Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q1696578 Português
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

AÇÃO DO CORAÇÃO

    Foi num impulso. Em uma manhã, ao olhar no espelho, decidi que não queria mais ter a cara de sempre. No dia seguinte, então, fui confiante, pé ante pé, a um salão de beleza perto de casa. Entrei no lugar com o cabelo no meio das costas e saí de lá, minutos depois, tomando vento na nuca, com o corte mais dramático que já havia feito em toda a minha vida. De bônus, ainda ganhei a lembrança de ter à minha volta um grupo enorme de pessoas que parou tudo que estava fazendo só para observar o meu nervosismo e deslumbre enquanto a cabeleireira me dava, a cada tesourada, uma nova cara.
     Esse momento, aos 22 anos, foi meu primeiro ato de coragem. Até aquele dia, eu sempre havia enxergado a vida como um barquinho que eu não podia balançar muito: era preferível só mesmo navegar de maneira constante, evitando as águas mais agitadas das mudanças. Valia para o corte de cabelo, mas também para minha postura no dia a dia, com receio do que pensariam sobre mim se eu saísse um pouco da linha. Era melhor, então, não chamar atenção, não perturbar, viver dentro de normas preestabelecidas e, quem sabe, ficar em paz.
    Mas havia algo de desagradável e amargo nessa escolha. Permanecer na bonança era confortável. Mas era, também, ficar na superfície da vida. Além de ser cômodo e preguiçoso, evitar qualquer mudança, por menor que fosse, era também abrir mão de saber mais sobre o mundo e sobre quem eu era dentro dele. Era ser ignorante e indiferente às possibilidades à minha volta – em nome de uma tranquilidade que eu nem sabia se queria de verdade.
      Foi na cadeira do salão de beleza que provei da literal definição da palavra “coragem”: ela vem do latim e quer dizer “ação do coração”. Significa deixar que nossos atos mostrem ao mundo quem somos, por inteiro e de verdade – os potenciais, as imperfeições, as forças e fraquezas.
    Com muitos centímetros a menos de cabelo, sendo forçada a não esconder mais meu rosto, passei a ficar frente a frente com uma outra versão de mim toda vez que via meu reflexo. Foi como sair de uma carcaça velha e me entregar ao mundo sem possibilidade de voltar atrás. Sem máscaras. Por causa do novo rosto, experimentei diariamente medo e êxtase. E percebi que para sair do primeiro sentimento e chegar ao segundo, só existia um caminho: erguer a cabeça e ser corajosa.   
    A coragem, especialmente quando atrelada a mudanças, é engrandecedora por um motivo simples: ela sempre tem o medo como ponto de partida. Não dá para ser corajoso sem que haja algo que nos assuste à nossa frente, uma atitude. Só a partir disso é possível permitir que a ação do coração entre em cena. Vale para uma mudança no visual, mas também para pôr em prática nossos valores quando o mundo nos oprime, para assumir erros quando descobrimos que machucamos alguém e até para contar nossa história. 
    Nunca será confortável. O resultado será sempre imprevisível – e, às vezes, pode não ser agradável. Mas a coragem é nossa atitude mais libertadora porque, sendo uma estrada por vezes espinhosa, é o único caminho em linha reta para o autoconhecimento e, logo, para o amor-próprio.

(Texto adaptado. Rafaela Carvalho)
No trecho “Vale para uma mudança no visual, mas também para pôr em prática nossos valores quando o mundo nos oprime.”, o período é classificado como:
Alternativas
Q1696480 Português
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Internet mais segura

    Nos tempos de hoje, por um lado, você é dono da sua própria programação, comandando o tipo de conteúdo que quer assistir, por outro, a privacidade dos seus dados está, cada vez mais, ameaçada na Internet.
    Os serviços de streaming (transmissão de vídeos e músicas pela Internet) mais conhecidos do mercado estão transformando o jeito de o consumidor assistir a filmes e séries, e até à famosa novela das nove, já que ele pode decidir o que quer, onde, como e quando preferir.
    Contudo, deve haver preocupação com a segurança digital. Esse grande acesso às novas tecnologias tem aberto um importante nicho de informação muito vulnerável de ser roubado. Segundo dados do IBGE, em 2016, brasileiros conectados à Internet já somavam 64% de toda a população, ou seja, 116 milhões de usuários. E, de acordo com o Instituto AV-Test, um dos maiores do mundo em segurança digital, com sede na Alemanha, cerca de 122 de malwares (arquivos capazes de capturar senhas ou danificar computadores e celulares) foram criados em 2017. Para você ter uma ideia, o Brasil aparece no sétimo lugar entre os países que mais sofrem devido aos ciberataques.
    Em função disso, é necessário que haja empenho em ajudar a construir uma Internet mais segura para todos. Destacamos o artigo sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que só deve entrar em vigor em agosto de 2020, mas já está trazendo impactos tanto para os consumidores quanto para as empresas.
Revista Proteste (julho 2019, texto adaptado)
No 3º parágrafo, no primeiro período, o conectivo inicial pode ser substituído, sem prejuízo do sentido, por:
Alternativas
Q1696479 Português
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Internet mais segura

