Questões de Concurso
Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português
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Texto I
Machado de Assis é mesmo realista?
O aluno tem essa dúvida quando lê que o marco
da fundação do realismo no Brasil se deu em 1881,
quando se publicaram “O mulato”, de Aluísio de
Azevedo, e “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de
Machado de Assis. A informação aparece em muitos
manuais didáticos.
O romance de Aluísio de Azevedo de fato se
encaixa bem no formato realista. Mas, sabendo que o
personagem Brás Cubas escreveu as suas memórias
depois de morto e que no século XIX não havia
evidências de vida depois da morte (como não as há
até hoje, aliás), ojovem leitor se pergunta: como pode
ser realista um livro que se chama “Memórias
póstumas”?
A pergunta do aluno é inteligente. A obra de
Machado nos oferece várias ocasiões para duvidar
do realismo que lhe imputam, como a personagem do
doutor Simão Bacamarte, o protagonista de “O
alienista”: ele é o cientista que se vê sempre prestes a
revelar a verdade verdadeira aos incautos e não
arreda desta auto ilusão nem mesmo quando
encontra tão somente o seu próprio erro, mostrando-se então a caricatura do realista de carteirinha,
daquele que quer nos mostrar “a vida como ela é”.
Não contente em atacar a concepção realista com
seus personagens e metáforas, Machado de Assis a
combateu explícita e frontalmente em vários textos
críticos.
Na dura crítica que fez a “O primo Basílio”,
romance de Eça de Queiroz, o escritor brasileiro
afirmou categoricamente: "voltemos os olhos para a
realidade, mas excluamos o realismo; assim não
sacrificarem os a verdade estética” . Machado
ordenou a exclusão do realismo do campo da arte
para não sacrificar a verdade estética, isto é, aquela
verdade que não esconde do leitor que inventa
realidades de papel.
No ensaio “A Nova Geração”, Machado de Assis
afirmou, de maneira mais categórica ainda: “a
realidade é boa, o realismo é que não presta para
nada”. Creio que ele não podia ser mais claro.
Segundo o autor, o realismo “não presta para nada”
porque sobrepõe à vida um ideal com o qual a vida
mesma não concorda.
O realismo quer dobrar a vida à sua perspectiva,
mas com isso termina por recusá-la e não por afirmá-la. O realismo quer descrever a vida como ela é, mas
faz apenas uma “reprodução fotográfica e servil das
cousas mínimas e ignóbeis” para as tratar com uma
“exação de inventário”, ou seja, para as dispor em
gavetas uniformes como se cada acontecimento se
reduzisse à dimensão de todos os outros.
Por isso, Machado não perde a chance de reduzir
o realismo a uma ironia divertida: “porque a nova
poética é isto e só chegará à perfeição no dia em que
nos disser o número exato dos fios de que se compõe
um lenço de cambraia ou um esfregão de cozinha”.
Mas por que, se o próprio Machado de Assis
reduziu o realismo a pó de traque, há tantos que ainda
insistem em considerá-lo realista?
Gustavo Bernardo
(Disponível em: http://www.revista.vestibular.uerj.br/coluna/ coluna.php?seq_coluna=16)

Internet: <www.endocrino.org.br> (com adaptações).
Quanto à correção gramatical e à coerência das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados do texto, julgue o item .
“ocasionar” (linha 10) por acarretarem
A matéria jornalística abaixo exposta, extraída de Veja, 24/04/19, relata um episódio no âmbito da esfera político-econômica, ocorrência que desencadeou uma série de ações num curto intervalo de tempo. Por essa razão, muito importante se faz o domínio quanto ao emprego dos tempos verbais para retratar a trajetória dos fatos. Atente para as formas verbais em destaque no texto, de modo a responder ao que se pede na questão.
“A quinta-feira 11 foi um marco duplo para o governo de Jair Bolsonaro. Na mesma data em que celebrava
seus 100 primeiros dias na Presidência da República, Bolsonaro pôs em risco a imagem de adepto do
liberalismo econômico, adotada durante a campanha eleitoral e, em grande parte, responsável por sua eleição.
Ocorre que o dia 11 também era a data em que a Petrobras anunciaria o reajuste dos combustíveis, cujo preço
permanecia congelado havia quinze dias. Em março, a companhia cedera a um apelo do governo, que pediu
que o prazo de aumento do diesel fosse ampliado para pelo menos quinze dias. [...] Na noite da quinta-feira, o
presidente da petroleira, Roberto Castelo Branco, estava no aeroporto do Rio de Janeiro, prestes a embarcar
para os Estados Unidos, quando recebeu uma ligação do presidente da República. Segundo sua explicação no
dia seguinte, no Twiter, Bolsonaro só queria entender como a estatal havia chegado àquele número, que, na
repentina condição de conhecedor da matemática dos combustíveis, lhe parecia absurdo, “se comparado à
inflação”. [...] Castelo Branco, que passaria a semana no exterior em conversa com investidores, convocou
uma reunião de emergência com os diretores. A deliberação foi comandada do aeroporto mesmo, por telefone,
e uma decisão saiu em minutos: o reajuste seria suspenso para que se revisitassem todos os cálculos e análises.
[...] No fim da ligação, Castelo Branco informou aos diretores que anteciparia a volta ao Brasil para a
segunda-feira. Não levou mais de meia hora para que a Petrobras alterasse o preço do diesel em seu site,
voltando à cotação antiga. O que se deu a partir daí foi uma espécie de caos, no mercado e no governo [...].
A escolha dos vocábulos também é um fator determinante para a coesão textual. Nessa perspectiva, analise as justificativas apresentadas nas proposições abaixo quanto para o sentido com que foram empregados alguns dos verbos presentes no texto.
I- O verbo HAVER, empregado em: “... o reajuste dos combustíveis, cujo preço permanecia congelado havia quinze dias” tem valor correspondente ao do verbo FAZER na expressão de tempo.
II- O verbo SAIR em: “A deliberação foi comandada do aeroporto mesmo, por telefone, e uma decisão saiu em minutos...” é empregado no sentido de SURGIR, APARECER.
III- O verbo LEVAR em: “Não levou mais de meia hora para que a Petrobras alterasse o preço do diesel em seu site” tem sentido correspondente ao de INCIDIR, CONDUZIR.
IV- O verbo DAR, empregado em: “O que se deu a partir daí foi uma espécie de caos, no mercado e no governo”, tem sentido equivalente ao de ENTREGAR-SE, RENDER-SE”.
É CORRETA a justificativa que se apresenta nas proposições citadas em:
A matéria jornalística abaixo exposta, extraída de Veja, 24/04/19, relata um episódio no âmbito da esfera político-econômica, ocorrência que desencadeou uma série de ações num curto intervalo de tempo. Por essa razão, muito importante se faz o domínio quanto ao emprego dos tempos verbais para retratar a trajetória dos fatos. Atente para as formas verbais em destaque no texto, de modo a responder ao que se pede na questão.
“A quinta-feira 11 foi um marco duplo para o governo de Jair Bolsonaro. Na mesma data em que celebrava
seus 100 primeiros dias na Presidência da República, Bolsonaro pôs em risco a imagem de adepto do
liberalismo econômico, adotada durante a campanha eleitoral e, em grande parte, responsável por sua eleição.
Ocorre que o dia 11 também era a data em que a Petrobras anunciaria o reajuste dos combustíveis, cujo preço
permanecia congelado havia quinze dias. Em março, a companhia cedera a um apelo do governo, que pediu
que o prazo de aumento do diesel fosse ampliado para pelo menos quinze dias. [...] Na noite da quinta-feira, o
presidente da petroleira, Roberto Castelo Branco, estava no aeroporto do Rio de Janeiro, prestes a embarcar
para os Estados Unidos, quando recebeu uma ligação do presidente da República. Segundo sua explicação no
dia seguinte, no Twiter, Bolsonaro só queria entender como a estatal havia chegado àquele número, que, na
repentina condição de conhecedor da matemática dos combustíveis, lhe parecia absurdo, “se comparado à
inflação”. [...] Castelo Branco, que passaria a semana no exterior em conversa com investidores, convocou
uma reunião de emergência com os diretores. A deliberação foi comandada do aeroporto mesmo, por telefone,
e uma decisão saiu em minutos: o reajuste seria suspenso para que se revisitassem todos os cálculos e análises.
[...] No fim da ligação, Castelo Branco informou aos diretores que anteciparia a volta ao Brasil para a
segunda-feira. Não levou mais de meia hora para que a Petrobras alterasse o preço do diesel em seu site,
voltando à cotação antiga. O que se deu a partir daí foi uma espécie de caos, no mercado e no governo [...].
Analise as afirmações a seguir que abordam o funcionamento do tempo verbal.
I- As formas verbais simples - ANUNCIAR, PASSAR e ANTECIPAR -, conjugadas no futuro do pretérito, são passíveis de substituição pelas locuções verbais: IA/IRIAANUNCIAR; IA/IRIAPASSAR e IA/IRIAANTECIPAR.
II- A forma verbal simples CEDERA, conjugada no pretérito mais que perfeito é passível de substituição pelo tempo composto HAVIACEDIDO, alternância também admissível entre as formas HAVIACHEGADO e CHEGARA.
III- As formas verbais simples – RECEBER, CONVOCAR e INFORMAR, conjugadas no pretérito perfeito são passíveis de substituição pelas formas RECEBERA, CONVOCARA e INFORMARA, no pretérito mais que perfeito.
É CORRETO o que se afirma em:
Quando eu crescer, quero ser...
Rodrigo Alves de Carvalho
A criançada brinca no parquinho como se o dia nunca fosse acabar.
E correm... Como correm essas crianças! Tão pequenas com seus pulmõezinhos tão pequenos e nunca se cansam.
Encontra-se com outras crianças, misturam-se, não importa a cor, a raça ou classe social. “É criança?” Então pode juntar-se para brincar e brincar e brincar sem parar.
E a tal bola? Esse objeto redondo que enfeitiça e hipnotiza a criançada. A bola é perseguida, chutada, jogada e amada. Quanto amor uma criança pode ter por uma bola? É claro que nem toda criança gosta de bola, principalmente meninas, mas se tiver uma bola por perto, nem que seja apenas para apanhá-la, apalpá-la, apertá-la contra o peito a criança não resistirá. É um amor incondicional.
E tem criança de todo tipo: as arteiras que comandam as brincadeiras e se impõem, não tem medo de nada e geralmente aprontam estripulias. Já os quietinhos somente acompanham, esperam sua vez para brincar e a qualquer sinal de confusão ficam preocupados e até se entregam por isso. E por último os birrentos. Esses não querem saber, se forem contrariados põe a boca no mundo e choram como ninguém, ou melhor, fazem isso por querer, só para desarmar outras crianças e até mesmo e na maioria das vezes, os adultos. Os birrentos são os que dão mais trabalho.
No parquinho há crianças de todo tipo... E brincam, brincam e brincam sem parar.
A bola cruza o céu e uma tropa de meninos corre em disparada como num arrastão de alegria...
Como é bom ser criança! No meu caso, como foi bom ser criança. E na verdade a gente acaba voltando à infância quando estamos perto da criançada brincando e sorrindo. Isso é bom. Faz-nos recordar a melhor época de nossas vidas.
Eu e meu sobrinho de sete anos todo suado e sujo de areia de tanto brincar estávamos indo embora do parquinho naquela tarde e ele me disse todo alegre:
- Tio... Quando eu crescer, vou querer ser jogador de futebol!
Achei a escolha boa, se bem que um tanto comum para um menino de sete anos. Depois pensei um pouco na conjectura de voltar à minha infância e sair de um parquinho de mãos dadas com meu tio e se fosse para escolher meu próprio futuro iria dizer:
- Tio... Quando eu crescer, vou querer ser criança.
Disponível em:<https://www.jornaluniao.com.br/noticias/artigos/quando-eu-crescer-quero-ser/>
As redes sociais estão fervilhando com aplicativos que “envelhecem” as pessoas. Simular a aparência para quando se atingir idades projectas é uma brincadeira divertida, mas envelhecer no mundo real é um assunto sério.
Uma das maiores conquistas da humanidade foi o aumento da expectativa de vida, que foi acompanhada por uma melhoria substancial nos parâmetros de saúde das populações, embora essas conquistas estejam longe de serem distribuídas uniformemente. Atingir a velhice, que já foi privilégio de poucos, hoje se torna mais comum. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de pessoas com mais de 65 anos, que é de 7% em 2019, atingirá 15% da população em 2034, superando a barreira dos 20% em 2046. Em 2060, um em cada quatro brasileiros será idoso. Essa grande conquista do século 20, no entanto, tornou-se um desafio. [...]
Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2019/07/envelhecer-no-mundo-real-e-um-assunto-seriocjyda32cl018801pb5nsc51yj.html. Acesso em: 21/jul/2019.[adaptado]
Leia a frase a seguir e assinale a alternativa que substitui o termo sublinhado da oração sem alterar o seu significado:
“O maior erro é a pressa antes do tempo e a lentidão ante a oportunidade.”
Palavras antônimas são palavras que apresentam um significado contrário na representação de uma ideia. Além de contrariedade e oposição, os antônimos podem também estabelecer correlação e complementaridade.
I - A antonímia é habitualmente estabelecida entre palavras diferentes, com radicais diferentes, por exemplo, bom e mau.
II - Os antônimos podem ser formados, também, por prefixos de negação, como: in-, des-, a-, por exemplo, atento e desatento.
III - Os antônimos podem, ainda, ser representados por palavras que já apresentam prefixos cujos significados são contraditórios, por exemplo, infeliz como antônimo de feliz.
Está(ão) correta(s) apenas:
Leia atentamente o seguinte parágrafo, extraído da crônica “E a bolsa masculina?”, de Walcyr Carrasco.
“O vestuário masculino tornou-se obsoleto, essa é a verdade. As sortudas das mulheres têm as bolsas. A bolsa feminina equivale à caixa-preta do avião. Só se sabe o que há lá dentro após uma investigação minuciosa. São itens variados, que vão de maquiagem a tíquetes de passagens antigas e fotos de entes queridos amassadas. Mas é confortável. A proprietária de uma bolsa enfia o que quiser lá dentro. Resgata quando houver necessidade. Mesmo se for preciso espalhar o conteúdo no sofá. E, em casos extremos, chamar o Corpo de Bombeiros!”
Considere atentamente o poema a seguir, escrito por Machado de Assis, para responder à próxima questão.
“Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
‘Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!’
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
‘Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela’
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
‘Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume’!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
‘Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume’?”
O parágrafo reproduzido a seguir foi extraído do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Considere-o para responder à questão seguinte.
“Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direto à narração. Mas, por menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos”.
O primeiro mamífero extinto por causa das mudanças climáticas
Em junho de 2016, o Departamento da Proteção do Meio Ambiente e da Herança australiano preparou um relatório que afirmava que o Melanomys rubicola, um tipo de roedor, teria sido o primeiro mamífero do mundo a ser extinto em razão das mudanças climáticas. No entanto, foi só agora que o governo da Austrália reconheceu a extinção do animal.
Todos os indivíduos da espécie viviam em Bramble Cay, uma pequena ilha na Oceania que, em seu ponto mais alto, desponta a apenas 3 metros do mar.
A primeira vez em que esses ratos foram avistados foi em 1845, e, em 1978, centenas deles ___________ o local. Contudo, desde 1998, a porção da ilha que fica acima da água caiu de 40 mil para 2 mil metros quadrados. Ou seja, conforme o espaço e a vegetação ___________, os animais teriam perdido cerca de 97% de seu habitat.
Assim, o Melanomys rubicola se tornou a primeira de muitas espécies que ainda serão extintas por causa do clima progressivamente quente, de acordo com os autores do estudo. Segundo eles, esses roedores poderiam ter sido salvos caso mais recursos tivessem sido dedicados à causa sustentável.
https://veja.abril.com.br/ciencia... - adaptado.
Neste trecho do romance, o narrador conta que “o caso intrigou a vizinhança”. Analise as alternativas a seguir e assinale a que NÃO apresenta um termo que possui significado próximo ao de “intrigado”.
Leia atentamente o seguinte poema de Manuel Bandeira, intitulado Arte de Amar, para responder à questão a seguir.
“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a
tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”
Triste Fim de Policarpo Quaresma é o título de uma das principais obras de ficção da literatura brasileira, escrita por Lima Barreto. Considere o trecho a seguir, em que o narrador descreve o protagonista do romance, e responda à próxima questão.
“Durante os lazeres burocráticos, estudou, mas estudou a Pátria, nas suas riquezas naturais, na sua história, na sua geografia, na sua literatura e na sua política. Quaresma sabia as espécies de minerais, vegetais e animais, que o Brasil continha; sabia o valor do ouro, dos diamantes exportados por Minas, as guerras holandesas, as batalhas do Paraguai, as nascentes e o curso de todos os rios. Defendia com azedume e paixão a proeminência do Amazonas sobre todos os demais rios do mundo. Para isso ia até ao crime de amputar alguns quilômetros ao Nilo e era com este rival do “seu” rio que ele mais implicava. Ai de quem o citasse na sua frente! Em geral, calmo e delicado, o major ficava agitado e malcriado, quando se discutia a extensão do Amazonas em face da do Nilo”.
A IDADE EM QUE VOCÊ COMEÇA A SENTIR OS SINAIS
DA VELHICE PODE DEPENDER DE ONDE VOCÊ VIVE.
Estudo aponta que há uma lacuna de 30 anos entre os países com as maiores e menores idades em que as pessoas experimentam os problemas de saúde de alguém de 65 anos.
Época - 17/03/2019
Com quantos anos alguém começa a sentir os efeitos da idade? Talvez 60 ou 65 não possa ser considerada uma resposta global. Um estudo publicado na última semana mostra que as idades em que as pessoas sofrem os impactos de doenças e do envelhecimento diferem muito de país para país. O trabalho analisou não só a expectativa de vida média de cada país, mas a forma com a qual se está envelhecendo pelo mundo, se os anos estão sendo vividos com saúde ou associados a incapacidades.
O estudo de pesquisadores da Universidade de Washington aponta que há uma lacuna de 30 anos entre os países com as maiores e menores idades em que as pessoas experimentam os problemas de saúde de alguém de 65. Pesquisadores descobriram que pessoas de 76 anos de idade no Japão e 46 em PapuaNova Guiné têm o mesmo nível de problemas comparados a uma pessoa de idade “média” de 65 (baseada em uma média global do estudo).
“Essas descobertas discrepantes mostram que o aumento da expectativa de vida para idades mais avançadas pode ser uma oportunidade ou ameaça ao bem-estar geral das populações, dependendo dos problemas de saúde relacionados ao envelhecimento que a população vivencia, independentemente da idade cronológica”, afirmou Angela Y. Chang, principal autora e pós-doutoranda do Centro de Tendências e Previsões de Saúde da Universidade de Washington. “Problemas de saúde relacionados à idade podem levar à aposentadoria antecipada, força de trabalho menor e maiores gastos com saúde. Os líderes de governos e os que influenciam os sistemas de saúde precisam considerar quando as pessoas começam a sofrer os efeitos negativos do envelhecimento.
”Os efeitos citados pela pesquisadora incluem funções prejudicadas e perda de capacidades físicas, mentais e cognitivas resultantes das 92 condições analisadas — cinco das quais são comunicáveis e 81 não, junto a seis lesões.
O estudo, intitulado “Medir o envelhecimento da população: uma análise do Estudo Global da Carga de Doenças 2017”, foi publicado na revista científica The Lancet Public Health e é o primeiro deste tipo, segundo Chang, cujo centro fica no Instituto de Avaliação e Métricas de Saúde da Universidade de Washington. As métricas tradicionais de envelhecimento examinam o aumento da longevidade. Esse estudo, por outro lado, explora a idade cronológica e o ritmo em que o envelhecimento contribui para a deterioração da saúde. O trabalho usou dados do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2017.
Os pesquisadores mediram o que chamaram de “carga de doença relacionada à idade” (Dalys, na sigla em inglês). Segundo aponta o estudo, os países com a menor carga de doenças associadas ao envelhecimento foram Suíça, Cingapura, Coreia do Norte, Japão e Itália.
O estudo descobriu, por exemplo, que, em 2017, em Papua-Nova Guiné, as pessoas tiveram a maior taxa mundial de problemas de saúde relacionados à idade, com mais de 500 Dalys por 1.000 adultos. O número é quatro vezes maior do que ocorreu na Suíça, com pouco mais de 100 Dalys por 1.000 adultos.
Nos Estados Unidos, a taxa era de 161,5 Dalys por 1.000 adultos, o que colocava o país em 53º lugar, entre a Argélia, em 52º, com 161 Dalys por 1.000 adultos, e o Irã, em 54º, com 164,8 Dalys por 1.000.
Usando a média global de pessoas de 65 anos como grupo de referência, Chang e outros pesquisadores também estimaram as idades em que a população em cada país experimentou a mesma taxa de carga relacionada. Eles encontraram grande variação em quão bem ou mal as pessoas envelhecem.
A partir disso, identificaram que os japoneses de 76 anos enfrentam a mesma carga de envelhecimento que pessoas de 46 anos em Papua-Nova Guiné, país que ficou em último lugar no ranking com 195 países e territórios. Os Estados Unidos, em que a idade foi 68,5 anos, ficaram em 54º lugar, entre o Irã (69 anos), Antígua e Barbuda (68,4 anos).
Por trás das grandes variações no padrão de envelhecimento entre os países, com discrepância quanto ao impacto das doenças e incapacidades, há muitos determinantes sociais envolvidos, como explica a geriatra Ana Cristina Canêdo Speranza, presidente da seção estadual do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia:
“Questões socioeconômicas, culturais e ambientais têm forte impacto na forma como um país envelhece. Desigualdades sociais e políticas públicas insuficientes impactam os países de baixa renda, onde o acesso à saúde pode ser dificultado, assim como o controle e a prevenção de doenças crônicas”, pontuou Speranza. “Em países de baixa renda, por exemplo na África, mesmo vivendo pouco em termos de longevidade, adultos experimentam uma alta carga de doenças relacionadas ao envelhecimento.”
Entre os países de alta renda, a diferença também pode ser grande. Com relação a isso, a médica ressalta outro aspecto que interfere em como envelhecer, citando exemplos do Japão e dos Estados Unidos. No país asiático, um idoso com 76 anos possui um perfil equivalente ao de um idoso de 69 nos EUA em termos de nível de impacto de doenças, como mostra o estudo. Essa variação poderia ser explicada em parte por diferenças nos padrões de estilo de vida dentre estes países, explicou a geriatra.
“O estudo sugere que os limites de idade para identificar uma população idosa não deveriam ser fixados em 65 anos, já que o padrão de envelhecimento é tão diferente entre os países”, concluiu, chamando a atenção para o fato de que os dados apresentados trazem questões importantes para o desenvolvimento e a adaptação de políticas públicas a partir do perfil de cada país, a fim de se garantir uma vida longa e saudável para todos os indivíduos.
https://epoca.globo.com/a-idade-em-que-voce-comeca-sentir-os-sinaisda-velhice-pode-depender-de-onde-voce-vive-23530050
“Essas descobertas discrepantes mostram que o aumento da expectativa de vida (...)”. 3º§
São palavras que apresentam o mesmo sentido do termo acima destacado, exceto: