Questões de Concurso
Comentadas sobre preposições em português
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Leia atentamente o texto abaixo para responder a questão.
Annabel Lee
Edgar Allan Poe
(tradução de Fernando Pessoa)

Foi há muitos e muitos anos já,/ Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá/ Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento/ Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,/ Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor/ - O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram/ a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,/ Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando/ A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio/ De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro/ Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,/ Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,/ Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite/ Gelando e matando a que eu soube amar.
*barras marcam divisão dos versos do poema.
Leia um trecho do romance Anel de vidro, de Ana Luisa Escorel, para responder à questão.
Quando apareceu a decisão de ir para o sul, a mãe começou a pregar botões onde faltavam, cerzir puídos e refazer as barras desfeitas da meia dúzia de calças que levaria.
O pai deu dois ou três conselhos de praxe, o dinheiro da passagem e um pouco mais. O tanto para aguentar perto de quinze dias na casa do tio, onde ficaria até conseguir emprego. E assim foi e ele se despediu, triste por deixar a irmã a quem era bastante ligado. Deve ter recebido a bênção protocolar, de longe. Não era hábito na família os mais velhos ficarem se expondo em demonstrações de afeto. Adulto só encostava em criança para dar cascudo.
Andou sozinho até a rodoviária, sem ninguém junto para encurtar a partida. Foi carregando a malinha – leve, quase nada dentro –, com um travo no peito e o coração aos trancos.
A viagem tomava um dia e uma noite, e eram poucas as paradas em postos de gasolina com bares cheios de moscas e banheiros imundos. No ônibus, cadeiras desconfortáveis e como companheira de viagem uma gente mirrada, graças a Deus, pois assim o barulho era pouco e ele podia descansar enquanto pensava na vida.
Vinha inquieto. Mal conhecia os tios e os primos, três rapazes regulando com ele em idade, nunca sequer os tinha visto. Moravam do outro lado da baía na cidade vizinha e mais modesta. Então, para o estudo e o trabalho, teria de se deslocar em barcaças, vinte minutos sobre o mar até o centro rico do Rio de Janeiro que o atraíra para o sul. Seu propósito era trabalhar de dia e estudar à noite – Administração de Empresa – e abrir o leque das perspectivas fosse na iniciativa privada, fosse ao abrigo seguro do Estado.
Assim ia encadeando o devaneio e mesmo agora, passados bons anos, tinha viva a sequência daqueles acontecimentos, talvez porque encerrassem uma etapa selada no adeus.
Desembarcou, 24 horas de viagem nas costas, sentiu como se entrasse num mundo sem norte.
(Editora Ouro sobre Azul, 2014. Adaptado)
Considere os trechos do texto.
• … para aguentar perto de quinze dias na casa do tio, onde ficaria até conseguir emprego. (2º parágrafo)
• Adulto só encostava em criança para dar cascudo. (2º parágrafo)
• Andou sozinho até a rodoviária, sem ninguém junto para encurtar a partida. (3º parágrafo)
As preposições destacadas passam, respectivamente, a noção de
Leia a crônica de Marcos Rey para responder à questão.
Salas de espera
“Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia”
Fonte: HOLLANDA, Chico Buarque de. Apesar de você. São Paulo: Marola Edições Musicais Ltda, 1970.
O termo em destaque é:
Nesse texto, a preposição EM inicial mostra o mesmo valor em:
No que se refere aos aspectos gramaticais e aos sentidos do texto, julgue o item.
Na linha13, emprego da preposição “a”, em “a dar cabo
dela”, deve-se à regência do verbo
“chegava”.
Um poema que desaparecesse à medida que fosse nascendo, e que dele nada então restasse senão o silêncio de estar não sendo. Que nele apenas ecoasse o som do vazio mais pleno. E depois que tudo matasse morresse do próprio veneno.
I. A expressão à medida que poderia ser substituída por à medida em que sem prejuízos gramaticais. II. Considerando apenas os dois primeiros versos, se o vocábulo poema fosse passado para o plural, outros três vocábulos também deveriam sofrer alteração de número. III. O vocábulo apenas estabelece uma relação de sinonímia com o vocábulo senão.
Pode-se afirmar que:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
ESTRATÉGIA
Dizem que, certa vez, estava um cego sentado no passeio, com um boné em seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: "POR FAVOR! AJUDEM-ME, SOU CEGO".
Um criador de publicidade que passava por ele, parou e observou umas poucas moedas no boné. Sem lhe pedir permissão, pegou o cartaz, deu volta, pegou um giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira sobre os pés do cego e se foi.
Pela tarde, o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmolas, e seu boné estava cheio de notas e moedas. O cego reconheceu seus passos e lhe perguntou se tinha sido ele que escreveu seu cartaz e sobretudo, o que ele tinha escrito. O publicitário lhe respondeu:
- Nada que não esteja certo com seu anúncio, mas com outras palavras. Sorriu e seguiu seu caminho.
O novo cartaz dizia: "HOJE É PRIMAVERA, E NÃO POSSO VÊ-LA!"
Mudemos de estratégia, quando as coisas não nos saem bem, e veremos que o resultado poderá ser diferente.
Fonte: https://www.contandohistorias.com.br/html/contan
dohistorias.html - Modificado
“Seus romances fogem de descrições estereotipadas (...)”
No trecho, as palavras estão classificadas, respectivamente, como:
Instrução: A questão refere-se a diferentes aspectos da norma culta da língua portuguesa.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas tracejadas dos enunciados abaixo, na ordem em que aparecem.
1. Dizem que o Promotor de Justiça ________ cuja posse comparecemos é competente.
2. Dizem que o Promotor de Justiça ________ cuja propriedade nos abrigamos é perspicaz.
3. Dizem que o Promotor de Justiça ________ cuja boa índole nos reportamos é diligente.
4. Dizem que o Promotor de Justiça ________ cuja companhia estivemos ontem é brilhante.
Escritório
Aluguei um escritório. Minha senhoria é a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência – o que quer dizer que começo bem, sob a égide de um santo de minha particular devoção. Espero que ele me assista nesta grave emergência.
Grave, porque assumi compromisso, com contrato registrado e sacramentado, de cumprir fielmente o regulamento do prédio na minha nova condição de inquilino. Não posso, por exemplo, colocar pregos que danifiquem as paredes.
Mas escritório de quê? Advocacia? A tanto não ousaria, sendo certo que minha qualidade de bacharel nunca me animou sequer a ir buscar o diploma na Faculdade (onde, confio, esteja ainda bem guardado à minha espera, se dele precisar para qualquer eventualidade: a de ser inesperadamente convocado à vida pública, por exemplo, com uma honrosa nomeação, sacrifício a que seria difícil esquivar-me). Pelo que, não ousariam a esta altura da minha vida, iniciar-me na profissão a que o dito diploma presumivelmente me habilita. Além do mais, eu não poderia mesmo colocar o prego para dependurá-lo na parede.
Fica sendo então escritório, tão-somente. Nem mesmo de literatura: apenas um local onde possa acender diariamente o forno (no sentido figurado, apresso-me a tranquilizar o condomínio) desta padaria literária de cujo produto cotidiano, fresco ou requentado, vou vivendo como São Francisco é servido. Levo para o meu novo covil uma mesa, uma cadeira, a máquina de escrever – e me instalo, à espera de meus costumeiros clientes.
Estranhos clientes estes, que entram pela janela, pelas paredes, pelo teto, trazidos pelas vozes de antigamente, vindos numa página de jornal, ou num simples ruído familiar: projeção de mim mesmo, ecos de pensamento, fantasmas que se movem apenas na lembrança, figuras feitas de ar e imaginação.
(Fernando Sabino. A mulher do vizinho. Adaptado)
Colunista comenta relatório do IPCC sobre mudanças climáticas.
“O que já havia sido previsto vem se materializando com um aumento médio da temperatura da Terra, chegando-se à conclusão de que esse aumento está chegando antes do previsto”, diz Paulo Saldiva em seu comentário sobre o sexto relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). As consequências são as de que os ciclos hidrogeológicos vão aumentar em sua intensidade e frequência, provocando, de um lado, períodos de seca alternados com inundação e, por outro lado, a elevação dos níveis dos mares comprometerá cidades costeiras, assim como a desertificação de algumas regiões afetará a produção de alimentos.
Não bastasse tudo isso, as inundações e o aumento da temperatura vão facilitar o surgimento de vetores de doenças infecciosas, como dengue, zika, malária ou febre amarela. Aliás, em se tratando de saúde, deve-se observar ainda que os extremos de temperatura farão com que algumas pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias tenham sua saúde ainda mais comprometida, até mesmo com risco de morte.
Para o colunista, ainda há tempo de reverter esse cenário de caos, embora parte dessas alterações, admite, seja irreversível. “Se fizermos tudo certo, vai ser necessário mais de um século para que a gente reverta as condições anteriores que nossos antepassados deixaram”.
(https://jornal.usp.br/radio-usp/445402/, 16.08.21. Adaptado)
* Hidrogeológico: Relativo ao estudo das águas subterrâneas.

Assinale a opção que mostra a imperfeição desse pequeno texto.
