Questões de Concurso
Sobre regência em português
Foram encontradas 7.108 questões
Considere o segundo parágrafo do texto, transcrito a seguir, para responder à questão
“Passei 23 anos ininterruptos escrevendo uma coluna que, em alguns momentos, era publicada três vezes por semana. Faz oito meses que parei. E já estão me confundindo com Artur da Távola? Não que essa confusão não seja envaidecedora. Sempre fui fã dos textos do Távola. Mas ele já não está entre nós há oito anos! Prefiro não ter o talento do mestre, mas continuar vivo. Vivo, pelo menos, eu posso continuar tentando alcançar o seu estilo. ”
Mariana Sales, Coordenadora de um curso técnico no IFSULDEMINAS, elaborou um ofício. Antes de imprimir, solicitou à Aline Maia a revisão linguística do trecho a seguir:
Em atendimento a solicitação de V. Excelentíssima e Digníssima Presidente do Conselho de Dirigentes Lojistas desta cidade, esclarecemos que as providências serão tomadas em tempo hábil afim de garantir a execução do Projeto “Beringelas à mesa”.
Considerando que a servidora Aline Maia observou o uso da língua padrão no gênero textual “ofício”, a revisão feita foi:
Texto para a questão
A aprendizagem e as multilinguagens
O mundo, na Pós-Modernidade, é um mundo de palavras associadas a imagens. Ora sozinhas, ora misturadas, as palavras se consorcia(ra)m a mais outras linguagens numa proporção tal que a verdade é que o mundo hoje é constituído por mais linguagens múltiplas e intersectadas, que estimulam e encetam os jogos de forças sociais, do que quando nossos olhos sequer podiam ver isso.
Não há sequer um evento neste mundo que não se valha ou não se deixe permear pela(s) linguagem(ens). A cultura, as crenças religiosas, a sexualidade, as relações de namoro, a culinária, a educação, a política, a cognição; enfim, tudo, absolutamente tudo, tem na linguagem e em muitas delas a matéria-prima das inúmeras relações humanas, cujo objetivo maior sempre foi, desde os tempos ulteriores, mais exatamente a partir do momento em que o homem compreendeu o poder da linguagem e das demais, a aderência do Outro: a aceitabilidade do Outro. A aderente compreensão de que o que se diz/disse é crucial na sociocomunicação; é a magia que toda aula precisa realizar.
Em se tratando de Educação, evento central que será ao longo deste texto refletido, vou tratar focalmente da aula como gênero textual sociointerativo, sob a hipótese de que muitos professores não compartilham o saber de que aula é aderência; ou se o conhecem, não têm sabido como proceder para ativar a sociointeração em sala de aula. Comungaremos ao longo do texto que a aula precisa ser um processo interativo além de o ser comunicativo, buscando a aderência do Outro a partir da compreensão revelada desse Outro – e aqui entram inclusive os mercados linguísticos além da sala de aula – justo porque é intrínseco a toda aula que ela tenha a refinada inteligibilidade a que só as linguagens podem dar acesso; a difusa conexão que só as várias áreas do conhecimento humano podem propor, se vistas em forma de rede; e a necessária promoção do conhecimento humano posto e interposto que as investigações das ciências cognitivas, das ciências da educação e das ciências da linguagem têm buscado incessantemente reconstituir, de forma compreensível, como a aprendizagem se dá, na tentativa de tornar compreensível, imediato e razoado o maior de todo os bens do mundo: a sociocomunicação.
Se é certo que o trabalho docente mudou muito nas últimas décadas, não só no que se refere aos avanços significativos das ciências per si e das tecnologias a serviço da didatização dos inúmeros objetos das áreas, mas principalmente no que se refere ao olhar críticoreflexivo, significativo e metacognitivo que subjaz as ações docentes, é certo também que continuamos vendo as áreas unicamente sob um único território que insiste em não dialogar com outras áreas; que insiste em enclausurar os objetos de ensino a áreas historicamente condicionadas, em ver esses objetos sob uma única ótica; ou ainda, em limitar que outras áreas vejam aqueles objetos de ensino sob suas óticas. Essas têm sido ainda as nossas “epistèmes”.
A necessidade de vincular todo o ensino formal a uma epistemologia que não isole, mas amplie; que não singularize, mas pluralize, sem perder o eixo da cientificidade junto com o da criatividade, é o que se espera das novas teorizações educacionais destes novos tempos.
