Questões de Concurso Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q2129158 Português
Considere atentamente o trecho a seguir, de autoria de Nelson Rodrigues, para responder a próxima questão.

“Não há ser mais pungente e, repito, não há ser mais plangente do que o brasileiro premiado. O inglês, não, nem o francês. Um ou outro recebe qualquer prêmio com modéstia e tédio. Quando deram a Churchill o Nobel de Literatura, ele nem foi lá. Mandou a mulher e continuou em Londres, tomando o seu uísque e mamando o seu charuto. O francês ou o alemão também reagiria com o mesmo superior descaro. E que faria o brasileiro? Sim, o brasileiro que, de repente, recebesse um telegrama assim: ‘Ganhaste o prêmio Nobel. Gustavo da Suécia’. Pergunto se algum brasileiro, vivo ou morto, teria a suprema desfaçatez de mandar um representante, como fez o Churchill? Por exemplo: o meu amigo Otto Lara Resende. Se a Academia Sueca, por unanimidade ou sem unanimidade, por simples maioria, o preferisse. Semelhante hipótese, que arrisquei ao acaso, já me fascina. O Otto, prêmio Nobel. Que faria ele? Ou que faria o Jorge Amado? Ou o Érico Veríssimo? Eis o que eu queria dizer: qualquer um de nós iria, a nado, buscar o cheque e a medalha. Nem se pense que faríamos tal esforço natatório por imodéstia. Pelo contrário. Nenhuma imodéstia e só humildade. A nossa modéstia começa nas vacas. Quando era garoto, fui, certa vez, a uma exposição de gado. E o júri, depois de não sei quantas dúvidas atrozes, chegou a uma conclusão. Vi, transido, quando colocaram no pescoço da vaca a fitinha e a medalha. Claro que a criança tem uma desvairada imaginação óptica. Há coisas que só a criança enxerga. Mas quis-me parecer que o animal teve uma euforia pânica e pingou várias lágrimas da gratidão brasileira e selvagem. Cabe então a pergunta: e por que até as vacas brasileiras reagem assim? O mistério me parece bem transparente. Cada um de nós carrega um potencial de santas humilhações hereditárias. Cada geração transmite à seguinte todas as suas frustrações e misérias. No fim de certo tempo, o brasileiro tornou-se um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima. Se não me entenderam, paciência. E tudo nos assombra. Um simples “bom dia” já nos gratifica. Nunca me esqueço de minha iniciação jornalística. Trabalhei num jornal que não pagava. Mas o diretor, um escroque perfumadíssimo e, insisto, mais cheiroso do que uma cocote, era o gênio do cumprimento. Não passava por um funcionário sem lhe apertar a mão, e sem lhe sorrir, e sem lhe piscar o olho. E o cumprimento do chefe era, para o repórter ou para o faxineiro, a própria remuneração”.
(A vaca premiada, de Nelson Rodrigues, com adaptações).
No trecho “O mistério me parece bem transparente”, o termo “transparente” poderia ser substituído, sem alterar substancialmente o sentido pretendido pelo autor, por:
Alternativas
Q2129155 Português
Considere atentamente o trecho a seguir, de autoria de Nelson Rodrigues, para responder a próxima questão.

“Não há ser mais pungente e, repito, não há ser mais plangente do que o brasileiro premiado. O inglês, não, nem o francês. Um ou outro recebe qualquer prêmio com modéstia e tédio. Quando deram a Churchill o Nobel de Literatura, ele nem foi lá. Mandou a mulher e continuou em Londres, tomando o seu uísque e mamando o seu charuto. O francês ou o alemão também reagiria com o mesmo superior descaro. E que faria o brasileiro? Sim, o brasileiro que, de repente, recebesse um telegrama assim: ‘Ganhaste o prêmio Nobel. Gustavo da Suécia’. Pergunto se algum brasileiro, vivo ou morto, teria a suprema desfaçatez de mandar um representante, como fez o Churchill? Por exemplo: o meu amigo Otto Lara Resende. Se a Academia Sueca, por unanimidade ou sem unanimidade, por simples maioria, o preferisse. Semelhante hipótese, que arrisquei ao acaso, já me fascina. O Otto, prêmio Nobel. Que faria ele? Ou que faria o Jorge Amado? Ou o Érico Veríssimo? Eis o que eu queria dizer: qualquer um de nós iria, a nado, buscar o cheque e a medalha. Nem se pense que faríamos tal esforço natatório por imodéstia. Pelo contrário. Nenhuma imodéstia e só humildade. A nossa modéstia começa nas vacas. Quando era garoto, fui, certa vez, a uma exposição de gado. E o júri, depois de não sei quantas dúvidas atrozes, chegou a uma conclusão. Vi, transido, quando colocaram no pescoço da vaca a fitinha e a medalha. Claro que a criança tem uma desvairada imaginação óptica. Há coisas que só a criança enxerga. Mas quis-me parecer que o animal teve uma euforia pânica e pingou várias lágrimas da gratidão brasileira e selvagem. Cabe então a pergunta: e por que até as vacas brasileiras reagem assim? O mistério me parece bem transparente. Cada um de nós carrega um potencial de santas humilhações hereditárias. Cada geração transmite à seguinte todas as suas frustrações e misérias. No fim de certo tempo, o brasileiro tornou-se um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima. Se não me entenderam, paciência. E tudo nos assombra. Um simples “bom dia” já nos gratifica. Nunca me esqueço de minha iniciação jornalística. Trabalhei num jornal que não pagava. Mas o diretor, um escroque perfumadíssimo e, insisto, mais cheiroso do que uma cocote, era o gênio do cumprimento. Não passava por um funcionário sem lhe apertar a mão, e sem lhe sorrir, e sem lhe piscar o olho. E o cumprimento do chefe era, para o repórter ou para o faxineiro, a própria remuneração”.
(A vaca premiada, de Nelson Rodrigues, com adaptações).
Em relação ao termo “plangente”, que o autor emprega logo no início do texto, pode-se inferir, pela interpretação, que o seu significado é próximo de: 
Alternativas
Q2129099 Português
Leia atentamente o texto a seguir, escrito por Nelson Rodrigues, para responder a questão.

“Um dos momentos mais patéticos da minha infância foi quando ouvi alguém chamar alguém de ‘canalha’. Note-se: era a primeira vez. Teria eu que idade? Cinco anos, talvez. Ou menos. Vá lá: cinco anos. E me encolhi de espanto. Minto: de medo. Foi medo e não espanto. Para mim, uma palavra estava nascendo, era o nascimento de uma palavra. Paro de escrever. Por um momento, repito para mim mesmo: ‘Canalha, canalha!’. O som ainda me fascina como na infância. E pergunto a mim mesmo se ‘o canalha’ é uma dimensão obrigatória de cada um. Pode haver alguém que não tenha um mínimo de canalha? Um santo, talvez, ou nem isso. Disse, não sei quem, que há santos canalhas. Eis o que eu queria dizer: o medo dos cinco anos perdura em mim até hoje. Ainda agora me pergunto se alguém tem o direito de chamar um semelhante de canalha. Poderão dizer que ‘idiota’ é um insulto equivalente. Ilusão. Vi um sujeito ser chamado de ‘idiota’. Retrucou ao outro: ‘Idiota é você!’. E o incidente morreu aí. Dez minutos depois, os dois ‘idiotas’ estavam, na esquina, bebendo cerveja. O sujeito pode ser idiota e, como tal, beber cerveja. Não há entre o idiota e a cerveja. Mas ninguém pode ser canalha. A simples palavra constrói uma solidão inapelável e eterna. Eis o que eu queria dizer: o canalha é o pior solitário”. (Os falsos canalhas, de Nelson Rodrigues, com adaptações).
No trecho “O som ainda me fascina como na infância”, marque a alternativa que apresenta um possível sinônimo para o verbo “fascina”. 
Alternativas
Q2129098 Português
Leia atentamente o texto a seguir, escrito por Nelson Rodrigues, para responder a questão.

“Um dos momentos mais patéticos da minha infância foi quando ouvi alguém chamar alguém de ‘canalha’. Note-se: era a primeira vez. Teria eu que idade? Cinco anos, talvez. Ou menos. Vá lá: cinco anos. E me encolhi de espanto. Minto: de medo. Foi medo e não espanto. Para mim, uma palavra estava nascendo, era o nascimento de uma palavra. Paro de escrever. Por um momento, repito para mim mesmo: ‘Canalha, canalha!’. O som ainda me fascina como na infância. E pergunto a mim mesmo se ‘o canalha’ é uma dimensão obrigatória de cada um. Pode haver alguém que não tenha um mínimo de canalha? Um santo, talvez, ou nem isso. Disse, não sei quem, que há santos canalhas. Eis o que eu queria dizer: o medo dos cinco anos perdura em mim até hoje. Ainda agora me pergunto se alguém tem o direito de chamar um semelhante de canalha. Poderão dizer que ‘idiota’ é um insulto equivalente. Ilusão. Vi um sujeito ser chamado de ‘idiota’. Retrucou ao outro: ‘Idiota é você!’. E o incidente morreu aí. Dez minutos depois, os dois ‘idiotas’ estavam, na esquina, bebendo cerveja. O sujeito pode ser idiota e, como tal, beber cerveja. Não há entre o idiota e a cerveja. Mas ninguém pode ser canalha. A simples palavra constrói uma solidão inapelável e eterna. Eis o que eu queria dizer: o canalha é o pior solitário”. (Os falsos canalhas, de Nelson Rodrigues, com adaptações).
Em relação ao trecho “a simples palavra constrói uma solidão inapelável e eterna”, marque a alternativa que indica um possível antônimo de “eterna”. 
Alternativas
Q2129008 Português
      Nas últimas décadas, as grandes empresas distribuíram as etapas de produção de inúmeras manufaturas entre várias regiões do planeta, para aumentar a eficiência (via especialização) e minimizar custos (sobretudo salariais). Essa globalização produtiva transformou o leste da Ásia (em especial, a China) em “fábrica do mundo”.
       A China, inicialmente, se especializou na produção de bens pouco sofisticados, mas, rapidamente, avançou em termos de tecnologia e começou a conquistar espaço em segmentos mais nobres. Isso reforçou _____ ambições de influência geopolítica do país e passou _____ incomodar tanto seus competidores globais como os governos de países desenvolvidos (em particular, os EUA), empenhados em manter sua dianteira em segmentos de alta tecnologia (especialmente com aplicação militar).
      Assim, ao longo da década de 2010, a simbiose entre as economias da China e dos EUA foi sendo corroída por focos de rivalidade. E, em 2018, eclodiu, entre os dois países, uma guerra de aumentos de tarifas bilaterais de importação, dando início a uma “politização” do comércio global e a movimentos de recuo (parcial e concentrado nos segmentos mais sofisticados) da globalização da produção industrial.
    O impulso a uma “desglobalização” foi reforçado pela pandemia. Cresceu a percepção de que depender de insumos importados (em particular, os da China) pode embutir riscos importantes, como a interrupção do fornecimento devido a cuidados sanitários ou _____ priorização de outros clientes. As empresas das economias desenvolvidas de segmentos industriais mais estratégicos começaram a relocalizar a produção para seu território nacional ou para regiões geográfica e politicamente mais próximas.
       É evidente que o Brasil, devido à sua base industrial e à sua posição geopolítica, tem potencial para atrair parte dos investimentos requeridos por esse rearranjo das cadeias globais de suprimentos, mas haverá uma disputa acirrada com outros países. Para termos mais chances, teremos de corrigir múltiplos fatores que, há décadas, inibem o investimento industrial no país: das deficiências de infraestrutura (como logística de transportes e portuária) a questões regulatórias; da volatilidade do câmbio à instabilidade da demanda interna e latino-americana; da passividade tecnológica à estreiteza das fontes de financiamento.

(Fonte: Revista CNT - adaptado.)
A palavra “simbiose”, sublinhada no terceiro parágrafo, pode ser substituída, sem que haja alteração no sentido do texto, por: 
Alternativas
Q2128982 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 03 a seguir para responder à questão que a ele se refere.


Texto 03

Felicidade Interna Bruta (FIB): a vida além dos números




Disponível em: redebrasilatual.com.br/revistas/felicidade-interna-bruta-fib. Acesso em: 7 jan. 2023. Adaptado.

Analise as afirmativas a seguir tendo em vista o último parágrafo do texto 03.
I. A expressão “mas também” insere, no parágrafo, uma ideia de adversidade e poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por “no entanto”.
II. O termo “Karma Dasho Ura” foi usado entre vírgulas, de acordo com a norma, por se tratar de um aposto explicativo.
III. As aspas foram usadas, de acordo com a norma, para indicar a presença do discurso direto.
IV. A expressão “não apenas” suscita o uso da expressão “mas também”, que insere no texto o sentido de adição.
V. O referido parágrafo foi estruturado usando dois tempos verbais: o presente e o pretérito perfeito do modo indicativo.
Estão CORRETAS as afirmativas 
Alternativas
Q2128940 Português
Considere atentamente o trecho a seguir, extraído de uma das crônicas de Paulo Mendes Campos, para responder a questão.

