Questões de Concurso
Sobre redação - reescritura de texto em português
Foram encontradas 9.544 questões
Em peças publicitárias é comum haver erros gramaticais tendo em vista a função social do gênero e o seu público-alvo. Qual sentença foi reescrita observando a norma padrão da Língua Portuguesa?
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 08.
Eu 2018
Ontem à noite, impelido pela desolação, me pus a refletir sobre os rumos da pátria, deixando-me levar pelas águas cristalinas que brotam do lamaçal da embriaguez, decidi me lançar candidato a presidente. A ideia ainda é nova, falta criar um programa de governo, mas já adianto aqui algumas propostas, nascidas do conluio quase sempre profícuo entre o lúpulo e a divagação.
Reforma tributária. É sabido que nossa engenharia tributária é velha, injusta e ineficiente. Desestimula a economia e encoraja a sonegação. Temos que pensar nos impostos com a cabeça no século 22, não no 19. Por isso minha primeira proposta é uma ideia roubada do brilhante pensador Daniel Bramatti: a taxação de selfies. Digamos, R$ 0,10 por selfie. Se houver pau de selfie envolvido, R$ 1. Foto de comida terá que pagar 5% do valor do prato mais os 10% do serviço.
Reforma previdenciária. Só um doido nega o rombo na Previdência. Temos cada vez menos filhos e a medicina nos conserva até o último centavo. Acontece que esse pequeno número de jovens tira muito mais selfie e foto de comida do que os seus avós, de modo que a minha reforma tributária já garante a aposentadoria de todo mundo, sem mexer em direitos (a não ser que você considere selfie um direito. Selfie não é direito. Selfie é errado).
Controle de fronteiras. É muita terra abandonada por onde entram armas e drogas. Minha proposta é cavar um fosso do Oiapoque ao Chuí, encher de água e transformar em pesque e pague. A construção do maior parque pesqueiro do mundo vai reativar as nossas combalidas empreiteiras, vai dificultar a entrada de armas e drogas e alegrar a vida do idoso, não só pelos quilos de lambaris pescados (com o dinheiro das selfies dos netos) como pelo sentimento de utilidade ao ver-se patrulheiro de nossas fronteiras.
Entrega Brasília pro Mauricio de Sousa fazer um parque da Mônica. Troca o hino nacional por “Aquarela do Brasil”. Coloca “Amor” antes de “Ordem e Progresso” na nossa bandeira. Acaba com a CBF. Arena volta a se chamar estádio. Jorge Benjor volta a se chamar Jorge Ben. Lanche volta a se chamar sanduíche. E a tomada volta a ter dois pinos. Chega de mamata! Vote Antonio Prata!
(Antonio Prata. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/ 2018/03/eu-2018.shtml. Acesso em 04.04.2018. Adaptado)
Considere o seguinte trecho do texto:
“...mas já adianto aqui algumas propostas, nascidas do conluio quase sempre profícuo entre o lúpulo e a divagação”.
Os termos em destaque na frase podem ser corretamente substituídos, sem alteração do sentido, por
LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR QUE SERVIRÁ DE BASE PARA AS QUESTÕES DE 01 A 07.
MANUAL DA DEMISSÃO
Por Nelson Vasconcelos – 02/02/2018 4:30
RIO — Desemprego não é assunto que costuma ser encarado com bom humor. Dá para entender. Em geral, significa perdas, lamentos, incógnitas e, por isso mesmo, medo do futuro. No entanto, quando esse desastre cai no colo da escritora carioca Julia Wähmann, é impossível não rir. Tendo em mãos o seu ”Manual da demissão”, que será lançado na Travessa de Ipanema no próximo dia 7, a gente ri até de nervoso. Mas ri muito.
A narradora J. inicia sua história numa segunda-feira de terror corporativo, quando o patrão maluco começa a liquidar um quinto da equipe sob um lema universal: “É a crise, você sabe”. A longa manhã sacramenta o tormento de quem sai em busca de novos desafios e, também, de quem fica segurando a barra, sob a possibilidade permanente de estar na próxima lista de demissões. Se você já tiver vivido algo assim, vai se identificar com cada palavra do livro, e só não vai se acabar em tremedeiras porque o humor de Julia derruba qualquer tristeza.
MUITAS EMOÇÕES
Como sofrimento pouco é bobagem, J. é demitida dias depois de ser abandonada pelo namorado. Mas essa perda acaba em segundo plano — o que não quer dizer que desapareça de vez. Só cai um pouco em importância, tornando-se mais um fantasminha de J.
O que importa, agora, é vencer as várias etapas que surgem na vida da nova desempregada. J. as enumera sempre com muita graça. O périplo começa já ao desfazer as gavetas e segue ao encarar as agências da Caixa atrás do FGTS, unir-se a novos parceiros de desventura, afogar-se no veneno do tempo ocioso, criar desculpinhas a respeito de projetos inexistentes, conceber ideias mirabolantes para garantir o sustento, a praia, a opção preferencial pelos chinelos, a depressão, o mergulho nos remedinhos-antidepressivos-que-nos-deixam-dementes, o êxodo dos amigos, a pós-depressão, a recuperação, os próximos capítulos... São muitas emoções.
Falando assim, “Manual da demissão” parece assustador, deprimente. Nada disso. A narradora mostra (ou reitera) que o humor é fundamental para que a gente encare situações adversas. Humor é inteligência, é reflexão, é salvação, jogo rápido, não é fuga.
No fim das contas, o livrinho se torna um guia de ajuda para quem passa por momentos difíceis. E até podemos pensar que a própria autora exorcizou ali seus fantasmas em relação à perda dos tão amados emprego e namorado. Tanto que, no meio de tantas frases bem sacadas, temos aí uma associação deveras interessante, que deveria estar clara na cabeça de todo mundo viciado em ter carteira assinada. É mais ou menos isso: você devota ao emprego um amor verdadeiro que não é recíproco, por mais que o RH diga algo diferente. Você se dedica à empresa, sofre por ela, vira as noites com ela, e acha que ficará nessa por toda a eternidade. Mas um dia o patrão fica maluco e a moça do RH vai chamar para uma conversinha... É a crise, você sabe.
Guardadas as proporções, acontece a mesma coisa na relação com namorados, amantes, peguetes. Pensar que uma paixão de ocasião será infinita é, no mínimo, inocência. E tem gente que nunca se recupera do pé na bunda — seja por parte do namorado, seja por parte do patrão maluco. Mas Julia Wähmann mostra que tudo isso passa. O problema é que, enquanto não passa, dói pra burro.
“Manual da demissão”, romance de Julia
Wähmann. Editora Record, 142 páginas.
Texto acessado em 13/03/2018 em https://
oglobo.globo.com/cultura/livros/livro-manual-da-
demissao-carinho-bem-humorado-em-quem-perde-
emprego-22356164
“Falando assim, ‘Manual da demissão’ parece assustador, deprimente. Nada disso. A narradora mostra (ou reitera) que o humor é fundamental para que a gente encare situações adversas. Humor é inteligência, é reflexão, é salvação, jogo rápido, não é fuga.” Ao reescrever o trecho, assinale a alternativa adequada quanto à norma padrão e sem alteração de sentido.
LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR QUE SERVIRÁ DE BASE PARA AS QUESTÕES DE 01 A 07.
MANUAL DA DEMISSÃO
Por Nelson Vasconcelos – 02/02/2018 4:30
RIO — Desemprego não é assunto que costuma ser encarado com bom humor. Dá para entender. Em geral, significa perdas, lamentos, incógnitas e, por isso mesmo, medo do futuro. No entanto, quando esse desastre cai no colo da escritora carioca Julia Wähmann, é impossível não rir. Tendo em mãos o seu ”Manual da demissão”, que será lançado na Travessa de Ipanema no próximo dia 7, a gente ri até de nervoso. Mas ri muito.
A narradora J. inicia sua história numa segunda-feira de terror corporativo, quando o patrão maluco começa a liquidar um quinto da equipe sob um lema universal: “É a crise, você sabe”. A longa manhã sacramenta o tormento de quem sai em busca de novos desafios e, também, de quem fica segurando a barra, sob a possibilidade permanente de estar na próxima lista de demissões. Se você já tiver vivido algo assim, vai se identificar com cada palavra do livro, e só não vai se acabar em tremedeiras porque o humor de Julia derruba qualquer tristeza.
MUITAS EMOÇÕES
Como sofrimento pouco é bobagem, J. é demitida dias depois de ser abandonada pelo namorado. Mas essa perda acaba em segundo plano — o que não quer dizer que desapareça de vez. Só cai um pouco em importância, tornando-se mais um fantasminha de J.
O que importa, agora, é vencer as várias etapas que surgem na vida da nova desempregada. J. as enumera sempre com muita graça. O périplo começa já ao desfazer as gavetas e segue ao encarar as agências da Caixa atrás do FGTS, unir-se a novos parceiros de desventura, afogar-se no veneno do tempo ocioso, criar desculpinhas a respeito de projetos inexistentes, conceber ideias mirabolantes para garantir o sustento, a praia, a opção preferencial pelos chinelos, a depressão, o mergulho nos remedinhos-antidepressivos-que-nos-deixam-dementes, o êxodo dos amigos, a pós-depressão, a recuperação, os próximos capítulos... São muitas emoções.
Falando assim, “Manual da demissão” parece assustador, deprimente. Nada disso. A narradora mostra (ou reitera) que o humor é fundamental para que a gente encare situações adversas. Humor é inteligência, é reflexão, é salvação, jogo rápido, não é fuga.
No fim das contas, o livrinho se torna um guia de ajuda para quem passa por momentos difíceis. E até podemos pensar que a própria autora exorcizou ali seus fantasmas em relação à perda dos tão amados emprego e namorado. Tanto que, no meio de tantas frases bem sacadas, temos aí uma associação deveras interessante, que deveria estar clara na cabeça de todo mundo viciado em ter carteira assinada. É mais ou menos isso: você devota ao emprego um amor verdadeiro que não é recíproco, por mais que o RH diga algo diferente. Você se dedica à empresa, sofre por ela, vira as noites com ela, e acha que ficará nessa por toda a eternidade. Mas um dia o patrão fica maluco e a moça do RH vai chamar para uma conversinha... É a crise, você sabe.
Guardadas as proporções, acontece a mesma coisa na relação com namorados, amantes, peguetes. Pensar que uma paixão de ocasião será infinita é, no mínimo, inocência. E tem gente que nunca se recupera do pé na bunda — seja por parte do namorado, seja por parte do patrão maluco. Mas Julia Wähmann mostra que tudo isso passa. O problema é que, enquanto não passa, dói pra burro.
“Manual da demissão”, romance de Julia
Wähmann. Editora Record, 142 páginas.
Texto acessado em 13/03/2018 em https://
oglobo.globo.com/cultura/livros/livro-manual-da-
demissao-carinho-bem-humorado-em-quem-perde-
emprego-22356164
Os termos retirados do texto “incógnitas”, “conceber” e “deveras” podem nele ser substituídos, sem alteração de sentido, respectivamente por:
Considere a oração: “No afã de um desejo que não contraíra...” (Djavan). Sem prejuízo de sentido, a palavra em destaque pode ser substituída por:
Texto para responder as questões 07 a 12.
Texto 02 – Assum preto ou anum preto
Posso estar dizendo uma besteira descomunal, mas irei em frente. Se for besteira mesmo, aparecerão dúzias de críticos e resmas de correções, o que pelo menos me impedirá de continuar repetindo a besteira velhice afora. A besteira se refere à canção clássica de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, “Assum Preto”, com seus versos inesquecíveis: “Tudo em volta é só beleza / céu de abril e a mata em flor /mas assum preto cego dos olhos /não vendo a luz, ai, canta de dor...” Assum preto é o passarinho que não somente é trancado numa gaiola: furam-lhe os olhos para que ele cante de maneira mais sofrida, mais bela. Como não nos lembrarmos dos “bluesmen” cegos do Mississipi? Como não nos lembrarmos dos “castrati” da ópera italiana (a quem arrancavam algo talvez mais estimado do que os globos oculares)?
A história é esta. A besteira é: existe de fato um pássaro chamado “assum” ou “assum preto”? Eu, pelo menos, nunca ouvi falar. Vou logo avisando que minha ignorância de assuntos da Natureza é de proporções enciclopédicas. Mas, foi justamente nas enciclopédias que procurei essa nobre ave – e não a encontro. Não há menção de “Assum” ou “assum preto” na Wikipédia online, bem como no meu “Dicionário Houaiss”.
Há, sim, menção (nessas e em várias outras fontes) a um pássaro chamado “anum preto”. Anum, sim, eu ouço falar desde pequeno, inclusive na expressão levemente ofensiva e brincalhona “bufa de anum” com intenção provocativa [...]
TAVARES, Braulio. A nuvem de hoje. Campina Grande: EDUEPB, 2011, p. 189.
Sobre o enunciado “Há, sim, menção (nessas e em várias outras fontes) a um pássaro chamado 'anum preto'”, pode-se afirmar:
( ) O verbo “Há” pode ser substituído pela flexão verbal “existir”, sem prejudicar o sentido no contexto da enunciação.
( ) A substituição do termo “Há” por “existir” não altera as funções sintáticas das palavras no enunciado.
( ) O termo “nessas” estabelece coesão referencial com outro elemento do universo textual.
O preenchimento CORRETO dos parênteses está na alternativa
1 Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento
capaz de suprir as necessidades da geração atual,
garantindo a capacidade de atender às necessidades das
4 futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os
recursos para o futuro.
Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre
7 Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações
Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois
objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação
10 ambiental.
Nos últimos anos, práticas de responsabilidade social
corporativa tornaram‐se parte da estratégia de um número
13 crescente de empresas, cientes da necessária relação entre
retorno econômico, ações sociais e conservação da
natureza e, portanto, do claro vínculo que une a própria
16 prosperidade com o estado da saúde ambiental e o
bem‐ estar coletivo da sociedade.
É cada vez mais importante que as empresas tenham
19 consciência de que são parte integrante do mundo e não
consumidoras do mundo. O reconhecimento de que os
recursos naturais são finitos e de que deles dependem a
22 sobrevivência humana, a conservação da diversidade
biológica e o próprio crescimento econômico é fundamental
para o desenvolvimento sustentável, conceito segundo o
25 qual a utilização dos recursos naturais deve ser feita com
responsabilidade.
