Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

Foram encontradas 41.695 questões

Q2217091 Português
PROVA DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO PORTUGUÊS INSTRUMENTAL 
Há marcas que vivem da inclusão, e outras que vivem da exclusão

Contardo Calligaris
    Meu telefone, um iPhone 6, estava cada vez mais lento. Não era por nenhuma das causas apontadas nas inúmeras salas de conversa entre usuários de iPhones vagarosos.
    Era mesmo o processador que estava se tornando exasperadamente lento, ao ponto em que havia um intervalo sensível de tempo entre digitar e a letra aparecer na tela.
    Deixei para resolver quando chegasse a Nova York, onde, aliás, a coisa piorou: era suficiente eu tirar o celular do bolso ou deixá-lo num bolso externo (que não estivesse em contato com o calor do corpo) para que a carga da bateria baixasse, de repente, de 60% a zero.
    Pensei que três anos é mesmo o tempo de vida útil para uma bateria. E lá fui à loja da Apple na Broadway.
    Esperei duas horas para enfim ter acesso a alguém que me explicou que testaria minha bateria. Depois de contemplarmos os gráficos lindos e coloridos deixados no tablet pelo meu telefone, anunciou que minha bateria ainda não justificava uma troca – no tom pernóstico de um plantonista que sabe que não tem leitos disponíveis e manda você para casa com aquela dor no peito e a "certeza" de que "você não está enfartando, deve ser só digestão".
    O mesmo jovem propôs uma reinstalação do sistema operacional, – que é uma trivialidade, mas foi anunciada como se fosse um cateterismo das coronárias.
     Passei a noite me recuperando, ou seja, reinstalando aplicativos. Resultado: telefone lento como antes.
    Voltei para a Apple (loja da Quinta Avenida), onde descobri que, como na história do hospital sem leitos, de fato, a Apple não dispunha mais de baterias para substituir a minha: muitos usuários estavam com o mesmo problema. Por coincidência, tudo conjurava para que eu comprasse um telefone novo.
     Nos EUA, a Apple está sendo processada (15 casos coletivos, em diferentes Estados) por piorar propositalmente a experiência dos usuários de iPhone sem lhes oferecer alternativas –salvo, obviamente, a de adquirir um telefone novo.
    A companhia pediu desculpas públicas, mas a humildade não é o forte do treinamento Apple. Basta se lembrar que o atendimento pós-venda da companhia se chama (o ridículo não mata ninguém) "genius bar", o balcão dos gênios.
    Já pensou: você poderia ligar para seu serviço de TV a cabo porque a recepção está péssima e alguém diria: "Sim, senhor, pode marcar consulta com o balcão dos gênios".
    A maioria dos usuários não acham isso cômico e despropositado. Por que será?
    Há marcas que vivem de seu poder de inclusão, do tipo "nós fabricamos o carro que todos podem dirigir". E há marcas que vivem de seu poder de exclusão: tipo, será que você merece o que estou vendendo?
    Você já entrou alguma vez numa loja cara onde os vendedores, envaidecidos pela aura do próprio produto que vendem, olham para você com desprezo, como se você não fosse um consumidor à altura da loja?
    É uma estratégia básica de marketing: primeiro, espera-se que você inveje (e portanto deseje) o mundo do qual se sente excluído.
    Você perguntará: de que adianta, se não poderei adquirir os produtos da marca? Em geral, nesses casos o projeto é vender os acessórios da casa. Pouquíssimos comprarão o casaco de R$ 15 mil, mas milhares comprarão um lencinho (com monograma) para se sentirem, assim, membros do clube.
    A Apple mantém sua presença no mercado pela ideia de sua superioridade tecnológica - e pelo design elegante, claro.
    Seriamente, alguém que usa processador de texto não deveria escolher um computador em que não dá para apagar letras da esquerda para a direita. Mas é como os carros ingleses dos anos 1950: havia a glória de viver perigosamente e dirigir sem suspensões posteriores independentes (sem capotar a cada curva).
    Pouco importam as críticas. A Apple conseguiu convencer seus usuários de que eles mesmos, por serem usuários, fazem parte de uma arrojada elite tecnológica. Numa loja da Apple, todos, os usuários e os "gênios" vestem (real ou metaforicamente) a camiseta da marca.
    Quer saber o que aconteceu com meu iPhone? Está ótimo. Fui ao Device Shop, em Times Square, no mesmo prédio do Hard Rock Cafe: atendimento imediato, troca de bateria em dez minutos, conversa agradável. Não havia gênios, só pessoas competentes. E custou menos de dois terços do que pagaria na Apple.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2018/01/1949427- ha-marcas-que-vivem-da-inclusao-e-outras-que-vivem-da-exclusao.shtml Acesso em 20 mar. 2018



A ideia expressa pelos articuladores sintáticos destacados está corretamente identificada entre parênteses, EXCETO em: 
Alternativas
Q2197755 Português
Marque a oração classificada como coordenada sindética aditiva.
Alternativas
Q2197753 Português
Marque a alternativa que apresenta concordância verbal corretamente.
Alternativas
Q2197752 Português
Leia o texto e, a seguir, responda a questão.

De inimigos a aliados

        Estudo português identifica em vírus grande quantidade de segmentos de proteínas com propriedades antimicrobianas. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de fármacos mais eficazes contra bactérias resistentes.

        Tradicionalmente considerados uma ameaça a todos os seres vivos, os vírus agora começam a ser vistos como aliados na medicina. Pesquisa recente mostra que proteínas virais podem dar origem a fármacos inovadores e mais eficazes para combater doenças causadas por bactérias. Essa descoberta surge como uma esperança para resolver o problema do aumento da resistência dos micróbios aos antibióticos convencionais. A pesquisa serviu de base para a criação do projeto Inpact, uma colaboração internacional que tem como objetivo o desenvolvimento pré-clínico de novos fármacos específicos para determinados tipos de câncer e bactérias patogênicas.
No trecho “ A pesquisa serviu de base para a criação do projeto Inpact” é correto afirmar que o sujeito: „A pesquisa‟ é
Alternativas
Q2191731 Português
    A comediante americana Tina Fey, criadora da série "30 Rock", publicou recentemente sua autobiografia ("Bossypants", editora Reagan Arthur, inédito no Brasil). No livro, Tina dedica quase um capítulo inteiro ao Photoshop. O que se pergunta é: como equacionar a crítica à pressão para que toda mulher seja jovem, magra e bonita, com o onipresente programa de computador, que a deixa jovem, magra e bonita, toda vez que aparece numa revista?
    Mais ainda: sendo humorista, e, portanto, tendo por ofício mostrar o que há de ridículo e humano por trás da pompa, da empáfia, da hipocrisia e demais tapumes, não estaria ela cometendo falsidade ideológica, ao sair em ensaios fotográficos com as orelhas de abano aplainadas e os pés de galinha surrupiados digitalmente?
    Acredito que tais dúvidas vão além do universo das celebridades, das feministas ou dos humoristas. Afinal, desde que trocamos o balcão da padaria pelo salão bem mais amplo das mídias sociais, nos transformamos em pequenos personagens numa enorme competição midiática. O que é o perfil no Facebook senão a capa da sua revista? O que é o Twitter, senão sua coluna? O Instagram, sua galeria, o blog, seu jornal. E, ninguém querendo mostrar orelhas de abano ou pés de galinha, seja no rosto, seja na alma, vivemos num mundo cada vez mais retocado.
    Por trás da falsa descontração dos tuítes, podemos ver as piadas encolhendo a barriga, as críticas estufando o peito, as celulites de nossas inseguranças escondidas sob leves camadas de sarcasmo. O resultado é uma abundância de opiniões e uma escassez de vozes. Muita inteligência e pouca sinceridade. Todo mundo bem protegidinho e parecido, como os corpos corrigidos no computador. Não quero parecer um desses apocalípticos que creem que o mundo piora na medida em que a tecnologia avança. Pelo contrário, parece-me que estamos bem melhor hoje do que há 30 ou cem anos, mas é que tenho achado a vida um pouco chata, as pessoas um tanto falsas — eu, principalmente.
    Talvez isso não tenha nada a ver com a época, mas seja fruto da minha idade. Trinta e poucos anos. O idealismo da adolescência já se esgotou, a sabedoria da maturidade ainda não chegou. É nesse hiato que costuma brotar o cinismo, maior de todos os Photoshops. Agora mesmo, sussurra em meu ouvido que esse papo de autenticidade é uma bobagem. Que a verdade é apenas mais um equívoco do século 20 ou da juventude (...). Promete, em troca de uma ilusão puída e dois ou três sonhos não realizados, seu pacote completo: agilidade nas relações, rapidez nas decisões, uma vida tranquila e vazia. No fundo, a proposta mefistotélica do cinismo é a mesma questão de Tina Fey, diante do Photoshop, e a mesma que temos que responder, a cada vez que abrimos a boca ou postamos uma informação nas redes sociais: afinal, o que queremos, dizer a verdade ou aparecer bem na foto? É uma pergunta ingênua, sussurra alguém ao meu lado. Talvez. Mas garanto que é uma pergunta sincera.


Prata, A. “Photoshop” (texto com adaptações). Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0211201104.htm.
Acesso em 06/04/2017.

Releia este trecho:
ninguém querendo mostrar orelhas de abano ou pés de galinha, seja no corpo seja na alma, vivemos num mundo cada vez mais retocado”
A oração destacada está em uma forma reduzida, exprimindo, no contexto, valor semântico de 
Alternativas
Q2191727 Português
    O Brasil é um dos países com mais baixa representatividade feminina. E o impacto disso nas políticas públicas é enorme – e problemático. O assassinato da vereadora Marielle Franco na semana passada sacudiu o Brasil e trouxe à tona discussões acaloradas, não só sobre violência e crime organizado, mas também sobre a (falta de) representatividade feminina na política brasileira.
    (...)
     Mas por que isso importa? (...) A eleição de políticas mulheres não muda só o tipo de gasto público, mas também gera efeitos significativos sobre resultados de saúde e educação. As economistas Sonia Bhalotra e Irma Clots-Figueras estudaram o efeito de eleições para assembleias estaduais na Índia. Elas olharam para o caso das eleições distritais onde homens e mulheres tiveram votações muito apertadas - lugares em que homens ou mulheres ganharam por pouco. Elas descobriram que, em assembleias estaduais que elegeram mais mulheres, há uma redução significativa na taxa de mortalidade infantil neonatal. Além disso, localidades que elegem mais mulheres têm uma maior proporção de crianças que terminam o ensino fundamental.
    Parte desses efeitos obtidos com a eleição de líderes mulheres vem do fato que elas gastam de forma diferente e focam em políticas públicas que enfatizam saúde e educação. Mas outra coisa que explica a diferença nos resultados é que, na média, mulheres são menos corruptas no poder (quantas mulheres estão condenadas pela operação Lava Jato?). Os economistas David Dollar, Raymond Fisman, e Roberta Gatti usaram um índice de corrupção desenvolvido pelo Banco Mundial para analisar a associação entre representatividade política feminina e corrupção entre países. Eles mostram que, quanto maior a proporção de mulheres no parlamento, menor é o índice de corrupção de um país. Esses resultados são corroborados pelas economistas Fernanda Brollo e Ugo Troiano num estudo que analisa o impacto da eleição de uma prefeita mulher sobre a corrupção municipal no Brasil. Usando dados das auditorias da Controladoria Geral da União, elas mostram que quando há uma eleição apertada entre homens e mulheres, e a mulher ganha por pouco, esse município tem menos incidência de corrupção do que um município similar onde homens ganham por pouco.

FERRAZ, Cláudio. “Por que temos tão poucas mulheres na política e por
que isso importa” (Fragmento). Disponível
em: <https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2018/Por-quetemos-t%C3%A3o-poucas-mulheres-na-pol%C3%ADtica-e-porque-isso-importa>. Acesso em 27/3//2018.

As frases apresentadas após as setas nas assertivas a seguir propõem um reposicionamento das expressões destacadas nos fragmentos originais do texto. Analise-as:
I. “Além disso, localidades que elegem mais mulheres têm uma maior proporção de crianças (...)” → Localidades que elegem mais mulheres têm, além disso, uma maior proporção de crianças (...) II. “(...) outra coisa que explica a diferença nos resultados é que, na média, mulheres são menos corruptas” → outra coisa que explica a diferença nos resultados é que mulheres na média são menos corruptas. III. “Os economistas (...) usaram um índice de corrupção desenvolvido pelo Banco Mundial para analisar a associação entre representatividade política feminina e corrupção entre países. → Os economistas usaram, para analisar a associação entre representatividade política feminina e corrupção entre países, um índice de corrupção desenvolvido pelo Banco Mundial.
As reescritas propostas mantêm a coerência com a frase original em 
Alternativas
Q2191723 Português
    O Brasil é um dos países com mais baixa representatividade feminina. E o impacto disso nas políticas públicas é enorme – e problemático. O assassinato da vereadora Marielle Franco na semana passada sacudiu o Brasil e trouxe à tona discussões acaloradas, não só sobre violência e crime organizado, mas também sobre a (falta de) representatividade feminina na política brasileira.
    (...)
     Mas por que isso importa? (...) A eleição de políticas mulheres não muda só o tipo de gasto público, mas também gera efeitos significativos sobre resultados de saúde e educação. As economistas Sonia Bhalotra e Irma Clots-Figueras estudaram o efeito de eleições para assembleias estaduais na Índia. Elas olharam para o caso das eleições distritais onde homens e mulheres tiveram votações muito apertadas - lugares em que homens ou mulheres ganharam por pouco. Elas descobriram que, em assembleias estaduais que elegeram mais mulheres, há uma redução significativa na taxa de mortalidade infantil neonatal. Além disso, localidades que elegem mais mulheres têm uma maior proporção de crianças que terminam o ensino fundamental.
    Parte desses efeitos obtidos com a eleição de líderes mulheres vem do fato que elas gastam de forma diferente e focam em políticas públicas que enfatizam saúde e educação. Mas outra coisa que explica a diferença nos resultados é que, na média, mulheres são menos corruptas no poder (quantas mulheres estão condenadas pela operação Lava Jato?). Os economistas David Dollar, Raymond Fisman, e Roberta Gatti usaram um índice de corrupção desenvolvido pelo Banco Mundial para analisar a associação entre representatividade política feminina e corrupção entre países. Eles mostram que, quanto maior a proporção de mulheres no parlamento, menor é o índice de corrupção de um país. Esses resultados são corroborados pelas economistas Fernanda Brollo e Ugo Troiano num estudo que analisa o impacto da eleição de uma prefeita mulher sobre a corrupção municipal no Brasil. Usando dados das auditorias da Controladoria Geral da União, elas mostram que quando há uma eleição apertada entre homens e mulheres, e a mulher ganha por pouco, esse município tem menos incidência de corrupção do que um município similar onde homens ganham por pouco.

FERRAZ, Cláudio. “Por que temos tão poucas mulheres na política e por
que isso importa” (Fragmento). Disponível
em: <https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2018/Por-quetemos-t%C3%A3o-poucas-mulheres-na-pol%C3%ADtica-e-porque-isso-importa>. Acesso em 27/3//2018.

Assinale a alternativa que apresenta uma adequada reescrita das ideias iniciais do primeiro parágrafo, considerando a modalidade escrita padrão da Língua Portuguesa. 
Alternativas
Q2096030 Português
“Chegaram à planície e permearam a multidão.”. Sobre as orações, é correto afirmar que são classificadas como sendo:
Alternativas
Q2096029 Português
“As estrelas parece brilharem.”. Assinale a alternativa que representa corretamente o sujeito do verbo “parece”:
Alternativas
Q2096028 Português
“Beijou os olhos da amada.”. É correto afirmar que a classificação do sujeito é: 
Alternativas
Q2082443 Português

— A tecnologia não vai substituir o médico e, sim, empoderá-lo. Assim como o paciente, que passa a ser médico dele mesmo. A tecnologia vai resolver as limitações da medicina, que hoje cresce de maneira linear. (ℓ.33-38)

Considere que, no fragmento, a terceira frase fosse reescrita como:


As limitações da medicina, a qual hoje cresce de maneira linear, vão ser resolvidas pela tecnologia.


Comparando-se com a frase do texto (ℓ.35-38), fica  evidenciado que, na nova expressão, ocorreu

Alternativas
Q2082442 Português

— A tecnologia não vai substituir o médico e, sim, empoderá-lo. Assim como o paciente, que passa a ser médico dele mesmo. A tecnologia vai resolver as limitações da medicina, que hoje cresce de maneira linear. (ℓ.33-38)

Considere que o fragmento seja reescrito colocando-se as palavras sublinhadas no plural. Com essa alteração, além desses dois substantivos, quantas palavras deverão ser pluralizadas também?
Alternativas
Q2062697 Português

Infolatria tecnofágica: a era do smartphone


A cibercultura e as realidades virtuais estão transformando radicalmente a nossa experiência psicossocial coletiva: a forma como vivemos, nos comportamos, nos sentimos, nos compreendemos e a própria realidade ao nosso redor.


Toda essa cultura cibernético-informacional é, de fato, incrivelmente cômoda, útil, funcional, sedutora, mas, ainda assim, afirmamos que mais informação circulando nas redes e mídias não significa de modo algum mais conhecimento assimilado, educação, cidadania; e que muito menos a tecnologia, por si, seja sinal seguro de mais esclarecimento, humanidade, erudição e desenvolvimento cultural. O que vale dizer que mais disponibilidade – de dados, conteúdos, twitters, posts, zaps e congêneres – não determina, por si só, qualquer tipo de evolução cognitiva e intelectual.


Outro mito muito propalado aos quatro ventos é o de que a tecnologia seria essencial e necessariamente benéfica às coletividades humanas. O que é – diga-se – uma balela. Pois nós – que pesquisamos a referida matéria há quase uma década – chegamos à dura conclusão de que as tecnologias sempre acabam servindo primeiro aos poderes hegemônicos já dominantes e, tardiamente, à sociedade de uma maneira mais ampla. Sim, pois os investidores que apostam nesses projetos só o fazem com vistas – é óbvio – ao retorno financeiro que eles possam proporcionar, e não num altruísmo improvável que não tem lugar no mundo materialista e venal que aí está. Mesmo porque vivemos numa realidade mercantilista, cuja lógica comercial rege grande parte das relações sociais humanas e assim molda a realidade factual, consuma o presente e vai plasmando também o próprio futuro. 


Ipso facto, podemos afirmar que a cibercultura e o ciberespaço seguem as mesmas leis, operam no mesmo meio societal, sob o mesmo regime econômico, e, por isso mesmo, estão sujeitos às mesmas dinâmicas. E essa fixação – que hoje se observa em relação, por exemplo, aos smartphones, seu culto e massiva utilização – reflete exatamente essa exploração das massas por meio das tecnologias e da própria cultura que se cria em torno delas. Em pouquíssimas palavras, a pessoa paga uma verdadeira fortuna para comprar o aparelho, e ainda adquire um custo fixo considerável para o fornecimento de um serviço – frise-se – que é executado, em sua maioria, por máquinas e sequências algorítmicas. Sim, pois mais uma linha telefônica conectada à rede de qualquer operadora significa, na prática, apenas um comando de computador.


QUARESMA, Alexandre.


<http://sociologiacienciaevida.com.br/infolatria-tecnofagica-era-do-smartphone/> Acesso em 27/março/2018. [Adaptado]

Considere os trechos abaixo em seu contexto:
1. O que vale dizer que mais disponibilidade – de dados, conteúdos, twitters, posts, zaps e congêneres – não determina, por si só, qualquer tipo de evolução cognitiva e intelectual. (2o parágrafo) 2. Outro mito muito propalado aos quatro ventos é o de que a tecnologia seria essencial e necessariamente benéfica às coletividades humanas. (3o parágrafo) 3. […] chegamos à dura conclusão de que as tecnologias sempre acabam servindo primeiro aos poderes hegemônicos já dominantes e, tardiamente, à sociedade de uma maneira mais ampla. (3o parágrafo)
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) Em 1, “vale dizer” e “por si só” podem ser substituídos, respectivamente, por “decorre” e “apenas”, sem prejuízo de significado no texto. ( ) Em 1, “cognitiva e intelectual” e em 3, “hegemônicos” funcionam como adjuntos adnominais. ( ) Em 2, “mito” e “tecnologia” funcionam como núcleo de sujeitos simples. ( ) Em 2, “às coletividades humanas” funciona como objeto indireto. ( ) Em 3, “de que” introduz uma oração subordinada substantiva completiva nominal.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q2062696 Português

Infolatria tecnofágica: a era do smartphone


A cibercultura e as realidades virtuais estão transformando radicalmente a nossa experiência psicossocial coletiva: a forma como vivemos, nos comportamos, nos sentimos, nos compreendemos e a própria realidade ao nosso redor.


Toda essa cultura cibernético-informacional é, de fato, incrivelmente cômoda, útil, funcional, sedutora, mas, ainda assim, afirmamos que mais informação circulando nas redes e mídias não significa de modo algum mais conhecimento assimilado, educação, cidadania; e que muito menos a tecnologia, por si, seja sinal seguro de mais esclarecimento, humanidade, erudição e desenvolvimento cultural. O que vale dizer que mais disponibilidade – de dados, conteúdos, twitters, posts, zaps e congêneres – não determina, por si só, qualquer tipo de evolução cognitiva e intelectual.


Outro mito muito propalado aos quatro ventos é o de que a tecnologia seria essencial e necessariamente benéfica às coletividades humanas. O que é – diga-se – uma balela. Pois nós – que pesquisamos a referida matéria há quase uma década – chegamos à dura conclusão de que as tecnologias sempre acabam servindo primeiro aos poderes hegemônicos já dominantes e, tardiamente, à sociedade de uma maneira mais ampla. Sim, pois os investidores que apostam nesses projetos só o fazem com vistas – é óbvio – ao retorno financeiro que eles possam proporcionar, e não num altruísmo improvável que não tem lugar no mundo materialista e venal que aí está. Mesmo porque vivemos numa realidade mercantilista, cuja lógica comercial rege grande parte das relações sociais humanas e assim molda a realidade factual, consuma o presente e vai plasmando também o próprio futuro. 


Ipso facto, podemos afirmar que a cibercultura e o ciberespaço seguem as mesmas leis, operam no mesmo meio societal, sob o mesmo regime econômico, e, por isso mesmo, estão sujeitos às mesmas dinâmicas. E essa fixação – que hoje se observa em relação, por exemplo, aos smartphones, seu culto e massiva utilização – reflete exatamente essa exploração das massas por meio das tecnologias e da própria cultura que se cria em torno delas. Em pouquíssimas palavras, a pessoa paga uma verdadeira fortuna para comprar o aparelho, e ainda adquire um custo fixo considerável para o fornecimento de um serviço – frise-se – que é executado, em sua maioria, por máquinas e sequências algorítmicas. Sim, pois mais uma linha telefônica conectada à rede de qualquer operadora significa, na prática, apenas um comando de computador.


QUARESMA, Alexandre.


<http://sociologiacienciaevida.com.br/infolatria-tecnofagica-era-do-smartphone/> Acesso em 27/março/2018. [Adaptado]

Assinale a alternativa correta, com base no texto.
Alternativas
Q2061335 Português
Bienal do Livro começa hoje em Brasília

Com grandes nomes da literatura contemporânea, a 4º Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília, pretende romper bolhas ideológicas virtuais e reais com a proposta de aproximar grupos com afinidades distintas. O evento começa hoje (18) e vai até o dia 26. O evento irá trazer pela primeira vez ao Brasil autores como o premiado nigeriano Chigozie Obioma, autor do romance Os Pescadores. Também pretende propor reflexões sobre o tema Os outros somos nós, que faz um convite "a mergulhar nas experiências alheias para sentir suas dores e desejos", como descreve a organização.

(Publicado em 18/08/2018 - 09:00 - disponível em: agenciabrasil.ebc.com.br - com adaptações)
Com base no texto 'Bienal do Livro começa hoje em Brasília', leia as afirmativas a seguir:
I. O evento citado na notícia tem a proposta de aproximar grupos com afinidades distintas. II. Em "pretende propor reflexões", o vocábulo "propor" é um verbo intransitivo, pois necessita de complemento.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2060992 Português
Assinale a alternativa em que a concordância entre as palavras está em conformidade com a norma-padrão.
Alternativas
Q2058024 Português
A dermatologista Flávia Addor, da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), entidade que[1] reúne os fabricantes, explica que[2], atualmente, os cremes capazes de barrar a luz visível miram apenas o rosto e foram desenvolvidos para[3] prevenir manchas e marcas do envelhecimento, duas consequências já conhecidas dessa espécie de radiação. “Quem usa é aquela pessoa que precisa tratar esse problema em particular”, nota.
No contexto em que surge, o elemento linguístico [3] é utilizado para
Alternativas
Q2055473 Português
Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal.
Alternativas
Q2053926 Português
A corrupção como violência e ausência de comportamento moral

Por Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams e Paula Inez Cunha em 24/01/2018 na edição 972

[P1] Somos professoras universitárias há pelo menos três décadas investigando a origem dos comportamentos violentos, como o do adolescente infrator e do agressor da parceira íntima. Pesquisadoras e cidadãs, observamos que o descalabro revelado pelas investigações dos últimos três anos sobre a corrupção no alto escalão nacional tem deixado o Brasil estarrecido. De fato, a corrupção também pode ser considerada uma modalidade de violência, na qual há um acordo entre pelo menos dois ofensores – o corruptor e o corrompido – para lesar uma terceira parte – no caso, a sociedade brasileira. Como toda violência, a corrupção, se não freada, tende a aumentar significativamente em frequência e intensidade.

[P2] Curiosamente a imprensa brasileira não tem feito uma análise diversificada sobre a origem da corrupção, restringindo-se a explicações da ciência política ou sociológica, logo o nosso interesse em mostrar como a psicologia pode contribuir para a compreensão do problema. As consequências nefastas de outras modalidades de violência por nós estudadas sequer podem ser comparadas à extensão dos danos causados pelos atos de corrupção praticados por presidentes, senadores, deputados, governadores, políticos, funcionários públicos, empresários, juristas e tantos outros. Isso porque os efeitos nocivos da corrupção atingem toda a coletividade: na área econômica, com o desemprego; na da saúde, com o adoecimento e mortes, no caso dos hospitais sucateados; na educacional, com universidades sem verba, escolas públicas abandonadas e evasão de alunos, os quais, sem outra opção, adotam trajetórias delituosas. Enfim, restam uma população sem esperanças e o aumento da desigualdade econômica, da qual há tempos somos campeões mundiais. Os corruptos estão tão distantes dos efeitos de suas ações que tampouco são afetados por elas. Apenas percebem algo errado quando são presos, investigados, processados e condenados; assim mesmo, sentem-se indignados e vítimas.

[P3] Frente a cenas reais filmadas, nas quais empresários de firmas consideradas modernas descrevem com candura atos gravíssimos de corrupção ou que revelam a obscenidade de malas robustas com milhões – em moeda nacional ou estrangeira – obtidos criminosamente, como psicólogas nossas perguntas surgiram inevitáveis. Como tais pessoas chegaram a tal ponto? Não aprenderam a diferença entre o certo e o errado? Seus pais não lhes ensinaram valores universais, por exemplo, de “não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem a você”? Não lhes ensinaram virtudes, como a honestidade? Não lhes deram modelos de comportamento moral ou ético, como “não se apropriar do que é do outro”? Esses ensinamentos passaram ao largo de sua formação enquanto crianças e adolescentes? As emoções morais da vergonha e da culpa não foram por eles vivenciadas? Seus pais não sabiam que as emoções morais são os mais poderosos inibidores do comportamento violento? Sim, pois pessoas que sentem culpa ou vergonha se arrependem dos seus atos e têm baixa probabilidade de voltar a cometê-los. No entanto, é preciso vivenciar essas emoções, e normalmente são os pais que favorecem tais experiências na infância e adolescência.

[P4] Conhecer a diferença entre o certo e o errado não significa necessariamente ser um indivíduo que adote comportamento moral. Qualquer investigação científica com condenados criminosos mostra que os mesmos a discriminam. Somente aqueles que cometem crimes sem conhecê-la e recebem diagnóstico de problemas de saúde mental podem, se presentes os requisitos legais, ser considerados inimputáveis e cumprem medidas de segurança em Hospital de Custódia recebendo tratamento Psiquiátrico. Não basta, portanto, conhecer o certo e o errado; é preciso que os valores sejam incorporados, vivenciados, e praticados regularmente, até fazerem parte da essência do ser humano.

[P5] A empatia – ato de se colocar no lugar do outro – não parece ser identificável no comportamento desses “cidadãos corruptos”. As pesquisas revelam o aspecto intergeracional da violência, assim pais corruptos têm maior probabilidade de ter filhos também corruptos. Mas aqui é preciso cuidado. Sabemos que apesar da enorme influência dos pais na formação e desenvolvimento saudável do indivíduo, os mesmos jamais podem ser “culpados” por todos os erros dos filhos. Portanto, ainda que não tenha havido negligência no exercício da paternidade quanto ao ensino de valores éticos, há contribuições biológicas nas condutas criminais, como no caso de indivíduos que por condições cerebrais adversas têm dificuldades genuínas de serem empáticos. E mais, há fatores individuais e socioculturais a considerar: algumas pessoas são mais suscetíveis ao poder de persuasão alheio. A cultura brasileira, altamente leniente com a corrupção, favorece racionalizações, normatizando a corrupção, como alguns mantras: “O brasileiro sempre foi corrupto”, “Sempre existiu Caixa Dois”, “Não dá para fazer política de outro jeito”, “Os fins justificam os meios”, “Rouba, mas faz”, e assim por diante.

[P6] Lembramo-nos do filosofo chinês Confúcio, que elaborou, há mais de dois mil anos, um código de conduta em que somente homens com qualidades morais e éticas, alcançadas por rígida formação, poderiam exercer o poder. Para Confúcio, o cerne da degradação humana estava na ausência do comportamento moral. Certamente, se pudéssemos avaliar o comportamento moral de políticos e funcionários públicos envolvidos em corrupção, a grande maioria seria reprovada para o exercício de sua função.

[P7] O Congresso Nacional aprova leis em seu próprio benefício. Sem dúvida. Por que seria diferente? Por que os legisladores abririam mão de seus privilégios e negociatas? Os adolescentes e adultos infratores com os quais trabalhamos também não recusariam o lucro ilícito espontaneamente. O agressor de mulheres não deixa de fazê-lo porque percebe que a companheira sofre.

[P8] Dessa maneira, o adolescente infrator e o agressor da parceira íntima precisam de tratamento para mudar. Haveria tratamento para corruptos? Na ausência de evidências científicas preferimos não especular.

[P9] Melhor mesmo é refundar o Brasil com outro perfil de políticos, funcionários públicos, empresários e demais agentes envolvidos de alguma forma na execução da função pública, e, paralelamente, alterar nossa cultura, a fim de combater e prevenir a corrupção em todas as suas modalidades – a sistêmica, sindrômica e a privada (aqueles atos banais praticados no dia a dia).

[P10] Para que o Brasil se modernize e seja mais igualitário em oportunidades e resultados, concordamos que a luta contra a corrupção deve ser realizada em todos os espaços, a começar pelos lares brasileiros, seguido por nossas escolas e a sociedade em geral. Tal tarefa hercúlea, talvez inédita, não será fácil, requerendo criatividade e esforços sistêmicos. Como se muda um aspecto generalizado e doentio de nossa cultura? Nossa sugestão seria convocar pais brasileiros a refletir sobre seu papel em criar filhos éticos que se comportem moralmente; nossas escolas estimuladas a questionar os impactos de comportamentos que destoem da conduta ética, agindo para preveni-los – algo frontalmente distante daquilo que a ditadura chamou de Educação Moral e Cívica. Para isso teríamos que convocar o apoio das ciências humanas, entre as quais a Psicologia faz uma contribuição marcante na pesquisa de prevenção à violência. Por fim, toda a sociedade precisaria se engajar nesse movimento de refundar o Brasil para nos transformarmos em uma nação menos corrupta e violenta.

Disponível em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/interesse-publico/corrupcao-como-violencia-e-ausencia-de-comportamento-moral/>. Acesso: 01 fev. 2018. (Adaptado).
De acordo com as regras de concordância verbal prescritas pela norma padrão escrita, o uso do singular ou do plural para os verbos destacados seria facultativo em: 
Alternativas
Q2053923 Português
A corrupção como violência e ausência de comportamento moral

Por Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams e Paula Inez Cunha em 24/01/2018 na edição 972

[P1] Somos professoras universitárias há pelo menos três décadas investigando a origem dos comportamentos violentos, como o do adolescente infrator e do agressor da parceira íntima. Pesquisadoras e cidadãs, observamos que o descalabro revelado pelas investigações dos últimos três anos sobre a corrupção no alto escalão nacional tem deixado o Brasil estarrecido. De fato, a corrupção também pode ser considerada uma modalidade de violência, na qual há um acordo entre pelo menos dois ofensores – o corruptor e o corrompido – para lesar uma terceira parte – no caso, a sociedade brasileira. Como toda violência, a corrupção, se não freada, tende a aumentar significativamente em frequência e intensidade.

[P2] Curiosamente a imprensa brasileira não tem feito uma análise diversificada sobre a origem da corrupção, restringindo-se a explicações da ciência política ou sociológica, logo o nosso interesse em mostrar como a psicologia pode contribuir para a compreensão do problema. As consequências nefastas de outras modalidades de violência por nós estudadas sequer podem ser comparadas à extensão dos danos causados pelos atos de corrupção praticados por presidentes, senadores, deputados, governadores, políticos, funcionários públicos, empresários, juristas e tantos outros. Isso porque os efeitos nocivos da corrupção atingem toda a coletividade: na área econômica, com o desemprego; na da saúde, com o adoecimento e mortes, no caso dos hospitais sucateados; na educacional, com universidades sem verba, escolas públicas abandonadas e evasão de alunos, os quais, sem outra opção, adotam trajetórias delituosas. Enfim, restam uma população sem esperanças e o aumento da desigualdade econômica, da qual há tempos somos campeões mundiais. Os corruptos estão tão distantes dos efeitos de suas ações que tampouco são afetados por elas. Apenas percebem algo errado quando são presos, investigados, processados e condenados; assim mesmo, sentem-se indignados e vítimas.

[P3] Frente a cenas reais filmadas, nas quais empresários de firmas consideradas modernas descrevem com candura atos gravíssimos de corrupção ou que revelam a obscenidade de malas robustas com milhões – em moeda nacional ou estrangeira – obtidos criminosamente, como psicólogas nossas perguntas surgiram inevitáveis. Como tais pessoas chegaram a tal ponto? Não aprenderam a diferença entre o certo e o errado? Seus pais não lhes ensinaram valores universais, por exemplo, de “não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem a você”? Não lhes ensinaram virtudes, como a honestidade? Não lhes deram modelos de comportamento moral ou ético, como “não se apropriar do que é do outro”? Esses ensinamentos passaram ao largo de sua formação enquanto crianças e adolescentes? As emoções morais da vergonha e da culpa não foram por eles vivenciadas? Seus pais não sabiam que as emoções morais são os mais poderosos inibidores do comportamento violento? Sim, pois pessoas que sentem culpa ou vergonha se arrependem dos seus atos e têm baixa probabilidade de voltar a cometê-los. No entanto, é preciso vivenciar essas emoções, e normalmente são os pais que favorecem tais experiências na infância e adolescência.

[P4] Conhecer a diferença entre o certo e o errado não significa necessariamente ser um indivíduo que adote comportamento moral. Qualquer investigação científica com condenados criminosos mostra que os mesmos a discriminam. Somente aqueles que cometem crimes sem conhecê-la e recebem diagnóstico de problemas de saúde mental podem, se presentes os requisitos legais, ser considerados inimputáveis e cumprem medidas de segurança em Hospital de Custódia recebendo tratamento Psiquiátrico. Não basta, portanto, conhecer o certo e o errado; é preciso que os valores sejam incorporados, vivenciados, e praticados regularmente, até fazerem parte da essência do ser humano.

[P5] A empatia – ato de se colocar no lugar do outro – não parece ser identificável no comportamento desses “cidadãos corruptos”. As pesquisas revelam o aspecto intergeracional da violência, assim pais corruptos têm maior probabilidade de ter filhos também corruptos. Mas aqui é preciso cuidado. Sabemos que apesar da enorme influência dos pais na formação e desenvolvimento saudável do indivíduo, os mesmos jamais podem ser “culpados” por todos os erros dos filhos. Portanto, ainda que não tenha havido negligência no exercício da paternidade quanto ao ensino de valores éticos, há contribuições biológicas nas condutas criminais, como no caso de indivíduos que por condições cerebrais adversas têm dificuldades genuínas de serem empáticos. E mais, há fatores individuais e socioculturais a considerar: algumas pessoas são mais suscetíveis ao poder de persuasão alheio. A cultura brasileira, altamente leniente com a corrupção, favorece racionalizações, normatizando a corrupção, como alguns mantras: “O brasileiro sempre foi corrupto”, “Sempre existiu Caixa Dois”, “Não dá para fazer política de outro jeito”, “Os fins justificam os meios”, “Rouba, mas faz”, e assim por diante.

[P6] Lembramo-nos do filosofo chinês Confúcio, que elaborou, há mais de dois mil anos, um código de conduta em que somente homens com qualidades morais e éticas, alcançadas por rígida formação, poderiam exercer o poder. Para Confúcio, o cerne da degradação humana estava na ausência do comportamento moral. Certamente, se pudéssemos avaliar o comportamento moral de políticos e funcionários públicos envolvidos em corrupção, a grande maioria seria reprovada para o exercício de sua função.

[P7] O Congresso Nacional aprova leis em seu próprio benefício. Sem dúvida. Por que seria diferente? Por que os legisladores abririam mão de seus privilégios e negociatas? Os adolescentes e adultos infratores com os quais trabalhamos também não recusariam o lucro ilícito espontaneamente. O agressor de mulheres não deixa de fazê-lo porque percebe que a companheira sofre.

[P8] Dessa maneira, o adolescente infrator e o agressor da parceira íntima precisam de tratamento para mudar. Haveria tratamento para corruptos? Na ausência de evidências científicas preferimos não especular.

[P9] Melhor mesmo é refundar o Brasil com outro perfil de políticos, funcionários públicos, empresários e demais agentes envolvidos de alguma forma na execução da função pública, e, paralelamente, alterar nossa cultura, a fim de combater e prevenir a corrupção em todas as suas modalidades – a sistêmica, sindrômica e a privada (aqueles atos banais praticados no dia a dia).

[P10] Para que o Brasil se modernize e seja mais igualitário em oportunidades e resultados, concordamos que a luta contra a corrupção deve ser realizada em todos os espaços, a começar pelos lares brasileiros, seguido por nossas escolas e a sociedade em geral. Tal tarefa hercúlea, talvez inédita, não será fácil, requerendo criatividade e esforços sistêmicos. Como se muda um aspecto generalizado e doentio de nossa cultura? Nossa sugestão seria convocar pais brasileiros a refletir sobre seu papel em criar filhos éticos que se comportem moralmente; nossas escolas estimuladas a questionar os impactos de comportamentos que destoem da conduta ética, agindo para preveni-los – algo frontalmente distante daquilo que a ditadura chamou de Educação Moral e Cívica. Para isso teríamos que convocar o apoio das ciências humanas, entre as quais a Psicologia faz uma contribuição marcante na pesquisa de prevenção à violência. Por fim, toda a sociedade precisaria se engajar nesse movimento de refundar o Brasil para nos transformarmos em uma nação menos corrupta e violenta.

Disponível em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/interesse-publico/corrupcao-como-violencia-e-ausencia-de-comportamento-moral/>. Acesso: 01 fev. 2018. (Adaptado).
A função sintática do termo destacado em “Somos professoras universitárias há pelo menos três décadas...”, no parágrafo 1, SÓ NÃO se repete em: 
Alternativas
Respostas
28061: B
28062: A
28063: B
28064: A
28065: A
28066: D
28067: E
28068: A
28069: C
28070: C
28071: C
28072: E
28073: C
28074: A
28075: B
28076: D
28077: C
28078: C
28079: A
28080: A