Questões de Concurso
Comentadas sobre regência em português
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Quando expostas __________ referências estéticas próprias do mundo adulto, as crianças __________ um tipo de comportamento incompatível _________ construção de suas identidades.
De acordo com a norma-padrão, as lacunas da frase devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Em conformidade com as normas gramaticais vigentes, analise as afirmativas a seguir:
I) Ortograficamente, as palavras displicente, supertição e hélice estão grafadas corretamente.
II) Não se acentuam prefixos paroxítonos terminados em -r ou -i, ainda que substantivados.
III) Os pronomes -lo, -la, -los, -las virão sempre enclíticos aos infinitivos não flexionados, quando antecedidos da preposição a.
IV) O advérbio absolutamente pode ser de intensidade, de afirmação ou de negação, dependendo do contexto.
V) O uso da vírgula na frase “Que vocês estudam Matemática, todos já sabemos” é justificado por separar oração subordinada substantiva deslocada.
VI) Sujeitos indeterminados sempre apresentam verbos impessoais, os quais, por sua semântica, não possuem sujeito que promova a ação verbal.
VII) Quando o núcleo do sujeito é uma palavra de sentido coletivo, o verbo sempre permanece no singular, conforme as regras de concordância.
VIII) Na frase “Ana agradou à criança que estava triste”, há ocorrência de crase, pois o verbo agradar, no sentido de acariciar ou fazer carinho, é transitivo indireto.
Quantas afirmativas estão corretas?
“Ninguém se incomoda ou anota nada à mão. Aliado a isso, quase ninguém recorre à mídia física quando quer cozinhar algo diferente. Eu tenho dezenas de livros de culinária que raramente são tocados. É muito mais prático buscar informação on‑line.”
Com base no trecho apresentado, analise as afirmativas a seguir sobre concordância, regência e colocação pronominal.
I. Em “Ninguém se incomoda”, o uso de “se” está correto, porque a palavra “ninguém” atrai o pronome para antes do verbo (próclise).
II. O emprego de “são tocados” está incorreto; o certo é grafar “é tocada” para concordar com o termo “culinária”.
III. Em “Aliado a isso”, há crase antes de “isso”; portanto, o certo é escrever: “à isso”.
IV. O verbo “recorrer” pede a preposição “a”; por isso, está certo escrever “recorre à mídia física”.
Estão corretas as afirmativas
Cuidado, os sabichões querem seu cérebro!
Sabichonismo é uma doença que explora e
agrava nossa insegurança com a língua
Sérgio Rodrigues
O sabichonismo linguístico é uma doença social oportunista que se aproveita da insegurança do falante médio, intimidado com a normatividade da língua, para convencê‑lo de que contraria regras em série — todas imaginárias.
Por exemplo: “É pleonasmo vicioso dizer que um filme é baseado em fatos reais. Todo fato é real; se não for real, não é fato!”, grita o sabichão. (Por alguma razão, sabichões gostam de gritar)
É mentira dele, claro: além de existir algo que se chama ênfase, o mundo sempre foi cheio de fatos falsos, para não mencionar os hipotéticos, os fictícios, os que dependem de fé etc.
Mesmo assim, é comum que o fato sabichão seja acolhido. O mecanismo psíquico que nos leva a encarar quem nos “corrige” como detentor de um saber superior é o mesmo que garante o sucesso internético de vídeos como “você bebeu água errado a vida inteira: aprenda”.
Sim, todo mundo sempre usou a expressão “dois pesos e duas medidas”, de impecáveis credenciais bíblicas. Não há nada nela, sob nenhum aspecto, que esteja errado: refere‑se a dois pesos (para a farinha) e duas medidas (para o tecido), artimanhas de comerciante desonesto. Aí vem o sabichão e, por saber pouco, anuncia na praça: “O certo é um peso e duas medidas!”.
O sabichonismo pode ser do tipo literalista, que eu chamo de podólatra da letra: “Não existe gol de bola parada, bola parada não entra”; “Risco de vida está errado, o certo é risco de morte”.
Também pode ter corte lógico‑matemático, encrencado com a dupla negativa do português: “Se você diz que não viu nada, então viu alguma coisa”. Pode ser purista, amalucado: “O certo é ab‑rupto”.
O único objetivo do sabichonismo é afirmar a posição de poder de quem o exerce. Embora seja muitas vezes diletante, seu caráter falsamente educativo faz com que assuma com frequência a forma de atividade profissional, caso em que provoca estragos maiores.
Como regra, sabichões exercem o sabichonismo por convicção. Estão convencidos da sabedoria de sua bobagem, que gostariam de ver abraçada por todos. No entanto, sobretudo nos casos em que a atividade produz ganho material, não se deve descartar a hipótese da má‑fé.
A fragilidade do organismo social de que o sabichonismo tira partido — a autoconfiança precária que, como povo, sentimos diante de uma língua que é nossa e ao mesmo tempo não é — acaba, sob seus ataques, por se agravar.
