Questões de Concurso
Comentadas sobre redação - reescritura de texto em português
Foram encontradas 6.426 questões
Luta
Eram duas mulheres brigando – e depois não houve nada. Embolaram-se por qualquer motivo e não queriam desprender-se uma da outra. Não havendo superioridade física acentuada de uma das partes, as duas se fundiram num corpo confuso e sacudido de vibrações, que ia e vinha pela calçada, lento e brusco, nervoso e rítmico. O instinto de dança subsistia no íntimo das contendoras, prevalecendo sobre as tentativas dos corpos para se abaterem mutuamente. E tudo se fazia em silêncio, como se baila, mesmo porque nenhuma palavra adiantaria à cólera das mulheres, que só o jogo de músculos e nervos saberia exprimir numa linguagem dinâmica e cheia de consequências.
Brigaram bem cinco minutos, é uma eternidade para entreveros. Não tinham pressa de acabar. Brigavam com fúria e ao mesmo tempo com método. O fato de uma não ser bastante vigorosa para decidir imediatamente a peleja não impediu que ela dominasse a outra. Dominava, mas a outra não se rendia. Tão rentes as duas, tão grudadas, que o mesmo gesto agressor era gesto de apoio. A mais fraca empenhava-se em salvar o rosto do agravo de unhas e dentes e, de cabeça baixa, olhos cerrados, fazia pressão sobre o pescoço da competidora, enquanto lhe apertava a cintura com a mão esquerda e com a direita atacava na medida do possível. Mas a segunda lhe ministrava pequenos tapas enérgicos nas faces sempre que podia reeguer-lhe a cabeça; e quando deixava de fazê-lo, era para ir dilacerando a blusa, que não resistiu ao assalto e logo se esfarinhou em trapos. Sem descuidar-se da defesa, atacou em seguida o soutien, e um seio negro saltou, assustado. A mais fraca estava demasiado absorvida em equilibrar-se e fisgar uma orelha da mais forte e não se afligiu com esse pormenor. Percebia-se que, se a luta durasse, a mais forte poria nua a mais fraca, mas botar nu o adversário não é vencê-lo, e estava longe o momento da exaustão absoluta de uma, ou de ambas.
Continuaram rodando e oscilando numa área limitada, até que a de maior poder ofensivo entreviu o partido a tirar da rampa da garagem subterrânea, e foi conduzindo o balé nessa direção. No empenho de não cair, a outra se deixava empurrar e ia recuando de costas, sem esperança, mas sem pânico. Ambas tinham posto demasiada alma naquela briga para dar-lhe final prematuro, e a obstinação de uma em bater não era menor que a da outra em apanhar, evidenciando igual têmpera nas duas, sem embargo da vitória física já pendida para um lado. Sumiram lá dentro, lentamente.
O escuro da garagem reteve-as por alguns momentos, até que a vencedora emergiu, vagarosa, arquejante. Os lábios tremiam, o rosto expunha sinais de combate, os olhos esgazeados não se voltavam para nenhum ponto. Inclinou-se para apanhar na calçada da rua elegante a marmita que ali deixara. Depois, andou um pouco, às tontas, até firmar rumo, e seguiu para o trabalho.
O grupo que se formara ao iniciar-se a peleja foi se dispersando, alegremente. Eram pessoas de vários tipos e condições, e nenhuma pensara em intervir, como se faz em briga de homem. Ou se alguém pensou, foi travado pela perspectiva do ridículo. Costumes. Briga de mulher é motivo de curiosidade divertida, apenas. No máximo, as pessoas distintas olham com reprovação desdenhosa. Ônibus, lotações e automóveis, parados para apreciar o espetáculo, puseram-se em movimento. A outra mulher, a derrotada, subiu afinal a rampa, também digna, com o busto envolto num jornal.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Luta. In: – Fala, amendoeira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973. p. 141-3. Adaptado.)
Haverá alteração de sentido caso se substitua:
Mesmo que o verbo acreditar esteja por um fio, é o que nos resta
Por Martha Medeiros
- Foi em um remoto 24 de dezembro. "Venham, vamos dar uma volta pelo quarteirão para
- ver se o Papai Noel está pelas redondezas". Que ideia. Vá que o Papai Noel passe aqui em casa
- bem na hora que estivermos na rua, pensei, mas não tive coragem de enfrentar o pai. Era uma
- fedelha de seis anos, sem direito a voto: lá fomos eu e meu irmão em busca do velhinho perdido.
- Caminhava pela rua aflita, girando a cabeça de um lado para o outro, até que tive certeza
- de ter visto, de relan...e, um pedaço de calça vermelha e bota preta dobrando a esquina. Será?
- Corremos. Não, não havia ninguém. Está bem, vamos voltar, disse o pai.
- Assim que chegamos em casa, adivinhe: "Ele acabou de sair daqui", anunciou a mãe. Era
- muito sadismo com dois inocentes. "Perguntou por vocês e até tomou um copo d'água, mas não
- ______ esperar". Corri para a cozinha. ______ mesmo um copo com restinho de água dentro
- da pia. Segurei-o como se fosse o Santo Graal, mas logo saí do tran...e, lembrei dos presentes
- fechados embaixo da árvore.
- Prometi para mim mesma que no próximo Natal eu não arredaria pé da sala, mas o ano
- sempre custava a passar e, até lá, o pai teria outra ideia fantástica para nos tirar de casa,
- enquanto a mãe retiraria os pacotes de dentro do armário e sujaria outro copo, a fim de nos
- iludir por mais um tempo.
- Eu adorava Natal. A frustração de nunca ter visto Papai Noel não atrapalhou em nada. Me
- bastava acreditar.