“O homem entra no bar para transcender-se: eis a miserável verdade. Entrei em muitos, bebo alguma coisa desde a minha adolescência, conheço bares em Porto Alegre, Buenos Aires, São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Manaus, Brasília, João Pessoa, Petrópolis, Belém, Nova Iorque, Lisboa, Vigo, Londres, Roma, Nápoles, Siracusa, Agrigento, Marsala, Palermo, Veneza, Hamburgo, Berlim, Heidelberg, Dusseldorf, Colônia, Munique, Goettingen, Varsóvia, Estocolmo, Leningrado, Moscou, Pequim, Múquiden, Xangai, Santa Luzia e Sabará... Em 1954, viajando pela Alemanha de carro, cheguei, pouco depois da meia-noite, à cidade universitária do Goettingen. No Brasil, uma cidade cheia de estudantes costuma tumultuar-se pela madrugada. Mas Goettingen àquela hora entregava-se a um repouso unânime. Sem sono, reservei um quarto no hotel, perguntando ao empregado onde poderia beber qualquer coisa. – ‘Ah, senhor’ – respondeu orgulhoso o alemão – ‘Goettingen é uma cidade universitária, não existe nada aberto a esta hora’. – ‘O senhor está completamente enganado’ – retruquei-lhe. Ele se riu bondosamente de mim: tinha mais de sessenta anos, nascera em Goettingen, conhecia todas as ruas da cidade, todos os bares, seria humanamente impossível encontrar qualquer venda aberta depois de meia-noite. – ‘O senhor está completamente enganado’ – insistia eu. Outro alemão que viajava comigo reforçou a opinião do empregado do hotel, e começou a dissertar impertinentemente sobre as diferenças entre o Brasil e a Alemanha. Eu estava parecendo bobo – disse ele – não querendo aceitar esta germânica verdade: em Goettingen não havia um único bar aberto depois de meia-noite. A esta altura manifestei-lhes um princípio universal pelo qual sempre me guiei: – ‘Pois fiquem vocês sabendo que em todas as cidades, todas as vilas e povoados do mundo, há pelo menos duas pessoas que continuam a beber depois da meia-noite; aqui em Goettingen há pelo menos duas pessoas que estão bebendo neste momento; vou encontrá-las’. Meio cético a respeito do meu princípio, mas solidário com o amigo, resolveu acompanhar-me. Saímos para a noite morta de Goettingen, e fomos andando pelas ruas paralisadas. No fim duma rua comprida e oblíqua, vi um cubo iluminado, mais parecido com um anúncio de barbearia, e afirmei: ‘É ali’. Ao fim da passagem lateral, por onde entramos, demos com a porta fechada. Batemos em vão, e já íamos embora, desapontados, quando notei no corredor uma escada circular para o porão, cavada na pedra. No primeiro patamar, ouvimos música. Tomei um ar superior de vidente e desci o segundo lance. Empurrada a grossa porta, recebi uma salutar lufada de música, de tabaco, de gente, de aromas etílicos. Foi como se eu reconquistasse o paraíso. O boteco dançava e bebia animadamente, repleto de jovens universitários e lindas universitárias de bochechas coradas e riso amorável. Não havia uma única mesa vaga, mas três segundos depois eu estava a beber um magnífico branco do Reno e a explicar para os estudantes, que nos acolheram com simpatia, o princípio universal que rege a vida noturna. E eles acataram o meu pacífico princípio como um axioma luminoso”. (“Por que bebemos tanto assim”, de Paulo Mendes Campos, com adaptações).
Ainda em relação ao termo “impertinentemente”, poderia ser substituído no texto, sem prejuízo ao sentido pretendido pelo autor, por:
Alternativas
Q2128840 Português
Leia atentamente o texto a seguir, escrito pelo cronista brasileiro Paulo Mendes Campos, para responder a questão.

“Bar é um objeto que se gasta como camisa, isto é, depois de certo tempo de uso é sempre necessário comprar uma camisa nova e mudar de bar. É preciso escolher bem o nosso bar, pois tão desagradável quanto tomar um bonde errado é tomar um bar errado. O homem que toma o bar errado pode gerar sérios aborrecimentos ou ser a vítima deles. Não escrevo este artigo no bar. Não entendo pessoas que bebem para escrever. A bebida consola; o homem bebe; logo, o homem precisa ser consolado. A dramaticidade fundamental do destino é o penhor dos fabricantes do veneno. Porque o álcool é um veneno mortal. Um veneno mortal que consola e... degrada o homem. Mas outro escritor católico, o gordo, sutil e sedento G. K. Chesterton, nega que o álcool degrade o homem: o homem degrada o álcool. Chesterton foi um louco que perdeu tudo, menos a razão; é claro, por isto mesmo, que a criatura humana é o princípio da degradação de todas as coisas sobre a Terra. O álcool é inocente. Só um típico alcoólico anônimo seria incapaz de entender a inocência do álcool e a inescrutável malícia dos homens. O homem bebe para disfarçar a humilhação terrestre; para ser consolado; para driblar a si mesmo; o homem bebe como o poeta escreve seus versos, o compositor faz uma sonata, o místico sai arrebatado pela janela do claustro, a adolescente adora cinema, o fiel se confessa, o neurótico busca o analista. Quem foge de si mesmo se encontra. Quem procura encontrar-se, se afasta de si mesmo. Não é paradoxo, é o imbricamento da natureza humana. E esta é uma espiral inflacionária cuja moeda, em desvalorização permanente, é a nossa precária percepção da realidade. Somos inflacionados pelo nosso próprio vazio: a reação nervosa da embriaguez parece encher-nos ou pelo menos atenuar a presença do espírito desesperado dentro do corpo perfeitamente disposto a possuir os bens terrestres e gozá-los. Espírito e corpo não se entendem: o primeiro conhece exaustivamente a morte, enquanto o segundo é imortal enquanto vive. Daí, essa tocata e fuga a repetir-se indefinidamente dentro de cada ser humano, este desequilíbrio que nos leva ao bar, à igreja, ao consultório do analista, às alcovas sexuais, à arte, à ciência, à ambição de mando e dinheiro, a tudo. As fugas e fantasias da natureza humana são tantas, e tão arraigadas, que se confundem com a própria natureza humana. Não seria possível definir o homem como um animal que nasce, alimenta-se, pensa, reproduz e morre; o que interessa no homem é o que sobra; o fundamental nele é o supérfluo. É preciso beber. A natureza deu-nos a embriaguez natural do sono. Oito horas de sono não bastam. É preciso estar bêbedo – de vinho, poesia, religião. É preciso estar bêbedo de todas as mentiras vitais (a expressão é de Ibsen): de poder, de luxo, de luxúria, de bondade, de satanismo, de idealismo, de Deus, de violência, de humildade, de loucura, de qualquer coisa. O álcool é tão só a modalidade primária e comum da embriaguez. O bar é a primeira instância da causa do homem”. (“Por que bebemos tanto assim”, de Paulo Mendes Campos, com adaptações).
No trecho em que o autor se refere à “inescrutável malícia dos homens”, poder-se-ia substituir o adjetivo “inescrutável”, sem prejuízo ao sentido pretendido pelo autor, por:
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Q2128806 Português
JAROSLAV HASEK 1883 - 1923