O consumidor é cada vez mais consciente do peso
28 ecológico e social de suas próprias escolhas. Assim, para a
empresa garantir a satisfação dos consumidores, ela terá,
cada vez mais, de fornecer respostas coerentes a esses
31 assuntos, reconhecendo a crescente sensibilidade do
mercado a temáticas como a sustentabilidade e
empenhando‐se em atingir resultados positivos a favor do
meio ambiente.
Internet: <www.wwf.org.br> (com adaptações).
Assinale a alternativa em que é apresentada proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o seguinte trecho do texto: “Assim, para a empresa garantir a satisfação dos consumidores, ela terá, cada vez mais, de fornecer respostas coerentes a esses assuntos” (linhas de 28 a 31).
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Os processos decisórios do ser
01---------Ana acorda todos os dias às 7 horas da manhã, toma seu café acompanhado de algumas
02--torradas com requeijão, checa a previsão do tempo, se veste de acordo com a temperatura, olha
03--como está o trânsito – se a avenida principal de sua cidade está parada, não é uma boa ir de
04--carro hoje. Pega o metrô, para em um restaurante para o seu segundo café do dia, entra no
05--prédio onde trabalha, sobe pela escada porque hoje não vai dar tempo de ir ____ academia,
06--senta ao computador, abre a página de notícias, se desespera com a violência na cidade (talvez
07--seja melhor se mudar para um lugar mais tranquilo). Envia alguns e-mails, responde alguns
08--outros. Chega a hora do almoço, hoje ela está com vontade de comida japonesa. Vai ao
09--restaurante mais gostoso, porque o vale-refeição caiu nessa mesma semana. Parte para o terceiro
10--café do dia. Tem reunião ___ tarde, é melhor reservar alguns minutos antes para se preparar. A
11--reunião corre sonolenta, mas alguns pontos são resolvidos. Ana vê as redes sociais e faz alguns
12--testes do Buzzfeed. Ela volta ___ responder alguns e-mails e depois foca na grande apresentação
13--que tem de fazer na próxima semana. Os amigos da faculdade mandam mensagens no WhatsApp,
14--ela responde na hora. O que vão fazer neste fim de semana? Chega o final do dia, o trânsito está
15--mais tranquilo, Ana pede um Uber para casa, já que o metrô está caótico. Chega, alimenta os
16--gatos, liga a televisão, fica 30 minutos procurando o que assistir na Netflix, vê alguns episódios
17--daquela série que a chefe recomendou. Não gosta muito, mas é bom ter assunto com a chefia. É
18--melhor ir dormir para não perder a hora amanhã. Corre a mão pelo feed do Facebook. Sua prima
19--se casou. Agora é melhor ir dormir mesmo. Bota o celular para despertar às 7 horas.
20---------Identificou-se com Ana? Provavelmente há vários pontos em seu dia que são comuns aos
21--dela. Mas tem uma coisa que se repete durante toda a rotina de Ana, assim como na sua e na
22--minha, e que de tão intrínseco nem todos percebem: a necessidade constante de tomar decisões.
23--Sim, desde o acordar até a hora de ir dormir, desde o seu nascimento até o fim de sua vida. Tudo
24--isso é feito e construído por meio das suas decisões, sejam elas grandes ou pequenas,
25--conscientes ou inconscientes. Mas não se assuste ou se deixe levar pela ansiedade. “Cada vez,
26--cada dia, nós tomamos decisões. E em nossa mente acontece um verdadeiro conflito entre lógica,
27--intuição e racionalidade. Todas as nossas ações são distintas, caracterizadas por esse
28--acontecimento”, revela o psiquiatra e filósofo italiano Mauro Maldonato.
29---------Claro que, senão todas, muitas dessas decisões do cotidiano acontecem no âmbito de
30--nosso inconsciente, ou seja, não estamos o tempo inteiro refletindo sobre cada ação que devemos
31--tomar, o que acarretaria um fluxo insano de informações ___ mente. “Quando tomamos uma
32--decisão, muitas vezes acreditamos que estamos fazendo algo consciente, quando na verdade é
33--totalmente inconsciente. Todo esse processo ocorre numa camada abaixo do consciente. O que
34--acontece é que nesse momento o seu cérebro começa a calcular muitas coisas e possibilidades e
35--você não está nem ciente de toda essa atividade que está acontecendo nele”, descreve o
36--neurocientista argentino Mariano Sigman.
37---------Segundo ele, apesar de não acompanharmos esse processo na íntegra, nosso corpo nos
38--comunica sobre o momento decisório: “Toda essa atividade de nossa mente, tudo isso manda um
39--sinal para o seu corpo, o batimento cardíaco aumenta, a pele começa a suar. Enfim, é como se o
40--seu cérebro estivesse preparando o seu corpo para alguma coisa, algum acontecimento”.
41---------É interessante notar, como atesta o professor de filosofia da USP Roberto Bolzani Filho,
42--que as “deliberações que preparam tomadas de decisões resultam da maneira como vemos o
43--mundo e os valores que encontramos nele, ao mesmo tempo em que, inevitavelmente, levamos
44--em conta, de forma prioritária, nossos interesses pessoais”.
45---------É nessa conjuntura que formamos uma bagagem emocional e psíquica acerca de nossas
46--escolhas, as quais se acumulam e crescem, dando sentido à trajetória de vida. Assim como nos
47--conhecermos como indivíduos frente aos problemas e questões que a vida nos propõe. “A tomada
48--de decisões faz com que entendamos o modo como lidamos com situações cotidianas. Se somos
49--mais impulsivos e tomamos decisões mais rapidamente, somos considerados mais ativos perante
50--a vida, do contrário, somos mais conservadores em nosso modo de reagir e considerados mais
51--passivos. No entanto, essas características não são estanques e podem mudar de acordo com as
52--situações que passamos. O ser humano é sempre capaz de se adaptar e se transformar, e os
53--processos decisórios nos indicam o quanto podemos ser diferentes em cada situação”, finaliza
54--Clarice Paulon, psicologa membro do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.
