Questões de Concurso
Comentadas sobre problemas da língua culta em português
Foram encontradas 3.717 questões
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão que a ele se refere.
Texto 01
Você tem fome de quê?
Afinal, você tem fome de quê? A pergunta que a banda Titãs fez na música Comida continua sendo a pergunta que não quer calar. E tomara que não cale mesmo, assim temos a chance de repensar o que consumimos e expandir os horizontes para mais possibilidades do que aquelas que pairam na zona de conforto ou nas expectativas alheias.
Esse foi o caminho que fiz quando assisti ao filme Fome de Sucesso. Intuitivamente, fui fazendo as associações e pensando que os filmes realmente nos trazem essa oportunidade. É através da narrativa de outras pessoas, que aparentemente não têm nada a ver conosco, que nos sentimos parte daquela história de alguma forma — mesmo que elas pertençam a uma cultura distante e que falem um idioma com o qual não nos identificamos.
A protagonista dessa história é a jovem Aoy, que trabalha no restaurante tradicional da família na Tailândia e tem uma vida bem comum, sem luxo nem glamour, mas com uma família amorosa e amigos presentes. Até que é descoberta por um olheiro, que vê nela um talento desperdiçado. Ela poderia fazer sucesso na equipe de um chef famoso, subir na carreira e ganhar muito dinheiro. Fome de Sucesso é sobre essa vontade (que beira à obsessão) de ser bem-sucedida a qualquer custo, submetendo-se a situações tóxicas a ponto de prejudicar, e muito, a saúde mental.
Com o panorama da culinária tailandesa e o mundo da fama, do dinheiro e da futilidade como pano de fundo, mergulhamos no universo gastronômico indigesto dessa história para pensar sobre a nossa vida. O consumo do alimento é metáfora para refletirmos sobre tudo que consumimos: informação, relacionamentos, bens.
Nossas escolhas constroem quem somos — e trazem consequências, para o bem e para o mal. Aoy precisa chegar ao limite para entender que tipo de sucesso realmente nutre, de forma saudável e duradoura, seu corpo e sua alma.
Disponível em: https://vidasimples.com/. Acesso em: 17 ago. 2023. Adaptado.
I. Em “É através da narrativa de outras pessoas, que aparentemente não têm nada a ver conosco [...]”, o acento gráfico no verbo “têm” indica que ele foi empregado no plural para concordar com o termo “outras pessoas”.
II. Em “Esse foi o caminho que fiz quando assisti ao filme Fome de Sucesso.”, o verbo “assistir”, foi empregado no sentido de “ver”, por isso se encontra regido pela preposição “a” combinada com o artigo definido “o”, resultando “ao”.
III. Em “Aoy precisa chegar ao limite para entender que tipo de sucesso realmente nutre [...]”, o verbo “chegar” foi usado coloquialmente, uma vez que, de acordo com a norma, deve ser regido pela preposição “em”.
IV. Em “Afinal, você tem fome de quê?”, o termo “que” foi acentuado porque se encontra no final da frase, o que não ocorreria se a redação do trecho fosse: “Afinal, de que você tem fome?
V. Em “[...] ser bem-sucedida a qualquer custo, submetendo-se a situações tóxicas [...]”, o uso do acento grave indicativo de crase é facultativo em “submetendo-se a situações”, uma vez que o termo “situações” se encontra no plural.
Estão CORRETAS as afirmativas
Leia o texto abaixo para responder à questão
SERRA PELADA: ENTENDA A SAGA DO OURO NOS ANOS 1980
Garimpeiros de todo o Brasil exploraram 30 toneladas do metal precioso
Serra Pelada, no Pará, ficou conhecida nos anos 80 como o maior garimpo a céu aberto do mundo. Pela grande quantidade de ouro, a região atraiu milhares de pessoas e se transformou em um formigueiro humano. A busca pelo ouro teve início no Brasil em uma época e local bem diferentes, foi em Minas Gerais, no século XVII, que a exploração começou sob o controle de Portugal.
A minissérie "Serra Pelada - A Saga do Ouro", que estreia na Globo no dia 21 de janeiro, revisita a exploração do ouro no Brasil. Com nomes de peso no elenco, como Sophie Charlotte, Wagner Moura, Juliano Cazarré, Júlio Andrade e Matheus Nachtergaele, a série conta a história de dois amigos de infância que se mudam para o Pará por causa da “febre do ouro”. O garimpo começa no final da década de 1970 e vive seu auge nos anos 80, a exploração em Curionópolis, no Pará, durou aproximadamente 11 anos.
A Fazenda Três Barras era mais uma das centenas de propriedades da Bacia Amazônica, até que a notícia da descoberta de ouro atraiu garimpeiros de todo o Brasil para o local, a 800 km de Belém. A região foi desmatada - dando lugar ao garimpo - e dividida em barrancos de dois por dois metros. Cada unidade era ocupada por um garimpeiro, que tentava a sorte enquanto cavava: era possível encontrar apenas lama ou enriquecer com grandes quantidades de ouro.
Entenda a trajetória do ouro no período colonial
Em pouco tempo a Serra Pelada - um complexo mineral que abrange uma área de aproximadamente 5 mil hectares - se tornou o maior garimpo do mundo, com 80 mil homens trabalhando ao mesmo tempo. Durante o auge da produção aurífera, o governo federal decidiu intervir na área. Todos os garimpeiros e os barrancos foram registrados junto à Receita Federal. Todo metal precioso encontrado na área deveria ser vendido à Caixa Econômica Federal. De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) foram extraídas, de forma oficial, 30 toneladas de ouro no local.
Com o passar dos anos, o a extração de ouro foi se tornando cada vez mais perigosa, já que a área do garimpo ficava cada vez mais profunda. Deslizamentos de terra eram constantes e mortes também. No decorrer da década de 1980, a produção entrou em declínio e, em 1992, o governo Collor fechou o garimpo através de um decreto.
Hoje, a área do garimpo deu lugar a um lago de 200 metros de profundidade, utilizado como fonte de lazer pela população local. No entanto, há sinais de que o ouro voltará a sair de Serra Pelada. A Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) e a mineradora canadense Colossus Minerals Inc. fecharam um acordo para explorar o complexo mineral de forma mecanizada.
(www.educação.globo.com/artigo/serra-pelada-saga-do-ouro-anos-1980.html. Acesso 02/02/2023)
Leia o texto abaixo para responder à questão
SERRA PELADA: ENTENDA A SAGA DO OURO NOS ANOS 1980
Garimpeiros de todo o Brasil exploraram 30 toneladas do metal precioso
Serra Pelada, no Pará, ficou conhecida nos anos 80 como o maior garimpo a céu aberto do mundo. Pela grande quantidade de ouro, a região atraiu milhares de pessoas e se transformou em um formigueiro humano. A busca pelo ouro teve início no Brasil em uma época e local bem diferentes, foi em Minas Gerais, no século XVII, que a exploração começou sob o controle de Portugal.
A minissérie "Serra Pelada - A Saga do Ouro", que estreia na Globo no dia 21 de janeiro, revisita a exploração do ouro no Brasil. Com nomes de peso no elenco, como Sophie Charlotte, Wagner Moura, Juliano Cazarré, Júlio Andrade e Matheus Nachtergaele, a série conta a história de dois amigos de infância que se mudam para o Pará por causa da “febre do ouro”. O garimpo começa no final da década de 1970 e vive seu auge nos anos 80, a exploração em Curionópolis, no Pará, durou aproximadamente 11 anos.
A Fazenda Três Barras era mais uma das centenas de propriedades da Bacia Amazônica, até que a notícia da descoberta de ouro atraiu garimpeiros de todo o Brasil para o local, a 800 km de Belém. A região foi desmatada - dando lugar ao garimpo - e dividida em barrancos de dois por dois metros. Cada unidade era ocupada por um garimpeiro, que tentava a sorte enquanto cavava: era possível encontrar apenas lama ou enriquecer com grandes quantidades de ouro.
Entenda a trajetória do ouro no período colonial
Em pouco tempo a Serra Pelada - um complexo mineral que abrange uma área de aproximadamente 5 mil hectares - se tornou o maior garimpo do mundo, com 80 mil homens trabalhando ao mesmo tempo. Durante o auge da produção aurífera, o governo federal decidiu intervir na área. Todos os garimpeiros e os barrancos foram registrados junto à Receita Federal. Todo metal precioso encontrado na área deveria ser vendido à Caixa Econômica Federal. De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) foram extraídas, de forma oficial, 30 toneladas de ouro no local.
Com o passar dos anos, o a extração de ouro foi se tornando cada vez mais perigosa, já que a área do garimpo ficava cada vez mais profunda. Deslizamentos de terra eram constantes e mortes também. No decorrer da década de 1980, a produção entrou em declínio e, em 1992, o governo Collor fechou o garimpo através de um decreto.
Hoje, a área do garimpo deu lugar a um lago de 200 metros de profundidade, utilizado como fonte de lazer pela população local. No entanto, há sinais de que o ouro voltará a sair de Serra Pelada. A Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) e a mineradora canadense Colossus Minerals Inc. fecharam um acordo para explorar o complexo mineral de forma mecanizada.
(www.educação.globo.com/artigo/serra-pelada-saga-do-ouro-anos-1980.html. Acesso 02/02/2023)
I.A temperatura mundial está subindo, porque estão aumentando os casos de poluição.
II.É importante deixar claro o porque de a temperatura mundial estar aumentando.
III.Por que o ser humano insiste em não ver que suas ações geram impactos na natureza?
Está correto o uso dos porquês em:
I. A faculdade onde eu estudo fica na zona norte.
II. Onde você o levou?
III. No apartamento aonde eu moro, não tem arcondicionado.
Está(ão) CORRETO(S):
Silêncio
É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembrança de palavras. Se és morte, como te alcançar. É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz. A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes. Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas. Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece. O coração bate ao reconhecêlo. Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta – como ardemos por ser chamados a responder – cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio. Quantas horas se perdem na escuridão supondo que o silêncio te julga – como esperamos em vão por ser julgados pelo Deus. Surgem as justificações, trágicas justificações forjadas, humildes desculpas até a indignidade. Tão suave é para o ser humano enfim mostrar sua indignidade e ser perdoado com a justificativa de que se é um ser humano humilhado de nascença. Até que se descobre – nem a sua indignidade ele quer. Ele é o silêncio. Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro de cabeceira cair no chão. Mas, horror – o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio. Então, se há coragem, não se luta mais. Entra-se nele, vai-se com ele, nós os únicos fantasmas de uma noite em Berna. Que se entre. Que não se espere o resto da escuridão diante dele, só ele próprio. Será como se estivéssemos num navio tão descomunalmente enorme que ignorássemos estar num navio. E este singrasse tão largamente que ignorássemos estar indo. Mais do que isso um homem não pode. Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do nada sozinho e sozinho bater alto nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio. Se não há coragem, que não se entre. [...]
Clarice Lispector. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
I. Venceram os brasileiros os argentinos.
II. Muita gente não gosta de uva paça no arroz.
III. Você disse que me ama? Mentirosa! Não ama nada!
IV. Na verdade, a maioridade traz responsabilidade e não liberdade ao cidadão.
Assinale a alternativa que, respectivamente, relaciona os vícios às frases:
Responda à questão com base no seguinte texto:
Inda estava longe, bem longe a vitória do abolicionismo, quando Bom-Crioulo, então simplesmente Amaro, veio, ninguém sabe donde, metido em roupas d’algodãozinho, trouxa ao ombro, grande chapéu de palha na cabeça e alpercatas de couro cru. Menor (teria dezoito anos), ignorando as dificuldades _________ passa todo homem de cor em um meio escravocrata e profundamente superficial como era a Corte —ingênuo e resoluto, abalou sem ao menos pensar nas consequências da fuga. Nesse tempo o “negro fugido” aterrava as populações de um modo fantástico. Dava-se caça ao escravo como aos animais, de espora e garrucha, mato a dentro, saltando precipícios, atravessando rios a nado, galgando montanhas... Logo que o fato era denunciado — aqui-delrei! — enchiam-se as florestas de tropel, saíam estafetas pelo sertão num clamor estranho, medindo pegadas, açulando cães, rompendo cafezais. Até fechavam-se as portas, com medo... Jornais traziam na terceira página a figura de um “moleque” em fuga, trouxa ao ombro, e, por baixo, o anúncio, quase sempre em tipo cheio, minucioso, explícito, com todos os detalhes, indicando estatura, idade, lesões, vícios, e outros característicos do fugitivo. Além disso, o “proprietário” gratificava generosamente a quem prendesse o escravo. Autor: Adolfo Caminha. Trecho extraído da obra O Bom-Crioulo.
Qual das seguintes alternativas preenche corretamente essa lacuna?