Mestre da sátira política, Jaroslav Hasek foi chamado de o Mark Twain da literatura tcheca. A crítica ácida da monarquia e os relatos bem-humorados sobre a vida dos tchecos no Império Austro-Húngaro estão impregnados em seus esquetes e histórias. As narrativas são estudos profundos da personalidade humana, tendo como alvo o chamado heroísmo dos dignitários austro-húngaros, zombando do seu nacionalismo e das convenções impostas. Crítico inflamado da injustiça social, Hasek tornou-se um dos principais colaboradores da Anarchist Press, escrevendo libelos contra o império para a Juventude Progressista. Contos como The Gipsy’s Funeral ou Três esquetes da planície húngara” davam voz a várias nações e nacionalidades que viviam sob o jugo do Império Habsburgo. Hasek também zombava dos excessos da Igreja Católica, que via como o principal legislador do governo imperial.

Embora Hasek tenha escrito mais de 1.000 histórias, È famoso pelo romance As aventuras do bravo soldado Schweik, uma colagem de esquetes e histórias sobre Schweik (que apareceu pela primeira vez em um conto de 1912), o comediante e filósofo do povo, cujo grande coração e desejo excessivo de servir o Exército na Primeira Guerra Mundial viraram as convenções de cabeça para baixo. Embora seja considerado o idiota do regimento, suas tiradas de duplo sentido parodiam as atitudes contraditórias dos oficiais. Por meio de incontáveis aventuras e anedotas, ele não apenas desvia a atenção do assunto mais importante, a guerra, mas também expıe implacavelmente as fraquezas do império a que ele humildemente serve. Com exceção do tenente Lukas, que tolera pacientemente os excessos cômicos, e às vezes perigosos de Schweik, os oficiais servem apenas como objeto para a astuta crítica de Husek ao domínio imperial.

(PATRICK, Julian. 501 Grandes Escritores. Rio de Janeiro: Sextante, 2009, p. 287). 
No final do texto, o autor utiliza a palavra "astuta". Assinale a alternativa que não apresenta um antônimo para tal palavra: 
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Q2128803 Português
JAROSLAV HASEK 1883 - 1923

Mestre da sátira política, Jaroslav Hasek foi chamado de o Mark Twain da literatura tcheca. A crítica ácida da monarquia e os relatos bem-humorados sobre a vida dos tchecos no Império Austro-Húngaro estão impregnados em seus esquetes e histórias. As narrativas são estudos profundos da personalidade humana, tendo como alvo o chamado heroísmo dos dignitários austro-húngaros, zombando do seu nacionalismo e das convenções impostas. Crítico inflamado da injustiça social, Hasek tornou-se um dos principais colaboradores da Anarchist Press, escrevendo libelos contra o império para a Juventude Progressista. Contos como The Gipsy’s Funeral ou Três esquetes da planície húngara” davam voz a várias nações e nacionalidades que viviam sob o jugo do Império Habsburgo. Hasek também zombava dos excessos da Igreja Católica, que via como o principal legislador do governo imperial.

Embora Hasek tenha escrito mais de 1.000 histórias, È famoso pelo romance As aventuras do bravo soldado Schweik, uma colagem de esquetes e histórias sobre Schweik (que apareceu pela primeira vez em um conto de 1912), o comediante e filósofo do povo, cujo grande coração e desejo excessivo de servir o Exército na Primeira Guerra Mundial viraram as convenções de cabeça para baixo. Embora seja considerado o idiota do regimento, suas tiradas de duplo sentido parodiam as atitudes contraditórias dos oficiais. Por meio de incontáveis aventuras e anedotas, ele não apenas desvia a atenção do assunto mais importante, a guerra, mas também expıe implacavelmente as fraquezas do império a que ele humildemente serve. Com exceção do tenente Lukas, que tolera pacientemente os excessos cômicos, e às vezes perigosos de Schweik, os oficiais servem apenas como objeto para a astuta crítica de Husek ao domínio imperial.

(PATRICK, Julian. 501 Grandes Escritores. Rio de Janeiro: Sextante, 2009, p. 287). 
Logo no início do texto, o autor utiliza a palavra "sátira". Assinale a alternativa que não apresenta um sinônimo para tal palavra: 
Alternativas
Q2128774 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 07 a seguir para responder à questão que a ele se refere.

TEXTO 07

        PERSISTÊNCIA 
“Água mole em pedra dura,
   Tanto bate, até que fura”,
     - Diz o dito popular.
Porém, na pedra, eu lhe juro
    Que só vai nascer o furo,
    Se a água não se acabar.
          (Anchieta)
“PENSADOR           JOSÉ DE ANCHIETA BATISTA

Disponível em: https: //www.pensador.com/frase/MTg4MTYxNw/#:~:text=%E2%80%9C%C3%81gua%20mole%20em%20pedra%20dura,%2D% 20Diz%20o%20dito%20popular. Acesso em: 14 dez. 2022.
O trecho do texto que corresponde ao significado da palavra “persistência” (título do texto) é
Alternativas
Q2128674 Português

A história do método braile





ATANES, Silvio. Super Interessante. Disponível em: https:// super.abril.com.br/historia/. Acesso em: 23 out. 2022. Adaptado.

Em “No ano seguinte, foi apresentado ao mundo, na Exposição Internacional de Paris, por ordem do imperador Napoleão III (1808-1873), que programou ainda uma série de concertos de piano com ex-alunos de Braille” (parágrafo 7), a palavra em destaque apresenta o mesmo sentido que em: 
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Q2128476 Português
O que é o Dia Internacional da Mulher e como começou a ser comemorado?

Por mais de um século, o dia 8 de março é identificado ao redor do mundo como uma data especial para as mulheres.

O Dia Internacional da Mulher teve origem no movimento operário e se tornou um evento anual reconhecido pela Organização das Nações Unidas, a ONU.

Suas sementes foram plantadas em 1908, quando 15 mil mulheres marcharam pela cidade de Nova York, exigindo a redução das jornadas de trabalho, salários melhores e direito ao voto. Um ano depois, o Partido Socialista da América declarou o primeiro Dia Nacional da Mulher.

A proposta de tornar a data internacional veio de uma mulher chamada Clara Zetkin, ativista comunista e defensora dos direitos das mulheres.

