintomas mais emblemáticos.

   De acordo com o Inep, entre 2013 e 2023, houve uma queda de 45,6% de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Um declínio que se acentuou com os anos de pandemia e com a crescente febre de influencers e de investidores mágicos que dão inveja a Houdini. A desvalorização do ensino superior - refletido no desmonte das universidades - e do modelo convencional de trabalho, a ameaça da inteligência artificial aos atuais postos de emprego e o incentivo ao lucro rápido tiveram peso considerável para que alcançássemos esse resultado. 

   Um fato curioso ajuda a corroborar esta análise: as páginas de grandes universidades brasileiras nas mídias sociais têm menos seguidores do que as páginas de influenciadores digitais. Vejamos, por exemplo, três instituições de diferentes estados: no Instagram, a página da USP, uma das maiores e mais bem conceituadas da América Latina, tem 421 mil seguidores; a de outra grande universidade brasileira, a PUC/RIO tem minguados 18.700; já a da UFSC tem apenas 154 mil seguidores. O número de seguidores dessas três instituições de ensino juntas é menor do que o número de seguidores de uma influenciadora como Virgínia Fonseca (a que chupou o microfone do Senado), que tem 56 milhões. A PUC/RIO consegue ter menos seguidores do que a influenciadora mirim Vicky Justus, que começou ontem na "profissão", mas já é seguida por 125 mil pessoas. Se compararmos a Carlinhos Maia, com seus 35,6 milhões de fãs de Instagram, a situação se torna vexatória.

    Há, é claro, todo tipo de influenciador digital. Alguns promovem grandes debates e reflexões, outros dançam, cantam e perguntam para os seguidores que roupa devem vestir. Aqueles que promovem o debate contribuem para a sociedade e também para as universidades, pois acabam remetendo a elas ou são, muitas vezes, frutos delas. Esse é o caso, por exemplo, de Rita von Hunty, nome artístico de Guilherme Terreri Lima Pereira, Bacharel em atuação cênica pela UNIRIO, e em literatura inglesa pela USP.

    Mas e os outros influenciadores? Como é possível explicar que aqueles que dançam ou compartilham seu dia a dia, geralmente bastante glamourosos, consigam chamar mais atenção do que uma instituição de ensino com cursos e saberes variados?

    Vilém Flusser, o pensador checo-brasileiro, talvez explique o fenômeno no livro A filosofia da Caixa Preta, publicado em 1985. Com um olhar muito à frente de seu tempo, Flusser reflete sobre o poder das imagens técnicas, ou seja, daquelas produzidas por aparelhos, em contraponto às imagens tradicionais. Enquanto "as imagens tradicionais imaginam o mundo", as imagens técnicas, de "carácter aparentemente não-simbólico, objetivo", fazem com que "seu observador as olhe como se fossem janelas e não imagens. O observador confia nas imagens técnicas tanto quanto confia em seus próprios olhos". A função por trás das imagens técnicas, de acordo com Flusser, seria então a de "emancipar a sociedade da necessidade de pensar conceitualmente".

    Dos anos 1980 até os dias de hoje, houve uma proliferação de imagens técnicas, que culmina agora na chegada das imagens produzidas pelas inteligências artificiais. Ao longo dessas últimas décadas, a "liberdade" de não precisar pensar conceitualmente, parece ter provocado uma onda de comodismo ou preguiça, que levou à perda do senso crítico. Desse modo, as pessoas passaram a confiar cada vez mais nessas imagens, sem colocá-las em xeque, ou melhor, sem considerar que elas devem, como qualquer imagem, "ser decifradas por quem deseja captar-lhe o significado", como alerta Flusser. Segundo o pensador, aliás, "decifrá-las é reconstituir os textos que tais imagens significam. Quando as imagens técnicas são corretamente decifradas, surge o mundo conceitual como sendo o seu universo de significado". Portanto, quando se contempla uma imagem técnica, como diz Flusser, o que vemos, na verdade, "não é 'o mundo', mas determinados conceitos relativos ao mundo, a despeito da automaticidade da impressão do mundo sobre a superfície da imagem".

