Questões de Concurso Sobre pronomes relativos em português

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Q4438267 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1

(...) como é que, ao longo dos últimos 2 mil ou 3 mil anos, nós construímos a ideia de humanidade? Será que ela não está na base de muitas das escolhas erradas que fizemos, justificando o uso da violência? A ideia de que os brancos europeus podiam sair colonizando o resto do mundo estava sustentada na premissa de que havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida, trazendo-a para essa luz incrível.

Esse chamado para o seio da civilização sempre foi justificado pela noção de que existe um jeito de estar aqui na Terra, uma certa verdade, ou uma concepção de verdade, que guiou muitas das escolhas feitas em diferentes períodos da história. Agora, no começo do século XXI, algumas colaborações entre pensadores com visões distintas originadas em diferentes culturas possibilitam uma crítica dessa ideia. Somos mesmo uma humanidade?

Pensemos nas nossas instituições mais bem consolidadas, como universidades ou organismos multilaterais, que surgiram no século XX: Banco Mundial, Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização das Nações Unidas (ONU), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Quando a gente quis criar uma reserva da biosfera em uma região do Brasil, foi preciso justificar para a Unesco por que era importante que o planeta não fosse devorado pela mineração.

Para essa instituição, é como se bastasse manter apenas alguns lugares como amostra grátis da Terra. Se sobrevivermos, vamos brigar pelos pedaços de planeta que a gente não comeu, e os nossos netos ou tataranetos — ou os netos de nossos tataranetos — vão poder passear para ver como era a Terra no passado.

Essas agências e instituições foram configuradas e mantidas como estruturas dessa humanidade. E nós legitimamos sua perpetuação, aceitamos suas decisões, que muitas vezes são ruins e nos causam perdas, porque estão a serviço da humanidade que pensamos ser. As andanças que fiz por diferentes culturas e lugares do mundo me permitiram avaliar as garantias dadas ao integrar esse clube da humanidade. E fiquei pensando: “Por que insistimos tanto e durante tanto tempo em participar desse clube, que na maioria das vezes só limita a nossa capacidade de invenção, criação, existência e liberdade?”. Será que não estamos sempre atualizando aquela nossa velha disposição para a servidão voluntária? Quando a gente vai entender que os Estados nacionais já se desmancharam, que a velha ideia dessas agências já estava falida na origem?

Em vez disso, seguimos arrumando um jeito de projetar outras iguais a elas, que também poderiam manter a nossa coesão como humanidade. Como justificar que somos uma humanidade se mais de 70% estão totalmente alienados do mínimo exercício de ser?


KRENAK, Aílton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 10-14.
Na oração explicativa “porque estão a serviço da humanidade que pensamos ser”, o pronome relativo que introduz uma:
Alternativas
Q4437095 Português
Leia o período: "A secretaria recebeu os requerimentos dos candidatos e os encaminhou à direção, que os analisará antes da publicação do resultado." Assinale a alternativa que apresenta análise CORRETA dos mecanismos de coesão empregados. 
Alternativas
Q4436761 Português
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa no que diz respeito ao emprego dos pronomes relativos e à sintaxe de regência, assinale a alternativa em que a regência e o emprego do pronome relativo "que" estão CORRETOS.
Alternativas
Q4434957 Português

Leia o período:


"A secretaria recebeu os requerimentos dos candidatos e os encaminhou à direção, que os analisará antes da publicação do resultado."


Assinale a alternativa que apresenta análise CORRETA dos mecanismos de coesão empregados.

Alternativas
Q4434614 Português

Considere o excerto e responda:



“A coesão referencial assegura a continuidade do texto por meio de remissões a elementos já introduzidos (anafóricos) ou a serem introduzidos (catafóricos), utilizando-se de pronomes, sinônimos, hiperônimos ou elipses.” Fonte: KOCH, Ingedore G. Villaça. A Coesão Textual. São Paulo: Contexto, 2020, p. 52. No trecho: “O Estado implementou novas diretrizes fiscais. Estas visam a conter o déficit público, o qual tem desafiado os economistas”, os elementos coesivos destacados exercem, respectivamente, função de:

Alternativas
Q4434406 Português

Leia o período:


"Os servidores receberam as solicitações dos usuários e as encaminharam ao setor competente, que deverá analisá-las antes da resposta definitiva."


Assinale a alternativa que apresenta análise correta dos elementos de coesão.