(Fonte: Renata Volmério – Revista da C+ultura – disponível em:
https://www.livrariacultura.com.br/revistadacultura/reportagens/decisoes – adaptação)
Assinale a alternativa que apresenta um sinônimo possível para o vocábulo “estanque” (l. 51), desconsiderando eventuais necessidades de alterações a fim de manter a correção gramatical e as relações de concordância.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Os processos decisórios do ser
01---------Ana acorda todos os dias às 7 horas da manhã, toma seu café acompanhado de algumas
02--torradas com requeijão, checa a previsão do tempo, se veste de acordo com a temperatura, olha
03--como está o trânsito – se a avenida principal de sua cidade está parada, não é uma boa ir de
04--carro hoje. Pega o metrô, para em um restaurante para o seu segundo café do dia, entra no
05--prédio onde trabalha, sobe pela escada porque hoje não vai dar tempo de ir ____ academia,
06--senta ao computador, abre a página de notícias, se desespera com a violência na cidade (talvez
07--seja melhor se mudar para um lugar mais tranquilo). Envia alguns e-mails, responde alguns
08--outros. Chega a hora do almoço, hoje ela está com vontade de comida japonesa. Vai ao
09--restaurante mais gostoso, porque o vale-refeição caiu nessa mesma semana. Parte para o terceiro
10--café do dia. Tem reunião ___ tarde, é melhor reservar alguns minutos antes para se preparar. A
11--reunião corre sonolenta, mas alguns pontos são resolvidos. Ana vê as redes sociais e faz alguns
12--testes do Buzzfeed. Ela volta ___ responder alguns e-mails e depois foca na grande apresentação
13--que tem de fazer na próxima semana. Os amigos da faculdade mandam mensagens no WhatsApp,
14--ela responde na hora. O que vão fazer neste fim de semana? Chega o final do dia, o trânsito está
15--mais tranquilo, Ana pede um Uber para casa, já que o metrô está caótico. Chega, alimenta os
16--gatos, liga a televisão, fica 30 minutos procurando o que assistir na Netflix, vê alguns episódios
17--daquela série que a chefe recomendou. Não gosta muito, mas é bom ter assunto com a chefia. É
18--melhor ir dormir para não perder a hora amanhã. Corre a mão pelo feed do Facebook. Sua prima
19--se casou. Agora é melhor ir dormir mesmo. Bota o celular para despertar às 7 horas.
20---------Identificou-se com Ana? Provavelmente há vários pontos em seu dia que são comuns aos
21--dela. Mas tem uma coisa que se repete durante toda a rotina de Ana, assim como na sua e na
22--minha, e que de tão intrínseco nem todos percebem: a necessidade constante de tomar decisões.
23--Sim, desde o acordar até a hora de ir dormir, desde o seu nascimento até o fim de sua vida. Tudo
24--isso é feito e construído por meio das suas decisões, sejam elas grandes ou pequenas,
25--conscientes ou inconscientes. Mas não se assuste ou se deixe levar pela ansiedade. “Cada vez,
26--cada dia, nós tomamos decisões. E em nossa mente acontece um verdadeiro conflito entre lógica,
27--intuição e racionalidade. Todas as nossas ações são distintas, caracterizadas por esse
28--acontecimento”, revela o psiquiatra e filósofo italiano Mauro Maldonato.
29---------Claro que, senão todas, muitas dessas decisões do cotidiano acontecem no âmbito de
30--nosso inconsciente, ou seja, não estamos o tempo inteiro refletindo sobre cada ação que devemos
31--tomar, o que acarretaria um fluxo insano de informações ___ mente. “Quando tomamos uma
32--decisão, muitas vezes acreditamos que estamos fazendo algo consciente, quando na verdade é
33--totalmente inconsciente. Todo esse processo ocorre numa camada abaixo do consciente. O que
34--acontece é que nesse momento o seu cérebro começa a calcular muitas coisas e possibilidades e
35--você não está nem ciente de toda essa atividade que está acontecendo nele”, descreve o
36--neurocientista argentino Mariano Sigman.
37---------Segundo ele, apesar de não acompanharmos esse processo na íntegra, nosso corpo nos
38--comunica sobre o momento decisório: “Toda essa atividade de nossa mente, tudo isso manda um
39--sinal para o seu corpo, o batimento cardíaco aumenta, a pele começa a suar. Enfim, é como se o
40--seu cérebro estivesse preparando o seu corpo para alguma coisa, algum acontecimento”.
41---------É interessante notar, como atesta o professor de filosofia da USP Roberto Bolzani Filho,
42--que as “deliberações que preparam tomadas de decisões resultam da maneira como vemos o
43--mundo e os valores que encontramos nele, ao mesmo tempo em que, inevitavelmente, levamos
44--em conta, de forma prioritária, nossos interesses pessoais”.
45---------É nessa conjuntura que formamos uma bagagem emocional e psíquica acerca de nossas
46--escolhas, as quais se acumulam e crescem, dando sentido à trajetória de vida. Assim como nos
47--conhecermos como indivíduos frente aos problemas e questões que a vida nos propõe. “A tomada
48--de decisões faz com que entendamos o modo como lidamos com situações cotidianas. Se somos
49--mais impulsivos e tomamos decisões mais rapidamente, somos considerados mais ativos perante
50--a vida, do contrário, somos mais conservadores em nosso modo de reagir e considerados mais
51--passivos. No entanto, essas características não são estanques e podem mudar de acordo com as
52--situações que passamos. O ser humano é sempre capaz de se adaptar e se transformar, e os
53--processos decisórios nos indicam o quanto podemos ser diferentes em cada situação”, finaliza
54--Clarice Paulon, psicologa membro do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.
(Fonte: Renata Volmério – Revista da C+ultura – disponível em:
https://www.livrariacultura.com.br/revistadacultura/reportagens/decisoes – adaptação)
Assinale a alternativa que apresenta a correta possibilidade de reescrita do trecho “os processos decisórios nos indicam o quanto podemos ser diferentes em cada situação” retirado do texto.
Cachorro encurralado não salta
1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando
2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde
3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal
4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira
5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar
6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.
7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter
8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser
9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.
10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas
11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram
12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a
13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço
14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na
15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém
16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais
17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.
18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador
19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento
20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de
21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o
22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava
23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a
24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam
25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos
26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início
27 quanto o fim pareciam aleatórios.
28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida
29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma
30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de
31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava
32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned
33 helplessness, ou desamparo aprendido.
34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente
35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo
36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar
37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.
38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que
39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos
40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.
Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.
No trecho “Descobriram que, já na década de 1960, era alta a incidência de violência na escola ...” (linhas 12 e 13), o termo incidência pode ser substituído, sem prejuízo do significado, por
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Famílias postiças contra a sigilosa epidemia da solidão
- Rosa enviuvou em agosto e desde então carrega nos ombros um pesado silêncio. Só o
- telefonema de uma amiga todos os dias ___ nove da noite diminui um pouco o seu vazio. Rosa
- vive na Galícia, uma região chuvosa no norte da Espanha, onde impera o caráter introspectivo
- e estoico. Além disso, ela mora em uma aldeia, em Betanzos (província de A Coruña) que há
- anos não para de perder população. Esse telefonema é praticamente o único momento em que
- se comunica com alguém. “Conversamos durante meia hora. Não criticamos ninguém, mas
- comentamos coisas e a faço rir”, conta Pilar, a voz amiga de Rosa e uma das colaboradoras do
- projeto de iniciativa da ordem religiosa dos franciscanos na Galícia para combater a epidemia
- silenciosa da solidão, que se estende sem freio nos lares ocidentais.
- Enquanto no Reino Unido o Governo acaba de criar uma Secretaria de Estado contra a
- Solidão, em Betanzos foi colocado ___ disposição o convento de San Francisco de Betanzos –
- sem vida desde que ...... dois anos as últimas freiras residentes cruzaram a porta – para criar
- uma família com pessoas “que estejam ou se sintam sozinhas”. Os participantes passariam o
- dia nas instalações, tomando café da manhã, almoçando e jantando, compartilhando a
- lavanderia e os gastos, fazendo companhia uns aos outros.
- “Não se trata de uma unidade de atendimento ___ terceira idade nem de beneficência,
- nem de um local social, mas de um espaço de autogestão que não se financia com subvenções
- e no qual queremos imitar o ambiente de uma família qualquer, com liberdade para entrar e
- sair sem compromisso e sem exigências de vínculo religioso”, explica o frei Enrique Roberto
- Lista sobre um projeto aberto ___ moradores de qualquer prefeitura e cujos responsáveis
- gostariam de estender no futuro a outros edifícios eclesiásticos vazios, como as casas
- sacerdotais das paróquias.
- Se no Brasil o número de pessoas que vivem sós duplicou entre 2005 e 2015, sobretudo
- entre as com mais de 60 anos, segundo o IBGE, na Espanha a situação não é melhor. Ali vivem
- sozinhas cerca de 4,5 milhões de pessoas, segundo os dados apresentados pelos franciscanos.
- Mais de 70% das almas que habitam esses lares sofrem de solidão, um problema que afeta
- igualmente mais da metade de quem tem companhia em suas casas.
- O projeto começou a ser posto em prática em Betanzos com nove mulheres e, conforme
- explica a trabalhadora social Antía Leira, vem enfrentando dificuldades para superar “o estigma
- da solidão, a vergonha”. “É difícil para as pessoas que a sofrem reconhecer a situação e até
- mesmo identificá-la porque muitas vezes convivem com alguém”, afirma Leira. “É uma
- necessidade oculta: todo mundo admite o problema, e as notícias de idosos que morrem sem
- que ninguém fique sabendo se multiplicam, mas custa dar o passo para combatê-la.”
- Uma solidão mais uma solidão é companhia, o remédio para o problema está nas pessoas
- que sofrem esse ......”, observa o frei Lista, criador do projeto, enquanto no refeitório deste
- convento do século XIV os primeiros membros passam um ao outro a cafeteira e as bandejas
- de biscoitos e bolos. A amiga de Pilar que se sente tão sozinha ainda não deu o passo para se
- integrar ___ essa família postiça: “É desconfiada e retraída, e isso lhe custa, mas eu digo que
- isto seria fantástico para ela se oxigenar.”
- A tristeza pelo isolamento social não é um achaque só da idade. “Há pessoas muito jovens
- que também estão sós”, diz Adriana García, colaboradora do projeto. “Esta sociedade te
- empurra para a solidão. Há menos filhos, a família se dispersa, por um lado as tecnologias te
- conectam, mas por outro te levam a se fechar. E ...... jornadas de trabalho que não te deixam
- tempo para a amizade e a família. Racionalizar os horários seria uma grande contribuição para
- combater isso.”
(Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/02/internacional/1517571336_119656.html – Texto adaptado)
Analise as seguintes propostas de alteração de expressões do texto:
I. ‘trata’ (l.16) por ‘refere’.
II. ‘estender’ (l.21) por ‘expandir’.
III. ‘combater’ (l.45) por ‘lutar’.
Quais NÃO causam incorreção à sintaxe do período em que estão inseridas?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Famílias postiças contra a sigilosa epidemia da solidão
- Rosa enviuvou em agosto e desde então carrega nos ombros um pesado silêncio. Só o
- telefonema de uma amiga todos os dias ___ nove da noite diminui um pouco o seu vazio. Rosa
- vive na Galícia, uma região chuvosa no norte da Espanha, onde impera o caráter introspectivo
- e estoico. Além disso, ela mora em uma aldeia, em Betanzos (província de A Coruña) que há
- anos não para de perder população. Esse telefonema é praticamente o único momento em que
- se comunica com alguém. “Conversamos durante meia hora. Não criticamos ninguém, mas
- comentamos coisas e a faço rir”, conta Pilar, a voz amiga de Rosa e uma das colaboradoras do
- projeto de iniciativa da ordem religiosa dos franciscanos na Galícia para combater a epidemia
- silenciosa da solidão, que se estende sem freio nos lares ocidentais.
- Enquanto no Reino Unido o Governo acaba de criar uma Secretaria de Estado contra a
- Solidão, em Betanzos foi colocado ___ disposição o convento de San Francisco de Betanzos –
- sem vida desde que ...... dois anos as últimas freiras residentes cruzaram a porta – para criar
- uma família com pessoas “que estejam ou se sintam sozinhas”. Os participantes passariam o
- dia nas instalações, tomando café da manhã, almoçando e jantando, compartilhando a
- lavanderia e os gastos, fazendo companhia uns aos outros.
- “Não se trata de uma unidade de atendimento ___ terceira idade nem de beneficência,
- nem de um local social, mas de um espaço de autogestão que não se financia com subvenções
- e no qual queremos imitar o ambiente de uma família qualquer, com liberdade para entrar e
- sair sem compromisso e sem exigências de vínculo religioso”, explica o frei Enrique Roberto
- Lista sobre um projeto aberto ___ moradores de qualquer prefeitura e cujos responsáveis
- gostariam de estender no futuro a outros edifícios eclesiásticos vazios, como as casas
- sacerdotais das paróquias.
- Se no Brasil o número de pessoas que vivem sós duplicou entre 2005 e 2015, sobretudo
- entre as com mais de 60 anos, segundo o IBGE, na Espanha a situação não é melhor. Ali vivem
- sozinhas cerca de 4,5 milhões de pessoas, segundo os dados apresentados pelos franciscanos.
- Mais de 70% das almas que habitam esses lares sofrem de solidão, um problema que afeta
- igualmente mais da metade de quem tem companhia em suas casas.
- O projeto começou a ser posto em prática em Betanzos com nove mulheres e, conforme
- explica a trabalhadora social Antía Leira, vem enfrentando dificuldades para superar “o estigma
- da solidão, a vergonha”. “É difícil para as pessoas que a sofrem reconhecer a situação e até
- mesmo identificá-la porque muitas vezes convivem com alguém”, afirma Leira. “É uma
- necessidade oculta: todo mundo admite o problema, e as notícias de idosos que morrem sem
- que ninguém fique sabendo se multiplicam, mas custa dar o passo para combatê-la.”
- Uma solidão mais uma solidão é companhia, o remédio para o problema está nas pessoas
- que sofrem esse ......”, observa o frei Lista, criador do projeto, enquanto no refeitório deste
- convento do século XIV os primeiros membros passam um ao outro a cafeteira e as bandejas
- de biscoitos e bolos. A amiga de Pilar que se sente tão sozinha ainda não deu o passo para se
- integrar ___ essa família postiça: “É desconfiada e retraída, e isso lhe custa, mas eu digo que
- isto seria fantástico para ela se oxigenar.”
- A tristeza pelo isolamento social não é um achaque só da idade. “Há pessoas muito jovens
- que também estão sós”, diz Adriana García, colaboradora do projeto. “Esta sociedade te
- empurra para a solidão. Há menos filhos, a família se dispersa, por um lado as tecnologias te
- conectam, mas por outro te levam a se fechar. E ...... jornadas de trabalho que não te deixam
- tempo para a amizade e a família. Racionalizar os horários seria uma grande contribuição para
- combater isso.”
(Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/02/internacional/1517571336_119656.html – Texto adaptado)
Considerando o significado de palavras do texto, analise as seguintes assertivas, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A palavra ‘estoico’ (l.04) tem o mesmo sentido que ‘conformado’.
( ) O vocábulo ‘estigma’ (l.29) significa visão negativa e muito arraigada, numa sociedade, a respeito de determinada prática, comportamento ou doença, por exemplo.
