Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3727146 Português
Entenda por que o descarte errado de roupas e o acúmulo de tecidos geram um problema ambiental grave

Resíduo têxtil chega a 55 toneladas diárias só na cidade de São Paulo

    O que você faz com aquele look rasgado ou aquela lingerie velha? E o que acontece com as peças que não são vendidas nas lojas? No geral, o destino é o mesmo: tudo acaba virando resíduo têxtil. Com isso, pequenas sobras de tecido nas etapas de produção das peças, por exemplo, transformam-se em toneladas de lixo.
    “Estima-se que cerca de 40 mil toneladas de tecido são descartadas anualmente no deserto do Atacama, no Chile. Roupas não vendidas, em geral”, explica a pesquisadora de moda sustentável e coordenadora de mobilização no Fashion Revolution Brasil, Marina de Luca. Segundo ela, no Brasil, a questão é, também, um problema.
    “Ainda que vigore a política nacional de resíduos sólidos, hoje, no Brasil, não temos soluções institucionalizadas para o descarte têxtil. Cada um vai fazendo o que pode. É preciso que o poder público, unido ao privado, ofereça possibilidades de tratamento e reinserção dessa sobra têxtil, para que se possa construir uma cadeia circular”, reforça a especialista.
    Conforme dados do Residômetro Têxtil, do Instituto Sustentabilidade Têxtil e Moda, só a cidade de São Paulo coleta, em média, 20 toneladas diárias de roupas pósconsumo e 35 toneladas de resíduos de corte.
    “O Brasil é um dos maiores produtores de vestuário do mundo e o último país que ainda contém a cadeia completa desde a plantação ou extração do petróleo, passando pela produção do fio, corte e costura, e venda do produto final. Ou seja, esse é um tema essencial quando falamos de economia brasileira”, retoma Marina de Luca. O impacto ambiental da moda ultrapassa o descarte. É preciso, também, atentar-se às emissões geradas em torno das produções.
    “Além da liberação de gases, a indústria da moda é responsável pela poluição de aproximadamente 20% das águas totais do mundo. O tingimento de fios, a lavagem de tecidos e o curtimento de couro são grandes fontes de químicos altamente poluentes liberados na natureza", comenta a pesquisadora.
    O que fazer com as roupas? O ideal é buscar manter a peça útil — customizando, doando, revendendo ou algo nesse sentido. Se, realmente, tratar-se de resíduo têxtil, o material pode ser deixado em pontos de coleta. Em uma pesquisa rápida na internet, pode-se encontrar diversas iniciativas sustentáveis que fazem o reaproveitamento dos tecidos.

Fonte: Terra – adaptado.
Sobre os aspectos linguísticos do texto, analisar os itens.

I. A substituição da locução conjuntiva “para que” (último período do 3º parágrafo) por “a fim de que” manteria a relação de sentido estabelecida no trecho.
II. A inserção de uma vírgula após “peças” (2º período do 1º parágrafo) preservaria a correção gramatical e o sentido do excerto.
III. A substituição da palavra “na” (último período do 7º parágrafo) pela preposição “pela” manteria o sentido estabelecido no trecho.

Está CORRETO o que se afirma:
Alternativas
Q3727145 Português
Entenda por que o descarte errado de roupas e o acúmulo de tecidos geram um problema ambiental grave

Resíduo têxtil chega a 55 toneladas diárias só na cidade de São Paulo

    O que você faz com aquele look rasgado ou aquela lingerie velha? E o que acontece com as peças que não são vendidas nas lojas? No geral, o destino é o mesmo: tudo acaba virando resíduo têxtil. Com isso, pequenas sobras de tecido nas etapas de produção das peças, por exemplo, transformam-se em toneladas de lixo.
    “Estima-se que cerca de 40 mil toneladas de tecido são descartadas anualmente no deserto do Atacama, no Chile. Roupas não vendidas, em geral”, explica a pesquisadora de moda sustentável e coordenadora de mobilização no Fashion Revolution Brasil, Marina de Luca. Segundo ela, no Brasil, a questão é, também, um problema.
    “Ainda que vigore a política nacional de resíduos sólidos, hoje, no Brasil, não temos soluções institucionalizadas para o descarte têxtil. Cada um vai fazendo o que pode. É preciso que o poder público, unido ao privado, ofereça possibilidades de tratamento e reinserção dessa sobra têxtil, para que se possa construir uma cadeia circular”, reforça a especialista.
    Conforme dados do Residômetro Têxtil, do Instituto Sustentabilidade Têxtil e Moda, só a cidade de São Paulo coleta, em média, 20 toneladas diárias de roupas pósconsumo e 35 toneladas de resíduos de corte.
    “O Brasil é um dos maiores produtores de vestuário do mundo e o último país que ainda contém a cadeia completa desde a plantação ou extração do petróleo, passando pela produção do fio, corte e costura, e venda do produto final. Ou seja, esse é um tema essencial quando falamos de economia brasileira”, retoma Marina de Luca. O impacto ambiental da moda ultrapassa o descarte. É preciso, também, atentar-se às emissões geradas em torno das produções.
    “Além da liberação de gases, a indústria da moda é responsável pela poluição de aproximadamente 20% das águas totais do mundo. O tingimento de fios, a lavagem de tecidos e o curtimento de couro são grandes fontes de químicos altamente poluentes liberados na natureza", comenta a pesquisadora.
    O que fazer com as roupas? O ideal é buscar manter a peça útil — customizando, doando, revendendo ou algo nesse sentido. Se, realmente, tratar-se de resíduo têxtil, o material pode ser deixado em pontos de coleta. Em uma pesquisa rápida na internet, pode-se encontrar diversas iniciativas sustentáveis que fazem o reaproveitamento dos tecidos.

Fonte: Terra – adaptado.
O enunciado “Em uma pesquisa rápida na internet, podese encontrar diversas iniciativas sustentáveis que fazem o reaproveitamento dos tecidos” continuará gramaticalmente CORRETO, mesmo havendo mudança de sentido, caso se substitua o elemento sublinhado por: 
Alternativas
Q3725744 Português

Leia o texto 2 e depois responda à questão.



TEXTO 2 



    Minha mulher reclama outra vez que dormi mal, muito agitado, e gritei no sono. 



    — Você chamou sua mãe — ela diz, ainda passando a mão de leve no meu cabelo para me tranquilizar. — Parece criança. Sempre o mesmo pesadelo?



    — Sempre o mesmo. Dorme outra vez — respondo. — Dorme, está tudo bem. 



    No pesadelo preciso salvar minha mãe e não a consigo alcançar. Ela corre à minha frente no meio da bruma. No meu desespero, só enxergo seu cabelo ruivo como uma echarpe vermelha ao vento. Sou responsável por ela, mas sou pequeno demais, meus passos são curtos, ela precisa de mim e ao mesmo tempo escapa. Antes de voltar a dormir lembro quando eu era criança e ela me entregou a escova pedindo que a penteasse. O cabelo ruivo, liso e lustroso, soltava pequenos estalidos, e minha mãe riu, dizendo “estou toda elétrica hoje, viu?”. Aquele instante de felicidade não se repetiria nos nossos anos sombrios. Reaparece, aqui e ali, em algum de meus sonhos que acabam em pesadelo.



    Minha mulher acha que devo procurar ajuda. Quem sabe um bom psicólogo. Porque também me acha nervoso demais, e inseguro, não acredito em mim mesmo, e, principalmente, não acredito muito no amor dela. “Que dificuldade você tem para ser feliz”, ela reclama. Diz que pareço ter nascido órfão. Que preciso superar, tudo que aconteceu há tanto tempo. 



    Mas ela não sabe como era aquele tempo. A gente não fala muito no assunto, nem eu nem meu irmão mais moço. Ninguém sabe muita coisa da nossa infância registrada em raras fotos perdidas nas gavetas, ninguém sabe do copo escondido e da ferida exposta. Nem de minha mãe, a quem meu pai protegia de todos os modos, ajudando a disfarçar quando ela tentava ocultar o copo no vestido, na gaveta, atrás de algum objeto, no quarto, na cozinha, em qualquer lugar da casa. E quando não o conseguia, nos dias ruins podia gritar, jogar o copo nele ou dar um tapa rápido e certeiro em nós, que éramos pequenos. Nos dias bons sorria encabulada, mostrava o copo com aquele sorriso meio infantil, é água, eu estava quase esquecendo de tomar o meu remédio. 



    Não era água: era a sua perdição e a nossa desgraça. 



(LUFT, Lya. O silêncio dos amantes (p. 44- 45). Record. Edição do Kindle). 

Observe os trechos retirados do texto 2 e depois marque a alternativa correta:



I. “Minha mulher acha QUE DEVO PROCURAR AJUDA.”



II. “E quando não O conseguia, nos dias ruins podia gritar, jogar o copo nele [...]”



III. “O cabelo ruivo, liso e LUSTROSO [...]” 



IV. “[...] ela me ENTREGOU a escova pedindo que a PENTEASSE.” 

Alternativas
Q3725446 Português

Texto: O rádio não morre, se reinventa sempre. A importância do rádio na vida dos brasileiros (Joel Silva)

 

Mesmo com o avanço da internet, do “streaming” e das redes sociais, o bom e velho rádio continua presente na rotina de milhões de brasileiros. Ele está no carro, no celular, no fone de ouvido de quem trabalha, na cozinha de casa e até na palma da mão com os aplicativos. O rádio resiste porque se adapta.

Segundo dados da Kantar IBOPE Media, o rádio atinge 83% da população das grandes cidades brasileiras. Isso significa que, mesmo com tantas plataformas digitais disponíveis, o rádio permanece como um dos meios mais acessados no dia a dia. Os ouvintes escutam, em média, quatro horas de rádio por dia, especialmente no trânsito e no trabalho.

Além de ser popular, o rádio é confiável. Pesquisas apontam que o brasileiro confia mais no que ouve no rádio do que em redes sociais. A informação é percebida como mais séria, responsável e verificada. Isso fortalece o papel do rádio como canal de prestação de serviço e de jornalismo local.

Diferente de outras mídias nacionais, o rádio se destaca pela proximidade com as comunidades. Ele informa sobre a escola do bairro, a chuva que derrubou árvores, a ação da prefeitura na rua do ouvinte. É esse senso de pertencimento que faz com que muitos brasileiros se sintam representados no rádio.

Hoje, o rádio está nas plataformas digitais, nos aplicativos, em vídeo nas redes sociais e até com participação ao vivo pelo WhatsApp. Isso prova que o formato pode evoluir sem perder sua essência: ser direto, acessível e confiável. O futuro do rádio está na convergência. Quem souber integrar conteúdo, agilidade e presença digital vai continuar falando no ouvido e no coração do povo.

E aqui vai um recado aos políticos: o rádio também é, politicamente, o veículo mais democrático durante as eleições. É de fácil acesso, está em todos os lugares e não exige que o cidadão pare o que está fazendo para prestar atenção. Todo mundo ouve, todo mundo alcança. Em tempos de campanhas cada vez mais caras e distantes do povo, o rádio continua sendo o canal que fala direto com o eleitor. Ignorar o rádio é desperdiçar a chance de ser ouvido por quem realmente decide o jogo: o povo.

Mais do que um meio de comunicação, o rádio é uma companhia diária para milhões de brasileiros. Ele informa, emociona, diverte e conecta. E enquanto houver gente querendo ser ouvida, vai ter alguém do outro lado do rádio para escutar.

 

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/[...]/2025/08/1056515-oradio-nao-morre-se-reinventa-sempre-a-importanciado-radio-na-vida-dos-brasileiros.html. Acesso em 12/08/2025

“Em tempos de campanhas cada vez mais caras e distantes do povo, o rádio continua sendo o canal que fala direto com o eleitor” (6º parágrafo). A oração em destaque classifica-se como subordinada:
Alternativas
Q3725441 Português

Texto: O rádio não morre, se reinventa sempre. A importância do rádio na vida dos brasileiros (Joel Silva)

 

Mesmo com o avanço da internet, do “streaming” e das redes sociais, o bom e velho rádio continua presente na rotina de milhões de brasileiros. Ele está no carro, no celular, no fone de ouvido de quem trabalha, na cozinha de casa e até na palma da mão com os aplicativos. O rádio resiste porque se adapta.

Segundo dados da Kantar IBOPE Media, o rádio atinge 83% da população das grandes cidades brasileiras. Isso significa que, mesmo com tantas plataformas digitais disponíveis, o rádio permanece como um dos meios mais acessados no dia a dia. Os ouvintes escutam, em média, quatro horas de rádio por dia, especialmente no trânsito e no trabalho.

Além de ser popular, o rádio é confiável. Pesquisas apontam que o brasileiro confia mais no que ouve no rádio do que em redes sociais. A informação é percebida como mais séria, responsável e verificada. Isso fortalece o papel do rádio como canal de prestação de serviço e de jornalismo local.

Diferente de outras mídias nacionais, o rádio se destaca pela proximidade com as comunidades. Ele informa sobre a escola do bairro, a chuva que derrubou árvores, a ação da prefeitura na rua do ouvinte. É esse senso de pertencimento que faz com que muitos brasileiros se sintam representados no rádio.

Hoje, o rádio está nas plataformas digitais, nos aplicativos, em vídeo nas redes sociais e até com participação ao vivo pelo WhatsApp. Isso prova que o formato pode evoluir sem perder sua essência: ser direto, acessível e confiável. O futuro do rádio está na convergência. Quem souber integrar conteúdo, agilidade e presença digital vai continuar falando no ouvido e no coração do povo.

E aqui vai um recado aos políticos: o rádio também é, politicamente, o veículo mais democrático durante as eleições. É de fácil acesso, está em todos os lugares e não exige que o cidadão pare o que está fazendo para prestar atenção. Todo mundo ouve, todo mundo alcança. Em tempos de campanhas cada vez mais caras e distantes do povo, o rádio continua sendo o canal que fala direto com o eleitor. Ignorar o rádio é desperdiçar a chance de ser ouvido por quem realmente decide o jogo: o povo.

Mais do que um meio de comunicação, o rádio é uma companhia diária para milhões de brasileiros. Ele informa, emociona, diverte e conecta. E enquanto houver gente querendo ser ouvida, vai ter alguém do outro lado do rádio para escutar.

 

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/[...]/2025/08/1056515-oradio-nao-morre-se-reinventa-sempre-a-importanciado-radio-na-vida-dos-brasileiros.html. Acesso em 12/08/2025

Mesmo com o avanço da internet, do ‘streaming’ e das redes sociais, o bom e velho rádio continua presente na rotina de milhões de brasileiros” (1º parágrafo). A expressão sublinhada tem valor: 
Alternativas
Q3725355 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
Critérios mórficos, sintáticos e semânticos devem ser considerados na classificação gramatical das palavras.
A palavra “como”, por exemplo, usada quatro vezes no último parágrafo, assume valor adverbial em: 
Alternativas
Q3725353 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
Assim como no exemplo das adversativas, também é comum a ausência de enfoque nos valores argumentativos dos tipos de sujeito. O sujeito indeterminado, por exemplo, muitas vezes representa o apagamento de uma informação importante.
No texto, pode-se considerar que isso ocorre em:
Alternativas
Q3725351 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
No 2º parágrafo, o autor cita dois períodos compostos por coordenação com mesma organização sintática, mas com distintos valores argumentativos.
No caso, os valores argumentativos se expressam em diferentes ênfases dadas aos seguintes tópicos:  
Alternativas
Q3725350 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
A adversidade é um tipo de oposição, que comumente se expressa em orações coordenadas adversativas.
Outro tipo de oposição, expressa por um tipo de oração subordinada adverbial, está exemplificada em:  
Alternativas
Q3725349 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa. (1º parágrafo)
O texto de Carlos Uchôa expressa uma crítica a certa prática pedagógica recorrente no ensino de Língua Portuguesa na educação básica. A frase citada apresenta, em relação a tal prática, ideia de: 
Alternativas
Q3725340 Português

Texto 1: Quem Tem Medo da Metonímia?

 

E da metáfora? E da ironia? Na metonímia, na metáfora e na ironia, transporta-se, como diria Aristóteles, para uma coisa o nome de outra coisa. Essa é a definição aristotélica de metáfora, mas serve bem tanto à metonímia quanto à ironia. Nos três casos, dizemos uma coisa querendo dizer outra.

Por quê? Porque a metáfora é a mãe (uma metáfora) não apenas de todas as figuras de linguagem, mas também de toda a linguagem. As palavras com que designamos as coisas e as pessoas não são nem as coisas nem as pessoas: as palavras estão no lugar das coisas e das pessoas. Logo, as palavras já são metáforas.

A metonímia, foco deste artigo, também substitui um sentido por outro, mas mantendo uma relação de proximidade entre eles. Na metonímia, um termo substitui outro não porque enxergamos semelhança entre os elementos que ambos os termos designam, quando nos expressaríamos através de uma metáfora, mas sim vislumbrando uma relação de contiguidade entre o sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui.

Alguns gramáticos dizem que a função principal da linguagem figurada é a de provocar uma surpresa no leitor, fazendo com que ele preste atenção não somente no que o autor diz, mas também em como construiu o texto. Essa observação é interessante, porque mostra que as figuras de linguagem não são apenas enfeites ou ornamentos, mas também despertadores (mais uma metáfora) da consciência dos leitores. A função despertadora das metonímias fica nítida quando percebemos que elas não se restringem a palavras e frases: muitos gestos são igualmente metonímicos. Na cultura árabe, por exemplo, o gesto de mostrar a sola do sapato para outra pessoa implica insulto gravíssimo. A associação metonímica se dá com a sola do sapato, a parte do calçado que encosta na sujeira contida no chão. Por isso, na cultura muçulmana, os sapatos são proibidos de serem utilizados nas mesquitas.

A querida leitora e o querido leitor talvez esperem que eu passe a listar vários exemplos soltos de metonímia. Entretanto, é o que estou tentando não fazer, porque não compreendemos a metonímia e as demais figuras de linguagem, bem como qualquer conteúdo programático, apenas decorando listas de frases soltas e descontextualizadas. A compreensão da metonímia é, na verdade, da ordem da sociologia e da filosofia: ela nos ajuda a fazer perguntas e a estabelecer relações que não são claras a priori. Por esta razão, ao invés de listar exemplos soltos de metonímia, recordo três questões do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj que abordam a metonímia.

No Exame de Qualificação 2020, no qual o livro Hora de alimentar serpentes, da escritora ítalo-brasileira Marina Colasanti, era a leitura indicada, uma das questões partia do pequeno conto da autora intitulado “Para começar”: Desejou ter a beleza de uma árvore frondosa tatuada nas costas, copa espraiada sobre os ombros. Temendo, porém, o longo sofrimento imposto pelas agulhas, mandou tatuar na base da coluna, bem na base, a mínima semente. Sobre esse pequeno conto, se perguntava: “Na narrativa, o desejo inicial e a decisão final do personagem podem ser relacionados por meio da seguinte figura de linguagem: (A) metonímia (B) hipérbole (C) antítese (D) ironia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “A metonímia é a figura de linguagem que toma a parte pelo todo ou o todo pela parte, numa relação de contiguidade. É esta relação metonímica que se estabelece na narrativa: o desejo inicial do personagem era tatuar a árvore, mas sua decisão final foi a de tatuar uma semente. Dessa forma, a árvore representa o todo do qual a semente é uma parte.” Os candidatos deveriam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do texto e do contexto, e sim na própria narrativa. O personagem, com medo da dor no processo de tatuagem de uma árvore frondosa nas costas, prefere tatuar na base da coluna uma pequena semente, ou seja, a semente da árvore que ele desejava tatuada nas suas costas. Fica implícita, na narrativa, a esperança de que a tatuagem da árvore cresça sozinha, sem agulhas, a partir da tatuagem da semente.

No Exame Único 2023, no qual o romance Niketche: uma história de poligamia, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “As mulheres de Tony pertencem a diferentes grupos étnicos. Rami é ronga; Ju é changana; Lu é sena; Saly é maconde; Mauá é macua. Em relação a essa diversidade, na representação cultural de Moçambique, cada uma dessas mulheres pode ser compreendida pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) metonímia (D) eufemismo”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Em Niketche, todo o conflito se desenvolve em torno de Tony e suas cinco mulheres, que vêm de diferentes partes de Moçambique, país fortemente marcado pela pluralidade étnica. Pode-se dizer que Moçambique é apresentado, portanto, por essas cinco personagens, que formam uma espécie de mosaico? Sim, cada uma delas representa uma etnia, e as particularidades culturais e geográficas desses grupos são debatidas, ao longo da narrativa, por meio da ação das próprias personagens.” Novamente, os candidatos precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que pudesse ser retirada do romance, mas sim na função das personagens na própria narrativa.

Por fim, no Exame de Qualificação 2025, no qual o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “Em Quincas Borba, os personagens se movimentam no contexto de emergência do capitalismo no Brasil. Em relação a esse contexto, o protagonista Rubião pode ser melhor identificado pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) eufemismo (D) metonímia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Machado de Assis mostra, desde o primeiro parágrafo da narrativa, que seus personagens se movem no contexto do surgimento do capitalismo no Brasil. Como a metonímia é a figura de linguagem em que a parte pode representar o todo, Rubião, o personagem principal, é ele mesmo uma metonímia desse capitalismo emergente, a saber, o indivíduo que representa todos os capitalistas e todo o capitalismo. Com seu fascínio pela ostentação e seu afã de enriquecer a qualquer custo e o mais rápido possível, Rubião encarna não apenas as benesses do capitalismo, como também a possibilidade de ascensão social de um indivíduo comum, mas também, e principalmente, as mazelas desse mesmo capitalismo – como, por exemplo, a possibilidade de queda desse mesmo indivíduo.

(...)”

Esta questão se mostra semelhante àquela que vimos a respeito do romance de Paulina Chiziane. Nela, os candidatos também precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do romance, mas sim na função dos personagens na própria narrativa. Comprova-se, dessa maneira, que a compreensão da metonímia é, sim, de ordem mais ampla, abrangendo da ética – isto é, a reflexão sobre valores morais – à metafísica – isto é, à reflexão sobre a essência das coisas e das pessoas.

 

GUSTAVO BERNARDO

Adaptado de revista.vestibular.uerj.br.
No 4º parágrafo, o autor emprega o verbo “implicar” na forma transitiva direta, variante considerada de prestígio. É comum, porém, o uso desse verbo também na forma transitiva indireta, regido pela preposição “em”.
Trata-se de um caso de variação relacionado ao seguinte plano de organização da língua: 
Alternativas
Q3725205 Português
“Surgiu uma nova droga no tráfico ilegal”. O sujeito da oração deve ser classificado como um: 
Alternativas
Q3725204 Português

Observando a regência nominal dos substantivos nos itens:



I. Tenho imensa devoção para com Santo Antônio.


II. Tenho horror a pessoas preconceituosas.



Pode-se afirmar que:  

Alternativas
Q3725203 Português

Sobre a transitividade na regência dos verbos nas orações:



I. Eu vivo querendo um carro zero quilômetro. = Verbo transitivo direto


II. Quero muito aos meus amigos fiéis. = Verbo transitivo indireto



Pode-se afirmar que: 

Alternativas
Q3725200 Português
A oração em destaque: “Estou certo de que serei aprovado”, classifica-se como uma:  
Alternativas
Q3725199 Português
A conjunção em destaque na oração: “Você sabe se obteve boa nota na prova?”, deve ser classificada como uma: 
Alternativas
Q3725198 Português
A oração em destaque: “Eu sinto que se pode mudar de opinião”, classifica-se como: 
Alternativas
Q3725155 Português

Assinalar a alternativa que preenche a lacuna de forma a manter a coerência e a coesão.



Ela estava exausta com todo o serviço, _______ decidiu continuar trabalhando.

Alternativas
Q3725149 Português

Considerando as regras de regência verbal, analisar os itens.



I. É importante aliar a alimentação saudável com o exercício físico.


II. O amigo de João implicou comigo.


III. Meu colega desobedeceu os pais e foi à festa.


IV. Ela aspira o cargo de gerente da empresa.



Está CORRETO o que se afirma:

Alternativas
Q3725147 Português

Considerando a concordância nominal, analisar os itens.



I. Água é bom para hidratar a pele.


II. Minha amiga é meia tímida.


III. A água que bebemos é boa.


IV. É proibido entrada de estranhos.



Está CORRETO o que se afirma: 

Alternativas
Respostas
6321: A
6322: B
6323: B
6324: A
6325: B
6326: B
6327: C
6328: A
6329: B
6330: D
6331: B
6332: C
6333: B
6334: D
6335: B
6336: C
6337: A
6338: E
6339: A
6340: C