Questões de Concurso Comentadas sobre problemas da língua culta em português

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Q3728662 Português
Há, na Língua Portuguesa, diversas variações linguísticas. Sobre a “forma mais correta” de se expressar, analise as assertivas e assinale a alternativa correta.

I. Existe uma única forma “mais correta” de falar o português, que deve ser ensinada e priorizada na escola.
II. A forma “mais correta” é aquela utilizada pelos falantes de uma determinada região, como o Nordeste ou o Sudeste.
III. Não existe uma forma “mais correta”, mas sim a forma mais adequada de se expressar de acordo com a situação social, histórica e cultural a qual o indivíduo está inserido.
IV. A língua escrita é sempre a forma mais correta, enquanto a oralidade apresenta variações que devem ser corrigidas.
V. A correção linguística é determinada pelo uso de gírias e expressões informais, independentemente do contexto.
Alternativas
Q3728587 Português
Hipoteticamente, um aluno da 3ª série do Ensino Médio escreveu o seguinte parágrafo em uma redação de vestibular:

“Com os feedbacks constantes promovidos por influencers em seus stories no Instagram, as pessoas poderão se tornar mais conscientes das fake news que rondam a sociedade hodierna.”

Com base nesse trecho, pensando na figura docente frente aos alunos, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) Os termos feedbacks, influencers, stories e fake news são empréstimos do inglês. Em uma redação escolar, seu uso poderia ser avaliado criticamente e aceito, caso o tema exija atualização lexical e clareza comunicativa.
( ) O uso dos empréstimos feedbacks, influencers, stories e fake news indica negligência linguística, e seu emprego deve ser evitado, considerando a adequação ao registro formal da redação escolar.
( ) A utilização de termos como feedbacks, influencers, stories e fake news deve ser sempre incentivada em redações escolares, independentemente do tema, pois promove necessariamente atualização lexical. 
Alternativas
Q3728089 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Literatura de jornal (o que é a crônica)


Artur da Távola


    A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor ou jornalista, exposto que fica, com suas vísceras existenciais à mostra no açougue da vida, penduradas à espera do consumo de outros como ele, enrustidos, talvez, na manifestação dos sentimentos, ideias, verdades e pensamentos.

    Já escrevi mais de cinco mil crônicas. E a uns estudantes que me pediram uma síntese sobre o gênero, respondi o seguinte:

    É o samba da literatura. É ao mesmo tempo a poesia, o ensaio, a crítica, o registro histórico, o factual, o apontamento, a filosofia, o flagrante, o miniconto, o retrato, o testemunho, a opinião, o depoimento, a análise, a interpretação, o humor. Tudo isso ela contém, a polivalente. Direta e simples como um samba. Profunda como a sinfonia.

    É compacta, rápida, direta, aguda, penetrante, instantânea (dissolve-se com o uso diário), biodegradável, (...) oxalá perfume, saudade e algum brilho de vida no sorriso ou na lágrima do leitor.

    A literatura do jornal. O jornalismo da literatura. É a pausa de subjetividade, ao lado da objetividade da informação do restante do jornal. Um instante de reflexão, diante da opinião peremptória do editorial.

    É tímida e perseverante. Não se engalana com os grandes edifícios da literatura, mas pode conter alguns de seus melhores momentos. Não se enfeita com os altos sistemas de pensamento, mas pode conter a filosofia do cotidiano e da vida que passa. Não se empavona com a erudição dos tratados, mas pode trazer agudeza de percepção dos bons ensaios.

    Para ser boa, não deve ser mastigada. Deve dissolver-se na boca do leitor, deixando um sabor de vivência comum. Deve parecer que já estava escrita há muito tempo na sensibilidade de quem a lê e foi apenas lembrada ou ativada pelo escritor/jornalista que lhe deu forma.

    Deve ser rápida como a percepção e demorada como a recordação. Verdadeira como um poente e esperançosa como a aurora. (...) Suave como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome.

    Terna como a amamentação e insegura como toda primeira vez. Religiosa como a portadora do mistério e agnóstica como um livre pensador. A crônica nos obriga à síntese, à capacidade de condensar emoções em parágrafos-barragem. Faz-nos prosseguir, mesmo quando nos sentimos repetitivos. É, pois, a expressão jornalístico-literária da necessidade de não desistir de ser e sentir. A crônica é o samba da literatura.



Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ntc_l.php?t=044. 

Assinale a alternativa cuja forma reescrita do trecho entre aspas, nos parênteses, com alterações na voz verbal, mantém-se de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, sem alterar o significado básico original da sentença.
Alternativas
Q3725339 Português

Texto 1: Quem Tem Medo da Metonímia?

 

E da metáfora? E da ironia? Na metonímia, na metáfora e na ironia, transporta-se, como diria Aristóteles, para uma coisa o nome de outra coisa. Essa é a definição aristotélica de metáfora, mas serve bem tanto à metonímia quanto à ironia. Nos três casos, dizemos uma coisa querendo dizer outra.

Por quê? Porque a metáfora é a mãe (uma metáfora) não apenas de todas as figuras de linguagem, mas também de toda a linguagem. As palavras com que designamos as coisas e as pessoas não são nem as coisas nem as pessoas: as palavras estão no lugar das coisas e das pessoas. Logo, as palavras já são metáforas.

A metonímia, foco deste artigo, também substitui um sentido por outro, mas mantendo uma relação de proximidade entre eles. Na metonímia, um termo substitui outro não porque enxergamos semelhança entre os elementos que ambos os termos designam, quando nos expressaríamos através de uma metáfora, mas sim vislumbrando uma relação de contiguidade entre o sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui.

Alguns gramáticos dizem que a função principal da linguagem figurada é a de provocar uma surpresa no leitor, fazendo com que ele preste atenção não somente no que o autor diz, mas também em como construiu o texto. Essa observação é interessante, porque mostra que as figuras de linguagem não são apenas enfeites ou ornamentos, mas também despertadores (mais uma metáfora) da consciência dos leitores. A função despertadora das metonímias fica nítida quando percebemos que elas não se restringem a palavras e frases: muitos gestos são igualmente metonímicos. Na cultura árabe, por exemplo, o gesto de mostrar a sola do sapato para outra pessoa implica insulto gravíssimo. A associação metonímica se dá com a sola do sapato, a parte do calçado que encosta na sujeira contida no chão. Por isso, na cultura muçulmana, os sapatos são proibidos de serem utilizados nas mesquitas.

A querida leitora e o querido leitor talvez esperem que eu passe a listar vários exemplos soltos de metonímia. Entretanto, é o que estou tentando não fazer, porque não compreendemos a metonímia e as demais figuras de linguagem, bem como qualquer conteúdo programático, apenas decorando listas de frases soltas e descontextualizadas. A compreensão da metonímia é, na verdade, da ordem da sociologia e da filosofia: ela nos ajuda a fazer perguntas e a estabelecer relações que não são claras a priori. Por esta razão, ao invés de listar exemplos soltos de metonímia, recordo três questões do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj que abordam a metonímia.

No Exame de Qualificação 2020, no qual o livro Hora de alimentar serpentes, da escritora ítalo-brasileira Marina Colasanti, era a leitura indicada, uma das questões partia do pequeno conto da autora intitulado “Para começar”: Desejou ter a beleza de uma árvore frondosa tatuada nas costas, copa espraiada sobre os ombros. Temendo, porém, o longo sofrimento imposto pelas agulhas, mandou tatuar na base da coluna, bem na base, a mínima semente. Sobre esse pequeno conto, se perguntava: “Na narrativa, o desejo inicial e a decisão final do personagem podem ser relacionados por meio da seguinte figura de linguagem: (A) metonímia (B) hipérbole (C) antítese (D) ironia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “A metonímia é a figura de linguagem que toma a parte pelo todo ou o todo pela parte, numa relação de contiguidade. É esta relação metonímica que se estabelece na narrativa: o desejo inicial do personagem era tatuar a árvore, mas sua decisão final foi a de tatuar uma semente. Dessa forma, a árvore representa o todo do qual a semente é uma parte.” Os candidatos deveriam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do texto e do contexto, e sim na própria narrativa. O personagem, com medo da dor no processo de tatuagem de uma árvore frondosa nas costas, prefere tatuar na base da coluna uma pequena semente, ou seja, a semente da árvore que ele desejava tatuada nas suas costas. Fica implícita, na narrativa, a esperança de que a tatuagem da árvore cresça sozinha, sem agulhas, a partir da tatuagem da semente.

