Questões de Concurso
Comentadas sobre problemas da língua culta em português
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Leia o texto de Clarice Lispector, “Declaração de amor”, abaixo:
11 de maio de 1968
Declaração de amor Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil.
Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguajem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisto de uma frase.
Eu gosto de manejá-la - como gosto de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.
Lispector, C. Declaração de amor. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro. 11 de maio de 1968.
Analise as seguintes frases quanto à regência verbal:
I. Assiste a todos o direito de reivindicar melhores salários.
II. Aviso-o de que desisti da viagem.
III. Certifiquei-lhe de que o prazo para o pagamento esgotara-se.
IV. Lembra-se da nossa última conversa?
V. Pagou o funcionário tudo o que devia.
Estão de acordo com a norma culta, apenas:
Léia o texto a seguir e responda ao que se pede.
Texto 1
Água
A água é um recurso natural abundante essencial para a existência de vida na Terra. O planeta Terra é constituído por uma extensa massa de água, correspondendo ao que conhecemos como hidrosfera. Além de estar presente na composição do planeta, a água também compõe parte do nosso corpo, permitindo-nos pensar que falar de água é falar de sobrevivência. Essa substância é utilizada em atividades essenciais ao ser humano, como a produção agrícola, e também usada como solvente universal.
A água era considerada um recurso inesgotável. Contudo, desde que foi considerado um símbolo de riqueza, por ter sido transformada em uma mercadoria, passou também a ser sinônimo de conflito. O mau uso, o desperdício, sua distribuição, bem como sua ocorrência são responsáveis por criar conflitos em diversas regiões do mundo. A preocupação com a disponibilidade de água é pauta frequente nas discussões ambientais e geopolíticas.
Água no Brasil
O Brasil é um país abundante em recursos hídricos, representando cerca de 12% do total mundial. Contudo, sua distribuição não é uniforme no território. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), a água doce é distribuída nas regiões brasileiras da seguinte maneira: Região Norte corresponde a 68% dos recursos hídricos; Região Centro-Oeste corresponde a 16% dos recursos hídricos; Região Sul corresponde a 7% dos recursos hídricos; Região Sudeste corresponde a 6% dos recursos hídricos e Região Nordeste corresponde a 3% dos recursos hídricos.
Quanto à Distribuição de água no Brasil, há um contraste visível em relação à distribuição populacional. A Região Norte, que detém o maior volume de água doce do país, é a região com menor densidade demográfica, ou seja, é uma das regiões menos povoadas, contando com apenas 7% da população. Já a Região Sudeste, a mais povoada do país com cerca de 42,63% da população, conta com apenas 6% da disponibilidade de recursos hídricos.
No que tange ao desperdício de água, o Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente, desperdiça entre 20% a 60% da água destinada ao consumo ao longo da distribuição. Os hábitos dos brasileiros também não favorecem a economia de água, já que boa parte dessa substância é desperdiçada seja em uso pessoal ou atividades de limpeza.
(Texto adaptado de
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/agua.htm, acesso em
janeiro de 2020).
Texto 2
Planeta Água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranquilas no leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d'água é misteriosa canção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de algodão
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra, planeta água
Terra, planeta água, Terra, planeta água, Terra planeta água.
Guilherme Arantes
(Fonte: https://www.letras.mus.br/guilherme-arantes/46315/, acesso em janeiro de 2020.)
Muito comum em nossa língua do cotidiano, o pronome “onde” é constantemente trocado por aonde, muitas vezes de maneira indevida.
Identifique o uso correto, indicando lugar, a partir do trecho: “Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d'água é misteriosa canção/Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de algodão”.
A respeito do uso dos “porquês” em língua portuguesa, considere as seguintes afirmativas:
1. Não sei por que há pessoas que não acreditam na ida do homem à Lua.
2. Os vereadores não foram à palestra sobre o meio-ambiente porque o prefeito não lhes concedeu verba suficiente para as despesas.
3. Porque há tanta incompreensão no mundo hoje em dia?
4. Um dos funcionários da área de TI faltou ao trabalho e não disse por quê.
Segue(m) as normas da língua portuguesa a(s) afirmativa(s):
Dois caboclos na enfermaria
Lá na minha terra tinha um caboclo que vivia reclamando de uma dor na perna. E, coincidentemente, um compadre dele tinha também a mesma dor na perna, e também estava sempre reclamando da danada. Só que nenhum deles tinha coragem de ir ao médico. Ficavam mancando, reclamando da dor, mas não iam ao hospital de jeito nenhum. Até que um deles teve uma ideia:
Caboclo 1 – Ê, cumpadi, nóis véve sofrendo muito com a danada dessa dor na perna... Por que é que nóis num vamu junto no dotô? Vamos lá. A gente faz a consulta, e tal, se interna no mesmo quarto... Daí fazemo o tratamento e vemo o que acontece. Se curar, tá bom demais!
O compadre gostou da ideia, tomou coragem e lá se foram os dois. Quando chegaram ao hospital, o médico pediu para o primeiro deitar na cama e começou a examinar. Fez algumas perguntas e foi apertando a perna do caboclo:
Doutor – Dói aqui?
Caboclo 1 – Aiiiii...
Doutor – E aqui, como é que está?
Caboclo 1 – Aii, aiii... dói demais!
E o outro só olhando. Quando chegou a vez dele, o médico foi cutucando, apertando, mas nada de ele gemer. Ficou quieto o tempo todo.Aí o médico foi embora e o compadre estranhou:
Caboclo 1 – Mas cumpadi... a minha perna doeu demais da conta com os aperto do hômi... Como é que a sua não doeu nadica de nada?
Caboclo 2 – E ocê acha que eu vou dá a perna que dói pro hômi apertá?
BOLDRIN, Rolando. Almanaque Brasil.
São Paulo: ano 12, n. 133. [s.d.], p. 34.
Releia o seguinte trecho:
“– Ê, cumpadi, nóis véve sofrendo muito com a danada dessa dor na perna... Por que é que nóis num vamu junto no dotô?”
De acordo com a linguagem formal, em respeito à ortografia e às regras gramaticais, esse trecho deveria ser escrito da seguinte forma:
Dois caboclos na enfermaria
Lá na minha terra tinha um caboclo que vivia reclamando de uma dor na perna. E, coincidentemente, um compadre dele tinha também a mesma dor na perna, e também estava sempre reclamando da danada. Só que nenhum deles tinha coragem de ir ao médico. Ficavam mancando, reclamando da dor, mas não iam ao hospital de jeito nenhum. Até que um deles teve uma ideia:
Caboclo 1 – Ê, cumpadi, nóis véve sofrendo muito com a danada dessa dor na perna... Por que é que nóis num vamu junto no dotô? Vamos lá. A gente faz a consulta, e tal, se interna no mesmo quarto... Daí fazemo o tratamento e vemo o que acontece. Se curar, tá bom demais!
O compadre gostou da ideia, tomou coragem e lá se foram os dois. Quando chegaram ao hospital, o médico pediu para o primeiro deitar na cama e começou a examinar. Fez algumas perguntas e foi apertando a perna do caboclo:
Doutor – Dói aqui?
Caboclo 1 – Aiiiii...
Doutor – E aqui, como é que está?
Caboclo 1 – Aii, aiii... dói demais!
E o outro só olhando. Quando chegou a vez dele, o médico foi cutucando, apertando, mas nada de ele gemer. Ficou quieto o tempo todo.Aí o médico foi embora e o compadre estranhou:
Caboclo 1 – Mas cumpadi... a minha perna doeu demais da conta com os aperto do hômi... Como é que a sua não doeu nadica de nada?
Caboclo 2 – E ocê acha que eu vou dá a perna que dói pro hômi apertá?
BOLDRIN, Rolando. Almanaque Brasil.
São Paulo: ano 12, n. 133. [s.d.], p. 34.
No que concerne às estruturas linguísticas e gramaticais do texto, julgue o item.
Na linha 1, a forma “por que” pode, também, ser escrita
como porque, sem prejuízo para a correção gramatical.
“_____ no apoio para lidar com sentimentos, ____ para orientar sobre o que venham a fazer no futuro”.
Analise a redação dos trechos a seguir:
I. Não se pode olvidar a aplicabilidade dos direitos e garantias da legislação dos direitos autorais para o titular do programa, desde que tais prerrogativas não conflitem com a legislação específica.
II. Não se pode olvidar a aplicabilidade dos direitos e as garantias da legislação dos direitos autorais para o titular do programa, desde que tais prerrogativas não conflitem com a legislação específica.
III. Não se pode olvidar a aplicabilidade dos direitos e das garantias da legislação dos direitos autorais para o titular do programa, desde que tais prerrogativas não conflitem com a legislação específica.
Apresenta(m) redação sem deslizes gramaticais e com coerência e clareza:
Leia o texto e resolva as questões de 8 a 10.
O Deputado Estadual Laércio Schuster estará nesta quinta-feira, dia 14, na Secretaria de Estado da Defesa Civil. Será recebido pelo Secretário em Exercício, Coronel Losso, e toda a Diretoria. O objetivo é conhecer a atual estrutura da Defesa Civil e debater a situação das barragens da Celesc em Santa Catarina.
Para se ter uma ideia da importância desse tema, somente nas regiões do Médio e Alto Vale do Itajaí existem cinco barragens: Palmeira, Alto Cedro, Ibirama, Taió e José Boiteux. [...]
Segundo o deputado, o objetivo é assegurar que todas as barragens do Estado estejam em plena segurança, em especial neste momento de consternação e preocupação por parte dos brasileiros, em geral, e dos catarinenses, em particular, devido a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais. [...]
Disponível em https://www.timbonet.com.br/laercio-vai-se- reunir-com-diretoria-da-defesa-civil-sobre- barragens. Acesso em 13/02/2019. [adaptado]
A exemplo da palavra ideia, utilizada no texto acima, assinale a alternativa que contenha outra palavra que também perdeu o acento com o Novo Acordo Ortográfico:
Determinadas palavras são frequentes na redação oficial. Conforme as regras do Acordo Ortográfico que entrou em vigor em 2009, assinale a opção CORRETA que contém apenas palavras grafadas conforme o Acordo.
I. abaixo-assinado, Advocacia-Geral da União, antihigiênico, capitão de mar e guerra, capitão-tenente, vice-coordenador.
II. contra-almirante, co-obrigação, coocupante, decreto-lei, diretor-adjunto, diretor-executivo, diretor-geral, sócio-gerente.
III. diretor-presidente, editor-assistente, editor-chefe, ex-diretor, general de brigada, general de exército, segundo-secretário.
IV. matéria-prima, ouvidor-geral, papel-moeda, pós-graduação, pós-operatório, pré-escolar, pré-natal, pré-vestibular; Secretaria-Geral.
V. primeira-dama, primeiro-ministro, primeiro-secretário, pró-ativo, Procurador-Geral, relator-geral, salário-família, Secretaria-Executiva, tenente-coronel.
Assinale a alternativa CORRETA:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Sobre estar sozinho
01 Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas
02 também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O
03 que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista
04 individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, não mais uma relação de dependência,
05 em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
06 A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo,
07 está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que
08 somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
09 Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais
10 a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da
11 ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se
12 sou manso, ele deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco
13 romântica, por sinal.
14 A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo
15 amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o
16 avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de
17 ficarem sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a
18 perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo,
19 também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um
20 companheiro de viagem.
21 O ser humano é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se
22 adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada
23 a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do
24 outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e
25 significado. Visa à aproximação de dois inteiros e não à união de duas metades. E ela só é
26 possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for
27 competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
28 A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas
29 relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de
30 ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do
31 século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para
32 avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que
33 fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
34 Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo
35 interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de
36 espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso,
37 ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de
38 ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há
39 o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em: https://www.contioutra.com/sobre-estarsozinho-de-flavio-gikovate/. Acesso em 10 jan. 2019.
Qual das seguintes palavras extraídas do texto teve o acento extinto em função da vigência do Novo Acordo Ortográfico, definido pelo Decreto 7.875/12?
Assinale a alternativa que foi grafada incorretamente, ou seja, àquela em que há palavras com erros ortográficos.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Previsões de Um Futuro Passado: 30 Anos de Internet
- Há 30 anos, o mundo era outro. Não, eu não estou falando da queda do muro de Berlim,
- da eleição de Collor ou dos protestos na Praça da Paz Celestial. Quero dizer que, em 1989, a
- internet mal existia. Foi só naquele ano que Tim Berners-Lee deu forma final a seu conceito de
- World Wide Web, quando ainda trabalhava na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear em
- Genebra. Provedores de internet para o grande público só engatinhavam nos Estados Unidos e na
- Europa.
- Ainda que fosse um cenário bastante distinto da nossa web de redes sociais, conexão
- sem-fio e emojis, ali estavam as bases da rede mundial de computadores que conhecemos hoje.
- Em homenagem ___ três décadas dessa invenção que mudou o mundo, mergulhei nos acervos
- de O Globo para conferir quais eram as previsões dos jornais sobre o futuro da Internet entre
- 1989 e 1995, ano em que o serviço chegou oficialmente ao Brasil e pudemos enfim conferir seu
- funcionamento ao vivo e a (poucas) cores. Separei, a seguir, três das mais interessantes
- previsões, deixando de lado outras como e-commerce e internet banking.
- "Quem quer ler tanta notícia?"
- Em 1991, a internet já alcançava um número decente de usuários. Pelo menos 3 milhões,
- segundo uma reportagem que descrevia as cada vez mais conectadas redes de computadores,
- até então, principalmente, acadêmicas. E um dado chama a atenção: quem se conectasse ___
- rede poderia ter acesso ___ mais de “200 conferências internacionais, sem sair de casa”. Mais do
- que isso, era possível ler até 100 páginas de notícias por dia! O número hiperbólico levou a
- repórter a se questionar: “Quem quer ler tanta notícia?!”
- Pois bem... quase 30 anos depois, o panorama é outro. Só nos EUA, dois terços das
- pessoas acessam notícias online , e a tendência é que esse número ainda cresça. O volume de
- publicações então, é imensurável. Certeza só de que são muito mais do que 100 páginas diárias
- de notícias por aí. A casa, com certeza, está nos milhões de artigos, reportagens, gráficos, vídeos
- e análises noticiosos por dia. Mas a pergunta continua de pé: “Quem quer ler tanta notícia?!”
- “Dono de videolocadora, o tempo é de começar a se preocupar”
- O aviso alarmista estampado em uma das reportagens analisadas não poderia ter sido
- mais certeiro, ainda que um pouco precipitado. Em outubro de 1994 a gigante americana Time-
- Warner anunciava o lançamento de um serviço de “Video On Demand” para alguns assinantes. O
- objetivo era de fornecer notícias, filmes e entretenimento em uma “rede digital multimídia”. Os
- arquivos eram comprimidos, enviados em até 450bps para receptores (que poderiam ser TVs) e
- então vistos pelos assinantes. Naquela altura, até 1000 pessoas eram capazes de assistir filmes
- simultaneamente.
- Com tamanhas aspirações, não surpreende que o repórter tenha visto a medida da Time-
- Warner (e de sua concorrente, a Oracle) como uma péssima notícia para as videolocadoras.
- Quase 30 anos depois, a preocupação era mais do que justificada. Vivemos uma era de
- streaming, a Blockbuster que o diga. Descansem em paz, videolocadoras.
- O rosto do seu computador
- Nem toda previsão é acertada. Inclusive uma feita pelo New York Times, que cravou, em
- 11 de julho de 1994, que a próxima grande tendência da informática seria dar caras aos
- computadores. E da maneira mais assombrosa possível: gerando rostos que interagissem e
- dessem recados aos usuários sobre o funcionamento dos PCs. A ideia, que talvez parecesse
- natural na época, felizmente, nunca foi para frente. Em 2019, ninguém recebe uma tela azul
- acompanhada de uma cara triste. :(
- A ideia, porém, não é de todo incoerente. A tentativa de humanização dos computadores
- ainda está na moda, como mostram filmes como “Her” e assistentes digitais como a “Alexa” e a
- “Siri”, da Amazon e Apple, respectivamente. A tentativa é válida e pode facilitar a vida dos
- usuários. Só, por favor, não deem rostos ___ máquinas. Não queremos pesadelos.
Daniel Salgado – 08/02/2019 – Disponível em: https://epoca.globo.com – adaptação.
Considerando o Acordo Ortográfico vigente, a palavra “videolocadora” deve ser grafada sem hífen. Assinale a alternativa em que a regra do hífen esteja empregada de forma INCORRETA.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A sabedoria dos patos
- Certa vez estava ouvindo um programa de rádio em que achei muito interessante a
- abordagem motivacional e metafísica que o professor e terapeuta Marcello Cotrim levantou para
- elucidar que os patos têm uma sabedoria maravilhosa a nos transmitir. Ele fez um comparativo
- entre os arquétipos da águia e do pato. A águia é um animal lindíssimo, tem força, tem
- resistência, tem longevidade, tem uma visão de longo alcance, voa acima das nuvens. Além
- disso, existe uma famosíssima lenda da renovação da águia, segundo a qual, quando chega à
- metade do seu tempo de vida, ela passa por um processo doloroso de renovação das penas, das
- unhas e do bico. Ela vai para as mais altas montanhas e fica lá, solitária, batendo o bico nas
- pedras até ele cair, depois espera pacientemente que nasça um novo. Em seguida, ela arranca as
- penas e unhas e se prepara para um novo ciclo de vida.
- Essa lenda da renovação da águia é vista por nós como o processo de sofrer para crescer,
- sofrer para se renovar, viver a solidão para conseguir se superar, etc. Se observarmos bem, o
- arquétipo da águia é como o de um mártir, alguém que sofre, mas que se torna maior do que as
- outras pessoas, se torna indelével. No mundo em que vivemos, quase todos querem se tornar
- inesquescíveis, porque isso soa bonito, dá uma sensação imensa de ser importante, de ser
- insubstituível. Porém, o risco está em querer ser águia o tempo inteiro. Isso é muito
- desgastante, é você se esforçar para ser sempre o melhor em tudo e alcançar patamares
- incomparáveis. A grande verdade é que ninguém consegue ser o melhor em tudo, e o barato da
- vida é exatamente esse, porque dessa forma podemos nos unir com outras pessoas, podemos
- pedir ajuda e fazer parcerias interessantes.
- Essa ideia coletiva que se tem das águias reforça um perfil mais egoísta e autossuficiente,
- como se não precisássemos uns dos outros. É nessa hora que entra a figura do pato. Ele é meio
- desengonçado na forma de andar, sabe nadar, mas não é exímio nadador, também consegue
- voar, mas não alcança grandes alturas, não sabe fazer voos rasantes, etc. Perceba! Ele consegue
- transitar pela terra, pela água e pelo ar. Que animal além dele consegue fazer isso? Em outras
- palavras, o pato é multitarefas. Tem talentos diversos, mas está longe de ser um especialista em
- suas capacidades. Olhar para esse animal e pegar esse modelo para a nossa vida é incrível,
- porque a vida não nos exige que sejamos os melhores em tudo e o tempo todo. Somos nós que
- nos autoimpomos esse padrão que, por vezes, chega até a nos adoecer.
- No mundo hipermoderno que vivemos hoje, o ideal é que desenvolvamos nossos potenciais
- diversos, sem querermos ser os melhores em tudo. Vale ressaltar que existem águias em todas
- as áreas da vida e em todas as profissões, mas não adianta ficar se comparando, porque na
- comparação nos menosprezamos e deixamos de fazer algo bom, que poderia ajudar a nós
- mesmos e aos outros. Por exemplo, eu escrevo bem, mas sei que não sou o melhor na arte da
- escrita. Não sou um Machado de Assis, porém, se eu não escrevesse, seria menos feliz e
- realizado do que sou e deixaria de levar conhecimentos e consciência para centenas de pessoas.
- Gosto de jogar basquete, mas estou longe, absolutamente longe de ser um Michael Jordan ou
- Lebron James. Se me comparasse com esses gladiadores do basquete nem pisaria numa quadra,
- deixaria de me exercitar e de me divertir com esse lindo esporte.
- Poderia citar mais exemplos, mas com esses acho que já deu para você entender! O resumo
- de tudo é isso. Faça! Não queira se comparar com as águias. Sempre existirão águias em todas
- as áreas, mas entre ser uma águia, perita em apenas uma coisa, e ser um pato, que se esforça
- para desenvolver diversos talentos, sem autoexigência, é preferível ser como um pato! Sem
- contar que os patos vivem em bandos, eles muito facilmente se organizam em equipe e não tem
- o pato-alfa, que lidera a todos, não! Imitando o arquétipo do pato podemos até ser amigos
- melhores, sem querermos ser o chefe, o comandante.
Texto adaptado especialmente para esta prova.
Disponível em: https://www.contioutra.com/a-sabedoria-dos-patos/.
Qual das seguintes palavras extraídas do texto está grafada INCORRETAMENTE?
Quantos livros você leu este ano? O pequeno Thomas Rafael já ultrapassou a marca dos 60. Para uma criança de apenas seis anos, o número deixa muita gente grande para ______. Quem trabalha na Biblioteca Municipal de Blumenau se surpreende com a paixão do menino. Não ______ outra criança na mesma faixa etária com tantos empréstimos no acervo público.
Nas prateleiras da biblioteca, que acaba de completar 67 anos, o garoto mostra os favoritos. O Pequeno Príncipe, escrito pelo francês Antoine de Saint-Exupéry, está no topo da lista.[...]
Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/noticias/blumenauense-de-seis-anos-ultrapassa-60-livros-lidos-em-2019. Acesso em: 05/ago/2019.[adaptado]
Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente as lacunas do texto:
