Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3751084 Português
Assinale a frase cuja expressão destacada está correta.
Alternativas
Q3751083 Português

Analise as frases abaixo:



■ A vítima estava muito ................ e precisou ser levada ao hospital.


■ Perguntei ao porteiro ................ não me chamou pelo interfone.


■  Para não chamar a atenção, o segurança é orientado a comportar-se com ................ máxima.


■ Se o ................ é intenso, é preciso dirigir com mais atenção e prudência.


■ Comendo tanto assim, você vai acabar ................ seu estômago.



Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.

Alternativas
Q3751082 Português
Texto
No vídeo
O homem vai indo ligeiro para a reunião decisiva. Se tudo der certo, sai candidato à Assembleia Legislativa. Para tanto, basta que o Peixoto se entenda com o Afonso e o Afonso não se desentenda com o Paulinho e o Paulinho concorde com o Beneval e o Beneval não discorde e o Gracindo não negue aquilo que o Albano pede e o Albano aceite aquilo que o Olegário impõe. Fácil, fácil, mais fácil que isto só roubar de cego ou de mulher velha. É sentar à mesa e acertar os ponteiros, vai pensando o homem. Mas o pensamento é bruscamente cortado por uma repórter de TV, que faz uma gravíssima pesquisa de opinião pública:
– O que é que o cavalheiro está achando do outono?
Espera aí. O sujeito está indo aflito pela rua, a caminho de um encontro partidário do qual pode sair praticamente deputado, e vem a mocinha indagar o que ele acha do outono! Terá por acaso ouvido isso mesmo?
– Sim, sim, o cavalheiro tem alguma opinião sobre o outono?
[…]
Então o homem decide. Vai falar, vai caprichar. O assunto é pequeno, mas vai falar. Acerta a garganta, arruma a gola da camisa, encara o olho na câmara, responde com voz funda, doutrinal:
– O outono? O outono, catarinenses, é um maravilhoso cataclisma. Um cataclisma primordial da natureza. Se eleito for, tudo farei na Assembleia pelo nosso outono. Obrigado.
À noite, ele se vê no noticiário. Olha para a mulher. Comovida, ela diz que é uma pena aqueles burros não decidirem nunca se ele sai ou não candidato: tem tanta presença, fala tão bonito.
CARDOZO, Flávio José. Compartilhado por meio de rede social. Fragmento adaptado. Out. 2025. 
A mulher considera que o marido tem perfil para ser candidato à Assembleia Legislativa porque:
Alternativas
Q3751081 Português
Texto
No vídeo
O homem vai indo ligeiro para a reunião decisiva. Se tudo der certo, sai candidato à Assembleia Legislativa. Para tanto, basta que o Peixoto se entenda com o Afonso e o Afonso não se desentenda com o Paulinho e o Paulinho concorde com o Beneval e o Beneval não discorde e o Gracindo não negue aquilo que o Albano pede e o Albano aceite aquilo que o Olegário impõe. Fácil, fácil, mais fácil que isto só roubar de cego ou de mulher velha. É sentar à mesa e acertar os ponteiros, vai pensando o homem. Mas o pensamento é bruscamente cortado por uma repórter de TV, que faz uma gravíssima pesquisa de opinião pública:
– O que é que o cavalheiro está achando do outono?
Espera aí. O sujeito está indo aflito pela rua, a caminho de um encontro partidário do qual pode sair praticamente deputado, e vem a mocinha indagar o que ele acha do outono! Terá por acaso ouvido isso mesmo?
– Sim, sim, o cavalheiro tem alguma opinião sobre o outono?
[…]
Então o homem decide. Vai falar, vai caprichar. O assunto é pequeno, mas vai falar. Acerta a garganta, arruma a gola da camisa, encara o olho na câmara, responde com voz funda, doutrinal:
– O outono? O outono, catarinenses, é um maravilhoso cataclisma. Um cataclisma primordial da natureza. Se eleito for, tudo farei na Assembleia pelo nosso outono. Obrigado.
À noite, ele se vê no noticiário. Olha para a mulher. Comovida, ela diz que é uma pena aqueles burros não decidirem nunca se ele sai ou não candidato: tem tanta presença, fala tão bonito.
CARDOZO, Flávio José. Compartilhado por meio de rede social. Fragmento adaptado. Out. 2025. 
Sobre o texto, é correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3750619 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Seis horas da manhã

Silêncio às seis horas, quebrado apenas pelo canto dos pássaros no quintal. O alarme toca e, logo depois, a voz da mamãe: "Sofia, acorda!". Abraço o Boni, meu velho bichinho de pelúcia, escondido entre as cobertas. Levanto, tomo banho e lembro que é segunda-feira — dia de matemática, ciências e artes. Penso em avisar meus pais sobre a cartolina e em usar café para fazer tinta natural. O cheiro de tapioca e café toma a cozinha, e mamãe prepara a marmita para o trabalho. Tomo o leite, me despeço e corro para o carro, onde papai esquenta o motor. Queria que o dia começasse logo, só para poder brincar mais tempo na escola.

De repente, o som do alarme invade tudo outra vez. Acordo assustada. Já são sete horas! Corro para o banheiro, reclamo por ter esquecido a toalha e preparo um café apressado. Entre xícaras e panelas caindo do escorredor, procuro minhas coisas: o notebook, o moletom, a blusa que não encontro. A chuva lá fora engrossa, o tempo voa.

Enquanto tento organizar a manhã corrida, abro o armário e encontro o Boni. Aquele mesmo bichinho da infância, guardado há anos, me encara com um olhar silencioso. Sorrio — por um instante, o tempo parece voltar. Lembro da menina que eu era, das manhãs calmas e das pequenas alegrias antes da pressa tomar conta dos dias.

Faltam dez minutos para sair. Verifico se peguei tudo, olho o celular e vejo a notificação: "Hoje não tem aula". Respiro fundo. Por que ando sempre correndo? O relógio marca seis da manhã outra vez — e, entre o cheiro do café e o som da chuva, o silêncio me devolve, por um instante, àquela infância que nunca foi embora.

Texto Adaptado

CORONA, Lorena. Seis horas da manhã. In: Universidade de São Paulo. Livros Abertos da USP. São Paulo: Portal de Livros Abertos da USP, [s.d.]. Texto adaptado. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 379/1256/4887 . Acesso em: 10 nov. 2025. 
No trecho "O alarme toca e, logo depois, a voz da mamãe: 'Sofia, acorda!'.", o uso dos sinais de pontuação revela escolhas funcionais e estilísticas. Assinale a alternativa correta quanto à análise sintática e ao valor discursivo dessas escolhas. 
Alternativas
Q3750617 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Seis horas da manhã

Silêncio às seis horas, quebrado apenas pelo canto dos pássaros no quintal. O alarme toca e, logo depois, a voz da mamãe: "Sofia, acorda!". Abraço o Boni, meu velho bichinho de pelúcia, escondido entre as cobertas. Levanto, tomo banho e lembro que é segunda-feira — dia de matemática, ciências e artes. Penso em avisar meus pais sobre a cartolina e em usar café para fazer tinta natural. O cheiro de tapioca e café toma a cozinha, e mamãe prepara a marmita para o trabalho. Tomo o leite, me despeço e corro para o carro, onde papai esquenta o motor. Queria que o dia começasse logo, só para poder brincar mais tempo na escola.

De repente, o som do alarme invade tudo outra vez. Acordo assustada. Já são sete horas! Corro para o banheiro, reclamo por ter esquecido a toalha e preparo um café apressado. Entre xícaras e panelas caindo do escorredor, procuro minhas coisas: o notebook, o moletom, a blusa que não encontro. A chuva lá fora engrossa, o tempo voa.

Enquanto tento organizar a manhã corrida, abro o armário e encontro o Boni. Aquele mesmo bichinho da infância, guardado há anos, me encara com um olhar silencioso. Sorrio — por um instante, o tempo parece voltar. Lembro da menina que eu era, das manhãs calmas e das pequenas alegrias antes da pressa tomar conta dos dias.

Faltam dez minutos para sair. Verifico se peguei tudo, olho o celular e vejo a notificação: "Hoje não tem aula". Respiro fundo. Por que ando sempre correndo? O relógio marca seis da manhã outra vez — e, entre o cheiro do café e o som da chuva, o silêncio me devolve, por um instante, àquela infância que nunca foi embora.

Texto Adaptado

CORONA, Lorena. Seis horas da manhã. In: Universidade de São Paulo. Livros Abertos da USP. São Paulo: Portal de Livros Abertos da USP, [s.d.]. Texto adaptado. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 379/1256/4887 . Acesso em: 10 nov. 2025. 
Considere as afirmativas a seguir, com base no texto "Seis horas da manhã". Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__) O texto apresenta dois planos temporais distintos: o presente da narradora adulta e uma lembrança da infância, articulados por elementos sensoriais e afetivos como o cheiro do café e o reencontro com o boneco Boni.
(__) A estrutura do texto evidencia uma ruptura da linearidade cronológica, pois o episódio inicial da infância é revelado como um sonho, interrompido pela realidade apressada da vida adulta.
(__) O final do texto, ao revelar que "o relógio marca seis da manhã outra vez", indica que a narradora retomou a rotina do dia anterior, o que caracteriza um ciclo temporal contínuo e objetivo.

Assinale a alternativa com a sequência correta:
Alternativas
Q3750616 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Seis horas da manhã

Silêncio às seis horas, quebrado apenas pelo canto dos pássaros no quintal. O alarme toca e, logo depois, a voz da mamãe: "Sofia, acorda!". Abraço o Boni, meu velho bichinho de pelúcia, escondido entre as cobertas. Levanto, tomo banho e lembro que é segunda-feira — dia de matemática, ciências e artes. Penso em avisar meus pais sobre a cartolina e em usar café para fazer tinta natural. O cheiro de tapioca e café toma a cozinha, e mamãe prepara a marmita para o trabalho. Tomo o leite, me despeço e corro para o carro, onde papai esquenta o motor. Queria que o dia começasse logo, só para poder brincar mais tempo na escola.

De repente, o som do alarme invade tudo outra vez. Acordo assustada. Já são sete horas! Corro para o banheiro, reclamo por ter esquecido a toalha e preparo um café apressado. Entre xícaras e panelas caindo do escorredor, procuro minhas coisas: o notebook, o moletom, a blusa que não encontro. A chuva lá fora engrossa, o tempo voa.

Enquanto tento organizar a manhã corrida, abro o armário e encontro o Boni. Aquele mesmo bichinho da infância, guardado há anos, me encara com um olhar silencioso. Sorrio — por um instante, o tempo parece voltar. Lembro da menina que eu era, das manhãs calmas e das pequenas alegrias antes da pressa tomar conta dos dias.

Faltam dez minutos para sair. Verifico se peguei tudo, olho o celular e vejo a notificação: "Hoje não tem aula". Respiro fundo. Por que ando sempre correndo? O relógio marca seis da manhã outra vez — e, entre o cheiro do café e o som da chuva, o silêncio me devolve, por um instante, àquela infância que nunca foi embora.

Texto Adaptado

CORONA, Lorena. Seis horas da manhã. In: Universidade de São Paulo. Livros Abertos da USP. São Paulo: Portal de Livros Abertos da USP, [s.d.]. Texto adaptado. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 379/1256/4887 . Acesso em: 10 nov. 2025. 
Com base no texto "Seis horas da manhã", analise as afirmativas abaixo, que tratam das marcas de textualidade: coesão, coerência e intertextualidade.

I. A coesão textual é assegurada por mecanismos como a retomada de referentes (ex.: "aquele mesmo bichinho", "o som do alarme invade tudo outra vez"), o uso de conectores temporais e a reiteração lexical, que constroem continuidade temática entre infância e vida adulta.
II. A coerência do texto é garantida pela progressão temática e pela relação lógica entre os eventos da infância e da vida adulta, que se articulam por meio de elementos simbólicos e afetivos recorrentes ao longo da narrativa.
III. A intertextualidade está presente de forma implícita, por meio da evocação de elementos simbólicos (como o brinquedo Boni e o cheiro do café) que dialogam com representações culturais da infância, da memória afetiva e da passagem do tempo.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3750495 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
(PMM/URCA 2025) Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos. Embora grafados de maneira distinta, os termos destacados apresento o mesmo som. Dadas as palavras a seguir, marque a que apresenta desvio da norma.
Alternativas
Q3750494 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
 (PMM/URCA 2025) Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas... Recebe acento pela mesma palavra em destaque:
Alternativas
Q3750493 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
(PMM/URCA 2025) Aponte a opção em desacordo com as regras de concordância nominal:
Alternativas
Q3750491 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
 (PMM/URCA 2025) ... para me apresentarem à força ao temível cometa. Existe uma regra que justifica o uso do sinal indicativo de crase no termo destacado. Tal justificativa se encontra, em:
Alternativas
Q3750490 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
(PMM/URCA 2025) O termo destacado a seguir, sintaticamente, é classificado como: As pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê ...
Alternativas
Q3750489 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
(PMM/URCA 2025) Uma leitura geral do texto nos permite inferir:

I. A passagem de um cometa marcou a vida da escritora. Ela nos apresenta de maneira clara e precisa suas considerações acerca da vida, do tempo e da finitude, ao fazer um paralelo com os mistérios do universo.
II. O texto fala da condição humana perante a inexorabilidade da morte.
III. Dentre as informações contidas, a preocupação e o cuidado com a infância são ressaltos como fundamentais para uma convivência pacífica.
IV. O modo de vida das pessoas é particular e intransferível; cada um imprime, à sua volta, o sentido que lhe à possível e/ou conveniente.
V. Esse é um bom exemplo de como as crônicas podem abordar assuntos banais do cotidiano para mergulhar em questões subjetivas e circunstanciais da vida.
Alternativas
Q3750488 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
(PMM/URCA 2025) Levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela. O termo em destaque pode ser substituído, sem alterar o sentido, por:
Alternativas
Q3750487 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
(PMM/URCA 2025) Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas? Tal excerto pode ser compreendido como:
Alternativas
Q3750486 Português
O fim do mundo - Cecília Meireles


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

  Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

   Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

   Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

   Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

   Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

  O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

   Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna. 

   Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração. 

   Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

   Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


(Quatro vozes, 1998)
(PMM/URCA 2025) Dadas as proposições, indique a que não corresponde  às ideias do texto:
Alternativas
Q3750455 Português
Observe as orações.

I - Nunca se queixa nem se aborrece.
II- Os céus te favoreçam!
III- Não falaram-me nada a respeito disso.

Há erro na colocação pronominal:
Alternativas
Q3750453 Português
Aludindo-se ao uso ou não do sinal grave indicativo de crase, assinale a alternativa indevida.
Alternativas
Q3750452 Português
Discorrendo-se sobre os processos de formação das palavras, coloque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta.

( ) Derivação prefixal (ou prefixação): compor.
( ) Derivação sufixal (ou sufixação): desigualdade.
( ) Derivação parassintética (ou parassíntese): abotoar.
( ) Derivação regressiva: saque.
Alternativas
Q3750451 Português
Indique a alternativa em que todas as palavras são acentuadas graficamente, segundo a mesma regra.
Alternativas
Respostas
21921: A
21922: B
21923: A
21924: D
21925: E
21926: E
21927: B
21928: D
21929: A
21930: C
21931: A
21932: E
21933: C
21934: D
21935: B
21936: E
21937: A
21938: D
21939: B
21940: A