Exercício com acolhimento transforma vida
de pessoas com autismo
Imagine entrar em uma academia onde o som
parece alto demais, a luz incomoda e estímulos surgem
por todos os lados. Para muitas pessoas com transtorno do
espectro autista (TEA), essa não é uma situação hipotética,
mas, sim, a realidade que muitos enfrentam ao tentar
praticar exercícios físicos.
O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento
que afeta, em diferentes graus, comunicação, linguagem,
interação social e comportamento. No Brasil, cerca de
2,4 milhões de pessoas têm diagnóstico de autismo,
segundo o Censo de 2022. O número ajuda a dimensionar
um desafio pouco discutido: como os estabelecimentos
com oferta de atividades físicas podem se preparar para
recebê‑las melhor.
As barreiras não são apenas sociais ou sensoriais.
Pessoas autistas frequentemente apresentam condições
associadas, como distúrbios do sono, alterações
metabólicas e gastrointestinais e maior risco de ganho
de peso.
Nesse cenário, a prática regular de atividade
física é não apenas recomendada, mas, também, parte
importante do cuidado com a saúde, o que torna o papel
do profissional de Educação Física indispensável. Mas o
sucesso dessa prática depende diretamente de como o
ambiente e o atendimento são conduzidos. Espaços com
excesso de estímulos e a ausência de previsibilidade podem
transformar o exercício em uma experiência desafiadora,
levando ao abandono da atividade.
Entender as especificidades de cada indivíduo
faz parte da atuação do profissional de Educação Física.
No atendimento a pessoas com espectro autista, essa
atenção se torna ainda mais necessária. Cabe, portanto,
ao profissional compreender o funcionamento corporal do
aluno e adaptar o ambiente para que a prática seja segura,
confortável e acolhedora.
Mais do que possibilitar a prática de exercícios,
o atendimento adequado amplia a participação social de
pessoas com TEA. Quando o ambiente é compreendido,
estruturado e conduzido por profissionais preparados, o
que antes era uma fonte de sobrecarga se transforma em
oportunidade de desenvolvimento, autonomia e qualidade
de vida.
À medida que a Educação Física avança em
formação e conhecimento, cresce também a capacidade
de incluir de forma real. O futuro do atendimento passa
menos por adaptações improvisadas e mais por preparo
técnico e sensibilidade profissional.
Internet:<www.confef.org.br> (com adaptações).