Questões de Concurso
Comentadas sobre sintaxe em português
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Assinale a opção que está gramaticalmente correta.
Consagrado como espaço para a reflexão dos grandes temas mundiais, (1) o Fórum Social Mundial retorna a Porto Alegre no ano em que completa uma década. Mesmo que o encontro seja compartilhado com cinco cidades da Região Metropolitana e que outras reuniões do mesmo evento se realizem durante 2010 em vários países, Porto Alegre é o lugar-referência dos debates inaugurados em 2000. Foi a partir dessa capital que o Fórum se transformou, já no evento inaugural, numa oportunidade de congregar, anualmente, ONGs,(2) personalidades,(2) estudantes, políticos e todos os envolvidos nas discussões sobre educação,(3) ambiente, (3)economia, globalização, direitos humanos e cooperação. O debate de ideias que contribuam para a melhoria das relações humanas é a essência do Fórum, que seus organizadores esperam reforçar este ano. Organizado há 10 anos com o argumento de que era preciso criar um contraponto ao Fórum Econômico de Davos, (4) o Fórum Social sempre esteve envolvido em saudáveis controvérsias. A polêmica sobre a maior ou menor relevância de um ou de outro fórum é da natureza de qualquer debate. Esse confronto foi aos poucos diluído e prevalece hoje o entendimento de que o importante é a livre manifestação de pontos de vista e de diferenças. O importante,(5) no entanto, (5) é que o Fórum continue contribuindo para a exposição de ideias e propostas às questões mundiais.
(Zero Hora (RS), Editorial, 18/01/2010)
A Inglaterra aprovou uma lei pela qual o país terá de cortar em 80% ____ suas emissões de carbono.
O fato de as cifras virem ____ tona antes da conferência é outro sinal alentador. Esse cipoal de números torna complexa _____ discussão em Copenhague, mas não a inviabiliza. O Presidente Barack Obama anunciou que vai _____ Copenhague e que se compromete com um corte de 17% até 2020.
As palavras que, na sequência, preenchem as lacunas acima corretamente são

Com relação ao texto acima apresentado, julgue o item
Guardião das florestas e dos animais, o Curupira é um
pequeno ser com traços indígenas, cabelo de fogo e com os
pés virados para trás, que possui o dom de ficar invisível.
Dizem que o Curupira é o protetor daqueles que sabem
se relacionar com a natureza, utilizando-a apenas para a sua
sobrevivência. Ou seja, tem a proteção do Curupira o homem
que derruba árvores para construir sua casa e seus utensílios,
ou ainda para fazer seu roçado, e caça apenas para alimentarse.
Mas aqueles que derrubam a mata sem necessidade e os
que caçam indiscriminadamente têm no Curupira um terrível
inimigo e acabam caindo em suas armadilhas.
Para se vingar daqueles que destroem a floresta, o Curupira
se transforma em caça - uma paca, uma onça ou qualquer
outro bicho que atraia o caçador para o meio da mata, fazendoo
perder a noção de seu rumo e ficar dando voltas, retornando
sempre ao mesmo lugar. Outra forma de atingir os maus caçadores
é fazer com que sua arma não funcione ou que eles
sejam incapazes de acertar qualquer tipo de alvo, principalmente
a caça.
Na realidade, a lenda do Curupira revela a relação de
respeito pela vida que os índios brasileiros têm com a mata.
(Disponível em:
em: 30/11/2009)
infraestrutura implantados pelos governos militares, a Amazônia
era conhecida como o inferno verde. Uma mata fechada e
insalubre, empesteada de mosquitos e animais peçonhentos,
que deveria ser derrubada a todo custo - sempre com incentivo
público - pelos colonos, operários e garimpeiros que se aventuravam
pela região. Essa visão mudou bastante nas últimas duas
décadas, à medida que os brasileiros perceberam que a região
é um patrimônio nacional que não pode ser dilacerado sem
comprometer o futuro do próprio país.