Ela sugeriu a ideia em 1910 durante uma Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague, na Dinamarca. Havia 100 mulheres presentes de 17 países, e elas concordaram com a sugestão de Zetkin por unanimidade.

A data foi celebrada pela primeira vez em 1911, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. E seu centenário foi comemorado em 2011 - então, neste ano, estamos, tecnicamente, comemorando o 112º Dia Internacional da Mulher.

Mas a data somente foi oficializada em 1975, quando a ONU começou a comemorá-la. E se tornou uma ocasião para celebrar os avanços das mulheres na sociedade, na política e na economia, enquanto suas raízes políticas significam que greves e protestos são organizados para aumentar a conscientização em relação à contínua desigualdade de gênero.

A proposta de Clara de criar um Dia Internacional da Mulher não tinha uma data fixa. A data formalizou-se após uma greve em meio à guerra em 1917, quando as mulheres russas exigiram "pão e paz" sendo que, quatro dias após a greve, o czar foi forçado a abdicar, e o governo provisório concedeu às mulheres o direito ao voto. 

A greve das mulheres começou em 23 de fevereiro, pelo calendário juliano, utilizado na Rússia naquela época. Este dia corresponde a 8 de março no calendário gregoriano, o calendário que utilizamos atualmente.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60646605. Adaptado.
[...] sendo que, quatro dias após a greve, o czar foi forçado a 'abdicar'.
A palavra destacada tem como sinônimo: 
Alternativas
Q2128470 Português
O que é o Dia Internacional da Mulher e como começou a ser comemorado?

Por mais de um século, o dia 8 de março é identificado ao redor do mundo como uma data especial para as mulheres.

O Dia Internacional da Mulher teve origem no movimento operário e se tornou um evento anual reconhecido pela Organização das Nações Unidas, a ONU.

Suas sementes foram plantadas em 1908, quando 15 mil mulheres marcharam pela cidade de Nova York, exigindo a redução das jornadas de trabalho, salários melhores e direito ao voto. Um ano depois, o Partido Socialista da América declarou o primeiro Dia Nacional da Mulher.

A proposta de tornar a data internacional veio de uma mulher chamada Clara Zetkin, ativista comunista e defensora dos direitos das mulheres.

Ela sugeriu a ideia em 1910 durante uma Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague, na Dinamarca. Havia 100 mulheres presentes de 17 países, e elas concordaram com a sugestão de Zetkin por unanimidade.

A data foi celebrada pela primeira vez em 1911, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. E seu centenário foi comemorado em 2011 - então, neste ano, estamos, tecnicamente, comemorando o 112º Dia Internacional da Mulher.

Mas a data somente foi oficializada em 1975, quando a ONU começou a comemorá-la. E se tornou uma ocasião para celebrar os avanços das mulheres na sociedade, na política e na economia, enquanto suas raízes políticas significam que greves e protestos são organizados para aumentar a conscientização em relação à contínua desigualdade de gênero.

A proposta de Clara de criar um Dia Internacional da Mulher não tinha uma data fixa. A data formalizou-se após uma greve em meio à guerra em 1917, quando as mulheres russas exigiram "pão e paz" sendo que, quatro dias após a greve, o czar foi forçado a abdicar, e o governo provisório concedeu às mulheres o direito ao voto. 

A greve das mulheres começou em 23 de fevereiro, pelo calendário juliano, utilizado na Rússia naquela época. Este dia corresponde a 8 de março no calendário gregoriano, o calendário que utilizamos atualmente.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60646605. Adaptado.
veio de uma mulher chamada Clara Zetkin, 'ativista' comunista e defensora dos direitos das mulheres.
O antônimo da palavra destacada é: 
Alternativas
Q2128054 Português
O mundo está ficando menos globalizado?


      A globalização é um fenômeno complexo que envolve o fluxo internacional de produtos, serviços, dinheiro, informação, imigração e doenças, como a covid-19. As grandes navegações propiciaram o acúmulo de capital, dando início à Primeira Revolução Industrial. Outra fase se deu na Segunda Revolução Industrial, no desenvolvimento de novas tecnologias produtivas, especialmente em comunicações, transporte e fontes de energia.
       Já um terceiro momento ocorreu na segunda metade do século 20, marcado pelo desenvolvimento de altas tecnologias, em campos como a informática e a robótica, o que caracterizou a Terceira Revolução Industrial e o surgimento das empresas transnacionais, com a integração das cadeias produtivas globais. Atualmente, estamos na quarta fase da globalização, identificada pela ______________ do sistema capitalista de produção em quase todo o globo e pela forte integração cultural entre os países.                Algumas questões da atualidade levam a crer no recuo da globalização nos próximos anos. A primeira é decorrente de fenômenos como a eleição de Donald Trump - resposta popular às decisões políticas que levaram ao fechamento de fábricas nos EUA e à transferência de parte da cadeia produtiva para a China. A segunda é fruto da situação vivida no início da pandemia, com a falta de insumos médicos, que levou os países a repensarem suas cadeias produtivas e a questão de vulnerabilidade por terem renunciado à produção local. A terceira questão está relacionada à dependência energética da Europa com a Rússia. Políticos e cidadãos europeus estão preocupados com as consequências de suas decisões passadas.
     A globalização não irá acabar. Seus fluxos financeiros, comerciais e de informação continuarão transcorrendo normalmente. Talvez, estejamos apenas vivendo um questionamento em relação às promessas fantasiosas do liberalismo e do livre comércio, como panaceias que trariam igualdade de desenvolvimento entre os países.

(Fonte: Revista CNT - adaptado.)
Considerando-se a relação de sinonímia entre as palavras, numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

(1) Satisfação. (2) Êxito. (3) Autoridade.
(_) Soberania. (_) Vitória. (_) Regozijo.
Alternativas
Q2127979 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Rara interação entre botos e pescadores é documentada de forma inédita pela ciência

Escassez de tainha pode ameaçar cooperação, indica estudo com dados coletados ao longo de 15 anos

Pesquisadores descrevem com dados inéditos a complexidade de uma relação entre espécies

Uma dança sincronizada. Uma colaboração cheia de instantes decisivos. Uma interação que resulta em benefícios para o boto e para o pescador. Tradicional e reconhecida no sul do Brasil e no mundo, a parceria entre botos pescadores e homens na pesca da tainha foi documentada de forma inédita pela ciência, em um trabalho que envolveu a Universidade Federal de Santa Catarina, a Oregon State University (OSU), nos Estados Unidos, e o Max Planck Institute (MPI), na Alemanha. A sincronia perfeita e necessária entre o sinal emitido pelo animal e a soltura da rede e os riscos que uma possível escassez de tainha pode trazer à prática estão entre os principais resultados do estudo.