( ) A palavra ‘achaque’ (l.40) poderia ser substituída por ‘mal-estar’ sem acarretar incorreções à frase em que está inserida.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A louca vida sexual das plantas
- Mal entrou na puberdade e ela só quer, só pensa, em namorar. Uns argumentam que ainda é
- jovem, um botão em flor, mas isso nunca foi um grande problema para ela, que vem se
- preparando para desabrochar desde que era um brotinho. Apesar de ter criado raízes junto aos
- pais, sente que é hora de formar sua própria família e gerar seus rebentos. Para conceber as
- sementes dessa transformação silenciosa, a moça se insinua aos quatro ventos, ludibria os
- varões e cria sugestivas armadilhas. Se preciso, ela se vestirá de forma sensual e se cobrirá com
- perfumes, tudo para deixar sua herança na terra – e, com sorte, gerar bons frutos para as
- próximas gerações.
- Sob a ótica de uma flor, um jardim é uma grande orgia. Cactos e ipês fazem. Trepadeiras,
- claro, fazem. A mais prosaica violeta e a rosa caríssima fazem. De fato, assim que provaram o
- gostinho da coisa pela primeira vez, cerca de 145 milhões de anos atrás, 415 milhões de anos
- depois de a primeira alga verde chegar à terra firme, as plantas logo perceberam que o sexo
- poderia trazer benefícios interessantes. Vamos a eles.
- À primeira vista, o sexo parece pouco importante para as plantas. Isso porque a maior parte
- delas é hermafrodita: um mesmo indivíduo tem tanto um ovário, sua porção feminina, quanto
- grãos de pólen, pequenas estruturas que encerram os gametas masculinos. A reprodução
- sexuada, que leva o pólen até o ovário, não deveria, portanto, demandar grandes esforços. Mas
- não é isso que acontece na realidade. Uma flor só se entrega ao solitário prazer da fecundação
- própria quando sua sobrevivência está sob ameaça. É que um vegetal autofecundado cria
- descendentes geneticamente idênticos à mãe. Mal negócio. A reprodução sexuada junta e
- embaralha genes de dois indivíduos. O filho nasce com um código genético só dele (é
- precisamente o seu caso, leitor ou leitora – você é só um embaralhamento aleatório dos genes
- dos seus pais). A vantagem aí é que códigos genéticos novos produzem anticorpos inéditos na
- natureza. É uma bela vantagem do ponto de vista da espécie. Se um vírus mortal infectar todos
- os indivíduos de uma espécie, alguns vão sobreviver, já que provavelmente terão nascido com
- anticorpos que, por sorte, conseguem defende-los do ataque. Se todos tivessem os mesmos
- genes, um único ataque viral poderia exterminar a espécie inteira. É por isso que você faz sexo.
- Não houvesse essa pressão evolutiva, não existiriam pênis, vagina, tesão, orgasmo. Nada.
- Mas voltemos a falar de flores. Como não podem sair do lugar, as flores recorrem a aves,
- insetos e pequenos mamíferos — seus polinisadores — para misturar seu material genético ao de
- outras. Essa sacada garantiu às plantas floríferas uma diversidade enorme, se comparadas aos
- vegetais sem flor, como musgos, pinheiros e samambaias. Ainda assim, isso não quer dizer que
- uma flor jamais vai se fecundar sozinha. Há casos em que isso se torna necessário. Em condições
- normais, a violeta-africana produz flores no alto de hastes longas, boas para atrair a atenção de
- insetos e reproduzir-se embaralhando seus genes com os de outra flor, distante. Mas, se notar
- que as condições estão ruins — o clima ficou frio ou quente demais, por exemplo —, a mesma
- violeta pode gerar flores de haste curta, que ficam escondidas pelas folhas e se autofecundam
- ainda em botão.
- Nesse caso, o alerta que vai determinar qual tipo de sexo elas vão praticar é dado por
- estruturas celulares especializadas, que registram alterações na intensidade da luz solar ou na
- quantidade de horas de escuro. “Uma planta é capaz de perceber mudanças mínimas na oferta
- de nutrientes ou mesmo detectar que os dias estão ficando mais curtos e, portanto, o inverno
- está chegando”, diz o biólogo Thales Kronenberger, especialista em biologia molecular e
- parasitologia.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://super.abril.com.br/ciencia/a-louca-vida- sexual-das-plantas/. Acesso em 09 out. 2018.
Qual das seguintes alternativas apresenta um sinônimo da palavra “prosaica” (l. 10), sendo capaz de substituí-la de modo a preservar o sentido original da mensagem veiculada no texto?
Texto 2
CÔNSUL!
Domício da Gama
No café de Londres, às onze horas da noite.
Chove desabridamente. Entre a zoada dos aguaceiros,
que lavam a rua, ouvem-se raros passos apressados de
transeuntes invisíveis na sombra. A espaços um ronco
5 rápido e surdo, como um rufo de tambor molhado,
assinala a passagem de um guarda-chuva por baixo do
jorro de uma goteira que transborda. Corre um sopro
glacial de tédio e desconforto pelo café profusamente
iluminado, em que já pouca gente resta. O silêncio só é
10 quebrado pelo ruído dos talheres e da conversa de três
rapazes cavaqueando numa ceia econômica ao fundo.
O homem do contador cochila. Sentado a uma mesinha,
em frente ao prato vazio, em que um osso descarnado
de galinha comemora a passagem de uma canja, está
15 um homem que cisma sobre um jornal.
GAMA, Domício. Apud SANDANELLO, F. B. Domício da Gama e o impressionismo literário no Brasil. São Luís, MA: EDUFMA, 2017. p. 169.
“Sentado a uma mesinha, em frente ao prato vazio, em que um osso descarnado de galinha comemora a passagem de uma canja, está um homem que cisma sobre um jornal.” (linhas 12-15). Pode substituir a expressão sublinhada, sem alteração do sentido:
Texto 1
DOMÍCIO DA GAMA
Domício da Gama (Domício Afonso Forneiro,
adotou do padrinho o Gama), jornalista, diplomata,
contista e cronista, nasceu em Maricá, RJ, em 23 de
outubro de 1862 e faleceu no Rio de Janeiro, RJ,
5 em 8 de novembro de 1925. Foi um dos dez
acadêmicos eleitos na sessão de 28 de janeiro de 1897,
para completar o quadro de fundadores da Academia.
Escolheu Raul Pompeia como patrono, ocupando a
cadeira no 33. Foi recebido na sessão de 1º de julho de
10 1900, por Lúcio de Mendonça.