No Exame Único 2023, no qual o romance Niketche: uma história de poligamia, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “As mulheres de Tony pertencem a diferentes grupos étnicos. Rami é ronga; Ju é changana; Lu é sena; Saly é maconde; Mauá é macua. Em relação a essa diversidade, na representação cultural de Moçambique, cada uma dessas mulheres pode ser compreendida pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) metonímia (D) eufemismo”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Em Niketche, todo o conflito se desenvolve em torno de Tony e suas cinco mulheres, que vêm de diferentes partes de Moçambique, país fortemente marcado pela pluralidade étnica. Pode-se dizer que Moçambique é apresentado, portanto, por essas cinco personagens, que formam uma espécie de mosaico? Sim, cada uma delas representa uma etnia, e as particularidades culturais e geográficas desses grupos são debatidas, ao longo da narrativa, por meio da ação das próprias personagens.” Novamente, os candidatos precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que pudesse ser retirada do romance, mas sim na função das personagens na própria narrativa.

Por fim, no Exame de Qualificação 2025, no qual o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “Em Quincas Borba, os personagens se movimentam no contexto de emergência do capitalismo no Brasil. Em relação a esse contexto, o protagonista Rubião pode ser melhor identificado pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) eufemismo (D) metonímia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Machado de Assis mostra, desde o primeiro parágrafo da narrativa, que seus personagens se movem no contexto do surgimento do capitalismo no Brasil. Como a metonímia é a figura de linguagem em que a parte pode representar o todo, Rubião, o personagem principal, é ele mesmo uma metonímia desse capitalismo emergente, a saber, o indivíduo que representa todos os capitalistas e todo o capitalismo. Com seu fascínio pela ostentação e seu afã de enriquecer a qualquer custo e o mais rápido possível, Rubião encarna não apenas as benesses do capitalismo, como também a possibilidade de ascensão social de um indivíduo comum, mas também, e principalmente, as mazelas desse mesmo capitalismo – como, por exemplo, a possibilidade de queda desse mesmo indivíduo.

(...)”

Esta questão se mostra semelhante àquela que vimos a respeito do romance de Paulina Chiziane. Nela, os candidatos também precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do romance, mas sim na função dos personagens na própria narrativa. Comprova-se, dessa maneira, que a compreensão da metonímia é, sim, de ordem mais ampla, abrangendo da ética – isto é, a reflexão sobre valores morais – à metafísica – isto é, à reflexão sobre a essência das coisas e das pessoas.

 

GUSTAVO BERNARDO

Adaptado de revista.vestibular.uerj.br.

Além do texto lido, considere o fragmento a seguir, do linguista João W. Geraldi, para responder à questão.

 

Não me passou despercebido, então, algo bem mais profundo defendido pelo Círculo de Bakhtin (...): a linguagem como uma atividade constitutiva dos sujeitos, cujas consciências sendo sígnicas – e, portanto, ideológicas – eram marcadas pelos processos interativos de que participavam, tomando desde seu sentido mais estrito do diálogo face a face até seu sentido mais amplo, abrangendo um tempo, um espaço (...). Foi a compreensão inicial desse processo que me levou a defender o ponto de vista de que considerar erro qualquer variante da língua padrão era considerar errado o próprio processo de constituição dos sujeitos que falavam variedades distintas.

 

Em SILVA, L. L. M. da e outras. (Orgs.) O texto na sala de aula: um clássico sobre o ensino de língua portuguesa. Campinas/SP: Autores Associados, 2014, p. 210.


João W. Geraldi expressa uma crítica à prática de considerar erradas determinadas variantes da língua.


Essa crítica pode se sustentar no entendimento de que o erro costuma ser definido por:

Alternativas
Q3720583 Português
Analise as frases abaixo e assinale a que apresenta linguagem formal, adequada a um relatório empresarial.
Alternativas
Q3716830 Português

Utilize o texto abaixo para responder a questão.


Muitas famílias enfrentam dificuldades para conseguir uma vaga de creche para os filhos. Mesmo que a etapa não seja obrigatória, o impacto é grande na renda das famílias e no desenvolvimento das crianças. Um levantamento do Todos Pela Educação com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) e do Censo Escolar divulgada revelou que quase 2,3 milhões de crianças de até 3 anos estão fora da creche por dificuldade de acesso. “As crianças que não têm acesso à educação infantil são privadas de ter um ambiente seguro que estimule o seu desenvolvimento e interação com adultos com os quais convivem, preparados para estimular o desenvolvimento das crianças”, disse Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos.


(Adaptado de g1.globo.com> Acesso em 21 de agosto de 2025).

Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas das frases:


I- Ainda não entendi _______ ele desistiu do projeto tão repentinamente.

II- Não compareceu à reunião _______ estava doente.

III- Gostaria de saber _______ você não respondeu às mensagens ontem.

IV- O _______ de tanta confusão foi explicado apenas no final do encontro

Alternativas
Q3716818 Português

Utilize o texto abaixo para responder a questão.


Embora o debate sobre litigância predatória tenha ganhado destaque nos últimos anos, trata-se de um fenômeno longe de ser recente, visto que o Poder Judiciário brasileiro convive, há décadas, com elevados índices de litigiosidade. Apenas em 2023, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça, cerca de 35 milhões de novas ações foram ajuizadas, elevando o estoque processual para quase 84 milhões de processos em tramitação. 


Esse volume, embora aparente refletir o amplo acesso à justiça assegurado pela Constituição de 1988, não corresponde integralmente a disputas legítimas. Estudos institucionais e acadêmicos revelam que parte significativa dessas ações decorre de práticas processuais abusivas ou fraudulentas, muitas vezes padronizadas, infladas artificialmente ou fabricadas para gerar desgaste e vantagens indevidas sobre a parte adversária.


(Adaptado de noticias.r7.com> Acesso em 18 de agosto de 2025).

Considerando o uso da norma culta da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a alteração sugerida está correta, mantendo o sentido original do texto:
Alternativas
Q3713970 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quem são os povos quilombolas?


Os povos quilombolas são descendentes de pessoas negras escravizadas que resistiram à escravidão no Brasil. Durante os séculos de escravidão no país, muitos fugiram das fazendas de café e das plantações de cana-de-açúcar e formaram comunidades conhecidas como quilombos, geralmente em áreas de difícil acesso, como as matas.

O termo "quilombo" vem da língua banto e significa "povoação". Essas comunidades funcionavam com base na coletividade com desenvolvimento social, econômico e político. Com o tempo, mesmo após a destruição de muitos quilombos, as comunidades sobreviventes se fortaleceram e passaram a preservar suas tradições e identidades.

Atualmente, segundo o Decreto n.º 4.887/2023, uma comunidade quilombola é um grupo étnico-racial que se autodeclara como tal, ou seja, que se reconhece como descendente de quilombo e mantém práticas culturais, sociais e religiosas próprias. O reconhecimento leva em conta critérios étnico-raciais e culturais, respeitando o direito à autodeclaração, algo fundamental para a valorização da diversidade e da identidade quilombola no país.

Os quilombolas são agricultores, guardiãs de sementes, marisqueiras e pescadores, apanhadores de flores, de coco-babaçu, de açaí, de buriti e outras práticas com base no cultivo.

Um dos quilombos mais conhecidos da história do Brasil é o Quilombo dos Palmares, fundado no século XVI na região da Serra da Barriga, localizada em Alagoas. [...] Durante quase cem anos, Palmares resistiu aos ataques de tropas portuguesas, holandesas e bandeirantes paulistas, sendo destruído em 1695. [...] Os ataques aos quilombos aconteciam porque os negros escravizados fugiam das fazendas, em busca de liberdade e para escapar de violências que sofriam. Muitos quilombolas foram mortos por resistirem à recaptura e suas moradias destruídas. Essa destruição também tinha o objetivo de impedir que os fugitivos cultivassem a terra, inclusive a cana-de-açúcar. Para os senhores de engenho, atacar o Quilombo dos Palmares significava não apenas recuperar a mão de obra escravizada, mas também garantir que o plantio de cana ficasse restrito às suas próprias fazendas. [...]