O encaixotamento que se previu para a língua, por exemplo, como objeto de estudo somente da Linguística, não foi totalmente processado pela Sociedade do Conhecimento, porque se viu que nem tudo a Linguística poderia explicar sobre as línguas, porque há muitos outros elementos envolvidos na arena comunicativa do que somente o código. Há, entre outros, as relações de poder, as subjetividades nas escolhas lexicais, como há também questões emocionais. Todas questões fugidias do formato da caixa, porque não eram e porque não há dados inalteráveis: são-no, por conta da própria essência do objeto, voláteis, volúveis, indisciplinares.
Incorporar toda a Educação aos planos da linguagem não é colocar aquela sob os ditames desta, é na verdade ver as cenas de educação escolar por meio dos veios da linguagem, como cenas que devam ser autênticas de forma que deem autonomia aos alunos e resgatem suas criatividades cerceadas por escolas e por professores.
A verdade é que é preciso pensar a Educação como objeto da própria linguagem, reconstituindo, assim, a forma como devemos ver todas as aulas em uma escola, em uma academia. E mais: é necessário reconstituir também todas as cenas de aula que ministramos como fontes reobserváveis para que alcancemos a leitura de que só refletir sobre o se fez ou o que não se faz não é ainda o pós-moderno; é o moderno. O pós-moderno é refletir sobre a própria reflexão anteriormente feita, a ponto de retroalimentar outros novos direcionamentos disponíveis à construção de saberes sociossemióticos.
Não se pode crer que a Linguística, a Semiótica, a Pedagogia, a Psicanálise, a Psicologia ou qualquer outra forma de isolar o mundo com objetivos pré-determinados vá responder a todos os problemas educacionais do mundo e do Brasil. Não é isso! Aliás, isso seria reducionista até mesmo, sem dizer que tem caráter de uma receita, a partir de um diagnóstico, como sempre o foi durante todos os séculos, amém!
Em outras palavras, sabido qual era o problema educacional, bastaria acionar o especialista da área para que este resolvesse a questão. Até hoje algumas escolas, algumas gestões pensam assim. Os problemas são de todas as áreas e podem e devem ser analisados à luz de muitas delas. Contudo, é a linguagem o começo, o meio e o fim por que deve passar qualquer análise que busque compreender questões relativas ao mundo do saber, à aprendizagem e ao ensino.
Outro exemplo é o da Pedagogia que sozinha, legalmente instituída e institucionalizada, não consegue responder às demandas dos processos ensino e aprendizagem porque há uma complexidade a que só tem acesso se primeiro se acessarem as linguagens que subjazem as práticas discursivas escolares e escolarizadas pela própria Pedagogia. Essa possibilidade de não ser disciplinar, mas indisciplinar e/ou transdisciplinar, dá à linguagem o caráter de estar e de ver-se em outras áreas para além da Linguística, e põe todos os professores como professores de linguagem e, portanto, como negociadores de sentido (s). A Linguística Aplicada (LA), ao que parece, tem-se espraiado muito mais naquilo que ficou à margem. Como ciência, ela consegue, por conta de não ver de forma disciplinar, mas indisciplinar, o que sozinhas outras áreas continuam a não vislumbrar; afinal, por que ver sob um único viés o que na verdade é um todo? Se se olha com apenas um olho, perde-se a possibilidade de ver as conexões da grande rede de elementos que constituem a complexidade da Educação Formal Humana.
Sem a intenção de ser a resposta a todas as questões de Educação, tampouco a “salvadora da pátria” para um ensino de línguas maternas e estrangeiras que promova de fato uma aprendizagem para o longo da vida, a LA tem como um dos objetivos provocar a reflexão a partir das reflexões já feitas por outras áreas, como uma forma de verticalizar horizontalmente questões educacionais à luz das linguagens.
A Educação de pessoas não pode ser mais enxergada como algo esvaído de propósitos políticos e desconexo das contingências e vicissitudes sociais e históricas do grupo a que as práticas discursivas didáticas são expostas. São necessários a ouvidoria e o compartilhamento de vozes até mesmo não construção de currículos, mormente se os currículos tiverem, como objeto e ação, os textos em suas multimodalidades e multissemioses. (...).
