Questões de Concurso Sobre pontuação em português

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Q2691530 Português

Leia a entrevista do autor da expressão “imigrantes digitais” para responder às questões 7, 8, 9 e 10.


(Texto Adaptado)

PATRICIA GOMES


Folha - Como o senhor define nativos e imigrantes digitais? Marc Prensky - Nativos digitais são aqueles que cresceram cercados por tecnologias digitais. Para eles, a tecnologia analógica do século 20 – como câmeras de vídeo, telefones com fio, informação não conectada (livros, por exemplo), internet discada – é velha. Os nativos digitais cresceram com a tecnologia digital e usaram isso brincando, por isso não têm medo dela, a veem como uma aliada. Já os imigrantes digitais são os que chegaram à tecnologia digital mais tarde na vida e, por isso, precisaram se adaptar.

Um imigrante digital consegue ensinar um nativo digital?

Depende do que você entende por "ensinar". Se você quer saber se os mais velhos podem orientar os mais novos, fazendo as perguntas certas, a resposta é "sim". Se você quer saber se os jovens vão ouvir os mais velhos falar sobre coisas que não acham importantes, a resposta é "não". A educação precisa ser menos sobre o sentido de contar, e mais sobre partilhar, aprender junto.

A tecnologia mudou as relações na sala de aula?

Em cada lugar há um efeito diferente. Em alguns casos, reforçou as relações, conectou professores e alunos isolados. Em outros, trouxe medo, desconfiança, desrespeito mútuo. Por exemplo, um professor pode pensar que os alunos têm a concentração de um inseto. Os alunos podem pensar que os professores são analfabetos digitais. É quase impossível o aprendizado ocorrer em circunstâncias assim. O que a gente precisa é de respeito mútuo entre professores e estudantes.

O papel dos professores mudou em comparação com o das décadas de 80 e 90?

Sim. O papel do professor está mudando gradualmente. Está deixando de ser apenas o de transmissor de conteúdo, disciplinador e juiz da sala de aula para se tornar o de treinador, guia, parceiro. A maioria dos professores está em algum lugar no meio; poucos são parceiros de verdade.

E continua mudando?

Sim. E precisa continuar mudando se os professores quiserem ajudar os alunos do século 21 a aprender. Alguns acham que a pedagogia vai mudar automaticamente, assim que os "nativos digitais" se tornarem professores. Eu discordo. Há pressões forçando os professores novos a adotar métodos antigos. Nós precisamos fazer um grande esforço de mudança. Primeiro, mudar a forma como nós ensinamos – nossas pedagogias. Depois, mudar a tecnologia que nos dá suporte. Finalmente, mudar o que nós ensinamos – nosso currículo – para estarmos em acordo com o contexto e as necessidades do século 21.

A partir da leitura atenta da entrevista e da Gramática Normativa da Língua Portuguesa, analise as afirmativas abaixo.


I. A informação contida entre travessões na primeira resposta, “– como câmeras de vídeo, telefones com fio, informação não conectada (livros, por exemplo), internet discada –”, tem função de Aposto no texto.

II. O entrevistado foi incoerente ao responder à pergunta “Um imigrante digital consegue ensinar um nativo digital?”, já que respondeu “sim” e “não”.

III. Para o entrevistado, a tecnologia digital não resolveu um problema fundamental para que existam condições de ensino e aprendizagem: o respeito nas relações pedagógicas.

IV. Segundo o entrevistado, não basta que os jovens nascidos na era digital tornem-se professores para que a educação se transforme, é necessário que esses jovens incluam os “imigrantes digitais” nesse processo, respeitando as tradições e, a partir, disso construam um novo ambiente escolar.

Alternativas
Q2691003 Português

Queremos a infância para nós


O mundo anda bem atrapalhado: de um lado, temos crianças que se comportam, se vestem, falam e são tratadas como adultos. Do outro, adultos que se comportam, se vestem, falam e são tratados como crianças. Pelo jeito, infância e vida adulta têm hoje pouco a ver com idade cronológica.

Não é preciso muito para observar sinais dessa troca: basta olhar as pessoas no espaço público. É corriqueiro vermos meninas vestidas com roupas de adultos, inclusive sensuais: blusas e saias curtas, calças apertadas, meia-calça e sapatos de salto. E pensar que elas precisam é de roupa folgada para deixar o corpo explodir em movimentos que devem ser experimentados... Mas sempre há um traço que trai a idade: um brinquedo pendurado, um exagero de enfeites, um excesso de maquiagem, etc.

Se olharmos as adultas, vestidas com o mesmo tipo de roupa das meninas descritas acima, vemos também brinquedos, carregados como enfeites ou amuletos: nos chaveiros, nas bolsas, nos telefones celulares, nos carros. Isso sem falar nas mesas de trabalho, enfeitadas com ícones do mundo infantil.

Criança pequena adora ter amigo imaginário, mas essa maravilhosa possibilidade tem sido destruída, pouco a pouco, pelo massacre da realidade do mundo adulto, que tem colaborado muito para desfazer a fantasia e o faz-de-conta. Mas os legítimos representantes desse mundo, por sua vez, não hesitam em ter o seu. Ultimamente, ele tem sido comum e ganhou o nome de deus. Não me refiro ao Deus das religiões e alvo da fé. A ideia de deus foi privatizada, e cada um tem o seu, à sua imagem e semelhança, mesmo sem professar religião nenhuma.

O amigo imaginário dos adultos chamado de deus é aquele com quem eles conversam animadamente, a quem chamam nos momentos de estresse, a quem recorrem sempre que enfrentam dificuldades, precisam tomar uma decisão ou anseiam por algo e, principalmente, para contornar a solidão. Nada como ter um amigo invisível, já que ele não exige lealdade, dedicação nem cobra nada, não é?

E o que dizer, então, das brincadeiras infantis que muitos adultos são obrigados a enfrentar quando fazem cursos, frequentam seminários ou assistem a aulas? É um tal de assoprar bexigas, abraçar quem está ao lado, acender fósforo para expressar uma ideia, carregar uma pedra para ter a palavra no grupo, escolher um bicho como imagem de identificação, usar canetas coloridas para fazer trabalhos, etc.

Mas, se existe uma manifestação comum a crianças e adultos para expressar alegria, contentamento, comemoração e afins, ela tem sido o grito. Que as crianças gritem porque ainda não descobriram outras maneiras de expressar emoções, dá para entender. Aliás, é bom lembrar que os educadores não têm colaborado para que elas aprendam a desenvolver outros tipos de expressão. Mas os adultos gritarem desesperada e estridentemente para manifestar emoção é constrangedor. Com tamanha confusão, fica a impressão de que roubamos a infância das crianças porque a queremos para nós, não?


SAYÃO, Rosely. “As melhores crônicas do Brasil”. In cronicasbrasil.blogspot.com

O emprego do sinal de pontuação “dois pontos” no período “Não é preciso muito para observar sinais dessa troca: basta olhar as pessoas no espaço público.” (2º §) justifica-se por estar:

Alternativas
Q2690706 Português

Leia o texto e responda o que é pedido no comando da questão.


É correto, sem advérbios.

A lição da menina negra, magérrima, que cantou feito rainha.


Elza Soares estreou no programa de Ary Barroso na Rádio Tupi. Tinha 16 anos e era mãe. Sua cria estava doente e Elza Inscreveu-se no show de Barroso porque os primeiros lugares ganhavam prêmios em dinheiro. Era uma chance de pagar o tratamento do filho. Elza subiu no palco, mulher negra, jovem, magérrima, vestida conforme o lugar que lhe cabia na perversa espiral de privilégios da nossa sociedade. Notavam-se os remendos no vestido. Os alfinetes. Ary Barroso ficou chocado com alguém que, para muitos, não merecia estar sob os holofotes. ·o que é que você veio fazer aqui?" Ary recebeu Elza com boa dose da branquitude, classismo e machismo que inebriam a elite brasileira desde sempre.