Quando nos deixamos convencer de que o certo é “esculpido em Carrara” — em vez de “cuspido e escarrado”, bela versão lusófona de uma ideia presente no inglês “spitting image” e em outras línguas —, podemos ter a sensação inebriante de que nada no mundo é o que parece.
Contentes de descobrir tal joia perdida do conhecimento universal — “O certo é quem tem boca vaia Roma, buuu!” —, saímos espalhando a boa nova.
E assim o sabichão cumpre o seu papel final, reprodutivo, que é o mesmo dos zumbis: comer o cérebro do maior número possível de pessoas para transformá‑las em sabichonas também.
Todo cuidado com ele!
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo,
Cotidiano, 1 maio 2025, p. A 41 (adaptado).
“E assim o sabichão cumpre o seu papel final, reprodutivo, que é o mesmo dos zumbis: comer o cérebro do maior número possível de pessoas para transformá‑las em sabichonas também.”
Além do aspecto semântico, o trecho apresenta construções marcadas por regras de concordância verbal e nominal, e de regência verbal e nominal, que contribuem para a clareza e a correção do texto.
Com base nas normas da língua portuguesa, analise as afirmativas a seguir e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.
( ) O verbo “cumpre” está corretamente empregado, pois concorda com o sujeito “o sabichão”, que está no singular.
( ) O uso do pronome “‑las” em “transformá‑las” está incorreto, pois deveria ser substituído por “lhes”, que retoma o termo “pessoas”.
( ) O verbo “transformar” está bem empregado com regência adequada, pois exige objeto direto e complemento preposicionado com “em”.
( ) O trecho “do maior número possível de pessoas” apresenta erro de concordância nominal, pois o adjetivo “possível” deveria estar no plural para concordar com “pessoas”.
Assinale a sequência correta.
"Desde que comecei a faculdade, tenho me habituado à fadiga da viagem, o estar aqui, ser de lá, pertencer a lugar algum."
Considerando as regras normativas da Língua Portuguesa, analise o uso do acento indicativo de crase em "à fadiga da viagem" é correto afirmar que:
INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão.
TEXTO I
Cuidado: chatbots
Ruy Castro
Um amigo veio me falar dos chatbots: “Cuidado! São um perigo! Se conversar com um deles, não diga nada que possa te comprometer! Não faça confidências, não peça conselhos e não acredite em tudo o que ele diz!”. Envergonhado por não saber direito o que era um chatbot — nem como conversar com ele, se nunca lhe fui apresentado e não tenho ideia de onde vive —, apenas escutei e concordei enfaticamente.
Pela terminação do nome em bot, como em “robot”, intuí brilhantemente que um chatbot seria um robô que fala. Algo como a linda robota de “Metrópolis” (1927), o Robbie de “Planeta Proibido” (1956) ou o C‑3PO de “Guerra nas Estrelas” (1977). Mas, pelo que li no Google, esses avós da robótica não chegam nem ao chinelo de um chatbot — um programa de computador, baseado em inteligência artificial, que simula conversas com falantes em qualquer língua, nível intelectual e tipo de conteúdo. Se você tentar tapeá‑lo falando na língua do P, ele te respespondeperapá no apatopó.
Pelo grau de evolução da coisa, ouvi que os cientistas estão alarmados, porque muitos chatbots, controlados por uma facção de algoritmos fora da lei, aprenderam a se passar por humanos. Se for verdade, isso comprometerá todas as relações pessoais e sociais. Em quem poderemos confiar? Chatbots “humanos” terão acesso aos centros de decisões mundiais, induzindo os poderosos a fazer coisas.
Um exemplo. Um chatbot disseminará uma fake news capaz de abalar um país. Um segundo chatbot o “denunciará” como um farsante, com o que se tornará digno de confiança, e disseminará outra fake news ainda mais grave — e nesta todos acreditarão —, iniciando talvez uma guerra. Você perguntará: por que eles fariam isso? Por causa da velha (e tão humana) ambição de dominar o mundo, curvando‑o a um controle planetário.
Só uma coisa preocupa um chatbot: alguém arrancar seu fio da tomada da parede.
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cotidiano, Opinião,
11 abr. 2025, p. A2 (adaptado).
Leia o trecho do texto I a seguir.
“Pelo grau de evolução da coisa, ouvi que os cientistas estão alarmados, porque muitos chatbots, controlados por uma facção de algoritmos fora da lei, aprenderam a se passar por humanos. Se for verdade, isso comprometerá todas as relações pessoais e sociais.”
Considerando‑se os aspectos sintáticos e os gramaticais de concordância e regência, assinale a alternativa incorreta.
“Mas essa sobrecarga não se limita ao material. O neurocientista Daniel Levitin, autor de ‘A mente organizada’, explica que o excesso de informação drena nossa capacidade de concentração e decisão. Quando tudo exige nossa atenção, perdemos a clareza sobre o que é essencial à vida.”
Em relação à concordância e regência verbais e nominais no trecho apresentado, assinale a alternativa incorreta.