LISBÔA, Wandré G de C. TEXTUATIVIDADE – Todo o ensino à luz das linguagens. ALVES: Belém/PA, 2016, no prelo.
Assinale a opção em que os termos grifados obedecem ao bom uso da regência:
I – Ela estava muito feliz por ter sido aprovada no concurso para servir na Marinha brasileira.
II – Seu pai serviu a pátria com orgulho.
II – Prefiro ficar em casa ouvindo uma boa música a ir para a folia de carnaval.
IV – Ele percebeu uma quantia considerável de seu tio.
Perdoar e esquecer
Quando a vida se transforma num tango, é difícil não dançar ao ritmo do rancor
Ivan Martins
Hoje tomei café da manhã num lugar em que Carlos Gardel costumava encontrar seus parceiros musicais por volta de 1912. É um bar simples, na esquina da rua Moreno com a avenida Entre Rios, chamado apropriadamente El Encuentro.
Nunca fui fã aplicado de tango, mas cresci ouvindo aqueles que a minha mãe cantava enquanto se movia pela casa. Os versos incandescentes flutuam na memória e ainda me emocionam. Soprado pelo fantasma de Gardel, um deles me veio aos lábios enquanto eu tomava café no El Encuentro: “Rechiflado en mi tristeza, te evoco y veo que has sido...”
Vocês conhecem Mano a mano, não?
Essencialmente, é um homem falando com a mulher que ele ama e que parece tê-lo trocado por uma vida melhor. Lembra, em espírito, o samba Quem te viu, quem te vê, do Chico Buarque, mas o poema de Gardel é mais ácido e rancoroso. Paradoxalmente, mais sutil. Não se sabe se o sujeito está fazendo ironia ou se em meio a tantas pragas ele tem algum sentimento generoso em relação à ex-amante. Nisso reside o apelo eterno e universal de Mano a mano – não é assim, partido por sentimentos contraditórios, que a gente se sente em relação a quem não nos quer mais?
Num dia em que estamos solitários, temos raiva e despeito de quem nos deixou. No outro dia, contentes e acompanhados, quase torcemos para que seja feliz. O problema não parece residir no que sentimos pelo outro, mas como nos sentimos em relação a nós mesmos. Por importante que tenha sido, por importante que ainda seja, a outra pessoa é só um espelho no qual projetamos nossos sentimentos – e eles variam como os sete passos do tango. Às vezes avançam, em outras retrocedem. Quando a gente acha que encontrou o equilíbrio, há um giro inesperado.
Por isso as ambiguidades de Mano a mano nos pegam pelas entranhas. É difícil deixar para trás o sentimento de abandono e suas volúpias. É impossível não dançar ao ritmo do rancor. Há uma força enorme na generosidade, mas para muitos ela é inalcançável. Apenas as pessoas que gostam muito de si mesmas são capazes de desejar o bem do outro em circunstâncias difíceis. A maioria de nós precisa ser amada novamente antes de conceder a quem nos deixou o direito de ser feliz. Por isso procuramos com tanto afinco um novo amor. É um jeito de dar e de encontrar paz.
No último ano, tenho ouvido repetidamente uma frase que vocês já devem ter escutado: Não se procura um novo amor, a gente simplesmente o encontra. O paradoxo é bonito, mas me parece discutível. Supõe que o amor é tão acidental quanto um tropeção na calçada. Eu não acho que seja. Imagina que a vontade de achar destrói a possibilidade de encontrar. Isso me parece superstição. Implica em dizer que se você ficar parado ou parada as coisas virão bater na sua porta. Duvido. O que está embutido na frase e me parece verdadeiro é que não adianta procurar se você não está pronto – mas como saber sem procurar, achar e descobrir que não estava pronto?
É inevitável que a gente cometa equívocos quando a vida vira um tango. Nossa carência nos empurra na direção dos outros, e não há nada de errado nisso. É assim que descobrimos gente que será ou não parte da nossa vida. Às vezes quebramos a cara e magoamos os outros. O tango prossegue. O importante é sentir que gostam de nós, e que nós somos capazes de gostar de novo. Isso nos solta das garras do rancor. Permite olhar para trás com generosidade e para o futuro com esperança. Não significa que já fizemos a curva, mas sugere que não estamos apenas resmungando contra a possibilidade de que o outro esteja amando. Quando a gente está tentando ativamente ser feliz, não pensa muito no outro. Esse é o primeiro passo para superar. Ou perdoar, como costuma ser o caso. Ou esquecer, como é ainda melhor.
No primeiro verso de Mano a mano, Gardel lança sobre a antiga amante a maldição terrível de que ela nunca mais voltará a amar. Mas, ao final da música, rendido a bons sentimentos, oferece ajuda e conselhos de amigo, quando chegar a ocasião. Acho que isso é o melhor que podemos esperar de nós mesmos. Torcer mesquinhamente para jamais sermos substituídos - mas estarmos prontos para aceitar e amparar quando isso finalmente, inevitavelmente, dolorosamente, vier a acontecer.
(Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/noticia/2016/01/perdoar-e-esquecer.html)
Implantaremos um sistema capaz de levar____________ consumidores fiéis informações sobre nossas promoções,____________________ partir do momento em que forem lançadas. Se___________ de recursos suficientes, anunciaremos prêmios que atraiam clientes, para que ______________ incondicionalmente ____________ campanhas promocionais.
Idades e verdades
O médico e jornalista Drauzio Varella escreveu outro dia no jornal uma crônica muito instigante. Destaco este trecho:
“Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem ‘cabeça de jovem’. É considerá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de dez. Ainda que maldigamos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente.”
Tomo a liberdade de adicionar meu comentário de velho: não preciso que os jovens acreditem em mim, tampouco estou aberto para receber lições dos mocinhos. Nossa alternativa: ao nos defrontarmos com uma questão de comum interesse, discutirmos honestamente que sentido ela tem para nós. O que nos unirá não serão nossas diferenças, mas o que nos desafia.
(LAMEIRA, Viriato, inédito)
A música relativa
Parece existir uma série enorme de mal-entendidos em torno do lugar-comum que afirma ser a música uma linguagem universal, passível de ser compreendida por todos. “Fenômeno universal” − está claro que sim; mas “linguagem universal” − até que ponto?
Ao que tudo indica, todos os povos do planeta desenvolvem manifestações sonoras. Falo tanto dos povos que ainda se encontram em estágio dito “primitivo” − entre os quais ela continua a fazer parte da magia − como das civilizações tecnicamente desenvolvidas, nas quais a música chega até mesmo a possuir valor de mercadoria, a propiciar lucro, a se propagar em escala industrial, transformando-se em um novo fetiche.
Contudo, se essa tendência a expressar-se através de sons dá mostras de ser algo inerente ao ser humano, ela se concretiza de maneira tão diferente em cada comunidade, dá-se de forma tão particular em cada cultura que é muito difícil acreditar que cada uma de suas manifestações possua um sentido universal. Talvez seja melhor dizer que a linguagem musical só existe concretizada por meio de “línguas” particulares ou de “falas” determinadas; e que essas manifestações podem até, em parte, ser compreendidas, mas nunca vivenciadas em alguns de seus elementos de base por aqueles que não pertençam à cultura que as gerou.
(Adaptado de: MORAES, J. Jota de. O que é música. São Paulo: Brasiliense, 2001, p.12-14)
Quanto à regência e à concordância, considere:
I. Os mal-entendidos que nem se imaginavam existir no que concerne da universalidade da música devem-se à confusão criada entre o fenômeno e a linguagem da música.
II. Constam que todos os povos cultivam formas musicais, salientando-se as que apresentam um ritmo mais batido, que nos impelem de dançar.
III. Assiste-se, nos dias de hoje, ao fenômeno da expansão abusiva de músicas comerciais, pela qual são responsáveis os ambiciosos produtores de discos e diretores de rádios.
É inteiramente adequado o emprego de todas as formas verbais SOMENTE em
Observe as frases abaixo:
1. Mostrou-se afável a todos os colegas.
2. Mostrou-se afável à todos os colegas.
3. Mostrou-se afável para com todos os colegas.
4. Mostrou-se afável com todos os colegas.
Assinale a alternativa que indica todas as frases corretas.
Considere as seguintes propostas de alteração do texto e suas consequências para a regência dos termos da frase.
I. Substituição de deve-se (l.11) por resulta: não exige outras alterações na frase.
II. Substituição de salientam (l.23) por se manifesta: que (l.22) deveria ser alterado para
em que.