Alternativas
Q4432854 Português

Assinale a alternativa que utiliza os pronomes relativos, em conformidade com a norma-padrão da Língua Portuguesa.


Alternativas
Q4432584 Português

TEXTO 2



(Título do texto omitido para fins didáticos)



Marcus André Melo (Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA)) – Com adaptações


Fonte:

www1.folha.uol.com.br/colunas/marcusmelo/2026/08. Acesso em: 17/8/2026

Assinale a opção que NÃO faz a associação adequada entre expressões referenciais e os sentidos a elas atribuídos com base na ideia global do texto 2:
Alternativas
Q4431879 Português
     No âmbito administrativo, as consultas sobre questões jurídicas devem ser examinadas com fundamento na legislação aplicável e nos precedentes administrativos pertinentes. Antes de responder às demandas encaminhadas pelos setores competentes, o analista deverá ter verificado os documentos que instruem cada expediente e deverá ter confrontado as informações apresentadas com as normas vigentes. Quando houver divergências relevantes, será necessário que os elementos disponíveis tenham sido cuidadosamente examinados, para que a orientação a ser apresentada não resulte de interpretação isolada de determinado dispositivo. Nos casos em que a matéria estiver sendo discutida em diferentes unidades administrativas, a equipe responsável deverá ter considerado os entendimentos anteriormente firmados. Somente depois de concluída essa análise poderá ser emitida resposta fundamentada, indicando os procedimentos que deverão ser adotados pelo órgão consulente. Caso novos elementos venham a ser apresentados posteriormente, a orientação já emitida poderá ser revista, desde que tenham sido identificadas circunstâncias capazes de modificar a conclusão anteriormente alcançada.


ALMEIDA JUNIOR, A. T. Texto sobre consultas administrativas e questões jurídicas. Fortaleza, 2026. Texto elaborado para fins didático-avaliativos.
Considerando a estrutura sintática dos períodos simples e compostos, a articulação entre orações desenvolvidas e reduzidas, a classificação e a função sintática dos pronomes e as relações estabelecidas entre antecedente e oração subordinada, assinale a alternativa que apresenta análise integralmente compatível com a norma-padrão e com a organização sintático-semântica do texto.
Alternativas
Q4429348 Português
Na frase "Os documentos que chegaram ontem estavam bastante danificados", as palavras "que" e "bastante" exercem, respectivamente, quais funções morfológicas?
Alternativas
Q4428548 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



Sir Galahad, IA e a educação


Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio


    Há uma cena hilária e muito conhecida no filme Em Busca do Cálice Sagrado, do grupo Monty Python, em que dois guardas de um castelo veem Sir Galahad se aproximar à distância. Porém, toda vez que olham para o cavaleiro avançando, ele parece estar no mesmo lugar. Até que, de repente, ele atinge um dos guardas com sua espada e invade o castelo, como se tivesse aparecido do nada.   


    É assim que percebo a atitude de muitos professores em relação ao advento, para o grande público, dos chats de inteligência artificial, os modelos de linguagem de grande escala (large language model ou LLM), das quais ouvimos falar por todo lado. Importante dizer que me coloco aqui sob uma perspectiva específica: a de professor de filosofia em uma faculdade de educação (no caso, a FE-USP), que lida com ingressantes no curso de pedagogia e alunos de outras unidades que cursam licenciatura conosco. Em suma, estudantes interessados na profissão docente, e que são apresentados à literatura filosófica, parte da tradição teórica dos estudos em educação. Trabalhamos, portanto, com textos, e produzimos textos a partir deles.


    Em outras áreas, especialmente nas ciências exatas ou aplicadas, talvez a situação seja diferente, e a chegada de Galahad esteja sendo percebida razoavelmente bem, de forma a não pegar ninguém de surpresa. No âmbito das humanidades, porém, e em especial na área de educação, isso parece não ser verdade. Muitas vezes, quando ocorre uma discussão sobre o tema, ela é marcada por trivialidades, moralismo e indignação. Afinal, como é possível que uma máquina, ou um programa, substitua o pensamento, esse atributo até então irredutivelmente humano? Como redes neuronais frias ousam ocupar o espaço da inefável capacidade criativa das pessoas? São críticas recorrentes, que não impediram, no passado, a disseminação das calculadoras, dos computadores pessoais e das redes (anti)sociais, por mais que possamos, em muitos aspectos, lamentar o mundo que criaram.


    Raramente aprofundamos nossas discussões sobre os impactos da abertura do uso desses chatbots na forma como nossos alunos produzem seus textos, um fantasma que agora lança dúvidas sobre a “autenticidade” do material que lemos e corrigimos. As considerações, quando existem, quase sempre se dirigem à condenação de seu uso, e à invenção de meios de identificar quando ele ocorre (curiosamente, usando outras ferramentas de inteligência artificial). Afinal, um trabalho feito com auxílio de IA flertaria perigosamente com a malandragem, enganando o professor no justo instante em que se depara com o texto exemplar, cumpridor de todas as exigências de rigor e correção de linguagem. Um evidente crime de lesa-magistério. O texto áspero e com ruído passa a ser, então, a garantia precária de sua provável “humanidade”.  


    Esse é um problema, de fato. No entanto, não é o problema de fundo. Porque ainda estamos falando de meios: o aluno produz um texto usando IA para responder a uma demanda nossa. No limite, é certo, o trabalho apresentado pode ter sido feito sem qualquer reflexão pessoal ou empenho, sem realmente ser “dele”. Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. Como ficam o paper, o ensaio, o livro ou o capítulo “na era de sua reprodutibilidade técnica”? (Walter Benjamin tratou da reprodução da obra de arte e do simulacro; hoje, lidamos com a criação artificial de originais dotados até mesmo de aura.) 


    Por fim, ainda que nenhum aluno utilize tais recursos, e todos os trabalhos que pedimos sejam realizados a partir de livros e artigos – IA free – a questão permanece: se uma máquina pode fazer melhor, com mais rigor e correção, aquilo que pedimos ao aluno, não estaríamos equivocados em pedir o que pedimos? Se um programa é capaz de extrair insights, correlações e respostas de textos de forma mais eficaz do que um humano, qual o sentido (e não digo que ele não exista: precisa então ser esclarecido) de pedir ao aluno que o faça? (Veja-se, por exemplo, o recém-lançado Google NotebookLM, que gera tais resultados a partir do conteúdo fornecido pelo usuário e é capaz de criar um podcast extremamente realista a partir desse material.) Será que temos aqui algo semelhante à exigência de não usarmos calculadoras, para preservar nossa capacidade de fazer contas de cabeça? Ou, então, à proibição do uso de celulares em sala de aula, válida nas séries iniciais, mas desde sempre superada no ensino superior? (Pois muitos alunos leem no celular os textos – digitalizados – que indicamos.)  


    O uso massivo das IAs desafia a maneira como entendemos a produção e avaliação do conhecimento.

Responder a tais desafios de maneira reativa e moralista implica ver a banda passar. Só haverá algum espaço para nossas concepções românticas de produção intelectual – que incidem diretamente em nosso modo de avaliá-la – com seus insights únicos e originais, se aprendermos a buscar essa originalidade no uso de tais ferramentas. Sua rejeição bem-intencionada, mas inócua, ou a aceitação irrefletida, mas inepta, não são opções válidas para nós, professores.


    Porque, afinal, Sir Galahad vem chegando. 


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 25 out. 2024. 

Analise o período a seguir.


    Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que [1] lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que [2] pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que [3] tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. 


Os termos em destaque são classificados como  

Alternativas
Q4427862 Inglês
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Less job mobility, lower productivity: the cost of cosy capitalism


Australians are changing jobs far less often than they did 50 years ago. Financial insecurity, debt and workplace barriers may be trapping workers in jobs – and helping entrench a low-productivity form of "cosy capitalism".


Fifty years ago work was different, wasn't it? Your first job on leaving school was at the bottom of the hierarchy – filing, making coffee or cleaning up the building site. If all went well you would move through the ranks and retire from the same firm or government department having achieved a middle or senior rank. That was before there was a gig economy, before computers allowed people to set up their own microbusinesses, and before the word 'precariat' had been coined.

What a pity the ABS has challenged this myth with hard data in their annual series on Job Mobility. In the 1970s on average 17 per cent of workers changed their employer or business in any one year: now only 8 per cent of workers do. We're staying much longer in our jobs. This series, going back to 1972, is shown below.

The trend is clearly towards less mobility, interrupted by the occasional economic shock – the 'recession we had to have' in 1990, and the pandemic in 2020.

One might have expected that increased female participation in the workforce would have seen more mobility, but women have followed the same trend as men: after the mid-1980s the male and female lines are indistinguishable.

Tracing cause and effect would involve a large research task, but there are some plausible explanations.

One is that the workforce has become more professionalised. There are fewer short-term unskilled vacancies, and fewer workers lacking any post-school skills. Work has become a more serious commitment by both employees and employers.