Fez estudos preparatórios no Rio de Janeiro e
ingressou na Escola Politécnica, mas não chegou a
terminar o curso. Seguiu para o estrangeiro em missões
diplomáticas. A sua primeira missão foi a de secretário
15 do Serviço de Imigração, e o contato, nessa época, com
o Barão do Rio Branco, valeu-lhe ser nomeado
secretário da missão Rio Branco para a questão de
limites Brasil-Argentina (1893-1895), com a Guiana
Francesa (1895-1900) e com a Guiana Inglesa
20 (1900-1901). Foi secretário de Legação na Santa Sé,
em 1900, e ministro em Lima, em 1906. Embaixador em
missão especial, em 1910, representou o Brasil no
centenário da independência da Argentina e nas festas
centenárias do Chile. Embaixador do Brasil em
25 Washington, de 1911 a 1918, foi o digno sucessor de
Joaquim Nabuco, por escolha do próprio Barão do Rio
Branco. Ao celebrar-se a paz europeia de Versalhes,
Domício, como ministro das Relações Exteriores,
pretendeu representar o Brasil naquela conferência,
30 propósito que suscitou divergências na imprensa
brasileira. Convidado para a mesma embaixada, Rui
Barbosa recusou, e o chefe da representação brasileira
foi, afinal, Epitácio Pessoa, eleito pouco depois, em
seguida à morte de Rodrigues Alves, presidente da
35 República. Domício foi substituído na Chancelaria por
Azevedo Marques, seguindo como embaixador em
Londres, em 1920-21. Foi posto em disponibilidade
durante a Presidência Bernardes.
Em 1919 foi Presidente da Academia Brasileira
40 de Letras, em substituição a Rui Barbosa.
Domício da Gama era colaborador da Gazeta de
Notícias ao tempo de Ferreira de Araújo e, ainda no
início da carreira, escreveu contos, crônicas e críticas
literárias.
Texto editado. Disponível em: http://www.academia.org.br/academicos/ domicio-da-gama/biografia. Acesso em: 10 jul.2018.
O conectivo sublinhado no período “Fez estudos preparatórios no Rio de Janeiro e ingressou na Escola Politécnica, mas não chegou a terminar o curso.” (linhas 11-13) pode ser substituído, sem alterar seu sentido, por:
Texto 1
DOMÍCIO DA GAMA
Domício da Gama (Domício Afonso Forneiro,
adotou do padrinho o Gama), jornalista, diplomata,
contista e cronista, nasceu em Maricá, RJ, em 23 de
outubro de 1862 e faleceu no Rio de Janeiro, RJ,
5 em 8 de novembro de 1925. Foi um dos dez
acadêmicos eleitos na sessão de 28 de janeiro de 1897,
para completar o quadro de fundadores da Academia.
Escolheu Raul Pompeia como patrono, ocupando a
cadeira no 33. Foi recebido na sessão de 1º de julho de
10 1900, por Lúcio de Mendonça.
Fez estudos preparatórios no Rio de Janeiro e
ingressou na Escola Politécnica, mas não chegou a
terminar o curso. Seguiu para o estrangeiro em missões
diplomáticas. A sua primeira missão foi a de secretário
15 do Serviço de Imigração, e o contato, nessa época, com
o Barão do Rio Branco, valeu-lhe ser nomeado
secretário da missão Rio Branco para a questão de
limites Brasil-Argentina (1893-1895), com a Guiana
Francesa (1895-1900) e com a Guiana Inglesa
20 (1900-1901). Foi secretário de Legação na Santa Sé,
em 1900, e ministro em Lima, em 1906. Embaixador em
missão especial, em 1910, representou o Brasil no
centenário da independência da Argentina e nas festas
centenárias do Chile. Embaixador do Brasil em
25 Washington, de 1911 a 1918, foi o digno sucessor de
Joaquim Nabuco, por escolha do próprio Barão do Rio
Branco. Ao celebrar-se a paz europeia de Versalhes,
Domício, como ministro das Relações Exteriores,
pretendeu representar o Brasil naquela conferência,
30 propósito que suscitou divergências na imprensa
brasileira. Convidado para a mesma embaixada, Rui
Barbosa recusou, e o chefe da representação brasileira
foi, afinal, Epitácio Pessoa, eleito pouco depois, em
seguida à morte de Rodrigues Alves, presidente da
35 República. Domício foi substituído na Chancelaria por
Azevedo Marques, seguindo como embaixador em
Londres, em 1920-21. Foi posto em disponibilidade
durante a Presidência Bernardes.
Em 1919 foi Presidente da Academia Brasileira
40 de Letras, em substituição a Rui Barbosa.
Domício da Gama era colaborador da Gazeta de
Notícias ao tempo de Ferreira de Araújo e, ainda no
início da carreira, escreveu contos, crônicas e críticas
literárias.
Texto editado. Disponível em: http://www.academia.org.br/academicos/ domicio-da-gama/biografia. Acesso em: 10 jul.2018.
No trecho “... pretendeu representar o Brasil naquela conferência, propósito que suscitou divergências na imprensa brasileira” (linhas 29-31), a forma verbal “suscitou” pode ser substituída, sem alterar o sentido, por:
Leia o texto e responda às questões de números 08 a 14.
Comandante aposentado não deixa o cockpit
Shigekazu Miyazaki está usando o tempo livre de sua aposentadoria a 25 mil pés. Ele foi piloto da maior companhia aérea japonesa por quatro décadas, mas deixou o posto ano passado, ao completar 65 anos, idade-limite para voar pela empresa.
Mas, em vez de jogar golfe ou pescar, agora Miyazaki é piloto de uma companhia regional do Japão. “Nunca pensei que ainda estaria voando aos 65 anos, mas eu continuo saudável, amo voar, então, enquanto eu puder, por que não?”
O envelhecimento dos trabalhadores está forçando um questionamento sobre a trajetória profissional e também sobre a sustentação da Previdência no Japão. O país tem a maior expectativa de vida do mundo, pouca imigração e uma minguante população de jovens trabalhadores, reflexo de décadas de queda na taxa de natalidade.
Isso torna os trabalhadores mais velhos ainda mais importantes para a economia. Mais da metade dos homens japoneses com mais de 65 anos executa algum tipo de trabalho remunerado, comparado com um terço dos americanos e 10% em alguns países da Europa.
A economia japonesa está começando a se recuperar graças à demanda das exportações, mas a escassez de trabalhadores pode limitar esse crescimento. A taxa de desemprego é de 2,8%.
Ao mesmo tempo, a geração que começa a se aposentar pressiona a Previdência Social e força o governo a estudar o aumento da idade mínima para conceder o benefício.
Os trabalhadores mais velhos também ajudam a explicar a estagnação da renda no Japão. Os mais velhos costumam receber muito menos do que o salário do pico de suas carreiras. Essa queda acaba reduzindo os aumentos que um jovem recebe ao longo do crescimento profissional.
Para Miyazaki, por exemplo, a escolha de continuar voando é um luxo. No novo emprego, recebe um terço do salário de antes de se aposentar.
(New York Times. Publicado pela Folha de S.Paulo em 30.07.2017. Adaptado)
Para que haja relação de concessão entre as ideias, as duas últimas frases do texto devem ser reescritas da seguinte forma:
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 07.
Envelhecer
Qual o valor da experiência de vida? No Brasil, quase nada. Ser idoso por aqui é “ganhar” da medicina a capacidade de se manter vivo por mais tempo e perder para a tecnologia o direito ao respeito e ao sentimento de continuidade.
Experiência de vida vale muito pouco na hora de disputar uma vaga de emprego, e as pessoas mais velhas só têm valor para agências de turismo que criam roteiros para aumentar seus lucros. Os aposentados, então, são muito interessantes... para as instituições financeiras interessadas nos juros e lucros obtidos com os empréstimos para esse segmento.
