Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3795992 Português

No trecho: “Ela chegou cedo para a reunião e trouxe os documentos.”, o termo “os”:

Alternativas
Q3795991 Português

A respeito dos sinônimos e antônimos na língua portuguesa, analise as afirmativas a seguir:



I. A palavra “corajoso” pode ser considerada sinônimo de “valente”, pois ambas representam alguém que enfrenta o medo.


II. O termo “humilde” pode ser tomado como antônimo de “arrogante”, já que expressam sentidos contrários.


III. Os vocábulos “pequeno” e “minúsculo” têm significados opostos, por isso não podem ser usados como sinônimos.


IV. A palavra “claro” pode ser vista como sinônimo de “escuro”, pois ambas se referem à intensidade da luz.



Assinale a alternativa que indica quais afirmativas são verdadeiras.

Alternativas
Q3795990 Português

Considere o seguinte trecho retirado da música Evidências: “Eu te quero mais que tudo”. Assinale a alternativa que apresenta a correta classificação gramatical da palavra destacada.

Alternativas
Q3795989 Português

Leia a letra da música a seguir para responder à questão.



Evidências


Chitãozinho & Xororó




Quando eu digo que deixei de te amar

É porque eu te amo

Quando eu digo que não quero mais você

É porque eu te quero

Eu tenho medo de te dar meu coração

E confessar que eu estou em tuas mãos

Mas não posso imaginar

O que vai ser de mim

Se eu te perder um dia



Eu me afasto e me defendo de você

Mas depois me entrego

Faço tipo, falo coisas que eu não sou

Mas depois eu nego

Mas a verdade

É que eu sou louco por você

E tenho medo de pensar em te perder

Eu preciso aceitar que não dá mais

Pra separar as nossas vidas



E nessa loucura de dizer que não te quero

Vou negando as aparências

Disfarçando as evidências

Mas pra que viver fingindo

Se eu não posso enganar meu coração?

Eu sei que te amo!



Chega de mentiras

De negar o meu desejo

Eu te quero mais que tudo 

Eu preciso do seu beijo

Eu entrego a minha vida

Pra você fazer o que quiser de mim

Só quero ouvir você dizer que sim!



Diz que é verdade, que tem saudade

Que ainda você pensa muito em mim

Diz que é verdade, que tem saudade

Que ainda você quer viver pra mim




Disponível em:  <https://www.letras.mus.br/chitaozinho-exororo/768469/>

No trecho: “Quando eu digo que deixei de te amar/ É porque eu te amo”, os termos destacados são classificados gramaticalmente como: 

Alternativas
Q3795988 Português

Leia a letra da música a seguir para responder à questão.



Evidências


Chitãozinho & Xororó




Quando eu digo que deixei de te amar

É porque eu te amo

Quando eu digo que não quero mais você

É porque eu te quero

Eu tenho medo de te dar meu coração

E confessar que eu estou em tuas mãos

Mas não posso imaginar

O que vai ser de mim

Se eu te perder um dia



Eu me afasto e me defendo de você

Mas depois me entrego

Faço tipo, falo coisas que eu não sou

Mas depois eu nego

Mas a verdade

É que eu sou louco por você

E tenho medo de pensar em te perder

Eu preciso aceitar que não dá mais

Pra separar as nossas vidas



E nessa loucura de dizer que não te quero

Vou negando as aparências

Disfarçando as evidências

Mas pra que viver fingindo

Se eu não posso enganar meu coração?

Eu sei que te amo!



Chega de mentiras

De negar o meu desejo

Eu te quero mais que tudo 

Eu preciso do seu beijo

Eu entrego a minha vida

Pra você fazer o que quiser de mim

Só quero ouvir você dizer que sim!



Diz que é verdade, que tem saudade

Que ainda você pensa muito em mim

Diz que é verdade, que tem saudade

Que ainda você quer viver pra mim




Disponível em:  <https://www.letras.mus.br/chitaozinho-exororo/768469/>

Na música Evidências da dupla Chitãozinho e Xororó, o eu lírico tenta não se entregar a seus próprios sentimentos até certo momento. Qual trecho da música, nas alternativas a seguir, confirma essa interpretação? Assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q3795966 Português
Assinale a alternativa que preenche CORRETAMENTE o espaço do texto abaixo.
“A ............................ ocorre quando um trecho, uma sentença ou uma expressão linguística apresentam mais de um entendimento possível, gerando problemas de interpretação no enunciado e dificuldades de comunicação. A ambiguidade é um problema muito comum e presente em diversas construções textuais e orais, estando muitas vezes relacionada à escolha do léxico e à sintaxe.”
Disponível em: https://www.portugues.com.br (com adaptações) 
Alternativas
Q3795965 Português
“O professor de Português tem função primordial e colaborativa na ampliação das potencialidades comunicativas dos alunos, é necessário que este educador se empenhe no processo de mudança, investindo em verdadeiras práticas políticas e planejamento para que estes sejam ferramentas colaborativas no exercício consciente e pleno da verdadeira cidadania. O professor deve ter iniciativa para que a aprendizagem se concretize verdadeiramente. Adotar uma atividade pedagógica que implique nas mudanças de atitudes, na reflexão da situação real, tanto do aluno quanto de sua posição social, já é um grande passo para a formação integral do mesmo. Segundo o PCN (1998) de Língua Portuguesa o ensino do Português deve pautar-se em um ensino crítico, em que o professor possa abordar com liberdade as variantes linguísticas e dessa forma, o aluno possa adquirir a competência linguística, no qual defenderá seu ponto de vista, e apresentará críticas, além de compartilhar seus conhecimentos no meio social onde vive.”
Disponível em: https://edoc.ufam.edu.br (adaptado)
Sobre o texto, acima, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3795964 Português
“Ao refletirmos sobre a função do professor na atualidade, deparamo-nos com a dificuldade de combinar diferentes fatores que dizem respeito à formação humana. Há vários desafios, dentro e fora da sala de aula, que dificultam o trabalho docente, além da constante transformação de diversos campos da sociedade; por meio da tecnologia, as informações são disseminadas com extrema rapidez e em grandes proporções. Em vários aspectos, esses desafios e transformações, que também incluem valores e condutas, têm ocasionado a desvalorização do profissional da educação pela sociedade.”
Disponível em: https://educacaopublica.cecier j.edu.br (adaptado)
A respeito do texto acima, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3795963 Português
“Provavelmente, uma das maiores dificuldades compartilhadas pelos professores e profissionais da educação em geral, é a de que os estudantes não conseguem decodificar bem um texto, ou seja, não conseguem interpretá-lo corretamente. E esse desafio passa pela leitura. Não só pela possibilidade de saber o que está escrito, mas pelo hábito de ler, de identificar o que está sendo lido e o que aquilo quer dizer. Mesmo com diferentes objetivos, seja por prazer, para se informar ou memorizar um conteúdo, a prática da leitura é essencial para ampliar o vocabulário, melhorar a escrita, fortalecer o raciocínio e principalmente desenvolver a habilidade para interpretação de texto. Independentemente do formato utilizado, seja físico ou impresso, o incentivo à prática é essencial para a formação de cidadãos mais críticos e mais conhecedores.”
Disponível em: https://www.educamaisbrasil.com.br (adaptado)
Leia o texto e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3795962 Português
“A língua culta, aquela que obedece às regras da gramática normativa, é uma variedade linguística. No entanto, essa variedade é prestigiada, considerada por alguns como superior a outras variedades. Mas a linguística, que é uma ciência, não considera nenhuma variedade superior ou inferior, todas têm o seu valor. Assim, o preconceito linguístico está associado ao desprezo por variedades linguísticas distintas da variedade padrão. Desse modo, alguém que utilize a língua padrão (comumente associada a pessoas de classe alta) não sofre preconceito linguístico. Tal preconceito é direcionado a falantes de variedades linguísticas de menos prestígio.”
Disponível em: https://www.portugues.com.br (adaptado)
Com fragmentos extraídos do texto acima, assinale a alternativa em que os termos sublinhados estabelecem uma relação de regência nominal. 
Alternativas
Q3795961 Português
Língua
Esta língua é como um elástico que espicharam pelo mundo. No início era tensa, de tão clássica. Com o tempo, se foi amaciando, foi-se tornando romântica, incorporando os termos nativos e amolecendo nas folhas de bananeira as expressões mais sisudas. Um elástico que já não se pode mais trocar, de tão gasto; nem se arrebenta mais, de tão forte. Um elástico assim como é a vida que nunca volta ao ponto de partida.
Gilberto Mendonça Teles
De acordo com a leitura do poema acima, pode-se afirmar que o poeta:
Alternativas
Q3795960 Português
“Somos donos dos nossos atos mas não donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos mas não pelo que sentimos. Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos. Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em voo.”
Rubem Alves
Nos dois últimos versos do texto acima, o autor fez uso de uma associação subjetiva de ideias. Com essa afirmativa, caracteriza-se uma figura de linguagem denominada:
Alternativas
Q3795959 Português
“A Academia Brasileira de Letras apresenta palavras ou expressões que passaram a ter uso corrente na língua portuguesa, podendo ser neologismos, empréstimos linguísticos ou mesmo vocábulos que, apesar de já existirem há algum tempo na língua, têm sido usados com mais frequência ou com um novo sentido nos dias de hoje. A criação, o uso e a difusão de uma nova palavra ou expressão vêm da necessidade que temos de nomear algo que faz parte da nossa realidade ou que nossa inteligência e percepção foram capazes de identificar com mais intensidade. Conhecer o significado de novas palavras enriquece nosso vocabulário e nos faz mergulhar na atmosfera intelectual em que vivemos. Mais do que isso, contribui para o pleno desenvolvimento de nossa capacidade de comunicação, amplia a compreensão que temos do mundo e nos torna aptos a identificar problemas, buscar soluções e sermos agentes de mudança em prol de uma sociedade mais humana, ética e justa.”
Disponível em: https://www.academia.org.br
Com base no texto acima, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3795897 Português
No processo de análise gramatical de textos administrativos e institucionais, a correta identificação e classificação dos pronomes pessoais, demonstrativos e possessivos é fundamental para a compreensão das relações sintáticas e semânticas estabelecidas no enunciado. Considerando as frases a seguir, assinale a alternativa em que o pronome destacado está corretamente classificado, de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.  
Alternativas
Q3795896 Português
No uso da norma-padrão da Língua Portuguesa, os substantivos coletivos designam, no singular, conjuntos de seres ou objetos da mesma espécie. Considerando os exemplos a seguir, assinale a alternativa INCORRETA quanto à relação entre o coletivo e os elementos que ele designa. 
Alternativas
Q3795895 Português

Em um registro de evolução clínica, o profissional escreveu o seguinte trecho:


"O paciente apresentou piora leve no quadro respiratório e respondeu rapidamente ao tratamento prescrito."


Com base nas classes de palavras, assinale a alternativa em que todos os termos destacados estão corretamente classificados. 



Alternativas
Q3795894 Português
No contexto da linguagem utilizada em documentos e orientações da área da saúde, assinale a alternativa em que ambos os pares de palavras estão corretamente classificados como sinônimos ou antônimos.  
Alternativas
Q3795893 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo. 



Ricos demais



    Ela tinha uma expressão preocupada, mostrando-se distante. Depois de quase meia hora e na certeza de que o assunto ficaria entre nós, confessou-me sentir-se bastante preocupada com o marido. Pouco dormia e apresentava crises constantes de ansiedade. Passava o dia somando valores e consultando seu advogado. Pensou estar com problemas financeiros, tentando se reorganizar, pois sua mente era um caos. Para minha surpresa, era exatamente o contrário. Ele tinha excesso de dinheiro, veja só. O problema é que passava as horas livres administrando quase uma centena de imóveis de sua propriedade, além de aplicações na bolsa. Esse era o seu dilema: via ao redor pessoas tentando enganá-lo e não descuidava um minuto do patrimônio. Além disso, buscava outras aquisições, e escolher as melhores consumia parte significativa do tempo. É, enfim, alguém que só conseguiu acumular escrituras e dinheiro. As relações familiares e as amizades nunca foram prioritárias. Agora, aos 82 anos de idade, encontra-se perdido.



    A escritora Marina Colassanti disse, em uma entrevista, ser importante ponderar acerca de um dos maiores mitos sobre a velhice: acreditar que venha sempre acompanhada da sabedoria. Na maioria das vezes, só representa o desgaste do corpo e a proximidade da morte. Se nos descuidarmos, atravessaremos a existência como um mero organismo biológico, nada mais. A natureza cria e descarta, eis tudo. Refletindo sobre o relato acima, dei-me conta do quanto podemos nos desviar dos grandes propósitos. A cobiça se alimenta de si mesma. E, pior, quem a nutre ao longo dos anos, mal percebe as coisas boas acontecendo no entorno. Atenção: não estou fazendo a apologia da pobreza. Ter dinheiro é muito bom. Escasso, nos leva a uma situação de carência, traduzida em dificuldades de toda ordem. Eu nem me importaria de, por exemplo, ter dúvidas de como e onde gastá-lo. O problema surge quando nos desviamos do foco principal, que é o seu usufruto pleno. Somar é bom, porém, precisa ter o mesmo valor de dividir. Caso contrário, nos candidataremos a repetir o modelo acima. 



    Se você já leu o livro Coisa de Rico, do escritor Michel Alcoforado, sabe a que me refiro. O excesso nos leva a ignorar a noção de realidade, extrapolando o bom senso e nos tornando vulneráveis às pequenas perdas. Como somos criaturas desejantes, a privação também pode causar sérios problemas. Sem contar, claro, que parece melhor resolver os dramas de qualquer ordem ancorados no conforto e na ausência de preocupações financeiras. Soaria bem simpático dizer o contrário, mas os exemplos o desmentem. Enfim, surpreendo-me recordando este homem afogado em números e tão distraído a ponto de não perceber que em breve nossos pertencimentos serão entregues a outros. 



    O pobre senhor tão aflito deixou de aprender a lição proposta pelo filósofo Michel Onfray: “Sair por aí, desenfreadamente, usando a vida até furar a sola.” 


Autor: Gilmar Marcílio - GZH (adaptado). 


Considerando a classificação gramatical de palavras do texto, em seus contextos de ocorrência, analise as assertivas:  


I. Em “o seu usufruto pleno”, o termo “usufruto” pertence à classe dos substantivos, funcionando como núcleo de um sintagma nominal que expressa ideia abstrata.


II. Em “A cobiça se alimenta de si mesma”, o termo “si” é classificado como pronome reflexivo, retomando o próprio sujeito da oração.


Das assertivas, pode-se afirmar que:


Alternativas
Q3795892 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo. 



Ricos demais



    Ela tinha uma expressão preocupada, mostrando-se distante. Depois de quase meia hora e na certeza de que o assunto ficaria entre nós, confessou-me sentir-se bastante preocupada com o marido. Pouco dormia e apresentava crises constantes de ansiedade. Passava o dia somando valores e consultando seu advogado. Pensou estar com problemas financeiros, tentando se reorganizar, pois sua mente era um caos. Para minha surpresa, era exatamente o contrário. Ele tinha excesso de dinheiro, veja só. O problema é que passava as horas livres administrando quase uma centena de imóveis de sua propriedade, além de aplicações na bolsa. Esse era o seu dilema: via ao redor pessoas tentando enganá-lo e não descuidava um minuto do patrimônio. Além disso, buscava outras aquisições, e escolher as melhores consumia parte significativa do tempo. É, enfim, alguém que só conseguiu acumular escrituras e dinheiro. As relações familiares e as amizades nunca foram prioritárias. Agora, aos 82 anos de idade, encontra-se perdido.



    A escritora Marina Colassanti disse, em uma entrevista, ser importante ponderar acerca de um dos maiores mitos sobre a velhice: acreditar que venha sempre acompanhada da sabedoria. Na maioria das vezes, só representa o desgaste do corpo e a proximidade da morte. Se nos descuidarmos, atravessaremos a existência como um mero organismo biológico, nada mais. A natureza cria e descarta, eis tudo. Refletindo sobre o relato acima, dei-me conta do quanto podemos nos desviar dos grandes propósitos. A cobiça se alimenta de si mesma. E, pior, quem a nutre ao longo dos anos, mal percebe as coisas boas acontecendo no entorno. Atenção: não estou fazendo a apologia da pobreza. Ter dinheiro é muito bom. Escasso, nos leva a uma situação de carência, traduzida em dificuldades de toda ordem. Eu nem me importaria de, por exemplo, ter dúvidas de como e onde gastá-lo. O problema surge quando nos desviamos do foco principal, que é o seu usufruto pleno. Somar é bom, porém, precisa ter o mesmo valor de dividir. Caso contrário, nos candidataremos a repetir o modelo acima. 



    Se você já leu o livro Coisa de Rico, do escritor Michel Alcoforado, sabe a que me refiro. O excesso nos leva a ignorar a noção de realidade, extrapolando o bom senso e nos tornando vulneráveis às pequenas perdas. Como somos criaturas desejantes, a privação também pode causar sérios problemas. Sem contar, claro, que parece melhor resolver os dramas de qualquer ordem ancorados no conforto e na ausência de preocupações financeiras. Soaria bem simpático dizer o contrário, mas os exemplos o desmentem. Enfim, surpreendo-me recordando este homem afogado em números e tão distraído a ponto de não perceber que em breve nossos pertencimentos serão entregues a outros. 



    O pobre senhor tão aflito deixou de aprender a lição proposta pelo filósofo Michel Onfray: “Sair por aí, desenfreadamente, usando a vida até furar a sola.” 


Autor: Gilmar Marcílio - GZH (adaptado). 


Ao longo do texto, imagens como “afogado em números”, “desviar dos grandes propósitos” e “usar a vida até furar a sola” intensificam a crítica do autor a um modo de existência fragmentado e desorientado. Essas expressões atuam como recursos que ampliam a dimensão simbólica do argumento, aproximando o leitor de uma reflexão ético-existencial sobre limites, escolhas e vulnerabilidades. Considerando esses efeitos, assinale a alternativa que melhor interpreta o valor figurativo dessas imagens no conjunto do texto. 
Alternativas
Q3795891 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo. 



Ricos demais



    Ela tinha uma expressão preocupada, mostrando-se distante. Depois de quase meia hora e na certeza de que o assunto ficaria entre nós, confessou-me sentir-se bastante preocupada com o marido. Pouco dormia e apresentava crises constantes de ansiedade. Passava o dia somando valores e consultando seu advogado. Pensou estar com problemas financeiros, tentando se reorganizar, pois sua mente era um caos. Para minha surpresa, era exatamente o contrário. Ele tinha excesso de dinheiro, veja só. O problema é que passava as horas livres administrando quase uma centena de imóveis de sua propriedade, além de aplicações na bolsa. Esse era o seu dilema: via ao redor pessoas tentando enganá-lo e não descuidava um minuto do patrimônio. Além disso, buscava outras aquisições, e escolher as melhores consumia parte significativa do tempo. É, enfim, alguém que só conseguiu acumular escrituras e dinheiro. As relações familiares e as amizades nunca foram prioritárias. Agora, aos 82 anos de idade, encontra-se perdido.



    A escritora Marina Colassanti disse, em uma entrevista, ser importante ponderar acerca de um dos maiores mitos sobre a velhice: acreditar que venha sempre acompanhada da sabedoria. Na maioria das vezes, só representa o desgaste do corpo e a proximidade da morte. Se nos descuidarmos, atravessaremos a existência como um mero organismo biológico, nada mais. A natureza cria e descarta, eis tudo. Refletindo sobre o relato acima, dei-me conta do quanto podemos nos desviar dos grandes propósitos. A cobiça se alimenta de si mesma. E, pior, quem a nutre ao longo dos anos, mal percebe as coisas boas acontecendo no entorno. Atenção: não estou fazendo a apologia da pobreza. Ter dinheiro é muito bom. Escasso, nos leva a uma situação de carência, traduzida em dificuldades de toda ordem. Eu nem me importaria de, por exemplo, ter dúvidas de como e onde gastá-lo. O problema surge quando nos desviamos do foco principal, que é o seu usufruto pleno. Somar é bom, porém, precisa ter o mesmo valor de dividir. Caso contrário, nos candidataremos a repetir o modelo acima. 



    Se você já leu o livro Coisa de Rico, do escritor Michel Alcoforado, sabe a que me refiro. O excesso nos leva a ignorar a noção de realidade, extrapolando o bom senso e nos tornando vulneráveis às pequenas perdas. Como somos criaturas desejantes, a privação também pode causar sérios problemas. Sem contar, claro, que parece melhor resolver os dramas de qualquer ordem ancorados no conforto e na ausência de preocupações financeiras. Soaria bem simpático dizer o contrário, mas os exemplos o desmentem. Enfim, surpreendo-me recordando este homem afogado em números e tão distraído a ponto de não perceber que em breve nossos pertencimentos serão entregues a outros. 



    O pobre senhor tão aflito deixou de aprender a lição proposta pelo filósofo Michel Onfray: “Sair por aí, desenfreadamente, usando a vida até furar a sola.” 


Autor: Gilmar Marcílio - GZH (adaptado). 


No trecho “Somar é bom, porém, precisa ter o mesmo valor de dividir”, o conectivo “porém” atua como elemento articulador do enunciado, introduzindo uma relação que modifica a orientação argumentativa e reorganiza o sentido da frase. Considerando o valor discursivo dessa conjunção no contexto do texto, assinale a alternativa que identifica corretamente a circunstância expressa por esse termo. 
Alternativas
Respostas
18741: B
18742: A
18743: C
18744: E
18745: A
18746: A
18747: E
18748: C
18749: D
18750: B
18751: D
18752: E
18753: B
18754: B
18755: D
18756: B
18757: D
18758: C
18759: D
18760: C