Atualmente, os quilombos continuam sendo espaços de preservação cultural e resistência. Nessas comunidades, os quilombolas mantêm costumes, religiões, formas de plantio, culinária e conhecimentos tradicionais passados de geração em geração.

[...]

Quilombolas e o meio ambiente

Os povos quilombolas vivem em regiões com grande riqueza natural e podem exercer papel importante na proteção desses espaços. Ao proteger florestas, rios e manguezais, essas comunidades ajudam a evitar a degradação ambiental e garantem a manutenção do equilíbrio da natureza. [...] Eles também se organizam, muitas vezes, para enfrentar ameaças como a pesca predatória, o despejo de resíduos e o avanço de empreendimentos que colocam em risco o meio ambiente.

Os quilombolas combinam conhecimento ancestral com a ação coletiva para defender seus territórios. Um exemplo é o Quilombo Kalunga, localizado na Chapada dos Veadeiros (Goiás). Em 2023, moradores atuaram como brigadistas na prevenção de incêndios florestais. O conhecimento tradicional dos kalungas sobre o manejo do fogo, somada às técnicas de pesquisadores do Cerrado que atuam junto ao quilombo, contribuíram para reduzir os incêndios e facilitar o trabalho dos agricultores locais. [...]

Diante dos efeitos das mudanças climáticas, a preservação dos territórios quilombolas se torna ainda mais urgente. [...] No Brasil, por exemplo, a mudança climática afeta a produção de alimentos e a disponibilidade de água, o que atinge diretamente comunidades tradicionais que dependem da agricultura e dos recursos naturais. [...] Para essas comunidades, isso significa enfrentar dificuldades no acesso à água potável, riscos à segurança alimentar e à continuidade de práticas culturais ligadas à terra e à natureza.


(Disponível em: https://www.politize.com.br/quilombolas/#quilombolas-e-o-meio-ambient e. Acesso em 29 set. 2025. Adaptado.)
Considere o excerto e analise as sentenças a seguir:

"O conhecimento tradicional dos kalungas sobre o manejo do fogo, somada às técnicas de pesquisadores do Cerrado que atuam junto ao quilombo, contribuíram para reduzir os incêndios e facilitar o trabalho dos agricultores locais".

I.A concordância do verbo "contribuir" está adequada, pois concorda com seu sujeito, cujo núcleo é "conhecimento" e "técnicas".
II.Há uma inadequação na concordância da palavra "somada". Por ela ter como referente a palavra "conhecimento", deveria estar no masculino: O conhecimento tradicional dos kalungas sobre o manejo do fogo, somado às técnicas... Isso se dá porque verbos no particípio têm valor adjetivo, concordando com o substantivo a que se referem.
III.A concordância do verbo "atuar" está adequada conforme a norma padrão, pois, ele se refere ao pronome relativo "que" e esse pronome tem como referente "pesquisadores".

É correto o que se afirma em:
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Q3711043 Português

TEXTO 1


A concepção de linguagem e de gramática que agora consideramos tem bases fortemente humanistas: todo homem, sejam quais forem suas condições, nasce dotado de uma faculdade da linguagem como parte de sua própria capacidade e dignidade humanas. Mesmo que restem muitos pontos obscuros quanto à natureza e à extensão dessa faculdade, isso significa que, sem distinção, todas as crianças desenvolvem uma gramática interna.


Fica excluída, assim, toda valoração de uma língua ou modalidade de língua em relação a outra e qualquer forma de discriminação preconceituosa da modalidade popular.


Não faz sentido contrapor uma linguagem erudita a uma linguagem vulgar, nem tentar substituir uma pela outra. Trata- -se de levar a criança a dominar uma outra linguagem, por razões culturais, sociais e políticas bastante justificáveis.


FRANCHI, C. Mas o que é mesmo gramática?.  

São Paulo: Parábola, 2006 (adaptado).



TEXTO 2


Franchi (2006) apresenta a seguinte reflexão de uma professora acerca de uma redação contendo desvios normativos: “esse aluno escreve como fala. E isso a gente pode ver na grafia e nos erros de concordância. Eu não aceito essa onda de que não tem mais certo e errado. A redação fica horrível nessa linguagem vulgar. Há regras e normas para tudo e as crianças têm que aprender a escrever de acordo com o que foi estabelecido pelos bons escritores e pelos que conhecem a língua. O aluno tem direito de conhecer as belezas da sua própria língua.”

Considerando os textos 1 e 2, conclui-se que a concepção de ensino de gramática adotada pela professora revela uma
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Q3711042 Português

TEXTO 1


A concepção de linguagem e de gramática que agora consideramos tem bases fortemente humanistas: todo homem, sejam quais forem suas condições, nasce dotado de uma faculdade da linguagem como parte de sua própria capacidade e dignidade humanas. Mesmo que restem muitos pontos obscuros quanto à natureza e à extensão dessa faculdade, isso significa que, sem distinção, todas as crianças desenvolvem uma gramática interna.


Fica excluída, assim, toda valoração de uma língua ou modalidade de língua em relação a outra e qualquer forma de discriminação preconceituosa da modalidade popular.


Não faz sentido contrapor uma linguagem erudita a uma linguagem vulgar, nem tentar substituir uma pela outra. Trata- -se de levar a criança a dominar uma outra linguagem, por razões culturais, sociais e políticas bastante justificáveis.


FRANCHI, C. Mas o que é mesmo gramática?.  

São Paulo: Parábola, 2006 (adaptado).



TEXTO 2


Franchi (2006) apresenta a seguinte reflexão de uma professora acerca de uma redação contendo desvios normativos: “esse aluno escreve como fala. E isso a gente pode ver na grafia e nos erros de concordância. Eu não aceito essa onda de que não tem mais certo e errado. A redação fica horrível nessa linguagem vulgar. Há regras e normas para tudo e as crianças têm que aprender a escrever de acordo com o que foi estabelecido pelos bons escritores e pelos que conhecem a língua. O aluno tem direito de conhecer as belezas da sua própria língua.”

Com base no texto 1, qual conduta docente se alinha a uma perspectiva crítica e científica para trabalhar produções textuais com usos que se distanciam da norma-padrão?
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Q3709389 Português

Saudades do Natal


O Valério, a par com a Doninha, recordava-lhe: — ...A noite ‘tava uma prata, de crara. Nós fumos juntos, c’a sua mãe, naquela igrejica do arraial, onde paravam umas freiras, entremos e ajoelhemos. Eu olhava p’r’o presépio e p’ra você, e — Deus que me perdoe! — não achava Nossa Senhora mais fermosa que você. Rezei, pois não rezei? [...] E a noite ‘tava uma prata, de crara. Você não se alembra?


SILVEIRA, V. Os caboclos. Rio de Janeiro: EdUERJ; Caetés, 2020.



Uma professora do 6º ano do Ensino Fundamental, de uma escola da zona rural, observou que os estudantes produziam oralmente e, por vezes, também por escrito, formas linguísticas que exemplificam o fenômeno do rotacismo. Para desmistificar preconceitos linguísticos associados a essas variações, ela utilizou o conto Saudades do Natal, o qual apresenta uma forma semelhante às produzidas pelos estudantes (“crara”, em vez de “clara”), como recurso de reflexão.


Considerando essa situação e observando a similaridade entre a fala de Valério e a dos estudantes, qual alternativa representa a abordagem pedagógica adequada para atingir o objetivo da professora?

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Q3709234 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Por que alguns são pontuais e outros não?


     No início do relacionamento, antes de se casarem, Anne Kelsh trabalhava de casa e gostava de preparar o jantar para o parceiro – o que ela descrevia como “o prazer do papel doméstico”.

