Questões de Concurso
Sobre problemas da língua culta em português
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Isso ocorre também em:

Relativamente ao uso do verbo haver na lacuna da linha 41, pode-se afirmar que, tendo em vista o contexto, ele deve ser flexionado na ______________ do ______________, assumindo a forma ______.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
Avalie as seguintes propostas de substituição de vocábulos no texto:
I. Inserção do pronome pessoal nós imediatamente antes da forma verbal analisarmos (l. 02).
II. Troca de ‘a sensação de empoderamento’ (l. 19-20) por ‘o poder da sensação’.
III. Substituição de ‘em breve’ por dentro em pouco (l. 41).
Quais das propostas NÃO podem ser feitas, visto que provocam erro ao texto?

Avalie as seguintes propostas de substituição da forma verbal ‘existiam’ (l. 19), no que tange à estrutura gramatical da frase:
I. A substituição por ‘haviam’ manteria a correção gramatical do período.
II. A manutenção da correção gramatical se efetuaria se ‘existiam’ fosse substituído por ‘havia’.
III. ‘houveram’ e ‘haveriam’ poderiam ser corretamente utilizados em lugar de ‘existiam’.
Quais estão corretas?

Em relação à expressão ‘uma baita perda de tempo’ (l. 01-02), afirma-se que:
I. O termo ‘baita’ seria corretamente substituído por enorme ou imensa.
II. Para adequá-la ao padrão culto da Língua Portuguesa, poder-se-ia escrever: ‘uma grande perca de tempo’.
III. O vocábulo ‘inexpugnável’ poderia substituí-la adequadamente sem provocar alteração de sentido.
Quais estão corretas?
Texto CB1A1AAA

José Pacheco. Para que serve a formação? Escola da ponte – formação e
transformação da educação. São Paulo: Vozes, 2010, p. 4 (com adaptações)
Julgue o seguinte item, com relação aos aspectos gramaticais do texto CB1A1AAA.
Sem prejuízo da correção gramatical do texto, a locução
“Por que” poderia ser substituída por Porque no trecho
“Por que falharam os programas de formação?” (l.16).
TEXTO
NATAL NA BARCA
Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.
O velho, um bêbedo esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de uma figura antiga.
TEXTO
NATAL NA BARCA
Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.
O velho, um bêbedo esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de uma figura antiga.
TEXTO
Entrevista de Carlos Heitor Cony
“Hoje, se os Mamonas Assassinas [banda de pop-rock
que estourou em 1995, morta em um acidente
de avião 1 ano depois] escreverem um livro sobre
a teoria do quanta, não vai faltar editor e não vai
faltar leitor. (...) A indústria do livro era muito elitista
naquela época, havia um certo elitismo. O livro era
considerado um objeto, quase um totem, uma coisa
sagrada. Acho o fenômeno do Paulo Coelho muito útil.
É um homem que vende milhões de exemplares, faz
o editor ganhar dinheiro, e esse editor pode investir
em outras coisas.” (Em entrevista ao programa Roda
Viva, da TV Cultura).
O problema de escritura desse segmento do texto é:
Amor-próprio
O grande cronista Rubem Braga cunha uma frase definitiva a respeito do “amor-próprio”: “Se eu conhecesse outro sujeito igual a mim, nossas relações nunca chegariam a ser grande coisa.” Isto não quer dizer, porém, que não goste de si mesmo. Significa apenas que ele é um homem que põe, sem medos tolos, a diversidade e a surpresa em primeiro lugar. O que mais o atrai na vida é, justamente, a imprevisibilidade. O amor-próprio lhe parece, então, monótono e desnecessário. Quase um vício. Ele evita essas pessoas saudáveis e resolvidas que estão sempre cuidando de si. O cuidado de si, para Braga, é uma forma de mascaramento.
O amor-próprio de Braga se revela no uso que faz da crônica. Em suas mãos, ela é, antes de tudo, uma máquina de confessar. Praticando-a, o cronista expõe as impressões, experiências e sentimentos que o atormentam; ao escrever, enxágua a alma até a mais absoluta transparência.
(CASTELLO, José. Na cobertura de Rubem Braga. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996, p. 56-57)
Come, meu filho
– O mundo parece chato mas eu sei que não é.
[...]
– Sabe por que parece chato? Porque, sempre que a gente olha, o céu está em cima, nunca está embaixo, nunca está de lado. Eu sei que o mundo é redondo porque disseram, mas só ia parecer redondo se a gente olhasse e às vezes o céu estivesse lá embaixo. Eu sei que é redondo, mas para mim é chato, mas Ronaldo só sabe que o mundo é redondo, para ele não parece chato.
– ...
– Porque eu estive em muitos países e vi que nos Estados Unidos o céu também é em cima, por isso o mundo parecia todo reto para mim. Mas Ronaldo nunca saiu do Brasil e pode pensar que só aqui é que o céu é lá em cima, que nos outros lugares não é chato, que só é chato no Brasil, que nos outros lugares que ele não viu vai arredondando. Quando dizem para ele, é só acreditar, pra ele nada precisa parecer. Você prefere prato fundo ou prato chato?
– Chat... raso, quer dizer.
– Eu também. No fundo, parece que cabe mais, mas é só para o fundo, no chato cabe para os lados e a gente vê logo tudo o que tem. Pepino não parece inreal?
– Irreal.
– Por que você acha?
– Se diz assim.
– Não, por que é que você também achou que pepino parece inreal? Eu também. A gente olha e vê um pouco do outro lado, é cheio de desenho bem igual, é frio na boca, faz barulho de um pouco de vidro quando se mastiga. Você não acha que pepino parece inventado?
– Parece.
– Onde foi inventado feijão com arroz?
– Aqui.
– Ou no árabe, igual que Pedrinho disse de outra coisa?
– Aqui.
– Na Sorveteria Gatão o sorvete é bom porque tem gosto igual da cor. Para você carne tem gosto de carne?
– Às vezes.
– Duvido! Só quero ver: da carne pendurada no açougue?!
– Não.
– E nem da carne que a gente fala. Não tem gosto de quando você diz que carne tem vitamina.
– Não fala tanto, come.
– Mas você está olhando desse jeito para mim, mas não é para eu comer, é porque você está gostando muito de mim, adivinhei ou errei?
– Adivinhou. Come, Paulinho.
– Você só pensa nisso. Eu falei muito para você não pensar só em comida, mas você vai e não esquece.
(LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo, Círculo do livro, 1988. P. 122-124.)


I. Os termos “mas”, “porque”, “se” e “e” (primeiro, segundo, terceiro e quarto balões, respectivamente) funcionam como elementos coesivos para relacionar o dado posto como o dado novo. II. A conjunção adversativa “mas” (primeiro balão) pode ser substituída por “e” sem prejuízo de significação. III. As grafias “por que” e “porque” (primeiro e segundo balões, respectivamente) são diferentes porque a primeira ocorrência não está no início da frase e a segunda está. IV. O termo “se” (terceiro balão) desempenha a função de conjunção subordinativa causal.
( ) O verbo “entreter” apresenta conjugação que pode levar ao erro à luz do padrão culto. ( ) A fala do sorveteiro pode ou não ser considerada um erro pela perspectiva da gramática normativa. ( ) O termo “mineirês” (linha 18) refere-se a uma variedade linguística típica de Minas Gerais. ( ) O texto trata do problema relacionado ao fato de o sorveteiro usar o verbo “entreter” com sentido equivocado. ( ) O que motivou a escrita do texto foi a saudade que o autor sentia da buzina do sorveteiro.


