Questões de Concurso Comentadas sobre problemas da língua culta em português

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Q3749527 Português

Texto: A decisão


    O homem entrou em casa e com passadas firmes foi reto procurar a mulher que estava na cozinha, enchendo a chaleira d’água. Ele tinha cara rubra, os olhos brilhantes, mas os lábios estavam brancos e secos, teve que passar a ponta da língua entre eles para separá-los, a saliva virou cola? Antes de dizer o que estava querendo dizer há mais de cinco anos e não dizia, adiando, adiando. Esperando uma oportunidade melhor e faltava coragem, esmorecia, quem sabe da próxima semana, depois do aniversário de Afonsinho? Ou em dezembro, depois do aumento no emprego, teria então mais dinheiro para enfrentar duas casas - mas o que é isso, aumento nos vencimentos e aumento na inflação?


    Espera, agora a Georgeana pegou sarampo, deixa ela ficar boa e então. E então!? Hoje, HOJE! Tinha que ser hoje, já! As grandes decisões eram assim mesmo, como numa batalha, seguir a inspiração do momento e o momento era inadiável, maduro, estourando como um fruto, ele estourando também, aproveitar essa energia de lutador que lhe viera de um jato, sentiu-se um Napoleão, iluminado, o dedo apontando na direção do inimigo, avançar! Avançou e a fala ficou sem pausa e sem hesitação, fala treinada há cinco anos, e no alvo, depressa! Ia deixá-la porque estava loucamente apaixonado por outra e de joelhos pedia perdão pelo sofrimento e pelo desgosto, está certo, podia chamá-lo de crápula por deixar uma esposa tão perfeita e os filhos tão queridos, mas se ficasse a vida acabaria no inferno tao insuportável que era melhor dizer tudo agora porque ia morrer se não dissesse essa coisa que lhe cairá na cabeça como um tijolo, essa paixão avassaladora, talvez se arrependesse um dia e até se matasse de remorso, mas agora tinha que confessar, estava apaixonado por outra e ela devia entender e mais tarde os filhos iam entender também que tinha que ir porque estava APAIXONADO POR OUTRA - você está me ouvindo?


    A mulher pelejava por acender o fosforo úmido, não conseguiu, riscou outro palito e o palito falhou e experimentou um terceiro enquanto lhe gritava que chegasse dessa brincadeira besta, já não bastavam as crianças que hoje estavam impossíveis e também ele agora atormentando, heim?! Empurrou-o na direção da porta, mas vamos, não fique aí com essa cara, depressa, vá buscar uma caixa de fosf... Ah! Graças a Deus que este não molhou, vontade de um café com pão, de qualquer jeito ele tinha que sair para buscar pó de café e depressa que logo, logo a água estaria fervendo, queria o pó moído na hora e meia duzia de pãezinhos que deviam estar saindo do forno e levasse também um pacote de fósforo marca Olho (e rio) que este é marca barbante para não dizer outra marca que começa com m (enxugou as mãos no avental), como se não bastassem as gracinhas do filho e também ele com as brincadeiras debiloides, um pouco velho para brincar assim, não?


    O homem pegou o Junior pela mão, foi buscar o pó de café, os pãezinhos, os fósforos e não brincou mais.


(Lygia Fagundes Telles – Ícaro Brasil, out. 1998)

Marque a opção que apresenta desvio da norma culta, quanto a concordância.
Alternativas
Q3748301 Português
Assinalar a alternativa em que a concordância nominal está INCORRETA.
Alternativas
Q3746404 Português
Leia atentamente as afirmativas abaixo sobre os vícios de linguagem:

I. O enunciado "Fui no teatro ontem com meus amigos" apresenta um solecismo de regência, pois o verbo "ir" exige a preposição "a".
II. O uso da palavra "proporam" em lugar de "propuseram" constitui um solecismo de concordância, já que o erro está na relação entre sujeito e verbo.
III. A frase "Eles não confirmaram-me o resultado" exemplifica um solecismo de colocação pronominal, uma vez que o pronome "me" não deve aparecer após o verbo em orações negativas.
IV. O enunciado "O resultado era eminente" em vez de "iminente" caracteriza um barbarismo semântico, pois há troca de sentido entre palavras semelhantes.
V. O uso da forma "adevogado" no lugar de "advogado" representa um solecismo, por envolver alteração na grafia da palavra.

Em quais afirmativas há classificação correta dos vícios de linguagem? 
Alternativas
Q3746026 Português
O estudo dos vícios de linguagem é essencial para a análise da clareza e da correção no uso do português formal. Esses desvios podem comprometer a comunicação ao gerar imprecisão, inadequação ou incorreção gramatical. Observe a sentença a seguir:
A divulgação da promoção não causou comoção na população.

Identifique qual é o vício de linguagem presente na sentença lida:
Alternativas
Q3744999 Português

Considere a situação hipotética abaixo apresentada e leia o Texto II para responder à questão.


Situação hipotética: a gestora de uma escola municipal solicita ao servidor lotado na secretaria o envio de um e-mail convidando todos os professores da instituição para uma reunião. O servidor redigiu o texto II, abaixo apresentado. 


Texto II


Analise as assertivas que seguem a respeito do Texto II, acima disposto.



I- O e-mail solicitado deve ser redigido em linguagem informal, pois é uma comunicação pessoal entre colegas de uma instituição.


II- O e-mail solicitado deve ser redigido em linguagem formal, razão pela qual imprescinde do uso da norma padrão.


III- Por ser um texto predominantemente argumentativo, apresenta a defesa de um ponto de vista.


IV- A linguagem empregada no fragmento “A presença de todos são importante pra o bom andamento das ações” é um bom exemplo do uso formal da língua portuguesa.


V- No fragmento “A presença de todos são importante pra o bom andamento das ações” observa-se a presença de termo reduzido, típico de uma linguagem menos monitorada.



É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q3744599 Português
    Homens adoecem mais e vivem menos do que as mulheres em quase todos os países, segundo uma revisão global da Universidade do Sul da Dinamarca.

    A pesquisa analisou marcadores de gênero em saúde em mais de 200 países, focando em hipertensão, diabetes e HIV/Aids. Os resultados mostram que homens têm taxas mais altas dessas doenças, morrem mais cedo por causa delas e procuram menos o sistema de saúde, tanto para diagnóstico quanto para tratamento.

    O estudo aponta fatores sociais e culturais como principais explicações para esse padrão. As normas de gênero, os comportamentos de risco e a associação entre doença e fragilidade ajudam a afastar os homens do cuidado com a saúde. Eles costumam fumar mais, negligenciar prevenção e minimizar sintomas.

    "Historicamente, o estereótipo do 'ser homem', associado a fatores sociais, culturais, políticos e econômicos, causa impactos negativos na saúde do homem", diz o médico de família e comunidade Wilands Patrício Procópio Gomes, do Einstein Hospital Israelita. Entre os exemplos destacados por Gomes, estão a ideia de que estar doente é sinônimo de fragilidade e a falta de conhecimento sobre o próprio corpo e os eventuais sintomas, além do medo de diagnósticos.

    No Brasil, dados do IBGE refletem esse cenário. Em 2023, a expectativa de vida masculina era de 73,1 anos, contra 79,7 anos das mulheres, uma diferença de quase sete anos. Os homens também fazem menos consultas de rotina e são mais resistentes a exames preventivos e a tratamentos contínuos. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, 82,3% das mulheres haviam ido ao médico no ano anterior, contra 69,4% dos homens.


Fonte: Revista Planeta. Adaptado.
Assinalar a alternativa em que o uso do porquê está INCORRETO.
Alternativas
Q3744214 Português

Texto 1: Conceitos de Gramática



    A palavra gramática sempre nos leva a pensar nos manuais utilizados na escola, cheios de regras e exceções. Este é realmente um tipo de gramática entre outros. Antes, porém, de pensarmos em gramática como um compêndio que traz algum tipo de informação sobre determinada língua, é preciso lembrar um conceito de gramática que se sobrepõe a todos os outros. É aquilo que se costuma chamar de gramática internalizada, cuja aquisição se dá de forma natural, durante a infância, à medida que a criança é exposta aos dados de sua língua materna no meio em que é criada.

    Ao final do processo de aquisição, por volta dos cinco anos, a criança tem todos os valores de sua gramática fixados. Embora seu desempenho revele aspectos da fala que lhe serviu de fonte (de seus pais, parentes, cuidadores, etc., tais como supressões ou inserções de segmentos, como em “made[y]ra”, “do[w]ze”, “na[y]scimento”, “os menino[s]”, “eles me contou[contaram]”), todos adquirem as mesmas propriedades abstratas, no que se refere, por exemplo, à ordem dos constituintes dentro do sintagma nominal, dentro da oração, dentro do período; à constituição silábica; ao conjunto de melodias de sua língua; entre outros aspectos. Ninguém diz “menino o”; “você no viu cinema o João”; “o filme foi bom eu vi ontem que”. Todo falante do português rejeita essas estruturas, sabe que elas não são estruturas gramaticais, e esse conhecimento se constrói naturalmente.

    O contato com a escola e a leitura, caso o indivíduo tenha essa oportunidade, pode viabilizar o contato com outras estruturas e levá-lo, através da “aprendizagem”, a utilizar formas que não fazem parte da sua língua interna, mas que podem aparecer quando ele escreve ou quando monitora/controla sua fala em situações mais formais.

    Já os compêndios gramaticais apresentam um modelo de gramática que continua uma tradição gramatical europeia, pautada no modelo iniciado por gregos e continuado pelos romanos, que buscavam descrever a língua de sincronias mais antigas, que surgia em textos indecifráveis. Essas descrições eram feitas com base nos autores considerados “clássicos” e procuravam tomar como modelo de “bom uso” a gramática de sincronias anteriores. Essa tradição continuou durante a Idade Média, ainda que se renovando no Renascimento, quando as línguas vernáculas da România se impuseram naturalmente sobre o latim, mas a origem do modelo, a inspiração nos “clássicos”, nas sincronias mais antigas, perdurou.

    Em geral, nos referimos a essas gramáticas chamadas “tradicionais” (justamente porque remontam a uma tradição milenar) como normativas, esquecendo que elas são igualmente descritivas. É fácil perceber quando o gramático deixa de “descrever” e passa a elencar as “normas”. Costuma-se cobrar das gramáticas mais antigas uma consistência teórica de que não se dispunha quando da sua preparação. Muitas delas, entretanto, têm sido reeditadas sem incorporar os avanços dos estudos linguísticos e sem atualizar os dados relativos ao uso normal da escrita.

    Deixando de lado a descrição presente em nossas gramáticas tradicionais (sem esquecer que elas continuam a ser o ponto de partida das descrições linguísticas atuais) e voltando às normas que elas recomendam como reveladoras do bom uso da língua, é evidente que há uma imensa defasagem entre o que ali aparece e o que se pratica efetivamente na escrita contemporânea – seja porque algumas delas nunca fizeram parte da gramática do português do Brasil escrito, seja porque outras caíram em desuso, sendo substituídas por novos usos, novas normas. É preciso esclarecer um ponto: por escrita-padrão, entendem-se aqui as variedades de escrita veiculada em jornais e revistas de ampla circulação, em trabalhos acadêmicos, enfim a escrita produzida por indivíduos escolarizados e com contato frequente com a escrita. É preciso ainda lembrar que essa língua escrita não é uniforme. Embora em menor escala do que a fala, ela também apresenta significativa variação. E, a depender do gênero textual, muitos aspectos gramaticais da fala já ganham espaço na escrita.

    Ao longo de todo o século XX, as diferenças entre fala e escrita eram atribuídas a uma oposição formal versus informal. Lembre-se de que os gramáticos que chegaram a ver o florescimento da linguística não estavam ainda convencidos da precedência da fala sobre a escrita. Isso criou uma grande distância entre fala e escrita, e só os indivíduos que passam pela escola podem aprender formas ausentes da “primeira gramática” e “mudar de gramática” em situações mais formais.

    Isso tem sido confundido com adequação de linguagem, geralmente ilustrada com exemplos que mais se referem à polidez no tratamento, ao maior ou menor nível de educação do falante, do que propriamente à adequação. Um dos exemplos mais frequentes para os que desejam argumentar em favor da adequação linguística são as conversas depois de um jogo de futebol em oposição a uma comunicação num congresso. Colocam um indivíduo numa mesa de bar usando xingamentos para se referir ao juiz, naturalmente injusto com seu time por ter expulsado um jogador de campo. Ora, é óbvio que em qualquer lugar do mundo o torcedor faria o mesmo. Acontece que o exemplo dado no Brasil acompanha o xingamento ao juiz com um “mandou ele pra fora do campo” e atribui o uso de “ele” ao contexto informal. Na mesma situação, um indivíduo português, independentemente do seu nível de escolaridade, xingaria igualmente o juiz e acrescentaria, sem maiores problemas, “mandou-o para fora do campo”. Há aqui duas gramáticas diferentes: a do português do Brasil e a do português de Portugal.

    Outra forma equivocada de explicar “adequação linguística” é afirmar que, “assim como ninguém vai a um casamento de biquíni”, não se pode aprovar certos usos gramaticais em determinadas circunstâncias. Uma pessoa minimamente educada não vai a um casamento de biquíni, mas fala “eu vi ele ontem”, “teve baile ontem”, entre outras formas da gramática brasileira. Só um falante escolarizado ou com um longo contato com a leitura, portanto muito treinado, é capaz de monitorar sua fala a tal ponto de conseguir fazer essa “mudança de gramática”, que não se confunde com o uso de gírias, palavrões ou expressões inadequadas a determinados contextos.

    Portanto, é preciso ter muito cuidado com os exemplos que confundem adequação de linguagem (no sentido de cortesia, boa educação, se o momento pede, ou desembaraço, desabafo, irreverência, se o momento é descontraído) com mudança de gramática. Melhor seria, pois, abandonar o termo adequação, substituindo-o por mudança de gramática. E qualquer falante, com ou sem escolaridade, sabe se comportar de acordo com o contexto embora não possa mudar de gramática, o que não o torna “inadequado”.



Adaptado de DUARTE, M. E. L.; SERRA, C. R. S. Gramática(s), ensino de português e “adequação linguística”. Matraga, Rio de Janeiro, v. 22, nº 36, jan./jun. 2015.

Considere o poema “Pronominais”, de Oswald de Andrade: “Dê-me um cigarro / Diz a gramática / Do professor e do aluno / E do mulato sabido / Mas o bom negro e o bom branco / Da Nação Brasileira / Dizem todos os dias / Deixa disso camarada / Me dá um cigarro” (Pau Brasil, 1925).


Em relação ao exposto no 6º parágrafo, o poema modernista pode ser compreendido como um modo de:

Alternativas
Q3744209 Português

Texto 1: Conceitos de Gramática



    A palavra gramática sempre nos leva a pensar nos manuais utilizados na escola, cheios de regras e exceções. Este é realmente um tipo de gramática entre outros. Antes, porém, de pensarmos em gramática como um compêndio que traz algum tipo de informação sobre determinada língua, é preciso lembrar um conceito de gramática que se sobrepõe a todos os outros. É aquilo que se costuma chamar de gramática internalizada, cuja aquisição se dá de forma natural, durante a infância, à medida que a criança é exposta aos dados de sua língua materna no meio em que é criada.

    Ao final do processo de aquisição, por volta dos cinco anos, a criança tem todos os valores de sua gramática fixados. Embora seu desempenho revele aspectos da fala que lhe serviu de fonte (de seus pais, parentes, cuidadores, etc., tais como supressões ou inserções de segmentos, como em “made[y]ra”, “do[w]ze”, “na[y]scimento”, “os menino[s]”, “eles me contou[contaram]”), todos adquirem as mesmas propriedades abstratas, no que se refere, por exemplo, à ordem dos constituintes dentro do sintagma nominal, dentro da oração, dentro do período; à constituição silábica; ao conjunto de melodias de sua língua; entre outros aspectos. Ninguém diz “menino o”; “você no viu cinema o João”; “o filme foi bom eu vi ontem que”. Todo falante do português rejeita essas estruturas, sabe que elas não são estruturas gramaticais, e esse conhecimento se constrói naturalmente.

    O contato com a escola e a leitura, caso o indivíduo tenha essa oportunidade, pode viabilizar o contato com outras estruturas e levá-lo, através da “aprendizagem”, a utilizar formas que não fazem parte da sua língua interna, mas que podem aparecer quando ele escreve ou quando monitora/controla sua fala em situações mais formais.

    Já os compêndios gramaticais apresentam um modelo de gramática que continua uma tradição gramatical europeia, pautada no modelo iniciado por gregos e continuado pelos romanos, que buscavam descrever a língua de sincronias mais antigas, que surgia em textos indecifráveis. Essas descrições eram feitas com base nos autores considerados “clássicos” e procuravam tomar como modelo de “bom uso” a gramática de sincronias anteriores. Essa tradição continuou durante a Idade Média, ainda que se renovando no Renascimento, quando as línguas vernáculas da România se impuseram naturalmente sobre o latim, mas a origem do modelo, a inspiração nos “clássicos”, nas sincronias mais antigas, perdurou.

    Em geral, nos referimos a essas gramáticas chamadas “tradicionais” (justamente porque remontam a uma tradição milenar) como normativas, esquecendo que elas são igualmente descritivas. É fácil perceber quando o gramático deixa de “descrever” e passa a elencar as “normas”. Costuma-se cobrar das gramáticas mais antigas uma consistência teórica de que não se dispunha quando da sua preparação. Muitas delas, entretanto, têm sido reeditadas sem incorporar os avanços dos estudos linguísticos e sem atualizar os dados relativos ao uso normal da escrita.

    Deixando de lado a descrição presente em nossas gramáticas tradicionais (sem esquecer que elas continuam a ser o ponto de partida das descrições linguísticas atuais) e voltando às normas que elas recomendam como reveladoras do bom uso da língua, é evidente que há uma imensa defasagem entre o que ali aparece e o que se pratica efetivamente na escrita contemporânea – seja porque algumas delas nunca fizeram parte da gramática do português do Brasil escrito, seja porque outras caíram em desuso, sendo substituídas por novos usos, novas normas. É preciso esclarecer um ponto: por escrita-padrão, entendem-se aqui as variedades de escrita veiculada em jornais e revistas de ampla circulação, em trabalhos acadêmicos, enfim a escrita produzida por indivíduos escolarizados e com contato frequente com a escrita. É preciso ainda lembrar que essa língua escrita não é uniforme. Embora em menor escala do que a fala, ela também apresenta significativa variação. E, a depender do gênero textual, muitos aspectos gramaticais da fala já ganham espaço na escrita.

    Ao longo de todo o século XX, as diferenças entre fala e escrita eram atribuídas a uma oposição formal versus informal. Lembre-se de que os gramáticos que chegaram a ver o florescimento da linguística não estavam ainda convencidos da precedência da fala sobre a escrita. Isso criou uma grande distância entre fala e escrita, e só os indivíduos que passam pela escola podem aprender formas ausentes da “primeira gramática” e “mudar de gramática” em situações mais formais.

    Isso tem sido confundido com adequação de linguagem, geralmente ilustrada com exemplos que mais se referem à polidez no tratamento, ao maior ou menor nível de educação do falante, do que propriamente à adequação. Um dos exemplos mais frequentes para os que desejam argumentar em favor da adequação linguística são as conversas depois de um jogo de futebol em oposição a uma comunicação num congresso. Colocam um indivíduo numa mesa de bar usando xingamentos para se referir ao juiz, naturalmente injusto com seu time por ter expulsado um jogador de campo. Ora, é óbvio que em qualquer lugar do mundo o torcedor faria o mesmo. Acontece que o exemplo dado no Brasil acompanha o xingamento ao juiz com um “mandou ele pra fora do campo” e atribui o uso de “ele” ao contexto informal. Na mesma situação, um indivíduo português, independentemente do seu nível de escolaridade, xingaria igualmente o juiz e acrescentaria, sem maiores problemas, “mandou-o para fora do campo”. Há aqui duas gramáticas diferentes: a do português do Brasil e a do português de Portugal.

    Outra forma equivocada de explicar “adequação linguística” é afirmar que, “assim como ninguém vai a um casamento de biquíni”, não se pode aprovar certos usos gramaticais em determinadas circunstâncias. Uma pessoa minimamente educada não vai a um casamento de biquíni, mas fala “eu vi ele ontem”, “teve baile ontem”, entre outras formas da gramática brasileira. Só um falante escolarizado ou com um longo contato com a leitura, portanto muito treinado, é capaz de monitorar sua fala a tal ponto de conseguir fazer essa “mudança de gramática”, que não se confunde com o uso de gírias, palavrões ou expressões inadequadas a determinados contextos.

    Portanto, é preciso ter muito cuidado com os exemplos que confundem adequação de linguagem (no sentido de cortesia, boa educação, se o momento pede, ou desembaraço, desabafo, irreverência, se o momento é descontraído) com mudança de gramática. Melhor seria, pois, abandonar o termo adequação, substituindo-o por mudança de gramática. E qualquer falante, com ou sem escolaridade, sabe se comportar de acordo com o contexto embora não possa mudar de gramática, o que não o torna “inadequado”.



Adaptado de DUARTE, M. E. L.; SERRA, C. R. S. Gramática(s), ensino de português e “adequação linguística”. Matraga, Rio de Janeiro, v. 22, nº 36, jan./jun. 2015.

“made[y]ra”, “do[w]ze”, “na[y]scimento”, “os menino[s]”, “eles me contou[contaram]” (2º parágrafo)


Os exemplos apresentados acima se relacionam com um aspecto constitutivo do uso linguagem humana denominado:  

Alternativas
Q3743681 Português
Assinale a frase com erro de concordância verbal:
Alternativas
Q3742894 Português
No romance O Mulato, Aluísio Azevedo emprega diversas construções linguísticas que refletem a norma culta da língua portuguesa.
Entre as suas frases assinale aquela em que ocorre uso indevido ou confusão entre as expressões “ao encontro de” e “de encontro a”
Alternativas
Q3742883 Português
3 de setembro de 1960
De manhã o senhor Antonio Soeiro Cabral converso comigo, ele está horrorisado porque o Audálio é sosinho para escrever e não tem tempo para arranjar uma casa pra mim.
Preparei os filhos e fomos para a cidade. O Toninho véio visitar-me e voltamos para a cidade, paguei-lhe a viagem, várias pessoas parava e perguntava-se sou autora do Quarto de Despejo, elogia o livro.
4 de setembro de 1960
Levantei as 6 horas, preparei a refeição matinal. Eu não vou sair Estou apreciando Osasco por causa da tranquilidade, e o ar puro, da a impressão que eu sai do inferno, e estou no céu. Os visinhos olha-me e sorri, as crianças são em numeros menors porque não vivem nas ruas. Na favela as crianças pareçem numerosas por causa dos barracões ser unidos.
Adaptado de JESUS, Carolina Maria de. Casa de Alvenaria, volume 1: Osasco. São Paulo: Cia das Letras, 2021. p. 34-37.
O texto desta questão é um trecho do livro “Casa de Alvenaria”, obra literária escrita por Carolina Maria de Jesus, uma mulher moradora da Favela do Canindé (SP), catadora de lixo e mãe de três filhos, cuja história - contada em formato de diário - chamou a atenção do mercado editorial.
Sobre o trecho de “Casa de Alvenaria”, analise as afirmativas a seguir.

I. Os elementos linguísticos em desacordo com a norma culta da Língua Portuguesa, representam marcas identitárias da autora.
II. O conteúdo do texto apresenta grande valor literário pela presença de recursos metafóricos e de metalinguagem.
III. O formato em “diário” que estrutura a obra confere pessoalidade ao conteúdo e à forma como a autora narra suas memórias.

Está correto o que se afirma em  
Alternativas
Q3742213 Português
Leia as frases seguintes e observe o uso das diferentes formas de “por que”, “porque”, “por quê” e “porquê”: 

I. Por que você não gosta de maçã?  II. Não assisti ao filme porquê cheguei atrasado. III. Não me telefonou, por quê? IV. Acho que você já entendeu o porquê de aprender isto. 

Com base no emprego no emprego correto do vocábulo destacado em cada frase, assinale a alternativa correta:  
Alternativas
Q3740016 Português
Assinale a alternativa cuja frase apresenta todas as palavras grafadas de acordo com a norma-padrão. 
Alternativas
Q3738815 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A criação de super-humanos


Yuval Noah Harari está com 42 anos de idade e completou com muito brilho a sua trilogia autoral. Depois do “Sapiens: uma breve história da humanidade” e “Homo Deus: uma breve história do amanhã”, que já venderam mais de 12 milhões de exemplares em 45 países, o autor israelense prepara-se para lançar o seu terceiro título, “21 lições para o século 21”, em que focaliza o nacionalismo e as correntes religiosas associadas a ele.


Segundo Harari, que é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, as principais barreiras a uma transformação da natureza humana por meio de biotecnologia e da inteligência artificial deixaram de ser técnicas e passaram a ser políticas e éticas, portanto mais frágeis.


Tomando por base os avanços na medicina e na biologia desde 1918, ele raciocina que em 2118 a bioengenharia e as interfaces diretas cérebro-computador mudarão os seres humanos, como hoje fazemos com animais: “A tentação de criar super-humanos será irresistível.” E a religião poderá nos ajudar a lidar com muitos desafios do século 21. Com a certeza de que, sobre o clima, nenhuma nação é realmente independente.


Ao se debruçar sobre o presente, o autor focaliza temas de absoluta atualidade como tecnologia, política, religião, violência, educação, fake news, justiça, ficção científica, sem deixar de referir-se à autoajuda, humildade e meditação. Alguns temas são recorrentes: a tecnologia ameaça empregos e a própria identidade humana, pensando no horizonte dos próximos anos.


Harari, com o seu conhecimento de causa, cita o homem e sua incrível capacidade de criar ficções e acreditar nelas. Isso nos distingue de outros mamíferos. As fake news, de curta ou longa duração, podem ser exemplificadas no caso das religiões, o que nos obriga a procurar sempre fontes confiáveis de informação. Assim caminha a humanidade.


O autor tem a convicção de que sociedades seculares costumam se caracterizar pela tolerância, não exatamente por um apelo à compaixão. “Essa é a leitura que faço, como historiador, das tradições do humanismo e do secularismo, desde a Renascença até o Iluminismo e as democracias liberais das últimas décadas.” (...) 


NISKIER, Arnaldo. A criação de super-humanos. Disponível em .

Assinale a alternativa em que a expressão destacada na reescrita do trecho entre aspas se encontra também de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. 
Alternativas
Q3738600 Português
Tecnologia inspirada no cérebro pode acelerar diagnóstico de doenças raras 

Por CNN Brasil



Sistema inovador cruza dados médicos e genéticos, identifica padrões ocultos e pode reduzir o tempo de espera para conclusão do quadro



    Identificar doenças raras no Brasil e no mundo ainda é um desafio para médicos e uma angústia constante para milhares de famílias. Muitas dessas condições são genéticas, complexas e pouco conhecidas, o que dificulta o diagnóstico correto e pode levar anos de incerteza. No entanto, uma tecnologia inovadora, inspirada no funcionamento do cérebro humano, começa a mudar esse cenário e promete acelerar o processo diagnóstico: trata-se dos bancos de dados em grafos.


[...]

     São consideradas doenças raras um grupo de 6 mil a 8 mil condições que afetam até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos. Mais de 13 milhões de pessoas convivem com uma dessas condições no Brasil, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. No mundo, estima-se que pelo menos 300 milhões tenham algum tipo de enfermidade do tipo. Apesar do número expressivo, o caminho até um diagnóstico correto costuma ser lento, confuso e exaustivo. Atualmente, ele é feito por meio de uma combinação de avaliação clínica, exames complementares (imagem e bioquímicos) e testes genéticos. “Muitas das síndromes raras apresentam sintomas variados e que se sobrepõem com o quadro clínico de doenças comuns, tornando o diagnóstico clínico ainda mais difícil”, explica Vanessa Montaleone, geneticista do Núcleo de Genética do Hospital Sírio-Libanês.


    No Brasil, os desafios se tornam ainda maiores pelas complexidades intrínsecas ao país. Antoine Daher, presidente da Casa Hunter e da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas), destaca as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias: demora no diagnóstico (em média, leva de 5 a 7 anos até se chegar a um diagnóstico correto); desinformação e falta de conhecimento adequado sobre o tema (inclusive pelos profissionais de saúde responsáveis pelo caso); custo elevado de exames genéticos, consultas especializadas e terapias de suporte; acesso desigual aos serviços de saúde para as famílias que dependem exclusivamente do SUS.


[...]

    Desenvolvida há quase 20 anos pela startup Neo4j, a tecnologia de banco de dados em grafos tem como objetivo identificar e armazenar a relação entre dados – e não apenas os dados em si. “A intenção é apresentar uma conexão visual dessas relações, que funcionam como as ligações promovidas pelas sinapses do cérebro. Assim, é possível descobrir padrões ocultos e obter insights altamente conectados em tempo real”, diz o VP Latam Paulo Farias da Neo4j. Diferentemente dos bancos tradicionais, que dependem de tabelas ou esquemas fixos, os bancos em grafos utilizam nós e conexões para representar, conectar e fornecer contexto às informações de maneira mais intuitiva e flexível. “Sendo até 1.000 vezes mais rápido e consumindo menos recursos de nuvem”, expõe Farias.



    No contexto das doenças raras, a tecnologia se torna uma solução que permite a pesquisadores e médicos conectar sintomas, variantes genéticas, publicações científicas e históricos clínicos em uma rede dinâmica e consultável. Isso contribui para a formulação de diagnósticos mais precisos e em menor tempo. “Levando em consideração os mais de 3 bilhões de DNA presentes no corpo humano, analisar e mapear a relação de cada um com diagnósticos, exames e medicamentos seria humanamente impossível. Sem falar nas mais de 6 mil a 8 mil doenças raras catalogadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, analisa Farias. O recurso tem sido utilizado no Hospital Infantil Dr. von Hauner, na Alemanha. Para isso, foi criado o Grafo de Conhecimento Clínico (CKG), que combina tecnologia de grafos, inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina (ML), contendo dados de 2.500 pacientes pediátricos do país (até o momento). 

[...]


Adaptado de: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/tecnologiainspirada-no-cerebro-pode-acelerar-diagnostico-de-doencas-raras/. Acesso em: 10 jun. 2025.
Com base em excertos adaptados do texto de apoio, assinale a alternativa em que o uso vocabular ou ortográfico compromete a correção e a clareza do enunciado. 

Alternativas
Q3737776 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


PROCEDIMENTOS PARA A ATIVIDADE DE VIDEOMONITORAMENTO DO IASES


A atividade de Videomonitoramento do IASES − AVM/IASES tem por objetivo acompanhar a dinâmica e o cotidiano das Unidades Socioeducativas, com ênfase nos eventos e na vigilância de pontos estratégicos, por meio de câmeras receptoras de imagens.


Propõe-se identificar e analisar as imagens captadas no subsídio da tomada de decisões, auxiliar no planejamento estratégico da segurança e do funcionamento geral do Instituto bem como garantir o cumprimento da rotina socioeducativa a priorização da vida, dos Direitos Humanos e da efetividade do processo socioeducativo.


Os casos omissos referentes a este Manual serão decididos pela Presidência da Instituição ou a quem ela designar.


INSTITUTO DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO DO ESPÍRITO SANTO (IASES). Extrato − Procedimentos para a atividade de videomonitoramento do IASES. Vitória: IASES, [s.d.].


https://iases.es.gov.br/Media/iases/Arquivos/EXTRATO%20DO%20GUI A%20VIDEOMONITORAMENTO.pdf


Considerando o trecho:


"Propõe-se identificar e analisar as imagens captadas no subsídio da tomada de decisões, auxiliar no planejamento estratégico da segurança e do funcionamento geral do Instituto, bem como garantir o cumprimento da rotina socioeducativa, a priorização da vida, dos Direitos Humanos e da efetividade do processo socioeducativo."


Assinale a alternativa cuja reescrita mantém o sentido original e está plenamente adequada à norma culta, quanto ao uso da pontuação, da crase, da regência, da acentuação gráfica e da concordância.  

Alternativas
Q3737773 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 



Carta do leitor: Cuidar do meio ambiente... 



Ilustre coordenador do jornal O País, saudações a todos os trabalhadores desta casa de imprensa! (...)


Na verdade, cuidar do meio ambiente é, sem dúvidas, uma responsabilidade de todos, que se tornou cada vez mais urgente nos últimos anos.


É fundamental que tenhamos consciência de que as nossas ações impactam não apenas o presente, mas também as futuras gerações.


Portanto, promover uma relação harmoniosa com a natureza é muito importante para garantir um mundo saudável. Não devemos nos esquecer que um dos principais motivos para cuidar do ambiente é a preservação da biodiversidade.


Cada espécie desempenha um papel essencial nos ecossistemas, sendo que a extinção de uma única espécie pode desencadear um efeito dominó que afeta várias outras.


Por outro lado, a biodiversidade é vital para a segurança alimentar e a medicina, fornecendo recursos importantes que podem ser utilizados para o desenvolvimento de novos medicamentos e tratamentos da nossa própria saúde. Por isso, vamos cuidar do nosso ambiente.


O mundo agradece! Obrigado!


Daniel Gerônimo - Texto Adaptado


Luanda, São Paulo 



https://www.opais.ao/opiniao/carta-do-leitor-cuidar-do-meio-ambiente/

Considere o seguinte trecho da carta do leitor:


"Não devemos nos esquecer que um dos principais motivos para cuidar do ambiente é a preservação da biodiversidade."


Com base na norma culta da Língua Portuguesa, é correto afirmar que:

Alternativas
Q3732943 Português
Um desvio da norma culta ocorre com frequência na conversação diária, coloquial, acerca da regência verbal: na tentativa de economizar palavras, o falante emprega verbos com regências diferentes lado a lado, empregando o mesmo complemento.
Esse caso é notável na construção:
• “Ele entrava e saía da sala sem dizer nada”.
Os verbos entrar e sair possuem regências distintas, logo não podem ser alinhados com o mesmo complemento.
Analise as frases a seguir, comuns em postagens e comentários nas redes sociais, e assinale a que apresenta desvio de regência verbal por usar o mesmo complemento para verbos com regências diferentes.
Alternativas
Q3732057 Português
Atente para as frases a seguir.

I. Nada se fez necessário, ............... já havia resolvido o problema.
II. Sempre fico me questionando ............... ela age assim comigo.
III. Era um ................ que não tinha explicação.
IV. ................ chegou atrasada, não pode fazer a prova.

A alternativa que completa CORRETAMENTE as lacunas acima é:
Alternativas
Q3731412 Português
Leia este trecho de crônica e responda à questão.


Meio-dia e meia


    Acho muito simpática a maneira de a Rádio Nacional anunciar a hora: "onze e meia" no lugar de "vinte e três e trinta" [...]. Mas confesso minha implicância com aquele "meio-dia e meia".

    Sei que "meio-dia e meio" está errado; "meio" se refere a hora e tem de ficar no feminino. Sim, "meiodia e meia". Mas a língua é como a mulher de César: não lhe basta ser honesta, convém que o pareça. Aquele "meia" me dá ideia de teste de colégio para pegar estudante distraído. Para que fazer da nossa língua um alçapão?

     Lembrando um conselho que me deu certa vez um amigo boêmio quando lhe perguntei se certa frase estava certa ("Olhe, Rubem, faça como eu, não tope parada com a gramática: dê uma voltinha e diga a mesma coisa de outro jeito") [...] Aliás, a língua da gente não tem apenas regras: tem um espírito, um jeito, uma pequena alma que aquele "meio-dia e meia" faz sofrer. E, ainda que seja errado, gosto da moça que diz: "Estou meia triste..." Aí, sim, pelo gênio da língua, o "meia" está certo.


BRAGA, Rubem. Recado de primavera. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 58.
ATENTE para os itens a seguir.

I. “Depois do jantar, restaram sobre a mesa duas meias garrafas de vinho e bastantes frutas e doces”.
II. “Este ano a viagem foi bem tranquila; tinha menas pessoas nos ônibus, porque quase ninguém viajou no feriado”.
III. “A velhinha segurou o pacote que o rapaz estava lhe dando e disse: " — Muito obrigado, moço; deixei cair porque estava muito pesado".”

Entre os itens que estão redigidos, há aqueles que não estão de acordo com as regras da variedade padrão, mas sim conforme "o espírito, a pequena alma da língua". Esse(s) indício(s) de oralidade ocorre(m) em:
Alternativas
Respostas
401: D
402: C
403: C
404: A
405: E
406: D
407: B
408: A
409: C
410: B
411: C
412: D
413: D
414: C
415: B
416: A
417: B
418: D
419: A
420: D