    Nos tempos de hoje, por um lado, você é dono da sua própria programação, comandando o tipo de conteúdo que quer assistir, por outro, a privacidade dos seus dados está, cada vez mais, ameaçada na Internet.
    Os serviços de streaming (transmissão de vídeos e músicas pela Internet) mais conhecidos do mercado estão transformando o jeito de o consumidor assistir a filmes e séries, e até à famosa novela das nove, já que ele pode decidir o que quer, onde, como e quando preferir.
    Contudo, deve haver preocupação com a segurança digital. Esse grande acesso às novas tecnologias tem aberto um importante nicho de informação muito vulnerável de ser roubado. Segundo dados do IBGE, em 2016, brasileiros conectados à Internet já somavam 64% de toda a população, ou seja, 116 milhões de usuários. E, de acordo com o Instituto AV-Test, um dos maiores do mundo em segurança digital, com sede na Alemanha, cerca de 122 de malwares (arquivos capazes de capturar senhas ou danificar computadores e celulares) foram criados em 2017. Para você ter uma ideia, o Brasil aparece no sétimo lugar entre os países que mais sofrem devido aos ciberataques.
    Em função disso, é necessário que haja empenho em ajudar a construir uma Internet mais segura para todos. Destacamos o artigo sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que só deve entrar em vigor em agosto de 2020, mas já está trazendo impactos tanto para os consumidores quanto para as empresas.
Revista Proteste (julho 2019, texto adaptado)
No 2º parágrafo, em “...e até à famosa novela das nove, já que ele pode decidir o que quer, onde, como e quando preferir.”, a expressão em destaque tem o valor semântico de:
Alternativas
Q1696478 Português
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

Internet mais segura

    Nos tempos de hoje, por um lado, você é dono da sua própria programação, comandando o tipo de conteúdo que quer assistir, por outro, a privacidade dos seus dados está, cada vez mais, ameaçada na Internet.
    Os serviços de streaming (transmissão de vídeos e músicas pela Internet) mais conhecidos do mercado estão transformando o jeito de o consumidor assistir a filmes e séries, e até à famosa novela das nove, já que ele pode decidir o que quer, onde, como e quando preferir.
    Contudo, deve haver preocupação com a segurança digital. Esse grande acesso às novas tecnologias tem aberto um importante nicho de informação muito vulnerável de ser roubado. Segundo dados do IBGE, em 2016, brasileiros conectados à Internet já somavam 64% de toda a população, ou seja, 116 milhões de usuários. E, de acordo com o Instituto AV-Test, um dos maiores do mundo em segurança digital, com sede na Alemanha, cerca de 122 de malwares (arquivos capazes de capturar senhas ou danificar computadores e celulares) foram criados em 2017. Para você ter uma ideia, o Brasil aparece no sétimo lugar entre os países que mais sofrem devido aos ciberataques.
    Em função disso, é necessário que haja empenho em ajudar a construir uma Internet mais segura para todos. Destacamos o artigo sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que só deve entrar em vigor em agosto de 2020, mas já está trazendo impactos tanto para os consumidores quanto para as empresas.
Revista Proteste (julho 2019, texto adaptado)
Assinale a alternativa em que a regência verbal NÃO atende à norma culta da língua.
Alternativas
Q1696357 Português
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Do Espírito das Leis

    Obra mais famosa do autor francês Charles de Montesquieu, considerado um dos livros fundamentais do Iluminismo, O Espírito das Leis é a base da divisão política moderna dos três poderes. Um dos grandes filósofos do século XVIII, pensador iluminista, deixou uma grande herança por meio de suas obras. "Para melhor compreensão, desta obra, é preciso que se observe que o que denomino virtude na República é o amor à pátria, isto é, o amor à igualdade. Não é, em absoluto, virtude moral, nem virtude cristã, e sim virtude política; é a mola que faz mover o governo republicano, assim como a honra é a mola que faz mover o governo na monarquia".
   Em seus questionamentos, Montesquieu acaba por concluir que a única lei a governar todos os povos humanos era a criada pela Razão fornecida por Deus, o que os diferenciava dos demais animais e os estimulava a viver em sociedade, em respeito às leis naturais de busca de paz, alimentos... Entretanto, o desenvolvimento da sociedade civil acabaria por gerar confrontos. Passou a ser necessário, portanto, o estabelecimento de leis, que variavam de acordo com cada sociedade.  
   De acordo com Montesquieu, existem três formas de governo: Despotismo, Monarquia e República, sendo que apenas o Despotismo é essencialmente corrompido. Isso decorre devido ao fato que os déspotas tendem a empregar violência para se manterem no poder. A monarquia, por sua vez, é considerada por Montesquieu o mais efetivo governo, por meio do exercício da autoridade com firmeza e honra pelo soberano.
      Apesar disso, é fato que a sua proposta de divisão em três poderes – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário – influenciou em grande medida os governos republicanos, inclusive os atuais. De qualquer forma, o equilíbrio delineado por Montesquieu funcionaria aproximadamente da mesma maneira tanto em uma Monarquia quanto em uma República: o Executivo exerceria influência sobre as questões civis, o Legislativo criaria as leis mais apropriadas à sociedade, e o Judiciário fiscalizaria as normas que regeriam determinado grupo humano. Nenhum destes poderes, entretanto, é mais poderoso do que outro, devendo agir para limitar, caso outro membro da tríade vá além de suas prerrogativas.
      Além de representar uma poderosa reflexão sobre a natureza da raça humana, sua obra representou uma nova abordagem a respeito da necessidade de equilíbrio político, que influenciou não apenas a realidade imediata da França pré-revolucionária do século XVIII, mas também a futura sociedade democrática. Embora apresente certas considerações datadas, a obra ainda é bastante relevante no que diz respeito ao entendimento das possíveis limitações de um governo republicano.

https://www.infoescola.com - texto adaptado 
No 4º parágrafo, em “Apesar disso, é fato que a sua proposta de divisão em três poderes – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário – influenciou em grande medida os governos republicanos...”, o operador argumentativo destacado tem o seguinte valor semântico:
Alternativas
Q1696356 Português
No último período do 4º parágrafo, em “Nenhum destes poderes, entretanto, é mais poderoso do que outro, devendo agir para limitar, caso outro membro da tríade vá além de suas prerrogativas.”, o período é:
Alternativas
Q1696035 Português
“Todas aquelas informações, os rapazes conseguiram-nas com o uso de propinas.”.
O termo destacado exerce função sintática de:
Alternativas
Q1696033 Português
Há erro de concordância nominal na seguinte alternativa:
Alternativas
Q1695166 Português

Há sujeito indeterminado no seguinte verbo destacado:

Alternativas
Q1695164 Português
Assinale a alternativa que representa corretamente um exemplo de oração coordenada sindética explicativa:
Alternativas
Q1694533 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


             Cecília Meireles 

Dentre as opções abaixo, a que está em DESACORDO com a norma culta da língua, em relação à regência nominal, é:
Alternativas
Q1694532 Português
No período “Eles irão superar os problemas desde que aceitem a proposta.”, a expressão grifada tem o seguinte valor semântico: 
Alternativas
Q1694531 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


             Cecília Meireles 

Na frase “Eu adquiria aquela amargura à medida em que envelhecia.”, o período é:
Alternativas
Q1694530 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


             Cecília Meireles 

A opção abaixo que NÃO obedece ao padrão da norma culta da língua quanto à concordância verbal é:
Alternativas
Q1694526 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


             Cecília Meireles 

Nos versos “eu não tinha este coração que nem se mostra.”, a palavra grifada tem a sua análise morfossintática descrita, com acerto, em:
Alternativas
Q1693633 Português
Texto

Entrevista concedida ao jornalista Júlio Lerner, em 1 de fevereiro de 1977, para o programa “Panorama”, da TV Cultura, de São Paulo.

