Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q3827936 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)

Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído. 

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado. 

Há "indícios do hábito" na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil.

Sintaticamente, o termo destacado nesta frase trata-se de: 

Alternativas
Q3827631 Português
O mundo está ficando mais quente — e isso está afetando nossos cérebros.


Quando Jake tinha apenas cinco meses de idade, ele teve sua primeira convulsão do tipo tônico-clônica — seu corpinho enrijeceu e ele começou a se debater rapidamente.

"Estava muito quente no dia e ele sofreu uma hipertermia. Testemunhamos o que achávamos ser a coisa mais assustadora que veríamos na vida", declarou a mãe de Jake, Stephanie Smith. "Infelizmente, não foi."

As convulsões começaram a se repetir sempre que fazia calor. Com a chegada dos dias abafados e úmidos do verão, a família recorria a todo tipo de método para tentar manter Jake fresco, travando uma verdadeira batalha para conter as convulsões.

Aos 18 meses, após um teste genético, Jake foi diagnosticado com a Síndrome de Dravet, uma condição neurológica que inclui um tipo de epilepsia e afeta cerca de 15 mil crianças.

As convulsões costumam vir acompanhadas de deficiência intelectual e várias comorbidades, como autismo e TDAH, além de dificuldades na fala, mobilidade, alimentação e sono. O calor intenso e mudanças bruscas de temperatura podem desencadear uma crise.

Aos 13 anos, Jake já passou por incontáveis convulsões ao longo dos anos, sempre que o clima muda.

"Verões cada vez mais quentes e ondas de calor têm agravado ainda mais o desafio de conviver com essa condição, que já é devastadora por si só", afirma Stephanie

A Síndrome de Dravet é apenas uma das muitas doenças neurológicas que se agravam com o aumento das temperaturas, diz Sanjay Sisodiya, da University College London, um dos pioneiros no estudo dos impactos das mudanças climáticas sobre o cérebro.

Como neurologista especializado em epilepsia, ele ouve com frequência relatos da família de seus pacientes contando que as crises pioram durante ondas de calor.

"E eu pensei comigo mesmo: 'é claro, por que as mudanças climáticas não afetariam o cérebro. No fim das contas, muitos processos cerebrais estão envolvidos na forma como o corpo lida com o calor."

Ao se aprofundar na literatura científica, Sisodiya descobriu uma série de condições neurológicas que são agravadas pelo aumento da temperatura e da umidade, incluindo epilepsia, acidente vascular cerebral (AVC), encefalite, esclerose múltipla, enxaqueca, entre outras.

Ele também identificou que os efeitos das mudanças climáticas sobre o cérebro humano já estão se tornando visíveis.

Durante a onda de calor que atingiu a Europa em 2023, por exemplo, cerca de 7% das mortes adicionais estavam relacionadas diretamente a problemas neurológicos.

Percentuais semelhantes foram vistos durante a onda de calor no Reino Unido em 2022.

Mas o calor também pode alterar a forma como nosso cérebro funciona, nos deixando mais violentos, irritados e depressivos.

Assim, diante de um planeta que continua esquentando por causa das mudanças climáticas, qual impacto disso sobre o nosso cérebro?


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5y055gyl48o
"Verões cada vez mais quentes e ondas de calor têm agravado ainda mais o desafio de conviver com essa condição, que já é devastadora por si só", afirma Stephanie."
Com base nas regras de concordância verbal e nominal, identifique a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3827601 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.


MAR


A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.



Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…



Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.



Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…



Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…



Vocabulário


  • caravela: espécie de água-viva
  • maratimbas: do interior do Espírito Santo
  • catambá: dança popular do Espírito Santo
  • embicar: atravessar com a embarcação
  • batelão: canoa, barcaça
  • arrieiro: correnteza marítima

Avalie as frases abaixo:


1. Discutiram-se os fatos.


2. Precisam-se de bons profissionais nesta Prefeitura.


3. Fizeram-se vários concursos em 2024.


4. Necessita-se de operários para a messe.


5. Aluga-se casas.


Assinale a alternativa correta sobre as frases.


Alternativas
Q3827600 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.


MAR


A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.



Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…



Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.



Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…



Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…



Vocabulário


  • caravela: espécie de água-viva
  • maratimbas: do interior do Espírito Santo
  • catambá: dança popular do Espírito Santo
  • embicar: atravessar com a embarcação
  • batelão: canoa, barcaça
  • arrieiro: correnteza marítima

Identifique as frases abaixo como certa ( C ) ou errada ( E ), considerando a gramática normativa.


(_) Durante a discussão, ele não interviu nenhuma vez.


(_) Houve muita descrição da jovem, não se expôs à nada.


(_) O homem cuja a preocupação ultrapassa o prazer é infeliz.


(_) Houve muita discussão e ninguém chegou a um consenso.


(_) “Toda língua são rastros de velho mistério.”


Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.


Alternativas
Q3827599 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.


MAR


A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.



Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…



Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.



Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…



Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…



Vocabulário


  • caravela: espécie de água-viva
  • maratimbas: do interior do Espírito Santo
  • catambá: dança popular do Espírito Santo
  • embicar: atravessar com a embarcação
  • batelão: canoa, barcaça
  • arrieiro: correnteza marítima

Considerando a regência verbal, complete as lacunas das frases.


Quero abraçar aquele rapaz.

Quero .............. .



Não vou julgar você.

Não vou  .............. .



Isso vai pertencer ao rapaz. 

Isso vai .............. .



Deves obedecer sempre aos mais velhos. 

Deve .............. sempre.



Vai contar à outra a fofoca?

Vai  .............. a fofoca?



Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.


Alternativas
Q3827595 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.


MAR


A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.



Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…



Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.



Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…



Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…



Vocabulário


  • caravela: espécie de água-viva
  • maratimbas: do interior do Espírito Santo
  • catambá: dança popular do Espírito Santo
  • embicar: atravessar com a embarcação
  • batelão: canoa, barcaça
  • arrieiro: correnteza marítima

Observe as frases.


1. Fomos ver o mar.

2. Era de manhã, fazia sol.

3. De repente houve um grito: o mar.


Assinale a alternativa que mostra uma afirmação correta.


Alternativas
Q3827553 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 

A 'quase-lua' da Terra escondida há décadas — e que não está sozinha

Astrônomos descobriram que a Terra ganhou um novo companheiro: uma quase-lua que deverá permanecer próxima até cerca de 2083. Esses objetos não são luas de fato, pois não orbitam diretamente o planeta, mas acompanham sua trajetória ao redor do Sol, mantendo-se nas proximidades por longos períodos.
O asteroide, com cerca de vinte metros de comprimento, viaja em sintonia com a Terra há décadas e deve continuar assim por mais alguns anos, segundo cálculos baseados em sua órbita. Ele foi identificado por telescópios dedicados à observação de objetos próximos da Terra. Com essa descoberta, já são várias as quase-luas conhecidas, além de algumas miniluas e possíveis luas-fantasma.
As quase-luas parecem, do ponto de vista terrestre, girar em torno do planeta, mas na verdade orbitam o Sol em trajetórias muito semelhantes à da Terra. Durante esse percurso, sofrem leve influência da gravidade terrestre, que as faz se aproximar ou se afastar periodicamente. Todas são temporárias e podem permanecer nessa condição por décadas ou até mais de um século.
As miniluas, por sua vez, são pequenos asteroides que chegam a ficar realmente em órbita da Terra por curtos períodos, geralmente inferiores a um ano. São difíceis de detectar por seu tamanho reduzido. A última observada tinha cerca de dez metros e permaneceu apenas alguns meses nas proximidades, antes de retornar a uma órbita ao redor do Sol. Há indícios de que alguns desses objetos sejam fragmentos desprendidos da própria Lua após antigos impactos.
As chamadas luas-fantasma seriam nuvens de poeira que acompanham a órbita terrestre, posicionadas em pontos relativamente estáveis à frente ou atrás do planeta. Sua existência, porém, ainda não é consenso na ciência, embora seja considerada possível devido à presença abundante de poeira no espaço.
Apesar de sua proximidade em termos astronômicos, esses objetos não representam risco para a Terra. Mesmo no ponto mais próximo, permanecem bem mais distantes do que a Lua. E, caso se aproximassem mais, isso ocorreria de forma lenta, permitindo monitoramento e resposta.
Quase-luas também já foram identificadas em outros planetas do sistema solar. Seu estudo só se tornou possível recentemente, graças ao avanço dos telescópios e da modelagem computacional, que permitiram detectar objetos muito tênues e compreender melhor seus movimentos.
Essas descobertas reforçam a noção de que o sistema solar é um ambiente ativo e dinâmico, em constante transformação, longe de ser um espaço imóvel ou estático.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly4179rkgko.adaptado.
O asteroide, com cerca de vinte metros de comprimento, "viaja" em sintonia com a Terra há décadas.
De acordo com as regras de regência verbal, o verbo destacado nesta frase funciona como:
Alternativas
Q3827552 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 

