Questões de Concurso Sobre português

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Q4302610 Português

Para a questão, leia o texto a seguir: 


Texto IV


Debaixo dos caracóis dos seus cabelos


Um dia a areia branca

Seus pés irão tocar

E vai molhar seus cabelos

A água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir

Pra ver você chegar

E ao se sentir em casa

Sorrindo vai chorar


Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Uma história pra contar de um mundo tão distante

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Um soluço e a vontade de ficar mais um instante


As luzes e o colorido

Que você vê agora

Nas ruas por onde anda

Na casa onde mora

Você olha tudo e nada

Lhe faz ficar contente

Você só deseja agora

Voltar pra sua gente 


Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Uma história pra contar de um mundo tão distante

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Um soluço e a vontade de ficar mais um instante


Você anda pela tarde

E o seu olhar tristonho

Deixa sangrar no peito

Uma saudade, um sonho

Um dia vou ver você

Chegando num sorriso

Pisando a areia branca

Que é seu paraíso 


[...]


(Adaptado de: CARLOS, Roberto; CARLOS, Erasmo. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos. In: CARLOS, Roberto. Roberto Carlos. Rio de Janeiro: CBS, 1971. 

Considerando os recursos estilísticos e a construção dos sentidos da canção “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos”, selecione a alternativa que apresenta uma interpretação adequada sobre a articulação entre o olhar tristonho, o soluço, a imagem do mar, da areia branca e das portas e janelas que se abrirão. 
Alternativas
Q4302609 Português

Para a questão, leia o texto a seguir: 


Texto IV


Debaixo dos caracóis dos seus cabelos


Um dia a areia branca

Seus pés irão tocar

E vai molhar seus cabelos

A água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir

Pra ver você chegar

E ao se sentir em casa

Sorrindo vai chorar


Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Uma história pra contar de um mundo tão distante

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Um soluço e a vontade de ficar mais um instante


As luzes e o colorido

Que você vê agora

Nas ruas por onde anda

Na casa onde mora

Você olha tudo e nada

Lhe faz ficar contente

Você só deseja agora

Voltar pra sua gente 


Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Uma história pra contar de um mundo tão distante

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Um soluço e a vontade de ficar mais um instante


Você anda pela tarde

E o seu olhar tristonho

Deixa sangrar no peito

Uma saudade, um sonho

Um dia vou ver você

Chegando num sorriso

Pisando a areia branca

Que é seu paraíso 


[...]


(Adaptado de: CARLOS, Roberto; CARLOS, Erasmo. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos. In: CARLOS, Roberto. Roberto Carlos. Rio de Janeiro: CBS, 1971. 

Na perspectiva teórica Estética da Recepção, o texto literário só adquire sentido pleno no ato da leitura. Nesse sentido, o conhecimento do contexto histórico em que a canção “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” foi produzida contribui para 
Alternativas
Q4302608 Português

Para responder à questão, leia o texto III.


Texto III


    Durante uma viagem pelo Distrito de Bragança, o professor Joaquim resolveu passar uns dias na Vila Baticuteua. Ao conversar com os moradores do local, notou que uma mesma palavra podia apresentar pronúncias diversas, como o vocá bulo tia, que alguns falavam “tchia” e outros pronunciavam com o som inicial mais próximo de “tia”.


     O professor também observou que havia variações no uso do “s”. Alguns indivíduos mais jovens produziam o “s” chiado no final de palavras, como em meninos, com som de “mininush”, ou no meio de vocábulos, como mesmo, pronunci ado “meshmu”. Outros falantes falavam o “s” sem chiado, pronunciando “mininus” e “mesmu”.


     O Professor Joaquim concluiu que aquele seria um bom lócus de pesquisa para seus estudos sobre variação linguís tica fonética, que desenvolve no Núcleo de Fonética e Fonologia da Universidade Regional do Norte. Compreendendo que essas realizações são sistemáticas e condicionadas, resolveu iniciar seus registros em nota de campo para a constituição da proposta de pesquisa. 


(Texto fictício) 

Considerando o trecho “Compreendendo que essas realizações são sistemáticas e condicionadas, resolveu iniciar seus registros em nota de campo para a constituição da proposta de pesquisa”, os termos sistemáticas e condicionadas contribuem para a compreensão de que as variantes fonéticas 
Alternativas
Q4302607 Português

Para responder à questão, leia o texto III.


Texto III


    Durante uma viagem pelo Distrito de Bragança, o professor Joaquim resolveu passar uns dias na Vila Baticuteua. Ao conversar com os moradores do local, notou que uma mesma palavra podia apresentar pronúncias diversas, como o vocá bulo tia, que alguns falavam “tchia” e outros pronunciavam com o som inicial mais próximo de “tia”.


     O professor também observou que havia variações no uso do “s”. Alguns indivíduos mais jovens produziam o “s” chiado no final de palavras, como em meninos, com som de “mininush”, ou no meio de vocábulos, como mesmo, pronunci ado “meshmu”. Outros falantes falavam o “s” sem chiado, pronunciando “mininus” e “mesmu”.


     O Professor Joaquim concluiu que aquele seria um bom lócus de pesquisa para seus estudos sobre variação linguís tica fonética, que desenvolve no Núcleo de Fonética e Fonologia da Universidade Regional do Norte. Compreendendo que essas realizações são sistemáticas e condicionadas, resolveu iniciar seus registros em nota de campo para a constituição da proposta de pesquisa. 


(Texto fictício) 

O contraste fonético entre as realizações do fonema /s/ em “mininush” e “mininus”, representados, conforme o Alfabeto Fonético Internacional (AFI), como [miˈninuʃ] e [miˈninus], respectivamente, é adequadamente interpretado como: 
Alternativas
Q4302605 Português

Para responder à questão, analise os textos I e II:


Texto I





Texto II 


“No Brasil, a diversidade linguística é uma marca cultural profunda, resultado de séculos de interações entre povos nativos, colonizadores europeus e imigrantes de várias partes do mundo [...] variações dialetais refletem as influências históricas, geográficas e culturais de cada região, tornando o português brasileiro uma língua rica em diversidade. Ao analisar os principais dialetos regionais do Brasil, torna-se evidente como essas variações desempenham um papel fundamental na identidade cultural de diferentes regiões”.


(CASTILHO, Divina Eterna. Variação linguística no Brasil: uma análise sobre os dialetos regionais. Revista Ilustração, Cruz Alta, v. 5, n. 10, p. 71 86, 2024. Disponível em: https://journal.editorailustracao.com.br/index.php/ilustracao/article/view/406. Acesso em: 17, jul., 2026.) 

Quais princípios sociolinguísticos possibilitam relacionar as ideias do texto II à situação comunicativa apresentada na charge (texto I)?


I. Variação linguística diamésica, variação diacrônica, comunidade de fala e bilinguismo;


II. Variação linguística diatópica, heterogeneidade linguística, adequação comunicativa e pertencimento cultural;


III. Prestígio linguístico, variação diafásica, diferenças entre variedade de prestígio e variedade popular;


IV. Mudança linguística, variação individual (idioleto) e alternância de código;


V. Estigma linguístico, variação linguística situacional e preconceito linguístico.


Selecione uma alternativa correta. 

Alternativas
Q4302573 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje. (7º parágrafo)
Mantendo o paralelismo semântico, ao flexionar o verbo “lembrar” no pretérito imperfeito do modo subjuntivo, o verbo “concluir” assume a seguinte forma:
Alternativas
Q4302572 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. (7º parágrafo)
Articulando-se à frase citada, o 6º parágrafo tem a função de apresentar uma: 
Alternativas
Q4302571 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde. (5º parágrafo)
As duas frases deste trecho apresentam a seguinte sequência de formulações: 
Alternativas
Q4302570 Português
Voltemos aos desmemoriados de hoje. (5º parágrafo) 
Pertence à mesma classe gramatical de “desmemoriados” a palavra sublinhada em:
Alternativas
Q4302569 Português
Voltemos aos desmemoriados de hoje. (5º parágrafo) 
Na progressão textual, a frase citada exerce o objetivo principal de:  
Alternativas
Q4302568 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. (5º parágrafo) Na declaração acima, há uma organização de ideias que se aproxima da seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Q4302567 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
Dentre as estratégias argumentativas empregadas pelo autor, está a associação entre os discursos científico e literário. No caso, em relação ao exposto no 3º parágrafo, a narrativa citada no 4º produz efeito de:  
Alternativas
Q4302566 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. (2º parágrafo) Considerando o contexto mencionado, o verbo “insistir” na frase acima relaciona-se com um acontecimento que pode ser caracterizado como: 
Alternativas
Q4302565 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. (1º parágrafo) Uma reformulação da frase citada é: mais da metade da plateia, ____ por cerca de 500 estudantes de medicina, levantou a mão. Ao desenvolver a oração sublinhada, a lacuna presente na reformulação pode ser preenchida pela seguinte expressão: 
Alternativas
Q4302564 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
No título, alude-se a uma articulação que será feita entre as noções de “falta de atenção” e “memória”.
A partir da leitura do texto, essa articulação se estabelece com base no seguinte fator principal: 
Alternativas
Q4302258 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



    A sociedade da informação e os desafios da leitura crítica.


    Nas últimas décadas, o desenvolvimento das tecnologias digitais alterou profundamente a forma como o conhecimento é produzido, compartilhado e consumido. A informação, que durante muito tempo esteve concentrada em livros, bibliotecas e meios tradicionais de comunicação, passou a circular de maneira praticamente instantânea por diferentes plataformas digitais. Esse processo ampliou significativamente o acesso ao conhecimento e favoreceu a democratização da comunicação. Entretanto, trouxe consigo desafios que extrapolam o domínio da tecnologia e alcançam dimensões sociais, educacionais e éticas.

    A rapidez com que notícias, opiniões e imagens são difundidas faz com que milhões de pessoas tenham contato diário com uma quantidade de informações muito superior à capacidade humana de analisá-las de forma criteriosa. Em consequência, torna-se cada vez mais frequente a formação de opiniões baseadas em leituras superficiais, interpretações precipitadas ou conteúdos cuja veracidade sequer foi verificada. Em um cenário marcado pelo excesso de informações, a dificuldade já não consiste apenas em obter acesso ao conhecimento, mas em distinguir aquilo que se fundamenta em evidências daquilo que se apoia na desinformação, na manipulação ou na ausência de critérios confiáveis.

    Essa realidade evidencia que a leitura, por si só, não garante compreensão. Ler criticamente pressupõe interpretar argumentos, identificar relações de causa e consequência, reconhecer estratégias persuasivas, analisar pressupostos e confrontar diferentes pontos de vista. Em outras palavras, significa compreender que todo texto resulta de escolhas linguísticas e discursivas realizadas por seu autor, escolhas essas que podem influenciar a maneira como determinados fatos são percebidos pelo leitor.

    Nesse contexto, a escola assume papel essencial na formação de cidadãos capazes de utilizar a informação de maneira ética, responsável e crítica. Mais do que transmitir conteúdos, compete à educação desenvolver competências relacionadas à análise, à argumentação e à tomada de decisões fundamentadas. Afinal, em uma sociedade na qual a informação circula em velocidade cada vez maior, a capacidade de refletir tornou-se tão importante quanto o próprio acesso ao conhecimento.

Considerando a organização argumentativa do texto, a expressão "Nesse contexto", utilizada no último parágrafo, exerce função coesiva ao retomar:
Alternativas
Q4302257 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



    A sociedade da informação e os desafios da leitura crítica.


    Nas últimas décadas, o desenvolvimento das tecnologias digitais alterou profundamente a forma como o conhecimento é produzido, compartilhado e consumido. A informação, que durante muito tempo esteve concentrada em livros, bibliotecas e meios tradicionais de comunicação, passou a circular de maneira praticamente instantânea por diferentes plataformas digitais. Esse processo ampliou significativamente o acesso ao conhecimento e favoreceu a democratização da comunicação. Entretanto, trouxe consigo desafios que extrapolam o domínio da tecnologia e alcançam dimensões sociais, educacionais e éticas.

    A rapidez com que notícias, opiniões e imagens são difundidas faz com que milhões de pessoas tenham contato diário com uma quantidade de informações muito superior à capacidade humana de analisá-las de forma criteriosa. Em consequência, torna-se cada vez mais frequente a formação de opiniões baseadas em leituras superficiais, interpretações precipitadas ou conteúdos cuja veracidade sequer foi verificada. Em um cenário marcado pelo excesso de informações, a dificuldade já não consiste apenas em obter acesso ao conhecimento, mas em distinguir aquilo que se fundamenta em evidências daquilo que se apoia na desinformação, na manipulação ou na ausência de critérios confiáveis.

    Essa realidade evidencia que a leitura, por si só, não garante compreensão. Ler criticamente pressupõe interpretar argumentos, identificar relações de causa e consequência, reconhecer estratégias persuasivas, analisar pressupostos e confrontar diferentes pontos de vista. Em outras palavras, significa compreender que todo texto resulta de escolhas linguísticas e discursivas realizadas por seu autor, escolhas essas que podem influenciar a maneira como determinados fatos são percebidos pelo leitor.

    Nesse contexto, a escola assume papel essencial na formação de cidadãos capazes de utilizar a informação de maneira ética, responsável e crítica. Mais do que transmitir conteúdos, compete à educação desenvolver competências relacionadas à análise, à argumentação e à tomada de decisões fundamentadas. Afinal, em uma sociedade na qual a informação circula em velocidade cada vez maior, a capacidade de refletir tornou-se tão importante quanto o próprio acesso ao conhecimento.

Ao afirmar que "todo texto resulta de escolhas linguísticas e discursivas realizadas por seu autor", o autor pretende levar o leitor à compreensão de que:
Alternativas
Q4302256 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



    A sociedade da informação e os desafios da leitura crítica.


    Nas últimas décadas, o desenvolvimento das tecnologias digitais alterou profundamente a forma como o conhecimento é produzido, compartilhado e consumido. A informação, que durante muito tempo esteve concentrada em livros, bibliotecas e meios tradicionais de comunicação, passou a circular de maneira praticamente instantânea por diferentes plataformas digitais. Esse processo ampliou significativamente o acesso ao conhecimento e favoreceu a democratização da comunicação. Entretanto, trouxe consigo desafios que extrapolam o domínio da tecnologia e alcançam dimensões sociais, educacionais e éticas.

    A rapidez com que notícias, opiniões e imagens são difundidas faz com que milhões de pessoas tenham contato diário com uma quantidade de informações muito superior à capacidade humana de analisá-las de forma criteriosa. Em consequência, torna-se cada vez mais frequente a formação de opiniões baseadas em leituras superficiais, interpretações precipitadas ou conteúdos cuja veracidade sequer foi verificada. Em um cenário marcado pelo excesso de informações, a dificuldade já não consiste apenas em obter acesso ao conhecimento, mas em distinguir aquilo que se fundamenta em evidências daquilo que se apoia na desinformação, na manipulação ou na ausência de critérios confiáveis.

    Essa realidade evidencia que a leitura, por si só, não garante compreensão. Ler criticamente pressupõe interpretar argumentos, identificar relações de causa e consequência, reconhecer estratégias persuasivas, analisar pressupostos e confrontar diferentes pontos de vista. Em outras palavras, significa compreender que todo texto resulta de escolhas linguísticas e discursivas realizadas por seu autor, escolhas essas que podem influenciar a maneira como determinados fatos são percebidos pelo leitor.

    Nesse contexto, a escola assume papel essencial na formação de cidadãos capazes de utilizar a informação de maneira ética, responsável e crítica. Mais do que transmitir conteúdos, compete à educação desenvolver competências relacionadas à análise, à argumentação e à tomada de decisões fundamentadas. Afinal, em uma sociedade na qual a informação circula em velocidade cada vez maior, a capacidade de refletir tornou-se tão importante quanto o próprio acesso ao conhecimento.

A expressão "Em consequência", empregada no início do segundo período do segundo parágrafo, estabelece uma relação lógico-semântica entre as ideias anteriormente apresentadas. Nesse contexto, essa expressão introduz uma circunstância de:
Alternativas
Q4302255 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



    A sociedade da informação e os desafios da leitura crítica.


    Nas últimas décadas, o desenvolvimento das tecnologias digitais alterou profundamente a forma como o conhecimento é produzido, compartilhado e consumido. A informação, que durante muito tempo esteve concentrada em livros, bibliotecas e meios tradicionais de comunicação, passou a circular de maneira praticamente instantânea por diferentes plataformas digitais. Esse processo ampliou significativamente o acesso ao conhecimento e favoreceu a democratização da comunicação. Entretanto, trouxe consigo desafios que extrapolam o domínio da tecnologia e alcançam dimensões sociais, educacionais e éticas.

    A rapidez com que notícias, opiniões e imagens são difundidas faz com que milhões de pessoas tenham contato diário com uma quantidade de informações muito superior à capacidade humana de analisá-las de forma criteriosa. Em consequência, torna-se cada vez mais frequente a formação de opiniões baseadas em leituras superficiais, interpretações precipitadas ou conteúdos cuja veracidade sequer foi verificada. Em um cenário marcado pelo excesso de informações, a dificuldade já não consiste apenas em obter acesso ao conhecimento, mas em distinguir aquilo que se fundamenta em evidências daquilo que se apoia na desinformação, na manipulação ou na ausência de critérios confiáveis.

    Essa realidade evidencia que a leitura, por si só, não garante compreensão. Ler criticamente pressupõe interpretar argumentos, identificar relações de causa e consequência, reconhecer estratégias persuasivas, analisar pressupostos e confrontar diferentes pontos de vista. Em outras palavras, significa compreender que todo texto resulta de escolhas linguísticas e discursivas realizadas por seu autor, escolhas essas que podem influenciar a maneira como determinados fatos são percebidos pelo leitor.

    Nesse contexto, a escola assume papel essencial na formação de cidadãos capazes de utilizar a informação de maneira ética, responsável e crítica. Mais do que transmitir conteúdos, compete à educação desenvolver competências relacionadas à análise, à argumentação e à tomada de decisões fundamentadas. Afinal, em uma sociedade na qual a informação circula em velocidade cada vez maior, a capacidade de refletir tornou-se tão importante quanto o próprio acesso ao conhecimento.

No segundo parágrafo, ao afirmar que "a dificuldade já não consiste apenas em obter acesso ao conhecimento", o autor constrói uma ideia cujo pressuposto é que: 
Alternativas
Q4302254 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



    A sociedade da informação e os desafios da leitura crítica.


    Nas últimas décadas, o desenvolvimento das tecnologias digitais alterou profundamente a forma como o conhecimento é produzido, compartilhado e consumido. A informação, que durante muito tempo esteve concentrada em livros, bibliotecas e meios tradicionais de comunicação, passou a circular de maneira praticamente instantânea por diferentes plataformas digitais. Esse processo ampliou significativamente o acesso ao conhecimento e favoreceu a democratização da comunicação. Entretanto, trouxe consigo desafios que extrapolam o domínio da tecnologia e alcançam dimensões sociais, educacionais e éticas.

    A rapidez com que notícias, opiniões e imagens são difundidas faz com que milhões de pessoas tenham contato diário com uma quantidade de informações muito superior à capacidade humana de analisá-las de forma criteriosa. Em consequência, torna-se cada vez mais frequente a formação de opiniões baseadas em leituras superficiais, interpretações precipitadas ou conteúdos cuja veracidade sequer foi verificada. Em um cenário marcado pelo excesso de informações, a dificuldade já não consiste apenas em obter acesso ao conhecimento, mas em distinguir aquilo que se fundamenta em evidências daquilo que se apoia na desinformação, na manipulação ou na ausência de critérios confiáveis.

    Essa realidade evidencia que a leitura, por si só, não garante compreensão. Ler criticamente pressupõe interpretar argumentos, identificar relações de causa e consequência, reconhecer estratégias persuasivas, analisar pressupostos e confrontar diferentes pontos de vista. Em outras palavras, significa compreender que todo texto resulta de escolhas linguísticas e discursivas realizadas por seu autor, escolhas essas que podem influenciar a maneira como determinados fatos são percebidos pelo leitor.

    Nesse contexto, a escola assume papel essencial na formação de cidadãos capazes de utilizar a informação de maneira ética, responsável e crítica. Mais do que transmitir conteúdos, compete à educação desenvolver competências relacionadas à análise, à argumentação e à tomada de decisões fundamentadas. Afinal, em uma sociedade na qual a informação circula em velocidade cada vez maior, a capacidade de refletir tornou-se tão importante quanto o próprio acesso ao conhecimento.

Ao desenvolver sua argumentação, o autor estabelece uma relação entre o avanço das tecnologias digitais e os desafios contemporâneos da educação. Considerando a progressão temática do texto, assinale a alternativa que traduz com maior precisão a tese central defendida pelo autor.
Alternativas
Respostas
141: A
142: C
143: E
144: B
145: A
146: D
147: D
148: A
149: C
150: B
151: A
152: B
153: C
154: D
155: A
156: C
157: B
158: C
159: B
160: C