Questões de Concurso
Comentadas sobre sintaxe em português
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu ideal seria escrever...
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”
Que um casal que estivesse em casa malhumorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para a cara do outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse – e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aquelas pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse – “por favor, se comportem, que diabo! eu não gosto de prender ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história. (...)
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
BRAGA, Rubem. Meu ideal seria escrever...
Portal da Crônica Brasileira. Disponível em
“Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar”
A oração destacada no período acima possui o sentido de:
“O contador consultado ___________ as contas da empresa apresentou um relatório muito completo.”
Em relação à regência nominal do termo “consultado”, assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna.
Leia o texto a seguir para responder a questão.
O Risadinha (I)
Seria melhor dizer que ele não teve infância. Mas não é verdade. Eu o conheci menino, trepando às árvores, armando alçapão para canários-da-terra, bodoqueando as rolinhas, rolando pneu velho pelas ruas, pegando traseira de bonde, chamando o Professor Asdrúbal de Jaburu. Foi este último um dos mais divertidos e perigosos brinquedos da nossa infância: o velho corria atrás da gente brandindo a bengala, seus bastos bigodes amarelos fremindo sob as ventas vulcânicas.
Nestor, em suma, teve a meninice normal de um filho de funcionário público em nosso tempo, tempo incerto, pois os recursos da Fazenda na província eram magros, e os pagamentos se atrasavam, enervando a população.
Seus companheiros talvez nem soubessem que se chamasse Nestor; era para todos o Risadinha. Falava pouco e ria muito, um riso de fato diminutivo, nascido de reservados solilóquios, quase extemporâneo. Certa feita, na aula de francês, quando entoávamos em coro o presente do subjuntivo do verbo s'en aller, Risadinha pespegou uma bólide de papel bem na ponta do nariz do professor, que era muito branco, pedante a capricho e tinha o nome de Demóstenes. O rosto do mestre passou do pálido ao rubro das suas tremendas cóleras. Um dos seus prazeres, sendo-lhe vetado por lei castigar-nos com o bastão, era desfiar em cima do culpado uma série de insultos preciosos, que ele ia escandindo um por um, sem pressa e com ódio.
— Levante-se, seu Nestor! Sa-cri-pan-ta! Ne-gli-gen-te! Si-co-fan-ta! Tu-nan-te! Man-drião! Ca-la-cei-ro! Pan-di-lha! Bil-tre! Tram-po-linei-ro! Bar-gan-te! Es-trói-na! Val-de-vi-nos! Va-ga-bun-do!...
Pegando a deixa da única palavra inteligível, Risadinha erguia o dedo no ar e protestava, com ar ofendido:
— Vagabundo, não, professor.
Era um artista do cinismo, e sua momice de inocência era de tal arte que até mesmo seu Demóstenes não conseguia conter o riso. Como também somente ele já arrancara uma gargalhada do padre-prefeito, um alemão da altura da catedral de Colônia, num dia em que vinha caminhando lento e distraído, fora da forma.
— Por que o senhorr não está na forma? — perguntou-lhe rosnando o padre, como se estivesse de promotor da Inquisição, diante de um herege horripilante.
— É porque estou com meu pezinho machucado, respondeu com doçura o Risadinha.
— E por que senhorr não está mancando? Risadinha olhou com espanto para os seus próprios pés, começando a mancar vistosamente:
— Desculpe, seu padre, é porque eu tinha esquecido.
CAMPOS, Paulo Mendes. O risadinha. In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 1992. p. 62. (Volume 2 – Crônicas).
“Foi este último um dos mais divertidos e perigosos brinquedos da nossa infância: o velho corria atrás da gente brandindo a bengala, seus bastos bigodes amarelos fremindo sob as ventas vulcânicas.”
Assinale a alternativa que apresenta a pontuação correta para a seguinte frase:
Luciano indignado perguntou Por que você agiu de tal forma Nereu
Analise as afirmativas a seguir e verifique qual(is) delas apresenta(m) conjunção(ões) em destaque:
I. Ela quis pintar o cabelo de loiro, porém não gostou do resultado
II. Você poderia aguardar um minuto?
III. Não comi nem bebi nada no evento ao qual fomos hoje.
IV. Hoje dormirei cedo, porque preciso descansar.
Assinale a alternativa correta:
Vamos _____ Joaquim ____ você precisa tomar esse remédio para se sentir melhor____
https://undime.org.br/noticia/08-03-2023-14-52-professoras-sao-79-dadocencia-de-educacao-basica-no-brasil
Com base na análise sintática, marque com V, as afirmativas verdadeiras, ou com F, as falsas:
(__)A expressão 'a ideia' exerce a função de objeto direto do verbo 'existir', que encontra-se como impessoal.
(__)O vocábulo 'feminina' constitui o núcleo do predicativo do sujeito, e o predicado é classificado como nominal.
(__) A expressão 'por aspectos históricos', exerce função de objeto indireto, indicando finalidade.
(__)A expressão 'envolta em questões sociais' atua como adjunto adnominal e contribui para a caracterização do substantivo 'ideia'.
(__)Os vocábulos 'mulheres' e 'docência' exercem a função sintática de núcleos do sujeito, porém vinculados a verbos distintos.
A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 07 a 14:
Acreditou-se por muito tempo que, deixando-se de lado a Revolução Industrial, a produção de bens de consumo nunca aumentou de forma tão rápida e robusta quanto por obra da invenção da agricultura. Graças à agricultura, pensava-se, os grupos humanos puderam tornar-se sedentários e assegurar uma provisão regular, conservando os grãos. Como dispunham de excedentes, as sociedades puderam dar-se ao luxo de manter indivíduos ou classes ‒ chefes, nobres, sacerdotes, artesãos ‒ que não participavam da produção de alimentos. No espaço de quatro ou cinco milênios, a impulsão dada pela agricultura e mantida por ela teria levado os homens de um modo de vida precário, ameaçado pela fome, a uma existência estável, primeiro em aldeias e finalmente em impérios.
Essas eram as visões que prevaleciam até recentemente. Hoje, essa reconstrução simples e grandiosa da história humana jaz em ruínas. Pesquisas entre os povos sem agricultura, voltadas para questões como tempo de trabalho, produtividade e valor nutricional dos alimentos, demonstram que a maior parte deles leva uma vida confortável. Meios geográficos que, por ignorância de seus recursos naturais, julgávamos miseráveis reservam para aqueles que ali vivem grande quantidade de espécies vegetais muito apropriadas para a alimentação. Descobriu-se, por exemplo, que os indígenas das regiões desérticas da Califórnia, onde hoje uma pequena população branca subsiste com dificuldade, consumiam uma grande variedade de plantas selvagens de alto valor nutritivo.
Calculou-se que, entre os povos que viviam da caça e da coleta de produtos selvagens, um homem supria as necessidades de quatro ou cinco pessoas, ou seja, tinha uma produtividade superior à de muitos camponeses europeus. Além disso, o tempo gasto com a procura de alimentos não excedia a média de três horas diárias, para uma produção alimentar bastante equilibrada e que ultrapassava 2 mil calorias por pessoa (média que inclui crianças e idosos).
(Claude Lévi-Strauss. Somos todos canibais, 2022. Adaptado)