Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3630499 Português
A concordância nominal e verbal é um aspecto essencial da norma-padrão da Língua Portuguesa, garantindo harmonia entre substantivos, adjetivos e verbos em número e pessoa. Analise as afirmações abaixo quanto à correção da concordância:

I. “As crianças estavam animadas com a festa.” – A frase apresenta concordância correta entre sujeito, adjetivo e verbo;
II. “As criança estavam animadas com a festa.” – Há erro de concordância, pois o substantivo está no singular e o artigo/adjetivo no plural;
III. “A crianças estava animadas com a festa.” – O artigo, o substantivo e o verbo apresentam incompatibilidade de número, configurando erro de concordância.
Alternativas
Q3630417 Português
A regência verbal corresponde à forma como determinados verbos se relacionam com seus complementos, exigindo ou não o uso de preposições específicas. Trata-se de um ponto central da norma-padrão da Língua Portuguesa, frequentemente cobrado em provas de concursos.

Analise as alternativas a seguir e assinale a frase em que a regência verbal está empregada de maneira correta.
Alternativas
Q3630416 Português
A concordância verbal consiste na adequação do verbo ao sujeito da oração, observando regras específicas que variam conforme o número, a pessoa gramatical e, em alguns casos, a impessoalidade do verbo.

Analise as alternativas abaixo e assinale aquela em que a concordância verbal está empregada de forma correta.
Alternativas
Q3629554 Português

Reaprender a ouvir estrelas

Por Helô Bacichette



(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helobacichette/noticia/2025/08/reaprender-a-ouvir-estrelas-cme39dcd50121012xflmy2iw5.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Sobre o emprego de nexos linguísticos, analise as assertivas a seguir:

I. Em “apenas para confirmar o que, desde sempre, alguém já pressentia” (l. 19), a preposição “para” indica finalidade.
II. Em “Contudo, em vez de escutar as estrelas” (l. 20), a conjunção “Contudo” pode ser substituída por “Entretanto” sem causar alteração de sentido ou incorreção ao trecho. 
III. Em “Porque cuidar da Terra exige mais coragem do que abandoná-la” (l. 26-27), as palavras sublinhadas estabelecem uma relação de comparação entre duas ações. 

Quais estão corretas?
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Q3629552 Português

Reaprender a ouvir estrelas

Por Helô Bacichette



(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helobacichette/noticia/2025/08/reaprender-a-ouvir-estrelas-cme39dcd50121012xflmy2iw5.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Considerando as funções sintáticas dos pronomes oblíquos, analise as assertivas a seguir:

I. Em “como se tudo no universo lhe pertencesse” (l. 09), o pronome oblíquo tem a função sintática de objeto indireto da forma verbal “pertencesse”.
II. No trecho “aprender a amar o chão que nos sustenta” (l. 13), o pronome oblíquo é um objeto direto da forma verbal “sustentar”.
III. Em “para simplesmente contemplá-las” (l. 29), o pronome oblíquo é um objeto indireto da forma verbal “contemplar”.

Quais estão corretas?
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Q3629075 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


Texto 3


As comunidades quilombolas, que surgiram como resistência à escravidão no Brasil, têm muito a nos ensinar quando o assunto é sustentabilidade. Beatriz Nascimento, historiadora e ativista afro-brasileira, ampliou o conceito de quilombo para além de um refúgio físico, enxergando-o como um espaço de resistência cultural, política e identitária. Mais do que resistir à opressão, os quilombos são espaços de pertencimento e autonomia, um legado que inspira lutas sociais e raciais.

Relação de interdependência com a natureza: vivendo em harmonia

Para as comunidades quilombolas, a natureza não é algo separado ou a ser explorado, mas uma força com a qual estamos interconectados. Esse entendimento sobre a interdependência entre os seres humanos e o meio ambiente é a base para a preservação dos ecossistemas.

Nas comunidades quilombolas, a ideia de “cuidar da terra” vai além de um ato de preservação: é uma prática cotidiana que visa manter o equilíbrio e promover uma convivência respeitosa e recíproca entre todos os elementos naturais.