De minha sala até o saguão dos estúdios tenho que percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada. Talvez falar sobre “A Paixão Segundo G.H”… Ou quem sabe sobre “A Maçã no Escuro” e “Perto do Coração Selvagem”… Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio para entrevistá-la.
São quatro e quinze da tarde e disponho de apenas meia hora. Às cinco entra ao vivo o programa infantil e quinze minutos antes terei de desocupar o estúdio. Estou correndo e antes mesmo de vê-la a pressão do tempo começa a me massacrar. Não terei condições de preparar nada antes, nem mesmo conversar um pouco. Não poderei sequer tentar criar um clima adequado para a entrevista. Eu odeio a TV brasileira! Só meia hora para ouvir Clarice. O pessoal da técnica foi novamente generoso e se empenhou para conseguir essa brecha. Olho o relógio, não consigo me organizar, estou correndo, olho novamente o relógio. Estou desconcertado, atinjo o saguão dos estúdios e a vejo ali, dez metros adiante, Clarice de pé ao lado de uma amiga, perdida no meio do vaivém dos cenários desmontados, de diversos equipamentos e de técnicos que falam alto, no meio de um grande alvoroço.
Paro diante dela, estou um pouco ofegante, estendo-lhe a mão e sou atravessado pelo olhar mais desprotegido que um ser humano pode lançar a semelhante. Ela é frágil, ela é tímida, e eu não tenho condições para explicar que o problema do tempo elevou meus níveis de ansiedade. Clarice me apresenta Olga Borelli, entramos e a conduzo ao centro do pequeno estúdio. Peço para que ela sente numa poltrona de couro de tonalidade café-com-leite. Clarice segura apenas um maço de Hollywood e uma caixa de fósforos, providencio um cinzeiro, os refletores malditos são ligados. Clarice me olha. O olhar de Clarice me interroga, só disponho de uma única câmera, o olhar de Clarice suplica, Olga se ajeita numa lateral escurecida, chega Miriam, a estagiária do programa e fica encolhida e calada, o calor está ficando insuportável e o ar-condicionado não está ajustado, são apenas quatro e vinte, Clarice tenta me dizer alguma coisa, mas não falo com ela, preocupado em ajustar uma questão de iluminação, o hálito da fornalha já nos atinge a todos, devemos ter agora no estúdio uns 50 ou 60 graus, maldita TV, bendita TV do terceiro mundo que me possibilita estar agora frente a frente com ela, Clarice me olha melindrosa, assustada e seu olhar me pede para que a tranquilize.
“OK, Júlio, tudo pronto”, a voz metálica vem da caixa dos alto-falantes. Peço a toda equipe para sair, cabo man, iluminador, assistente de estúdio, agradeço. Clarice percebe que caiu numa arapuca e já não há como voltar atrás. Peço silêncio e depois de uns dez segundos ecoa um “gravando”.
Não conversamos antes e disponho apenas de 23 minutos. Estou completamente desconcertado, fico um minuto em silêncio fitando Clarice. Estou oco, vazio, não sei o que dizer. Clarice me olha curiosa, mas vigilante, defendida. Sou o senhor do castelo e — prepotente — guardo comigo a chave desta prisão. Ninguém pode entrar ou sair sem meu expresso consentimento. Todos devem se submeter à minha autoritária vontade.
A fornalha arde, meu coração dispara, minha boca está seca e debaixo destes tirânicos mil sóis sou o maior dos tiranos. Começa a entrevista. A entrevista avança. Seus olhos azuis-oceânicos revelam solidão e tristeza. Clarice está nua, não há perdão, Clarice agora está encapotada, ela se deixa agarrar, mas logo escapa, e volta, e me pega, e me sugere o longe, o não dizível, depois se cala. E quando nada mais espero, ela volta a falar. Faço uma antientrevista, pausas, silêncios, Clarice agora está fugindo para uma galáxia inabitada e inatingível, mas volta em seguida e, tolerante, suporta toda a minha limitação.
Acho que ela vai se levantar a qualquer instante e me dizer: “Chega!”. Clarice pressente que por trás de meu sorriso aparentemente compreensivo e de minha fala suave esconde-se um ser diabólico autodenominado “repórter” e que quer possuir sua intimidade. Seu corpo exprime receios, ela me afasta, mas de novo me atrai, suas pernas se cruzam e se descruzam sem parar e telegrafam que de repente ela poderá se levantar e partir.

