Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q772325 Português

                       Está com calor? Setembro de 2016 foi o mês  

                               mais quente da história do planeta


São grandes as chances de você estar suando em bicas enquanto lê essa matéria e pensando “ué, mais um recorde de calor?”. É isso mesmo: 2016 continua fazendo história como o ano mais quente de que se tem registro. Dessa vez, foi o mês de setembro que fez sua marca.

A temperatura mundial em setembro de 2016 (levando em conta o verão no hemisfério norte e o final do inverno aqui no hemisfério sul) foi 0,91ºC acima da média para o mês, de acordo com a Nasa, cuja base de dados começa lá em 1880. A agência usa 3.600 estações meteorológicas ao redor do globo para montar seus rankings.

A última vez que tivemos um mês de setembro com tanto calor foi em 2014, mas esse ano a temperatura média foi 0,004ºC maior, uma microultrapassagem que garantiu a posição do mês passado como o setembro mais quente da história.

Dos últimos 12 meses, 11 foram os mais quentes para sua época do ano. Julho de 2016 foi além. Não apenas foi o julho com maior calor de que se tem registro, ele bateu o recorde para todos os meses dos últimos 136 anos. Com esse acúmulo de “conquistas”, os cientistas da Nasa têm quase certeza de que chegaremos ao fim de 2016 com uma média de temperatura 1,25ºC mais alta do que a do século 19.

Para os pesquisadores, o aquecimento global é a principal explicação para a tendência de aumento da temperatura (ainda que certos políticos discordem dessa afirmação). Um pouquinho da culpa, porém, seria também do El Niño, que teria favorecido a alta nos termômetros.

A Nasa alerta, porém, que não são esses pequenos recordes que vão fazer diferença lá na frente e sim os números a longo prazo, o que infelizmente não é a melhor das notícias se lembrarmos como a tendência dos últimos 150 anos tem se apresentado. Enquanto secamos a testa e o verão começa a apontar na esquina, é bom lembrar que o Brasil ratificou recentemente o Acordo de Paris, um documento no qual 175 países se comprometeram a não deixar que a temperatura mundial suba mais do que 2ºC até o fim do século. Ninguém garante que vai ser o suficiente para evitar que os termômetros continuem a bater recordes, mas uma coisa é certa: a humanidade tem muito trabalho pela frente.


LEONARDI, Ana Carolina. Está com calor? Setembro de 2016 foi o mais quente da história do planeta. Revista Super Interessante. São Paulo: 

Abril, 2016. Disponível em: < http://super.abril.com.br/sociedade/ esta-com-calor-setembro-de-2016-foi-o-mais-quente-da-historia-do-planeta/>.

Considere o seguinte trecho do texto:

“Com esse acúmulo de “conquistas”, os cientistas da Nasa têm quase certeza de que chegaremos ao fim de 2016 com uma média de temperatura 1,25ºC mais alta do que a do século 19”.

De acordo com os conteúdos sintáticos relativos aos tipos de período, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas
Q772322 Português

                       Está com calor? Setembro de 2016 foi o mês  

                               mais quente da história do planeta


São grandes as chances de você estar suando em bicas enquanto lê essa matéria e pensando “ué, mais um recorde de calor?”. É isso mesmo: 2016 continua fazendo história como o ano mais quente de que se tem registro. Dessa vez, foi o mês de setembro que fez sua marca.

A temperatura mundial em setembro de 2016 (levando em conta o verão no hemisfério norte e o final do inverno aqui no hemisfério sul) foi 0,91ºC acima da média para o mês, de acordo com a Nasa, cuja base de dados começa lá em 1880. A agência usa 3.600 estações meteorológicas ao redor do globo para montar seus rankings.

A última vez que tivemos um mês de setembro com tanto calor foi em 2014, mas esse ano a temperatura média foi 0,004ºC maior, uma microultrapassagem que garantiu a posição do mês passado como o setembro mais quente da história.

Dos últimos 12 meses, 11 foram os mais quentes para sua época do ano. Julho de 2016 foi além. Não apenas foi o julho com maior calor de que se tem registro, ele bateu o recorde para todos os meses dos últimos 136 anos. Com esse acúmulo de “conquistas”, os cientistas da Nasa têm quase certeza de que chegaremos ao fim de 2016 com uma média de temperatura 1,25ºC mais alta do que a do século 19.

Para os pesquisadores, o aquecimento global é a principal explicação para a tendência de aumento da temperatura (ainda que certos políticos discordem dessa afirmação). Um pouquinho da culpa, porém, seria também do El Niño, que teria favorecido a alta nos termômetros.

A Nasa alerta, porém, que não são esses pequenos recordes que vão fazer diferença lá na frente e sim os números a longo prazo, o que infelizmente não é a melhor das notícias se lembrarmos como a tendência dos últimos 150 anos tem se apresentado. Enquanto secamos a testa e o verão começa a apontar na esquina, é bom lembrar que o Brasil ratificou recentemente o Acordo de Paris, um documento no qual 175 países se comprometeram a não deixar que a temperatura mundial suba mais do que 2ºC até o fim do século. Ninguém garante que vai ser o suficiente para evitar que os termômetros continuem a bater recordes, mas uma coisa é certa: a humanidade tem muito trabalho pela frente.


LEONARDI, Ana Carolina. Está com calor? Setembro de 2016 foi o mais quente da história do planeta. Revista Super Interessante. São Paulo: 

Abril, 2016. Disponível em: < http://super.abril.com.br/sociedade/ esta-com-calor-setembro-de-2016-foi-o-mais-quente-da-historia-do-planeta/>.

Assinale a alternativa que apresenta CORRETA a análise sintática do termo sublinhado:
Alternativas
Q772296 Português

Considere o seguinte período :

“Diz que seus filhos pequenos se assustaram, mas depois foram brincar nos galhos tombados”.

Nessa construção, os adjetivos “pequenos” e “tombados” exercem a função de:

Alternativas
Ano: 2017 Banca: IFB Órgão: IFB Prova: IFB - 2017 - IFB - Professor - Português |
Q771400 Português
Leia as duas últimas estrofes do “Soneto de Fidelidade”, de Vinícius de Moraes, a seguir apresentadas, para responder à questão:
“[...] E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.”
É CORRETO afirmar sobre as estruturas sintáticas dos versos:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: IFB Órgão: IFB Prova: IFB - 2017 - IFB - Professor - Português |
Q771395 Português
PAPEL

E tudo que eu pensei
e tudo que eu falei
e tudo que me contaram
era papel.

E tudo que descobri
amei
detestei:
papel.

Papel quanto havia em mim
e nos outros, papel
de jornal
de parede
de embrulho
papel de papel
papelão.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. As impurezas do branco. Rio de Janeiro: Record, 1990.)
No poema de Carlos Drummond de Andrade exemplificado em seguida, há uma figura de pensamento e outra figura de sintaxe que reforçam o sentido conotativo do texto. Escolha a resposta que, mais adequadamente, nomeia e explica essas duas figuras.
Alternativas
Ano: 2017 Banca: IFB Órgão: IFB Prova: IFB - 2017 - IFB - Professor - Português |
Q771392 Português

Para responder à questão, leia este poema de Manoel de Barros:


No descomeço era o verbo.

Só depois é que veio o delírio do verbo.

O delírio do verbo estava no começo, lá

onde a criança diz: Eu escuto a cor dos

passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não

funciona para cor, mas para som.

Então se a criança muda a função de um

verbo, ele delira.

E pois.

Em poesia que é voz de poeta, que é a voz

de fazer nascimentos

O verbo tem que pegar delírio.


(BARROS, Manoel de. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.)

Releia as duas frases seguintes, extraídas do poema:

1) “A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.”

2) “O verbo tem que pegar delírio.”


Quanto à regência dos verbos “funcionar” e “ter”, nas frases acima, é CORRETO afirmar, de acordo com a Gramática e com as normas internas do poema:

Alternativas
Ano: 2017 Banca: IFB Órgão: IFB Prova: IFB - 2017 - IFB - Professor - Português |
Q771390 Português

Para responder à questão, leia este poema de Manoel de Barros:


No descomeço era o verbo.

Só depois é que veio o delírio do verbo.

O delírio do verbo estava no começo, lá

onde a criança diz: Eu escuto a cor dos

passarinhos.

A criança não sabe que o verbo escutar não

funciona para cor, mas para som.

Então se a criança muda a função de um

verbo, ele delira.

E pois.

Em poesia que é voz de poeta, que é a voz

de fazer nascimentos

O verbo tem que pegar delírio.


(BARROS, Manoel de. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.)

Leia as duas frases extraídas do poema:

1) “O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.”

2) “A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.”


Agora, assinale a alternativa CORRETA quanto à sintaxe:

Alternativas
Ano: 2017 Banca: IFB Órgão: IFB Prova: IFB - 2017 - IFB - Professor - Português |
Q771388 Português

A questão terá como base o texto seguinte:


ESSES TEXTOS


O texto primeiro existe

só, como ponto.

Se transforma depois em linha

com sua própria força

de deslocação,

sua velocidade própria.


Depois,

o leitor institui

outra linha, lendo.

O leitor constitui

um feixe de linhas cruzadas

organizando os textos.


No percurso do texto

e no trânsito da leitura,

as linhas se chocam,

se repudiam, se perdem,

correm paralelas

e podem se amar.

Depois, saber fazer

retorná-las a ponto.


(Mas o importante é o leitor. Você.)


É preciso ter calma.

Saber ir abotoando

os elementos vários

à espera do clique

de colchete.

Quando dois ou mais

se engatam,

fecha-se um sentido

único e exclusivo.

Mas que você pode emprestar

a alguém,

desde que o diga


(Não tenha medo da alta-velocidade.

Não tenha receio de dar marcha à ré.)


É preciso ter pressa.

Saber ir desabotoando

os colchetes de sentido

como quem quer tirar

camisa usada e suada

de dia de trabalho.

Cada camisa,

depois de surrada,

é fonte

de novo esforço.

Ou então vira

camisa-de-força.


É preciso saber vestir

o texto,

como tatuagem na própria

pele.


É preciso saber tatuar

o texto,

como sulcos feitos

na bruta realidade.

O duplo estilete

do texto e da leitura,

do autor e do leitor.


A dupla tatuagem

contra o próprio corpo

e a realidade bruta.


A tatuagem que se imprime

para poder forçar

a barra.

A tatuagem que o corpo,

depois de violado

tatua. Violentando.



(SANTIAGO, Silviano, Crescendo durante a guerra numa província ultramarina. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1978.)

Observe os destaques, nas frases retiradas do poema, e escolha a opção que apresenta uma explicação CORRETA quanto à sintaxe:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: IFB Órgão: IFB Prova: IFB - 2017 - IFB - Professor - Português |
Q771377 Português
Assinale a alternativa que apresenta o valor relacional e nocional dos termos destacados nos versos “Esse meu verbo antipático e impuro / há de pungir, há de fazer sofrer, / tendão de Vênus sob o pedicuro.” 
Alternativas
Ano: 2017 Banca: IFB Órgão: IFB Prova: IFB - 2017 - IFB - Professor - Português |
Q771368 Português

Leia o texto para responder à questão.

“- Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.

A menina sorriu docemente.

- Olha! Disse ela com a sua voz maviosa, a água sobe, sobe...

- Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.

- Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!

- Tu não sabes? Disse o índio como inspirado pelo seu amor ardente, o Senhor do céu manda, às vezes, àqueles a quem ama um bom pensamento.”

É CORRETO afirmar sobre as estruturas sintáticas das orações do excerto:
Alternativas
Q770744 Português

Considere o texto baseado na tirinha a seguir.

Imagem associada para resolução da questão

Zlitz adverte o companheiro _____________ que estão perdidos no espaço. Zlotz, mostrando-se _________________ , mas _____________ , afirma que tem um mapa ______________ qual poderão se orientar. Porém o mapa ___________ que ele faz menção é astrológico, o que é inútil para que possam encontrar a rota desejada.

Para que o texto esteja correto de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa e mantenha-se fiel ao sentido da tirinha, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por:

Alternativas
Q770742 Português
Leia o texto “Star Trek” para responder à questão.
Quando estreou, em 1966, a série “Jornada nas Estrelas” exibia um futuro que parecia realmente improvável e distante. A série era ambientada no século 23 e acompanhava as aventuras dos tripulantes da nave espacial Enterprise, com a missão de explorar o espaço e ir “aonde nenhum homem jamais esteve”.
O teletransporte ainda não virou realidade, mas muitos gadgets* da série passaram a integrar o cotidiano. Sempre que o capitão Kirk estava em apuros, abria seu comunicador e entrava em contato com a equipe. Trinta anos depois, a Motorola lançou o StarTAC, popularizando o uso da telefonia móvel. Os acertos não pararam por aí: da impressora 3D à televisão de tela plana, dos disquetes aos dispositivos USB, a série previu com surpreendente exatidão a relação do homem com a tecnologia.
“Jornada nas Estrelas” era transgressora em sua diversidade: a equipe tinha homens e mulheres de diferentes etnias trabalhando em igualdade. Hoje, ainda não existem habitantes de Vulcano morando entre nós, mas a ideia de que pessoas de gêneros e etnias diferentes possam cumprir as mesmas funções não é mais algo utópico.
(Aventuras na História, outubro de 2014. Adaptado)
*gadgets: dispositivos, aparelhos
Leia a frase reescrita a partir das ideias do texto. _________________em promover a igualdade de gênero e etnias, os episódios de “Jornada nas Estrelas” retratavam o empenho e a coragem _________________ da tripulação que, conjuntamente, agia para superar todas as adversidades. De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas da frase devem ser preenchidas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q770739 Português
Leia o texto “Chega de desculpas”, do jornalista português João Pereira Coutinho, para responder à questão.
A herança ibérica é causa dos problemas do Brasil? A pergunta é recorrente. A convite de uma associação de estudantes, estive em São Paulo para uma conversa sobre o assunto.
Não foi fácil: entrei no auditório, e estavam ali talvez umas 300 pessoas para escutar e, quem sabe, pedir a minha pele. No fim, saí ileso e ninguém comprou a ideia de que os portugueses são responsáveis pela situação do Brasil. É verdade. O país pode estar em crise, mas as novas gerações enchem o meu coração de otimismo.
Mas vamos ao que interessa: a colonização foi coisa boa ou coisa má? A pergunta, pelo seu maniqueísmo, já é falha. Nenhuma colonização é totalmente boa ou totalmente má. Existiram bons legados e maus legados.
Começo pelos bons: a ausência de uma “superioridade de raça”. Sérgio Buarque de Holanda sabia do que falava. Gilberto Freyre também. Como dizem ambos, os portugueses que chegaram em 1500 já eram um povo “mestiço” – uma salada de latinos, africanos, árabes, etc. Isso é importante?
É. Porque não foram apenas os portugueses a colonizar o Brasil. Os nativos também colonizaram os portugueses – e essa “plasticidade”, para usar um termo caro a esses estudiosos, impediu a rigidez cultural, social e até sexual, que outros povos colonizadores espalharam por seus domínios.
Sim, sei: você gostaria de ter sido colonizado por holandeses, ingleses, quem sabe franceses. Coisa chique, mas foram eles que colonizaram a África do Sul, a Índia e a Argélia…
Está no seu direito. Mas, como diz um amigo, você consegue imaginar a “Garota de Ipanema” cantada em holandês? A musicalidade dos brasileiros precisou de semente mestiça para florescer.
Pena que nem tudo tenha florescido – e aqui mergulho no lado lunar. Os portugueses não foram exemplares na educação da colônia. No século 18, afirma Sérgio Buarque, milhares de livros eram publicados no México. Ao mesmo tempo, a Coroa portuguesa fechava as tipografias dos trópicos porque temia que ideias subversivas pudessem corromper a estabilidade do Brasil.
E quem fala em livros fala em educação: Sérgio relembra que, entre os anos de 1775 e 1821, 7850 bacharéis e 473 doutores e licenciados saíram com diploma da Universidade do México. Em igual período, só 720 brasileiros conseguiram a proeza (pela Universidade de Coimbra, claro).
Finalmente, existe uma herança pesada da colonização portuguesa: esse patrimonialismo que atribui ao Estado o papel de “baby-sitter” do cidadão. Isso significa que um homem assume a mentalidade de uma criança que tudo espera do Estado, desde o berço até a sepultura.
Os portugueses deixaram o Brasil há quase 200 anos, e qualquer pessoa adulta sabe que o presente do Brasil é um produto das escolhas dos brasileiros, portanto chega de desculpas.
(Folha de S.Paulo, 20.10.2015. Adaptado)
Considere os trechos selecionados do texto. •  Não foi fácil: entrei no auditório, e estavam ali talvez umas 300 pessoas para escutar… (2o parágrafo) •  Existiram bons legados e maus legados. (3o parágrafo) •  Os portugueses deixaram o Brasil há quase 200 anos… (último parágrafo) De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as formas verbais destacadas podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q770737 Português
Leia o texto “Chega de desculpas”, do jornalista português João Pereira Coutinho, para responder à questão.
A herança ibérica é causa dos problemas do Brasil? A pergunta é recorrente. A convite de uma associação de estudantes, estive em São Paulo para uma conversa sobre o assunto.
Não foi fácil: entrei no auditório, e estavam ali talvez umas 300 pessoas para escutar e, quem sabe, pedir a minha pele. No fim, saí ileso e ninguém comprou a ideia de que os portugueses são responsáveis pela situação do Brasil. É verdade. O país pode estar em crise, mas as novas gerações enchem o meu coração de otimismo.
Mas vamos ao que interessa: a colonização foi coisa boa ou coisa má? A pergunta, pelo seu maniqueísmo, já é falha. Nenhuma colonização é totalmente boa ou totalmente má. Existiram bons legados e maus legados.
Começo pelos bons: a ausência de uma “superioridade de raça”. Sérgio Buarque de Holanda sabia do que falava. Gilberto Freyre também. Como dizem ambos, os portugueses que chegaram em 1500 já eram um povo “mestiço” – uma salada de latinos, africanos, árabes, etc. Isso é importante?
É. Porque não foram apenas os portugueses a colonizar o Brasil. Os nativos também colonizaram os portugueses – e essa “plasticidade”, para usar um termo caro a esses estudiosos, impediu a rigidez cultural, social e até sexual, que outros povos colonizadores espalharam por seus domínios.
Sim, sei: você gostaria de ter sido colonizado por holandeses, ingleses, quem sabe franceses. Coisa chique, mas foram eles que colonizaram a África do Sul, a Índia e a Argélia…
Está no seu direito. Mas, como diz um amigo, você consegue imaginar a “Garota de Ipanema” cantada em holandês? A musicalidade dos brasileiros precisou de semente mestiça para florescer.
Pena que nem tudo tenha florescido – e aqui mergulho no lado lunar. Os portugueses não foram exemplares na educação da colônia. No século 18, afirma Sérgio Buarque, milhares de livros eram publicados no México. Ao mesmo tempo, a Coroa portuguesa fechava as tipografias dos trópicos porque temia que ideias subversivas pudessem corromper a estabilidade do Brasil.
E quem fala em livros fala em educação: Sérgio relembra que, entre os anos de 1775 e 1821, 7850 bacharéis e 473 doutores e licenciados saíram com diploma da Universidade do México. Em igual período, só 720 brasileiros conseguiram a proeza (pela Universidade de Coimbra, claro).
Finalmente, existe uma herança pesada da colonização portuguesa: esse patrimonialismo que atribui ao Estado o papel de “baby-sitter” do cidadão. Isso significa que um homem assume a mentalidade de uma criança que tudo espera do Estado, desde o berço até a sepultura.
Os portugueses deixaram o Brasil há quase 200 anos, e qualquer pessoa adulta sabe que o presente do Brasil é um produto das escolhas dos brasileiros, portanto chega de desculpas.
(Folha de S.Paulo, 20.10.2015. Adaptado)
A frase do terceiro parágrafo “A pergunta, pelo seu maniqueísmo, já é falha.” pode ser reescrita, sem alteração do sentido do texto, como indicado em:
Alternativas
Q770543 Português
Adjunto adverbial é o termo que indica as circunstâncias em que se dá a ação verbal. Os adjuntos adverbiais expressam diferentes valores semânticos. Veja alguns: causa, companhia, dúvida, fim, instrumento, tempo, intensidade, lugar, modo, afirmação, negação. Assinale a alternativa onde temos um adjunto adverbial indicando fim, finalidade.
Alternativas
Q770523 Português

Leia os itens a seguir e assinale a alternativa correta:

I - Quando um adjetivo é anteposto a dois ou mais substantivos, concorda com o substantivo mais próximo. Exemplo: Não gostei muito da imensa barba e cabelo do seu namorado.

II - Se o substantivo estiver no plural, os adjetivos que o seguem podem permanecer no singular se cada um deles trouxer um atributo diferente. Exemplo: Não se esqueça de trancar as portas interna e externa.

III - Quando um adjetivo qualifica dois ou mais substantivos e vem depois deles, o adjetivo vai para o plural, concordando com todos os substantivos. Exemplo: Filmes e shows fantásticos foram apresentados na semana cultural.

IV - Quando um adjetivo qualifica dois ou mais substantivos e vem depois deles, o adjetivo não concorda com o substantivo mais próximo. Exemplo: Juros e inflação altas são obstáculos para o crescimento econômico.

Alternativas
Q770285 Português
Em: “Eram Caim e Abel irmãos?” Temos:
Alternativas
Q770284 Português
Em: “Ainda é cedo”, temos:
Alternativas
Q770283 Português
Em: “Mexeram nas minhas coisas!”, temos:
Alternativas
Q770183 Português
Este texto é referente à questão.

BRUXAS NÃO EXISTEM 

  Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona que morava numa casinha caindo aos pedaços no fim de nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a chamávamos de “bruxa”.
  Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam palha, o nariz era comprido, ela tinha uma enorme verruga no queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca tínhamos entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que, se fizéssemos isso, nós a encontraríamos preparando venenos num grande caldeirão. Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e meia invadíamos o pequeno pátio para dali roubar frutas e quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras no pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela gritando "bruxa, bruxa!".
  Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A quem pertencera esse animal nós não sabíamos, mas logo descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa. O que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia, naquela manhã, e talvez por esquecimento, ela deixara aberta a janela da frente. Sob comando do João Pedro, que era o nosso líder, levantamos o bicho, que era grande e pesava bastante, e com muito esforço nós o levamos até a janela. Tentamos empurrá-lo para dentro, mas aí os chifres ficaram presos na cortina.
  - Vamos logo - gritava o João Pedro -, antes que a bruxa apareça. E ela apareceu. No momento exato em que, finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a porta se abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um cabo de vassoura. Rindo, saímos correndo. Eu, gordinho, era o último.
  E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco e caí. De imediato senti uma dor terrível na perna e não tive dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me levantar, mas não consegui. E a bruxa, caminhando com dificuldade, mas com o cabo de vassoura na mão, aproximava-se. Àquela altura a turma estava longe, ninguém poderia me ajudar. E a mulher sem dúvida descarregaria em mim sua fúria.
  Em um momento, ela estava junto a mim, transtornada de raiva. Mas aí viu a minha perna, e instantaneamente mudou. Agachou-se junto a mim e começou a examiná-la com uma habilidade surpreendente.
  - Está quebrada - disse por fim. - Mas podemos dar um jeito. Não se preocupe, sei fazer isso. Fui enfermeira muitos anos, trabalhei em hospital. Confie em mim.
  Dividiu o cabo de vassoura em três pedaços e com eles, e com seu cinto de pano, improvisou uma tala, imobilizando-me a perna. A dor diminuiu muito e, amparado nela, fui até minha casa. "Chame uma ambulância", disse a mulher à minha mãe. Sorriu.
  Tudo ficou bem. Levaram-me para o hospital, o médico engessou minha perna e em poucas semanas eu estava recuperado. Desde então, deixei de acreditar em bruxas. E tornei-me grande amigo de uma senhora que morava em minha rua, uma senhora muito boa que se chamava Ana Custódio.

(SCLIAR, Moacyr. In: revista Nova Escola, seção Era uma vez. São Paulo: Abril, agosto de 2004).
“Ninguém poderia me ajudar”. O verbo em negrito está no singular porque, segundo as regras da concordância verbal:
Alternativas
Respostas
28721: C
28722: B
28723: B
28724: E
28725: D
28726: D
28727: B
28728: A
28729: A
28730: A
28731: A
28732: D
28733: C
28734: D
28735: A
28736: A
28737: B
28738: E
28739: D
28740: A