Questões de Concurso
Comentadas sobre redação - reescritura de texto em português
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Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto XI, julgue (C ou E) o item a seguir.
Na frase “o arrastar na sombra denunciava-lhe prestígio
negativo” (l. 7 e 8), a substituição do pronome oblíquo “lhe”
por a ela prejudicaria a correção gramatical do texto.
Com relação aos aspectos linguísticos e textuais do texto IV, que está sendo negociado em uma conferência multilateral, e do texto V, que compõe um telegrama de instruções para essa conferência multilateral recebido da secretaria de Estado por determinada embaixada, julgue (C ou E) o seguinte item.
O último parágrafo do texto V poderia ser reformulado com a
seguinte redação, sem prejuízo das informações nele
veiculadas: As modalidades de solução de litígios devem ser
estabelecidas de maneira objetiva, previsível e de forma a
contemplar mecanismos de verificação e monitoramento,
permitindo também que companhias privadas façam uso de tais
instrumentos.
Com relação aos aspectos linguísticos e textuais do texto IV, que está sendo negociado em uma conferência multilateral, e do texto V, que compõe um telegrama de instruções para essa conferência multilateral recebido da secretaria de Estado por determinada embaixada, julgue (C ou E) o seguinte item.
O texto V recomenda uma resposta de sentido punitivo ao
“aumento brusco e excessivo de importações” (l. 9 e 10) que
resultaria em “sério dano à estrutura produtiva” (l. 10 e 11) da
outra parte, razão por que a substituição do termo
“salvaguarda” (l.9) por sanção preservaria o sentido original
do texto.
Texto CB1A1AAA

Eneida Maria de Souza. Brasília é uma estrela espatifada. In: Crítica cult. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, p. 142-3 (com adaptações).
No que diz respeito aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, julgue o item a seguir.
Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos originais
do texto, o trecho “para que se conserve a lição do passado
como intocável e permanente” (ℓ. 14 e 15) poderia ser
reescrito da seguinte forma: afim de conservar, intocável e
permanentemente, a lição do passado.
Texto CB1A1AAA

Eneida Maria de Souza. Brasília é uma estrela espatifada. In: Crítica cult. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, p. 142-3 (com adaptações).
No que diz respeito aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, julgue o item a seguir.
A correção gramatical do texto seria mantida, embora seu
sentido fosse alterado, caso o trecho “A obra é uma bandeira
brasileira feita de caixões coloridos de crianças, exposta em
frente ao Congresso Nacional” (ℓ. 3 a 5) fosse reescrito da
seguinte forma: Trata-se a obra de caixões coloridos de
crianças, expostas diante do Congresso Nacional formando
uma bandeira do Brasil.

Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que segue.
A correção gramatical do texto seria prejudicada caso o trecho “se fazem os comércios” (ℓ.12) fosse assim reescrito: são feitos os comércios.

Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que segue.
A correção gramatical do texto seria mantida caso fosse
suprimido o vocábulo “esta” no trecho “que da África
continuamente estão passando a esta América” (ℓ. 3 e 4),
embora o sentido desse trecho fosse alterado.

Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto apresentado, julgue o item a seguir.
A coesão e a correção gramatical do texto seriam mantidas se o trecho “tocou-me no braço” (ℓ.13) fosse assim reescrito: tocou-me o braço.
Texto CB2A1BBB

Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB2A1BBB, julgue o próximo item.
Sem prejuízo dos sentidos e da correção gramatical do texto,
o primeiro parágrafo poderia ser reescrito da seguinte
maneira: São a velocidade das transformações que
caracterizam, principalmente, a sociedade contemporânea.
Texto CB2A1BBB

Acerca das ideias e dos aspectos linguísticos do texto CB2A1BBB, julgue o item seguinte.
A substituição da expressão “Além de” (ℓ.21) por Apesar de
não alteraria os sentidos originais do texto.
Texto 1.
Observação
Vivemos tão apressados que estamos perdendo a habilidade de observar detalhadamente o que nos cerca. Por outro lado, somos tão bombardeados por imagens e por estímulos visuais que, para nos proteger do excesso, aprendemos a não perceber o que está em volta, aprendemos a nos proteger. Por isso, a propaganda fica cada vez mais agressiva. Os produtos precisam, a qualquer custo, chamar a atenção do possível comprador, até que sejamos capazes de “ver sem olhar”. Ou seja, mesmo sem estarmos interessados, não podemos escapar de perceber uma imagem de propaganda.
Isso nos tem levado à autoproteção ou a uma atitude passiva, já que não é preciso fazer nenhum esforço, pois a propaganda e as imagens se encarregam de nos invadir.
Entretanto, para apreciar a arte e saber ler imagens, uma primeira habilidade que precisamos renovar, estimular e desenvolver é a observação. Ela deve deixar de ser passiva para tornar-se ativa, voluntária: observo o que quero, porque quero, como quero, da forma que quero, quando quero observar.
Se pedirmos a um amigo que descreva alguém, ele pode dizer genericamente: alto, magro, de meia-idade: ou então ser bem específico: tem aproximadamente 1 metro e oitenta, é magro, está vestido com uma calça azul, camisa branca, tênis, jaqueta de couro marrom, tem cabelos escuros, encaracolados, curtos, olhos azuis, usa costeletas, tem um sinal escuro do lado direito do rosto e cerca de 40 anos.
Essa segunda descrição é mais detalhada e demonstra mais observação. Naturalmente, se eu estiver procurando tal pessoa, a partir dessa descrição detalhada, posso encontrá-la com mais facilidade.
OLIVEIRA, J. e GARCEZ, L. Explicando a Arte. Ed. Nova Fronteira. 2001.
Adequando-se a frase acima ao mesmo nível de formalidade das demais respostas de David le Breton, a redação resultante encontra-se em:
Texto 2
Dados dos utilizadores do Facebook ilegalmente
usados. Choque!
Mais um escândalo com o Facebook: 57 milhões de usuários da rede (o número é uma estimativa, ninguém sabe com rigor) foram usados por empresa britânica para fins de propaganda política.
Quando li a notícia, lembrei imediatamente o título de uma crítica mordaz a um livro antigo de Martin Amis (“Koba the Dread”) que nunca mais esqueci: “Stalin was bad. Shock!” Seria possível usar as mesmas palavras para comentar o caso: “Dados dos utilizadores do Facebook ilegalmente usados. Choque!”
Mas deixemos o cinismo de lado. Porque no escândalo corrente é preciso relembrar um fato e fazer uma pergunta. Fato: as pessoas partilham voluntariamente os seus dados e a sua privacidade nas redes. Pergunta: por que motivo o fazem?
Eu sei, eu sei: não é elegante lembrar as coisas óbvias. É mais proveitoso pintar Mark Zuckerberg com as cores do demônio.
Longe de mim defender o sr. Zuckerberg, cuja megalomania e irresponsabilidade nunca me enganaram. Mas o poder que esse rapaz concentrou foi culpa exclusivamente nossa. Fomos nós que transformamos a “privacidade” — a maior conquista da civilização ocidental — em produto barato e até dispensável.
(COUTINHO, João Pereira. Folha de S. Paulo, 23/3/2018, com adaptações)
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto 2, considere as assertivas a seguir:
I. Não haveria prejuízo para o sentido do texto caso o primeiro parágrafo fosse reescrito como se segue: “Mais um escândalo com o Facebook: 57 milhões de usuários da rede (o número é uma estimativa, ninguém sabe com rigor) foram usados pela empresa britânica para fins de propaganda política.”
II. Estaria mantida a correção gramatical do trecho “Longe de mim defender o sr. Zuckerberg, cuja megalomania e irresponsabilidade nunca me enganaram” caso se empregasse o artigo “a” antes do substantivo “megalomania”.
III. No trecho “por que motivo o fazem?”, o pronome “o” tem como referente a oração “as pessoas partilham voluntariamente os seus dados e a sua privacidade nas redes”.
IV. No último parágrafo, os dois travessões poderiam ser substituídos por vírgulas sem prejuízo para a correção gramatical do texto.
V. O trecho “não é elegante lembrar as coisas óbvias” estaria de acordo com a norma-padrão caso fosse reescrito como se segue: “não é elegante lembrar das coisas óbvias”.
Assinale a alternativa correta:
Texto 2
Dados dos utilizadores do Facebook ilegalmente
usados. Choque!
Mais um escândalo com o Facebook: 57 milhões de usuários da rede (o número é uma estimativa, ninguém sabe com rigor) foram usados por empresa britânica para fins de propaganda política.
Quando li a notícia, lembrei imediatamente o título de uma crítica mordaz a um livro antigo de Martin Amis (“Koba the Dread”) que nunca mais esqueci: “Stalin was bad. Shock!” Seria possível usar as mesmas palavras para comentar o caso: “Dados dos utilizadores do Facebook ilegalmente usados. Choque!”
Mas deixemos o cinismo de lado. Porque no escândalo corrente é preciso relembrar um fato e fazer uma pergunta. Fato: as pessoas partilham voluntariamente os seus dados e a sua privacidade nas redes. Pergunta: por que motivo o fazem?
Eu sei, eu sei: não é elegante lembrar as coisas óbvias. É mais proveitoso pintar Mark Zuckerberg com as cores do demônio.
Longe de mim defender o sr. Zuckerberg, cuja megalomania e irresponsabilidade nunca me enganaram. Mas o poder que esse rapaz concentrou foi culpa exclusivamente nossa. Fomos nós que transformamos a “privacidade” — a maior conquista da civilização ocidental — em produto barato e até dispensável.
(COUTINHO, João Pereira. Folha de S. Paulo, 23/3/2018, com adaptações)
Em relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto 2, considere as assertivas seguintes:
I. No segundo parágrafo, ao empregar a expressão “Choque!”, o autor deixa claro que lhe causou surpresa a utilização ilegal de dados de usuários do Facebook.
II. Na pergunta “por que motivo o fazem?”, presente no terceiro parágrafo, o termo “motivo” poderia ser omitido sem prejuízo para o sentido e a correção da oração.
III. Estaria preservada a norma-padrão caso o autor conferisse a seguinte reescrita à última frase do texto: “Fomos nós quem transformou a ‘privacidade’ — a maior conquista da civilização ocidental — em produto barato e até dispensável”.
IV. O autor se vale de uma intertextualidade para ironizar o destaque jornalístico conferido à ilegal utilização de dados de utilizadores do Facebook.
V. Ao afirmar que a “privacidade” foi por nós transformada em um produto barato, o autor vale-se de linguagem predominantemente denotativa.
Assinale a alternativa correta:
Na primeira audiência, ele se esforçou em manter-se calado. Indignado com tudo, rejeitava e respondia a qualquer gesto que considerasse suspeito, de quem quer que fosse. Via no banco quem o acusava do que não fizera. Era coisa que levaria tempo para digerir. Ou então, seria motivo de vingança, até mesmo de crime.
... respondia a qualquer gesto que considerasse suspeito, de quem quer que fosse.
Seguem propostas de alteração na frase acima. A redação que está em conformidade com a norma-padrão e não prejudica o sentido original é:
Atenção: A questão refere-se ao texto que segue.
A vida privada não é uma realidade natural, dada desde a origem dos tempos: é uma realidade histórica. A história da vida privada é, em primeiro lugar, a história de sua definição: como evoluiu sua distinção na sociedade francesa do século XX? Como o domínio da vida privada variou em seu conteúdo e abrangência?
A questão é tanto mais importante na medida em que não é certo que seu contorno tenha o mesmo sentido em todos os meios sociais. Para a burguesia da Belle Époque1, não há nenhuma dúvida: o “muro da vida privada” separa claramente os domínios. Por trás desse muro protetor, a vida privada e a família coincidem com bastante exatidão. Esse domínio abrange as fortunas, a saúde, os costumes, a religião: se os pais que querem casar os filhos consultam o notário ou o pároco para “tomar informações” sobre a família de um eventual pretendente, é porque a família oculta cuidadosamente ao público o tio fracassado, o irmão de costumes dissolutos e o montante das rendas. E Jaurès2, respondendo a um deputado socialista que lhe censurava a comunhão solene da filha: “Meu caro colega, você sem dúvida faz o que quer de sua mulher, eu não”, marcava com grande precisão a fronteira entre sua existência de político e sua vida privada.
Essa separação era organizada por uma densa teia de prescrições. A baronesa Staffe3, por exemplo, cita: “Quanto menos relações mantemos com a vizinhança, mais merecemos a estima e consideração dos que nos cercam”, “não devemos falar de assuntos íntimos com os parentes ou amigos que viajam conosco na presença de desconhecidos”. O apartamento ou a casa burguesa, aliás, se caracterizam por uma nítida diferença entre as salas para as visitas e os demais aposentos. O lugar da família propriamente dita não é o salão: as crianças não entram no aposento quando há visitas e, como explica a baronesa, as fotos de família ficariam deslocadas nesse recinto. Ademais, as salas de visitas não são abertas a todos. Se toda dama da boa sociedade tem seu “dia” de receber − em 1907, são 178 em Nevers4 −, a visita à esposa de um figurão supõe uma apresentação prévia. As salas de recepção estabelecem, portanto, um espaço de transição para a vida privada propriamente dita.
Obs.: 1 Período de cultura cosmopolita na história da Europa que vai de fins do século XIX até a eclosão da Primeira Guerra Mundial.
2 Jean Léon Jaurès (1859-1914): político socialista francês.
3 Pseudônimo de Blanche-Augustine-Angèle Soyer (1843-1911), autora francesa, célebre em seu tempo pela obra Uso do mundo, sobre como saber viver na sociedade moderna.
4 Região da França, ao sul-sudeste de Paris.