      Ele disse que gostava de jantar às 18 horas. Para Anne, esse horário era um pouco cedo, mas ela estava disposta a se adaptar – até que percebeu que “quando ele dizia 18 horas, era 18 horas em ponto”.

      Para ela, o horário era mais uma sugestão. “Oito da noite é o horário em que a cortina sobe num espetáculo, e você precisa estar lá nesse horário”, disse. “Mas o jantar é só o jantar. É o jantar na nossa própria casa. Eu não conseguia entender esse senso de rigidez.”

     A pontualidade, após o casamento, tornou-se uma fonte constante de atrito. Anne, que sempre teve dificuldades em cumprir horários, costumava dizer: “Eu me casei com você, não entrei para o Exército.”

   Enquanto isso, o marido frequentemente se irritava com a incapacidade dela de chegar pontualmente a compromissos e encontros, um hábito que ele considerava grosseiro.

      Discussões sobre pontualidade são comuns, mas especialistas dizem que, muitas vezes, elas são apenas um reflexo de algo mais profundo: as diferentes formas de como nos relacionamos com o tempo.

     Na década de 1950, o antropólogo Edward T. Hall cunhou os termos “monocrônico” e “policrônico” para descrever diferentes atitudes culturais em relação à gestão do tempo.

  Nos países do norte da Europa e nos Estados Unidos – que Hall chamou de sociedades “monocrônicas” –, ele observou que as pessoas tendem a enfatizar prazos e a realizar tarefas de forma sequencial, completando uma antes de iniciar outra. Já na América Latina, na África e no Oriente Médio – que ele classificou como sociedades “policrônicas” –, percebeu que as pessoas se sentem mais à vontade em mudar de foco no meio de uma tarefa e são menos rígidas com horários.

    Estudos mostram que as pessoas são mais criativas, motivadas e produtivas quando trabalham em seu estilo preferido – quer alternando entre várias tarefas quer focando intensamente em uma só. Compreender sua própria relação com o tempo pode facilitar sua vida e ajudar a evitar conflitos com as pessoas ao seu redor.


(O Estado de S.Paulo, agosto de 2025. Adaptado)
Assinale a alternativa que apresenta a frase de acordo com a norma-padrão de concordância e/ou de regência.
Alternativas
Q3706932 Português
Em textos acadêmicos e administrativos, a precisão na concordância e na regência é fundamental para assegurar clareza e credibilidade.

Analise as frases a seguir e assinale a alternativa que NÃO está em conformidade com a norma culta.
Alternativas
Q3705869 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Bons ventos da economia pedem maior justiça social

    Na prática, desde o segundo trimestre de 2021, não há recuo na variação trimestral do PIB no Brasil. À época, o país ainda vivia o impacto da pandemia da covid-19. Certo é que os bons ventos da economia abrem precedente para maturação sobre a discussão relativa à distribuição de riquezas, em prol da diminuição da desigualdade social. Se a economia expande, o Estado tende a ter mais mecanismos para promover justiça financeira para os mais pobres.

    Diante dos bons ventos da economia, é hora de o Brasil discutir de maneira séria uma revisão do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A proposta do governo no Projeto de Lei no 1.087/2025 é de fixar a alíquota em 10% para os super-ricos – o que diminui desigualdades, mas ainda de maneira tímida em relação à diferença entre os patrimônios dessa camada para o restante da população. A elevação da alíquota para 10% ajuda, mas não alavanca a redução de impostos para os mais pobres na proporção desejada.

    Se o texto não é perfeito, ele ainda promove alguma mudança na ponta. O foco número 1 do país deve ser a promoção da justiça tributária. A elite brasileira deu vários exemplos de resistência à diminuição da desigualdade, mas não há justificativa honesta para não equilibrar, ainda que apenas um pouco, a balança do Imposto de Renda. A mudança precisa vir agora.

(https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 03.09.2025. Adaptado)
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal.
Alternativas
Q3705074 Português
Assinale a alternativa na qual NÃO tenha ocorrido o emprego de um pleonasmo vicioso. 
Alternativas
Q3704476 Português
Analise as seguintes propostas de alteração do texto desta prova:

I. Substituição da expressão “da falta dela” por “da sua falta” em “dependeram da nossa capacidade de ouvir — ou da falta dela”.
II. Substituição de “o desfecho” por “o desenlace” em “o tempo de convívio e o desfecho do tratamento contribuirão para o estabelecimento de vínculos afetivos”.
III. Substituição do pronome demonstrativo “aquele” por “o” em “Esse vínculo pode ser tão superficial quanto aquele que resulta no esquecimento do nome de ambos”.

Quais NÃO causariam alterações significativas de sentido ou incorreções ao trecho em que ocorrem? 
Alternativas
Q3703897 Português
Texto CG2A2-II


   Lembremos que a concepção moderna dos direitos do homem nasce contra a violência ou os privilégios, contra os preconceitos que sustentam todas as formas de violência, sejam elas físicas, psíquicas, raciais, de gênero ou religiosas. Segundo a concepção moderna dos direitos, os homens são portadores de direitos por natureza (direito natural) e por efeito da lei positiva (direito civil), instituída pelos próprios homens. Essa diferença dos direitos é de grande envergadura porque lhes permite compreender uma prática política inexistente antes da modernidade e que se explicita, significativamente, em ocasiões muito precisas: a prática da declaração dos direitos.

   A prática de declarar direitos significa, em primeiro lugar, que não é um fato óbvio para todos os seres humanos que eles são portadores de direitos e, por outro, que não é um fato óbvio que tais direitos devam ser reconhecidos por todos. Em outras palavras, a existência da divisão social (por exemplo, os grandes e o povo, em Maquiavel; as classes sociais, em Marx) permite supor que alguns possuem direitos e outros, não. A declaração de direitos inscreve os direitos na sociedade e na política, afirma sua origem social e política e se apresenta como objeto que pede o reconhecimento de todos, exigindo o consentimento social e político de todos. Esse reconhecimento e esse consentimento dão aos direitos a condição e a dimensão de direitos universais.

   A prática política da declaração de direitos ocorre em ocasiões muito precisas. De fato, algumas declarações de direito ocorrem em situações revolucionárias, isto é, naqueles momentos em que o Baixo da sociedade se rebela contra o Alto e não mais reconhece a ordem vigente injusta: na Revolução Inglesa de 1640; na Independência dos Estados Unidos; na Revolução Francesa de 1789; na Revolução Russa de 1917. Também encontramos a declaração de direitos no período posterior à Segunda Guerra Mundial, isto é, ao fenômeno do totalitarismo nazista e fascista, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Dessa maneira, os direitos dos homens se tornaram uma questão sociopolítica comprovada pelo fato de que as declarações dos direitos ocorrem nos momentos de profunda transformação social e política, quando os sujeitos sociopolíticos têm consciência de que estão criando uma sociedade nova ou defendendo a sociedade existente contra a ameaça de sua extinção. Não por acaso, portanto, no caso do Brasil, a luta pelos direitos humanos ganhou força social e política no combate à ditadura implantada em 1964 e aprofundada em 1969, com o Ato Institucional n.º 5.


Marilena Chaui. In: RIDH. Bauru, v. 10, n. 2, p. 13-26, jul./dez. 2022 (com adaptações). 
Assinale a opção em que é apresentada proposta de reescrita gramaticalmente correta e coerente para o primeiro período do texto CG2A2-II. 
Alternativas
Q3703803 Português
Assinale a alternativa em que a forma verbal destacada está empregada de acordo com a norma-padrão. 
Alternativas
Q3700117 Português
A norma-padrão de regência verbal foi plenamente respeitada na frase:
Alternativas
Q3699697 Português
Durante a aplicação da prova não foi possível identificar o porquê da ausência do fiscal. No período, empregou-se corretamente a forma do porquê. Assinale a alternativa em que NÃO ocorre a adequação.
Alternativas
Respostas
421: A
422: A
423: E
424: B
425: C
426: C
427: D
428: E
429: A
430: D
431: C
432: E
433: C
434: A
435: B
436: E
437: E
438: B
439: E
440: C