Questões de Concurso Comentadas sobre português

Questões Discursivas

Foram encontradas 196.592 questões

Q3387598 Português
Como aumentar vida útil das roupas: 'Se jogamos fora só porque zíper quebrou, precisamos repensar'


    "Passei anos vasculhando lojas de roupa de segunda mão e vi centenas de peças perfeitas abandonadas por causa de um zíper quebrado", conta a italiana Orsola de Castro. "Afinal, por que gastar tempo e dinheiro consertando um zíper quebrado quando é mais rápido, mais barato e infinitamente mais divertido comprar uma roupa nova com zíper funcionando?", acrescenta.

       Em seu livro Loved Clothes Last (Roupas amadas duram, em tradução livre), publicado em 2021, a fundadora da campanha mundial Fashion Revolution fez um apelo apaixonado. "Se jogamos fora uma roupa só porque o zíper quebrou, precisamos repensar o que estamos fazendo. O que aconteceria se decidíssemos substitui-la?", questionou.

       É cada vez mais difícil ignorar o dano social e ambiental causado pela fabricação de roupas. As taxas de consumo de recursos naturais são estratosféricas, sem mencionar os níveis de contaminação e desperdício e as cadeias de suprimentos, que são marcadas pela exploração. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o setor é responsável por 2% a 8% do total de emissões globais de gases de efeito estufa e utiliza 215 bilhões de litros de água por ano, o que é equivalente a 86 milhões de piscinas olímpicas.

     Além disso, os resíduos têxteis chegam a 92 milhões de toneladas por ano. Isso equivale a um caminhão de lixo cheio de roupas incineradas ou enviadas a aterros sanitários a cada segundo. Os números da indústria de vestuário são impressionantes, considerando que, de certa forma, este é um setor de produtos não essenciais.

     Poucas pessoas no mundo realmente precisam de mais roupas. Ainda assim, entre 80 e 100 bilhões de peças são produzidas por ano, em uma estimativa conservadora. A indústria de moda tem tentado enfrentar esses impactos por meio de iniciativas e pesquisas que incluem projetos para aumentar a eficiência energética nas cadeias de suprimento, utilização de materiais renováveis, investimento em inovação de materiais para evitar os sintéticos, e iniciativas de justiça social e de combate à crueldade contra os animais.

    Mas ainda que esses esforços tenham boas intenções, essa é uma indústria que tem um impacto ambiental enorme. Basta dizer que a maioria dessas quase 100 bilhões de peças acaba sendo incinerada ou jogada em aterros sanitários após pouquíssimo uso. Por isso, cada vez mais ativistas argumentam que uma das maneiras mais fáceis de reduzir o impacto da indústria de moda é comprando menos.

    Segundo o grupo ativista britânico Take the Jump, o segredo está em comprar apenas três peças novas por ano e fazer com que nossas roupas durem mais. Para uma geração de consumidores alimentados por desejos construídos artificialmente e gratificações instantâneas, esse pode ser um objetivo difícil de imaginar, mas os números são irrefutáveis.

    Uma pesquisa realizada pela organização ambientalista britânica Wrap indica que prolongar a vida útil de uma peça de roupa em apenas nove meses poder reduzir o impacto ambiental em até 10%. Imagine o que poderíamos conseguir ao longo de décadas. Os fatores que contribuem para isso incluem a compra de roupas de boa qualidade, a disposição das pessoas em usar a mesma peça muitas vezes e sua capacidade de cuidar bem dela.

    Pode parecer fácil, mas se fosse, já estaríamos fazendo isso. É claro que, neste momento, os riscos parecem grandes demais para simplesmente ignorarmos. Já se passou pouco mais de uma geração desde que perdemos essa cultura de cuidado com as roupas.

   Enquanto a vida dos nossos avós era baseada em economia e consertos, a maioria dos consumidores hoje se acostumou com o sistema de usar, estragar e jogar fora. As roupas que Castro mencionou ter visto nos brechós — em perfeito estado, mas com zíperes quebrados — são resultado de uma profunda falta de conexão com a forma como as roupas são feitas.

    Hoje é mais importante do que nunca se perguntar porque tanta roupa está sendo feita com materiais derivados do petróleo. Temos que nos perguntar se a viscose (fibra artificial feita a partir da celulose) daquela camisa foi feita a partir da exploração de florestas antigas, se há pele de animal naquele pompom ou por que apenas uma pequena fração dos trabalhadores da indústria têxtil recebe salários dignos.

    E também nos perguntar se queremos seguir causando destruição. O subtítulo do livro de Castro é "como a alegria de remendar e vestir pode ser um ato revolucionário". E é um fato: precisamos de uma revolução.


Fonte: Vida útil das roupas: 'Se jogamos fora porque zíper quebrou, precisamos repensar' - BBC News Brasil
Assinale a alternativa cuja palavra seja acentuada pela mesma regra que justifica a acentuação da palavra difícil
Alternativas
Q3387597 Português
Como aumentar vida útil das roupas: 'Se jogamos fora só porque zíper quebrou, precisamos repensar'


    "Passei anos vasculhando lojas de roupa de segunda mão e vi centenas de peças perfeitas abandonadas por causa de um zíper quebrado", conta a italiana Orsola de Castro. "Afinal, por que gastar tempo e dinheiro consertando um zíper quebrado quando é mais rápido, mais barato e infinitamente mais divertido comprar uma roupa nova com zíper funcionando?", acrescenta.

       Em seu livro Loved Clothes Last (Roupas amadas duram, em tradução livre), publicado em 2021, a fundadora da campanha mundial Fashion Revolution fez um apelo apaixonado. "Se jogamos fora uma roupa só porque o zíper quebrou, precisamos repensar o que estamos fazendo. O que aconteceria se decidíssemos substitui-la?", questionou.

       É cada vez mais difícil ignorar o dano social e ambiental causado pela fabricação de roupas. As taxas de consumo de recursos naturais são estratosféricas, sem mencionar os níveis de contaminação e desperdício e as cadeias de suprimentos, que são marcadas pela exploração. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o setor é responsável por 2% a 8% do total de emissões globais de gases de efeito estufa e utiliza 215 bilhões de litros de água por ano, o que é equivalente a 86 milhões de piscinas olímpicas.

     Além disso, os resíduos têxteis chegam a 92 milhões de toneladas por ano. Isso equivale a um caminhão de lixo cheio de roupas incineradas ou enviadas a aterros sanitários a cada segundo. Os números da indústria de vestuário são impressionantes, considerando que, de certa forma, este é um setor de produtos não essenciais.

     Poucas pessoas no mundo realmente precisam de mais roupas. Ainda assim, entre 80 e 100 bilhões de peças são produzidas por ano, em uma estimativa conservadora. A indústria de moda tem tentado enfrentar esses impactos por meio de iniciativas e pesquisas que incluem projetos para aumentar a eficiência energética nas cadeias de suprimento, utilização de materiais renováveis, investimento em inovação de materiais para evitar os sintéticos, e iniciativas de justiça social e de combate à crueldade contra os animais.

    Mas ainda que esses esforços tenham boas intenções, essa é uma indústria que tem um impacto ambiental enorme. Basta dizer que a maioria dessas quase 100 bilhões de peças acaba sendo incinerada ou jogada em aterros sanitários após pouquíssimo uso. Por isso, cada vez mais ativistas argumentam que uma das maneiras mais fáceis de reduzir o impacto da indústria de moda é comprando menos.

    Segundo o grupo ativista britânico Take the Jump, o segredo está em comprar apenas três peças novas por ano e fazer com que nossas roupas durem mais. Para uma geração de consumidores alimentados por desejos construídos artificialmente e gratificações instantâneas, esse pode ser um objetivo difícil de imaginar, mas os números são irrefutáveis.

    Uma pesquisa realizada pela organização ambientalista britânica Wrap indica que prolongar a vida útil de uma peça de roupa em apenas nove meses poder reduzir o impacto ambiental em até 10%. Imagine o que poderíamos conseguir ao longo de décadas. Os fatores que contribuem para isso incluem a compra de roupas de boa qualidade, a disposição das pessoas em usar a mesma peça muitas vezes e sua capacidade de cuidar bem dela.

    Pode parecer fácil, mas se fosse, já estaríamos fazendo isso. É claro que, neste momento, os riscos parecem grandes demais para simplesmente ignorarmos. Já se passou pouco mais de uma geração desde que perdemos essa cultura de cuidado com as roupas.

   Enquanto a vida dos nossos avós era baseada em economia e consertos, a maioria dos consumidores hoje se acostumou com o sistema de usar, estragar e jogar fora. As roupas que Castro mencionou ter visto nos brechós — em perfeito estado, mas com zíperes quebrados — são resultado de uma profunda falta de conexão com a forma como as roupas são feitas.

    Hoje é mais importante do que nunca se perguntar porque tanta roupa está sendo feita com materiais derivados do petróleo. Temos que nos perguntar se a viscose (fibra artificial feita a partir da celulose) daquela camisa foi feita a partir da exploração de florestas antigas, se há pele de animal naquele pompom ou por que apenas uma pequena fração dos trabalhadores da indústria têxtil recebe salários dignos.

    E também nos perguntar se queremos seguir causando destruição. O subtítulo do livro de Castro é "como a alegria de remendar e vestir pode ser um ato revolucionário". E é um fato: precisamos de uma revolução.


Fonte: Vida útil das roupas: 'Se jogamos fora porque zíper quebrou, precisamos repensar' - BBC News Brasil
Assinale a alternativa cuja palavra NÃO apresente dígrafo: 
Alternativas
Q3387596 Português
Como aumentar vida útil das roupas: 'Se jogamos fora só porque zíper quebrou, precisamos repensar'


    "Passei anos vasculhando lojas de roupa de segunda mão e vi centenas de peças perfeitas abandonadas por causa de um zíper quebrado", conta a italiana Orsola de Castro. "Afinal, por que gastar tempo e dinheiro consertando um zíper quebrado quando é mais rápido, mais barato e infinitamente mais divertido comprar uma roupa nova com zíper funcionando?", acrescenta.

       Em seu livro Loved Clothes Last (Roupas amadas duram, em tradução livre), publicado em 2021, a fundadora da campanha mundial Fashion Revolution fez um apelo apaixonado. "Se jogamos fora uma roupa só porque o zíper quebrou, precisamos repensar o que estamos fazendo. O que aconteceria se decidíssemos substitui-la?", questionou.

       É cada vez mais difícil ignorar o dano social e ambiental causado pela fabricação de roupas. As taxas de consumo de recursos naturais são estratosféricas, sem mencionar os níveis de contaminação e desperdício e as cadeias de suprimentos, que são marcadas pela exploração. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o setor é responsável por 2% a 8% do total de emissões globais de gases de efeito estufa e utiliza 215 bilhões de litros de água por ano, o que é equivalente a 86 milhões de piscinas olímpicas.

     Além disso, os resíduos têxteis chegam a 92 milhões de toneladas por ano. Isso equivale a um caminhão de lixo cheio de roupas incineradas ou enviadas a aterros sanitários a cada segundo. Os números da indústria de vestuário são impressionantes, considerando que, de certa forma, este é um setor de produtos não essenciais.

     Poucas pessoas no mundo realmente precisam de mais roupas. Ainda assim, entre 80 e 100 bilhões de peças são produzidas por ano, em uma estimativa conservadora. A indústria de moda tem tentado enfrentar esses impactos por meio de iniciativas e pesquisas que incluem projetos para aumentar a eficiência energética nas cadeias de suprimento, utilização de materiais renováveis, investimento em inovação de materiais para evitar os sintéticos, e iniciativas de justiça social e de combate à crueldade contra os animais.

    Mas ainda que esses esforços tenham boas intenções, essa é uma indústria que tem um impacto ambiental enorme. Basta dizer que a maioria dessas quase 100 bilhões de peças acaba sendo incinerada ou jogada em aterros sanitários após pouquíssimo uso. Por isso, cada vez mais ativistas argumentam que uma das maneiras mais fáceis de reduzir o impacto da indústria de moda é comprando menos.

    Segundo o grupo ativista britânico Take the Jump, o segredo está em comprar apenas três peças novas por ano e fazer com que nossas roupas durem mais. Para uma geração de consumidores alimentados por desejos construídos artificialmente e gratificações instantâneas, esse pode ser um objetivo difícil de imaginar, mas os números são irrefutáveis.

    Uma pesquisa realizada pela organização ambientalista britânica Wrap indica que prolongar a vida útil de uma peça de roupa em apenas nove meses poder reduzir o impacto ambiental em até 10%. Imagine o que poderíamos conseguir ao longo de décadas. Os fatores que contribuem para isso incluem a compra de roupas de boa qualidade, a disposição das pessoas em usar a mesma peça muitas vezes e sua capacidade de cuidar bem dela.

    Pode parecer fácil, mas se fosse, já estaríamos fazendo isso. É claro que, neste momento, os riscos parecem grandes demais para simplesmente ignorarmos. Já se passou pouco mais de uma geração desde que perdemos essa cultura de cuidado com as roupas.

   Enquanto a vida dos nossos avós era baseada em economia e consertos, a maioria dos consumidores hoje se acostumou com o sistema de usar, estragar e jogar fora. As roupas que Castro mencionou ter visto nos brechós — em perfeito estado, mas com zíperes quebrados — são resultado de uma profunda falta de conexão com a forma como as roupas são feitas.

    Hoje é mais importante do que nunca se perguntar porque tanta roupa está sendo feita com materiais derivados do petróleo. Temos que nos perguntar se a viscose (fibra artificial feita a partir da celulose) daquela camisa foi feita a partir da exploração de florestas antigas, se há pele de animal naquele pompom ou por que apenas uma pequena fração dos trabalhadores da indústria têxtil recebe salários dignos.

    E também nos perguntar se queremos seguir causando destruição. O subtítulo do livro de Castro é "como a alegria de remendar e vestir pode ser um ato revolucionário". E é um fato: precisamos de uma revolução.


Fonte: Vida útil das roupas: 'Se jogamos fora porque zíper quebrou, precisamos repensar' - BBC News Brasil
Assinale a alternativa que apresente termo que possa substituir os termos em destaque no período, mantendo as mesmas relações de sentido no texto: Além disso, os resíduos têxteis chegam a 92 milhões de toneladas por ano.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386962 Português

Todas as sociedades definem implicitamente uma legitimidade da dor que se antecipa a circunstâncias sociais, culturais ou físicas tidas como difíceis. Uma experiência acumulada do grupo leva seus membros a uma expectativa do sofrimento habitual imputável a esses fatos.

 

A intervenção cirúrgica ou dentária, as sequelas de ferimento etc. são precedidas pelo comentário experiente dos que já passaram pela mesma situação e se apressam em dar sua impressão ou seu conselho. O médico pode sugerir a intensidade da dor pela qual o paciente passará. Cada experiência, cada doença, cada lesão é associada a uma margem difusa de sofrimento. A sociedade indica simbolicamente os limites do licito e, fazendo isso, esforça-se por dissuadir dos possíveis excessos. A expressão individual da dor penetra no cerne de formas ritualizadas, alimentando a expectativa de suas testemunhas.

 

Quando um sofrimento exibido parece desproporcional em relação à causa e ultrapassa o limite tradicional, desconfia-se de complacência ou de fingimento. A reputação do ator está então em jogo. Nos casos em que é obrigatório aguentar o sofrimento com firmeza, o homem oprimido pela dor e que não corresponde à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas, expõe-se à reprovação muda ou à exortação para que se comporte melhor. Essa discrepância em relação à discrição habitual provoca atitudes opostas àquelas desejadas pelo doente: a compaixão dá lugar ao constrangimento ou à incompreensão.

 

Inversamente, quando a ritualização da dor pede a dramatização, compreende-se mal quem interioriza seu sofrimento e não diz nada a ninguém. Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença à cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor. Impenetrável apesar da dor que se supõe estar sentindo, o doente parece afirmar a insignificância daqueles que se apinham ao seu lado. Sua aparente capacidade para assumir sozinho e em silêncio sua provação frustra a família, que não espera senão a queixa para prodigalizar consolo e apoio.

 

A dor tem ritos que não são transgredidos sem o risco de indispor ou de ofender as pessoas de boa vontade. Mesmo no horror do que está sentindo, o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam.

 

(Adaptado de: LE BRETON, David. Antropologia da Dor. São Paulo: Fap-Unifesp, 2013, p. 110-111)

Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença a cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor.

 

Uma redação alternativa para a frase acima, que mantém a coerência e, em linhas gerais, seu sentido, encontra-se em:

Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386961 Português

Todas as sociedades definem implicitamente uma legitimidade da dor que se antecipa a circunstâncias sociais, culturais ou físicas tidas como difíceis. Uma experiência acumulada do grupo leva seus membros a uma expectativa do sofrimento habitual imputável a esses fatos.

 

A intervenção cirúrgica ou dentária, as sequelas de ferimento etc. são precedidas pelo comentário experiente dos que já passaram pela mesma situação e se apressam em dar sua impressão ou seu conselho. O médico pode sugerir a intensidade da dor pela qual o paciente passará. Cada experiência, cada doença, cada lesão é associada a uma margem difusa de sofrimento. A sociedade indica simbolicamente os limites do licito e, fazendo isso, esforça-se por dissuadir dos possíveis excessos. A expressão individual da dor penetra no cerne de formas ritualizadas, alimentando a expectativa de suas testemunhas.

 

Quando um sofrimento exibido parece desproporcional em relação à causa e ultrapassa o limite tradicional, desconfia-se de complacência ou de fingimento. A reputação do ator está então em jogo. Nos casos em que é obrigatório aguentar o sofrimento com firmeza, o homem oprimido pela dor e que não corresponde à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas, expõe-se à reprovação muda ou à exortação para que se comporte melhor. Essa discrepância em relação à discrição habitual provoca atitudes opostas àquelas desejadas pelo doente: a compaixão dá lugar ao constrangimento ou à incompreensão.

 

Inversamente, quando a ritualização da dor pede a dramatização, compreende-se mal quem interioriza seu sofrimento e não diz nada a ninguém. Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença à cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor. Impenetrável apesar da dor que se supõe estar sentindo, o doente parece afirmar a insignificância daqueles que se apinham ao seu lado. Sua aparente capacidade para assumir sozinho e em silêncio sua provação frustra a família, que não espera senão a queixa para prodigalizar consolo e apoio.

 

A dor tem ritos que não são transgredidos sem o risco de indispor ou de ofender as pessoas de boa vontade. Mesmo no horror do que está sentindo, o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam.

 

(Adaptado de: LE BRETON, David. Antropologia da Dor. São Paulo: Fap-Unifesp, 2013, p. 110-111)

... alimentando a expectativa de suas testemunhas.

... à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas ... 

Impenetrável apesar da dor que se supõe ...

 

Os termos sublinhados acima referem-se no contexto, respectivamente, a:

Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386960 Português

Todas as sociedades definem implicitamente uma legitimidade da dor que se antecipa a circunstâncias sociais, culturais ou físicas tidas como difíceis. Uma experiência acumulada do grupo leva seus membros a uma expectativa do sofrimento habitual imputável a esses fatos.

 

A intervenção cirúrgica ou dentária, as sequelas de ferimento etc. são precedidas pelo comentário experiente dos que já passaram pela mesma situação e se apressam em dar sua impressão ou seu conselho. O médico pode sugerir a intensidade da dor pela qual o paciente passará. Cada experiência, cada doença, cada lesão é associada a uma margem difusa de sofrimento. A sociedade indica simbolicamente os limites do licito e, fazendo isso, esforça-se por dissuadir dos possíveis excessos. A expressão individual da dor penetra no cerne de formas ritualizadas, alimentando a expectativa de suas testemunhas.

 

Quando um sofrimento exibido parece desproporcional em relação à causa e ultrapassa o limite tradicional, desconfia-se de complacência ou de fingimento. A reputação do ator está então em jogo. Nos casos em que é obrigatório aguentar o sofrimento com firmeza, o homem oprimido pela dor e que não corresponde à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas, expõe-se à reprovação muda ou à exortação para que se comporte melhor. Essa discrepância em relação à discrição habitual provoca atitudes opostas àquelas desejadas pelo doente: a compaixão dá lugar ao constrangimento ou à incompreensão.

 

Inversamente, quando a ritualização da dor pede a dramatização, compreende-se mal quem interioriza seu sofrimento e não diz nada a ninguém. Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença à cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor. Impenetrável apesar da dor que se supõe estar sentindo, o doente parece afirmar a insignificância daqueles que se apinham ao seu lado. Sua aparente capacidade para assumir sozinho e em silêncio sua provação frustra a família, que não espera senão a queixa para prodigalizar consolo e apoio.

 

A dor tem ritos que não são transgredidos sem o risco de indispor ou de ofender as pessoas de boa vontade. Mesmo no horror do que está sentindo, o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam.

 

(Adaptado de: LE BRETON, David. Antropologia da Dor. São Paulo: Fap-Unifesp, 2013, p. 110-111)

Considere as seguintes afirmativas acerca da estruturação do texto.

 

I. O 2º parágrafo esclarece, mediante exemplos, a regra geral exposta na introdução do texto e, com a expressão "possíveis excessos", anuncia o assunto dos dois parágrafos seguintes.

 

II. Após apresentar a tese inicial e desenvolvê-la no 2º e 3º parágrafos, o termo "Inversamente", no 4º parágrafo, introduz uma perspectiva oposta, necessária para a objeção à tese inicial, presente no último parágrafo.

 

III. As hipóteses contrárias à ritualização da dor são retomadas, ao fim, pelo segmento de valor concessivo "Mesmo no horror do que está sentindo", mas refutadas pelo segmento seguinte "o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam".

 

Está correto o que consta de

Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386959 Português

Todas as sociedades definem implicitamente uma legitimidade da dor que se antecipa a circunstâncias sociais, culturais ou físicas tidas como difíceis. Uma experiência acumulada do grupo leva seus membros a uma expectativa do sofrimento habitual imputável a esses fatos.

 

A intervenção cirúrgica ou dentária, as sequelas de ferimento etc. são precedidas pelo comentário experiente dos que já passaram pela mesma situação e se apressam em dar sua impressão ou seu conselho. O médico pode sugerir a intensidade da dor pela qual o paciente passará. Cada experiência, cada doença, cada lesão é associada a uma margem difusa de sofrimento. A sociedade indica simbolicamente os limites do licito e, fazendo isso, esforça-se por dissuadir dos possíveis excessos. A expressão individual da dor penetra no cerne de formas ritualizadas, alimentando a expectativa de suas testemunhas.

 

Quando um sofrimento exibido parece desproporcional em relação à causa e ultrapassa o limite tradicional, desconfia-se de complacência ou de fingimento. A reputação do ator está então em jogo. Nos casos em que é obrigatório aguentar o sofrimento com firmeza, o homem oprimido pela dor e que não corresponde à expectativa dos outros através de sua propensão à queixa e às lágrimas, expõe-se à reprovação muda ou à exortação para que se comporte melhor. Essa discrepância em relação à discrição habitual provoca atitudes opostas àquelas desejadas pelo doente: a compaixão dá lugar ao constrangimento ou à incompreensão.

 

Inversamente, quando a ritualização da dor pede a dramatização, compreende-se mal quem interioriza seu sofrimento e não diz nada a ninguém. Se a queixa tem valor de linguagem que confirma aos próximos o beneficio de sua presença à cabeceira do doente, sua discrição parece negar a compaixão demonstrada em seu favor. Impenetrável apesar da dor que se supõe estar sentindo, o doente parece afirmar a insignificância daqueles que se apinham ao seu lado. Sua aparente capacidade para assumir sozinho e em silêncio sua provação frustra a família, que não espera senão a queixa para prodigalizar consolo e apoio.

 

A dor tem ritos que não são transgredidos sem o risco de indispor ou de ofender as pessoas de boa vontade. Mesmo no horror do que está sentindo, o homem sofredor segue o caminho que as tradições lhe traçam.

 

(Adaptado de: LE BRETON, David. Antropologia da Dor. São Paulo: Fap-Unifesp, 2013, p. 110-111)

De acordo com o texto,
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386958 Português

Considere o texto para responder a questão seguinte.

 

Os mitos existem para esconder a realidade. Por isso mesmo, eles revelam a realidade íntima de uma sociedade ou de uma civilização. Como se poderia, no Brasil colonial ou imperial, acreditar que a escravidão seria, aqui, por causa de nossa “índole cristã”, mais humana, suave e doce que em outros lugares? Ou, então, propagar-se, no ocaso do século XIX, no próprio país no qual o partido republicano preparava-se para trair simultaneamente a ideologia e a utopia republicanas, optando pelos interesses dos fazendeiros contra os escravos, que a ordem social nascente seria democrática? Por fim, como ficar indiferente ao drama humano intrínseco à Abolição, que largou a massa dos ex-escravos, dos libertos e dos ingênuos à própria sorte, como se eles fossem um simples bagaço do antigo sistema de produção?

 

Entretanto, a ideia da democracia racial não só se arraigou. Ela se tornou um mores, como dizem alguns sociólogos, algo intocável, a pedra de toque da “contribuição brasileira” ao progresso civilizatório da Humanidade.

 

Ora, a revolução social vinculada à desagregação da produção escravista e da ordem social correspondente não se fazia para toda a sociedade brasileira. Seus limites históricos eram fechados, embora seus dinamismos históricos fossem abertos e duráveis. Naqueles limites, não cabiam nem o escravo e o liberto, nem o “negro” ou o “branco pobre” como categorias sociais. Tratava-se de uma revolução das elites, pelas elites e para as elites; no plano racial, de uma revolução do BRANCO para o BRANCO, ainda que se tenha de entender essa noção em sentido etnológico e sociológico.

 

Colocando-se a ideia de democracia racial dentro desse vasto pano de fundo, ela expressa algo muito claro: um meio de evasão dos estratos dominantes de uma classe social de obrigações e responsabilidades intransferíveis e inarredáveis. Daí a necessidade do mito. A falsa consciência oculta a realidade e simplifica as coisas. Todo o complexo de privilégios, padrões de comportamento e “valores” de uma ordem social arcaica podia manter-se intacto, em proveito dos estratos dominantes da “raça branca”, embora em prejuízo fatal da Nação.

 

As elites e as classes privilegiadas não precisavam levar a revolução social à esfera das relações raciais, na qual a democracia germinaria espontaneamente... Cinismo? Não! A consciência social turva, obstinada e mesquinha dos egoísmos enraizados, que não se viam postos à prova (antes, se protegiam) contra as exigências cruéis de uma estratificação racial extremamente desigual.

 

(Adaptado de: FERNANDES, Florestan. "Um Mito Revelador", em Significado do Protesto Negro, São Paulo: Cortez/Editores Associados,
1989, p. 13-14)
Esta coerente e gramaticalmente correta a seguinte frase:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386957 Português

Considere o texto para responder a questão seguinte.

 

Os mitos existem para esconder a realidade. Por isso mesmo, eles revelam a realidade íntima de uma sociedade ou de uma civilização. Como se poderia, no Brasil colonial ou imperial, acreditar que a escravidão seria, aqui, por causa de nossa “índole cristã”, mais humana, suave e doce que em outros lugares? Ou, então, propagar-se, no ocaso do século XIX, no próprio país no qual o partido republicano preparava-se para trair simultaneamente a ideologia e a utopia republicanas, optando pelos interesses dos fazendeiros contra os escravos, que a ordem social nascente seria democrática? Por fim, como ficar indiferente ao drama humano intrínseco à Abolição, que largou a massa dos ex-escravos, dos libertos e dos ingênuos à própria sorte, como se eles fossem um simples bagaço do antigo sistema de produção?

 

Entretanto, a ideia da democracia racial não só se arraigou. Ela se tornou um mores, como dizem alguns sociólogos, algo intocável, a pedra de toque da “contribuição brasileira” ao progresso civilizatório da Humanidade.

 

Ora, a revolução social vinculada à desagregação da produção escravista e da ordem social correspondente não se fazia para toda a sociedade brasileira. Seus limites históricos eram fechados, embora seus dinamismos históricos fossem abertos e duráveis. Naqueles limites, não cabiam nem o escravo e o liberto, nem o “negro” ou o “branco pobre” como categorias sociais. Tratava-se de uma revolução das elites, pelas elites e para as elites; no plano racial, de uma revolução do BRANCO para o BRANCO, ainda que se tenha de entender essa noção em sentido etnológico e sociológico.

 

Colocando-se a ideia de democracia racial dentro desse vasto pano de fundo, ela expressa algo muito claro: um meio de evasão dos estratos dominantes de uma classe social de obrigações e responsabilidades intransferíveis e inarredáveis. Daí a necessidade do mito. A falsa consciência oculta a realidade e simplifica as coisas. Todo o complexo de privilégios, padrões de comportamento e “valores” de uma ordem social arcaica podia manter-se intacto, em proveito dos estratos dominantes da “raça branca”, embora em prejuízo fatal da Nação.

 

As elites e as classes privilegiadas não precisavam levar a revolução social à esfera das relações raciais, na qual a democracia germinaria espontaneamente... Cinismo? Não! A consciência social turva, obstinada e mesquinha dos egoísmos enraizados, que não se viam postos à prova (antes, se protegiam) contra as exigências cruéis de uma estratificação racial extremamente desigual.

 

(Adaptado de: FERNANDES, Florestan. "Um Mito Revelador", em Significado do Protesto Negro, São Paulo: Cortez/Editores Associados,
1989, p. 13-14)
Com as devidas alterações, o trecho Dai a necessidade do mito. A falsa consciência oculta a realidade e simplifica as coisas. Todo o complexo de privilégios, padrões de comportamento e "valores" de uma ordem social arcaica podia manter-se intacto... , compõe um único período, mantendo a coerência, e, em linhas gerais, o sentido original, em:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386956 Português

Considere o texto para responder a questão seguinte.

 

Os mitos existem para esconder a realidade. Por isso mesmo, eles revelam a realidade íntima de uma sociedade ou de uma civilização. Como se poderia, no Brasil colonial ou imperial, acreditar que a escravidão seria, aqui, por causa de nossa “índole cristã”, mais humana, suave e doce que em outros lugares? Ou, então, propagar-se, no ocaso do século XIX, no próprio país no qual o partido republicano preparava-se para trair simultaneamente a ideologia e a utopia republicanas, optando pelos interesses dos fazendeiros contra os escravos, que a ordem social nascente seria democrática? Por fim, como ficar indiferente ao drama humano intrínseco à Abolição, que largou a massa dos ex-escravos, dos libertos e dos ingênuos à própria sorte, como se eles fossem um simples bagaço do antigo sistema de produção?

 

Entretanto, a ideia da democracia racial não só se arraigou. Ela se tornou um mores, como dizem alguns sociólogos, algo intocável, a pedra de toque da “contribuição brasileira” ao progresso civilizatório da Humanidade.

 

Ora, a revolução social vinculada à desagregação da produção escravista e da ordem social correspondente não se fazia para toda a sociedade brasileira. Seus limites históricos eram fechados, embora seus dinamismos históricos fossem abertos e duráveis. Naqueles limites, não cabiam nem o escravo e o liberto, nem o “negro” ou o “branco pobre” como categorias sociais. Tratava-se de uma revolução das elites, pelas elites e para as elites; no plano racial, de uma revolução do BRANCO para o BRANCO, ainda que se tenha de entender essa noção em sentido etnológico e sociológico.

 

Colocando-se a ideia de democracia racial dentro desse vasto pano de fundo, ela expressa algo muito claro: um meio de evasão dos estratos dominantes de uma classe social de obrigações e responsabilidades intransferíveis e inarredáveis. Daí a necessidade do mito. A falsa consciência oculta a realidade e simplifica as coisas. Todo o complexo de privilégios, padrões de comportamento e “valores” de uma ordem social arcaica podia manter-se intacto, em proveito dos estratos dominantes da “raça branca”, embora em prejuízo fatal da Nação.

 

As elites e as classes privilegiadas não precisavam levar a revolução social à esfera das relações raciais, na qual a democracia germinaria espontaneamente... Cinismo? Não! A consciência social turva, obstinada e mesquinha dos egoísmos enraizados, que não se viam postos à prova (antes, se protegiam) contra as exigências cruéis de uma estratificação racial extremamente desigual.

 

(Adaptado de: FERNANDES, Florestan. "Um Mito Revelador", em Significado do Protesto Negro, São Paulo: Cortez/Editores Associados,
1989, p. 13-14)

Considere as seguintes afirmações acerca do 2º parágrafo:

 

I. O trecho ...não só se arraigou. Ela se tornou... manteria a coerência e a correção se escrito “não apenas se arraigou, como também se tornou”.

 

II. As aspas em “contribuição brasileira” prestam-se a destacar uma opinião não compartilhada pelo autor, à semelhança do que ocorre com “índole cristã”.

 

III. Em ...Ela se tornou um mores, como dizem alguns sociólogos..., a vírgula pode ser substituída por dois-pontos, pois a ela se segue uma explicação do que o autor entende por “mores”.

 

Está correto o que consta de:

Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386955 Português

Considere o texto para responder a questão seguinte.

 

Os mitos existem para esconder a realidade. Por isso mesmo, eles revelam a realidade íntima de uma sociedade ou de uma civilização. Como se poderia, no Brasil colonial ou imperial, acreditar que a escravidão seria, aqui, por causa de nossa “índole cristã”, mais humana, suave e doce que em outros lugares? Ou, então, propagar-se, no ocaso do século XIX, no próprio país no qual o partido republicano preparava-se para trair simultaneamente a ideologia e a utopia republicanas, optando pelos interesses dos fazendeiros contra os escravos, que a ordem social nascente seria democrática? Por fim, como ficar indiferente ao drama humano intrínseco à Abolição, que largou a massa dos ex-escravos, dos libertos e dos ingênuos à própria sorte, como se eles fossem um simples bagaço do antigo sistema de produção?

 

Entretanto, a ideia da democracia racial não só se arraigou. Ela se tornou um mores, como dizem alguns sociólogos, algo intocável, a pedra de toque da “contribuição brasileira” ao progresso civilizatório da Humanidade.

 

Ora, a revolução social vinculada à desagregação da produção escravista e da ordem social correspondente não se fazia para toda a sociedade brasileira. Seus limites históricos eram fechados, embora seus dinamismos históricos fossem abertos e duráveis. Naqueles limites, não cabiam nem o escravo e o liberto, nem o “negro” ou o “branco pobre” como categorias sociais. Tratava-se de uma revolução das elites, pelas elites e para as elites; no plano racial, de uma revolução do BRANCO para o BRANCO, ainda que se tenha de entender essa noção em sentido etnológico e sociológico.

 

Colocando-se a ideia de democracia racial dentro desse vasto pano de fundo, ela expressa algo muito claro: um meio de evasão dos estratos dominantes de uma classe social de obrigações e responsabilidades intransferíveis e inarredáveis. Daí a necessidade do mito. A falsa consciência oculta a realidade e simplifica as coisas. Todo o complexo de privilégios, padrões de comportamento e “valores” de uma ordem social arcaica podia manter-se intacto, em proveito dos estratos dominantes da “raça branca”, embora em prejuízo fatal da Nação.

 

As elites e as classes privilegiadas não precisavam levar a revolução social à esfera das relações raciais, na qual a democracia germinaria espontaneamente... Cinismo? Não! A consciência social turva, obstinada e mesquinha dos egoísmos enraizados, que não se viam postos à prova (antes, se protegiam) contra as exigências cruéis de uma estratificação racial extremamente desigual.

 

(Adaptado de: FERNANDES, Florestan. "Um Mito Revelador", em Significado do Protesto Negro, São Paulo: Cortez/Editores Associados,
1989, p. 13-14)
A frase ''As elites e as classes privilegiadas não precisam levar a revolução social à esfera das relações raciais, na qual a democracia germinaria espontaneamente...'', em consonância com texto,
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386954 Português

Considere o texto para responder a questão seguinte.

 

Os mitos existem para esconder a realidade. Por isso mesmo, eles revelam a realidade íntima de uma sociedade ou de uma civilização. Como se poderia, no Brasil colonial ou imperial, acreditar que a escravidão seria, aqui, por causa de nossa “índole cristã”, mais humana, suave e doce que em outros lugares? Ou, então, propagar-se, no ocaso do século XIX, no próprio país no qual o partido republicano preparava-se para trair simultaneamente a ideologia e a utopia republicanas, optando pelos interesses dos fazendeiros contra os escravos, que a ordem social nascente seria democrática? Por fim, como ficar indiferente ao drama humano intrínseco à Abolição, que largou a massa dos ex-escravos, dos libertos e dos ingênuos à própria sorte, como se eles fossem um simples bagaço do antigo sistema de produção?

 

Entretanto, a ideia da democracia racial não só se arraigou. Ela se tornou um mores, como dizem alguns sociólogos, algo intocável, a pedra de toque da “contribuição brasileira” ao progresso civilizatório da Humanidade.

 

Ora, a revolução social vinculada à desagregação da produção escravista e da ordem social correspondente não se fazia para toda a sociedade brasileira. Seus limites históricos eram fechados, embora seus dinamismos históricos fossem abertos e duráveis. Naqueles limites, não cabiam nem o escravo e o liberto, nem o “negro” ou o “branco pobre” como categorias sociais. Tratava-se de uma revolução das elites, pelas elites e para as elites; no plano racial, de uma revolução do BRANCO para o BRANCO, ainda que se tenha de entender essa noção em sentido etnológico e sociológico.

 

Colocando-se a ideia de democracia racial dentro desse vasto pano de fundo, ela expressa algo muito claro: um meio de evasão dos estratos dominantes de uma classe social de obrigações e responsabilidades intransferíveis e inarredáveis. Daí a necessidade do mito. A falsa consciência oculta a realidade e simplifica as coisas. Todo o complexo de privilégios, padrões de comportamento e “valores” de uma ordem social arcaica podia manter-se intacto, em proveito dos estratos dominantes da “raça branca”, embora em prejuízo fatal da Nação.

 

As elites e as classes privilegiadas não precisavam levar a revolução social à esfera das relações raciais, na qual a democracia germinaria espontaneamente... Cinismo? Não! A consciência social turva, obstinada e mesquinha dos egoísmos enraizados, que não se viam postos à prova (antes, se protegiam) contra as exigências cruéis de uma estratificação racial extremamente desigual.

 

(Adaptado de: FERNANDES, Florestan. "Um Mito Revelador", em Significado do Protesto Negro, São Paulo: Cortez/Editores Associados,
1989, p. 13-14)
A partir da noção de mito, procura-se esclarecer
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FCC Órgão: DPE-RS Prova: FCC - 2025 - DPE-RS - Defensor Público |
Q3386953 Português

Considere o texto para responder a questão seguinte.

 

Os mitos existem para esconder a realidade. Por isso mesmo, eles revelam a realidade íntima de uma sociedade ou de uma civilização. Como se poderia, no Brasil colonial ou imperial, acreditar que a escravidão seria, aqui, por causa de nossa “índole cristã”, mais humana, suave e doce que em outros lugares? Ou, então, propagar-se, no ocaso do século XIX, no próprio país no qual o partido republicano preparava-se para trair simultaneamente a ideologia e a utopia republicanas, optando pelos interesses dos fazendeiros contra os escravos, que a ordem social nascente seria democrática? Por fim, como ficar indiferente ao drama humano intrínseco à Abolição, que largou a massa dos ex-escravos, dos libertos e dos ingênuos à própria sorte, como se eles fossem um simples bagaço do antigo sistema de produção?

 

Entretanto, a ideia da democracia racial não só se arraigou. Ela se tornou um mores, como dizem alguns sociólogos, algo intocável, a pedra de toque da “contribuição brasileira” ao progresso civilizatório da Humanidade.

 

Ora, a revolução social vinculada à desagregação da produção escravista e da ordem social correspondente não se fazia para toda a sociedade brasileira. Seus limites históricos eram fechados, embora seus dinamismos históricos fossem abertos e duráveis. Naqueles limites, não cabiam nem o escravo e o liberto, nem o “negro” ou o “branco pobre” como categorias sociais. Tratava-se de uma revolução das elites, pelas elites e para as elites; no plano racial, de uma revolução do BRANCO para o BRANCO, ainda que se tenha de entender essa noção em sentido etnológico e sociológico.

 

Colocando-se a ideia de democracia racial dentro desse vasto pano de fundo, ela expressa algo muito claro: um meio de evasão dos estratos dominantes de uma classe social de obrigações e responsabilidades intransferíveis e inarredáveis. Daí a necessidade do mito. A falsa consciência oculta a realidade e simplifica as coisas. Todo o complexo de privilégios, padrões de comportamento e “valores” de uma ordem social arcaica podia manter-se intacto, em proveito dos estratos dominantes da “raça branca”, embora em prejuízo fatal da Nação.

 

As elites e as classes privilegiadas não precisavam levar a revolução social à esfera das relações raciais, na qual a democracia germinaria espontaneamente... Cinismo? Não! A consciência social turva, obstinada e mesquinha dos egoísmos enraizados, que não se viam postos à prova (antes, se protegiam) contra as exigências cruéis de uma estratificação racial extremamente desigual.

 

(Adaptado de: FERNANDES, Florestan. "Um Mito Revelador", em Significado do Protesto Negro, São Paulo: Cortez/Editores Associados,
1989, p. 13-14)
Para a coerente leitura do texto, uma noção adequada de mito é a que o considera:
Alternativas
Q3386844 Português

Leia o texto para responder à questão.


Billy adora ouvir música clássica. De smoking.


Sentado em uma almofada no meio de uma sala de ensaio de orquestra, um filhote de pastor alemão vestindo um smoking fechou os olhos pacificamente para absorver a música ao vivo ao seu redor.



Billy, um fã de música clássica, com 2 anos e meio de idade e resgatado de uma fazenda no Texas, foi convidado pela Orquestra Metropolitana de Vancouver, no Canadá, para assistir, no início de setembro, ao primeiro ensaio da temporada.



Os músicos Lucian Barz, um violinista e violista de 33 anos, e Teresa Bowes, uma pianista de 27 anos, casados, adotaram Billy em junho de 2022, completamente alheios à sua admiração pela música clássica.



“Mas eu fiquei surpreso”, conta Barz. “Você ouve muitas coisas sobre animais que gostam de música. Eu cresci em uma fazenda e costumava levar meu violino e tocar para as vacas.” Barz explica que Bowes frequentemente toca música clássica em casa. E, logo que adotaram Billy, eles perceberam o quanto ele era receptivo aos sons que ouvia todos os dias.




“É principalmente um alimento para a alma, apenas ver a pureza de um animal desfrutando música, lembrando que ela é a linguagem universal”, diz Barz.



Ken Hsieh, maestro da orquestra, decidiu executar a Sinfonia no 4 de Schumann para Billy, e notou o quão sociável o filhote era com os músicos e pensou que ele ficaria agitado durante a apresentação, mas, para sua surpresa, Billy ficou quieto e envolveu-se com a música respeitosamente. 



“Ele levantava a cabeça quando ouvia algo grandioso acontecendo na música e abaixava quando em momentos mais tranquilos”, conta Hsieh. “Ele realmente se relaciona, de maneira ativa, com o que fazemos, e isso é o que eu realmente desejo que meu público esteja fazendo. Quero dizer, passando por esse mesmo estado emocional.”



(Jiselle Lee, The Washington Post. O Estado de S.Paulo, 21 de setembro de 2024. Adaptado)

O sinal indicativo de crase na palavra em destaque está de acordo com a norma-padrão em:
Alternativas
Q3386843 Português

Leia o texto para responder à questão.


Billy adora ouvir música clássica. De smoking.


Sentado em uma almofada no meio de uma sala de ensaio de orquestra, um filhote de pastor alemão vestindo um smoking fechou os olhos pacificamente para absorver a música ao vivo ao seu redor.



Billy, um fã de música clássica, com 2 anos e meio de idade e resgatado de uma fazenda no Texas, foi convidado pela Orquestra Metropolitana de Vancouver, no Canadá, para assistir, no início de setembro, ao primeiro ensaio da temporada.



Os músicos Lucian Barz, um violinista e violista de 33 anos, e Teresa Bowes, uma pianista de 27 anos, casados, adotaram Billy em junho de 2022, completamente alheios à sua admiração pela música clássica.



“Mas eu fiquei surpreso”, conta Barz. “Você ouve muitas coisas sobre animais que gostam de música. Eu cresci em uma fazenda e costumava levar meu violino e tocar para as vacas.” Barz explica que Bowes frequentemente toca música clássica em casa. E, logo que adotaram Billy, eles perceberam o quanto ele era receptivo aos sons que ouvia todos os dias.




“É principalmente um alimento para a alma, apenas ver a pureza de um animal desfrutando música, lembrando que ela é a linguagem universal”, diz Barz.



Ken Hsieh, maestro da orquestra, decidiu executar a Sinfonia no 4 de Schumann para Billy, e notou o quão sociável o filhote era com os músicos e pensou que ele ficaria agitado durante a apresentação, mas, para sua surpresa, Billy ficou quieto e envolveu-se com a música respeitosamente. 



“Ele levantava a cabeça quando ouvia algo grandioso acontecendo na música e abaixava quando em momentos mais tranquilos”, conta Hsieh. “Ele realmente se relaciona, de maneira ativa, com o que fazemos, e isso é o que eu realmente desejo que meu público esteja fazendo. Quero dizer, passando por esse mesmo estado emocional.”



(Jiselle Lee, The Washington Post. O Estado de S.Paulo, 21 de setembro de 2024. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta redação de acordo com a norma-padrão de regência verbal e nominal.
Alternativas
Q3386842 Português

Leia o texto para responder à questão.


Billy adora ouvir música clássica. De smoking.


Sentado em uma almofada no meio de uma sala de ensaio de orquestra, um filhote de pastor alemão vestindo um smoking fechou os olhos pacificamente para absorver a música ao vivo ao seu redor.



Billy, um fã de música clássica, com 2 anos e meio de idade e resgatado de uma fazenda no Texas, foi convidado pela Orquestra Metropolitana de Vancouver, no Canadá, para assistir, no início de setembro, ao primeiro ensaio da temporada.



Os músicos Lucian Barz, um violinista e violista de 33 anos, e Teresa Bowes, uma pianista de 27 anos, casados, adotaram Billy em junho de 2022, completamente alheios à sua admiração pela música clássica.



“Mas eu fiquei surpreso”, conta Barz. “Você ouve muitas coisas sobre animais que gostam de música. Eu cresci em uma fazenda e costumava levar meu violino e tocar para as vacas.” Barz explica que Bowes frequentemente toca música clássica em casa. E, logo que adotaram Billy, eles perceberam o quanto ele era receptivo aos sons que ouvia todos os dias.




“É principalmente um alimento para a alma, apenas ver a pureza de um animal desfrutando música, lembrando que ela é a linguagem universal”, diz Barz.



Ken Hsieh, maestro da orquestra, decidiu executar a Sinfonia no 4 de Schumann para Billy, e notou o quão sociável o filhote era com os músicos e pensou que ele ficaria agitado durante a apresentação, mas, para sua surpresa, Billy ficou quieto e envolveu-se com a música respeitosamente. 



“Ele levantava a cabeça quando ouvia algo grandioso acontecendo na música e abaixava quando em momentos mais tranquilos”, conta Hsieh. “Ele realmente se relaciona, de maneira ativa, com o que fazemos, e isso é o que eu realmente desejo que meu público esteja fazendo. Quero dizer, passando por esse mesmo estado emocional.”



(Jiselle Lee, The Washington Post. O Estado de S.Paulo, 21 de setembro de 2024. Adaptado)

Assinale a alternativa cuja frase apresenta concordância verbal de acordo com a norma-padrão.
Alternativas
Q3386841 Português

Leia o texto para responder à questão.


Billy adora ouvir música clássica. De smoking.


Sentado em uma almofada no meio de uma sala de ensaio de orquestra, um filhote de pastor alemão vestindo um smoking fechou os olhos pacificamente para absorver a música ao vivo ao seu redor.



Billy, um fã de música clássica, com 2 anos e meio de idade e resgatado de uma fazenda no Texas, foi convidado pela Orquestra Metropolitana de Vancouver, no Canadá, para assistir, no início de setembro, ao primeiro ensaio da temporada.



Os músicos Lucian Barz, um violinista e violista de 33 anos, e Teresa Bowes, uma pianista de 27 anos, casados, adotaram Billy em junho de 2022, completamente alheios à sua admiração pela música clássica.



“Mas eu fiquei surpreso”, conta Barz. “Você ouve muitas coisas sobre animais que gostam de música. Eu cresci em uma fazenda e costumava levar meu violino e tocar para as vacas.” Barz explica que Bowes frequentemente toca música clássica em casa. E, logo que adotaram Billy, eles perceberam o quanto ele era receptivo aos sons que ouvia todos os dias.




“É principalmente um alimento para a alma, apenas ver a pureza de um animal desfrutando música, lembrando que ela é a linguagem universal”, diz Barz.



Ken Hsieh, maestro da orquestra, decidiu executar a Sinfonia no 4 de Schumann para Billy, e notou o quão sociável o filhote era com os músicos e pensou que ele ficaria agitado durante a apresentação, mas, para sua surpresa, Billy ficou quieto e envolveu-se com a música respeitosamente. 



“Ele levantava a cabeça quando ouvia algo grandioso acontecendo na música e abaixava quando em momentos mais tranquilos”, conta Hsieh. “Ele realmente se relaciona, de maneira ativa, com o que fazemos, e isso é o que eu realmente desejo que meu público esteja fazendo. Quero dizer, passando por esse mesmo estado emocional.”



(Jiselle Lee, The Washington Post. O Estado de S.Paulo, 21 de setembro de 2024. Adaptado)

Leia os trechos. 



•  ... um filhote de pastor alemão vestindo um smoking fechou os olhos pacificamente para absorver a música ao vivo ao seu redor. (1º parágrafo)


•  ...e notou o quão sociável o filhote era com os músicos e pensou que ele ficaria ativo durante a apresentação, mas, para sua surpresa, Billy ficou quieto e envolveu- -se com a música respeitosamente. (6º parágrafo)



As palavras em destaque estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de

Alternativas
Q3386840 Português

Leia o texto para responder à questão.


Billy adora ouvir música clássica. De smoking.


Sentado em uma almofada no meio de uma sala de ensaio de orquestra, um filhote de pastor alemão vestindo um smoking fechou os olhos pacificamente para absorver a música ao vivo ao seu redor.



Billy, um fã de música clássica, com 2 anos e meio de idade e resgatado de uma fazenda no Texas, foi convidado pela Orquestra Metropolitana de Vancouver, no Canadá, para assistir, no início de setembro, ao primeiro ensaio da temporada.



Os músicos Lucian Barz, um violinista e violista de 33 anos, e Teresa Bowes, uma pianista de 27 anos, casados, adotaram Billy em junho de 2022, completamente alheios à sua admiração pela música clássica.



“Mas eu fiquei surpreso”, conta Barz. “Você ouve muitas coisas sobre animais que gostam de música. Eu cresci em uma fazenda e costumava levar meu violino e tocar para as vacas.” Barz explica que Bowes frequentemente toca música clássica em casa. E, logo que adotaram Billy, eles perceberam o quanto ele era receptivo aos sons que ouvia todos os dias.




“É principalmente um alimento para a alma, apenas ver a pureza de um animal desfrutando música, lembrando que ela é a linguagem universal”, diz Barz.



Ken Hsieh, maestro da orquestra, decidiu executar a Sinfonia no 4 de Schumann para Billy, e notou o quão sociável o filhote era com os músicos e pensou que ele ficaria agitado durante a apresentação, mas, para sua surpresa, Billy ficou quieto e envolveu-se com a música respeitosamente. 



“Ele levantava a cabeça quando ouvia algo grandioso acontecendo na música e abaixava quando em momentos mais tranquilos”, conta Hsieh. “Ele realmente se relaciona, de maneira ativa, com o que fazemos, e isso é o que eu realmente desejo que meu público esteja fazendo. Quero dizer, passando por esse mesmo estado emocional.”



(Jiselle Lee, The Washington Post. O Estado de S.Paulo, 21 de setembro de 2024. Adaptado)

A expressão em destaque está corretamente substituída nos parênteses, de acordo com a norma-padrão de emprego do pronome em:
Alternativas
Q3386839 Português

Leia o texto para responder à questão.


Billy adora ouvir música clássica. De smoking.


Sentado em uma almofada no meio de uma sala de ensaio de orquestra, um filhote de pastor alemão vestindo um smoking fechou os olhos pacificamente para absorver a música ao vivo ao seu redor.



Billy, um fã de música clássica, com 2 anos e meio de idade e resgatado de uma fazenda no Texas, foi convidado pela Orquestra Metropolitana de Vancouver, no Canadá, para assistir, no início de setembro, ao primeiro ensaio da temporada.



Os músicos Lucian Barz, um violinista e violista de 33 anos, e Teresa Bowes, uma pianista de 27 anos, casados, adotaram Billy em junho de 2022, completamente alheios à sua admiração pela música clássica.



“Mas eu fiquei surpreso”, conta Barz. “Você ouve muitas coisas sobre animais que gostam de música. Eu cresci em uma fazenda e costumava levar meu violino e tocar para as vacas.” Barz explica que Bowes frequentemente toca música clássica em casa. E, logo que adotaram Billy, eles perceberam o quanto ele era receptivo aos sons que ouvia todos os dias.




“É principalmente um alimento para a alma, apenas ver a pureza de um animal desfrutando música, lembrando que ela é a linguagem universal”, diz Barz.



Ken Hsieh, maestro da orquestra, decidiu executar a Sinfonia no 4 de Schumann para Billy, e notou o quão sociável o filhote era com os músicos e pensou que ele ficaria agitado durante a apresentação, mas, para sua surpresa, Billy ficou quieto e envolveu-se com a música respeitosamente. 



“Ele levantava a cabeça quando ouvia algo grandioso acontecendo na música e abaixava quando em momentos mais tranquilos”, conta Hsieh. “Ele realmente se relaciona, de maneira ativa, com o que fazemos, e isso é o que eu realmente desejo que meu público esteja fazendo. Quero dizer, passando por esse mesmo estado emocional.”



(Jiselle Lee, The Washington Post. O Estado de S.Paulo, 21 de setembro de 2024. Adaptado)

Em – Ele realmente se relaciona, de maneira ativa, com o que fazemos, e isso é o que eu realmente desejo que meu público esteja fazendo. (último parágrafo) – a palavra destacada retoma a informação referente
Alternativas
Q3386838 Português

Leia o texto para responder à questão.


Billy adora ouvir música clássica. De smoking.


Sentado em uma almofada no meio de uma sala de ensaio de orquestra, um filhote de pastor alemão vestindo um smoking fechou os olhos pacificamente para absorver a música ao vivo ao seu redor.



Billy, um fã de música clássica, com 2 anos e meio de idade e resgatado de uma fazenda no Texas, foi convidado pela Orquestra Metropolitana de Vancouver, no Canadá, para assistir, no início de setembro, ao primeiro ensaio da temporada.



Os músicos Lucian Barz, um violinista e violista de 33 anos, e Teresa Bowes, uma pianista de 27 anos, casados, adotaram Billy em junho de 2022, completamente alheios à sua admiração pela música clássica.



“Mas eu fiquei surpreso”, conta Barz. “Você ouve muitas coisas sobre animais que gostam de música. Eu cresci em uma fazenda e costumava levar meu violino e tocar para as vacas.” Barz explica que Bowes frequentemente toca música clássica em casa. E, logo que adotaram Billy, eles perceberam o quanto ele era receptivo aos sons que ouvia todos os dias.




“É principalmente um alimento para a alma, apenas ver a pureza de um animal desfrutando música, lembrando que ela é a linguagem universal”, diz Barz.



Ken Hsieh, maestro da orquestra, decidiu executar a Sinfonia no 4 de Schumann para Billy, e notou o quão sociável o filhote era com os músicos e pensou que ele ficaria agitado durante a apresentação, mas, para sua surpresa, Billy ficou quieto e envolveu-se com a música respeitosamente. 



“Ele levantava a cabeça quando ouvia algo grandioso acontecendo na música e abaixava quando em momentos mais tranquilos”, conta Hsieh. “Ele realmente se relaciona, de maneira ativa, com o que fazemos, e isso é o que eu realmente desejo que meu público esteja fazendo. Quero dizer, passando por esse mesmo estado emocional.”



(Jiselle Lee, The Washington Post. O Estado de S.Paulo, 21 de setembro de 2024. Adaptado)

Considere o trecho do texto:



•  Billy, um fã de música clássica, com 2 anos e meio de idade e resgatado de uma fazenda no Texas… (2º parágrafo)



Nele, as vírgulas foram empregadas pelo mesmo motivo que no trecho:

Alternativas
Respostas
31181: D
31182: C
31183: B
31184: C
31185: B
31186: E
31187: A
31188: C
31189: C
31190: A
31191: B
31192: E
31193: D
31194: E
31195: C
31196: D
31197: E
31198: B
31199: C
31200: A