Questões de Concurso
Comentadas sobre sintaxe em português
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As provas do Enem 2015 (Exame Nacional do Ensino Médio) foram marcadas por jovens que foram aos locais de prova se divertir com os candidatos atrasados, pela polêmica sobre questões que tratavam da luta pelos direitos das mulheres e por provas exigentes para os quase 6 milhões de candidatos que fizeram o exame.
Com uma ponta de sadismo, jovens foram para frente dos locais de prova em Curitiba, Belo Horizonte e no Rio com cervejas e energético nas mãos apenas para ver o desespero dos candidatos que se atrasaram para o Enem. "Vim ver o show de horrores, a desgraça alheia, antes de ir para uma festa de cerveja", disse sorrindo Natália Cristina Borges, 30, na porta da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais).
Os portões foram fechados às 13h (horário de Brasília) e poucos minutos depois a hashtag #ShowDosAtrasados já era usada em redes sociais para fazer gozação com quem perdeu a prova. Apesar de toda a torcida contra, o percentual de participantes que perderam a prova este ano foi o menor desde 2009, segundo o MEC (Ministério da Educação). O índice de abstenção foi de 25,5%. E apenas 743 candidatos foram eliminados nos dois dias de prova, seja por estarem com objetos proibidos pelo edital, como celular, boné e lápis, seja por deixarem a sala antes do período mínimo de duas horas.
Os alunos que estavam inscritos no exame em Rio do Sul (SC) e Taió (SC) tiveram a prova cancelada. As cidades foram alagadas devido às fortes chuvas que atingiram o Estado de Santa Catarina no final da semana passada. No Pará, os candidatos que faziam a prova em uma escola de Marituba tiveram o exame suspenso por falta de energia elétrica. Todos eles terão a chance de fazer as provas nos dias 1° e 2 de dezembro, mesmo período em que participam do exame os detentos.
No primeiro dia de provas, uma questão sobre um excerto da escritora feminista Simone de Beauvoir pedia que o candidato soubesse qual era a marca desse movimento social da década de 1960. A cobrança causou fervor nas redes sociais, com postagens de apoio e de crítica. A rixa que já estava posta no sábado aumentou no domingo após a divulgação do tema da redação do Enem: "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". A escolha foi comemorada por grupos feministas: "A realidade é muito dura, pois neste momento em que milhares de pessoas estão refletindo sobre o tema para fazer a redação, muitas mulheres estão sendo violentadas, agredidas, estupradas", postou um grupo.
No domingo à noite, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, rebateu as críticas ao tema da redação e a uma suposta "doutrinação" nas questões da prova. "O debate pedagógico e político é próprio desse tipo de exame", disse. "Quem sabe se conseguirmos discutir com transparência essa questão possamos reduzir a violência contra as mulheres."
E além de todas essas polêmicas, os milhões de participantes do Enem enfrentaram provas difíceis, que exigiram dos alunos conteúdo e rapidez na resolução das provas, na avaliação de professores.
No primeiro dia, o aluno precisava ler e interpretar bem, saber os conteúdos e estar antenado em assuntos recentes, como Estado Islâmico, selfies e a economia da China.
"Foi uma prova bem elaborada, com temas amplos, diversidade de tema, exigiu não só leitura de texto, o aluno tinha que saber o conteúdo para interpretar, ler gráficos e tabelas", explicou Paulo Moraes, diretor de ensino do Anglo Vestibulares. Cobrou-se do aluno que ele soubesse autores em filosofia e conceitos em biologia e física para que respondesse às questões.
Já no domingo, os professores consideraram os textos da prova de linguagens longos demais e as questões de matemática trabalhosas, o que reduzia o tempo do candidato para fazer a prova. "Tanto os professores de português quanto os de matemática disseram que o tempo foi insuficiente para responder todas as questões. É preciso rever isso para o ano que vem", disse Vera Lúcia Antunes, coordenadora do Curso e Colégio Objetivo.
O gabarito oficial do Enem será divulgado pelo MEC na próxima quarta-feira (28). O ministro prometeu para a primeira semana de janeiro de 2016 a divulgação das notas do exame.
Disponível em: http://educacao.uol.com.br/noticias/
Assinale a alternativa CORRETA, observando os itens destacados em cada trecho do texto de referência:
Signo: etimologia
Pelo menos hipoteticamente, a palavra signo do latim signum, vem do étimo grego secnom, raiz do verbo “cortar”, “extrair uma parte de” (naquele idioma), e que deu em português, por exemplo, secção, seccionar, sectário, seita e, possivelmente, século (em espanhol siglo) e sigla. Do derivado latino são numerosas, e expressivas, as palavras que se compuseram em nossa língua: sinal, sina, senha, sineta, insígnia, insigne, desígnio, desenho, aceno, significar etc.
A raiz primitiva parece indicar que um signo seria algo que se referisse a uma coisa maior do qual foi extraído: uma folha em relação a uma árvore, um dente em relação a um bicho etc. Nessa acepção, signo apresentaria um estreito vínculo com duas das mais usuais dentro das chamadas figuras de retórica: a metonímia (pela qual se designa um objeto por uma palavra designativa de outro: “Dez velas singravam a baía”) e a sinédoque (pela qual se emprega a parte pelo todo, o todo pela parte: “Vi passarem por mim dois olhos maravilhosos”). Claro que as figuras de retórica são aplicáveis também às linguagens não verbais: na publicidade, na dança, na decoração, no cinema, na televisão etc.
Mas o que me parecem tentadoras são as relações que podem se estabelecer entre desenho, desígnio (tão patentes na palavra inglesa design) e significado, pois essas relações parecem confluir para o entendimento do signo como “projeto significante”, como “projeto que visa a um fim significante”. (…)
De qualquer forma, convém reter a ideia de signo enquanto alguma coisa que substitui outra. Assim procede Charles Morris, um dos estudiosos da linguagem ao nível do comportamento, baseado nas experiências de Pavlov sobre os reflexos condicionados. Assim como o toque de uma sineta, paulatinamente, vai provocando, num cachorro, uma sequência de reações semelhantes à que antes lhe provocara a visão do alimento (ao qual o toque fora condicionado), assim um signo pode ser definido como toda coisa que substitui outra, de modo a desencadear (em relação a um terceiro) um complexo análogo de reações. Ou ainda, para adotar a definição do fundador da Semiótica, Charles Sanders Pierce (1839 – 1914): signo, ou “representante”, é toda coisa que substitui outra, representando-a para alguém, sob certos aspectos e em certa medida.
Décio Pignatari. Informação, Linguagem e Comunicação. São Paulo, Cultrix, 1993
Considere a frase extraída do texto.
Mas o que me parecem tentadoras são as relações que podem se estabelecer entre desenho, desígnio (tão patentes na palavra inglesa design) e significado, pois essas relações parecem confluir para o entendimento do signo como “projeto significante”, como “projeto que visa a um fim significante”.
Sob o aspecto sintático e morfológico, é correto afirmar:
1. As palavras sublinhadas são pronomes relativos.
2. Se omitirmos o “a” depois do verbo visar, a frase mantém sua correção gramatical.
3. A vírgula antes de “pois” é obrigatória, usada para separar oração coordenada sindética.
4. A palavra “significante”, nas duas vezes em que aparece, é um adjetivo e tem a função de adjunto adnominal no contexto em que está inserida.
5. A expressão “a um fim significante” é um objeto indireto.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Um membro de determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso, deixou de participar de suas atividades. Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.
Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam. Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram. Cuidadosamente, selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado. Voltou, então, a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto. Aos poucos, a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo se apagou de vez.
Em pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada. Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos. O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele. Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:
– Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo.
(RANGEL, Alexandre (Org.). As mais belas parábolas de todos os tempos Belo Horizonte: Leitura, 2004. Vol. II.)
Somente uma alternativa está correta. Assinale-a:
“Quando chegam à universidade, os jovens se deparam com novos desafios”.
No ensino, como em outras coisas, a liberdade deve ser uma questão de grau. Há liberdades que não podem ser toleradas. Uma vez conheci uma senhora que afirmava que não se deve proibir alguma coisa a uma criança, pois deve desenvolver sua natureza de dentro para fora. “E se a sua natureza a levar a engolir alfinetes?” indaguei, lamento dizer que a resposta foi puro vitupério. No entanto, toda criança abandonada a si mesma, mais cedo ou mais tarde engolirá alfinetes, tomará veneno, cairá de uma janela alta ou doutra forma chegará a mau fim. Um pouquinho mais velhos, os meninos, podendo, não se lavam, comem demais, fumam até enjoar, apanham resfriados por molhar os pés, e assim por diante – além do fato de se divertirem importunando anciãos, que nem sempre possuem a capacidade de resposta de Eliseu. Quem advoga a liberdade da educação não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta. Deve existir um elemento de disciplina e autoridade; a questão é até que ponto, e como deve ser exercido.
Russel, Bertrand. Ensaios céticos in: Platão e Fiorin: Para entender o texto. Vocabulário: Vitupério: insulto, ofensa. Eliseu: profeta bíblico Assinale a alternativa correta.
As palavras que completam respectivamente o texto, segundo a norma culta da Língua Portuguesa, encontram-se na alternativa:
Há um humor sombrio em todas as páginas...
O verbo que, no contexto, possui o mesmo tipo de complemento do grifado acima está empregado em:
Em: “Ao sair do jogo(...)'(parágrafo sexto), o fragmento dá ideia de:
“Não há razão para atribuir maior ou menor valor à forma linguística A ou à forma linguística B”.
Assinale a alternativa correta.
O dado de que emprego e profissão desejados lideram a lista de aspirações dos jovens brasileiros revela um novo Brasil em construção. Pesquisa recente publicada pelo Instituto Datafolha indica uma preocupação da juventude com o próprio futuro. Outra pesquisa, Transições da escola para o mercado de trabalho de mulheres e homens jovens no Brasil, da OIT, avalia que os jovens brasileiros são trabalhadores e parte significativa deles tem se esforçado para combinar trabalho e estudo. Com menos experiência e, em geral, pouca qualificação profissional, eles são os que sofrem primeiro quando o mercado de trabalho piora. Essa maior dificuldade para colocar em prática projetos de vida parece ter ensinado ao Brasil uma lição: é preciso estar mais bem preparado para o mundo do trabalho. O impacto coletivo dessa mudança de percepção pode ser visto também com a nova cara dos estudantes do ensino médio. A maior chance de conquistar um emprego e um bom salário aumentou o interesse dos estudantes em relação ao ensino técnico de nível médio. Dados do Censo da Educação Básica, analisados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), mostram aumento de 55,3% no número de matrículas nesses cursos, passando de 927.978 em 2008 para 1.441.051 em 2013. Historicamente, a procura por cursos de formação profissional segue uma lógica anticíclica: a procura cresce mais quando o mercado de trabalho não apresentava bom desempenho. Os trabalhadores buscavam se qualificar para manter ou conseguir novo emprego, ou seja, pela necessidade de elevar/manter a sua empregabilidade. Na última década, quando foram registrados baixos índices de desemprego no Brasil, essa dinâmica parece ter sido rompida, uma vez que a sociedade brasileira começou a mudar a sua percepção sobre a educação profissional, entendendo que ela pode ser o caminho mais curto para a inserção, com qualidade, no mercado de trabalho. Em outras palavras, mesmo com o mercado de trabalho ativo, houve expansão significativa da procura por cursos, motivada principalmente pela falta de mão de obra especializada e pela necessidade de atualização tecnológica, além ─ é claro ─ do entendimento de que o trabalho abre a perspectiva da mobilidade social. O aumento do interesse na educação profissional é importante e aponta que estamos no caminho certo da valorização da educação profissional, mas ainda é pouco se comparado a outras nações. Países da União Europeia, em 2010, segundo o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Educação Profissional, tinham em média 49,9% dos estudantes do ensino secundário também matriculados na educação profissional. Na Áustria, por exemplo, que registra o índice mais alto, 76,8% dos estudantes do secundário fazem ensino técnico. Finlândia vem em seguida com 69,7% e Alemanha com 51,5%. No Brasil, esse índice alcançou os 7,8% em 2013. A educação profissional melhora o ambiente de negócios, podendo ser um parâmetro importante para decisão de novos investimentos por empresários. Na perspectiva do trabalhador, a qualificação pode reduzir o risco de desemprego ou, ao menos, reduzir o tempo de permanência fora do mercado de trabalho. Em um momento de arrefecimento do mercado de trabalho, como o atual, não se pode abrir mão da qualificação de trabalhadores, estejam eles empregados ou não. Essa é, inclusive, uma estratégia para facilitar a retomada de crescimento do país. Um técnico que será contratado para preencher uma vaga em 2017, por exemplo, deve começar a se qualificar hoje. Os jovens já têm nos dado o exemplo. Agora, cabe à geração madura do Brasil nos governos e setores produtivos seguir seu exemplo e fazer a aposta correta. LUCCHESI, Rafael. Educação profissional e a lição que os jovens ensinam ao Brasil. Folha de S.Paulo. São Paulo. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ opiniao/2015/07/1661561-educacao-profissional-a-licao-queos-jovens-ensinam-ao-brasil.shtml>. Acesso em: 7 set. 2015 (Adaptação).
Assinale a alternativa em que a natureza gramatical da palavra destacada está incorretamente indicada entre colchetes.