    As redes sociais estão inundadas de imagens técnicas. Os influenciadores abusam delas, talvez não tão ingenuamente quanto se pensa. Eles parecem confiar na "magia" que elas provocam nos seguidores. A respeito dessa magia, ou "nova magia", como afirma Flusser, ela não tem a ver com ideia de elaboração de um mito, mas com a simples ritualização de um programa que não tem por objetivo "modificar o mundo lá fora", mas criar "seus receptores para um comportamento mágico programado". Em um efeito manada, influenciadores angariam novos "receptores" programados, que se encantam com aquilo que lhes é oferecido como verdade e possibilidade.

   Os influenciadores entenderam como lidar com as imagens técnicas e manipular seus seguidores, cooptando cada vez mais deles. As universidades, ao contrário, em vez de angariar mais seguidores, parecem cada vez mais encantadas com as imagens técnicas, principalmente depois das lAs, e com a sua revolução que, como disse Flusser nos anos 1980, tomou rumo diferente: as imagens técnicas "não tornam visível o conhecimento científico, mas o falseiam; não reintroduzem as imagens tradicionais, mas as substituem; não tornam visível a magia subliminar, mas a substituem por outra. Nesse sentido, as imagens técnicas passam a ser 'falsas', 'feias' e 'ruins', além de não terem sido capazes de reunificar a cultura, mas apenas de fundir a sociedade em massa amorfa".

   Como introduzir nas imagens técnicas a magia da busca pelo conhecimento se "ter" é melhor do que "ser" e até mesmo "estar"? Como reprogramar seus observadores para que ponham em xeque o que veem?

    Nesse momento, nos vem à mente uma tirinha da pequena intelectual Mafalda, criação do argentino Quino. Em um diálogo com Susanita - epítome da frivolidade -, Mafalda confessa que, quando crescer, quer "ter cultura". Susanita, por sua vez, declara que prefere vestidos e então provoca: "Se sair na rua sem cultura, você é presa?". Mafalda responde que não. E Susanita, triunfante, finaliza: "Experimente sair na rua sem vestidos". Como Mafalda, acabamos admitindo - ainda que com revolta - que Susanita tem razão. Em 2025, experimente dizer que é CLT.


Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/. Acesso em: 02 set. 2025.
Em algumas afirmações, as autoras fazem uso da estratégia persuasiva da modalização da linguagem. Essa estratégia está linguisticamente marcada no
Alternativas
Q3688666 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.


A educação e a formação já dançaram?


Dirce Waltrick do Amarante e Fedra Rodríguez


     Um jovem no primeiro ano do ensino médio é um aluno exemplar. Certo dia, ao se levantar para receber a nota máxima na feira de ciências de sua escola, ouve, entre assobios e vaias, diversos comentários. Até que uma das agressões verbais se torna o "grito de guerra" dos colegas: "Vai ser CLT! Vai ser CLT!". Deram-lhe a pena máxima, a predição de um futuro de miséria, além de colocar-lhe a pecha de fracassado. O apreço pelo estudo é um sinal claro de falta de ambição e incapacidade de faturar milhões - e, portanto, de "ter sucesso" na vida - para essa multidão berrante. Certamente, é um "crime" que merece tamanha punição, claro.

   Cenas semelhantes, embora não tenham acontecido exatamente da forma como a ficção contada aqui, já são um fato corriqueiro entre crianças, adolescentes e jovens do Brasil. Por si só, esse dado já seria de extrema preocupação, revelando o desprezo das novas gerações - doutrinadas pelo panorama contemporâneo - pelo modelo de trabalho que garante o sustento de milhões de brasileiros. Mas o problema, neste caldo de tigrinhos, dancinhas, jogadores que não jogam nem declaram impostos e que estão bilionários, é justamente o trabalho. O trabalho, da forma como até pouco tempo o concebíamos, se tornou sinônimo de burrice, por conseguinte, о conhecimento e a responsabilidade também. E não, não culpemos esses jovens, supostamente de "cabeça fraca", como já ouvimos de nossos pais e eles de nossos avós. A crise civilizatória de nosso tempo é feita de uma miríade de "subcrises", inclusive éticas e intelectuais, que envolvem e repercutem em diversas camadas sociais.

   Os mais novos, em formação, revelam o contexto complexo em que estamos imersos e reagem a ele com a prontidão e a insensatez típicas da juventude. Porém, na era das big techs megalomaníacas, dos coaches de soluções milagrosas e das celebridades instantâneas, a insensatez não é mais uma prerrogativa juvenil, embora as atitudes observadas entre indivíduos da geração alpha sejam os sintomas mais emblemáticos.

   De acordo com o Inep, entre 2013 e 2023, houve uma queda de 45,6% de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Um declínio que se acentuou com os anos de pandemia e com a crescente febre de influencers e de investidores mágicos que dão inveja a Houdini. A desvalorização do ensino superior - refletido no desmonte das universidades - e do modelo convencional de trabalho, a ameaça da inteligência artificial aos atuais postos de emprego e o incentivo ao lucro rápido tiveram peso considerável para que alcançássemos esse resultado. 

   Um fato curioso ajuda a corroborar esta análise: as páginas de grandes universidades brasileiras nas mídias sociais têm menos seguidores do que as páginas de influenciadores digitais. Vejamos, por exemplo, três instituições de diferentes estados: no Instagram, a página da USP, uma das maiores e mais bem conceituadas da América Latina, tem 421 mil seguidores; a de outra grande universidade brasileira, a PUC/RIO tem minguados 18.700; já a da UFSC tem apenas 154 mil seguidores. O número de seguidores dessas três instituições de ensino juntas é menor do que o número de seguidores de uma influenciadora como Virgínia Fonseca (a que chupou o microfone do Senado), que tem 56 milhões. A PUC/RIO consegue ter menos seguidores do que a influenciadora mirim Vicky Justus, que começou ontem na "profissão", mas já é seguida por 125 mil pessoas. Se compararmos a Carlinhos Maia, com seus 35,6 milhões de fãs de Instagram, a situação se torna vexatória.

    Há, é claro, todo tipo de influenciador digital. Alguns promovem grandes debates e reflexões, outros dançam, cantam e perguntam para os seguidores que roupa devem vestir. Aqueles que promovem o debate contribuem para a sociedade e também para as universidades, pois acabam remetendo a elas ou são, muitas vezes, frutos delas. Esse é o caso, por exemplo, de Rita von Hunty, nome artístico de Guilherme Terreri Lima Pereira, Bacharel em atuação cênica pela UNIRIO, e em literatura inglesa pela USP.

    Mas e os outros influenciadores? Como é possível explicar que aqueles que dançam ou compartilham seu dia a dia, geralmente bastante glamourosos, consigam chamar mais atenção do que uma instituição de ensino com cursos e saberes variados?

    Vilém Flusser, o pensador checo-brasileiro, talvez explique o fenômeno no livro A filosofia da Caixa Preta, publicado em 1985. Com um olhar muito à frente de seu tempo, Flusser reflete sobre o poder das imagens técnicas, ou seja, daquelas produzidas por aparelhos, em contraponto às imagens tradicionais. Enquanto "as imagens tradicionais imaginam o mundo", as imagens técnicas, de "carácter aparentemente não-simbólico, objetivo", fazem com que "seu observador as olhe como se fossem janelas e não imagens. O observador confia nas imagens técnicas tanto quanto confia em seus próprios olhos". A função por trás das imagens técnicas, de acordo com Flusser, seria então a de "emancipar a sociedade da necessidade de pensar conceitualmente".

    Dos anos 1980 até os dias de hoje, houve uma proliferação de imagens técnicas, que culmina agora na chegada das imagens produzidas pelas inteligências artificiais. Ao longo dessas últimas décadas, a "liberdade" de não precisar pensar conceitualmente, parece ter provocado uma onda de comodismo ou preguiça, que levou à perda do senso crítico. Desse modo, as pessoas passaram a confiar cada vez mais nessas imagens, sem colocá-las em xeque, ou melhor, sem considerar que elas devem, como qualquer imagem, "ser decifradas por quem deseja captar-lhe o significado", como alerta Flusser. Segundo o pensador, aliás, "decifrá-las é reconstituir os textos que tais imagens significam. Quando as imagens técnicas são corretamente decifradas, surge o mundo conceitual como sendo o seu universo de significado". Portanto, quando se contempla uma imagem técnica, como diz Flusser, o que vemos, na verdade, "não é 'o mundo', mas determinados conceitos relativos ao mundo, a despeito da automaticidade da impressão do mundo sobre a superfície da imagem".

    As redes sociais estão inundadas de imagens técnicas. Os influenciadores abusam delas, talvez não tão ingenuamente quanto se pensa. Eles parecem confiar na "magia" que elas provocam nos seguidores. A respeito dessa magia, ou "nova magia", como afirma Flusser, ela não tem a ver com ideia de elaboração de um mito, mas com a simples ritualização de um programa que não tem por objetivo "modificar o mundo lá fora", mas criar "seus receptores para um comportamento mágico programado". Em um efeito manada, influenciadores angariam novos "receptores" programados, que se encantam com aquilo que lhes é oferecido como verdade e possibilidade.

   Os influenciadores entenderam como lidar com as imagens técnicas e manipular seus seguidores, cooptando cada vez mais deles. As universidades, ao contrário, em vez de angariar mais seguidores, parecem cada vez mais encantadas com as imagens técnicas, principalmente depois das lAs, e com a sua revolução que, como disse Flusser nos anos 1980, tomou rumo diferente: as imagens técnicas "não tornam visível o conhecimento científico, mas o falseiam; não reintroduzem as imagens tradicionais, mas as substituem; não tornam visível a magia subliminar, mas a substituem por outra. Nesse sentido, as imagens técnicas passam a ser 'falsas', 'feias' e 'ruins', além de não terem sido capazes de reunificar a cultura, mas apenas de fundir a sociedade em massa amorfa".

   Como introduzir nas imagens técnicas a magia da busca pelo conhecimento se "ter" é melhor do que "ser" e até mesmo "estar"? Como reprogramar seus observadores para que ponham em xeque o que veem?

    Nesse momento, nos vem à mente uma tirinha da pequena intelectual Mafalda, criação do argentino Quino. Em um diálogo com Susanita - epítome da frivolidade -, Mafalda confessa que, quando crescer, quer "ter cultura". Susanita, por sua vez, declara que prefere vestidos e então provoca: "Se sair na rua sem cultura, você é presa?". Mafalda responde que não. E Susanita, triunfante, finaliza: "Experimente sair na rua sem vestidos". Como Mafalda, acabamos admitindo - ainda que com revolta - que Susanita tem razão. Em 2025, experimente dizer que é CLT.


Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/. Acesso em: 02 set. 2025.

Leia o período reproduzido a seguir. Considere o contexto linguístico no qual esse período está inserido.



Imagem associada para resolução da questão



As palavras em destaque foram empregadas com função coesiva

Alternativas
Q3688615 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.


Além das leis, precisamos promover o desejo por bibliotecas


Leonardo Assis


    Nos últimos 30 anos, temos acompanhado a criação de leis relacionadas às bibliotecas públicas, passando pelas escolares e, mais recentemente, chegando àquelas previstas nos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Essas medidas buscam garantir espaços legítimos de existência e atuação para as bibliotecas. Esse crescimento do interesse pela instituição é fruto do trabalho de muitos profissionais que lutam para criar espaços de fruição da informação e, consequentemente, da cultura em nossa sociedade.

    Iniciativas como essas são fundamentais. Elas expressam posicionamentos estratégicos para assegurar que a população tenha acesso a ambientes propícios ao desenvolvimento pleno do ser. Esses guerreiros, como gosto de chamá-los, são aqueles que compreenderam e valorizam o poder transformador das bibliotecas na vida em sociedade.