A 'quase-lua' da Terra escondida há décadas — e que não está sozinha

Astrônomos descobriram que a Terra ganhou um novo companheiro: uma quase-lua que deverá permanecer próxima até cerca de 2083. Esses objetos não são luas de fato, pois não orbitam diretamente o planeta, mas acompanham sua trajetória ao redor do Sol, mantendo-se nas proximidades por longos períodos.
O asteroide, com cerca de vinte metros de comprimento, viaja em sintonia com a Terra há décadas e deve continuar assim por mais alguns anos, segundo cálculos baseados em sua órbita. Ele foi identificado por telescópios dedicados à observação de objetos próximos da Terra. Com essa descoberta, já são várias as quase-luas conhecidas, além de algumas miniluas e possíveis luas-fantasma.
As quase-luas parecem, do ponto de vista terrestre, girar em torno do planeta, mas na verdade orbitam o Sol em trajetórias muito semelhantes à da Terra. Durante esse percurso, sofrem leve influência da gravidade terrestre, que as faz se aproximar ou se afastar periodicamente. Todas são temporárias e podem permanecer nessa condição por décadas ou até mais de um século.
As miniluas, por sua vez, são pequenos asteroides que chegam a ficar realmente em órbita da Terra por curtos períodos, geralmente inferiores a um ano. São difíceis de detectar por seu tamanho reduzido. A última observada tinha cerca de dez metros e permaneceu apenas alguns meses nas proximidades, antes de retornar a uma órbita ao redor do Sol. Há indícios de que alguns desses objetos sejam fragmentos desprendidos da própria Lua após antigos impactos.
As chamadas luas-fantasma seriam nuvens de poeira que acompanham a órbita terrestre, posicionadas em pontos relativamente estáveis à frente ou atrás do planeta. Sua existência, porém, ainda não é consenso na ciência, embora seja considerada possível devido à presença abundante de poeira no espaço.
Apesar de sua proximidade em termos astronômicos, esses objetos não representam risco para a Terra. Mesmo no ponto mais próximo, permanecem bem mais distantes do que a Lua. E, caso se aproximassem mais, isso ocorreria de forma lenta, permitindo monitoramento e resposta.
Quase-luas também já foram identificadas em outros planetas do sistema solar. Seu estudo só se tornou possível recentemente, graças ao avanço dos telescópios e da modelagem computacional, que permitiram detectar objetos muito tênues e compreender melhor seus movimentos.
Essas descobertas reforçam a noção de que o sistema solar é um ambiente ativo e dinâmico, em constante transformação, longe de ser um espaço imóvel ou estático.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly4179rkgko.adaptado.
"A última observada tinha cerca de dez metros" e permaneceu apenas alguns meses nas proximidades, antes de retornar a uma órbita ao redor do Sol.
Sintaticamente, é correto afirmar que, na oração destacada,
Alternativas
Q3827517 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 

A 'quase-lua' da Terra escondida há décadas — e que não está sozinha

Astrônomos descobriram que a Terra ganhou um novo companheiro: uma quase-lua que deverá permanecer próxima até cerca de 2083. Esses objetos não são luas de fato, pois não orbitam diretamente o planeta, mas acompanham sua trajetória ao redor do Sol, mantendo-se nas proximidades por longos períodos.
O asteroide, com cerca de vinte metros de comprimento, viaja em sintonia com a Terra há décadas e deve continuar assim por mais alguns anos, segundo cálculos baseados em sua órbita. Ele foi identificado por telescópios dedicados à observação de objetos próximos da Terra. Com essa descoberta, já são várias as quase-luas conhecidas, além de algumas miniluas e possíveis luas-fantasma.
As quase-luas parecem, do ponto de vista terrestre, girar em torno do planeta, mas na verdade orbitam o Sol em trajetórias muito semelhantes à da Terra. Durante esse percurso, sofrem leve influência da gravidade terrestre, que as faz se aproximar ou se afastar periodicamente. Todas são temporárias e podem permanecer nessa condição por décadas ou até mais de um século.
As miniluas, por sua vez, são pequenos asteroides que chegam a ficar realmente em órbita da Terra por curtos períodos, geralmente inferiores a um ano. São difíceis de detectar por seu tamanho reduzido. A última observada tinha cerca de dez metros e permaneceu apenas alguns meses nas proximidades, antes de retornar a uma órbita ao redor do Sol. Há indícios de que alguns desses objetos sejam fragmentos desprendidos da própria Lua após antigos impactos.
As chamadas luas-fantasma seriam nuvens de poeira que acompanham a órbita terrestre, posicionadas em pontos relativamente estáveis à frente ou atrás do planeta. Sua existência, porém, ainda não é consenso na ciência, embora seja considerada possível devido à presença abundante de poeira no espaço.
Apesar de sua proximidade em termos astronômicos, esses objetos não representam risco para a Terra. Mesmo no ponto mais próximo, permanecem bem mais distantes do que a Lua. E, caso se aproximassem mais, isso ocorreria de forma lenta, permitindo monitoramento e resposta.
Quase-luas também já foram identificadas em outros planetas do sistema solar. Seu estudo só se tornou possível recentemente, graças ao avanço dos telescópios e da modelagem computacional, que permitiram detectar objetos muito tênues e compreender melhor seus movimentos.
Essas descobertas reforçam a noção de que o sistema solar é um ambiente ativo e dinâmico, em constante transformação, longe de ser um espaço imóvel ou estático.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly4179rkgko.adaptado.
"A última observada tinha cerca de dez metros" e permaneceu apenas alguns meses nas proximidades, antes de retornar a uma órbita ao redor do Sol.
Sintaticamente, é correto afirmar que, na oração destacada, 
Alternativas
Q3827514 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 

A 'quase-lua' da Terra escondida há décadas — e que não está sozinha

Astrônomos descobriram que a Terra ganhou um novo companheiro: uma quase-lua que deverá permanecer próxima até cerca de 2083. Esses objetos não são luas de fato, pois não orbitam diretamente o planeta, mas acompanham sua trajetória ao redor do Sol, mantendo-se nas proximidades por longos períodos.
O asteroide, com cerca de vinte metros de comprimento, viaja em sintonia com a Terra há décadas e deve continuar assim por mais alguns anos, segundo cálculos baseados em sua órbita. Ele foi identificado por telescópios dedicados à observação de objetos próximos da Terra. Com essa descoberta, já são várias as quase-luas conhecidas, além de algumas miniluas e possíveis luas-fantasma.
As quase-luas parecem, do ponto de vista terrestre, girar em torno do planeta, mas na verdade orbitam o Sol em trajetórias muito semelhantes à da Terra. Durante esse percurso, sofrem leve influência da gravidade terrestre, que as faz se aproximar ou se afastar periodicamente. Todas são temporárias e podem permanecer nessa condição por décadas ou até mais de um século.
As miniluas, por sua vez, são pequenos asteroides que chegam a ficar realmente em órbita da Terra por curtos períodos, geralmente inferiores a um ano. São difíceis de detectar por seu tamanho reduzido. A última observada tinha cerca de dez metros e permaneceu apenas alguns meses nas proximidades, antes de retornar a uma órbita ao redor do Sol. Há indícios de que alguns desses objetos sejam fragmentos desprendidos da própria Lua após antigos impactos.
As chamadas luas-fantasma seriam nuvens de poeira que acompanham a órbita terrestre, posicionadas em pontos relativamente estáveis à frente ou atrás do planeta. Sua existência, porém, ainda não é consenso na ciência, embora seja considerada possível devido à presença abundante de poeira no espaço.
Apesar de sua proximidade em termos astronômicos, esses objetos não representam risco para a Terra. Mesmo no ponto mais próximo, permanecem bem mais distantes do que a Lua. E, caso se aproximassem mais, isso ocorreria de forma lenta, permitindo monitoramento e resposta.
Quase-luas também já foram identificadas em outros planetas do sistema solar. Seu estudo só se tornou possível recentemente, graças ao avanço dos telescópios e da modelagem computacional, que permitiram detectar objetos muito tênues e compreender melhor seus movimentos.
Essas descobertas reforçam a noção de que o sistema solar é um ambiente ativo e dinâmico, em constante transformação, longe de ser um espaço imóvel ou estático.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cly4179rkgko.adaptado.
O asteroide, com cerca de vinte metros de comprimento, "viaja" em sintonia com a Terra há décadas. 
De acordo com as regras de regência verbal, o verbo destacado nesta frase funciona como: 
Alternativas
Q3827467 Português
O mundo está ficando mais quente — e isso está afetando nossos cérebros.


Quando Jake tinha apenas cinco meses de idade, ele teve sua primeira convulsão do tipo tônico-clônica — seu corpinho enrijeceu e ele começou a se debater rapidamente.

"Estava muito quente no dia e ele sofreu uma hipertermia. Testemunhamos o que achávamos ser a coisa mais assustadora que veríamos na vida", declarou a mãe de Jake, Stephanie Smith. "Infelizmente, não foi."

As convulsões começaram a se repetir sempre que fazia calor. Com a chegada dos dias abafados e úmidos do verão, a família recorria a todo tipo de método para tentar manter Jake fresco, travando uma verdadeira batalha para conter as convulsões.

Aos 18 meses, após um teste genético, Jake foi diagnosticado com a Síndrome de Dravet, uma condição neurológica que inclui um tipo de epilepsia e afeta cerca de 15 mil crianças.

As convulsões costumam vir acompanhadas de deficiência intelectual e várias comorbidades, como autismo e TDAH, além de dificuldades na fala, mobilidade, alimentação e sono. O calor intenso e mudanças bruscas de temperatura podem desencadear uma crise.

Aos 13 anos, Jake já passou por incontáveis convulsões ao longo dos anos, sempre que o clima muda.

"Verões cada vez mais quentes e ondas de calor têm agravado ainda mais o desafio de conviver com essa condição, que já é devastadora por si só", afirma Stephanie

A Síndrome de Dravet é apenas uma das muitas doenças neurológicas que se agravam com o aumento das temperaturas, diz Sanjay Sisodiya, da University College London, um dos pioneiros no estudo dos impactos das mudanças climáticas sobre o cérebro.

Como neurologista especializado em epilepsia, ele ouve com frequência relatos da família de seus pacientes contando que as crises pioram durante ondas de calor.

"E eu pensei comigo mesmo: 'é claro, por que as mudanças climáticas não afetariam o cérebro. No fim das contas, muitos processos cerebrais estão envolvidos na forma como o corpo lida com o calor."

Ao se aprofundar na literatura científica, Sisodiya descobriu uma série de condições neurológicas que são agravadas pelo aumento da temperatura e da umidade, incluindo epilepsia, acidente vascular cerebral (AVC), encefalite, esclerose múltipla, enxaqueca, entre outras.

Ele também identificou que os efeitos das mudanças climáticas sobre o cérebro humano já estão se tornando visíveis.

Durante a onda de calor que atingiu a Europa em 2023, por exemplo, cerca de 7% das mortes adicionais estavam relacionadas diretamente a problemas neurológicos.

Percentuais semelhantes foram vistos durante a onda de calor no Reino Unido em 2022.

Mas o calor também pode alterar a forma como nosso cérebro funciona, nos deixando mais violentos, irritados e depressivos.

Assim, diante de um planeta que continua esquentando por causa das mudanças climáticas, qual impacto disso sobre o nosso cérebro?


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5y055gyl48o
"Verões cada vez mais quentes e ondas de calor têm agravado ainda mais o desafio de conviver com essa condição, que já é devastadora por si só", afirma Stephanie."
Com base nas regras de concordância verbal e nominal, identifique a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3827463 Português
O mundo está ficando mais quente — e isso está afetando nossos cérebros.


Quando Jake tinha apenas cinco meses de idade, ele teve sua primeira convulsão do tipo tônico-clônica — seu corpinho enrijeceu e ele começou a se debater rapidamente.

"Estava muito quente no dia e ele sofreu uma hipertermia. Testemunhamos o que achávamos ser a coisa mais assustadora que veríamos na vida", declarou a mãe de Jake, Stephanie Smith. "Infelizmente, não foi."

As convulsões começaram a se repetir sempre que fazia calor. Com a chegada dos dias abafados e úmidos do verão, a família recorria a todo tipo de método para tentar manter Jake fresco, travando uma verdadeira batalha para conter as convulsões.

Aos 18 meses, após um teste genético, Jake foi diagnosticado com a Síndrome de Dravet, uma condição neurológica que inclui um tipo de epilepsia e afeta cerca de 15 mil crianças.

As convulsões costumam vir acompanhadas de deficiência intelectual e várias comorbidades, como autismo e TDAH, além de dificuldades na fala, mobilidade, alimentação e sono. O calor intenso e mudanças bruscas de temperatura podem desencadear uma crise.

Aos 13 anos, Jake já passou por incontáveis convulsões ao longo dos anos, sempre que o clima muda.

"Verões cada vez mais quentes e ondas de calor têm agravado ainda mais o desafio de conviver com essa condição, que já é devastadora por si só", afirma Stephanie

A Síndrome de Dravet é apenas uma das muitas doenças neurológicas que se agravam com o aumento das temperaturas, diz Sanjay Sisodiya, da University College London, um dos pioneiros no estudo dos impactos das mudanças climáticas sobre o cérebro.

Como neurologista especializado em epilepsia, ele ouve com frequência relatos da família de seus pacientes contando que as crises pioram durante ondas de calor.

"E eu pensei comigo mesmo: 'é claro, por que as mudanças climáticas não afetariam o cérebro. No fim das contas, muitos processos cerebrais estão envolvidos na forma como o corpo lida com o calor."

Ao se aprofundar na literatura científica, Sisodiya descobriu uma série de condições neurológicas que são agravadas pelo aumento da temperatura e da umidade, incluindo epilepsia, acidente vascular cerebral (AVC), encefalite, esclerose múltipla, enxaqueca, entre outras.

Ele também identificou que os efeitos das mudanças climáticas sobre o cérebro humano já estão se tornando visíveis.

Durante a onda de calor que atingiu a Europa em 2023, por exemplo, cerca de 7% das mortes adicionais estavam relacionadas diretamente a problemas neurológicos.

Percentuais semelhantes foram vistos durante a onda de calor no Reino Unido em 2022.

Mas o calor também pode alterar a forma como nosso cérebro funciona, nos deixando mais violentos, irritados e depressivos.

Assim, diante de um planeta que continua esquentando por causa das mudanças climáticas, qual impacto disso sobre o nosso cérebro?


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5y055gyl48o
"E eu pensei comigo mesmo: 'é claro, por que as mudanças climáticas não afetariam o cérebro."
Considerando as regras de colocação pronominal, identifique a alternativa que apresenta a substituição CORRETA do termo destacado por um pronome oblíquo. 
Alternativas
Q3827431 Português
Tom Vanderbilt despertou para a importância do aprendizado ao perceber a contradição entre incentivar a filha a explorar novas habilidades e, ao mesmo tempo, não se envolver em nenhum processo semelhante.
Em relação à concordância verbal, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3827429 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.

Como aprender qualquer coisa do zero

Tom Vanderbilt despertou para a importância do aprendizado ao perceber a contradição entre incentivar a filha a explorar novas habilidades e, ao mesmo tempo, não se envolver em nenhum processo semelhante. Decidiu, então, dedicar um ano a aprender diversas competências — xadrez, canto, desenho, malabarismo e surfe — não para se tornar especialista, mas para redescobrir o prazer genuíno de aprender. Em seu livro denominado Principiantes, ele narra essa experiência unindo relatos pessoais a pesquisas científicas sobre aquisição de habilidades e sobre os benefícios da chamada mentalidade de principiante, especialmente relevante na vida adulta.

Embora crianças captem padrões e relações com mais facilidade, adultos ainda preservam um grau significativo de neuroplasticidade, permitindo que o cérebro se reorganize diante de novos desafios.
Vanderbilt constatou que aprender com os próprios erros — por meio da prática deliberada — é fundamental, assim como variar os treinos para tornar o aprendizado mais flexível e adaptável. Ele também descobriu que a expectativa de ensinar alguém aumenta foco, curiosidade e retenção de informações. Ao observar tanto especialistas quanto outros iniciantes, ampliou sua compreensão das habilidades em estudo. Cantar, inicialmente sua maior barreira emocional, acabou se transformando na atividade mais recompensadora.

Vanderbilt recomenda iniciar algo que se encaixe facilmente no cotidiano, lembrando que o progresso pode ser surpreendentemente rápido quando há constância. Estudos mostram que adultos mais velhos que se dedicam a múltiplas habilidades apresentam avanços expressivos em testes cognitivos, aproximando-se do desempenho de pessoas décadas mais jovens. Além disso, cultivar interesses variados tende a estimular a criatividade, como indicam pesquisas sobre ganhadores do Prêmio Nobel, frequentemente envolvidos com atividades artísticas. Para Vanderbilt, a frustração e os tropeços fazem parte do processo, e a humildade intelectual — reconhecer limitações e aceitar novas perspectivas — é essencial em um mundo que exige adaptação constante.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl64y4xglgo.adaptado. 
Ao observar tanto especialistas quanto outros iniciantes, "ampliou" sua compreensão das habilidades em estudo.
De acordo com as regras de regência verbal, o verbo destacado nesta frase funciona como: 
Alternativas
Q3827428 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.

Como aprender qualquer coisa do zero

Tom Vanderbilt despertou para a importância do aprendizado ao perceber a contradição entre incentivar a filha a explorar novas habilidades e, ao mesmo tempo, não se envolver em nenhum processo semelhante. Decidiu, então, dedicar um ano a aprender diversas competências — xadrez, canto, desenho, malabarismo e surfe — não para se tornar especialista, mas para redescobrir o prazer genuíno de aprender. Em seu livro denominado Principiantes, ele narra essa experiência unindo relatos pessoais a pesquisas científicas sobre aquisição de habilidades e sobre os benefícios da chamada mentalidade de principiante, especialmente relevante na vida adulta.

Embora crianças captem padrões e relações com mais facilidade, adultos ainda preservam um grau significativo de neuroplasticidade, permitindo que o cérebro se reorganize diante de novos desafios.
Vanderbilt constatou que aprender com os próprios erros — por meio da prática deliberada — é fundamental, assim como variar os treinos para tornar o aprendizado mais flexível e adaptável. Ele também descobriu que a expectativa de ensinar alguém aumenta foco, curiosidade e retenção de informações. Ao observar tanto especialistas quanto outros iniciantes, ampliou sua compreensão das habilidades em estudo. Cantar, inicialmente sua maior barreira emocional, acabou se transformando na atividade mais recompensadora.

Vanderbilt recomenda iniciar algo que se encaixe facilmente no cotidiano, lembrando que o progresso pode ser surpreendentemente rápido quando há constância. Estudos mostram que adultos mais velhos que se dedicam a múltiplas habilidades apresentam avanços expressivos em testes cognitivos, aproximando-se do desempenho de pessoas décadas mais jovens. Além disso, cultivar interesses variados tende a estimular a criatividade, como indicam pesquisas sobre ganhadores do Prêmio Nobel, frequentemente envolvidos com atividades artísticas. Para Vanderbilt, a frustração e os tropeços fazem parte do processo, e a humildade intelectual — reconhecer limitações e aceitar novas perspectivas — é essencial em um mundo que exige adaptação constante.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl64y4xglgo.adaptado. 

Vanderbilt constatou que aprender com os próprios erros — "por meio da prática deliberada" — é fundamental.


Sintaticamente, nesta frase, o termo destacado exerce a função de:

Alternativas
Q3827396 Português
Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal.
Alternativas
Q3827394 Português

Leia o texto de Eliana Franzoi Fam, uma endocrinologista e nutróloga.



Longevidade


Há muitos anos, quando ainda era residente de endocrinologia na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, atendi um senhor de bastante idade e, como era cardiopata, diabético, hipertenso e obeso, fui orientada a fornecer-lhe a dieta adequada para suas várias doenças.


Isso significava uma dieta restrita em sal, com valor reduzido de calorias e abolição total de doces (na época não existiam os diets), e nem pensar em chegar perto de bebidas alcoólicas.


Esmerei-me ao máximo nos meus conhecimentos dietéticos e, como todo médico jovem, repleto de boas intenções e sem flexibilidade, fui derrubando todos os pequenos prazeres do meu roliço paciente. Aos poucos percebi que a sua fisionomia ia aos poucos tomando um ar maroto de menino travesso.


Enfim finalizei minha reeducação alimentar perfeita no papel — hoje reconheço dificílima de ser executada.


O paciente então lascou-me uma pérola: “Doutora, vida não é comprimento, é largura!”


Nunca mais esqueci.

Sobre o primeiro parágrafo do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3827366 Português
Avalie as frases abaixo:
1. Discutiram-se os fatos.
2. Precisam-se de bons profissionais nesta Prefeitura.
3. Fizeram-se vários concursos em 2024.
4. Necessita-se de operários para a messe.
5. Aluga-se casas.
Assinale a alternativa correta sobre as frases.
Alternativas
Q3827365 Português
Identifique as frases abaixo como certa ( C ) ou errada ( E ), considerando a gramática normativa.
( ) Durante a discussão, ele não interviu nenhuma vez.
( ) Houve muita descrição da jovem, não se expôs à nada.
( ) O homem cuja a preocupação ultrapassa o prazer é infeliz.
( ) Houve muita discussão e ninguém chegou a um consenso.
( ) “Toda língua são rastros de velho mistério.”
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q3827364 Português
Considerando a regência verbal, complete as lacunas das frases.
■ Quero abraçar aquele rapaz. Quero ......................................
■ Não vou julgar você. Não vou ......................................
■ Isso vai pertencer ao rapaz. Isso vai ......................................
■ Deves obedecer sempre aos mais velhos. Deve ...................................... sempre.
■ Vai contar à outra a fofoca? Vai ...................................... a fofoca?
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
Alternativas
Respostas
3401: D
3402: A
3403: B
3404: C
3405: B
3406: C
3407: D
3408: B
3409: D
3410: D
3411: A
3412: C
3413: C
3414: B
3415: C
3416: D
3417: A
3418: B
3419: C
3420: B