Questões de Concurso Sobre português
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I. Luciana teve uma ideia: fazer um bolo.
II. Eu avisei para ele pendurar, os casacos no gancho.
III. Samuel viajou para a praia.
Assinale a alternativa correta:
“Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso”.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Na frase do personagem de chapéu "O senhor tá ótimo!", qual é o nome do sinal de pontuação usado no final da frase.




A história é a matéria-prima para as __________ nacionalistas ou étnicas ou fundamentalistas, tal como as papoulas são a matéria-prima para o vício da heroína. O passado é um elemento essencial, talvez o elemento essencial nessas ideologias. Se não há nenhum __________ satisfatório, sempre é possível inventá-lo. De fato, na natureza das coisas não costuma haver nenhum passado completamente __________, porque o fenômeno que essas ideologias pretendem justificar não é antigo ou eterno mas historicamente novo.
“Pois esse colega foi convidado, outro dia, _______ ver uma coisa bela. Que estivesse pela manhã bem cedo junto _______ edifício Brasília (o último da avenida Rio Branco, perto do Obelisco) para assistir _______ coleta de lixo. Foi. Viu chegar o caminhão 8-100 da Limpeza Urbana, e saltarem os ajudantes, que se puseram _______ carregar e despejar _______ latas de lixo. Enquanto isso, que fazia o motorista? O mesmo de toda manhã. Pegava um espanador e um pedaço de flanela, e fazia o seu carro ficar rebrilhando de limpeza.”
(BRAGA, Rubem. O motorista do 8-100. Manchete. Rio de Janeiro, 17 jul 1954. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13088/omotorista-do-8-100.)