Munida de drones, imagens subaquáticas e tecnologia de captação de sons marinhos, a equipe, na UFSC liderada pelo professor Fábio Daura-Jorge do Departamento de Ecologia e Zoologia, registrou detalhes em frações de segundos do comportamento dos botos e dos pescadores, além de ter se alimentado de um banco de dados de mais de 15 anos de monitoramento da cooperação - uma das poucas registradas na biologia. "Sabíamos que os pescadores estavam observando o comportamento dos botos para determinar quando lançar suas redes, mas não sabíamos se os botos estavam coordenando ativamente seu comportamento com os pescadores", disse Maurício Cantor, professor da OSU, colaborador da UFSC e líder do estudo.

"Usando drones e imagens subaquáticas, pudemos observar os comportamentos de pescadores e botos com detalhes sem precedentes e descobrimos que eles capturam mais peixes trabalhando em sincronia", disse Cantor. "Isso reforça que esta é uma interação mutuamente benéfica entre os humanos e os botos." Essa sincronia é determinante para o sucesso do pescador e para a manutenção da pesca tradicional, explica Daura-Jorge, que coordena, na UFSC, o Programa Ecológico de Longa Duração do Sistema Estuarino de Laguna e adjacências, financiado pelo CNPq. "Temos um longo histórico de estudos da UFSC sobre essa interação, que é muito valorizada localmente", comenta o professor. "Desde a década de 1980, importantes descrições de como funciona essa interação vêm sendo feitas, mas, desta vez, com ajuda de tecnologia apropriada, pudemos testar algumas hipóteses e confirmar que se trata de uma interação com benefícios mútuos", explica.

Os avanços tecnológicos foram fundamentais para os resultados assertivos deste novo estudo. Uma metodologia multiplataforma identificou um "sincronismo fino entre as duas partes", com benefícios para ambas. A pesquisa, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, uma das principais da área, rastreou simultaneamente tainhas, botos, e pescadores acima e abaixo da água para desenvolver uma compreensão em escala fina de suas interações.

O estudo também teve como objetivo quantificar as consequências dessa cooperação, além de combinar os dados em um modelo numérico para prever o destino e propor ações iniciais para conservar essa interação rara. "A tainha é o principal recurso dessa interação, por isso nós utilizamos os dados da pesca local, que sugerem uma provável redução nos estoques de tainhas, para prever o que pode acontecer no futuro, caso persista esse processo de redução da sua abundância", explica Daura-Jorge.

Eles também descobriram que a sincronia de forrageamento - a busca pelo alimento - entre botos e pescadores aumenta substancialmente a probabilidade de pescar e o número de peixes capturados. Outro dado importante identificado pelo estudo é que a interação é benéfica à sobrevivência dos animais, já que aqueles que praticam a pesca cooperativa têm um aumento de 13% nas taxas de sobrevivência. De acordo com Daura-Jorge, isso também ocorre porque, enquanto estão entretidos cooperando e interagindo com os pescadores, os botos ficam longe de outros perigos que podem levá-los à morte, como pescarias ilegais que ocorrem na área.

A pesquisa também apontou que a compreensão dos pescadores sobre a tradição da pesca correspondia às evidências produzidas por meio de ferramentas e métodos científicos. "Questionários e observações diretas são maneiras diferentes de olhar para o mesmo fenômeno e combinam bem, disse Cantor. "Ao integrá-los, pudemos obter a imagem mais completa e confiável de como esse sistema funciona e, mais importante, como ele beneficia tanto os pescadores quanto os botos".

Onde estão e quem são os botos pescadores

Os botos pescadores vivem há anos no sistema estuarino de Laguna e são reconhecidos por suas características morfológicas, sendo também batizados com nomes pela comunidade de pesca. No ano passado, Caroba, o mais antigo boto pescador da região morreu aos 50 anos, possivelmente de causas naturais.

A equipe liderada por Daura-Jorge realiza o monitoramento dessa população há 16 anos. Ele explica que nem todos praticam a pesca cooperativa com pescadores. Na localidade, há entre 50 e 60 botos, mas menos da metade - por volta de 40% - são cooperativos.

Algumas hipóteses são sugeridas para explicar por que apenas alguns botos se envolvem na interação com pescadores. "Essa prática envolve questões de aprendizado e desenvolvimento cultural animal, algo bem discutido na literatura, e alguns botos podem ser mais propícios que outros a aprender, talvez por um traço de personalidade ou por consequência de suas relações sociais com outros indivíduos", explica.

De acordo com ele, no que se refere à população do local, aparentemente não há variações significativas ao longo dos anos, apesar das muitas atividades humanas que contribuíram para a morte não natural de alguns indivíduos. "Esse número constante de indivíduos é uma boa notícia, mas não o suficiente para despreocupações e comemorações. Para uma espécie que pode viver mais de 50 anos e que começa a se reproduzir só depois dos 10 anos, uma população de 50 indivíduos é muito pequena e estará sempre em risco de extinção", explicou, em texto no qual descreve a atividade de monitoramento.

Retirado e adaptado de: MIRANDA, Amanda. Jornalismo UFSC. Disponível em: https://jornalismoufsc.shorthandstories.com/raraintera-o-entre-botos-e-pescadores-documentada-de-forma-in-di ta-pela-ci-ncia/index.html. Acesso em: 16 de mar. 2023.
Associe a segunda coluna de acordo com a primeira, que relaciona palavras do texto ao seu significado:
Primeira coluna: palavra (1) Equipamento (2) Procura por comida (3) Estrutura (4) Afirmação (5) Suposição (6) Proximidade (7) Foz (8) Simultaneidade
Segunda coluna: significado (__)Sincronia (__)Munição (__)Estuário (__)Adjacência (__)Asserção (__)Forrageamento (__)Morfologia (__)Hipótese
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
Alternativas
Q2127578 Português
Texto


       O Ministério da Saúde decretou situação de emergência na região da Terra Indígena Yanomami, a maior reserva indígena do Brasil, com 100 mil quilômetros quadrados distribuídos pela floresta amazônica entre os estados do Amazonas e de Roraima. O motivo? A morte de crianças por desnutrição.

       A área ocupada pelos yanomami conta com grandes reservas de ouro, o que é um atrativo enorme para a mineração. Nísia Trindade, ministra da saúde, afirmou que o garimpo ilegal (que usa mercúrio, um metal tóxico), é a principal causa da crise sanitária que afeta os yanomami.

        De 2016 a 2020, o garimpo em terras yanomami cresceu 3350%. E as consequências foram sentidas no ambiente: um laudo da Polícia Federal feito em meados de 2022 constatou que quatro rios da região tinham contaminação por mercúrio 8600% superior à concentração máxima para consumo.
 