III. Substituição de procurou mostrar (l.25) por apresentou evidências: não exige outras
alterações a frase.
Quais propostas estão corretas?
CONTRATEMPOS
Ele nunca entendeu o tédio, essa impressão de que existem mais horas do que coisas para se fazer com elas. Sempre faltou tempo para tanta coisa: faltou minuto para tanta música, faltou dia para tanto sol, faltou domingo para tanta praia, faltou noite para tanto filme, faltou ano para tanta vida.
Existem dois tipos de pessoa. As pessoas com mais coisa que tempo e as pessoas com mais tempo que coisas para fazer com o tempo.
As pessoas com menos tempo que coisa são as que buzinam assim que o sinal fica verde, e ficam em pé no avião esperando a porta se abrir, e empurram e atropelam as outras para entrar primeiro no vagão do trem, e leem livros que enumeram os “livros que você tem que ler antes de morrer” ao invés de ler diretamente os livros que você tem de ler antes de morrer.
Esse é o caso dele, que chega ao trabalho perguntando onde é a festa, e chega à festa querendo saber onde é a próxima, e chega à próxima festa pedindo táxi para a outra, e chega à outra percebendo que era melhor ter ficado na primeira, e quando chega a casa já está na hora de ir para o trabalho.
Ela sempre pertenceu ao segundo tipo de pessoa. Sempre teve tempo de sobra, por isso sempre leu romances longos, e passou tardes longas vendo pela milésima vez a segunda temporada de “Grey’s Anatomy” mas, por ter tempo demais, acabava sobrando tempo demais para se preocupar com uma hérnia imaginária, ou para tentar fazer as pazes com pessoas que nem sabiam que estavam brigadas com ela, ou escrever cartas longas dentro da cabeça para o ex-namorado, os pais, o país, ou culpar o sol ou a chuva, ou comentar “e esse calor dos infernos?”, achando que a culpa é do mau tempo quando na verdade a culpa é da sobra de tempo, porque se ela não tivesse tanto tempo não teria nem tempo para falar do tempo.
Quando se conheceram, ele percebeu que não adiantava correr atrás do tempo porque o tempo sempre vai correr mais rápido, e ela percebeu que às vezes é bom correr para pensar menos, e pensar menos é uma maneira de ser feliz, e ambos perceberam que a felicidade é uma questão de tempo. Questão de ter tempo o suficiente para ser feliz, mas não o bastante para perceber que essa felicidade não faz o menor sentido.
(Gregório Duvivier. Folha de S. Paulo, 30.11.2015. Adaptado)
Escrevendo como passarinho canta
As primeiras leituras
Meu pai era jornalista. Sempre brinquei em máquina de escrever. Faço diário. Sobre tudo e sobre nada. Vou escrevendo como passarinho canta. Mas sempre gostei de escrever. Escrevia muitas cartas, fazia parte da equipe do jornalzinho da escola, essas coisas. [Hoje] escrevo o tempo todo, não só quando estou diante do papel ou do computador – esse é só o momento final, em que as palavras saem de mim e tomam forma exterior.
Eu tendo a inverter a pergunta: como é que alguém que conheça bem uma língua tão linda como a nossa, goste de jovens e adore ler consegue dar aula sem transmitir essa paixão? Isso é que para mim é um mistério. Seria como um torcedor de um time ir ao estádio ver a final do campeonato, com a sua equipe na decisão, e conseguir não torcer. Não dá nem para imaginar! Só se ele não for um torcedor, não conhecer futebol, não entender o que está acontecendo no campo, nunca tiver assistido a uma partida etc. E, por causa de tudo isso, conseguir passar o jogo todo reparando em outras coisas: a marquise do estádio, a gola da camisa do vizinho à sua frente, coisas assim. Para mim, é inconcebível.
Avalie as afirmativas feitas abaixo:
1. Em “Comerei macaxeira no almoço”, temos uma variação linguística regional.
2. Os nomes a seguir são todos femininos: alface, cal, dinamite, champanhe.
3. A frase “Trouxe anexo as fotografias que me pediu” está correta quanto à concordância nominal.
4. Em “Dão-se aulas para crianças” não há desvio de concordância verbal.
5. Está correta a regência verbal em: “Custa-me crer que ele foi eleito novamente”.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas
corretas.