    Neste momento, em que um mínimo legal foi e está sendo garantido, é necessário que a sociedade compreenda a importância das bibliotecas, ou melhor, da informação, para a sua vida, tanto no aspecto material quanto simbólico. Só esse espaço plural, onde diferentes discursos coexistem e o autoritarismo não encontra lugar, pode levar a sociedade à compreensão das desigualdades e à busca por uma prosperidade que, mesmo quando individual, tem reflexos coletivos. 

    O grande desafio atual, no processo de institucionalização das leis sobre bibliotecas, é tornar esses espaços relevantes e significativos para os contextos em que estão inseridos. E isso exige uma formação profissional na área de biblioteconomia e de estudos da informação que vá além da técnica e abrace o contexto social.

    Apenas um olhar atento às comunidades atendidas poderá transformar essa realidade, fazendo com que leis e decretos deixem de ser apenas formalidades para se tornarem ações concretas. É assim que as bibliotecas, especialmente as públicas e escolares, podem assumir um papel protagonista em nossa sociedade.

    Ao olharmos para a história da humanidade, da Mesopotâmia às redes de informação contemporâneas, percebemos que o desenvolvimento das nações sempre esteve ligado ao fortalecimento de suas instituições de informação. Esse ensinamento nos coloca diante de um momento ímpar. Se já temos leis que favorecem as bibliotecas, por que elas ainda não se tornaram plenamente efetivas?

    A resposta, ainda que parcial, é clara: falta engajamento. A atuação profissional no campo das bibliotecas ainda é falha em muitos contextos. É preciso reduzir o tempo, aqui entendido como o tempo de formação, que o profissional leva para encarar o cenário real de sua prática. E essa formação não pode se restringir a métodos e formas; ela precisa instigar o desejo. Um desejo que seja coletivo, que nasça da comunidade, e não apenas da atuação isolada de um profissional diante de um acervo que, por si só, não tem valor.

    Profissionais, é preciso buscar a instalação desse desejo por bibliotecas em nossas comunidades. E esse desejo vem a partir do momento em que a sociedade percebe que os ganhos, não apenas no sentido material, são muitos quando proporcionados por uma biblioteca.


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 01 set. 2025.
Analise o parágrafo a seguir.

Ao olharmos para a história da humanidade, da Mesopotâmia às redes de informação contemporâneas, percebemos que o desenvolvimento das nações sempre esteve ligado ao fortalecimento de suas instituições de informação. Esse ensinamento nos coloca diante de um momento ímpar. Se já temos leis que favorecem as bibliotecas, por que elas ainda não se tornaram plenamente efetivas?

Em relação às orações em destaque, é correto afirmar:
Alternativas
Q3688613 Português
A questão refere-se ao texto a seguir.


Além das leis, precisamos promover o desejo por bibliotecas


Leonardo Assis


    Nos últimos 30 anos, temos acompanhado a criação de leis relacionadas às bibliotecas públicas, passando pelas escolares e, mais recentemente, chegando àquelas previstas nos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Essas medidas buscam garantir espaços legítimos de existência e atuação para as bibliotecas. Esse crescimento do interesse pela instituição é fruto do trabalho de muitos profissionais que lutam para criar espaços de fruição da informação e, consequentemente, da cultura em nossa sociedade.

    Iniciativas como essas são fundamentais. Elas expressam posicionamentos estratégicos para assegurar que a população tenha acesso a ambientes propícios ao desenvolvimento pleno do ser. Esses guerreiros, como gosto de chamá-los, são aqueles que compreenderam e valorizam o poder transformador das bibliotecas na vida em sociedade.

    Neste momento, em que um mínimo legal foi e está sendo garantido, é necessário que a sociedade compreenda a importância das bibliotecas, ou melhor, da informação, para a sua vida, tanto no aspecto material quanto simbólico. Só esse espaço plural, onde diferentes discursos coexistem e o autoritarismo não encontra lugar, pode levar a sociedade à compreensão das desigualdades e à busca por uma prosperidade que, mesmo quando individual, tem reflexos coletivos. 

    O grande desafio atual, no processo de institucionalização das leis sobre bibliotecas, é tornar esses espaços relevantes e significativos para os contextos em que estão inseridos. E isso exige uma formação profissional na área de biblioteconomia e de estudos da informação que vá além da técnica e abrace o contexto social.

    Apenas um olhar atento às comunidades atendidas poderá transformar essa realidade, fazendo com que leis e decretos deixem de ser apenas formalidades para se tornarem ações concretas. É assim que as bibliotecas, especialmente as públicas e escolares, podem assumir um papel protagonista em nossa sociedade.

    Ao olharmos para a história da humanidade, da Mesopotâmia às redes de informação contemporâneas, percebemos que o desenvolvimento das nações sempre esteve ligado ao fortalecimento de suas instituições de informação. Esse ensinamento nos coloca diante de um momento ímpar. Se já temos leis que favorecem as bibliotecas, por que elas ainda não se tornaram plenamente efetivas?

    A resposta, ainda que parcial, é clara: falta engajamento. A atuação profissional no campo das bibliotecas ainda é falha em muitos contextos. É preciso reduzir o tempo, aqui entendido como o tempo de formação, que o profissional leva para encarar o cenário real de sua prática. E essa formação não pode se restringir a métodos e formas; ela precisa instigar o desejo. Um desejo que seja coletivo, que nasça da comunidade, e não apenas da atuação isolada de um profissional diante de um acervo que, por si só, não tem valor.

    Profissionais, é preciso buscar a instalação desse desejo por bibliotecas em nossas comunidades. E esse desejo vem a partir do momento em que a sociedade percebe que os ganhos, não apenas no sentido material, são muitos quando proporcionados por uma biblioteca.


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 01 set. 2025.
Leia o excerto a seguir.

[...] pode levar a sociedade à compreensão das desigualdades e à busca por uma prosperidade que, mesmo quando individual, tem reflexos coletivos.

Sobre questões relacionadas à regência, é correto afirmar:
Alternativas
Q3686568 Português
A concordância nominal apresenta regras específicas que muitas vezes geram dúvidas, sobretudo quando há construções que envolvem substantivos compostos, adjetivos antepostos ou palavras que assumem valor variável ou invariável. Considerando as regras de concordância nominal na norma culta da língua portuguesa, assinale a alternativa em que o emprego está inteiramente correto, sem ferir nenhuma das normas descritas.
Alternativas
Q3686566 Português
A transformação da voz ativa em voz passiva pode assumir duas formas: a voz passiva analítica, e a voz passiva sintética. Correlacione corretamente os exemplos da Coluna 01 com o tipo de voz passiva apresentado na Coluna 02:

Coluna 01

(__)O contrato foi assinado pelos diretores da empresa.
(__)Vendem-se casas novas em bairro nobre da cidade.
(__)As cartas foram entregues pelo correio no prazo.
(__)Publicou-se recentemente um importante estudo científico.
(__)A lei foi aprovada pelos deputados após intenso debate.

Coluna 02

I.Voz Passiva Sintética.
II.Voz Passiva Analítica.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3686565 Português
A regência verbal representa um dos pontos mais complexos da norma culta, visto que diversos verbos apresentam alterações de complemento conforme o sentido empregado.
Considerando as regras de regência verbal da norma-padrão, assinale a alternativa em que o verbo visar está empregado corretamente, respeitando a regência correspondente ao sentido apresentado.
Alternativas
Q3686426 Português
Leia: “O projeto foi elogiado pelos professores, mas não recebeu apoio da secretaria. Os alunos, portanto, ficaram sem os recursos prometidos.” A interpretação adequada exige análise semântica dos conectores. Considerando sua função sintático-discursiva, qual alternativa apresenta explicação correta para o funcionamento dos termos destacados no enunciado?
Alternativas
Respostas
6661: A
6662: B
6663: D
6664: C
6665: C
6666: C
6667: D
6668: A
6669: B
6670: B
6671: E
6672: C
6673: A
6674: D
6675: E
6676: B
6677: C
6678: A
6679: B
6680: A