O quilombo é um espaço de acolhimento onde se pratica uma política de relações baseada na construção coletiva. Esse ambiente reflete uma luta incessante pelos direitos sociais, pela legalização da posse de terras e pela preservação das manifestações culturais. Mais do que um local, o quilombo representa o respeito e a busca pela garantia de uma vida digna em uma sociedade que, historicamente, marginaliza os povos afrodescendentes e que, consequentemente, enfrentam barreiras como racismo e preconceito.


Disponível em: https://mandusocial.org/blog/dinamizacao-de-comunidadese-territorios/9-licoes-que-precisamos-aprender-com-as-comunidadesquilombolas/. Acesso em: 24 ago. 2025. [Adaptado].
Em “que surge como resistência à escravidão no Brasil”, a oração é
Alternativas
Q3629074 Português
Leia o Texto 3 para responder à questão.


Texto 3


As comunidades quilombolas, que surgiram como resistência à escravidão no Brasil, têm muito a nos ensinar quando o assunto é sustentabilidade. Beatriz Nascimento, historiadora e ativista afro-brasileira, ampliou o conceito de quilombo para além de um refúgio físico, enxergando-o como um espaço de resistência cultural, política e identitária. Mais do que resistir à opressão, os quilombos são espaços de pertencimento e autonomia, um legado que inspira lutas sociais e raciais.

Relação de interdependência com a natureza: vivendo em harmonia

Para as comunidades quilombolas, a natureza não é algo separado ou a ser explorado, mas uma força com a qual estamos interconectados. Esse entendimento sobre a interdependência entre os seres humanos e o meio ambiente é a base para a preservação dos ecossistemas.

Nas comunidades quilombolas, a ideia de “cuidar da terra” vai além de um ato de preservação: é uma prática cotidiana que visa manter o equilíbrio e promover uma convivência respeitosa e recíproca entre todos os elementos naturais.

O quilombo é um espaço de acolhimento onde se pratica uma política de relações baseada na construção coletiva. Esse ambiente reflete uma luta incessante pelos direitos sociais, pela legalização da posse de terras e pela preservação das manifestações culturais. Mais do que um local, o quilombo representa o respeito e a busca pela garantia de uma vida digna em uma sociedade que, historicamente, marginaliza os povos afrodescendentes e que, consequentemente, enfrentam barreiras como racismo e preconceito.


Disponível em: https://mandusocial.org/blog/dinamizacao-de-comunidadese-territorios/9-licoes-que-precisamos-aprender-com-as-comunidadesquilombolas/. Acesso em: 24 ago. 2025. [Adaptado].
No período “inspira lutas sociais e raciais”, o verbo inspirar rege
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Q3628757 Português

Durante uma reunião pedagógica, a professora Júlia propôs a seus colegas a elaboração de uma sequência didática voltada à revisão da regência verbal. Para iniciar, ela apresentou algumas frases extraídas de redações de seus alunos, solicitando que os docentes avaliassem a correção da regência verbal nas sentenças.


Observe as afirmações feitas por diferentes professores e julgue-as como V (verdadeira) ou F (falsa), com base na norma-padrão da língua portuguesa:



(__) A professora Cláudia afirmou que a frase "O atleta aspirava o título olímpico" está correta, pois o verbo aspirar, no sentido de desejar, é transitivo direto.


(__) O professor Henrique disse que a frase "Os alunos esqueceram-se da prova" está correta, pois o verbo esquecer, quando pronominal, exige preposição.


(__) A professora Lúcia corrigiu a frase "O paciente agradeceu o médico pela cirurgia" dizendo que o correto seria "agradeceu ao médico pela cirurgia".


(__) O professor Daniel comentou que a frase "Assisti o filme com meus pais" está correta, pois o verbo assistir, no sentido de presenciar, é transitivo direto.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo:

Alternativas
Q3628755 Português

Durante uma formação continuada, a professora Elaine pediu que seus colegas analisassem diferentes períodos compostos, identificando a natureza das orações subordinadas adverbiais neles presentes. Ela destacou que a classificação depende da relação semântica estabelecida entre a oração principal e a subordinada.


Relacione corretamente os períodos de acordo com o tipo de oração subordinada adverbial que apresentam:


Coluna 01 − Períodos compostos:


(__) Embora estivesse cansada, Mariana continuou corrigindo as redações até tarde.


(__) Carlos saiu apressado para que não perdesse o início da reunião.


(__) Como o material não chegou a tempo, a aula foi remarcada.


(__) Sempre que viaja a trabalho, Jonas traz lembranças para os filhos.


(__) À medida que os alunos praticavam, melhoravam o desempenho nas provas.



Coluna 02 − Tipos de orações subordinadas adverbiais:



I. Causal.


II. Temporal.


III. Concessiva.


IV. Final.


V. Proporcional.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo: 

Alternativas
Q3628754 Português

Durante uma reunião pedagógica, a professora Júlia propôs a reformulação de frases da voz ativa para a voz passiva em um material didático que seria enviado aos alunos do 9º ano. No entanto, ao revisar os exemplos sugeridos por estagiários, notou-se que alguns não atendiam à norma culta no que se refere à formação adequada da voz passiva, tanto analítica quanto sintética.


Considerando os princípios gramaticais que regem a estrutura da voz passiva na norma culta, analise as frases abaixo e assinale a alternativa em que a voz passiva está corretamente empregada, respeitando a relação entre sujeito paciente, verbo e particípio ou partícula apassivadora: 

Alternativas
Q3628753 Português

Durante a elaboração de um material didático, a professora Marina propôs aos alunos que analisassem algumas frases com foco nas regras de concordância nominal. Ela pediu que identificassem a alternativa em que a concordância nominal segue rigorosamente a norma culta, especialmente em construções com adjetivos pospostos e termos variáveis.


Considere as frases abaixo e assinale a alternativa correta segundo a norma padrão da língua:

Alternativas
Q3628752 Português

Durante uma aula de produção textual, o professor Renato pediu que seus alunos analisassem a estrutura de algumas frases retiradas de uma crônica. O objetivo era identificar corretamente as orações coordenadas sindéticas presentes no texto. Diante disso, ele propôs as seguintes sentenças para análise, solicitando que os estudantes identificassem o tipo de coordenação em cada uma delas:



I. Cheguei cedo, portanto pude escolher um bom lugar.


II. Ela estudou muito, mas não conseguiu nota suficiente para passar.


III. Quer faça sol, quer chova, iremos ao parque.


IV. Não apenas leu o livro, como também escreveu uma resenha crítica.



Com base nos conhecimentos sobre orações coordenadas sindéticas, assinale a alternativa correta: 

Alternativas
Q3628749 Português

Leia com atenção as afirmativas abaixo, feitas por um grupo de professores durante uma oficina de revisão textual:



I. A forma pronominal "mim" pode ser usada como sujeito da oração, como em: "Mim e João vamos organizar o seminário."


II. A forma pronominal "lhe" não pode ser usada como objeto direto, sendo correta em: "Entreguei-lhe o relatório."


III. A frase "Os documentos foram entregues a mim e a ele" apresenta emprego correto dos pronomes pessoais do caso oblíquo.


IV. A forma "me" pode ser usada como complemento verbal, como em: "Ela me elogiou na reunião."


V. A construção "Entre eu e você, o problema está resolvido" está gramaticalmente adequada quanto ao uso dos pronomes do caso reto. 



Em quais afirmativas há emprego correto dos pronomes pessoais segundo a norma-padrão da língua portuguesa? 

Alternativas
Q3628747 Português

Durante uma reunião pedagógica, a professora Clarice analisava enunciados de alunos com seus colegas, quando apresentou a seguinte frase escrita por um estudante:


"O aluno entrou na sala apressado e irritado com a confusão."


Considerando a classificação dos tipos de predicado segundo a gramática normativa, assinale a alternativa correta: 

Alternativas
Q3628198 Português
Leia o poema a seguir, de Cruz e Souza:

Escárnio Perfumado

Quando no enleio
De receber umas notícias tuas,
Vou-me ao correio,
Que é lá no fi m da mais cruel das ruas,

Vendo tão fartas,
D’uma fartura que ninguém colige,
As mãos dos outros, de jornais e cartas
E as minhas, nuas – isso dói, me afl ige…

E em tom de mofa,
Julgo que tudo me escarnece, apoda,
Ri, me apostrofa,

Pois fi co só e cabisbaixo, inerme,
A noite andar-me na cabeça, em roda,
Mais humilhado que um mendigo, um verme…

Disponível em https://poemassemerros.wordpress.com/cruz-e-sousa-poemas/. Acesso em 28/08/2025
No trecho “Julgo que tudo me escarnece, apoda” (verso 10), o elemento em destaque é:
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Q3627774 Português
O direito ao lazer e os direitos culturais sob uma perspectiva multidisciplinar

José Olímpio Ferreira Neto José
Davi Leite Castro
Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida


     O lazer é um conjunto de ocupações em que o indivíduo se envolve de livre vontade para repousar, para se divertir, recrear, entreter-se ou para desenvolver a sua formação desinteressada, assim como exercer a sua participação social voluntária ou manifestar sua livre capacidade criadora longe do ambiente laboral e de suas obrigações. Apesar de não haver uma consonância para a definição de lazer, é possível dizer que está em oposição ao trabalho, cuja origem está no termo latino tripaliare, um instrumento de tortura composto por três paus que remete a ideia inicial de sofrimento, de sofrer.

    Direito ao lazer, no ordenamento jurídico brasileiro, está esparso e encontra escopo no texto constitucional e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Na Constituição Brasileira de 1988, é possível observar o termo lazer no artigo 6º, que trata dos direitos sociais, devendo, assim, estar ao acesso de todos indistintamente, uma vez que é indispensável para assegurar a dignidade da pessoa humana. É preciso destacar ainda, no texto constitucional, o artigo 7º, que trata dos direitos dos trabalhadores, no qual estão assegurados, entre outros direitos, o descanso, as férias, a aposentadoria e, também, o lazer.

    O direito ao lazer é uma matéria intrinsecamente ligada ao Direito do Trabalho, pois, com o processo de urbanização, industrialização e a comunicação de massa, elementos herdados da Revolução Industrial, a discussão sobre o lazer e o seu acesso ganham destaque, pois este é essencial para a vida humana. Os direitos culturais, assim como o direito ao lazer, também têm fulcro na dignidade da pessoa humana e são garantidos pela Constituição, explicitamente no artigo 215.

    Os direitos culturais são aqueles afetos às artes, às memórias coletivas e ao fluxo dos saberes. Esses três grandes grupos representam a fruição de diversas formas de manifestação da cultura, plasmada em equipamentos culturais ou em bens patrimoniais materiais ou imateriais.

    Ao fazer a leitura do texto constitucional, é possível inferir alguns princípios, tais como o princípio do pluralismo cultural e o princípio da universalidade. Ambos garantem o pleno acesso aos bens culturais que têm gênese nos diversos povos que compõem o povo brasileiro. É preciso destacar ainda o princípio da participação popular, que garante a participação da comunidade na salvaguarda dos bens culturais e nas políticas encetadas para o setor. 

   Os entes brasileiros têm responsabilidade na promoção da cultura, garantindo o acesso a todos indistintamente. Muitos desses bens estão dispostos em equipamentos culturais que difundem as variadas expressões, tais como bibliotecas, centros culturais, teatros, museus, cinemas e parques. O estabelecimento desses bens culturais, por meio das políticas intersetoriais, favorece uma valorização dos contextos socioculturais de forma ampla, indo ao encontro das perspectivas de áreas como a Educação Física. Nesse contexto, a Educação Física e outras áreas, como a História ou mesmo o Direito, podem figurar nesses equipamentos para intervir e reforçar a ideia de construção coletiva do prazer e alegria nos momentos e ambientes de lazer, com base nas possibilidades sociais e culturais de determinado grupo/região, de forma a propiciar uma melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e favorecer a humanização desses seres diante de uma participação cidadã consciente e integrada. [...]

    É possível afirmar que a cultura, em suas várias formas de expressão, é um meio para o lazer e há relações de reciprocidade entre os campos. Os equipamentos culturais presentes em uma cidade podem ser considerados como possibilidades de lazer para seus moradores, pois é uma via onde circulam as artes, as memórias e os saberes. Sendo assim, certamente, também podem ser entendidos como equipamentos de lazer. Dessa forma, pensar em políticas intersetoriais, com agentes de diversas áreas, proporciona um olhar multidisciplinar, garantindo acesso ao lazer e aos bens culturais, assegurando uma formação humana digna e ampla. [...]

    O tempo livre, neste contexto social, aflora no homem a culpa por obtê-lo. Entretanto, para Gaelzer, “o tempo livre é oportunidade; oportunidade é liberdade; liberdade permite eleição, escolha. O valor do tempo livre vai depender do uso que lhe for atribuído”. Assim, carece no homem da sociedade de consumo a consciência diante do seu tempo e de opinar sobre ele, reconhecendo maneiras sadias de saciar suas necessidades de crescimento interior, amadurecimento, sabedoria e felicidade.


Adaptado de: https://www.conjur.com.br/2021-ago-22/opiniaodireito-lazer-direitos-culturais/. Acesso em: 10 jul. 2025.
Tendo em vista a análise de determinados elementos linguísticos presentes no seguinte trecho: “O lazer é um conjunto de ocupações em que o indivíduo se envolve de livre vontade para repousar, para se divertir, recrear, entreter-se ou para desenvolver a sua formação desinteressada [...]”, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3627773 Português
O direito ao lazer e os direitos culturais sob uma perspectiva multidisciplinar

José Olímpio Ferreira Neto José
Davi Leite Castro
Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida


     O lazer é um conjunto de ocupações em que o indivíduo se envolve de livre vontade para repousar, para se divertir, recrear, entreter-se ou para desenvolver a sua formação desinteressada, assim como exercer a sua participação social voluntária ou manifestar sua livre capacidade criadora longe do ambiente laboral e de suas obrigações. Apesar de não haver uma consonância para a definição de lazer, é possível dizer que está em oposição ao trabalho, cuja origem está no termo latino tripaliare, um instrumento de tortura composto por três paus que remete a ideia inicial de sofrimento, de sofrer.

    Direito ao lazer, no ordenamento jurídico brasileiro, está esparso e encontra escopo no texto constitucional e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Na Constituição Brasileira de 1988, é possível observar o termo lazer no artigo 6º, que trata dos direitos sociais, devendo, assim, estar ao acesso de todos indistintamente, uma vez que é indispensável para assegurar a dignidade da pessoa humana. É preciso destacar ainda, no texto constitucional, o artigo 7º, que trata dos direitos dos trabalhadores, no qual estão assegurados, entre outros direitos, o descanso, as férias, a aposentadoria e, também, o lazer.

    O direito ao lazer é uma matéria intrinsecamente ligada ao Direito do Trabalho, pois, com o processo de urbanização, industrialização e a comunicação de massa, elementos herdados da Revolução Industrial, a discussão sobre o lazer e o seu acesso ganham destaque, pois este é essencial para a vida humana. Os direitos culturais, assim como o direito ao lazer, também têm fulcro na dignidade da pessoa humana e são garantidos pela Constituição, explicitamente no artigo 215.

    Os direitos culturais são aqueles afetos às artes, às memórias coletivas e ao fluxo dos saberes. Esses três grandes grupos representam a fruição de diversas formas de manifestação da cultura, plasmada em equipamentos culturais ou em bens patrimoniais materiais ou imateriais.

    Ao fazer a leitura do texto constitucional, é possível inferir alguns princípios, tais como o princípio do pluralismo cultural e o princípio da universalidade. Ambos garantem o pleno acesso aos bens culturais que têm gênese nos diversos povos que compõem o povo brasileiro. É preciso destacar ainda o princípio da participação popular, que garante a participação da comunidade na salvaguarda dos bens culturais e nas políticas encetadas para o setor. 

   Os entes brasileiros têm responsabilidade na promoção da cultura, garantindo o acesso a todos indistintamente. Muitos desses bens estão dispostos em equipamentos culturais que difundem as variadas expressões, tais como bibliotecas, centros culturais, teatros, museus, cinemas e parques. O estabelecimento desses bens culturais, por meio das políticas intersetoriais, favorece uma valorização dos contextos socioculturais de forma ampla, indo ao encontro das perspectivas de áreas como a Educação Física. Nesse contexto, a Educação Física e outras áreas, como a História ou mesmo o Direito, podem figurar nesses equipamentos para intervir e reforçar a ideia de construção coletiva do prazer e alegria nos momentos e ambientes de lazer, com base nas possibilidades sociais e culturais de determinado grupo/região, de forma a propiciar uma melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e favorecer a humanização desses seres diante de uma participação cidadã consciente e integrada. [...]

    É possível afirmar que a cultura, em suas várias formas de expressão, é um meio para o lazer e há relações de reciprocidade entre os campos. Os equipamentos culturais presentes em uma cidade podem ser considerados como possibilidades de lazer para seus moradores, pois é uma via onde circulam as artes, as memórias e os saberes. Sendo assim, certamente, também podem ser entendidos como equipamentos de lazer. Dessa forma, pensar em políticas intersetoriais, com agentes de diversas áreas, proporciona um olhar multidisciplinar, garantindo acesso ao lazer e aos bens culturais, assegurando uma formação humana digna e ampla. [...]

    O tempo livre, neste contexto social, aflora no homem a culpa por obtê-lo. Entretanto, para Gaelzer, “o tempo livre é oportunidade; oportunidade é liberdade; liberdade permite eleição, escolha. O valor do tempo livre vai depender do uso que lhe for atribuído”. Assim, carece no homem da sociedade de consumo a consciência diante do seu tempo e de opinar sobre ele, reconhecendo maneiras sadias de saciar suas necessidades de crescimento interior, amadurecimento, sabedoria e felicidade.


Adaptado de: https://www.conjur.com.br/2021-ago-22/opiniaodireito-lazer-direitos-culturais/. Acesso em: 10 jul. 2025.
Assinale a alternativa em que a substituição proposta entre parênteses para a expressão destacada pode ser realizada sem que haja, com isso, alteração de sentido.
Alternativas
Q3627722 Português
Há oração subordinada em:
Alternativas
Q3627565 Português
O estranho ofício de escrever


   Éramos três condenados a escrever uma crônica diária em jornal: Rubem Braga no Diário de Notícias, Paulo Mendes Campos no Diário Carioca e eu no O Jornal. Um dia, numa hora de aperto, o Rubem perdeu a cerimônia: - Será que você não teria aí uma crônica pequeninha para me emprestar? Procurei uma e lhe cedi uma que talvez servisse.

   Tempos depois chegou a minha vez, e perguntei ao Rubem se não tinha uma crônica usada para servir este seu amigo. Pois não é que ele me passou a crônica que eu lhe havia cedido? Sou pobre, mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos.

   De toda crônica que publiquei na vida, houve sempre um leitor para achar que era a melhor e outro a pior que já escrevi. Nunca me esqueci do dia em que o Carlos Castello Branco me disse: — Eu, se fosse você, parava um pouco. Essa sua última crônica estava de amargar.

   Parei dois anos por causa disso.

   Quando recomecei, vez por outra recauchutava um escrito antigo, à falta de coisa melhor. Até que chegou o dia em que no meu estoque não restava senão uma, jamais republicada - justamente aquela que o Castellinho havia estigmatizado com seu implacável juízo crítico. Pois não é que veio ele me dizer, efusivo, a propósito da mesmíssima crônica: — É das melhores coisas que você já escreveu.

   Havia-se esquecido, o mandrião. E por causa dele eu passara dois anos no estaleiro.

   Quando lhe acusei a contradição, ele não se perturbou: - Agora achei boa. Ou a crônica melhorou, ou eu é que piorei.


(Adaptado de: MASSI, Augusto (org.) SABINO, Fernando. Os sabiás da crônica. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 151-152)
Está adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:
Alternativas
Respostas
5961: D
5962: D
5963: A
5964: E
5965: B
5966: A
5967: A
5968: B
5969: B
5970: A
5971: A
5972: D
5973: C
5974: D
5975: A
5976: D
5977: A
5978: C
5979: C
5980: C