- Hoje em dia, passo os Natais na casa do sogro do meu irmão. Lá se reúnem nossas
- famílias, constituídas por idosos, vários maduros entre 40 e 60 anos, dois adolescentes e uma
- única criança, o Rodrigo, que ainda acredita em Papai Noel, e é fácil entender porquê: todos os
- anos, meu irmão, bem no meio da noite feliz, dá uma saída, com a desculpa de buscar algo na
- garagem ou comprar uma bobagem que faltou para a ceia, e retorna caracterizado como o Papai
- Noel mais lapônico do planeta, a gente jura que as renas estão estacionadas na praça em frente
- (meu irmão não é gordo, nem tem uma longa barba branca, o que ele tem é um figurino de
- musical da Broadway e uma performan...e que o teatro está perdendo).
- Rodrigo, se você já for um leitor de crônicas, a tia está brincando, viu?
- A realidade não se comove com fantasias infantis, mas mesmo que o verbo acreditar esteja
- por um fio, é o que nos resta, e agora a tia não está mais brincando. Acreditar que nossa
- negligência com florestas, mares e rios poderá ser revertida. Que os insanos que promovem
- guerras terão um instante de sensatez e humanidade, cancelando o inferno. E que somos capazes
- de abreviar a brutalidade cotidiana, sendo mais gentis e razoáveis uns com os outros, ou adeus,
- futuro luminoso. Então, mantenhamos a ilusão piscando.
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que poderia substituir, sem alterar significativamente o sentido do texto, a palavra “sensatez” (l. 31).
Uma carta ao algoritmo
Por Fabrício Carpinejar
01 Algoritmo, já que você vive registrando nossas ações, onde estamos, onde compramos,
02 em que lugar queremos passar as férias, já que conhece as nossas mentiras e os limites de
03 nossos cartões de crédito, nossos arroubos, nossas vontades, nossas tristezas, nossas playlists,
04 nossas canções melancólicas e eufóricas, já que oferece produtos que mal começamos a
05 pesquisar, já que ______ o dom profético de se antecipar aos nossos desejos, já que tolera as
06 nossas neuroses, já que perdoa a nossa ansiedade, já que cronometra o nosso tempo on-line,
07 já que repassa vídeos emocionais pela enésima vez, já que cria ataques de fofura com vídeos de
08 cachorros e gatos, já que traz depoimentos de resiliência quando estamos prestes .... desistir de
09 tentar, eu rogo que use todas as nossas informações a nosso favor, não mais exclusivamente
10 .... seu benefício, por um breve momento de generosidade.
11 Não sei se você ______ pai, ou mãe, ou irmão, alguma ligação afetiva ou consanguínea
12 com os números, mas pense um pouquinho em nós como parte de sua família.
13 Suspenda por um instante sua ambição de estatísticas e nos ajude em nossas realizações.
14 Afinal, está milionário, não precisa de mais nada, pode diminuir o ritmo frenético de seus
15 negócios e faturamento sem correr nenhum risco de empobrecer de repente. Ofereça-nos a
16 tecnologia para encontros afetivos mais rápidos. Não precisamos nos desgastar tanto se você
17 tudo vê, tudo sabe.
18 Portanto, eu peço:
19 — Não deixe nossos amigos continuarem sofrendo por relacionamentos opressivos,
20 sufocantes. De tanto que quebraram a cara no amor, são vitrais. Ponha-os em contato com
21 pessoas que prestam, que possam estabelecer conexões profundas de respeito e admiração.
22 Facilite a intimidade mais do que a atração. Não permita que eles percam a esperança na vida a
23 dois. Não ______ como aconselhá-los depois que se apaixonam pelo perfil errado. Eles não mais
24 nos escutam. Doemos, impotentes, testemunhando que anulam suas identidades para agradar
25 e corresponder .... expectativas insanas da química. Perderão o emprego, a realidade, a razão,
26 o equilíbrio, sustentando a fantasia de quem não os merece.
27 — Afaste de nossa existência virtual os narcisistas. Poupe-nos do trabalho de bloqueá-los
28 após servirmos de cobaias. Já estaremos exaustos e sequelados. Use seu filtro como nosso
29 escudo. Aproxime-nos daqueles que se preocupam com os outros, que ainda postam o pôr de
30 sol ou a lua cheia, que se emocionam com a nudez do mar ou do rio, que ficam na janela,
31 imóveis, olhando a chuva, que recolhem o lixo da rua que não foi jogado por eles, que entendem
32 o valor de uma xícara de café quente e de um cálice de vinho, que passam adiante uma frase de
33 Clarice Lispector ou de Caio Fernando Abreu, que defendem a importância de embrulhar
34 presentes, que esperam ansiosamente o feriado para visitar os pais no interior, que festejam
35 cada móvel que chega em sua casa, que guardam suas moedas num potinho, que organizam o
36 armário inteiro quando adquirem uma peça nova, que dormem agradecendo e acordam rezando
37 por um mundo melhor.
38 — Cuide de nossa saúde mental porque um dia podemos nos cansar de você.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/01/uma-carta-aoalgoritmo-clr6p50dz003201475yj7tmnw.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta a palavra que poderia substituir corretamente o vocábulo “rogo” (l. 09) sem causar alterações significativas ao trecho do texto em que ocorre.
Leia atentamente o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.
Calor matou mais que deslizamentos de terra no Brasil, aponta estudo
Nos anos de 2010, o Brasil enfrentou de 3 a 11 ondas
de calor por ano, quase quatro vezes mais do que na década
de 1970, quando de zero a no máximotrês desses eventos
climáticos extremos foram registrados.
5 As consequências são fatais: de 2000 a 2018, em
torno de 48 mil brasileiros morreram por efeito de bruscos
aumentos de temperatura – número superior ao de mortes
por deslizamentos de terra.
Os dados inéditos foram compilados em estudo
10 publicado na quarta-feira (24/1) por 12 pesquisadores de
sete universidades e instituições brasileiras e portuguesas,
como a Universidade de Lisboa e a Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), no periódico científico Plos One.
"Os eventos de ondas de calor aumentaram em
15 frequência e intensidade", diz à BBC News Brasil o físico
Djacinto Monteiro dos Santos, que liderou o estudo, como
parte de sua pesquisa no Departamento de Meteorologia
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Para definir o que são ondas de calor, usou-se um
20 padrão conhecido como Fator de Excesso de Calor (EHF, na
sigla em inglês), que leva em consideração a intensidade,
duração e frequência de aumentos na temperatura para
prever níveis considerados nocivos à saúde humana.
A pesquisa analisou dados das 14 áreas
25 metropolitanas mais populosas do Brasil, onde vivem 35%
da população nacional, um total de 74 milhões de
brasileiros.
Foram assim consideradas as seguintes cidades:
Manaus e Belém, no Norte; Fortaleza, Salvador e Recife, no
30 Nordeste; São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, no
Sudeste; Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, no Sul; e as
regiões metropolitanas de Goiânia, Cuiabá e do Distrito
Federal, no Centro-Oeste.
Além de aumentarem em volume, as ondas de calor
35 também estão cada vez mais prolongadas.
Nas décadas de 1970 e 1980, esses eventos adversos
duravam de três a cinco dias. Entre os anos de 2000 e 2010,
entre quatro e seis dias.
(...)
(Filipe Vilicic. BBC NEWS BRASIL. https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/01/calor-matou-mais-que-deslizamentos-de-terra-no-brasil-aponta-estudo.shtml)
As consequências são fatais: de 2000 a 2018, em torno de 48 mil brasileiros morreram por efeito de bruscos aumentos de temperatura – número superior ao de mortes por deslizamentos de terra. (L.5-8)
Assinale a alternativa em que a alteração do segmento sublinhado no período acima tenha sido feita de acordo com a norma culta. Não leve em conta as alterações de sentido.
6 raças de cães proibidas ao redor do mundo
Recentemente, o Reino Unido baniu a raça de cães American Bully XL no país. A raça foi considerada um “perigo para a comunidade” após uma série de ataques nos últimos anos — incluindo dois fatais, contra um homem de 52 anos e uma criança de 10.
Na terra do rei, seu cão pode ser apreendido pelo governo caso seja de uma das raças proibidas — mesmo que ele não apresente qualquer comportamento agressivo ou reclamação da vizinhança. O cão não é sacrificado de imediato, mas você deve passar por um julgamento e provar que seu animal de estimação não é uma ameaça. Depois, o bichinho precisa ser castrado e registrado como “permitido” no país — além de andar sempre de focinheira, coleira e com chip.
O pit bull é banido ou possui restrições em cerca de 24 países, como Reino Unido, Espanha, Rússia, Argentina, Itália e Nova Zelândia. Outros países têm leis que regulam a adoção desses cães. É o caso dos Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Japão e Brasil — por aqui, eles precisam usar focinheira e devem ser castrados.
A raça foi criada para ser um cão de guarda, por isso é comum que ele carregue o estereótipo agressivo. Eles são conhecidos pela sua força e robustez de sua mordida. Por causa de seu físico atlético e alta energia, é preciso passear bastante para mantê-lo saudável.
O Doberman é banido em alguns países do leste europeu, além da Irlanda e de algumas partes dos EUA, que restringem a circulação da raça. Assim como o pit bull, ela foi criada como cão de guarda. Por causa de seus instintos protetores e pouca amistosidade com estranhos, eles costumam ser mal vistos. Sem o devido treinamento, seus instintos mais agressivos podem ser aflorados. Especialistas recomendam iniciar a socialização e convivência entre humanos logo quando filhote.
A raça japonesa Tosa Inu é banida em 18 países, como Reino Unido, Dinamarca e França. Ela foi criada para ser utilizada em brigas de cães e, por isso, seu banimento também é uma forma de atrapalhar a prática ilegal. A raça de grande porte pode ser paciente e tranquila, mas apresenta comportamentos destrutivos se não for educada corretamente.
No fim das contas, tudo vai depender da personalidade do bicho e da eficácia do adestramento. Independentemente da raça do cachorro, é preciso educá-lo da maneira correta.
(Fonte: Superinteressante — adaptado.)
Uma outra maneira de reescrevermos o segmento: “[...] O Doberman é banido em alguns países do leste europeu, além da Irlanda e de algumas partes dos EUA, que restringem a circulação da raça. Assim como o pit bull, ela foi criada como cão de guarda. [...]” (5º parágrafo), respeitando-se a lógica textual e as normas gramaticais é:
Expectativa de vida do brasileiro sobe para 75,5 anos, mostra Censo
- A expectativa de vida do brasileiro ao nascer subiu para 75,5 anos, segundo dados do
- Censo 2022, divulgados nesta quarta-feira (29/12/2023) pelo IBGE. Na comparação com o
- último _________, realizado em 2010, os brasileiros ganharam pouco mais de 2 anos de
- expectativa de vida.
- Na comparação com 2021, ano anterior ao da pesquisa atual, o ganho foi ainda maior,
- efeito da pandemia, que levou .... morte de muitos brasileiros. Em 2021, a expectativa de vida
- ao nascer era de 72,8 anos.
- A esperança de vida ao nascer é determinada com base na taxa de mortalidade em todas
- as idades. Ao nascer, a estimativa é que um brasileiro viva, em média, até os 75 anos. No
- entanto, isso não quer dizer que, para quem chegou até os 70 anos, restam apenas cinco anos
- de vida.
- De acordo com o IBGE, aqueles que alcançaram essa idade têm uma expectativa de vida
- adicional de 14,7 anos. Colocando de outro modo, se um adulto conseguiu chegar aos 70 anos,
- suas chances de ultrapassar o patamar esperado ao nascer são maiores.
- Outro destaque é que as mulheres viveram sete anos a mais do que os homens em 2022.
- Entre elas, a esperança de vida ao nascer é de 79 anos. Para eles, é de apenas 72 anos.
- De acordo com especialistas em demografia, isso acontece porque, durante a adolescência
- e a idade jovem adulta, a mortalidade dos homens se acentua, por estarem mais expostos ....
- violência, principalmente homicídios, e .... acidentes de trânsito ou no trabalho.
- Além disso, a mortalidade da pandemia entre idosos pode ter contribuído para uma base
- fraca de comparação nos anos de 2020 e 2021, quando a esperança de vida ao nascer caiu
- depois de décadas avançando.
- Em 2020, primeiro ano da pandemia, foram computados 1,556 milhão de mortes no Brasil,
- chegando a 1,832 milhão de mortes em 2021. Ano passado, esse patamar caiu para 1,542
- milhão, mas ainda se encontra elevado, considerando a tendência de queda observada antes da
- pandemia.
- Os próximos anos devem ser marcados pela diminuição do _________ de mortes entre os
- idosos, à medida que a pandemia é superada. Ao mesmo tempo, na comparação com os anos
- precedentes ao de 2019, deve haver aumento da mortalidade devido ao envelhecimento
- populacional.
(Disponível em: https://exame.com/brasil/expectativa-de-vida-do-brasileiro-sobe-para-755-anos-mostra-censo/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta a palavra que poderia substituir corretamente o vocábulo “precedentes” (l. 29) sem causar alterações significativas ao trecho do texto em que ocorre.
Considere o seguinte trecho do hino nacional brasileiro: “Gigante pela própria natureza / És belo, és forte, impávido colosso”. Nesse contexto, ao substituir “impávido” por cada palavra contida nas alternativas a seguir, aquela que provoca menor alteração de sentido é:
Texto CG1A1
Uma pesquisa feita na Universidade Federal Fluminense (UFF) gerou um método para detecção de notícias falsas, as chamadas fake news, nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial (IA). A técnica é fruto de um estudo do engenheiro de telecomunicações Nicollas Rodrigues, em sua dissertação de mestrado pela universidade.
O estudante e seu orientador, Diogo Mattos, professor do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Redes de Nova Geração da UFF, desenvolveram uma ferramenta de IA capaz de diferenciar fatos de notícias falsas, a partir da análise de palavras e estruturas textuais, com precisão de 94%.
Isso significa que, a cada 100 notícias analisadas, a ferramenta conseguiu acertar se era fato ou boato em 94 situações. No total, foram analisadas mais de 30mil mensagens publicadas em uma rede social na Internet.
“Testamos três metodologias e duas tiveram sucesso maior. A gente indica, no final dos resultados, a possibilidade de utilizar ambas em conjunto, de forma complementar”, explica Rodrigues.
A primeira metodologia consistiu em abastecer um algoritmo com notícias verdadeiras e depois treinar o algoritmo para reconhecer essas notícias. Aquelas que não se encaixavam no perfil aprendido eram classificadas como fake news.
A outra abordagem é semelhante à primeira no que se refere a análise textual, mas, no lugar do algoritmo, foi utilizada metodologia estatística que analisa a frequência com que determinadas palavras e combinações de palavras aparecem nas fake news.
Os resultados do trabalho podem-se transformar em ferramentas uteis para o usuário da Internet identificar noticias que apresentam indícios de fake news e, assim, ter cautela maior com aquela informação.
“Pode-se transformar a ferramenta em um plugin [ferramenta que apresenta recursos adicionais ao programa principal] compatível com algumas redes sociais. E, a partir do momento em que você usa a rede social, o plugin vai poder indicar não que a notícia ¢ falsa, de maneira assertiva, mas que ela pode ser falsa, de acordo com alguns parâmetros, como erros de português. Também existe a possibilidade de fazer uma aplicação na própria Web, onde você cola o texto da notícia e essa aplicação vai te dizer se aquilo se assemelha ou não a uma notícia falsa”, explica Rodrigues.
Internet: <wwwcartacapital.combr> (com adaptações)
No último parágrafo do texto CG1A1, seria maior o grau de formalidade do trecho ‘Também existe a possibilidade de fazer uma aplicação na própria Web, onde você cola o texto da notícia e essa aplicação vai te dizer se aquilo se assemelha ou não a uma notícia falsa’, garantidos a correção gramatical e o sentido original do texto, se tal trecho fosse reescrito da seguinte maneira:
Texto CG1A1
Uma pesquisa feita na Universidade Federal Fluminense (UFF) gerou um método para detecção de notícias falsas, as chamadas fake news, nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial (IA). A técnica é fruto de um estudo do engenheiro de telecomunicações Nicollas Rodrigues, em sua dissertação de mestrado pela universidade.
O estudante e seu orientador, Diogo Mattos, professor do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Redes de Nova Geração da UFF, desenvolveram uma ferramenta de IA capaz de diferenciar fatos de notícias falsas, a partir da análise de palavras e estruturas textuais, com precisão de 94%.
Isso significa que, a cada 100 notícias analisadas, a ferramenta conseguiu acertar se era fato ou boato em 94 situações. No total, foram analisadas mais de 30mil mensagens publicadas em uma rede social na Internet.
“Testamos três metodologias e duas tiveram sucesso maior. A gente indica, no final dos resultados, a possibilidade de utilizar ambas em conjunto, de forma complementar”, explica Rodrigues.
A primeira metodologia consistiu em abastecer um algoritmo com notícias verdadeiras e depois treinar o algoritmo para reconhecer essas notícias. Aquelas que não se encaixavam no perfil aprendido eram classificadas como fake news.
A outra abordagem é semelhante à primeira no que se refere a análise textual, mas, no lugar do algoritmo, foi utilizada metodologia estatística que analisa a frequência com que determinadas palavras e combinações de palavras aparecem nas fake news.
Os resultados do trabalho podem-se transformar em ferramentas uteis para o usuário da Internet identificar noticias que apresentam indícios de fake news e, assim, ter cautela maior com aquela informação.
“Pode-se transformar a ferramenta em um plugin [ferramenta que apresenta recursos adicionais ao programa principal] compatível com algumas redes sociais. E, a partir do momento em que você usa a rede social, o plugin vai poder indicar não que a notícia ¢ falsa, de maneira assertiva, mas que ela pode ser falsa, de acordo com alguns parâmetros, como erros de português. Também existe a possibilidade de fazer uma aplicação na própria Web, onde você cola o texto da notícia e essa aplicação vai te dizer se aquilo se assemelha ou não a uma notícia falsa”, explica Rodrigues.
Internet: <wwwcartacapital.combr> (com adaptações)
Cada uma das próximas opções apresenta um trecho do texto CG1A1 seguido de uma proposta de reescrita. Assinale a opção em que a proposta de reescrita apresentada preserva o sentido e a correção gramatical do texto, considerando as regras de colocação pronominal.
Texto CG1A1
Uma pesquisa feita na Universidade Federal Fluminense (UFF) gerou um método para detecção de notícias falsas, as chamadas fake news, nas redes sociais, com o uso de inteligência artificial (IA). A técnica é fruto de um estudo do engenheiro de telecomunicações Nicollas Rodrigues, em sua dissertação de mestrado pela universidade.
O estudante e seu orientador, Diogo Mattos, professor do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Redes de Nova Geração da UFF, desenvolveram uma ferramenta de IA capaz de diferenciar fatos de notícias falsas, a partir da análise de palavras e estruturas textuais, com precisão de 94%.
Isso significa que, a cada 100 notícias analisadas, a ferramenta conseguiu acertar se era fato ou boato em 94 situações. No total, foram analisadas mais de 30mil mensagens publicadas em uma rede social na Internet.
“Testamos três metodologias e duas tiveram sucesso maior. A gente indica, no final dos resultados, a possibilidade de utilizar ambas em conjunto, de forma complementar”, explica Rodrigues.
A primeira metodologia consistiu em abastecer um algoritmo com notícias verdadeiras e depois treinar o algoritmo para reconhecer essas notícias. Aquelas que não se encaixavam no perfil aprendido eram classificadas como fake news.
A outra abordagem é semelhante à primeira no que se refere a análise textual, mas, no lugar do algoritmo, foi utilizada metodologia estatística que analisa a frequência com que determinadas palavras e combinações de palavras aparecem nas fake news.
Os resultados do trabalho podem-se transformar em ferramentas uteis para o usuário da Internet identificar noticias que apresentam indícios de fake news e, assim, ter cautela maior com aquela informação.
“Pode-se transformar a ferramenta em um plugin [ferramenta que apresenta recursos adicionais ao programa principal] compatível com algumas redes sociais. E, a partir do momento em que você usa a rede social, o plugin vai poder indicar não que a notícia ¢ falsa, de maneira assertiva, mas que ela pode ser falsa, de acordo com alguns parâmetros, como erros de português. Também existe a possibilidade de fazer uma aplicação na própria Web, onde você cola o texto da notícia e essa aplicação vai te dizer se aquilo se assemelha ou não a uma notícia falsa”, explica Rodrigues.
Internet: <wwwcartacapital.combr> (com adaptações)
A correção gramatical do texto CG1A1 e a coerência de suas ideias seriam preservadas caso o segmento “para detecção de notícias falsas” (primeiro período do primeiro parágrafo) fosse substituído por
O Alpinista de cancela
Por Fabrício Carpinejar
- Existem os alpinistas das cancelas do shopping. Os que praticam rapel na hora de mostrar
- o comprovante de pagamento. Vou explicar. Já testemunhei infindáveis casos.
- Na saída do estacionamento, no momento de encostar o tíquete no visor eletrônico, o
- motorista faz a proeza de parar o carro longe do token. Falta braço. É um goleiro de braço curto.
- Começa o constran....imento público, absolutamente evitável. Ele fica encalacrado no
- quase. Estica-se todo pela janela aberta, sem conseguir a validação. É possível escutar, mesmo
- à distância, os seus ossos estalarem em forçado alongamento.
- Com o fracasso, com o engarrafamento aumentando atrás de si, com o medo da buzinada
- contagiosa dos colegas de ocasião, ele é tomado pela pressa, pela ansiedade, e se lança para
- uma missão impossível: tirar o cinto e abrir a porta do carro.
- Só que tampouco quer ter o trabalho de apagar o veículo e andar, recusa-se a empreender
- a tarefa calmamente do lado de fora. Não aceita desligar o motor. Não admite desistências.
- Então, vira um Minotauro: metade gente, metade touro. Mantém incrivelmente o pé no
- pedal do freio e pisa no chão com o outro, jogando o seu corpo para frente, escalando o topo da
- montanha da cancela, tentando inutilmente levantar o código de barras do cartão para liberar o
- acesso.
- Não é que seja um péssimo motorista, não é que não goste de bali....as. É a crença afoita
- de que passará pela cancela, não precisará estacionar na cancela como se fosse uma vaga
- provisória. Ele executa uma decisão equivocada, intuitiva. Pensa que será uma transição rápida,
- e não capricha. Encalha na passagem.
- Nem sempre tem um fiscal por perto para acudir. Nem sempre ocorre a leitura automática
- da placa por câmera. Além da coreografia cômica, não há como o espectador da confusão não
- temer um desastre.
- A cena ilustra nossa resistência ao recuo. Temos uma noção de que recuar é covardia, é
- ausência de convic....ão, é derrota moral, e realizamos parvoíces em nossa vida. Avançamos
- mesmo estando errados, e apenas acentuamos nossa conduta desfavorável.
- Um grande erro já foi ínfimo antes. O exaustivo adiamento até a reparação é que o torna
- irreversível. O perigo mora nos detalhes. Retroceda no ato. Desculpe-se enquanto age.
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/os-alpinistas-das-cancelas-do-shopping-praticam-rapel-no-momento-de-encostar-o-tiquete-no-visor – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta a correta reescrita do trecho abaixo, retirado do texto, alterando-se a conjugação das formas verbais sublinhadas para o pretérito perfeito do indicativo.
“Então, vira um Minotauro: metade gente, metade touro. Mantém incrivelmente o pé no pedal do freio e pisa no chão com o outro, jogando o seu corpo para frente”.
O Alpinista de cancela
Por Fabrício Carpinejar
- Existem os alpinistas das cancelas do shopping. Os que praticam rapel na hora de mostrar
- o comprovante de pagamento. Vou explicar. Já testemunhei infindáveis casos.
- Na saída do estacionamento, no momento de encostar o tíquete no visor eletrônico, o
- motorista faz a proeza de parar o carro longe do token. Falta braço. É um goleiro de braço curto.
- Começa o constran....imento público, absolutamente evitável. Ele fica encalacrado no
- quase. Estica-se todo pela janela aberta, sem conseguir a validação. É possível escutar, mesmo
- à distância, os seus ossos estalarem em forçado alongamento.
- Com o fracasso, com o engarrafamento aumentando atrás de si, com o medo da buzinada
- contagiosa dos colegas de ocasião, ele é tomado pela pressa, pela ansiedade, e se lança para
- uma missão impossível: tirar o cinto e abrir a porta do carro.
- Só que tampouco quer ter o trabalho de apagar o veículo e andar, recusa-se a empreender
- a tarefa calmamente do lado de fora. Não aceita desligar o motor. Não admite desistências.
- Então, vira um Minotauro: metade gente, metade touro. Mantém incrivelmente o pé no
- pedal do freio e pisa no chão com o outro, jogando o seu corpo para frente, escalando o topo da
- montanha da cancela, tentando inutilmente levantar o código de barras do cartão para liberar o
- acesso.
- Não é que seja um péssimo motorista, não é que não goste de bali....as. É a crença afoita
- de que passará pela cancela, não precisará estacionar na cancela como se fosse uma vaga
- provisória. Ele executa uma decisão equivocada, intuitiva. Pensa que será uma transição rápida,
- e não capricha. Encalha na passagem.
- Nem sempre tem um fiscal por perto para acudir. Nem sempre ocorre a leitura automática
- da placa por câmera. Além da coreografia cômica, não há como o espectador da confusão não
- temer um desastre.
- A cena ilustra nossa resistência ao recuo. Temos uma noção de que recuar é covardia, é
- ausência de convic....ão, é derrota moral, e realizamos parvoíces em nossa vida. Avançamos
- mesmo estando errados, e apenas acentuamos nossa conduta desfavorável.
- Um grande erro já foi ínfimo antes. O exaustivo adiamento até a reparação é que o torna
- irreversível. O perigo mora nos detalhes. Retroceda no ato. Desculpe-se enquanto age.
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/os-alpinistas-das-cancelas-do-shopping-praticam-rapel-no-momento-de-encostar-o-tiquete-no-visor – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta uma possibilidade correta de reescrita do trecho a seguir sem que sejam causadas alterações significativas a ele:
Estica-se todo pela janela aberta, sem conseguir a validação.
Não é justo só chamar de viúvo ou viúva o atual parceiro no momento da partida
Por Fabrício Carpinejar
- A morte atin...e toda uma vida.
- Se morre quem foi sua ex-esposa ou ex-marido, você será também viúvo ou viúva, mesmo
- que não estivessem juntos há muito tempo.
- A nomenclatura tradicional é só chamar de viúvo ou viúva o atual parceiro no momento
- da partida, o que não é justo.
- O fim abole o corpo da cronolo...ia, resgata o espírito das lembranças.
- A viuvez não é exclusiva ao estado civil de uma fase da existência, mas envolve as fases
- e idades pregre...as.
- Não morre unicamente a versão final da pessoa, acontece a despedida de suas diferentes
- versões, do passado por completo.
- Se _______ cinco casamentos, haverá cinco viúvos ou viúvas. E nenhum é mais ou menos
- legítimo do que o outro. Nenhum é mais ou menos valioso do que o outro. As lágrimas não
- _______ hierarquia.
- Não importam a separação, as brigas, as desavenças, o papel do divórcio diante do bem
- inviolável da cumplicidade.
- É um choque receber a notícia de adeus de um antigo amor.
- Você desmoronará em segundos. Arcará com uma tremedeira das mãos, um baque, um
- desconforto, um desespero, como se tivesse dormido ao lado daquela companhia no dia. Como
- se tivesse tomado o café da manhã com ela. Como se tivesse recém tocado em seu rosto ausente.
- Perderá o ar, o chão, as palavras.
- Maior do que a intimidade da paixão que já existiu na convivência é a intimidade da dor
- que agora bate a sua porta. Para a dor, não existe ontem.
- Demorará para a notícia soar convincente. Você não achará possível, acreditará que é uma
- mentira.
- Vai doer o futuro abreviado, o que o ente querido não teve chance de viver.
- Este é o mais decisivo ponto de virada emocional: você deixa de ser egoísta, de pensar
- em si. Não é um arrependimento pelo término da relação, mas um pesar generoso pelo término
- de uma vida.
- Não significa que continua amando o ex, que reprimiu o seu querer por longo período,
- significa que reconhece o quanto ele se mostrou decisivo em sua evolução.
- O sofrimento do luto será igual dentro ou fora do casamento. As memórias mais remotas
- voltarão à tona: as gargalhadas, as canções, as viagens, as festas, a amizade.
- Tudo o que foi ruim desaparecerá, restando apenas a gratidão. Sentirá uma estranha e
- extraordinária comoção pela história em comum.
- Você se perceberá como uma peça de um desafiador puzzle. E qualquer peça é importante.
- Até porque, na hora de montar o quebra-cabeça, aconselha-se começar pelas bordas.
- Você é uma das pontas da imagem, fez parte de um sonho. Não se encontra no centro
- dos acontecimentos, na cabeceira do velório, segurando a alça do caixão, não se vê como
- protagonista da perda, mas está ali, presente no início difícil, nas primeiras descobertas da
- silhueta, na composição das cores e de padrões, possibilitando o encaixe do conjunto e a
- formação da saudade.
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/nao-e-justo-so-chamar-de-viuvo-ou-viuva-o-atual-parceiro-no-momento-da-partida – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que poderia substituir o vocábulo “exclusiva” (l. 07).
“Vamos meter o pé”
Por Leandro Prazeres e João da Mata
- Odila tem pouco mais de um metro e meio de altura e o cabelo liso e grisalho, preso para
- trás. O corpo parece frágil, num contraste com as mãos, grossas e fortes da vida na roça nos
- tempos da juventude. Ela diz viver com a pensão equivalente a pouco mais de um salário mínimo,
- advinda da morte do marido, há 21 anos.
- Ela chegou ___ cidade de Estrela há 30 anos, depois que se casou. Teve quatro filhos 🔷 o
- mais novo é Elizandro, que ainda vive com ela. A casa onde criou a família levou décadas para
- ficar como ela queria. “Nós tínhamos uma casinha velha, de madeira, que ganhamos da
- Prefeitura. Nós fomos construindo. Juntamos uns troquinhos daqui e dali e fizemos uma parte
- da casa, em alvenaria”, contou. “A gente foi botando telhado. O piso, fomos pagando em
- prestações. Por último ▲foi feita uma área numa parte para fora, com churrasqueira” e, assim,
- Odila ia descrevendo a casa.
- O bairro Moinhos, onde a casa está localizada, era habitado, em sua maioria, por
- trabalhadores de baixa renda, como Odila. ___ ruas eram, inicialmente, cobertas com
- paralelepípedos, acentuando o ar bucólico do local. As casas eram cercadas por pequenos jardins
- de grama verde e baixa e, nos últimos anos, a prefeitura asfaltou algumas ruas do local. Elizandro
- disse ter uma relação especial com a vizinhança: “Ajudei a construir metade dessa vila”, contou
- com a voz embargada. O bairro já havia sido severamente atingido pela enchente de setembro
- do ano passado. Na ocasião, o Vale do Taquari também foi afetado e, no total, o Rio Grande do
- Sul registrou 54 mortes. O trauma de setembro deixou os moradores da região em estado de
- alerta. “A gente tem medo. O pessoal começou a dizer: ‘Á água está vindo. Á água está vindo’.
- Aí eu disse 🔵 ‘Vamos meter o pé’”, relembrou Odila. Após a decisão de partir, começou outra
- fase de angústia. Como sair de um lugar quando todos querem sair ao mesmo tempo?
- “Quando começou a enchente, nós começamos a reunir as coisas e esperamos o caminhão.
- Ligamos para os caminhões, mas não tinha mais porque eles não podiam socorrer todo mundo.
- Estávamos numa aflição porque sabíamos que a água ia tomar conta”, disse ela. Com a ajuda
- de vizinhos e dos filhos, Odila conseguiu reunir alguns poucos pertences e documentos e foi
- levada para um abrigo improvisado. Elizandro só chegou no abrigo no dia seguinte, pois tentou
- ajudar os vizinhos ___ levar móveis para os pisos superiores das casas. Não adiantou. A água
- encobriu todas as casas, ele contou.
(Disponível em: www.bbc.com/portuguese/articles/cj554e3zgmyo – texto adaptado especialmente para esta prova).
Leia o trecho a seguir, retirado do texto, e assinale a alternativa que apresenta a reescrita correta, mantendo o sentido original e aplicando as normas gramaticais.
“Odila tem pouco mais de um metro e meio de altura e o cabelo liso e grisalho, preso para trás. O corpo parece frágil, num contraste com as mãos, grossas e fortes da vida na roça nos tempos da juventude. Ela diz viver com a pensão equivalente a pouco mais de um salário mínimo, advinda da morte do marido, há 21 anos”.
Ações imediatas no meio ambiente
A tragédia no Sul do país é prova eloquente e dolorosa de que o meio ambiente não pode mais ser tratado como assunto etéreo Correio Braziliense | 02/06/24
A Semana Nacional do Meio Ambiente iniciou-se em 1º de junho sob o impacto de uma tragédia climática no Brasil. Até a tarde de ontem, passava de 170 o número de mortos pelas enchentes que devastam o Rio Grande do Sul há pouco mais de um mês. A força das águas atingiu tamanho grau de destruição que varreu do mapa praticamente cidades inteiras, como Eldorado e Cruzeiro do Sul. Mais de 580 mil pessoas estão desabrigadas, entre 2,4 milhões de gaúchos afetados em mais de 90% dos municípios.
Até o momento, o governo federal dispendeu mais de R$ 60 bilhões na ajuda ao estado. Dentro de suas possibilidades, o governo estadual também ofereceu ajuda, particularmente no pagamento de um auxílio para famílias desabrigadas. Sabe-se, [no entanto], que essas ações são emergenciais. Mal começou o trabalho de reconstrução, e muitos gaúchos nem sequer tiveram condições de assimilar a perda de entes queridos, o que dirá de contabilizar os prejuízos. Mais de 40 pessoas permanecem desaparecidas sob o mar de lama, escombros e tristeza.