Elza respondeu: "Eu vim cantar". Ary seguiu a cantilena do opressor: "E quem disse que você sabe cantar?". A menina de 16 anos, cujo filho ardia em febre, respondeu com a coragem das mães: "Eu". "De onde você veio, menina?" Ary não parecia se cansar de assinalar que Elza era uma estrangeira ali. Nesse momento, a menina respondeu com a audácia disruptiva que mora em cada nota do seu jazz de lata d'água na cabeça: "Eu vim do planeta fome".

Em 1983, a respeitadíssima acadêmica indiana Gayatri Spivak escreveu Pode o Subalterno Falar? O ensaio, referência para quem deseja compreender a contribuição dos estudos pós-coloniais para as ciências humanas, fala do silenciamento sistemático do subalterno. Categoria nomeada por Gramsci, o subalterno é quem não pertence socialmente e politicamente as estruturas hegemônicas de poder. Os excluídos. Os triturados diariamente pela mecânica da discriminação. As Elzas e seus filhos febris. Spivak teorizou sobre o fato de não parecer natural ou adequado o subalterno falar. O silêncio é o que se espera dele.

Se o subalterno não deve falar, como poderia ousar cantar? Ary e sua plateia, que ria da humilhação de Elza, achavam que não. E hoje? Seria diferente? Mudamos pouco. Somos a mesma plateia rindo de novas humilhações que nos chegam pelas novas mídias, mas somos iguais. Esperamos do subalterno o silêncio. Zombamos do subalterno que ousa quebrar esse nosso contrato social. E não se enganem: a zombaria é o novo açoite. Mudamos pouco. Os ancestrais de Elza toram para o pelourinho. Elza foi ridicularizada ao vivo. Hoje, fingimos ter superado esse passado, mas as revistas lidas pelas madamas saúdam a nova onda: uniformes de domésticas assinados por estilistas renomados.

Mudamos quase nada.

Naquele dia, Elza cantou Lama na Rádio Tupi. A subalterna cantou rainha, majestosa. Ary Barroso aplaudiu boquiaberto. A plateia que antes riu levantou-se. Reverenciou a nobreza da negra do planeta fome que ousou adentrar um espaço que lhe era negado e fez dele seu reino. Para quem ainda não entendeu: o politicamente correto é simplesmente isso. O correto. Algumas piadas a menos? Sim. Mas, em troca, hoje temos infinitos talentos antes silenciados embalando nossos sonhos. Só os que não sonham não veem que o resultado é positivo e deve ser comemorado.


(Manoela Miklos. 25 de janeiro, 2019. Revista VEJA).

"Hoje, fingimos ter superado esse passado, mas as revistas lidas pelas madames saúdam a nova onda: uniformes de domésticas assinados por estilistas renomados.". As vírgulas e os dois pontos na estrutura só não assinalam:

Alternativas
Q2690572 Português

Para responder às questões 06, 07, 08, 09 e 10, considere o excerto transcrito abaixo.


A procura de informações sobre sintomas e doenças na internet é comum e, muitas vezes, serve a propósitos úteis. De acordo com[1] Aiken e Kirwan (2012), a internet é um valioso recurso na busca de informações médicas e continuará sendo por muitos anos. Porém, a web possui, em paralelo, um poder potencial de aumentar a ansiedade dos sujeitos sem treinamento médico, no momento em que[2] estejam buscando diagnósticos em websites. Dessa forma, contemporaneamente, pessoas que são[3] excessivamente angustiadas ou muito preocupadas com a sua saúde realizam pesquisas constantes na internet. Porém, apenas se tornam mais ansiosas ou amedrontadas. Pense por um momento e, em sua reflexão, responda a si se nunca fez uma busca na internet após receber seu exame de sangue ou surgir uma mancha em alguma região do seu corpo. Esse tipo de comportamento é bem frequente, mas apenas uma minoria apresenta uma manifestação patológica (cibercondríaca) desse funcionamento.

Sobre o uso da pontuação, afirma-se corretamente:

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Q2690461 Português

As questões de 1 a 10 desta prova são baseadas no texto a seguir


ABORTO, ASSUNTO DE HOMENS

Conrado Hübner Mendes

Doutor em Direito e professor da USP


1º Dias atrás, a Irlanda promoveu histórico referendo para legalização do aborto no país. O resultado teve apoio de 66% dos eleitores. Foi o ponto culminante de uma longa história de luta por direitos e igualdade, num país em que convicções religiosas sustentavam uma das leis mais restritivas à autonomia da mulher.

2º Há dois meses, o Instituto Guttmacher lançou um profundo relatório sobre a situação do aborto ao redor do mundo (Abortion worldwide 2017: uneven progress and unequal access). Entre os achados da pesquisa, apontou que as taxas de aborto caem em países desenvolvidos e se mantêm estáveis nos países em desenvolvimento; que a América Latina é a região com mais alta taxa anual de aborto (44 a cada 1.000 mulheres em idade reprodutiva) e com a mais alta taxa de gravidez indesejada (96 a cada 100 mulheres). Mostrou também que a taxa de aborto é similar entre os países que legalizaram e os que continuam proibindo a prática. Em suas palavras: "Restrições jurídicas não eliminam o aborto. Em vez disso, aumentam as chances de abortos inseguros, pois mulheres são compelidas a buscar a via clandestina".

3º Nem sempre o direito ao aborto é conquistado pela via legislativa ou pela do voto popular. Em muitos países, como Estados Unidos e Alemanha, foram tribunais de cúpula que deram esse passo. No Brasil, o episódio mais recente dessa longa história está no STF, no qual tramita ação que questiona a criminalização do aborto pelo Código Penal (Art. 124 e 126). Alega-se a violação de direitos fundamentais como dignidade, liberdade e igualdade, assim como a desproporcionalidade da medida. A ministra Rosa Weber, relatora do processo, convocou audiência pública para discutir o caso com a sociedade em breve. Os participantes serão selecionados por critérios de representatividade, expertise técnica e pluralidade.

4º Duas comissões da Câmara e uma do Senado se anteciparam ao STF e coorganizaram um seminário para debater o caso. O seminário ocorre enquanto escrevo este texto (30 de maio). Não poderei estar lá para opinar sobre os argumentos e símbolos ali presentes, mas uma olhada no perfil dos participantes dá indícios de como o assunto é tratado. O requerimento foi feito por 16 parlamentares, apenas uma mulher. Na programação, dos 24 participantes na mesa, apenas seis mulheres. Do ponto de vista profissional, uma mistura de políticos, representantes religiosos e alguns juristas. Nenhum especialista em política pública de saúde, nenhum cientista. O seminário tem lado único, e esse não é o do debate franco, que a audiência do STF promete realizar.

5º Dos minutos a que pude assistir, um participante dizia algo assim: "A criança dentro ou fora do útero tem o mesmo valor! Descriminalizado o aborto, teremos um cemitério de criancinhas!". Não duvido que ele esteja sinceramente preocupado com o valor da vida. Mas tem a responsabilidade de informar-se melhor sobre a principal lei social do aborto: na qual se criminaliza e se estigmatiza, a taxa de gravidez indesejada não se altera, a mulher permanece no escuro e o número de abortos só faz aumentar. A criminalização do aborto não dissuade mulheres. Orientação e cuidado, talvez.

6º Há infinitas posições morais e jurídicas em relação ao aborto e múltiplos arranjos institucionais para enfrentar o tema com respeito e competência. O debate público, contudo, não resiste ao contraste binário entre os pró e os contra, sem saber exatamente ao quê.

7º Quem descriminaliza não necessariamente legaliza. Quem legaliza não expressa aprovação moral. Quem aprova legalmente não incentiva nem está menos preocupado com a vida. Todos os países que descriminalizaram o aborto no mundo o fizeram por meio de políticas públicas complexas que não celebram o aborto, não subestimam a dimensão trágica da escolha nem ignoram a sacralidade da vida. Pelo contrário: tiraram o tema da esfera do crime e da punição e o trataram por meio de orientação, prevenção, acolhimento e procedimentos médicos seguros. Conseguiram reduzir, sem exceção, o número de abortos e de mortalidade materna. Como melhor proteger a vida?



MENDES, Conrado Hübner. Aborto, assunto de homens. Época. São Paulo, Editora Globo, nº 1040, Jun. 2018. [Adaptado]




Para responder às questões 06, 07, 08 e 09, considere o excerto transcrito abaixo.


Entre os achados da pesquisa, apontou que as taxas de aborto caem em países desenvolvidos e se mantêm estáveis nos países em desenvolvimento; que[1] a América Latina é a região com mais alta taxa anual de aborto (44 a cada 1.000 mulheres em idade reprodutiva) e com a mais alta taxa de gravidez indesejada (96 a cada 100 mulheres). Mostrou também que a taxa de aborto é similar entre os países que legalizaram e os que continuam proibindo a prática. Em suas palavras: "Restrições jurídicas não eliminam o aborto. Em vez disso, aumentam as chances de abortos inseguros, pois[2] mulheres são compelidas a buscar a via clandestina".

As aspas são utilizadas, no trecho, para

Alternativas
Q2690408 Português

As questões de 1 a 10 desta prova são baseadas no texto abaixo.


CIBERCONDRIA e ansiedade


A INTERNET REVOLUCIONOU OS MODELOS DE COMUNICAÇÃO, PERMITINDO NOVAS FORMAS DE ENTRETENIMENTO, E O ACESSO À SAÚDE FOI REFORMULADO PARA NOVOS PADRÕES


Por Igor Lins Lemos


1º Atualmente, é difícil imaginar a extinção das redes sociais da nossa prática diária de comunicação, modelo praticamente impossível de ser retrocedido. A world wide web remodelou também os antigos padrões de relacionamento, seja através das redes sociais, dos fóruns ou dos programas de interação em tempo real. Não apenas essas modificações foram provocadas pelo avanço da cibercultura, o acesso à saúde também foi reformulado para novos padrões. Atualmente, é possível, por exemplo, verificar resultados de exames de sangue no endereço eletrônico do laboratório, acessar endereços eletrônicos sobre saúde mental e planos de saúde sem sair de casa. Facilidades estas que são consideradas de uso contínuo para as próximas décadas, ou seja, cada vez mais os recursos tecnológicos serão utilizados para esses e outros fins. A era da cibernética é real.


2º Apesar dos diversos benefícios da internet para a saúde humana, outra manifestação psicopatológica (vinculada ao campo eletrônico) vem sendo discutida, além do transtorno do jogo pela internet e das dependências de internet, de sexo virtual e de celular: a cibercondria. O nome é um neologismo formado a partir dos termos ciber e hipocondria. A hipocondria refere-se, de forma sucinta, a uma busca constante de reasseguramentos por informações sobre possíveis adoecimentos orgânicos, dúvidas essas que raramente cessam quando o sujeito encontra a possível resposta às suas indagações. E como pensar nesse fenômeno com a proliferação das buscas em relação à saúde na internet?


3º A procura de informações sobre sintomas e doenças na internet é comum e, muitas vezes, serve a propósitos úteis. De acordo com Aiken e Kirwan (2012), a internet é um valioso recurso na busca de informações médicas e continuará sendo por muitos anos. Porém, a web possui, em paralelo, um poder potencial de aumentar a ansiedade dos sujeitos sem treinamento médico, no momento em que estejam buscando diagnósticos em websites. Dessa forma, contemporaneamente, pessoas que são excessivamente angustiadas ou muito preocupadas com a sua saúde realizam pesquisas constantes na internet. Porém, apenas se tornam mais ansiosas ou amedrontadas. Pense por um momento e, em sua reflexão, responda a si se nunca fez uma busca na internet após receber seu exame de sangue ou surgir uma mancha em alguma região do seu corpo. Esse tipo de comportamento é bem frequente, mas apenas uma minoria apresenta uma manifestação patológica (cibercondríaca) desse funcionamento.


4º Fergus (2013) realizou um estudo com 512 participantes nos Estados Unidos; a média de idade foi de 33,4 anos, sendo 55,3% do sexo feminino. O objetivo do trabalho foi verificar o efeito da intolerância à incerteza na relação entre a frequência de buscas por informações médicas na web e a ansiedade com a saúde. Para essa pesquisa, foram aplicados os seguintes instrumentos: a Intolerance of Uncertainty Scale - 12 Item Version (IUS-12), a Short Health Anxiety Inventory (SHAI) e a Positive and Negative Affect Schedule (PANAS). Além disso, foram considerados outros dois pontos: a relação entre a ansiedade com a saúde como um resultado de buscas por informações médicas na internet e a frequência com que esse usuário busca por esse serviço.


5º De acordo com o autor, é comum que as pessoas encontrem e busquem esse tipo de informação na internet. Entretanto, são desconhecidos os motivos que levam uma parcela da população a desenvolver a cibercondria. O estudo em questão, então, seria uma forma de preencher essa lacuna na literatura científica. A pesquisa demonstrou que, quanto maior o nível de intolerância à incerteza, maior a chance de o indivíduo experienciar a cibercondria. Essa ansiedade pode se tornar ainda maior devido ao fato de a internet oferecer diversas informações para o mesmo problema, confundindo o usuário na identificação do seu problema sintomatológico. Além disso, nem todos os usuários são habilidosos em encontrar endereços eletrônicos confiáveis.


6º Dessa forma, cogite, por um momento, se tantas informações disponíveis na internet são fontes de relaxamento após a sua visita ao endereço eletrônico ou se esse ato gera ainda mais ansiedade. É comum, por exemplo, pacientes chegarem ao consultório de Psicologia com diagnósticos já estabelecidos por buscas que fizeram na internet. Resultado: muitas vezes, a informação é incorreta ou mal interpretada. Nunca deixe o profissional da saúde em segundo plano, priorize-o na busca por informações sobre o seu corpo.



Referências:

AIKEN, M.; KIRWAN, G. Prognoses for diagnoses: medical search online and "cyberchondria". BMC Proceedings, v. 6, 2012.

FERGUS, T. A. Cyberchondria and intolerance of uncertainty: examining when individuals experience health anxiety in response to internet searches for medical information. Cyberpsychology, Behavior and Social Networking, v. 16, n. 10, 2013.


LEMOS, Igor Lins. Cibercondria e ansiedade. Psique. São Paulo, Editora Escala, nº 144, fev. 2018. [Adaptado].



Para responder às questões 06, 07, 08, 09 e 10, considere o excerto transcrito abaixo.


A procura de informações sobre sintomas e doenças na internet é comum e, muitas vezes, serve a propósitos úteis. De acordo com[1] Aiken e Kirwan (2012), a internet é um valioso recurso na busca de informações médicas e continuará sendo por muitos anos. Porém, a web possui, em paralelo, um poder potencial de aumentar a ansiedade dos sujeitos sem treinamento médico, no momento em que[2] estejam buscando diagnósticos em websites. Dessa forma, contemporaneamente, pessoas que são[3] excessivamente angustiadas ou muito preocupadas com a sua saúde realizam pesquisas constantes na internet. Porém, apenas se tornam mais ansiosas ou amedrontadas. Pense por um momento e, em sua reflexão, responda a si se nunca fez uma busca na internet após receber seu exame de sangue ou surgir uma mancha em alguma região do seu corpo. Esse tipo de comportamento é bem frequente, mas apenas uma minoria apresenta uma manifestação patológica (cibercondríaca) desse funcionamento.

Sobre o uso da pontuação, afirma-se corretamente:

Alternativas
Q2690375 Português

As questões de 1 a 10 referem-se ao texto reproduzido a seguir.


Futuro a distância


A aura de sacralidade que envolve o corpo humano e, por extensão, a prática médica enfrenta seguidos desafios postos por inovações técnicas, como a telemedicina, hoje, ou a reprodução assistida, no passado. A inquietação daí surgida justifica prolongar o debate, mas não afastar indefinidamente futuros aperfeiçoamentos.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) baixara resolução, para entrar em vigor em maio, regulamentando o atendimento a distância. Foram tantas as reações contrárias e de questionamento que a norma foi revogada, pois não haveria tempo hábil para processar todas as objeções e sugestões.

Mas muito do que se regulamentava ali já existe como praxe de mercado, caso de consultas remotas.

Embora exame físico e anamnese presencial constituam os fundamentos básicos da relação entre médico e paciente, existem casos em que são dispensáveis (como na entrega de resultados de testes laboratoriais) ou ficam impossibilitadas pela distância.

A resolução do CFM estipulava regras para esse tipo de encontro, como ser necessariamente precedido por um contato pessoal, contar com autorização do paciente e ficar gravado em meio digital. Fixava, ainda, normas para outros procedimentos, como telecirurgias.

Algumas questões levantadas fazem sentido, como a obrigatoriedade de gravação da teleconsulta. Se não se exige tal coisa em encontros presenciais, por que fazê-lo quando se recorre a meios tecnológicos?

Abre-se flanco considerável para deslizes de privacidade e se reforça o preconceito retrógrado contra a modalidade inovadora.

Por detrás da aparente preocupação com a qualidade do atendimento, está a suspeita, oculta-se o zelo corporativo que tantas vezes resiste ao aumento de produtividade. Não há mal algum em banalizar (no bom sentido da palavra) a telemedicina, se isso não acarretar prejuízo ao doente.

Não são raras as consultas, hoje em dia, em que o médico dispensa uma conversa atenta e a interação física com pacientes em favor da realização de exames laboratoriais ou de imagem. Identifica-se algo de tecnocrático e desumanizador nesse tipo de relacionamento, com alguma dose de razão.

Admitindo que seja necessário combater tal tendência, a melhor maneira de fazê-lo seria rever o tipo de formação oferecida nas faculdades de medicina, como já se faz em alguns estabelecimentos. Não será com obstáculos à tecnologia, quando ela se provar mais útil e barata, que se reduzirá o distanciamento entre médicos e pacientes.


Disponível em: <www.folha.uol.com.br>. Acesso em: 08 mar. 2019.

Fixava, ainda, normas para outros procedimentos, como telecirurgias. (l.15)


Sobre a pontuação desse período, considerando-se as relações sintático-semânticas da língua portuguesa o sentido permanecerá inalterado se

Alternativas
Q2690334 Português

Assinale a alternativa em que a clareza do período é em virtude da correta pontuação:

Alternativas
Q2690333 Português

Confira o emprego da vírgula nos períodos seguintes e assinale a alternativa que apresenta erro.

Alternativas
Q2690159 Português

As questões de 1 a 10 desta prova são baseadas no texto a seguir.


ABORTO, ASSUNTO DE HOMENS


Conrado Hübner Mendes

Doutor em Direito e professor da USP


1º Dias atrás, a Irlanda promoveu histórico referendo para legalização do aborto no país. O resultado teve apoio de 66% dos eleitores. Foi o ponto culminante de uma longa história de luta por direitos e igualdade, num país em que convicções religiosas sustentavam uma das leis mais restritivas à autonomia da mulher.

2º Há dois meses, o Instituto Guttmacher lançou um profundo relatório sobre a situação do aborto ao redor do mundo (Abortion worldwide 2017: uneven progress and unequal access). Entre os achados da pesquisa, apontou que as taxas de aborto caem em países desenvolvidos e se mantêm estáveis nos países em desenvolvimento; que a América Latina é a região com mais alta taxa anual de aborto (44 a cada 1.000 mulheres em idade reprodutiva) e com a mais alta taxa de gravidez indesejada (96 a cada 100 mulheres). Mostrou também que a taxa de aborto é similar entre os países que legalizaram e os que continuam proibindo a prática. Em suas palavras: "Restrições jurídicas não eliminam o aborto. Em vez disso, aumentam as chances de abortos inseguros, pois mulheres são compelidas a buscar a via clandestina".

3º Nem sempre o direito ao aborto é conquistado pela via legislativa ou pela do voto popular. Em muitos países, como Estados Unidos e Alemanha, foram tribunais de cúpula que deram esse passo. No Brasil, o episódio mais recente dessa longa história está no STF, no qual tramita ação que questiona a criminalização do aborto pelo Código Penal (Art. 124 e 126). Alega-se a violação de direitos fundamentais como dignidade, liberdade e igualdade, assim como a desproporcionalidade da medida. A ministra Rosa Weber, relatora do processo, convocou audiência pública para discutir o caso com a sociedade em breve. Os participantes serão selecionados por critérios de representatividade, expertise técnica e pluralidade.

4º Duas comissões da Câmara e uma do Senado se anteciparam ao STF e coorganizaram um seminário para debater o caso. O seminário ocorre enquanto escrevo este texto (30 de maio). Não poderei estar lá para opinar sobre os argumentos e símbolos ali presentes, mas uma olhada no perfil dos participantes dá indícios de como o assunto é tratado. O requerimento foi feito por 16 parlamentares, apenas uma mulher. Na programação, dos 24 participantes na mesa, apenas seis mulheres. Do ponto de vista profissional, uma mistura de políticos, representantes religiosos e alguns juristas. Nenhum especialista em política pública de saúde, nenhum cientista. O seminário tem lado único, e esse não é o do debate franco, que a audiência do STF promete realizar.

5º Dos minutos a que pude assistir, um participante dizia algo assim: "A criança dentro ou fora do útero tem o mesmo valor! Descriminalizado o aborto, teremos um cemitério de criancinhas!". Não duvido que ele esteja sinceramente preocupado com o valor da vida. Mas tem a responsabilidade de informar-se melhor sobre a principal lei social do aborto: na qual se criminaliza e se estigmatiza, a taxa de gravidez indesejada não s e altera, a mulher permanece no escuro e o número de abortos só faz aumentar. A criminalização do aborto não dissuade mulheres. Orientação e cuidado, talvez.

6º Há infinitas posições morais e jurídicas em relação ao aborto e múltiplos arranjos institucionais para enfrentar o tema com respeito e competência. O debate público, contudo, não resiste ao contraste binário entre os pró e os contra, sem saber exatamente ao quê.

7º Quem descriminaliza não necessariamente legaliza. Quem legaliza não expressa aprovação moral. Quem aprova legalmente não incentiva nem está menos preocupado com a vida. Todos os países que descriminalizaram o aborto no mundo o fizeram por meio de políticas públicas complexas que não celebram o aborto, não subestimam a dimensão trágica da escolha nem ignoram a sacralidade da vida. Pelo contrário: tiraram o tema da esfera do crime e da punição e o trataram por meio de orientação, prevenção, acolhimento e procedimentos médicos seguros. Conseguiram reduzir, sem exceção, o número de abortos e de mortalidade materna. Como melhor proteger a vida?


MENDES, Conrado Hübner. Aborto, assunto de homens. Época. São Paulo, Editora Globo, nº 1040, Jun. 2018. [Adaptado]



Para responder às questões 06, 07, 08 e 09, considere o excerto transcrito abaixo.


Entre os achados da pesquisa, apontou que as taxas de aborto caem em países desenvolvidos e se mantêm estáveis nos países em desenvolvimento; que[1] a América Latina é a região com mais alta taxa anual de aborto (44 a cada 1.000 mulheres em idade reprodutiva) e com a mais alta taxa de gravidez indesejada (96 a cada 100 mulheres). Mostrou também que a taxa de aborto é similar entre os países que legalizaram e os que continuam proibindo a prática. Em suas palavras: "Restrições jurídicas não eliminam o aborto. Em vez disso, aumentam as chances de abortos inseguros, pois[2] mulheres são compelidas a buscar a via clandestina".

Sobre o uso da pontuação, afirma-se corretamente:

Alternativas
Q2690063 Português

Texto 1 para as questões de 1 a 7


Como ler os clássicos?


§ 1º Em recente artigo para o jornal The New York Times, o novelista Brian Morton compara a leitura dos grandes escritores do passado a uma viagem no tempo, na qual o aventureiro deve mover-se com cautela, sem jamais tentar impor os seus costumes aos nativos de um longínquo período da história, cujas práticas não correspondem às nossas.

§ 2º Segundo o autor, isso não quer dizer que escritores antigos estejam imunes à crítica contemporânea, como se a autoridade do cânone em relação à crítica seguisse um critério de mérito por antiguidade, a partir do qual um texto deva ser protegido a qualquer custo — pelo simples fato de ter sobrevivido às mais diversas provas de resistência ao tempo.

§ 3º Ora, por mais antigo que seja, nenhum texto está isento de reinterpretações e críticas. Exemplo disso é o que nos propõe o estudioso Harold Bloom em “O Livro de J”, em que discorre sobre a possibilidade de alguns trechos do Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) terem sido compostos por uma mulher.

§ 4º Assim, Morton recomenda que a crítica não se antecipe ao bom exercício da leitura. Algo raro nos dias de hoje, em que muitas vezes se opta por boicotar certas obras antes mesmo de confrontá-las por méritos artísticos específicos e prováveis limitações de fundo ético. Exemplo disso são seus estudantes que evitam a leitura de Edith Wharton (autora de “A Casa da Alegria”) e Dostoiévski, sob o pretexto de que qualquer suspeita de antissemitismo deveria ser banida da literatura.

§ 5º Ao referir-se a esse problema, Morton argumenta que, embora a crescente oposição dos estudantes seja alimentada por uma genuína sede de justiça social, a sobrevivência dos clássicos em departamentos de literatura não seria motivada pela pulsão reacionária de velhos professores, mas pela necessidade de compreendermos o terreno em que a criatividade humana se manifesta em um dado contexto histórico e cultural.

§ 6º Não há dúvidas de que as grandes vozes literárias do passado tenham uma visão de mundo limitada por preconceitos de época. Dessa queixa nem mesmo o mais precavido dos nossos contemporâneos conseguiria se safar! Afinal, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche já declarava ser inevitável que todos os grandes espíritos estivessem ligados aos seus tempos por meio de algum preconceito.

§ 7º Mesmo assim, Morton ressalta que ainda temos muito a ganhar com a cuidadosa leitura desses textos que hoje são tidos por controversos. Segundo o autor, esse ganho se traduziria em um exercício de humildade a partir do qual o exame de um passado literário nos tornaria capazes de refletir sobre as limitações das práticas artísticas e dos costumes morais da nossa própria época.

§ 8º Em um diálogo de 2017 com o psicólogo Jordan Peterson, Camille Paglia faz uma observação complementar ao ressaltar que um texto não resiste ao tempo por imposição de uma elite cultural, mas por meio do seu constante uso pela tradição, enquanto referência à prática literária corrente. Ou seja, aquilo que nós consideramos grande arte é determinado pelas necessidades dos próprios artistas.

§ 9º Ao adotar-se o raciocínio de Paglia, chega-se à conclusão de que a permanência de autores como Homero e Shakespeare no cânone literário não seria consequência de uma conspiração do poder político e acadêmico para privilegiar determinados escritores em detrimento de outros. Isso decorre, portanto, da vitalidade das suas influências ao longo da história.

§ 10. Homero é um dos autores mais relevantes do cânone pelo fato de suas criações servirem de inspiração para escritores outros de épocas diversas. Desde os dramaturgos da antiga Grécia — como Ésquilo, que disse que suas peças não passavam de migalhas do banquete homérico — e Virgílio, o romano, até escritores modernos como o poeta e historiador britânico Robert Graves, autor de “A Filha de Homero”, e a escritora canadense Margaret Atwood com o seu “The Penelopiad”.

§ 11. Da mesma forma, Shakespeare teria influenciado outros escritores desde o seu advento, passando pelo teatro alemão do século 18 — por exemplo, tragédias históricas como “Götz von Berlichingen” e “Egmont” de Goethe — até o cinema japonês do século 20, em filmes do diretor Akira Kurosawa — tanto “Trono Manchado de Sangue” como “Ran”, cujos roteiros são adaptações dos dramas “Macbeth” e “Rei Lear”.

§ 12. Compreender essa teia de influências e associações é uma das tarefas mais difíceis do professor e crítico literário, cuja função mais ampla é a de oferecer ao público uma chave de leitura que seja simultaneamente plausível e criativa, sem que para isso tenha a necessidade de extrapolar os limites de uma obra — ora atribuindo ao texto características inexistentes, ora interpretações anacrônicas —, como se a própria obra e o seu contexto histórico não fossem capazes de despertar a fome literária do leitor.

§ 13. Desde o começo do meu doutorado, reflito sobre a melhor forma de ler e ensinar os clássicos da literatura alemã. Assim, durante o período em que me dedico aos alunos, como nas horas em que desenvolvo a minha tese, busco aplicar uma síntese das duas estratégias abordadas neste pequeno ensaio, quais sejam: a reconstrução de um contexto histórico específico na tentativa de emprestar uma ordem ao emaranhado de influências artísticas e filosóficas necessárias para o entendimento de autores como Goethe.

§ 14. Nesse afã, dedico a maior parte das minhas horas de estudo à versão de Goethe de “Ifigênia em Táuris”. Exercício em que procuro entender o contexto histórico de cada uma das versões dessa tragédia, ao mesmo tempo em que traço uma narrativa mais ampla sobre a recepção do texto original de Eurípides na Alemanha do século 18.

§ 15. Contudo, atento aos detalhes da versão de Goethe, que se distancia tanto do texto euripidiano como de outras versões da época, buscando ressaltar as qualidades morais atribuídas à protagonista, cujas atitudes revelam um importante questionamento sobre a relação entre gênero e autonomia na obra do escritor alemão.

§ 16. Goethe é um dos muitos autores clássicos arbitrariamente criticados pelas suas representações do feminino. No entanto, quanto mais tempo dedico ao estudo da sua obra, mais noto que determinadas críticas não fazem o menor sentido.

§ 17. Isso prova que, muitas vezes, a reputação de um escritor canônico entre os nossos contemporâneos apenas revela a inabilidade de nossa época em reconhecer os raros, porém eficientes, esforços do passado na promoção das liberdades que hoje consagramos.

§ 18. Não se trata de uma simples coincidência que Goethe tenha sido uma importante referência literária para a escritora George Eliot, autora de “Middlemarch”, ou que Elena Ferrante, na atualidade, tome uma citação de “Fausto” como a epígrafe de “A Amiga Genial”, o primeiro dos quatro volumes da ilustre série napolitana — uma espécie de “bildungsroman” (romance de formação ou amadurecimento) para os nossos tempos, sobre a busca de duas amigas por autoconhecimento e liberdade!


ALBURQUEQUE, Juliana de. Folha de S. Paulo, 26 mar. 2019

A respeito da pontuação no texto 1, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q2690060 Português

Texto 1 para as questões de 1 a 7


Como ler os clássicos?


§ 1º Em recente artigo para o jornal The New York Times, o novelista Brian Morton compara a leitura dos grandes escritores do passado a uma viagem no tempo, na qual o aventureiro deve mover-se com cautela, sem jamais tentar impor os seus costumes aos nativos de um longínquo período da história, cujas práticas não correspondem às nossas.

§ 2º Segundo o autor, isso não quer dizer que escritores antigos estejam imunes à crítica contemporânea, como se a autoridade do cânone em relação à crítica seguisse um critério de mérito por antiguidade, a partir do qual um texto deva ser protegido a qualquer custo — pelo simples fato de ter sobrevivido às mais diversas provas de resistência ao tempo.

§ 3º Ora, por mais antigo que seja, nenhum texto está isento de reinterpretações e críticas. Exemplo disso é o que nos propõe o estudioso Harold Bloom em “O Livro de J”, em que discorre sobre a possibilidade de alguns trechos do Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) terem sido compostos por uma mulher.

§ 4º Assim, Morton recomenda que a crítica não se antecipe ao bom exercício da leitura. Algo raro nos dias de hoje, em que muitas vezes se opta por boicotar certas obras antes mesmo de confrontá-las por méritos artísticos específicos e prováveis limitações de fundo ético. Exemplo disso são seus estudantes que evitam a leitura de Edith Wharton (autora de “A Casa da Alegria”) e Dostoiévski, sob o pretexto de que qualquer suspeita de antissemitismo deveria ser banida da literatura.

§ 5º Ao referir-se a esse problema, Morton argumenta que, embora a crescente oposição dos estudantes seja alimentada por uma genuína sede de justiça social, a sobrevivência dos clássicos em departamentos de literatura não seria motivada pela pulsão reacionária de velhos professores, mas pela necessidade de compreendermos o terreno em que a criatividade humana se manifesta em um dado contexto histórico e cultural.

§ 6º Não há dúvidas de que as grandes vozes literárias do passado tenham uma visão de mundo limitada por preconceitos de época. Dessa queixa nem mesmo o mais precavido dos nossos contemporâneos conseguiria se safar! Afinal, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche já declarava ser inevitável que todos os grandes espíritos estivessem ligados aos seus tempos por meio de algum preconceito.

§ 7º Mesmo assim, Morton ressalta que ainda temos muito a ganhar com a cuidadosa leitura desses textos que hoje são tidos por controversos. Segundo o autor, esse ganho se traduziria em um exercício de humildade a partir do qual o exame de um passado literário nos tornaria capazes de refletir sobre as limitações das práticas artísticas e dos costumes morais da nossa própria época.

§ 8º Em um diálogo de 2017 com o psicólogo Jordan Peterson, Camille Paglia faz uma observação complementar ao ressaltar que um texto não resiste ao tempo por imposição de uma elite cultural, mas por meio do seu constante uso pela tradição, enquanto referência à prática literária corrente. Ou seja, aquilo que nós consideramos grande arte é determinado pelas necessidades dos próprios artistas.

§ 9º Ao adotar-se o raciocínio de Paglia, chega-se à conclusão de que a permanência de autores como Homero e Shakespeare no cânone literário não seria consequência de uma conspiração do poder político e acadêmico para privilegiar determinados escritores em detrimento de outros. Isso decorre, portanto, da vitalidade das suas influências ao longo da história.

§ 10. Homero é um dos autores mais relevantes do cânone pelo fato de suas criações servirem de inspiração para escritores outros de épocas diversas. Desde os dramaturgos da antiga Grécia — como Ésquilo, que disse que suas peças não passavam de migalhas do banquete homérico — e Virgílio, o romano, até escritores modernos como o poeta e historiador britânico Robert Graves, autor de “A Filha de Homero”, e a escritora canadense Margaret Atwood com o seu “The Penelopiad”.

§ 11. Da mesma forma, Shakespeare teria influenciado outros escritores desde o seu advento, passando pelo teatro alemão do século 18 — por exemplo, tragédias históricas como “Götz von Berlichingen” e “Egmont” de Goethe — até o cinema japonês do século 20, em filmes do diretor Akira Kurosawa — tanto “Trono Manchado de Sangue” como “Ran”, cujos roteiros são adaptações dos dramas “Macbeth” e “Rei Lear”.

§ 12. Compreender essa teia de influências e associações é uma das tarefas mais difíceis do professor e crítico literário, cuja função mais ampla é a de oferecer ao público uma chave de leitura que seja simultaneamente plausível e criativa, sem que para isso tenha a necessidade de extrapolar os limites de uma obra — ora atribuindo ao texto características inexistentes, ora interpretações anacrônicas —, como se a própria obra e o seu contexto histórico não fossem capazes de despertar a fome literária do leitor.

§ 13. Desde o começo do meu doutorado, reflito sobre a melhor forma de ler e ensinar os clássicos da literatura alemã. Assim, durante o período em que me dedico aos alunos, como nas horas em que desenvolvo a minha tese, busco aplicar uma síntese das duas estratégias abordadas neste pequeno ensaio, quais sejam: a reconstrução de um contexto histórico específico na tentativa de emprestar uma ordem ao emaranhado de influências artísticas e filosóficas necessárias para o entendimento de autores como Goethe.

§ 14. Nesse afã, dedico a maior parte das minhas horas de estudo à versão de Goethe de “Ifigênia em Táuris”. Exercício em que procuro entender o contexto histórico de cada uma das versões dessa tragédia, ao mesmo tempo em que traço uma narrativa mais ampla sobre a recepção do texto original de Eurípides na Alemanha do século 18.

§ 15. Contudo, atento aos detalhes da versão de Goethe, que se distancia tanto do texto euripidiano como de outras versões da época, buscando ressaltar as qualidades morais atribuídas à protagonista, cujas atitudes revelam um importante questionamento sobre a relação entre gênero e autonomia na obra do escritor alemão.

§ 16. Goethe é um dos muitos autores clássicos arbitrariamente criticados pelas suas representações do feminino. No entanto, quanto mais tempo dedico ao estudo da sua obra, mais noto que determinadas críticas não fazem o menor sentido.

§ 17. Isso prova que, muitas vezes, a reputação de um escritor canônico entre os nossos contemporâneos apenas revela a inabilidade de nossa época em reconhecer os raros, porém eficientes, esforços do passado na promoção das liberdades que hoje consagramos.

§ 18. Não se trata de uma simples coincidência que Goethe tenha sido uma importante referência literária para a escritora George Eliot, autora de “Middlemarch”, ou que Elena Ferrante, na atualidade, tome uma citação de “Fausto” como a epígrafe de “A Amiga Genial”, o primeiro dos quatro volumes da ilustre série napolitana — uma espécie de “bildungsroman” (romance de formação ou amadurecimento) para os nossos tempos, sobre a busca de duas amigas por autoconhecimento e liberdade!


ALBURQUEQUE, Juliana de. Folha de S. Paulo, 26 mar. 2019

Com relação aos aspectos linguísticos do texto 1, assinale a assertiva correta:

Alternativas
Q2690024 Português

As 04 questões a seguir se referem ao texto:

Sendo a flora existente rica em espécimes, o Dr. Fritz Muller, filósofo e naturalista, natural da Alemanha, que veio juntar-se ao Dr. Blumenau, já estando fundada e em franco progresso, fez amplos estudos sobre a flora existente em toda a região da colônia, inclusive sobre a planta denominada “timbó”.

Disponível em: https://www.timbo.sc.gov.br/a-cidade/curiosidades/ Acesso em: 26/maio/2019.

O trecho “filósofo e naturalista” está, no texto, entre vírgulas para:

Alternativas
Q2689859 Português

As questões de nº 21 a nº 30 dizem respeito ao Texto. Leia-o atentamente antes de respondê-las.


(TEXTO)


Cirurgia ocular: a terapia genética que pode barrar 'causa mais comum de cegueira'

1 Uma mulher britânica se tornou a primeira pessoa

no mundo a ser submetida a uma terapia genética

que tenta deter a forma de cegueira mais comum

no Ocidente. Os cirurgiões injetaram um gene

5 sintético na parte de trás do olho de Janet Osborne

em uma tentativa de impedir a morte de mais

células. É o primeiro tratamento a atacar a causa

genética subjacente da degeneração macular

relacionada à idade (DMRI). "Tenho dificuldade de

10 reconhecer rostos com meu olho esquerdo porque

minha visão central está desfocada. Se esse

tratamento for capaz de impedir que isso piore, vai

ser incrível", diz Osborne à BBC.

(Fonte adaptada: https://g1.globo.com >acessdo em 20 de fevereiro de 2019)

Em relação à pontuação do Texto, assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q2689666 Português

Leia o texto abaixo para responder as questões de 01 a 10.


(Texto)



A delicada cesariana feita em bebe para retirar feto 'gêmeo'


1 Mónica Vaga estava no sétimo mês de gestação quando o médico notou algo muito raro em um exame de ultrassom. As imagens mostravam dois cordões umbilicais. mas Mónica não estava grávida

5 de gémeos. Era sua própria bebé, Itzamara, que carregava um feto no abdômen. O feto carregando um feto foi identificado em Barranquilla, na Colômbia. Especialistas calculam que a probabilidade desse tipo raro de gravidez é de uma

10 a cada 500 mil nascimentos. O Cirurgião Miguel Parra contou é Rádio Caracol que esse fenômeno é conhecido como fetus in feto e, se não for Identificado a tempo, pode colocar em risco a gravidez. O médico explica que o irmão gémeo se

15 desenvolve dentro do outro, em vez de crescer no útero da mãe. Esse tipo de gravidez normalmente é gerada a partir de um único zigoto, formado por um óvulo e um espermatozoide.

(Ponto ~rads Mos pg r g(oeacanneasso a n 21 a ~To de 2019)


Acerca da pontuação do Texto, é correto afirmar que a vírgula utilizada na linha 4 foi empregada pelo autor para:

Alternativas
Q2689636 Português

Leia o texto abaixo para responder as questões de 13 a 15.

Fui me aproximando incomparavelmente sem vontade, sentei no chão tomando cuidado em sequer tocar no vestido, puxa! também o vestido dela estava completamente assustado, que dificuldade! Pus a cara no travesseiro sem a menor intenção de. [...]

Fui afundando o rosto naquela cabeleira e veio a noite, se não os cabelos (mas juro que eram cabelos macios) me machucavam os olhos. Depois que não vi nada, ficou fácil continuar enterrando a cara, a cara toda, a alma, a vida, naqueles cabelos, que maravilha! até que meu nariz tocou num pescocinho roliço. Então fui empurrando os meus lábios, tinha uns bonitos lábios grossos, nem eram lábios, era beiço, minha boca foi ficando encanudada até que encontrou o pescocinho roliço. Será que ela dorme de verdade?... Me ajeitei muito sem-cerimônia, mulherzinha! e então beijei. Quem falou que este mundo é ruim! só recordar... Beijei Maria, rapazes! eu nem sabia beijar, está claro, só beijava mamãe, boca fazendo bulha, contato sem nenhum calor sensual.

Maria, só um leve entregar-se, uma levíssima inclinação pra trás me fez sentir que Maria estava comigo em nosso amor. Nada mais houve. Não, nada mais houve. Durasse aquilo uma noite grande, nada mais haveria porque é engraçado como a perfeição fixa a gente.

(Fragmento do conto " Vestida de preto" de Mário de Andrade)

Observando-se os aspectos do texto, assinale a alternativa incorreta:

Alternativas
Q2689627 Português

Leia o texto abaixo para responder as questões de 01 a 08.


(Texto)


Americana de 76 anos é a primeira mulher a receber Prêmio Abel de matemática



1 O Prêmio Abel de Matemática foi concedido pela

primeira vez a uma mulher, a americana Karen

Uhlenbeck, especialista em equações derivadas

parciais, de acordo com anúncio feito pela

5 Academia Norueguesa de Ciências e Letras.

"Karen Uhlenbeck recebe o Prêmio Abel 2019 por

seu trabalho fundamental em análise geométrica e

teoria de calibre, que transformou dramaticamente

o cenário matemático", afirmou o presidente da

10 comissão Abel, Hans Munthe-Kaas. "Suas teorias

revolucionaram nossa compreensão de superfícies

mínimas, como a formada por bolhas de sabão, e

problemas de minimização gerais em dimensões

mais altas", acrescentou. Uhlenbeck, de 76 anos, é

15 professora visitante na Universidade de Princeton e

professora associada do Instituto de Estudos

Avançados (IAS) dos Estados Unidos.


(Fonte adaptada https://g1 globo. com>acesso em 21 de março de 2019)




Analise as afirmativas abaixo quanto ao emprego da vírgula.


I- As vírgulas utilizadas nas linhas 2 e 3 foram empregadas para isolar o aposto, ou qualquer elemento de valor meramente explicativo;

II- A vírgula utilizada na linha 10 foi empregada para isolar o vocativo;

III- As vírgulas que isolam a expressão "de 76 anos" (linha 14) foram empregadas para isolar um adjunto adverbial.


Dos itens acima:

Alternativas
Ano: 2019 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA Provas: IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Psicopedagogo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Assistente Social / Serviço Social | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Arquiteto Urbanista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Engenheiro Elétrico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Farmacêutico - Bioquímico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Cirurgião Dentista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Engenheiro Agrônomo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Fisioterapeuta | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Fonoaudiólogo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico Plantonista Clínico Geral | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico - PSF | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Nutricionista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Químico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico Veterinário | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Educação Especial | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Ciências | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Português | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de 1º ao 5º Ano |
Q2689565 Português

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO

..

TEXTO


1--------- O regime capitalista de produção pressupõe a generalização da produção para a troca. Com a

2 expansão desta - entendida como expressão da diferenciação da divisão social do trabalho - ocorre

3 também a separação definitiva dos produtores diretos de mercadorias dos seus meios de produção.

4 Expropriados, passam a ser possuidores de uma única mercadoria - sua força de trabalho.

5 Proletarizados, são convertidos em trabalhadores assalariados. Simples operadores dos instrumentos

6 de produção que não mais lhes pertencem.

7 --------- Para participar do processo de troca, para ter existência social, o produtor precisa então levar

8 sua mercadoria ao mercado, onde esta irá defrontar-se com todas as demais mercadorias. Seu

9 possuidor a leva "livremente" ao mercado e vende-a por tempo determinado, forma única de

10 continuar sobrevivendo. Não se aliena definitivamente dela, pois só agindo assim pode continuar

11 participando da troca. Caso contrário, nada mais teria a oferecer. Alienando-se de sua mercadoria

12 única, nada mais seria que um escravo - ele próprio mercadoria. Isso significa que alguém, o

13 comprador, proprietário do dinheiro e dos meios de produção, adquire o direito de usar essa força de

14 trabalho pelo tempo acordado. Caracteriza-se, assim, a dicotomia proprietários dos meios de

15 produção/proletários.

16--------- Os proprietários da força de trabalho, os trabalhadores, submetem-se, porque dessa maneira

17 integram-se eles próprios no mercado. Só assim podem ter acesso à mercadoria dinheiro -

18 representado neste caso pelo salário - passaporte único às demais mercadorias, o que lhes permite a

19 sobrevivência. Nesse sentido, percebe-se que o salário, expressão do valor da força de trabalho, não

20 importa os meios pelos quais seja estabelecido, não "deveria" descer a níveis que ameacem a própria

21 sobrevivência e reprodução da classe trabalhadora dada a importância para o capital, que a submete,

22 mas que dela necessita (até mesmo enquanto exército de reserva), para continuar sua trajetória de

23 valorização e acumulação. (Pelo menos até a fase atual, o capitalismo não conseguiu se descartar

24 definitivamente da força de trabalho, embora a substituição de trabalho vivo por trabalho morto seja

25 mais e mais acelerada).

26--------- O trabalho torna-se então alienado, vazio de sentido para o trabalhador, dado que o resultado

27 de sua atividade passa a ser propriedade de outrem. Nesse ponto, é bastante oportuna a seguinte

28 citação: "O antigo possuidor de dinheiro marcha adiante como capitalista, segue-o o possuidor da

29 força de trabalho como seu trabalhador, um, cheio de importância, sorriso satisfeito e ávido por

30 negócios; o outro, tímido, contrafeito, como alguém que levou a própria pele ao mercado e agora não

31 tem mais nada a esperar, exceto o - curtume." Revela-se aqui todo o significado do fato de a força de

32 trabalho ser transformada em uma mercadoria a mais, no mundo da produção capitalista, em que os

33 produtos do trabalho não mais pertencem a seus produtores, anônimos participantes de um espetáculo

34 no qual entram em cena sem nem mesmo perceber e no qual têm de permanecer independentemente

35 de sua vontade. Sua sobrevivência está agora delimitada por decisões que vão, cada vez mais,

36 afastando-se de seu domínio, às quais, por meios mais ou menos violentos, acabam sendo obrigados a

37 acatar. A "liberdade", não conquistada senão que imposta, que lhes permite colocar sua força de

38 trabalho à venda, significa a subordinação completa, definitiva, do trabalho ao capital. Este, sim,

39 impondo as regras e condições aos personagens que a ele são atrelados. O conflito é inerente e

40 intransponível. Ingenuidade querer eliminá-lo, mantendo-se intocadas as características do cenário

41 em que se insere.

...

FONTE: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/violencia-urbana-no-brasil.htm

Leia o trecho abaixo:


“Os proprietários da força de trabalho, os trabalhadores, submetem-se, porque dessa maneira integram-se eles próprios no mercado.” (L.16/17).


A regra que explica o uso da vírgula no período acima é

Alternativas
Ano: 2019 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA Provas: IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Psicopedagogo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Assistente Social / Serviço Social | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Arquiteto Urbanista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Engenheiro Elétrico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Farmacêutico - Bioquímico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Cirurgião Dentista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Engenheiro Agrônomo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Fisioterapeuta | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Fonoaudiólogo | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico Plantonista Clínico Geral | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico - PSF | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Químico | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Nutricionista | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Médico Veterinário | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Educação Especial | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Ciências | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de Português | IMA - 2019 - Prefeitura de Fortaleza dos Nogueiras - MA - Professor de 1º ao 5º Ano |
Q2689561 Português

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO

..

TEXTO


1--------- O regime capitalista de produção pressupõe a generalização da produção para a troca. Com a

2 expansão desta - entendida como expressão da diferenciação da divisão social do trabalho - ocorre

3 também a separação definitiva dos produtores diretos de mercadorias dos seus meios de produção.

4 Expropriados, passam a ser possuidores de uma única mercadoria - sua força de trabalho.

5 Proletarizados, são convertidos em trabalhadores assalariados. Simples operadores dos instrumentos

6 de produção que não mais lhes pertencem.

7 --------- Para participar do processo de troca, para ter existência social, o produtor precisa então levar

8 sua mercadoria ao mercado, onde esta irá defrontar-se com todas as demais mercadorias. Seu

9 possuidor a leva "livremente" ao mercado e vende-a por tempo determinado, forma única de

10 continuar sobrevivendo. Não se aliena definitivamente dela, pois só agindo assim pode continuar

11 participando da troca. Caso contrário, nada mais teria a oferecer. Alienando-se de sua mercadoria

12 única, nada mais seria que um escravo - ele próprio mercadoria. Isso significa que alguém, o

13 comprador, proprietário do dinheiro e dos meios de produção, adquire o direito de usar essa força de

14 trabalho pelo tempo acordado. Caracteriza-se, assim, a dicotomia proprietários dos meios de

15 produção/proletários.

16--------- Os proprietários da força de trabalho, os trabalhadores, submetem-se, porque dessa maneira

17 integram-se eles próprios no mercado. Só assim podem ter acesso à mercadoria dinheiro -

18 representado neste caso pelo salário - passaporte único às demais mercadorias, o que lhes permite a

19 sobrevivência. Nesse sentido, percebe-se que o salário, expressão do valor da força de trabalho, não

20 importa os meios pelos quais seja estabelecido, não "deveria" descer a níveis que ameacem a própria

21 sobrevivência e reprodução da classe trabalhadora dada a importância para o capital, que a submete,

22 mas que dela necessita (até mesmo enquanto exército de reserva), para continuar sua trajetória de

23 valorização e acumulação. (Pelo menos até a fase atual, o capitalismo não conseguiu se descartar

24 definitivamente da força de trabalho, embora a substituição de trabalho vivo por trabalho morto seja

25 mais e mais acelerada).

26--------- O trabalho torna-se então alienado, vazio de sentido para o trabalhador, dado que o resultado

27 de sua atividade passa a ser propriedade de outrem. Nesse ponto, é bastante oportuna a seguinte

28 citação: "O antigo possuidor de dinheiro marcha adiante como capitalista, segue-o o possuidor da

29 força de trabalho como seu trabalhador, um, cheio de importância, sorriso satisfeito e ávido por

30 negócios; o outro, tímido, contrafeito, como alguém que levou a própria pele ao mercado e agora não

31 tem mais nada a esperar, exceto o - curtume." Revela-se aqui todo o significado do fato de a força de

32 trabalho ser transformada em uma mercadoria a mais, no mundo da produção capitalista, em que os

33 produtos do trabalho não mais pertencem a seus produtores, anônimos participantes de um espetáculo

34 no qual entram em cena sem nem mesmo perceber e no qual têm de permanecer independentemente

35 de sua vontade. Sua sobrevivência está agora delimitada por decisões que vão, cada vez mais,

36 afastando-se de seu domínio, às quais, por meios mais ou menos violentos, acabam sendo obrigados a

37 acatar. A "liberdade", não conquistada senão que imposta, que lhes permite colocar sua força de

38 trabalho à venda, significa a subordinação completa, definitiva, do trabalho ao capital. Este, sim,

39 impondo as regras e condições aos personagens que a ele são atrelados. O conflito é inerente e

40 intransponível. Ingenuidade querer eliminá-lo, mantendo-se intocadas as características do cenário

41 em que se insere.

...

FONTE: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/violencia-urbana-no-brasil.htm

As aspas, na palavra “livremente” (L.9), foram usadas com a finalidade de expressar

Alternativas
Q2689381 Português

AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO


TEXTO


  1. É inegável que vivemos dias difíceis, a violência em toda sua plenitude tem envolvido grande
  2. parte da sociedade mundial. No Brasil, a violência tem feito milhares de vítimas, em alguns casos
  3. esse ato é praticado pela própria família, além de inúmeros outros ocorridos nas ruas.
  4. Ao observarmos o quadro atual da violência urbana, muitas vezes não nos atentamos para os
  5. fatores que conduziram a tal situação, no entanto, podemos exemplificar o crescimento urbano
  6. desordenado. Em razão do acelerado processo de êxodo rural, as grandes cidades brasileiras
  7. absorveram um número de pessoas elevado, que não foi acompanhado pela infraestrutura urbana
  8. (emprego, moradia, saúde, educação, qualificação, entre outros); fato que desencadeou uma série de
  9. problemas sociais graves.
  10. A violência urbana tem ocasionado a morte de milhares de jovens no Brasil, é o principal
  11. fator de mortandade dessa faixa etária.
  12. A criminalidade não é um “privilégio” exclusivo dos grandes centros urbanos do país,
  13. entretanto o seu crescimento é largamente maior do que em cidades menores. É nas grandes cidades
  14. brasileiras que se concentram os principais problemas sociais, como desemprego, desprovimento de
  15. serviços públicos assistenciais (postos de saúde, hospitais, escolas etc.), além da ineficiência da
  16. segurança pública. Tais problemas são determinantes para o estabelecimento e proliferação da
  17. marginalidade e, consequentemente, da criminalidade que vem acompanhada pela violência.
  18. Os bairros marginalizados das principais cidades brasileiras respondem por aproximadamente
  19. 35% da população nacional, nesses locais pelo menos a metade das mortes são provocadas por causas
  20. violentas, como agressões e homicídios. Isso é explicado quando nos deparamos com dados de São
  21. Paulo e do Rio de Janeiro, onde 21% de todas as mortes são provenientes de atos violentos.
  22. Essa situação retrata a ineficiência do Estado, que não tem disponibilizado um serviço de
  23. segurança pública eficaz à sua população. Enquanto o poder do Estado não se impõe, o crime
  24. organizado se institui como um poder paralelo, que estabelece regras de ética e conduta própria, além
  25. de implantar fronteiras para a atuação de determinada facção criminosa.
  26. Algumas cidades do país apresentam um percentual de mortandade proveniente de atos de
  27. violência que equivale aos da Síria, país em guerra.


FONTE: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/violencia-urbana-no-brasil.htm

As aspas, na palavra “privilégio” (L.12), foram usadas com a finalidade de expressar

Alternativas
Respostas
8641: B
8642: B
8643: C
8644: C
8645: A
8646: C
8647: C
8648: A
8649: B
8650: D
8651: E
8652: A
8653: B
8654: B
8655: E
8656: C
8657: A
8658: C
8659: A
8660: A