Passar dos 50 significa uma ameaça para os planos de saúde ávidos por dinheiro fácil. Encontro de gerações é ficção científica atualmente. Foi-se o tempo em que o respeito aos mais velhos era pré-requisito em qualquer família e condição básica na ética da convivência.
Mas a qualidade de vida não está resumida ao sentir-se bem fisicamente. É preciso dignidade. E isso a tecnologia e a máquina de consumo não nos oferecem.
Para começar, a família é uma instituição em via de extinção. Compromissos familiares, então, nem se fala. Vive-se a transitoriedade plena. A cada dia, o conceito de continuidade é cada vez mais esquecido, por isso é preciso questionar este mundo transitório em que vivemos.
Enquanto a transitoriedade valoriza o presente e a circunstância, a continuidade dá mais ênfase à ligação entre jovens e idosos, perpetuando os laços afetivos partilhados entre os familiares.
A velocidade dos acontecimentos deste século afasta a ilusão de renascer uma família tradicional, portanto, é necessário criar novas tradições familiares, e o amor e o respeito são as únicas forças capazes de restituir a integridade de uma família e de uma sociedade.
Precisamos atentar para o fato de que transmitir princípios de conduta de uma geração para a seguinte requer empenho. A mera reprodução física da raça humana não garante a sobrevivência dos ideais da sociedade.
(Ushitaro Kamia. Folha de S.Paulo, 02.05.2008. Adaptado)
Considere a última frase do texto.
A mera reprodução física da raça humana não garante a sobrevivência dos ideais da sociedade.
Os termos destacados podem ser substituídos, respectivamente e sem alteração do sentido do texto, por:
Reencarnação
1 Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário
2 de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático:
3 nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não
4 nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma
5 resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também
6 tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.
7 Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e
8 nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram
9 indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra
10 todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando
11 em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett
12 e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas
13 memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não
14 está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto
15 reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar
16 experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.
17 A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga
18 quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De
19 todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças
20 hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase
21 natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do
22 tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de
23 outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.
24 A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de
25 mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um
26 clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela
27 da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surgimento
28 do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam
29 que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas
30 passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e
31 manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de
32 suas crenças.
33 A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de
34 vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício
35 científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma
36 entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais
37 destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos
38 de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas
39 passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo
40 antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar
41 ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram
42 localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De
43 acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos
44 reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio
45 Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência
46 sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas,
47 que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em
48 reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além
49 de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras
50 coincidências.
51 Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o
52 caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com
53 diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris
54 Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos
55 chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar
56 espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro
57 Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem
58 tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a
59 maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem
60 acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma
61 realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.
NATUSCH, Igor. Reencarnação. Dossiê Superinteressante - Sobrenatural: o lado oculto da realidade.
Edição 383-A, dez. 2017.
A palavra que, no texto, pode ser substituída por enraizado/a (s) sem prejuízo para o significado é
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
O Brasil registrou crescimento exponencial no número de mulheres presas. Entre 2000 e 2016, o encarceramento feminino passou de 6 mil para 42.355, impactantes 656% de aumento. Os dados foram compilados pelo Departamento Penitenciário Nacional, órgão ligado ao Ministério Extraordinário da Segurança Pública. Desse total, metade tem até 29 anos e 62% dos crimes estão relacionados ao tráfico de drogas.
“Há um crescimento industrial das prisões no país e, em geral, falamos dos presos homens. Os números alarmantes mostram a urgência em falar da condição da mulher no sistema carcerário”, afirmou Henrique Apolinário, advogado e assessor do programa de violência institucional da Conectas.
O Brasil é o quarto país que mais encarcera mulheres no mundo – atrás de Estados Unidos, China e Rússia. Divulgado na quinta-feira (10 de maio), o relatório foi retirado da página do Depen logo depois, apesar de o link para acessá-lo permanecer ativo. Por nota, o Ministério “confirma a necessidade de equilíbrio entre a priorização das políticas de alternativas penais e a construção e/ou reforma de unidades prisionais” diante do crescimento da população encarcerada. O impacto “afeta diretamente a possibilidade de oferta de serviços adequados, desde a falta de vagas até a oferta das assistências.”.
Os dados evidenciam a superlotação dos presídios. Em junho de 2016, havia apenas 27.029 vagas no sistema prisional para acomodar as mais de 42 mil detentas.
Seguindo o parâmetro do International Centre for Prision Studies, o número de mulheres encarceradas para cada grupo de 100 mil habitantes é maior no estado de Mato Grosso. Lá, são 113 mulheres presas para cada grupo de 100 mil. A média nacional é 40,6.
Há, ainda, uma disparidade entre o aprisionamento de mulheres brancas e negras. No país, o número de mulheres brancas presas é de 40 a cada 100 mil. Entre as negras, o total é de 62 para cada 100 mil.
Mais que um retrato do encarceramento feminino, o levantamento enumera as fragilidades do sistema. Quase metade das mulheres, 45%, estão detidas sem julgamento ou condenação – em 2014, eram 30,1%. No Amazonas, são 81%; em Sergipe, 79%; e, na Bahia, 71%. No Rio de Janeiro e em São Paulo, são 45% e 41%, respectivamente.
Na avaliação de especialistas, a mudança na política de combate às drogas, adotada em 2006, foi o combustível para o aumento das prisões femininas. A legislação mudou o jeito de lidar com usuários e traficantes. Enquanto o usuário tem pena alternativa ao invés de ser preso, o traficante é punido com prisão – na prática, afirmam, todos os casos passaram a ser enquadrados como tráfico. “A legislação é imprecisa, e usuárias ou mulheres em posições marginais no tráfico acabam encarceradas como traficantes em vez de terem a prisão preventiva substituída pela medida cautelar ou, em última instância, pela domiciliar” afirmou Roberta Canheo, pesquisadora do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania no Programa Justiça Sem Muros.
A taxa de suicídio entre presas é 20 vezes maior que a média nacional. Muitos fatores influenciam o sofrimento psicológico atrás das grades. Entre eles, está a falta de informação sobre a situação prisional e o tempo da pena, a violência física e emocional a que são submetidas e o abandono da família e dos amigos. “É uma fonte inesgotável de angústia”, disse Canheo. Em nota, o Depen afirmou que “está construindo projeto específico para combate ao suicídio de mulheres nas cadeias brasileiras, incluindo também a população de mulheres trans.”
O relatório mostrou que três em cada quatro mulheres presas são mães. “As mulheres são arrimo de família. O encarceramento delas impacta filhos, avós”, afirmou Apolinário, da Conectas. E há ainda as gestantes. Nos estados de Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins não existem celas ou dormitórios adequados para grávidas. E apenas 14% das unidades prisionais femininas ou mistas têm berçário ou um centro de referência materno-infantil. O Depen afirmou que tem trabalhado pela implementação de penas alternativas e monitoramento eletrônico.
LAZZERI, Thais. The Intercept. Disponível em: < https://bit.ly/2Kp6La8 >. Acesso em: 22 maio 2018 (fragmento adaptado).
As palavras destacadas podem ser substituídas pelas que estão entre colchetes, com as devidas alterações gramaticais, sem alteração do sentido original do respectivo trecho, exceto em: