Questões de Concurso
Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português
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Texto 1 – Alterar o ECA independe da situação carcerária
(O Globo, Opinião, 23/06/2015)
Nas unidades de internação de menores infratores reproduzem-se as mesmas mazelas dos presídios para adultos: superpopulação, maus-tratos, desprezo por ações de educação, leniência com iniciativas que visem à correição, falhas graves nos procedimentos de reinclusão social etc. Um levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público mostra que, em 17 estados, o número de internos nos centros para jovens delinquentes supera o total de vagas disponíveis; conservação e higiene são peças de ficção em 39% das unidades e, em 70% delas, não se separam os adolescentes pelo porte físico, porta aberta para a violência sexual.
Assim como os presídios, os centros não regeneram. Muitos são, de fato, e também a exemplo das carceragens para adultos, locais que pavimentam a entrada de réus primários no mundo da criminalidade. Esta é uma questão que precisa ser tratada no âmbito de uma reforma geral da política penitenciária, aí incluída a melhoria das condições das unidades socioeducativas para os menores de idade. Nunca, no entanto, como argumento para combater a adequação da legislação penal a uma realidade em que a violência juvenil se impõe cada vez mais como ameaça à segurança da sociedade. O raciocínio segundo o qual as más condições dos presídios desaconselham a redução da maioridade penal consagra, mais do que uma impropriedade, uma hipocrisia. Parte de um princípio correto – a necessidade de melhorar o sistema penitenciário do país, uma unanimidade – para uma conclusão que dele se dissocia: seria contraproducente enviar jovens delinquentes, supostamente ainda sem formação criminal consolidada, a presídios onde, ali sim, estariam expostos ao assédio das facções.
Falso. A realidade mostra que ações para melhorar as condições de detentos e internos são indistintamente inexistentes. A hipocrisia está em obscurecer que, se o sistema penitenciário tem problemas, a rede de “proteção” ao menor consagrada no Estatuto da Criança e do Adolescente também os tem. E numa dimensão que implica dar anteparo a jovens envolvidos em atos violentos, não raro crimes hediondos, cientes do que estão fazendo e de que, graças a uma legislação paternalista, estão a salvo de serem punidos pelas ações que praticam.
Preservar o paternalismo e a esquizofrenia do ECA equivale a ficar paralisado diante de um falso impasse. As condições dos presídios (bem como dos centros de internação) e a violência de jovens delinquentes são questões distintas, e pedem, cada uma em seu âmbito específico, soluções apropriadas. No caso da criminalidade juvenil, o correto é assegurar a redução do limite da inimputabilidade, sem prejuízo de melhorar o sistema penitenciário e a rede de instituições do ECA. Uma ação não invalida a outra. Na verdade, as duas são necessárias e imprescindíveis.
A respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto II, julgue o próximo item.
Sem prejuízo para o sentido original do texto, a forma verbal
“repercute” (l.10) poderia ser substituída por reflete.
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto III, julgue o item subsecutivo.
No trecho “e vejo que muitos dos que amo e admiro também
a empunham” (l. 12 e 13), o vocábulo “também” denota
inclusão.
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto II, julgue o item subsecutivo.
Na linha 1, o vocábulo “alento” poderia ser substituído por
desânimo, sem prejuízo para o sentido original do texto.
Com relação ao emprego dos operadores argumentativos e modalizadores, assinale V (verdadeira) ou F (falsa) em cada afirmativa.
( ) No título, a palavra "até" reforça o grau superlativo do adjetivo "pior", que indica avaliação negativa para "saúde".
( ) Na linha 22, "só" é um delimitador e pode, sem alterar o sentido, ser substituído por aliás.
( ) Na linha 31, a expressão "é possível", aliada ao quantificador "alguns" (ℓ. 32), indica benefícios da atividade física no organismo de quem pratica corrida.
A sequência correta é
Analise a relação particular que se estabelece entre verbos e os respectivos complementos que lhes integram o sentido. Assinale V (verdadeira) ou F (falsa) em cada afirmativa.
( ) Na linha 1, "gerar", sem alterar o termo regido e o sentido do texto, pode ser substituído por provocar.
( ) Na linha 10, "tendem" e "preferir" estão empregados com a mesma regência verbal.
( ) Na linha 30, "gostar", sem alterar o termo regido e o sentido do texto, pode ser substituído por preferir.
A sequência correta é
A respeito da linguagem empregada no texto, assinale V (verdadeira) ou F (falsa) em cada alternativa a seguir.
( ) A palavra "caudatária" (ℓ. 19) é empregada no sentido de independência ou insubordinação e contribui para o desenvolvimento da ideia de que "a tradição de qualidade nas profissões manuais" (ℓ. 18-19) permanece no mundo do trabalho de hoje.
( ) As palavras "incapaz" (ℓ. 11) e "jamais" (ℓ. 26) indicam uma hierarquização do profissional e do dever do ofício em relação ao cliente.
( ) Os sufixos em "profissionalismo" (ℓ. 3-4) e "lanterneiro" ( ℓ. 13) indicam atividade ou ofício e ligam-se ao radical de cada uma das palavras pelo processo de parassíntese.
( ) O termo "só", tanto na 3, quanto na linha linha 33, modifica "isso" e pode ser substituído por "apenas" em ambas as ocorrências.
A sequência correta é
O caráter argumentativo de um artigo de opinião é construído pelo emprego de estratégias variadas que sinalizam o ponto de vista do autor. Com relação às estratégias argumentativas empregadas no texto, assinale V (verdadeira) ou F (falsa) em cada afirmativa a seguir.
( ) O caráter injuntivo, evidenciado no 1º parágrafo pelo emprego de verbos no modo imperativo,
contribui para marcar interação com o
leitor.
( ) Os termos "perigosa" (ℓ. 33) e "extraordinária" (ℓ. 33-34) avaliam "possibilidade" (ℓ. 34) e sinalizam a posição favorável do autor em relação às coleções digitalizadas.
( ) As aspas empregadas em "mesmo" (ℓ. 58) indicam a não literalidade dessa palavra, o que contribui para a construção do argumento em favor da tese de que as formas de leitura e as bibliotecas podem mudar.
A sequência correta é
A respeito do conteúdo e da linguagem empregada no texto, considere as afirmativas a seguir.
I - O tema consiste no modo como as práticas de leitura são afetadas pelo suporte material dos livros, sendo o Google o agente motivador das mudanças e as bibliotecas elementos nucleares da discussão.
II - No 2º parágrafo, se o segmento adverbial "nos últimos meses" ( ℓ.12-13) fosse deslocado para depois de "empresa californiana" (ℓ. 16-17), o sentido do período se manteria inalterado.
III - No 4º parágrafo, se a palavra "patrimônio" (ℓ. 38) fosse pluralizada, outros três elementos deveriam ser também pluralizados, em benefício da concordância.
Está(ão) correta(s)
Julgue o item que se segue, referente ao sentido e a aspectos gramaticais do texto.
Para o autor do texto, o liberalismo tem sua origem relacionada
a três elementos distintos: a dimensão ‘ético-filosófica’, a
dimensão econômica e a perspectiva ‘político-jurídica’.
Julgue o item que se segue, referente ao sentido e a aspectos gramaticais do texto.
A forma verbal “denota” (R.1) poderia ser corretamente
substituída, no texto, pelo seu sinônimo manifesta.
A respeito das ideias e de aspectos linguísticos do texto, julgue o item que se segue.
No texto, o vocábulo “calcada” (R.13) está empregado com o
sentido de fundamentada, apoiada.
A felicidade de Milkau era perfeita. Tinha limitado o inquieto desejo, apagado do espírito as manchas da ambição, do domínio e do orgulho, e deixado que a simplicidade do coração o retomasse e inspirasse. Trabalhava mansamente no quinhão de terra que ocupava. A sua pequena habitação, erguida no silêncio da mata, era humilde como as outras dos colonos; nada existia ali que fosse a traição de um gosto refinado, ou uma pequena volúpia. Apenas, quebrando a uniforme monotonia rústica, o quarto de dormir de Milkau impressionava como uma capela ardente de amor, de veneração e de saudade. Estava povoado de retratos, como veladores Penates que o homem transporta nas suas migrações sobre a Terra. Aí se viam pessoas da família, essa mãe, quase filha, com grandes olhos de dor e súplica perene, o pai iluminado por um sorriso de mártir, e a mulher, criança que amara quando ela passou diante dos seus olhos, transfigurando-se para morrer. Os mais eram retratos das grandes figuras humanas, poetas, amorosos, sofredores. Era com essas imagens que Milkau vivia na comunhão funda e religiosa, que dá a alegria perpétua e que enche o vazio do isolamento.
(...)
Sem demora, Milkau espraiava-se em relações com o grupo colonial do Rio Doce. Achava um encanto em conviver com essa gente primitiva, que o recebia sem desconfiança, e que se ia deixando infiltrar da sua cordura e meiguice. Milkau, sem orgulho de inteligência, conformava-se com todas as lições que lhe davam os antigos e experientes colonos sobre as coisas da lavoura. Vendo-o assim atento, mais lhe queriam os camponeses, que ele não atemorizava com a sua educação, e em sua presença tinham instintivamente uma atitude cheia de simpatia e respeito. (...)
ARANHA, Graça. Canaã. 10. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. p. 100.
A felicidade de Milkau era perfeita. Tinha limitado o inquieto desejo, apagado do espírito as manchas da ambição, do domínio e do orgulho, e deixado que a simplicidade do coração o retomasse e inspirasse. Trabalhava mansamente no quinhão de terra que ocupava. A sua pequena habitação, erguida no silêncio da mata, era humilde como as outras dos colonos; nada existia ali que fosse a traição de um gosto refinado, ou uma pequena volúpia. Apenas, quebrando a uniforme monotonia rústica, o quarto de dormir de Milkau impressionava como uma capela ardente de amor, de veneração e de saudade. Estava povoado de retratos, como veladores Penates que o homem transporta nas suas migrações sobre a Terra. Aí se viam pessoas da família, essa mãe, quase filha, com grandes olhos de dor e súplica perene, o pai iluminado por um sorriso de mártir, e a mulher, criança que amara quando ela passou diante dos seus olhos, transfigurando-se para morrer. Os mais eram retratos das grandes figuras humanas, poetas, amorosos, sofredores. Era com essas imagens que Milkau vivia na comunhão funda e religiosa, que dá a alegria perpétua e que enche o vazio do isolamento.
(...)
Sem demora, Milkau espraiava-se em relações com o grupo colonial do Rio Doce. Achava um encanto em conviver com essa gente primitiva, que o recebia sem desconfiança, e que se ia deixando infiltrar da sua cordura e meiguice. Milkau, sem orgulho de inteligência, conformava-se com todas as lições que lhe davam os antigos e experientes colonos sobre as coisas da lavoura. Vendo-o assim atento, mais lhe queriam os camponeses, que ele não atemorizava com a sua educação, e em sua presença tinham instintivamente uma atitude cheia de simpatia e respeito. (...)
ARANHA, Graça. Canaã. 10. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. p. 100.