A tragédia no Sul do país é prova eloquente e dolorosa de que o meio ambiente não pode mais ser tratado como assunto etéreo. Passou há muito o tempo de restringir o tema a debate em conferências globais ou fóruns de especialistas. É hora de ação. De uma vez por todas, é hora de enfrentar as mudanças climáticas com todos os instrumentos à disposição.
O poder público tem papel preponderante nesse desafio. Cabe ao Estado cumprir acordos internacionais para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Cabe aos governos fiscalizar atividades danosas ao meio ambiente, como desmatamento ilegal e garimpo clandestino. Cabe ainda ao Executivo impedir o crescimento desordenado das cidades, de modo que milhares de famílias fixem residências em encostas ou às margens dos rios.
Em relação ao Legislativo, cumpre aos parlamentares preservar o meio ambiente de interesses diversos que põem em risco a sustentabilidade. Há quem diga que a legislação ambiental brasileira é das mais avançadas, mas a profusão de iniciativas perigosas — da privatização de áreas da União no litoral ao marco temporal de terras indígenas — mina o esforço necessário de tornar o Brasil um país onde a sustentabilidade é levada a sério.
Por fim, o Judiciário, assim como os demais Poderes, precisa dar ao meio ambiente tratamento diferenciado e preventivo, sob o risco de restringir sua atuação à reparação de danos decorrentes de tragédias ambientais. Assegurar um meio ambiente ecologicamente equilibrado, conforme determina o artigo 225 da Constituição Federal, CONSTITUI/CONSTITUEM missão de enorme valor social para o sistema de Justiça.
A sociedade também tem um papel a cumprir. Não FALTA/FALTAM iniciativas e organizações, algumas de caráter global, que se mobilizam em favor da sustentabilidade. Mas ainda não é possível observar uma consciência ambiental predominante, em parte por causa do negacionismo climático que persiste em diversos setores.
Os alertas da ciência são inequívocos, e a realidade se IMPÕE/IMPÕEM. Não há mais como protelar medidas firmes, constantes e duradouras para evitar novas catástrofes climáticas. Que a Semana do Meio Ambiente, marcada pelo sofrimento de milhares no Rio Grande do Sul, dê início a um despertar em favor da natureza — e do futuro da humanidade.
AÇÕES imediatas no meio ambiente. Correio Braziliense, 02 de junho de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/06/6869017-visao-do-correio-acoes-imediatas-no-meio-ambiente.html. Acesso em: 02 jun. 2024. Adaptado.
A palavra grifada em “Até o momento, o governo federal dispendeu mais de R$ 60 bilhões na ajuda ao estado.” (2º parágrafo) NÃO pode ser substituída por:
Texto 1
A dengue faz parte de um grupo de doenças denominadas arboviroses, que se caracterizam por serem causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes. No Brasil, o vetor da dengue é a fêmea do mosquito Aedes aegypti (significa “odioso do Egito). Os vírus dengue (DENV) estão classificados cientificamente na família Flaviviridae e no gênero Flavivirus. Até o momento são conhecidos quatro sorotipos – DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 –, que apresentam distintos materiais genéticos (genótipos) e linhagens.
As evidências apontam que o mosquito tenha vindo nos navios que partiam da África com escravos. No Brasil, a primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente ocorreu em 1981- 1982, em Boa Vista (RR), causada pelos sorotipos 1 e 4. Após quatro anos, em 1986, ocorreram epidemias atingindo o estado do Rio de Janeiro e algumas capitais da região Nordeste. Desde então, a dengue vem ocorrendo de forma continuada (endêmica), intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas à introdução de novos sorotipos em áreas indenes (sem transmissão) e/ou alteração do sorotipo predominante, acompanhando a expansão do mosquito vetor. Aspectos como a urbanização, o crescimento desordenado da população, o saneamento básico deficitário e os fatores climáticos mantêm as condições favoráveis para a presença do vetor, com reflexos na dinâmica de transmissão desses arbovírus. A dengue possui padrão sazonal, com aumento do número de casos e o risco para epidemias, principalmente entre os meses de outubro de um ano a maio do ano seguinte.
Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém as pessoas mais velhas e aquelas que possuem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, têm maior risco de evoluir para casos graves e outras complicações que podem levar à morte.
(https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dengue Acesso em 20/03/2024)
No período: “Após quatro anos, em 1986, ocorreram epidemias atingindo o estado do Rio de Janeiro e algumas capitais da região Nordeste.”, o trecho em destaque pode ser reescrito sem prejuízo semântico em:
“O número de mulheres médicas já é quase metade do total de profissionais no Brasil e elas devem superar a quantidade de homens e se tornar maioria na profissão ainda neste ano, conforme a nova edição do estudo Demografia Médica, divulgada hoje pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).” (2º§).
I- O termo “conforme” pode ser substituído sem alteração de sentido pelo termo “consoante”, mas não pode ser substituído pelo termo “segundo”.
II- Na oração “elas devem superar a quantidade de homens”, o pronome “elas” é empregado como um recurso anafórico, já que retoma um termo anterior.
III- Embora a conjunção “e” seja classificada como uma conjunção aditiva, está sendo empregada com valor adversativo.
É CORRETO o que se afirma em:
I- As mulheres, são maioria entre as egressas das faculdades de Medicina desde 2009.
II- As mulheres, desde 2009, são maioria entre as egressas das faculdades de Medicina.
III- As mulheres são maioria entre as egressas das faculdades de Medicina desde 2009.
IV- As mulheres desde 2009, são maioria entre as egressas das faculdades de Medicina.
Está mantida a correção gramatical e a adequada delimitação dos constituintes oracionais em: