Questões de Concurso Sobre português

Questões Discursivas

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Q3645818 Português

A tira a seguir serve de referência para a questão.


Q35_36.png (368×437)


Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DMxLZfjORNZ/?img_index=3. Acesso em: 31 jul. 2025.

Sobre a análise linguística do texto, É CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645817 Português

A tira a seguir serve de referência para a questão.


Q35_36.png (368×437)


Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DMxLZfjORNZ/?img_index=3. Acesso em: 31 jul. 2025.

A respeito do texto, analise as assertivas a seguir.



I- A informatividade é um critério de textualidade que se destaca, pois é necessário saber para que serve uma colheitadeira e quem é a personagem no último quadrinho para estabelecer a coerência do texto.


II- O efeito de sentido de humor é construído através da informatividade que, juntamente com a coerência, imprimem aceitabilidade à tira.


III- A falta de relação entre os dois quadrinhos compromete a coerência do texto.


IV- A intencionalidade do texto é gerar o efeito de sentido de humor.



É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q3645816 Português
Para Bortoni-Ricardo (2004, p. 13), “Qualquer posição que coloque ou pareça colocar em risco a pureza e a propriedade do idioma pátrio será sempre recebida no mínimo com perplexidade, quando não com veemente resistência”.
Fonte: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemu na escola, e agora? Sociolinguística & educação. São Paulo: Parábola Editorial, 2005 (Série Língua[gem], v. 11).

Tendo em mente esse posicionamento da autora, leia o caso a seguir: em sua prática pedagógica, Leila, professora de português da Educação Básica, percebe que seus alunos chegam à escola com registros de linguagem cada vez mais heterogêneos. Recentemente, chegou a uma de suas turmas Carlos, um aluno oriundo da zona rural, que fala a variedade linguística típica de sua região. Os demais alunos consideram que Carlos fala errado e o “corrigem” com frequência. Por vezes, zombam dele. Como Leila deve intervir? Analise as assertivas abaixo.

I- A professora deve corrigir Carlos, pois ele precisa substituir a sua variedade linguística pela norma culta.
II- A professora deve conscientizar os alunos de que a língua varia. Logo, Carlos não fala errado. Ele apenas usa uma variedade diferente da norma urbana culta.
III- A professora deve aproveitar a oportunidade para reforçar a importância do purismo linguístico, que deve ser ensinado na escola.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645815 Português
Lopes-Rossi (2011, p. 70-71) afirma que “Um dos méritos do trabalho pedagógico com gêneros discursivos [...] é o fato de proporcionar o desenvolvimento da autonomia do aluno no processo de leitura e produção textual como uma consequência do domínio do funcionamento da linguagem em situações de comunicação, uma vez que é por meio dos gêneros discursivos que as práticas de linguagem incorporam-se às atividades dos alunos”.

Fonte: LOPES-ROSSI, Maria Aparecida Garcia. Gêneros discursivos no ensino de leitura e produção de textos. In: MARCUSCHI, Luiz Antônio et al. Gêneros textuais: reflexões e ensino. Organização de Acir Mário Karwoski, Beatriz Gaydecza e Karim Siebeneicher Brito. 4. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2011 (Série Estratégias de Ensino; v. 25).

Com base nesta afirmação da autora, analise as assertivas abaixo:

I- O trabalho com gêneros textuais/discursivos é fundamental para o desenvolvimento das práticas de leitura/escuta e produção textual/oralidade.
II- Através do trabalho com gêneros textuais/discursivos, os alunos acessam de forma contextualizada o funcionamento da linguagem e tornam-se proficientes na leitura e na escrita.
III- De acordo com a autora, a autonomia do aluno na Educação Básica com relação às práticas de linguagem independem do trabalho pedagógico com gêneros discursivos.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645814 Português
Qual seria a hora certa de ensinar a metalinguagem gramatical aos alunos? A respeito deste assunto, Antunes (2014, p. 64, grifo da autora) defende que “não se trata apenas de se saber 'quando' iniciar esse estudo; ainda assim, vale ressaltar que não se deve começar por aí; sem que os alunos estejam lendo e escrevendo, não há por que entrar em definições do que é ditongo, tritongo, dígrafo, por exemplo, nem de outras tantas diferenciações, todas do domínio da metalinguagem”.
Fonte: ANTUNES, Irandé. Gramática contextualizada: limpando “o pó das ideias simples”. 1. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2014 (Série Estratégias de Ensino; v. 49).

Acerca do posicionamento de Antunes (2014), analise as seguintes assertivas.

I- O sucesso do ensino da metalinguagem gramatical independe da proficiência em leitura e escrita.
II- É improdutivo ensinar a metalinguagem gramatical se os alunos estão apresentando sérias dificuldades acerca do domínio da leitura e da escrita.
III- O ensino gramatical deve ser contextualizado, ou seja, ele deve suscitar o domínio das práticas de leitura e escrita.

