Questões de Concurso Sobre português
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Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
“Quem(1) dera ser um pintor e ter a chance(2) de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia(3) a tela e lograria um longo(4) período de pose para sair(5) daquela pressão atmosférica.”
Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
Não se lembra de mim?
Por Fabrício Carpinejar
Depois dos 60 anos, os amigos mudam dia após dia. Se você fica muito tempo sem ver um deles, é capaz de passar reto. Reze para ele não parar você na rua e perguntar:
— Não se lembra de mim?
Nosso sistema nervoso não reage bem a testes fisionômicos súbitos. Você tem que responder, não há intervalo para recobrar didaticamente, passo a passo, a convivência. Não pode permanecer parado, olhando, examinando, investigando, enquanto a pessoa espera. Ninguém espera. O costume é mentir conhecimento de causa para ganhar uma sobrevida de observação. Talvez ela diga algo que possa ajuda-lo e você não leve a pecha de ingrato.
Quem dera ser um pintor e ter a chance de convidá-la para ser modelo de sua pintura. Armaria o cavalete, estenderia a tela e lograria um longo período de pose para sair daquela pressão atmosférica. Por mais que se normalizem os lapsos, ainda mais com o avançar da idade, esquecer-se de alguém não é perdoável. É mais grave do que a distância física, pois envolve um distanciamento emocional. Experimentará aquela sensação paradoxal de que conhece muito o semblante, mas não se lembra de onde. A pessoa abraça você, aperta você, e o que você mais quer é afastá-la, ter uns minutos sozinho para debater o assunto com a sua memória.
O colóquio repentino é um assalto no coração, já que você é pego em trânsito, apreensivo com outras demandas. Não espera o contato, e sua demora surge como um gatilho apontado para o seu caráter:
— Como não se lembra de mim?
Enquanto não pronunciar o nome, não sentirá o bendito alívio, não reaverá a sua liberdade, não recuperará a sua paz de espírito. Ocorre um bug no seu sistema. Recorda características isoladas — os olhos, ou as sobrancelhas, ou um tique nervoso —, mas não o conjunto da obra.
O download da existência não baixa por inteiro. Resta uma sombra da intimidade. Uma névoa de cumplicidade. Já passei alguns apertos, em especial ao esbarrar com alguém de um determinado lugar numa cidade diferente. O transplante de cenário aumenta a confusão. É um colega de trabalho que aparece de sunga na praia, é uma amiga da faculdade fantasiada no meio de um bloco de Carnaval. São mesmo situações estranhas para evocações rápidas.
O que me dá raiva é que recordo quando eu me despeço e viro as costas. Vou andando cabisbaixo, fracassado com as minhas sinapses, desencantado com a minha lerdeza, e o nome vem. Finalmente vem. Volto a ter wi-fi dentro de mim. Desobrigado de qualquer tarefa, de qualquer imposição, eu lembro:
— Era ele!
A vontade é gritar o seu nome pela multidão. O destino é tão irônico que somente reencontrarei o amigo quando me esquecer dele de novo. Jamais acontece por sorte na semana seguinte.
Só sou salvo pela minha esposa. Como uma boa mineira, ela sempre se apresenta e assim força o outro a se apresentar também. Pego uma carona nos seus cumprimentos. Longe dela, vivo em apuros.
Leia:
Na manchete da notícia, a palavra destacada é classificada corretamente como:
AS OLIMPÍADAS
As Olimpíadas tiveram origem na cidade de Olímpia em 776 a.C., por isso, recebem esse nome. Na Antiguidade, as Olimpíadas consistiam em competições que abrangiam modalidades como: atletismo, pugilato, pentatlo, corrida de bigas e pancrácio.
Realizadas entre atletas das cidades-estados da Grécia, as Olimpíadas tinham como intuito homenagear os deuses gregos e propagar a paz entre as cidades do país. Nessa época, somente os homens participavam e assistiam aos jogos, no qual o vencedor recebia uma coroa de louro ou de folhas de oliveira. Atualmente, a cada edição, atletas de todo o mundo participam dos Jogos Olímpicos, realizados a cada quatro anos em um país eleito para sediá-los, com a duração de três a quatro semanas.
Os Jogos Olímpicos da Era Moderna, também conhecidos como Olimpíadas Modernas, foram criados por Pierre de Frédy (1863-1937), mais conhecido por Pierre de Coubertin, um historiador e pedagogo francês.
A ideia de Pierre de Coubertin de retomar os Jogos Olímpicos na era moderna era buscar a paz entre as nações, unindo todos em uma celebração esportiva. Acreditando nessa possibilidade, Pierre apelou a vários países que aderissem ao evento e fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI), em 1894.
Em 1896, aconteceu a primeira edição dos Jogos Olímpicos em Atenas, como forma de homenagear os Jogos Olímpicos da Antiguidade. Com a finalidade de estimular a competição saudável entre os povos, diversos países começaram a participar das Olimpíadas, que se tornou um dos principais eventos esportivos do mundo.
Em 1913, Pierre de Courbetin elaborou a bandeira olímpica. Essa bandeira, simbolizando a união das partes do mundo pelo Olimpismo, é branca, e cada um dos anéis possui uma cor diferente. Na parte de cima - da esquerda para a direita - estão os anéis azul, preto e vermelho; na parte de baixo - da esquerda para a direita - estão os anéis amarelo e verde.
Anéis olímpicos e estátua de Pierre de Coubertin perto do estádio nacional de Tóquio, em julho de 2019. Desde então, apenas três edições dos Jogos Olímpicos não foram realizadas. A primeira, em 1916, devido à Primeira Guerra Mundial. A segunda, em 1940 e 1944, em decorrência da Segunda Guerra Mundial.
AS OLIMPÍADAS
As Olimpíadas tiveram origem na cidade de Olímpia em 776 a.C., por isso, recebem esse nome. Na Antiguidade, as Olimpíadas consistiam em competições que abrangiam modalidades como: atletismo, pugilato, pentatlo, corrida de bigas e pancrácio.
Realizadas entre atletas das cidades-estados da Grécia, as Olimpíadas tinham como intuito homenagear os deuses gregos e propagar a paz entre as cidades do país. Nessa época, somente os homens participavam e assistiam aos jogos, no qual o vencedor recebia uma coroa de louro ou de folhas de oliveira. Atualmente, a cada edição, atletas de todo o mundo participam dos Jogos Olímpicos, realizados a cada quatro anos em um país eleito para sediá-los, com a duração de três a quatro semanas.
Os Jogos Olímpicos da Era Moderna, também conhecidos como Olimpíadas Modernas, foram criados por Pierre de Frédy (1863-1937), mais conhecido por Pierre de Coubertin, um historiador e pedagogo francês.
A ideia de Pierre de Coubertin de retomar os Jogos Olímpicos na era moderna era buscar a paz entre as nações, unindo todos em uma celebração esportiva. Acreditando nessa possibilidade, Pierre apelou a vários países que aderissem ao evento e fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI), em 1894.
Em 1896, aconteceu a primeira edição dos Jogos Olímpicos em Atenas, como forma de homenagear os Jogos Olímpicos da Antiguidade. Com a finalidade de estimular a competição saudável entre os povos, diversos países começaram a participar das Olimpíadas, que se tornou um dos principais eventos esportivos do mundo.
Em 1913, Pierre de Courbetin elaborou a bandeira olímpica. Essa bandeira, simbolizando a união das partes do mundo pelo Olimpismo, é branca, e cada um dos anéis possui uma cor diferente. Na parte de cima - da esquerda para a direita - estão os anéis azul, preto e vermelho; na parte de baixo - da esquerda para a direita - estão os anéis amarelo e verde.
Anéis olímpicos e estátua de Pierre de Coubertin perto do estádio nacional de Tóquio, em julho de 2019. Desde então, apenas três edições dos Jogos Olímpicos não foram realizadas. A primeira, em 1916, devido à Primeira Guerra Mundial. A segunda, em 1940 e 1944, em decorrência da Segunda Guerra Mundial.
AS OLIMPÍADAS
As Olimpíadas tiveram origem na cidade de Olímpia em 776 a.C., por isso, recebem esse nome. Na Antiguidade, as Olimpíadas consistiam em competições que abrangiam modalidades como: atletismo, pugilato, pentatlo, corrida de bigas e pancrácio.
Realizadas entre atletas das cidades-estados da Grécia, as Olimpíadas tinham como intuito homenagear os deuses gregos e propagar a paz entre as cidades do país. Nessa época, somente os homens participavam e assistiam aos jogos, no qual o vencedor recebia uma coroa de louro ou de folhas de oliveira. Atualmente, a cada edição, atletas de todo o mundo participam dos Jogos Olímpicos, realizados a cada quatro anos em um país eleito para sediá-los, com a duração de três a quatro semanas.
Os Jogos Olímpicos da Era Moderna, também conhecidos como Olimpíadas Modernas, foram criados por Pierre de Frédy (1863-1937), mais conhecido por Pierre de Coubertin, um historiador e pedagogo francês.
A ideia de Pierre de Coubertin de retomar os Jogos Olímpicos na era moderna era buscar a paz entre as nações, unindo todos em uma celebração esportiva. Acreditando nessa possibilidade, Pierre apelou a vários países que aderissem ao evento e fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI), em 1894.
Em 1896, aconteceu a primeira edição dos Jogos Olímpicos em Atenas, como forma de homenagear os Jogos Olímpicos da Antiguidade. Com a finalidade de estimular a competição saudável entre os povos, diversos países começaram a participar das Olimpíadas, que se tornou um dos principais eventos esportivos do mundo.
Em 1913, Pierre de Courbetin elaborou a bandeira olímpica. Essa bandeira, simbolizando a união das partes do mundo pelo Olimpismo, é branca, e cada um dos anéis possui uma cor diferente. Na parte de cima - da esquerda para a direita - estão os anéis azul, preto e vermelho; na parte de baixo - da esquerda para a direita - estão os anéis amarelo e verde.
Anéis olímpicos e estátua de Pierre de Coubertin perto do estádio nacional de Tóquio, em julho de 2019. Desde então, apenas três edições dos Jogos Olímpicos não foram realizadas. A primeira, em 1916, devido à Primeira Guerra Mundial. A segunda, em 1940 e 1944, em decorrência da Segunda Guerra Mundial.