Com seus 5 milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia
representa mais da metade do território brasileiro, 3,6%
da superfície seca do planeta, área equivalente a nove vezes o
território da França. O rio Amazonas, o maior do mundo em
extensão e volume, despeja no mar em um único dia a mesma
quantidade de água que o Tâmisa, que atravessa Londres, leva
um ano para lançar. O vapor de água que a Amazônia produz
por meio da evaporação responde por 60% das chuvas que
caem nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
Mesmo agora, com o reconhecimento de sua grandeza,
a Floresta Amazônica permanece um domínio da natureza no
qual o homem não é bem-vindo. No entanto, vivem lá 25 milhões
de brasileiros, pessoas que enfrentaram o desafio do ambiente
hostil e fincaram raízes na porção norte do país. Assusta
observar que, no intenso debate que se trava sobre a melhor
forma de preservar (ou, na maior parte das vezes, ocupar) a
floresta, esteja praticamente ausente o maior protagonista da
saga amazônica: o homem.
É uma forma atravessada de ver a situação, pois o destino
da região depende muito mais de seus habitantes do que
de medidas adotadas por autoridades do governo ou por organizações
não-governamentais. A prioridade de todas as iniciativas
deveria ser melhorar a qualidade de vida e criar condições
econômicas para que seus habitantes tenham alternativas
à exploração predatória. Só assim eles vão preservar a
floresta em vez de destruí-la, porque terão orgulho de sua
riqueza natural, única no mundo.
(O fator humano. Veja especial, São Paulo, Ano 42, Setembro
2009, pp. 22-24, com adaptações)
"Quantas divisões tem o Papa?", teria dito Stalin quando
alguém lhe sugeriu que talvez valesse a pena ser mais tolerante
com os católicos soviéticos, a fim de ganhar a simpatia de Pio
XI. Efetivamente, além de um punhado de multicoloridos
guardas suíços, o poder papal não é palpável. Ainda assim, como
bem observa o escritor Elias Canetti, "perto da Igreja, todos
os poderosos do mundo parecem diletantes".
Há estatísticas controvertidas sobre esse poder eclesiástico.
Ao mesmo tempo que uma pesquisa da Fundação Getúlio
Vargas indica que, a cada geração, cai o número de católicos
no Brasil, outra, da mesma instituição, revela que, para os
brasileiros, a única instituição democrática que funciona é a
Igreja Católica, com créditos muito superiores aos dados à
classe política. Daí os sentimentos mistos que acompanharam a
visita do papa Bento XVI ao Brasil.
"O Brasil é estratégico para a Igreja Católica. Está sendo
preparada uma Concordata entre o Vaticano e o nosso país.
Nela, todo o relacionamento entre as duas formas de poder
(religioso e civil) será revisado. Tudo o que depender da Igreja
será feito no sentido de conseguir concessões vantajosas para
o seu pastoreio, inclusive com repercussões no direito comum
interno ao Brasil (pesquisas com células-tronco, por exemplo,
aborto, e outras questões árduas)", avalia o filósofo Roberto
Romano. E prossegue: "Não são incomuns atos religiosos que
são usados para fins políticos ou diplomáticos da Igreja. Quem
olha o Cristo Redentor, no Rio, dificilmente saberá que a
estátua significa a consagração do Brasil à soberania espiritual
da Igreja, algo que corresponde à política eclesiástica de
denúncia do laicismo, do modernismo e da democracia liberal.
A educadora da USP Roseli Fischman, no artigo "Ameaça
ao Estado laico", avisa que a Concordata poderá incluir o retorno
do ensino religioso às escolas públicas. "O súbito chamamento
do MEC para tratar do ensino religioso tem repercussão
quanto à violação de direitos, em particular de minorias religiosas
e dos que têm praticado todas as formas de consciência e
crença neste país, desde a República", acredita a pesquisadora.
Por sua vez, o professor de Teologia da PUC-SP Luiz Felipe
Pondé responde assim àquela famosa pergunta de Stalin:
"Quem precisa de divisões tendo como exército a eternidade?"
(Adaptado de Carlos Haag, Pesquisa FAPESP n. 134, 2007)
Texto VI
Nossa Língua Portuguesa
Quando alguém fala com orgulho da garra da
agremiação por que torce, está-se utilizando, embora
já com uma derivação de significado, de um termo de
origem basca. Dos celtas herdamos as palavras carro,
5 cabana e cerveja. A brasa, que dominava a música
jovem dos anos sessenta, é de origem germânica,
assim como guerra e ganhar, o que prova que aqueles
bárbaros eram mesmo avançados. E é bem fácil
reconhecer a maioria das palavras árabes existentes
10 no nosso idioma por causa da presença, no início
delas, do artigo invariável al. Assim, alfazema, alfaiate,
alfange, azeite e açougue, onde o l do artigo foi assi-
milado pelas consoantes z e c.
A descoberta dessas influências faz parte do
15 estudo da nossa língua, hoje falada por mais de 180
milhões de pessoas.
Levada pelos conquistadores lusitanos, no
alvorecer da era moderna da história ocidental, ela
saiu da pequenina casa portuguesa e cruzou os
20 “mares nunca dantes navegados”, aportando em
terras longínquas de Ásia, África e América, onde veio
a adquirir novos matizes em contato com os idiomas
locais que iria sobrepujar. Atualmente seu domínio
abrange mais de 10.600.000 km2, ou seja, o equivalente
25 à sétima parte da Terra.
E dizer-se que tudo começou em eras
remotíssimas, numa parte da Itália, o Lácio, região
habitada por um povo de pastores, rude e prático, que
falava o Latim. Este, de simples dialeto que era então,
30 iria passar a língua principal da Península Itálica, à
medida que os romanos se expandiam e aprimoravam
sua cultura em contato com a grega. Dotados de um
agudíssimo tino político, legislativo e administrativo, os
latinos vão conquistar e governar, durante largo tempo,
35 um dos mais vastos impérios de que a História tem
notícia, no qual semearam, com mãos hábeis, seus
costumes e seu idioma. O nosso, oriundo do Latim,
começou a nascer quando, no século III a.C., levadas
pelas fúrias das Guerras Púnicas, as águias romanas
40 chegaram à Hispânia, e, dentro desta, à Lusitânia,
região correspondente à zona ocidental da Península
Ibérica e que abrangia a quase totalidade do Portugal
de hoje.
A realidade étnica e linguística da Hispânia era
45 das mais complexas antes da chegada dos romanos.
Bascos, iberos, tartéssios, lígures e celtas, como povos
que nela se fixaram em épocas e regiões distintas e
que ali terminaram por conviver, além de gregos e
fenícios que, como povos itinerantes, lá estabeleceram
50 suas colônias, eis a mistura de raças, costumes e
idiomas a que vão se sobrepor a cultura e a língua
latina. Esta era levada às regiões conquistadas não na
sua forma literária, escrita, mas pela boca do povo, na
sua forma popular.
55 À diferença do das pessoas, no registro dos
idiomas não há data precisa de nascimento, pois não
há linguista que possa fixar o momento do parto de uma
língua. Esta evolui paulatinamente com relação a um
idioma do qual se origina e do qual se diversifica em
60 sua fase originária, sem, no entanto, quebrar aquela
linha evolutiva que o mantém basicamente o mesmo,
apenas com fisionomia diversa, em cada etapa de sua
vida.
Daí o dever dizer-se, a bem da verdade
65 linguística, que a língua portuguesa é a fase atual
daquele Latim lusitânico que antes de ser Português
foi o Romanço lusitânico, nome que se dá ao idioma
falado naquela faixa de tempo em que o Latim come-
çou a diversificar-se inexoravelmente.
GUANABARA, Célia Therezinha O. Nossa Língua Portuguesa.
In: Enciclopédia Bloch, ano 1, no1, maio de 1967. (Adaptado)
Na construção de frases na língua portuguesa padrão, é preciso observar a regra de concordância segundo a qual o nome adjetivo concorda com o nome substantivo em gênero e número. É o que ocorre no trecho seguinte:
Texto V
O Sertanejo
O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o
raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do
litoral.
A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de
5 vista revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável,
o desempeno, a estrutura corretíssima das organiza-
ções atléticas.
Entretanto, toda esta aparência de cansaço
ilude.
10 Nada é mais surpreendente do que vê-la desa-
parecer de improviso. Naquela organização combalida
operam-se, em segundos, transmutações completas.
Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe
o desencadear das energias adormidas. O homem
15 transfigura-se. Empertiga-se; e corrigem-se-lhe,
prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os
efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura
vulgar do tabaréu canhestro, reponta inesperadamente
o aspecto dominador de um titã acobreado e potente,
20 num desdobramento surpreendente de força e
agilidade extraordinárias.
CUNHA, Euclides da. Os sertões; Campanha de Canudos. Edição,
prefácio, cronologia, notas e índices de Leopoldo M. Bernucci.
São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p. 207-208.
Com referência às palavras e expressões empregadas no texto, está correto o que se afirma em