     Líquido à temperatura ambiente, o mercúrio é um metal cuja liberação indevida na natureza vem da atividade humana: usinas elétricas a carvão, processos industriais, incineradores de resíduos e, principalmente, na mineração de ouro.

      O mercúrio é usado no garimpo para facilitar a separação. Ele se liga aos pequenos pedaços de ouro e forma uma amálgama, o que ajuda os garimpeiros a recolher o metal que interessa.

     O processo tem um preço: para cada quilo de ouro extraído, são usados até oito de mercúrio, e a maior parte desse metal tóxico é jogado nos rios. Estima-se que esse descarte represente cerca de 38% das emissões de mercúrio no mundo. E a contaminação pela substância traz fortes efeitos negativos para o meio ambiente e para a saúde dos garimpeiros e das pessoas que vivem por perto.

    Uma vez no ambiente, o mercúrio pode ser transformado por bactérias em metilmercúrio. Essa forma orgânica do metal é acumulada pelos organismos do rio – e a concentração aumenta conforme a cadeia alimentar avança.

       Imagine que muitos plânctons contaminados por mercúrio virarão jantar de um único peixe. A carga de mercúrio, então, vai se acumular nesse animal. Na sequência, um grande predador que tenha esse peixe no cardápio vai se alimentar dele e de vários outros peixes que comeram plânctons contaminados. A dose de mercúrio vai ficando cada vez mais alta.
   
       Essa é, justamente, uma das principais formas de exposição ao mercúrio. Cozinhar os peixes e mariscos não basta para se livrar do metal, e quem se alimenta desses animais torna-se mais um elo na cadeia de acúmulo da substância.

      Diversas variáveis determinam se a contaminação vai ocasionar problemas de saúde e qual será a sua gravidade. Entre elas estão a dose de mercúrio, a idade da vítima, por quanto tempo ela ficou exposta e a via de exposição (inalação, ingestão ou contato com a pele).
   
      Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dois grupos são mais sensíveis aos efeitos do mercúrio. O primeiro são fetos que, geralmente, são expostos ao metilmercúrio no útero graças ao consumo de peixes e mariscos pela mãe. Eles podem ter o desenvolvimento neurológico prejudicado, afetando cognição, memória, atenção, linguagem e habilidades motoras da criança.
 
      O segundo grupo são pessoas frequentemente expostas a altos níveis de mercúrio – por exemplo, populações que dependem da pesca de subsistência em regiões de garimpo. O metilmercúrio afeta os sistemas nervoso central e periférico, causando tremores, insônia, perda de memória, efeitos neuromusculares, dores de cabeça e disfunção cognitiva e motora.

     Em doses elevadas, o envenenamento por mercúrio pode causar disfunção renal, insuficiência respiratória e até morte. No século 20, no que ficou conhecido como o Desastre de Minamata, uma indústria dessa cidade japonesa descartava materiais com mercúrio próximo a uma baía. 1.700 pessoas morreram por intoxicação ao consumir a pesca da região.



CAPARROZ, Leo. Intoxicação por mercúrio: entenda como o
metal age no corpo. Disponível em:
<https://super.abril.com.br/saude/intoxicacao-por-mercurioentenda-como-o-metal-age-no-corpo/>. Último acesso em 20
fev. 2023. (Adaptado)
No trecho “Em doses elevadas, o envenenamento por mercúrio pode causar disfunção renal, insuficiência respiratória e até morte”, os termos destacados podem ser substituídos sem prejuízo semântico, respectivamente, por:
Alternativas
Q2127201 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que terremotos na Turquia são tão devastadores


A maior parte do território turco está situada sobre a placa tectônica da Anatólia, que fica entre duas placas principais - a Euroasiática e a Africana - e outra menor, a Arábica. No caso da Turquia, segundo especialistas ouvidos pela BBC, à medida que as duas placas principais onde o país está situado se deslocam, ele é basicamente espremido, gerando os abalos.


O terremoto do dia seis de janeiro ocorreu em torno de uma região de grande instabilidade conhecida como Falha Oriental da Anatólia, que abrange uma área que vai de sudoeste a noroeste. O tremor foi sentido também na Síria, onde mais de trezentos e vinte pessoas morreram e, pelo menos, mil ficaram feridas.


A cidade turca de Istambul também está em uma zona delicada, onde as placas Anatólia e Euroasiática se encontram. Por isso mesmo, especialistas afirmam que a questão não é se um grande terremoto atingirá a cidade, mas quando.


A crosta terrestre é composta por enormes placas de rocha, chamadas de placas tectônicas, que se alinham lado a lado.


Essas placas, geralmente, tentam se mover, mas são impedidas pelo atrito gerado com as placas adjacentes. Às vezes, a pressão aumenta até que uma placa se mova repentinamente, fazendo com que a superfície também se mova. Neste caso, foi a placa Arábica que se moveu em direção ao norte e se chocou com a placa da Anatólia. A fricção dessas placas foi responsável por outros terremotos muito destrutivos no passado.


Em 13 de agosto de 1822, um terremoto de magnitude 7,4 resultou em imensos danos às cidades da região, com sete mil mortes registradas apenas na cidade síria de Aleppo. Os tremores secundários ainda continuaram por quase um ano. O terremoto ocorrido recentemente já registrou tremores secundários e especialistas acreditam que deve seguir um padrão semelhante ao do século XIX.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cye89ywwkg4o. Adaptado

Essas placas, geralmente, tentam se mover, mas são impedidas pelo atrito gerado com as placas 'adjacentes'.
O sinônimo da palavra em destaque é:
Alternativas
Q2127014 Português
TENSÃO ENTRE CHINA E EUA: POR QUE A
DESTRUIÇÃO DO BALÃO CHINÊS AGRAVA
AINDA MAIS A CRISE DIPLOMÁTICA
ENTRE OS PAÍSES?


