Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3746831 Português

Leia o texto para responder a questão.


A Fobia do Nada

Por que executivos desenvolvem aversão ao vazio produtivo


Por Claudia Miranda Gonçalves



    Um cliente meu, que é um executivo, estava há muito tempo em uma empresa e cogita uma transição. Depois de meses avaliando uma mudança de carreira, tinha clareza sobre seus próximos passos - mas ainda não tinha uma nova posição assegurada. Quando compartilhou seus planos com amigos e parentes, a reação foi unânime: “Não saia antes de ter outra coisa engatilhada.” Ele suspendeu o movimento.

    Mas o que realmente o paralisou não foi a sabedoria financeira do conselho. Foi o terror do vazio. A perspectiva de alguns meses sem título, sem função, sem a validação diária de ser “necessário” em algum lugar. O preço que ele tem pagado por evitar essa suspensão temporária de relevância? A erosão gradual de sua autoestima e dignidade, preso em uma posição que já não o serve.

    Do que você realmente tem medo quando para de produzir valor? A resposta mais honesta talvez não seja “instabilidade financeira” ou “prejuízo na carreira”. Pode ser algo muito mais primitivo: o terror do vazio, de descobrir quem você é quando não está sendo “executivo de alguma coisa”.

    Desenvolvemos uma condição comportamental devastadora: intolerância crônica ao vazio produtivo - uma incapacidade de tolerar momentos ou períodos que não geram resultado mensurável. Por trás dessa compulsão se esconde nosso maior medo: a irrelevância.

    A Dependência da Estimulação Constante

    Como o meu cliente acima, muitos de nós desenvolvemos vício comportamental nos picos de dopamina gerados pela produtividade constante. Neurocientistas identificam esse padrão: como qualquer dependência, exige doses crescentes de estímulo para manter a sensação de estar vivo, relevante e importante.

    O tédio - estado neurológico essencial para consolidação de memórias e insights genuínos - virou inimigo público #1. Transformamos cada momento de baixa estimulação em “oportunidade de desenvolvimento”. Férias e caminhadas viraram “retiros de crescimento pessoal”.

    A hipervigilância constante - estado de alerta permanente típico de ambientes de alta pressão - impede que o cérebro acesse o “modo padrão”, rede neuronal ativa durante momentos de repouso que é crucial para criatividade, autoconhecimento e regulação emocional.

    Como viciados em movimento, desenvolvemos tolerância: precisamos de cada vez mais atividade para nos sentirmos produtivos. A parada gera síndrome de abstinência real: ansiedade, culpa, sensação física de estar “desperdiçando a vida”. Mas o que realmente tememos não é desperdiçar tempo - é enfrentar a pergunta: “Quem sou eu sem meu cargo?”    

     [...]



Disponível em https://www.estadao.com.br/economia/lentes-de-decisao/a-fobia-do-nada/ 

Considere o período: “O preço que ele tem pagado por evitar essa suspensão temporária de relevância? A erosão gradual de sua autoestima e dignidade, preso em uma posição que já não o serve.”. Assinale a alternativa que faz a análise sintática e interpretativa mais precisa do trecho.  
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Q3746830 Português

Leia o texto para responder a questão.


A Fobia do Nada

Por que executivos desenvolvem aversão ao vazio produtivo


Por Claudia Miranda Gonçalves



    Um cliente meu, que é um executivo, estava há muito tempo em uma empresa e cogita uma transição. Depois de meses avaliando uma mudança de carreira, tinha clareza sobre seus próximos passos - mas ainda não tinha uma nova posição assegurada. Quando compartilhou seus planos com amigos e parentes, a reação foi unânime: “Não saia antes de ter outra coisa engatilhada.” Ele suspendeu o movimento.

    Mas o que realmente o paralisou não foi a sabedoria financeira do conselho. Foi o terror do vazio. A perspectiva de alguns meses sem título, sem função, sem a validação diária de ser “necessário” em algum lugar. O preço que ele tem pagado por evitar essa suspensão temporária de relevância? A erosão gradual de sua autoestima e dignidade, preso em uma posição que já não o serve.

    Do que você realmente tem medo quando para de produzir valor? A resposta mais honesta talvez não seja “instabilidade financeira” ou “prejuízo na carreira”. Pode ser algo muito mais primitivo: o terror do vazio, de descobrir quem você é quando não está sendo “executivo de alguma coisa”.

    Desenvolvemos uma condição comportamental devastadora: intolerância crônica ao vazio produtivo - uma incapacidade de tolerar momentos ou períodos que não geram resultado mensurável. Por trás dessa compulsão se esconde nosso maior medo: a irrelevância.

    A Dependência da Estimulação Constante

    Como o meu cliente acima, muitos de nós desenvolvemos vício comportamental nos picos de dopamina gerados pela produtividade constante. Neurocientistas identificam esse padrão: como qualquer dependência, exige doses crescentes de estímulo para manter a sensação de estar vivo, relevante e importante.

    O tédio - estado neurológico essencial para consolidação de memórias e insights genuínos - virou inimigo público #1. Transformamos cada momento de baixa estimulação em “oportunidade de desenvolvimento”. Férias e caminhadas viraram “retiros de crescimento pessoal”.

    A hipervigilância constante - estado de alerta permanente típico de ambientes de alta pressão - impede que o cérebro acesse o “modo padrão”, rede neuronal ativa durante momentos de repouso que é crucial para criatividade, autoconhecimento e regulação emocional.

    Como viciados em movimento, desenvolvemos tolerância: precisamos de cada vez mais atividade para nos sentirmos produtivos. A parada gera síndrome de abstinência real: ansiedade, culpa, sensação física de estar “desperdiçando a vida”. Mas o que realmente tememos não é desperdiçar tempo - é enfrentar a pergunta: “Quem sou eu sem meu cargo?”    

     [...]



Disponível em https://www.estadao.com.br/economia/lentes-de-decisao/a-fobia-do-nada/ 

No trecho “Como o meu cliente acima, muitos de nós desenvolvemos vício comportamental...”, a palavra “Como” estabelece uma relação sintático-semântica de
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Q3746663 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

No trecho “E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque o dietista acha que preciso perder peso”, o termo “porque” expressa:
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Q3746660 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

No trecho “Quem estará acordado agora?”, o verbo “estar” exige:
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Q3746656 Português
TEXTO 2


A flor e a náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?


Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.


Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.


Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.


Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.


Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.


Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.


Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.


Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.


Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.


Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Em “É feia. Mas é uma flor que rompe o asfalto”, o termo “que” desempenha função de:
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Q3746653 Português
TEXTO 1 


A Corrida Contra o Tempo: Reflexões sobre a
Pressa no Mundo Moderno


A correria do dia a dia é uma constante que todos conhecemos bem. Vivemos em um tempo em que a aceleração parece ser a única resposta para a demanda incessante de produtividade e resultados rápidos. Nos arrastamos de um compromisso para o outro, com os olhos sempre fixos no relógio, como se cada segundo perdido fosse um fracasso.

É interessante observar como, em meio a essa pressa generalizada, a sensação de que estamos ficando para trás cresce. Estamos sempre correndo, mas não temos a certeza de que estamos indo para o lugar certo. O mercado exige de nós que sejamos rápidos, que respondamos instantaneamente aos e-mails, que estejamos disponíveis o tempo todo, que não perca o bonde da história. “Aproveite o tempo”, nos dizem, como se fosse uma mercadoria que pode ser estocada e negociada. Mas, na prática, será que conseguimos aproveitar o tempo ou estamos apenas tentando sobreviver à velocidade do mundo em que nos inserimos?

Na sociedade digital, o tempo parece se comprimir. Tudo se torna urgente: uma atualização de status, uma notificação no celular, a chegada de uma nova mensagem. A rapidez virou sinônimo de eficiência, e as pausas, um luxo quase proibido. Quando foi que começamos a valorizar tanto o “fazer” em detrimento do “viver”?

A tecnologia tem sido Ao mesmo tempo em conexão instantânea e um motor dessa aceleração. que nos proporciona uma e facilita muitas tarefas, ela também nos priva da capacidade de desacelerar, de refletir, de saborear o momento presente. Quem se lembra de quando um encontro entre amigos podia ser uma conversa longa, sem pressa de terminar? Ou de quando um livro podia ser lido sem olhar o relógio a cada capítulo?

Claro, não podemos ignorar o fato de que a pressa é, muitas vezes, necessária. Em um mundo globalizado, as demandas são muitas e exigem respostas rápidas. O trabalho, a vida social, as responsabilidades familiares—tudo exige a nossa atenção simultaneamente. No entanto, é válido questionar até que ponto essa pressa não tem afetado nossa saúde mental, nossa capacidade de conexão genuína e, principalmente, a nossa qualidade de vida. 

Olhando para o futuro, talvez seja hora de repensarmos nossa relação com o tempo. Não estou falando de resistir às mudanças tecnológicas ou de abandonar a busca por eficiência, mas de redescobrir o valor do tempo bem vivido, não apenas consumido. Afinal, a vida não se resume à quantidade de coisas que conseguimos fazer em um dia, mas à qualidade das experiências que conseguimos vivenciar.

Em algum momento, precisamos encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de desacelerar um pouco e dar espaço para aquilo que realmente importa—o tempo para respirar, para conversar, para olhar ao redor e perceber o que o presente tem a nos oferecer. Porque, no final das contas, não é a pressa que define o valor da nossa vida, mas a forma como escolhemos viver o tempo que nos é dado.


Por Rafaella Alves Rodrigues. Portal labnoticias.jor.br (online), 2024

 
Em “Quando foi que começamos a valorizar tanto o ‘fazer’...?”, a oração introduzida por “quando” é: 
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Q3746650 Português
TEXTO 1 


A Corrida Contra o Tempo: Reflexões sobre a
Pressa no Mundo Moderno


A correria do dia a dia é uma constante que todos conhecemos bem. Vivemos em um tempo em que a aceleração parece ser a única resposta para a demanda incessante de produtividade e resultados rápidos. Nos arrastamos de um compromisso para o outro, com os olhos sempre fixos no relógio, como se cada segundo perdido fosse um fracasso.

É interessante observar como, em meio a essa pressa generalizada, a sensação de que estamos ficando para trás cresce. Estamos sempre correndo, mas não temos a certeza de que estamos indo para o lugar certo. O mercado exige de nós que sejamos rápidos, que respondamos instantaneamente aos e-mails, que estejamos disponíveis o tempo todo, que não perca o bonde da história. “Aproveite o tempo”, nos dizem, como se fosse uma mercadoria que pode ser estocada e negociada. Mas, na prática, será que conseguimos aproveitar o tempo ou estamos apenas tentando sobreviver à velocidade do mundo em que nos inserimos?

Na sociedade digital, o tempo parece se comprimir. Tudo se torna urgente: uma atualização de status, uma notificação no celular, a chegada de uma nova mensagem. A rapidez virou sinônimo de eficiência, e as pausas, um luxo quase proibido. Quando foi que começamos a valorizar tanto o “fazer” em detrimento do “viver”?

A tecnologia tem sido Ao mesmo tempo em conexão instantânea e um motor dessa aceleração. que nos proporciona uma e facilita muitas tarefas, ela também nos priva da capacidade de desacelerar, de refletir, de saborear o momento presente. Quem se lembra de quando um encontro entre amigos podia ser uma conversa longa, sem pressa de terminar? Ou de quando um livro podia ser lido sem olhar o relógio a cada capítulo?

Claro, não podemos ignorar o fato de que a pressa é, muitas vezes, necessária. Em um mundo globalizado, as demandas são muitas e exigem respostas rápidas. O trabalho, a vida social, as responsabilidades familiares—tudo exige a nossa atenção simultaneamente. No entanto, é válido questionar até que ponto essa pressa não tem afetado nossa saúde mental, nossa capacidade de conexão genuína e, principalmente, a nossa qualidade de vida. 

Olhando para o futuro, talvez seja hora de repensarmos nossa relação com o tempo. Não estou falando de resistir às mudanças tecnológicas ou de abandonar a busca por eficiência, mas de redescobrir o valor do tempo bem vivido, não apenas consumido. Afinal, a vida não se resume à quantidade de coisas que conseguimos fazer em um dia, mas à qualidade das experiências que conseguimos vivenciar.

Em algum momento, precisamos encontrar o equilíbrio. Talvez seja hora de desacelerar um pouco e dar espaço para aquilo que realmente importa—o tempo para respirar, para conversar, para olhar ao redor e perceber o que o presente tem a nos oferecer. Porque, no final das contas, não é a pressa que define o valor da nossa vida, mas a forma como escolhemos viver o tempo que nos é dado.


Por Rafaella Alves Rodrigues. Portal labnoticias.jor.br (online), 2024

 
No trecho do texto 1: “A tecnologia tem sido um motor dessa aceleração, pois proporciona conexão instantânea e facilita muitas tarefas.”
O conectivo “pois” expressa uma relação de:
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Q3746496 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
O único enunciado que NÃO mantém a impessoalidade é: 
Alternativas
Q3746493 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
A alternativa cujo enunciado NÃO admite transposição para a voz passiva se encontra em:
Alternativas
Q3746491 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Releia: “[...] pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado.” (5º§). O elemento coesivo destacado sinaliza que:
Alternativas
Q3746490 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Assinale a alternativa cuja reescrita, nos colchetes, da expressão em destaque mantém a correção gramatical quanto ao emprego da regência e do acento indicativo de crase.
Alternativas
Q3746489 Português
Gramática com sabor: “vende frango-se” e uma possível representação das passivas sintéticas no português popular

    Entre placas de mercados e anúncios improvisados, as frases “vende frango-se” e “forra banco-se” surgem como exemplos fascinantes de como a linguagem pode se adaptar às necessidades práticas do cotidiano. O deslocamento do “-se” para depois do sujeito paciente, embora desafie as regras da gramática padrão, cumpre com a missão essencial da linguagem: comunicar. Mas o que essa inversão revela? Mais do que um simples “erro gramatical”, essa construção é, na verdade, um reflexo de criatividade linguística e funcionalidade.
    Na gramática normativa, a partícula “-se” deve estar diretamente conectada ao verbo, como em “vende-se frango”. Essa configuração caracteriza a voz passiva sintética no português, em que o verbo e o pronome (no caso, “vende-se”) formam uma unidade gramatical que expressa uma ação sem agente explícito – na qual o sujeito (no exemplo, “frango”) é, semanticamente, paciente da ação. Na construção “vende frango-se”, essa unidade é rompida, com o sujeito paciente, “frango”, deslocado para uma posição imediatamente após o verbo.
    Esse deslocamento serve a uma função pragmática clara: prioriza o elemento a ser vendido como central da mensagem, conferindo-lhe maior visibilidade e destaque. A estrutura é particularmente eficaz em contextos informais, como anúncios de venda, em que a clareza e a rapidez da comunicação são essenciais. Apesar de se afastar da norma tradicional, a frase mantém a impessoalidade característica da voz passiva por meio da partícula “-se”, que continua a desempenhar sua função gramatical.
     Embora a construção seja funcional no contexto específico, é importante observar que ela representa uma adaptação que rompe com a sequência esperada da voz passiva sintética. Essa inversão é atípica em registros formais e compromete sua aceitabilidade, em que a ordem normativa “verbo-se” auxilia na decodificação mais sistemática da mensagem. No entanto, em cartazes informais, essa inversão emergente cumpre sua função comunicativa ao destacar o elemento de maior interesse: o produto ou serviço oferecido.
    Portanto, a frase “vende frango-se” demonstra como a organização sintática pode ser ajustada para atender a demandas pragmáticas específicas, sem comprometer a funcionalidade ou a clareza, desde que o contexto seja apropriado. Trata-se de um exemplo de como o uso da língua pode flexibilizar-se para alcançar objetivos comunicativos específicos, ainda que se afaste da norma-padrão.
     Por trás dessa inversão está uma questão ainda mais interessante: a voz passiva sintética, usada em “vende-se frango”, pode não ser uma estrutura produtiva na língua falada. Longe dos anúncios comerciais (“aluga-se”, “compra-se” etc.), ela soa artificial, distante, e tende a ser substituída na fala cotidiana por formas mais naturais aos falantes de português brasileiro, como “vende frango aqui” ou até “tem frango pra vender”. Essa preferência por construções diretas pode explicar por que, em contextos informais de escrita, o uso da norma-padrão se desdobra em adaptações criativas.
    A dificuldade em internalizar a passiva sintética na fala pode ser um dos motivos pelos quais sua aplicação na escrita informal é frequentemente ajustada. Nesse caso, “vende frango-se” não seria um “erro”, mas uma adaptação da língua às formas mais intuitivas e funcionais de comunicação. Isso sugere que a variante culta pode estar perdendo vitalidade em contextos práticos, afinal, a norma não é um objetivo em si mesma, mas um conjunto de ferramentas que, aqui, cede espaço à criatividade.
     A norma gramatical pode até ser uma estrada asfaltada, mas a língua popular prefere pegar atalhos. Enquanto as regras tradicionalistas insistem na “correção”, a fala das ruas faz o que precisa ser feito: comunica-se, funciona e segue em frente.
    No fim das contas, “vende frango-se” é mais do que uma frase curiosa ou um exemplo de gramática alternativa. É uma celebração da língua como um organismo vivo, flexível e profundamente humano. Ao desafiar a norma-padrão, ela nos convida a repensar o que é considerado “certo” ou “errado” na linguagem e a reconhecer que as regras existem para servir à comunicação, e não o contrário.
    Entre o rigor da gramática e a simplicidade das placas improvisadas, fica claro que a criatividade é o que mantém a língua vibrante. O frango vendido na esquina e a estrutura que o anuncia são, juntos, um lembrete de que a verdadeira riqueza linguística está na diversidade – e que a norma é apenas uma das muitas possibilidades da linguagem. 

(Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/gramatica. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Considerando as regras de concordância verbal da norma culta escrita para construções com sujeito indeterminado e com voz passiva sintética, assinale a alternativa em que o verbo foi INCORRETAMENTE flexionado na terceira pessoa do plural na frase redigida a partir do texto.
Alternativas
Q3746485 Português
A concordância do adjetivo com o substantivo constitui um dos aspectos mais relevantes da sintaxe nominal. O adjetivo pode referir-se a um ou mais substantivos, variando de acordo com o gênero e o número desses termos. Analise as afirmativas abaixo e identifique, com base nas regras da gramática normativa, quais apresentam concordância correta entre o adjetivo e o(s) substantivo(s) a que se refere.

I.A diretora e a secretária estavam satisfeita com o resultado.
II.O aluno e a aluna estavam atentos à explicação.
III.O poeta e o músico brasileira foram homenageados.
IV.O gerente e o supervisor responsável ausentaram-se da reunião.

Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3746404 Português
Leia atentamente as afirmativas abaixo sobre os vícios de linguagem:

I. O enunciado "Fui no teatro ontem com meus amigos" apresenta um solecismo de regência, pois o verbo "ir" exige a preposição "a".
II. O uso da palavra "proporam" em lugar de "propuseram" constitui um solecismo de concordância, já que o erro está na relação entre sujeito e verbo.
III. A frase "Eles não confirmaram-me o resultado" exemplifica um solecismo de colocação pronominal, uma vez que o pronome "me" não deve aparecer após o verbo em orações negativas.
IV. O enunciado "O resultado era eminente" em vez de "iminente" caracteriza um barbarismo semântico, pois há troca de sentido entre palavras semelhantes.
V. O uso da forma "adevogado" no lugar de "advogado" representa um solecismo, por envolver alteração na grafia da palavra.

Em quais afirmativas há classificação correta dos vícios de linguagem? 
Alternativas
Q3746383 Português
A análise dos termos essenciais da oração — sujeito e predicado — é fundamental para a compreensão sintática e semântica do enunciado. Assinale a alternativa em que há a presença de um sujeito na oração, segundo a norma-padrão da língua portuguesa.
Alternativas
Q3746157 Português
Observe as orações a seguir e assinale a opção em que o termo destacado NÃO exerce a função de agente da passiva, segundo a norma-padrão da língua portuguesa.
Alternativas
Q3746156 Português
O aposto e o vocativo são termos distintos, embora frequentemente confundidos por apresentarem construções semelhantes. Correlacione corretamente as orações da Coluna 1 com o tipo de termo destacado indicado na Coluna 2.

Coluna 1:
(__) João, feche a porta, por favor.
(__) Carlos Drummond de Andrade, poeta modernista, nasceu em Itabira.
(__) Ouça-me, Pedro, antes de tomar sua decisão.
(__) Brasília, capital do Brasil, foi inaugurada em 1960.
(__) Maria, você precisa estudar mais para o exame.

Coluna 2:
I.Aposto.
II.Vocativo.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3746155 Português
Observe as orações a seguir e analise o tipo de predicado presente em cada uma delas:

I. Os alunos estudaram durante toda a noite.
II. O professor permaneceu atento à explicação dos alunos.
III. A coordenadora saiu preocupada com os resultados da pesquisa.
IV. Os engenheiros consideraram o projeto inviável.

Em quais afirmativas há a presença de predicado verbo-nominal?
Alternativas
Q3745996 Português
A concordância consiste em se adaptar a palavra determinante ao gênero, número e pessoa de palavra determinada.
Com base nisso, relacione os itens da Coluna A com os da Coluna B, considerando se apresentam concordância verbal e nominal adequada ou inadequada.

Coluna A

1.Concordância adequada.
2.Concordância inadequada.

Coluna B

(__)Vai em anexo a declaração.
(__)Paisagens as mais belas possível.
(__)Cada um dos concorrentes devem preencher as fichas de inscrição.
(__)Fez-se cerca de cem anúncios.

A sequência numérica que relaciona corretamente as colunas é:
Alternativas
Q3745992 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Praticamente tudo foi dito sobre o evento e as repercussões maiores, mas pouco se fala e sabe sobre a forma desumana como são tratados milhares de heróis que acudiram às vítimas, pessoas que têm hoje graves problemas de saúde ou já morreram em resultado direto do trabalho que fizeram nos escombros e que foram abandonados pelo estado.


https://x.com/j_soares33/status/1966094685761376698
O verbo 'acudir' no trecho apresenta-se como transitivo indireto, com o sentido de socorrer, regendo a preposição 'a'. Além desse uso, pode também ser empregado com os sentidos de ajudar, lembrar ou responder. Com base nisso, examine seu emprego nos trechos a seguir:

I.A aluna acudirá ao professor quando ele a arguir.
II.Não lhe acudia no momento o endereço da loja.
III.O irmão sempre acudiu o filho.
IV.O irmão sempre acudia ao filho.

A regência está correta:
Alternativas
Respostas
6101: C
6102: D
6103: C
6104: C
6105: B
6106: B
6107: C
6108: A
6109: A
6110: C
6111: C
6112: A
6113: A
6114: C
6115: B
6116: D
6117: D
6118: A
6119: D
6120: B