É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q3645813 Português

Leia o seguinte posicionamento de Fayol (2014, p. 85): “[...] preparar a redação equivale a produzir, e vice-versa. Os conhecimentos disponíveis são a principal dimensão a ter um efeito sobre a qualidade e o tamanho dos textos, bem como sobre o modo de produção: os textos são melhores na medida em que os conhecimentos prévios são numerosos e bem-organizados na memória”.


Fonte: FAYOL, Michel. Aquisição da escrita. 1. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2014 (Série Estratégias de Ensino; v. 45).



Com base nas elucidações de Fayol (2014), considere a seguinte situação de sala de aula: Aline, professora de português do 6º ano do Ensino Fundamental, percebe que a escrita de seus alunos é muito influenciada pela oralidade e pouco desenvolvida. Uma estratégia CORRETA para abordar a situação é:

Alternativas
Q3645812 Português
Rojo (2009, p. 112) defende que: “[...] o texto já não pode mais ser visto fora da abrangência dos discursos, das ideologias e das significações, como tanto a escola quanto as teorias se habituaram a fazer. [...] a compreensão de um discurso é ativa, é uma ação de réplica e não de repetição”.
Fonte: ROJO, Roxane. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009 (Série Estratégias de Ensino; v. 13).

A respeito das ideias de Rojo (2009), considere as assertivas abaixo.

I- O texto é uma atividade discursiva. Portanto, não se fecha em si mesmo. Ler e compreender implicam a necessidade de réplica.
II- A compreensão de um texto, oral ou escrito, é um processo ativo e que implica a interação. É um evento de letramento.
III- O sentido de um texto é único. Ler corresponde a identificar esse sentido.

É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q3645810 Português
No contexto do Ensino Médio, a BNCC afirma: “Considerando que uma semiose é um sistema de signos em sua organização própria, é importante que os jovens, ao explorarem as possibilidades expressivas das diversas linguagens, possam realizar reflexões que envolvam o exercício de análise de elementos discursivos, composicionais e formais de enunciados nas diferentes semioses [...]” (Brasil, 2018, p. 486).
Fonte: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

A partir dessa definição da BNCC, considere as assertivas que seguem:

I- Explorar em sala de aula gêneros textuais diversos é uma forma eficiente de explorar diferentes semioses.
II- Cada gênero apresenta uma organização própria e sua diversidade em sala de aula garante ao jovem acesso a múltiplas formas de usar a linguagem com eficiência.
III- O domínio de diferentes semioses não é uma condição necessária para a proficiência em gêneros textuais.

É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q3645602 Português
Leia o Texto IV para responder à questão.


Captura_de tela 2025-10-09 100936.png (468×434)


Fonte: https://www.instagram.com/p/DLCsWKWOvvA/?igsh=cnY1djhvZHZ3MjNj . Acesso em: 18 de jul. de 2025.
A principal finalidade do Texto IV é:
Alternativas
Q3645601 Português
Leia o Texto IV para responder à questão.


Captura_de tela 2025-10-09 100936.png (468×434)


Fonte: https://www.instagram.com/p/DLCsWKWOvvA/?igsh=cnY1djhvZHZ3MjNj . Acesso em: 18 de jul. de 2025.
Com base na linguagem visual utilizada no texto, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3645390 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

    O século 21, tudo indica, não será mais predominantemente norte-americano e menos ainda europeu. Com velocidade surpreendente, envelheceu a ideia de uma modernidade baseada na expansão contínua da mercantilização de todas as coisas e de todas as relações humanas. Já podemos dizer com certeza que a modernidade dita neoliberal, que se disseminou com o colapso do socialismo de Estado, pecou por déficit crescentemente intolerável de imaginação política. A interdependência entre os sistemas econômicos deu muitíssimos passos à frente, com a circulação instantânea do dinheiro, a mundialização das cadeias de valor, a mobilidade intensa de mercadorias e pessoas. E uma vasta classe média global, apesar das desigualdades, apareceu no cenário.
    Tornamo-nos, existencialmente, interdependentes, até mesmo num sentido particularmente negativo, com a crise – inédita e crescente – das relações com a natureza, a disseminação de armas nucleares e a possibilidade de aplicação de inteligência artificial aos conflitos armados. De nenhum desses possíveis desastres, como é óbvio, estará a salvo qualquer povo eleito ou nação excepcional. Sem política, e deixado a si mesmo, esse movimento das coisas pareceu, e parece, dotado de uma inquietante autonomia, acontecendo fantasmagoricamente acima da consciência e da ação coletiva.
    Sempre se soube que a unidade tendencial do gênero humano, este belo sonho multissecular, não se daria como um processo automático e sem turbulência, ainda que a complexidade das situações recorrentemente nos espante. O descompasso entre o mundo amplo da economia e o âmbito estritamente nacional da política terminou por produzir seus frutos daninhos na forma de uma imensa crise da globalização.

(Luiz Sérgio Henriques, “O Brasil no espelho do mundo”. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opinião)
A expressão destacada, do 1º parágrafo, que está empregada em sentido próprio é:
Alternativas
Q3645063 Português

                                q_10 esc.png (316×457)  


Em relação ao cartaz acima, é correto afirmar que, para fazer um alerta, ele:

Alternativas
Q3645028 Português
Leia o Texto III e responda à questão.


Texto III

Q14_15.png (416×488)


O excerto “tem muita gente com problema na conexão” pode ser substituído, com correção gramatical e sem alteração de sentido, por:
Alternativas
Q3645027 Português
Leia o Texto III e responda à questão.


Texto III

Q14_15.png (416×488)


Considerando as ideias apresentadas no Texto III, analise as assertivas que seguem.

I- Há uma duplicidade de sentido provocada pelo emprego do termo “conexão”.
II- Os dois sujeitos envolvidos na situação comunicativa estão se referindo ao mesmo tipo de conexão.
III- Há uma duplicidade de sentido provocada pelo emprego do termo “problema”.
IV- Cada um dos sujeitos envolvidos na situação comunicativa apresentada atribui um sentido distinto para o termo “conexão”.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645026 Português
Leia o Texto II e responda à questão.


Texto II


Q12_13.png (336×345)

Fonte: Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/327214729176284990/. Acesso em 23 nov. 2024.
Sobre o Texto II, analise as assertivas sobre os aspectos morfossintáticos e semânticos do diálogo entre Mafalda e seu pai.

I- Na fala de Mafalda, “A fome e a pobreza no mundo acabaram?”, o sujeito da oração é classificado como sujeito composto.
II- A expressão “foi que” em “Então para que foi que a gente mudou de ano?!” é uma partícula expletiva, usada para dar ênfase.
III- Os termos “as” e “nucleares” em “As armas nucleares foram suprimidas?” funcionam como adjuntos adnominais do termo “armas”.
IV- Na oração “As armas nucleares foram suprimidas?” o sujeito da oração é composto.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645025 Português
Leia o Texto II e responda à questão.


Texto II


Q12_13.png (336×345)

Fonte: Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/327214729176284990/. Acesso em 23 nov. 2024.
Analise as afirmações que seguem em relação às ideias apresentadas na tirinha.

I- Mafalda manifesta preocupação com questões sociais, evidenciando seu senso crítico.
II- Na tirinha, o pai de Mafalda questiona o valor simbólico da mudança de ano.
III- As perguntas de Mafalda revelam sua visão crítica em relação à mudança de ano.
IV- A pergunta “Sim?” no terceiro quadrinho reflete a expectativa de Mafalda por uma resposta positiva.
V- Atirinha defende uma visão pessimista, enfatizando o conformismo e a total impossibilidade na resolução de problemas globais.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3645023 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Observe o emprego da crase nos fragmentos A e B, extraídos do Texto I, e analise as assertivas que seguem.

A: “No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo” (1º§).
B: “Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã” (4º§).

I- Os empregos das crases nos fragmentos A e B se justificam pela mesma regra.
II- O acento indicativo da crase no fragmento Ase justifica em razão da presença da preposição exigida pelo verbo “ir” e da presença do artigo que facultativamente antecede o pronome possessivo.
III- O acento indicativo da crase no fragmento B se justifica em razão de ser um adjunto adverbial feminino.
IV- Não se admite artigo antes de pronome possessivo “sua”, razão pela qual o acento grave foi empregado indevidamente no fragmento A.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645022 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Sobre o Texto I, marque a alternativa que indica o momento que a narradora-personagem recebe o livro.
Alternativas
Q3645021 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Analise as afirmações que seguem, com base no fragmento do Texto I: “Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa” (1º§).

I- A expressão “e sim” assume valor semântico de contraste.
II- A expressão “e sim” assume valor semântico de adição.
III- A expressão “e sim” foi empregada para introduzir uma ideia que apresenta uma informação diferente da informação mencionada anteriormente.
IV- A expressão “e sim” foi empregada para introduzir uma ideia que reforça a informação mencionada anteriormente.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3645020 Português
Leia o Texto I e responda à questão:


Texto I


Felicidade clandestina - Clarice Lispector


    [...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

    Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

    E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! [...]

    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Fonte: LISPECTOR, Clarisse. Felicidade clandestina. In: O Primeiro Beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. [adaptado].
Analise as assertivas que seguem, com base no fragmento do Texto I: “Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho” (1º§).

I- A palavra “que” introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
II- A palavra “que” introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva.
III- O termo “que” é classificado como conjunção integrante.
IV- O pronome “ela” funciona como complemento do verbo “escolhera”.
V- O pronome “ela” está funcionando sintaticamente como sujeito.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Respostas
41061: E
41062: C
41063: A
41064: D
41065: A
41066: E
41067: B
41068: B
41069: B
41070: D
41071: B
41072: E
41073: D
41074: C
41075: E
41076: B
41077: D
41078: D
41079: E
41080: E