             Governo chinês argumenta que balão tinha fins meteorológicos e teve a rota desviada por ventos. No entanto, americanos rebatem versão e afirmam que instrumento era usado para vigilância.
        Um balão misterioso da China apareceu no céu dos EUA e acabou derrubado no mar pelos americanos. EUA alegaram tratar-se de um objeto de espionagem; China afirmou que o balão era um instrumento meteorológico. Especialistas ouvidos pelo G1 divergem sobre a possibilidade de o balão ter sido usado para espionagem, mas concordam que o caso eleva a crise entre as duas maiores potências mundiais.
           Para Elias Khalil Jabbour, da UERJ, os EUA usaram o balão para fazer uma provocação, numa jogada de Biden. Tanguy Baghdadi, criador do podcast Petit Journal, acredita que o balão pode ter sido usado pela China para saber, por exemplo, qual o tempo de reação dos EUA e quem comanda o abatimento. De um lado, os Estados Unidos alegam que o balão misterioso que apareceu nos céus do estado americano de Montana na última quinta-feira (2) tratava-se de um objeto chinês de espionagem. De outro, a China informa que o balão nada mais era que um instrumento meteorológico que desviou da sua rota e viajou até o território americano.
            O vai e vem de declarações e acusações é mais um ponto de estresse de uma relação muito desgastada entre as duas maiores potências do mundo. E a derrubada do balão no mar no último sábado (4) pelos Estados Unidos, na costa dos estados da Carolina do Norte e do Sul, gerou insatisfação da China.
                E para entender mais este capítulo de crise diplomática entre os Estados Unidos e a China, o G1 conversou com Elias Khalil Jabbour, professor da faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e com Tanguy Baghdadi, criador do podcast Petit Journal.
               “Esse balão, na minha opinião, é tudo menos um balão espião. Eu, particularmente, acho que é uma provocação aberta dos Estados Unidos e, evidentemente, que isso vai mexer com as relações com a China. Até porque a China não precisa colocar um balão nos Estados Unidos para saber o que está acontecendo lá dentro”, defende Elias Khalil Jabbour.
               Para ele, os americanos nada mais querem que dialogar com o seu público interno e reforçar, ainda mais, a ideia “de que existe uma ameaça à hegemonia americana”. Jabbour, além de achar uma piada a possibilidade de o balão ser um objeto de espionagem, acredita que a acusação faça parte de uma jogada do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
                  “Hoje, a China é cercada por 80 bases militares americanas”, comenta Jabbour. Com isso, diz o professor, “existe uma força desproporcional empregada pelos Estados Unidos nesse processo que passa essa imagem de que a China é uma ameaça ao mundo”.
                Por outro lado, Tanguy Baghdadi discorda: “Meu palpite é que, sim, tenha algum elemento de coleta de informações”. Na opinião dele, ao lançar um balão, a China consegue obter uma série de informações, como, por exemplo: Quanto tempo os Estados Unidos vão demorar para abater aquele balão? Quem comanda o abatimento deste instrumento? Quanto tempo demora? É ágil a ação americana?

(Retirado de:
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/02/07/tensao-entrechina-e-eua-por-que-a-destruicao-do-balao-chines-agravaainda-mais-a-crise-diplomatica-entre-os-paises.ghtml. Acesso
em: 08/02/2022)

“No dia da festa, a enorme ave negra foi visitar o sapo, que a havia convidado exatamente para poder executar seu plano.”

O vocábulo sublinhado no trecho acima remete a uma outra unidade linguística. Essa unidade está expressa em: 
Alternativas
Q2127008 Português
TENSÃO ENTRE CHINA E EUA: POR QUE A
DESTRUIÇÃO DO BALÃO CHINÊS AGRAVA
AINDA MAIS A CRISE DIPLOMÁTICA
ENTRE OS PAÍSES?


             Governo chinês argumenta que balão tinha fins meteorológicos e teve a rota desviada por ventos. No entanto, americanos rebatem versão e afirmam que instrumento era usado para vigilância.
        Um balão misterioso da China apareceu no céu dos EUA e acabou derrubado no mar pelos americanos. EUA alegaram tratar-se de um objeto de espionagem; China afirmou que o balão era um instrumento meteorológico. Especialistas ouvidos pelo G1 divergem sobre a possibilidade de o balão ter sido usado para espionagem, mas concordam que o caso eleva a crise entre as duas maiores potências mundiais.
           Para Elias Khalil Jabbour, da UERJ, os EUA usaram o balão para fazer uma provocação, numa jogada de Biden. Tanguy Baghdadi, criador do podcast Petit Journal, acredita que o balão pode ter sido usado pela China para saber, por exemplo, qual o tempo de reação dos EUA e quem comanda o abatimento. De um lado, os Estados Unidos alegam que o balão misterioso que apareceu nos céus do estado americano de Montana na última quinta-feira (2) tratava-se de um objeto chinês de espionagem. De outro, a China informa que o balão nada mais era que um instrumento meteorológico que desviou da sua rota e viajou até o território americano.
            O vai e vem de declarações e acusações é mais um ponto de estresse de uma relação muito desgastada entre as duas maiores potências do mundo. E a derrubada do balão no mar no último sábado (4) pelos Estados Unidos, na costa dos estados da Carolina do Norte e do Sul, gerou insatisfação da China.
                E para entender mais este capítulo de crise diplomática entre os Estados Unidos e a China, o G1 conversou com Elias Khalil Jabbour, professor da faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e com Tanguy Baghdadi, criador do podcast Petit Journal.
               “Esse balão, na minha opinião, é tudo menos um balão espião. Eu, particularmente, acho que é uma provocação aberta dos Estados Unidos e, evidentemente, que isso vai mexer com as relações com a China. Até porque a China não precisa colocar um balão nos Estados Unidos para saber o que está acontecendo lá dentro”, defende Elias Khalil Jabbour.
               Para ele, os americanos nada mais querem que dialogar com o seu público interno e reforçar, ainda mais, a ideia “de que existe uma ameaça à hegemonia americana”. Jabbour, além de achar uma piada a possibilidade de o balão ser um objeto de espionagem, acredita que a acusação faça parte de uma jogada do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
                  “Hoje, a China é cercada por 80 bases militares americanas”, comenta Jabbour. Com isso, diz o professor, “existe uma força desproporcional empregada pelos Estados Unidos nesse processo que passa essa imagem de que a China é uma ameaça ao mundo”.
                Por outro lado, Tanguy Baghdadi discorda: “Meu palpite é que, sim, tenha algum elemento de coleta de informações”. Na opinião dele, ao lançar um balão, a China consegue obter uma série de informações, como, por exemplo: Quanto tempo os Estados Unidos vão demorar para abater aquele balão? Quem comanda o abatimento deste instrumento? Quanto tempo demora? É ágil a ação americana?

(Retirado de:
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/02/07/tensao-entrechina-e-eua-por-que-a-destruicao-do-balao-chines-agravaainda-mais-a-crise-diplomatica-entre-os-paises.ghtml. Acesso
em: 08/02/2022)

“Jabbour, além de achar uma piada a possibilidade de o balão ser um objeto de espionagem, acredita que a acusação faça parte de uma jogada do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.”
Assinale a alternativa cuja palavra substitui CORRETAMENTE a palavra sublinhada no trecho acima, sem modificar o sentido desse trecho.
Alternativas
Respostas
2901: E
2902: B
2903: E
2904: B
2905: A
2906: D
2907: C
2908: E
2909: E
2910: E
2911: B
2912: A
2913: C
2914: D
2915: C
2916: E
2917: A
2918: D
2919: D
2920: C