Fonte: https://www.revistabula.com/503-a-ultima-entrevista-de-claricelispector, acesso em fevereiro de 2020
“Paro diante dela, estou um pouco ofegante, estendo-lhe a mão e sou atravessado pelo olhar mais desprotegido que um ser humano pode lançar a semelhante.”, no trecho anterior o verbo destacado está devidamente empregado por ter dois objetos (um indireto e um direto), assinale a alternativa com regência verbal correta:
Alternativas
Q1693631 Português
Texto

Entrevista concedida ao jornalista Júlio Lerner, em 1 de fevereiro de 1977, para o programa “Panorama”, da TV Cultura, de São Paulo.

De minha sala até o saguão dos estúdios tenho que percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada. Talvez falar sobre “A Paixão Segundo G.H”… Ou quem sabe sobre “A Maçã no Escuro” e “Perto do Coração Selvagem”… Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio para entrevistá-la.
São quatro e quinze da tarde e disponho de apenas meia hora. Às cinco entra ao vivo o programa infantil e quinze minutos antes terei de desocupar o estúdio. Estou correndo e antes mesmo de vê-la a pressão do tempo começa a me massacrar. Não terei condições de preparar nada antes, nem mesmo conversar um pouco. Não poderei sequer tentar criar um clima adequado para a entrevista. Eu odeio a TV brasileira! Só meia hora para ouvir Clarice. O pessoal da técnica foi novamente generoso e se empenhou para conseguir essa brecha. Olho o relógio, não consigo me organizar, estou correndo, olho novamente o relógio. Estou desconcertado, atinjo o saguão dos estúdios e a vejo ali, dez metros adiante, Clarice de pé ao lado de uma amiga, perdida no meio do vaivém dos cenários desmontados, de diversos equipamentos e de técnicos que falam alto, no meio de um grande alvoroço.
Paro diante dela, estou um pouco ofegante, estendo-lhe a mão e sou atravessado pelo olhar mais desprotegido que um ser humano pode lançar a semelhante. Ela é frágil, ela é tímida, e eu não tenho condições para explicar que o problema do tempo elevou meus níveis de ansiedade. Clarice me apresenta Olga Borelli, entramos e a conduzo ao centro do pequeno estúdio. Peço para que ela sente numa poltrona de couro de tonalidade café-com-leite. Clarice segura apenas um maço de Hollywood e uma caixa de fósforos, providencio um cinzeiro, os refletores malditos são ligados. Clarice me olha. O olhar de Clarice me interroga, só disponho de uma única câmera, o olhar de Clarice suplica, Olga se ajeita numa lateral escurecida, chega Miriam, a estagiária do programa e fica encolhida e calada, o calor está ficando insuportável e o ar-condicionado não está ajustado, são apenas quatro e vinte, Clarice tenta me dizer alguma coisa, mas não falo com ela, preocupado em ajustar uma questão de iluminação, o hálito da fornalha já nos atinge a todos, devemos ter agora no estúdio uns 50 ou 60 graus, maldita TV, bendita TV do terceiro mundo que me possibilita estar agora frente a frente com ela, Clarice me olha melindrosa, assustada e seu olhar me pede para que a tranquilize.
“OK, Júlio, tudo pronto”, a voz metálica vem da caixa dos alto-falantes. Peço a toda equipe para sair, cabo man, iluminador, assistente de estúdio, agradeço. Clarice percebe que caiu numa arapuca e já não há como voltar atrás. Peço silêncio e depois de uns dez segundos ecoa um “gravando”.
Não conversamos antes e disponho apenas de 23 minutos. Estou completamente desconcertado, fico um minuto em silêncio fitando Clarice. Estou oco, vazio, não sei o que dizer. Clarice me olha curiosa, mas vigilante, defendida. Sou o senhor do castelo e — prepotente — guardo comigo a chave desta prisão. Ninguém pode entrar ou sair sem meu expresso consentimento. Todos devem se submeter à minha autoritária vontade.
A fornalha arde, meu coração dispara, minha boca está seca e debaixo destes tirânicos mil sóis sou o maior dos tiranos. Começa a entrevista. A entrevista avança. Seus olhos azuis-oceânicos revelam solidão e tristeza. Clarice está nua, não há perdão, Clarice agora está encapotada, ela se deixa agarrar, mas logo escapa, e volta, e me pega, e me sugere o longe, o não dizível, depois se cala. E quando nada mais espero, ela volta a falar. Faço uma antientrevista, pausas, silêncios, Clarice agora está fugindo para uma galáxia inabitada e inatingível, mas volta em seguida e, tolerante, suporta toda a minha limitação.
Acho que ela vai se levantar a qualquer instante e me dizer: “Chega!”. Clarice pressente que por trás de meu sorriso aparentemente compreensivo e de minha fala suave esconde-se um ser diabólico autodenominado “repórter” e que quer possuir sua intimidade. Seu corpo exprime receios, ela me afasta, mas de novo me atrai, suas pernas se cruzam e se descruzam sem parar e telegrafam que de repente ela poderá se levantar e partir.

Fonte: https://www.revistabula.com/503-a-ultima-entrevista-de-claricelispector, acesso em fevereiro de 2020
No período “Clarice tenta me dizer alguma coisa, mas não falo com ela,...” a segunda oração exprime em relação à primeira o sentido de:
Alternativas
Q1693623 Português
Texto 

Licença poética

De acordo com o dicionário Houaiss, o termo “Licença Poética” é definido como a “liberdade de o escritor utilizar construções, prosódias, ortografias, sintaxes não conformes às regras, ao uso habitual, para atingir seus objetivos de expressão”. Está presente na literatura, música e também nas propagandas.
Por meio da licença poética, o artista ganha liberdade de expressão e se desprende da normatividade das regras gramaticais e/ou métricas, utilizando, entre outros recursos, versos irregulares, erros ortográficos e/ou gramaticais e rimas falsas. Assim, observa-se uma espécie de erro proposital, empregado para destacar determinado ponto da obra.
Entre os exemplos de uso de licença poética, podemos destacar o poema Indivisíveis, de Mário Quintana, que apresenta a seguinte frase: “Meu primeiro amor sentávamos…”.
Segundo a norma culta da língua portuguesa, observa-se um erro de concordância verbal, uma vez que o verbo (sentar) deve concordar com o sujeito (Meu primeiro amor). Assim, a forma correta da flexão do verbo deveria ser “sentava” em vez de “sentávamos”, no entanto, o poeta optou em utilizar a primeira pessoa do plural para demarcar simbolicamente a fusão entre o casal de amantes.
O poeta Manoel de Barros também utiliza o recurso no trecho: “Gostaria agora de escrever um livro. Usaria o idioma das larvas incendiadas […]”. Nesse caso, ele utiliza a licença poética para criticar a forma como as pessoas costumam usar a linguagem, comparando-a às larvas. 
Na letra da música Socorro, de Arnaldo Antunes, percebe-se a presença da licença poética no trecho a seguir: “Meu coração já não bate, só apanha…”. Sabe-se que o coração não é capaz de bater ou apanhar, no entanto, com a utilização do recurso, o autor reforça que em sua vida afetiva está mais acostumado a sofrer do que a ter alegrias.
Também encontramos a licença poética em romances, roteiros de novela, textos publicitários, jornalísticos, assim como em todas as outras áreas que envolvam um trabalho direto com a língua. 
Além de ser utilizada como recurso estético, a licença poética pode ser utilizada para objetivos mais práticos. Por exemplo, quando há uma novela ambientada ou com núcleo formado por personagens estrangeiros, como ocorreu em Caminho da Índias (Rede Globo, 2009), de Glória Perez, surpreendentemente, observa-se que os mesmos falam português perfeitamente. Isso ocorre devido ao pacto ficcional estabelecido entre o público e o autor da obra. Pelo fato dos telespectadores serem muito variados, seria difícil que todos conseguissem acompanhar o ritmo da trama, caso a mesma fosse legendada, o que resultaria, consequentemente, em uma perda de público. Uma vez que as telenovelas visam, em primeiro lugar, a obtenção da audiência, não seria um bom negócio em termos econômicos. Sem falar do tempo, esforço e investimento que devem ser aplicados para ensinar uma língua estrangeira aos atores, que, no momento da veiculação da obra, precisariam apresentar fluência na mesma.
Assim, pode-se considerar a licença poética como uma manobra linguística válida para diversos gêneros textuais, que permite aos autores expressarem o que desejam do modo que considerem mais adequado.

Fonte: https://www.infoescola.com/literatura/licenca-poetica, acesso em fevereiro de 2020

No verso citado em “Entre os exemplos de uso de licença poética, podemos destacar o poema Indivisíveis, de Mário Quintana, que apresenta a seguinte frase: ‘Meu primeiro amor sentávamos…”’, reconhece-se concordância tida como anormal, psicológica, porque se faz com um termo oculto, facilmente subentendido, essa é um exemplo de:
Alternativas
Q1693622 Português
Texto 

Licença poética

De acordo com o dicionário Houaiss, o termo “Licença Poética” é definido como a “liberdade de o escritor utilizar construções, prosódias, ortografias, sintaxes não conformes às regras, ao uso habitual, para atingir seus objetivos de expressão”. Está presente na literatura, música e também nas propagandas.
Por meio da licença poética, o artista ganha liberdade de expressão e se desprende da normatividade das regras gramaticais e/ou métricas, utilizando, entre outros recursos, versos irregulares, erros ortográficos e/ou gramaticais e rimas falsas. Assim, observa-se uma espécie de erro proposital, empregado para destacar determinado ponto da obra.
Entre os exemplos de uso de licença poética, podemos destacar o poema Indivisíveis, de Mário Quintana, que apresenta a seguinte frase: “Meu primeiro amor sentávamos…”.
Segundo a norma culta da língua portuguesa, observa-se um erro de concordância verbal, uma vez que o verbo (sentar) deve concordar com o sujeito (Meu primeiro amor). Assim, a forma correta da flexão do verbo deveria ser “sentava” em vez de “sentávamos”, no entanto, o poeta optou em utilizar a primeira pessoa do plural para demarcar simbolicamente a fusão entre o casal de amantes.
O poeta Manoel de Barros também utiliza o recurso no trecho: “Gostaria agora de escrever um livro. Usaria o idioma das larvas incendiadas […]”. Nesse caso, ele utiliza a licença poética para criticar a forma como as pessoas costumam usar a linguagem, comparando-a às larvas. 
Na letra da música Socorro, de Arnaldo Antunes, percebe-se a presença da licença poética no trecho a seguir: “Meu coração já não bate, só apanha…”. Sabe-se que o coração não é capaz de bater ou apanhar, no entanto, com a utilização do recurso, o autor reforça que em sua vida afetiva está mais acostumado a sofrer do que a ter alegrias.
Também encontramos a licença poética em romances, roteiros de novela, textos publicitários, jornalísticos, assim como em todas as outras áreas que envolvam um trabalho direto com a língua. 
Além de ser utilizada como recurso estético, a licença poética pode ser utilizada para objetivos mais práticos. Por exemplo, quando há uma novela ambientada ou com núcleo formado por personagens estrangeiros, como ocorreu em Caminho da Índias (Rede Globo, 2009), de Glória Perez, surpreendentemente, observa-se que os mesmos falam português perfeitamente. Isso ocorre devido ao pacto ficcional estabelecido entre o público e o autor da obra. Pelo fato dos telespectadores serem muito variados, seria difícil que todos conseguissem acompanhar o ritmo da trama, caso a mesma fosse legendada, o que resultaria, consequentemente, em uma perda de público. Uma vez que as telenovelas visam, em primeiro lugar, a obtenção da audiência, não seria um bom negócio em termos econômicos. Sem falar do tempo, esforço e investimento que devem ser aplicados para ensinar uma língua estrangeira aos atores, que, no momento da veiculação da obra, precisariam apresentar fluência na mesma.
Assim, pode-se considerar a licença poética como uma manobra linguística válida para diversos gêneros textuais, que permite aos autores expressarem o que desejam do modo que considerem mais adequado.

Fonte: https://www.infoescola.com/literatura/licenca-poetica, acesso em fevereiro de 2020

A partir do modo de classificação gramatical, que considera ‘sujeito’ e ‘verbo’ estruturas essenciais, é possível reconhecer que, dentre os períodos a seguir, está indevidamente construído abaixo, expressando somente sujeito o:
Alternativas
Q1693265 Português

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Fonte: https://br.pinterest.com/pin/712342866047767326/


Em “Passei pra deixar um carinho” temos:

Alternativas
Respostas
21541: D
21542: D
21543: C
21544: A
21545: A
21546: E
21547: C
21548: D
21549: A
21550: C
21551: A
21552: D
21553: B
21554: C
21555: E
21556: E
21557: D
21558: D
21559: B
21560: B