Another is that the cost to the individual in changing jobs has increased. This requires some explanation, because it is not immediately obvious.

Over the last half century there has been a significant fall in personal savings. Fifty years ago we were saving about 15 to 20 per cent of household income. Now our savings are between 2 and 5 per cent of income. This is partly a statistical artefact, because we are now accumulating savings in compulsory superannuation. But in terms of liquidity, such as ability to tide oneself over between jobs, it is a real constraint. The ABS Making ends meet survey shows that 27 per cent of households would be unable to raise $2,000 for something important within a week. We are carrying more personal debt, not because we are spendthrifts, but because some debt, particularly student debt, has been forced upon us, and runaway housing prices have increased the burden of mortgage debt.

To illustrate this fall in savings, we note that the days of long strikes are well behind us. Now a one-day strike is newsworthy. In times past strikes could stretch out for weeks and no industry was immune: in 1973 Sydney's Kings Cross strippers went on strike for up to two months.

Some workers now are restricted in their mobility by non-compete clauses. Many workers realise that shifting to another job probably involves going through a probationary period, with an uncertain outcome. The associated risk of unemployment has to be weighed against the lower risk of continued employment in a comparatively secure but less satisfying job.

We have allowed our economy to evolve into what may be called a pattern of cosy capitalism, where businesses have a compliant and stable (if not necessarily content) workforce. It works for business not only in terms of power in the labour market, but also in the broader economy. Consumption is sustained by innovations such as buy-now-pay-later schemes, heightening dependence on regular pay. People with no cash in reserve depend on car loans and are unlikely to risk taking low-cost-high-deductible home and contents insurance. It's all very convenient for the finance sector.

Cosy capitalism is low-productivity capitalism, because it throttles the dynamics of capitalism. Workers become trapped in low-productivity jobs, and entrepreneurs trying to establish new businesses find it hard to attract labour. Existing firms have little incentive to boost labour productivity if they feel assured that they can hang on to workers in low-productivity jobs and don't have to increase their pay. 

There are certain things governments can do to boost productivity that involve removing friction in the system. The government has committed to banning the unjustified use of non-compete clauses, for example. State governments could make it easier for people to move by abolishing real-estate transfer taxes and replacing them with land taxes. The Commonwealth could boost JobSeeker payments and remove some of the spend-down provisions in its asset test, shifting its design from a scheme of distributive welfare to one of income insurance. More could be done to allow for transfer of long service leave and sick leave between employers.

Such policies would boost productivity, but they wouldn't be met with many thanks from those who do well for themselves in our pattern of cosy capitalism. Business lobbies may speak for the short-term interests of existing business, but not for the interests of business in its wider sense. The distinction is important.


https://johnmenadue.com/post/2026/08/less-job-mobility-lower-productiv ity-the-cost-of-cosy-capitalism/
Consider the following excerpts:

"not because we are spendthrifts, but because some debt [...] has been forced upon us"

"those who do well for themselves"

"where businesses have a compliant and stable [...] workforce"

Select the CORRECT alternative.
Alternativas
Q4427392 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas


Veny Santos 


    Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso. 


    Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta. 


    Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas. 


    Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office. 


    O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber. 


    Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas. 


    A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível? 


    Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.

Há um pronome relativo que estabelece relação de posse em:
Alternativas
Q4418234 Português
Durante a revisão de um artigo acadêmico, um professor identificou construções que exigiam atenção às regras de regência pronominal. Entre os casos analisados, destacavam-se o emprego dos pronomes relativos precedidos de preposição e a relação sintática estabelecida entre esses elementos e os termos antecedentes.

Considerando as regras de regência e o emprego dos pronomes relativos na norma-padrão, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4415556 Português
Leia o trecho:
“A agricultura sustentável exige conhecimento técnico, planejamento e integração entre diferentes saberes. Nesse contexto, os profissionais que atuam junto às comunidades rurais precisam compreender que suas orientações devem considerar as características locais e respeitar os conhecimentos construídos pelos agricultores. A adoção de práticas agroecológicas, quando associada ao acompanhamento técnico adequado, favorece o desenvolvimento de sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis.”
(Elaborado com base em: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. Disponível em: https://www.gov.br/mda/pt-br. Acesso em: 7 jul. 2026.)
Considerando os aspectos linguísticos presentes no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CPCON Órgão: Prefeitura de Guarabira - PB Provas: CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Agente Fiscal de Tributos | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Arquiteto e Urbanista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Arquivista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Assistente Social | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Auditor de Controle Interno | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Auditor Fiscal de Tributos Municipais | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Biomquímico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Educador Físico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Enfermeiro 40h | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Engenheiro Civil | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Reumatologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Socorrista 24h | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Veterinário | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Nutricionista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Odontólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Odontológo Pediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Procurador Municipal | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Programador | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Psicólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Farmacêutico | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Fisioterapeuta | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Fonoaudiólogo | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Cardiologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Gastroenterologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Mastologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Neurologista | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Neuropediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico Pediatra | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Médico PSF | CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Terapeuta Ocupacional |
Q4404762 Português

Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Especialistas alertam sobre os impactos dos distúrbios do sono na saúde mental

O alerta é reforçado no Dia Mundial do Sono, celebrado nesta sexta-feira, 13 de março

Problemas relacionados ao sono podem ter impactos diretos na saúde mental. Por essa razão, ter uma boa noite de sono é fundamental para o equilíbrio emocional e para o funcionamento adequado do organismo. Dormir mal pode provocar dificuldades de memória, falta de concentração, irritabilidade, desânimo e até tristeza, além de aumentar o risco de ansiedade e depressão. É o que explica o neurologista do Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), complexo hospitalar vinculado ao Governo do Estado e administrado pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), Renato Leal. O alerta é reforçado no Dia Mundial do Sono, celebrado em 13 de março, data que chama atenção para a importância de uma boa noite de descanso.

De acordo com o especialista, diversos distúrbios podem comprometer a qualidade do sono. Entre os principais estão a insônia, caracterizada pela dificuldade para iniciar ou manter o sono; a hipersonia, marcada pelo excesso de sono durante o dia; e as parassonias, que incluem comportamentos anormais durante o sono, como sonambulismo, pesadelos e terror noturno. Também fazem parte desse grupo os distúrbios do ritmo circadiano, quando o relógio biológico fica desregulado, a síndrome das pernas inquietas e os distúrbios respiratórios do sono, como a apneia. “Muitas pessoas acreditam que dormir mal é normal ou que basta dormir mais no fim de semana para compensar noites ruins. No entanto, distúrbios do sono são condições médicas que podem e devem ser tratados”, explica o neurologista.

Segundo o psiquiatra do HRJ, Ricardo Nogueira, a saúde mental está diretamente ligada aos distúrbios do sono. O profissional esclarece que ter boas noites de sono, com tempo e qualidade preservados, é considerado um fator de neuroproteção para o cérebro, reduzindo a incidência de transtornos mentais e sintomas psíquicos de uma forma geral. “Os distúrbios do sono podem precipitar sintomas psiquiátricos e favorecer o desenvolvimento de transtornos mentais, mas o inverso também é verdadeiro: os transtornos mentais frequentemente produzem alterações importantes no sono. Trata-se, portanto, de uma relação bidirecional, ou seja, é uma via de mão dupla,” explica o especialista.

Ainda de acordo com o psiquiatra, diversos mecanismos ajudam a explicar como a má qualidade do sono prejudica a saúde mental. “A privação de sono pode causar desregulação emocional, alterações em neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, e aumento do cortisol, intensificando a resposta ao estresse. Como consequência, há maior irritabilidade, ansiedade, prejuízos de memória e atenção, elevando a vulnerabilidade à depressão e outros transtornos mentais,” conclui.

Os profissionais de saúde orientam que, em caso de problemas relacionados ao sono, é importante buscar ajuda médica e evitar automedicação. 

Fonte: https://www.saude.ba.gov.br/2026/03/16/especialistas-alertam-sobre-os-impactos-dos-disturbios-do-sono-na-saude-mental/. Acesso em: 21 de abr. 2026.

Observe as assertivas a seguir construídas a partir do Texto I.
I- O termo “diversos”, em “diversos distúrbios” (2º parágrafo), funciona como pronome indefinido.
II- O termo “que”, em “que chama atenção” (1º parágrafo), atua como pronome relativo.
III- O termo “como”, em “como sonambulismo” (2º parágrafo), exerce função de conjunção subordinativa.
É CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4403776 Português
Musculação realmente pode ajudar a viver mais?

Fazer entre 90 minutos e duas horas de musculação por semana pode reduzir significativamente o risco de morte precoce, de acordo com uma nova pesquisa.

Dados reunidos a partir de estudos de longa duração sugerem que a prática regular de treino de força no longo prazo pode reduzir de forma significativa a probabilidade de morte por doenças cardíacas e derrames. Os benefícios também incluíram a redução do risco de morte por doenças neurológicas.

Especialistas afirmaram que isso constitui mais uma evidência de que o treino de força pode ajudar a prevenir ou adiar problemas de saúde e pode aliviar a pressão sobre serviços de saúde sobrecarregados.

Kate Hogarth tem apenas 28 anos, mas já pensa em como se manter saudável para desfrutar de seu futuro. Ela gosta de treinar com pesos e do aumento da autoestima que isso lhe proporciona no presente — mas também reconhece os benefícios de longo prazo para a saúde.

“Quero ser independente mais tarde na vida. Existem muitos estudos que mostram todos os benefícios do treino de força, para a saúde cardiovascular, músculos, ossos e saúde mental”, diz ela. “Quero poder viajar pelo mundo quando tiver 70, 80 e 90 anos e quero poder pegar meus netos no colo e brincar com eles, e ter esse nível de independência é muito importante.”

O sistema britânico de saúde (NHS, na sigla em inglês) afirma que a atividade aeróbica regular pode reduzir o risco de doenças cardíacas, derrames e diabetes tipo 2, além de reduzir o estresse e aumentar a autoestima.

Mas o que tem sido menos claro é o papel que a musculação pode desempenhar na redução do risco de morte. Isso está começando a mudar.

Pesquisadores que publicaram um artigo no British Journal of Sports Medicine analisaram dados de três estudos envolvendo 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. Eles constataram que aqueles que praticavam musculação consistentemente entre 90 minutos e duas horas por semana reduziram o risco de morte prematura por qualquer causa em 13%.

O risco de morte por doença cardiovascular — como ataque cardíaco ou derrame, por exemplo — foi 19% menor. Para morte causada por doença neurológica — como demência, por exemplo — a redução foi ainda maior, de 27%.

Os pesquisadores concluíram que os “menores riscos” foram observados entre aqueles que realizavam níveis elevados tanto de exercício aeróbico quanto de treino de força.

Entre essas pessoas mais ativas, que faziam muitas horas de exercícios aeróbicos por semana, o risco de morte precoce por qualquer causa caiu em até 58%. [...]

HUGHES, Dominic; HITCHEN, Lesley; GOVAN, James. Musculação realmente pode ajudar a viver mais? BBC News. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ clypj6jl5xpo. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Leia o seguinte excerto do texto.
Pesquisadores que publicaram um artigo no British Journal of Sports Medicine analisaram dados de três estudos envolvendo 147.374 homens e mulheres com mais de 30 anos. Eles constataram que aqueles que praticavam musculação consistentemente entre 90 minutos e duas horas por semana reduziram o risco de morte prematura por qualquer causa em 13%.

Com relação aos termos em destaque, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4401306 Português
Você está com fome ou foi o algoritmo? Saiba como as redes sociais influenciam suas escolhas alimentares

Por Priscila Dezidério

Em relação às classes das palavras sublinhadas no trecho “Perfis de influenciadores podem apresentar rotinas alimentares muito específicas, que nem sempre refletem as necessidades nutricionais da maioria das pessoas”, retirado do texto, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) “Alimentares” é um adjetivo uniforme.
( ) “Muito” é um pronome indefinido.
( ) “Que” é um pronome relativo.
( ) “As” é um artigo indefinido feminino.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q4400009 Português
Leia o texto a seguir.


Interminável. Inesgotável. Imprescindível

Cal Gomes


Desde o final do ano passado, com o comunicado do vocalista David Coverdale de que estaria se aposentando, uma sequência de notícias sobre o Deep Purple, clássica e essencial banda de hard rock, foi surgindo na mídia.

Primeiro, no início de agosto, Glenn Hughes também afirmou, em um comunicado oficial, que não iria mais fazer shows ao vivo por problemas de saúde. O vocalista e baixista, de 74 anos, que foi extremamente importante para a banda, gravando 3 ótimos álbuns, vai precisar passar por uma cirurgia no coração. Glenn, no entanto, não informou se também não mais gravará novos álbuns.

Dias antes, o Deep Purple lançava o seu novo trabalho: Splat!, ao mesmo tempo que o vocalista Ian Gillan, nas entrevistas de divulgação do disco e da turnê mundial que já começou, voltou a citar os seus graves problemas de visão que vem enfrentando. E, em um dos primeiros shows do lançamento de Splat!, nos EUA, o guitarrista Richie Blackmore, depois de 3 décadas afastado da banda, esqueceu os longos, vários e sérios atritos com os membros do Purple, subiu ao palco ao lado deles para tocar um dos clássicos do Rock: Smoke on the Water.

Fonte:https://www.jb.com.br/colunistas/cult-pop-e-rock/2026/08/1060648-interminavel-inesgotavel-imprescindivel.html. Acesso em 22/08/2026. Excerto. 
No trecho “O vocalista e baixista, de 74 anos, que foi extremamente importante para a banda” (2º parágrafo), o pronome destacado contribui para a coesão do texto porque: 
Alternativas
Q4398340 Português
TEXTO


FLORESTAS DE MONOCULTURA AGRAVAM INCÊNDIOS NA EUROPA


   Incêndios florestais quase sempre precisam de uma faísca para começar, seja por um raio, incêndio criminoso ou pelo contato do escapamento quente de um carro com a vegetação seca.
   No caso dos incêndios florestais históricos do verão de 2026 na Europa, a principal causa apontada foi o contato de máquinas com a vegetação seca. Na França, autoridades acreditam que uma máquina de roçagem que operava próxima a uma linha de alta tensão tenha dado início ao fogo. Na Espanha, as investigações atribuem a tragédia a máquinas pesadas e suas faíscas. Mas essas conclusões explicam apenas como os incêndios começaram, e não por que eles se transformaram nos megaincêndios que devastaram o continente no verão.
    Uma combinação de mudanças climáticas, planejamento insuficiente e florestas plantadas de maneira que favorece a rápida propagação das chamas foram, estas sim, as principais causas do fenômeno, segundo especialistas. “Não é que os incêndios florestais sejam algo mágico e simplesmente comecem. É preciso haver as condições climáticas para isso”, disse Silvia Abruscato, coordenadora da FoRISK, uma rede europeia de gestão de riscos florestais.
     Os cientistas apontam três fatores que determinam se um incêndio florestal se espalhará rapidamente: a quantidade de vegetação disponível para queimar, o grau de ressecamento dessa vegetação e as condições meteorológicas ao redor do fogo.
      “Quando essas três condições são altamente favoráveis aos incêndios e coincidem, então você tem esse tipo de evento”, disse Francesca Di Giuseppe, coordenadora de um projeto de previsão de incêndios no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.
     As mudanças climáticas estão tornando essas condições mais comuns e mais intensas. Uma análise rápida do grupo World Weather Attribution concluiu que o aquecimento global tornou muito mais provável a ocorrência das condições meteorológicas extremas que favoreceram os incêndios de verão na Espanha e na França.
    Uma das razões é um fenômeno chamado “chicote hidroclimático”, no qual ecossistemas alternam abruptamente entre condições úmidas e secas. Em essência, à medida que o planeta aquece, a atmosfera retém mais umidade, intensificando as chuvas que estimulam o crescimento da vegetação. “Isso criou uma abundância de biomassa que depois secou rapidamente durante uma sequência de ondas de calor”, disse Di Giuseppe.
      Na primavera, uma atmosfera mais quente retira água do solo e das plantas. A seca se agrava, a vegetação resseca e as paisagens tornam-se muito mais fáceis de incendiar. Em termos simples, invernos úmidos produzem combustível, e primaveras secas transformam esse combustível em material ideal para pegar fogo.
     No verão de 2026, isso significou incêndios surgindo quase simultaneamente na França, Espanha, Grécia e Turquia, todos impulsionados pelo mesmo padrão generalizado de calor e seca. Nesse ciclo, os próprios incêndios acabam agravando o aquecimento global. Segundo dados da União Europeia, os incêndios de 2026 emitiram em torno de 18 milhões de toneladas de CO₂, gás que contribui para o problema.
    Depois que um incêndio começa, milhares de bombeiros podem levar dias ou semanas para controlar as chamas. Isso ocorre, em parte, por causa da forma como as florestas foram manejadas ao longo de décadas. Em partes da Europa, grandes áreas foram plantadas como monoculturas, dominadas por uma única espécie cultivada para produção rápida de madeira.
    “Alguns dos incêndios que estamos vendo na França e na Espanha ocorrem em locais onde existem árvores altamente inflamáveis, relativamente finas e que frequentemente crescem muito próximas umas das outras, de modo que o fogo se espalha com muita facilidade”, disse Doug Kelley, modelador de superfícies terrestres do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido.
       Mais de três quartos da floresta Landes de Gascogne, no sudoeste da França são compostos por pinheiro-marítimo. Criada depois que Napoleão 3 ordenou, em 1857, a drenagem dos pântanos da região e o plantio de pinheiros, ela se tornou a maior floresta artificial da Europa. 
     Mas essa espécie de pinheiro perde agulhas grossas que cobrem o solo da floresta, fornecendo grande quantidade de combustível para incêndios. Como as árvores têm idade e altura semelhantes em vastas áreas, elas são particularmente vulneráveis a incêndios de rápida propagação.
      Outra árvore de crescimento rápido usada para produção de madeira é o eucalipto. Em Portugal, essa espécie rica em óleo, que representa mais de um quarto da área florestal do país, queimou extensamente durante a mortal temporada de incêndios de 2017.
      “Em algumas regiões da Europa, terras agrícolas e áreas de arbustos com menor biomassa foram substituídas por espécies de coníferas ou eucaliptos, mais propensas a incêndios e de maior rentabilidade econômica, aumentando o risco de fogo”, escreveu a Comissão Europeia em um relatório de estudo de caso sobre os incêndios portugueses de 2017.
    Isso inclui a Espanha, onde cerca de 3 milhões de hectares de antigas áreas agrícolas e pastagens foram plantados com pinheiros e eucaliptos durante e após a ditadura de Francisco Franco, que durou de 1939 a 1975.
    Os bombeiros continuarão desempenhando um papel crucial no combate aos incêndios florestais. Mas especialistas afirmam que reduzir o risco antes que os incêndios comecem é igualmente importante. Isso passa por enfrentar as emissões de gases de efeito estufa que impulsionam as mudanças climáticas e intensificam eventos meteorológicos extremos.
     “Tentar evitar, antes de tudo, que a paisagem se torne tão inflamável é uma das formas mais eficazes de evitar esse tipo de comportamento extremo do fogo”, afirmou Di Giuseppe. Substituir monoculturas por florestas mistas também ajudaria significativamente. Florestas com maior diversidade de espécies costumam resistir melhor à seca, tempestades de vento, surtos de insetos e incêndios, porque diferentes árvores reagem de maneiras distintas aos estresses ambientais.
      A Alemanha oferece um caso instrutivo de manejo florestal. A demanda por madeira após a Segunda Guerra Mundial levou ao plantio de abetos em cadeias montanhosas como a região do Harz, na antiga Alemanha Oriental. Mas essas monoculturas mostraram-se vulneráveis à seca e à infestação por besouros da casca. Atualmente, engenheiros florestais trabalham para convertê-las em florestas mistas e aumentar sua resiliência.
      O plantio de árvores caducifólias de folhas largas, como carvalhos, faias ou bordos, também pode ajudar, pois elas normalmente armazenam mais umidade do que as coníferas. Árvores com casca grossa, menos galhos baixos e maior teor de umidade tendem a ser mais resistentes ao fogo.
    Um estudo de simulação realizado após os incêndios de 2017 em Portugal constatou que incêndios que superaram a capacidade de resposta dos bombeiros em áreas de pinheiros e eucaliptos, com chamas superiores a quatro metros de altura, poderiam ser contidos em florestas de árvores de folhas largas, onde as chamas ficavam abaixo de um metro e meio.
      Especialistas em silvicultura também recomendam criar espaços entre as fileiras de árvores para desacelerar a propagação do fogo, bem como podar os galhos mais baixos para impedir que as chamas alcancem rapidamente as copas. Limpar o solo florestal de folhas secas inflamáveis e madeira morta, além de realizar queimadas controladas para reduzir a vegetação rasteira antes da temporada de incêndios, também ajuda. “Precisamos manejar nossas florestas adequadamente para evitar que desastres tão grandes aconteçam. Portanto, prevenção, prevenção, prevenção”, disse Abruscato.



Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/florestas-demonocultura-agravam-incêndios-na-europa/a-78214751. Adaptado. Acesso em: 2 de setembro de 2026.
No trecho “autoridades acreditam que uma máquina de roçagem que operava próxima a uma linha de alta tensão tenha dado início ao fogo”, as palavras destacadas devem ser classificadas, CORRETA e respectivamente, como:
Alternativas
Respostas
1: A
2: B
3: D
4: B
5: B
6: A
7: D
8: A
9: C
10: C
11: B
12: A
13: D
14: C
15: D
16: A
17: E
18: D
19: A
20: B