Questões de Concurso Sobre pontuação em português

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Q3646836 Português

TEXTO I


   Do descobridor de talentos. Aquele cara que tem uma agência de testar e selecionar artistas para circo, teatro, televisão, o diabo. Tava ele lá, no seu escritório, no último andar do Empire State Building, quando a secretária anunciou o próximo candidato. 

   — Pode entrar, meu filho.

   O rapaz, tímido, entrou.

   — Que é que você sabe fazer?

   — Sei imitar passarinho.

  — IMITAR PASSARINHO??? — berrou o descobridor, pedavida. — Imitar passarinho!!! Pô! Então eu estou aqui no meu trabalho, cheio de coisas pra fazer e o senhor vem me importunar pra dizer que imita passarinho. Rua! Rua!!!

   O cara olhou muito triste pro descobridor, caminhou até a janela do escritório e saiu voando.


(Ziraldo. Literatura Comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982. P.75.)

A expressão IMITAR PASSARINHO??? Está escrita em letras maiúsculas, em negrito e termina com três pontos de interrogação. Marque a alternativa que justifica essa expressão estar grafada assim.
Alternativas
Q3645988 Português
“Quem manda ela não me deixar ter um cachorro”... As aspas empregadas nessa frase consistem: 
Alternativas
Q3645983 Português
O texto é um miniconto. Nesse tipo de texto há alguns aspectos relacionados aos elementos da narrativa. Mesmo sendo um texto breve, ele possui início, meio e desfecho. Analisando os travessões utilizados no segundo parágrafo, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3644860 Português

Os participantes mais jovens, por outro lado, não perderam peso, independentemente de beberem água antes da refeição ou não.


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/cw89e6n4487o. Adaptado


Assinale a opção que contenha a nova pontuação sem alteração do sentido origina

Alternativas
Q3644517 Português

Os participantes mais jovens, por outro lado, não perderam peso, independentemente de beberem água antes da refeição ou não.


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/cw89e6n4487o.


Adaptado Assinale a opção que contenha a nova pontuação sem alteração do sentido original: 

Alternativas
Q3643322 Português

Leia o texto a seguir.


ESTIMAÇÃO


    O apartamento era minúsculo.

    − Mal cabe a nossa família − dizia a mãe. − Além disso, anda infestado de insetos, que não sei de onde vieram.

   Guardando sua barata na caixinha, o menino resmunga: “Quem manda ela não me deixar ter um cachorro”...


Sandra

“Quem manda ela não me deixar ter um cachorro”... As aspas empregadas nessa frase consistem:
Alternativas
Q3643288 Português

Responda à questão com base na seguinte tirinha:


q_port.png (404×119)

Fonte: https://tirasarmandinho.tumblr.com/post/159509315784/t irinha-original 

Relativamente a aspectos gramaticais, leia as assertivas:


I. Na frase Filho, escovou os dentes?, a vírgula separa o vocativo.


II. O sujeito da oração Já pedi um milhão de vezes é simples.


III. Na tirinha há apenas um vocábulo proparoxítono.


Pode-se afirmar que:

Alternativas
Q3643100 Português
TEXTO: NÃO É PRÓPRIO FALAR SOBRE OS ALUNOS

Gosto de ouvir conversas. Mania de psicanalista. É que nas conversas moram mundos diferentes do meu. Thomas Mann, no seu livro "José do Egito", conta um diálogo entre José e o mercador que o comprara para vendê-lo como escravo, no Egito: "Estamos a um metro de distância um do outro. E, no entanto, ao teu redor gira um universo do qual o centro és tu, e não eu. E ao meu redor gira um universo do qual o centro sou eu, e não tu". Fascinam-me esses universos que me tangenciam e que, no entanto, estão distantes de mim. Gosto de ouvir conversas para viajar por outros mundos. Por vários anos eu viajei diariamente de trem, de Campinas para Rio Claro, no Estado de São Paulo, onde eu era professor na antiga Faculdade de Filosofia. No mesmo vagão viajavam também muitos professores a caminho das escolas onde trabalhavam. Iam juntos, alegres e falantes... Por anos escutei o que falavam. Falavam sempre sobre as escolas. Era ao redor delas que giravam os seus universos. Falavam sobre diretores, colegas, salários, reuniões, relatórios, férias, programas, provas. Mas nunca, nunca mesmo, eu os ouvi falar sobre os seus alunos. Parece que nos universos em que viviam não havia alunos, embora houvesse escolas. Se não falavam sobre alunos é porque os alunos não tinham importância.

Participei da banca que examinou uma tese de doutoramento cujo tema eram os livros em que, nas escolas, são registradas as reuniões de diretores e professores. A candidata se dera ao trabalho de examinar tais reuniões para saber sobre o que falavam diretores e professores. As coisas registradas eram as coisas importantes que mereciam ser guardadas para a posteridade. Nos livros estavam registradas discussões sobre leis, portarias, relatórios, assuntos administrativos e burocráticos, eventos, festas. Mas não havia registros de coisas relativas aos alunos. Os alunos, aqueles para os quais as escolas foram criadas, para os quais diretores e professoras existem: ausentes. Não, não era bem assim: os alunos estavam presentes quando se constituíam em perturbações da ordem administrativa. Os alunos, meninos e meninas, alegres, brincalhões, curiosos, querendo aprender, alunos como companheiros dessa brincadeira que se chama ensinar e aprender —sobre tais alunos o silêncio era total.

Essa ausência do aluno —não do aluno a quem o discurso administrativo das escolas se refere como o "o perfil dos nossos alunos", nem esse nem aquele, todos, aluno abstrato— não esse, mas aquele aluno de rosto inconfundível e nome único, esse aluno de carne e osso que é a razão de ser das escolas. Ah!, é importante nunca se esquecer disso: alunos não são unidades biopsicológicas móveis sobre os quais se devem gravar os mesmos saberes, não importando que sejam meninos nas praias do Nordeste, nas montanhas de Minas, às margens do Amazonas, ou nas favelas do Rio. Os alunos são crianças de carne e osso que sofrem, riem, gostam de brincar, têm o direito de ter alegrias no presente e não vão à escola para serem transformados em unidades produtivas no futuro. E é essa ausência do aluno de carne e osso que está progressivamente marcando os universos que giram em torno da escola. Os professores não falam sobre os alunos. Na verdade, não é próprio que os professores falem com entusiasmo e alegria sobre os alunos. Os alunos não são tema de suas conversas. Acontece nas escolas primárias (ainda escrevo do jeito antigo porque não acredito que a mudança de nomes mude a realidade...). Mas não só nelas. Lembro-me de uma brincadeira séria que corria entre os professores de uma de nossas universidades mais respeitadas. Diziam os professores que, para que a dita universidade fosse perfeita, só faltava uma coisa: acabar com os alunos... Brincadeira? Psicanalista não acredita na inocência das brincadeiras. Com isso concordam os critérios de avaliação dos docentes, impostos pelos órgãos governamentais: o que se computa, para fins de avaliação de um docente, não são as suas atividades docentes, a relação com os alunos, mas a publicação de artigos em revistas indexadas internacionais. O que esses critérios estão dizendo aos professores é o seguinte: "Vocês valem os artigos que publicam: publish or perish"! Num universo assim definido pelo discurso dos burocratas, o aluno, esse em particular, cujo pensamento é obrigação do professor provocar e educar, esse aluno se constitui num empecilho à atividade que realmente importa. Os raros professores que têm prazer e se dedicam aos seus alunos estão perdendo o tempo precioso que poderiam dedicar aos seus artigos.

"Aquele que é um verdadeiro professor toma a sério somente as coisas que estão relacionadas com os seus estudantes —inclusive a si mesmo", afirmou Nietzsche. Eu sonho com o dia em que os professores, em suas conversas, falarão menos sobre os programas e as pesquisas e terão mais prazer em falar sobre os seus alunos.
Leia o texto abaixo:

CINEMA E ARTE
Na década de vinte, a maneira mais útil de abordar o cinema, para a criação ou a reflexão, era considerá-lo arte autônoma. É possível que a tese da especificidade cinematográfica ainda venha no futuro a produzir fatos práticos e teóricos. Atualmente, porém, os melhores filmes e as melhores ideias sobre o cinema decorrem implicitamente de sua total aceitação como algo esteticamente equívoco, ambíguo, impuro. O cinema é tributário de todas as linguagens, artísticas ou não, e mal pode prescindir desses apoios que eventualmente digere. Fundamentalmente arte de personagens e situações que se projetam no tempo, é sobretudo ao teatro e ao romance que o cinema se vincula. A história da arte cinematográfica poderia limitar-se, sem correr o risco de deformação fatal, ao tratamento de dois temas, a saber, o que o cinema deve ao teatro e o que deve à literatura. O filme só escapa a esses grilhões quando desistimos de encará-lo como obra de arte e ele começa a nos interessar como fenômeno. Não é na estética, mas na sociologia que refulge a originalidade do cinema como arte viva do século XX.
(Paulo Emílio Salles Gomes, in VV. AA. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 1967, pp. 105-106)

Acerca do texto, julgue as assertivas abaixo:
I. Em “Na década de vinte, a maneira mais útil de abordar o cinema, para a criação ou a reflexão, era considerá-lo arte autônoma” o uso da primeira vírgula justifica-se por separar adjunto adverbial antecipado no discurso.
II. Em “Atualmente, porém, os melhores filmes e as melhores ideias sobre o cinema decorrem implicitamente de sua total aceitação (...)” o uso da primeira vírgula pode ser retirado, sem prejuízo de correção gramatical.
III. Em “Atualmente, porém, os melhores filmes e as melhores ideias sobre o cinema decorrem implicitamente de sua total aceitação como algo esteticamente equívoco, ambíguo, impuro” o vocábulo em destaque tem valor explicativo.
IV. Em “ao tratamento de dois temas, a saber, o que o cinema deve ao teatro e o que deve à literatura” o uso das vírgulas justifica-se por indicar expressões de explicação.

Analise e marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3641681 Português
Em “Mads Christensen, diretor executivo interino do Greenpeace Internacional, descreveu o acordo como um ‘sinal poderoso’ de ajuda a manter o ímpeto para cumprir a meta ‘30 por 30’” (4º parágrafo), as vírgulas foram empregadas para:
Alternativas
Q3641082 Português
Notícia

Twitter vai leiloar itens de sede, incluindo estátua de pássaro e máquinas de café

Após a compra do Twitter por Elon Musk por US$ 44 bilhões, o proprietário bilionário adotou uma série de medidas de corte de custos

Ramishah Maruf, da CNN
11/12/2022

Se você sempre quis ter uma parte da sede do Twitter, a empresa está leiloando dezenas de itens e suprimentos de seu escritório em São Francisco.

O Twitter está limpando a casa e procurando descarregar coisas como uma grande estátua de pássaro da rede e uma escultura gigante de “@”. Entre os itens menos interessantes estão um projetor, telas de iMac e escrivaninhas. Existem também várias máquinas de café expresso e uma estação de carregamento de bicicletas elétricas.

O leilão online começa em 17 de janeiro e termina no dia seguinte, disse a Heritage Global Partners, a empresa que facilita a venda. Os lances iniciais para todos os itens variam entre US$ 25 e US$ 50.

Após a compra do Twitter por Elon Musk por US$ 44 bilhões, o proprietário bilionário adotou uma série de medidas de corte de custos. Ele demitiu cerca de metade dos funcionários da empresa, resultando em um processo de um grupo de ex-funcionários, alegando que as demissões em massa envolveram várias violações dos direitos trabalhistas.

“O Twitter teve uma queda enorme na receita, devido a grupos de ativistas pressionando os anunciantes, embora nada tenha mudado com a moderação de conteúdo e fizemos tudo o que pudemos para apaziguar os ativistas”, disse Musk em um tuíte em 4 de novembro.

Mas o presidente da HGP, Nick Dove, disse em entrevista à Fortune que qualquer um que pense que o leilão faz parte da preservação das finanças é um “idiota”.

“Não determinamos quais ativos uma empresa não precisa”, disse Dove à CNN. “Assim como um corretor de imóveis não determina quais casas ou prédios seu cliente precisaria vender.”

fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/business/twitter-vai-leiloar-itens-de-sede-incluindo-estatua-de-passaro-e-maquinas-de-cafe/ acesso 10 dez 2022
Analise o texto abaixo:
“Entre os itens menos interessantes estão um projetor, telas de iMac e escrivaninhas.”
Neste trecho o uso da vírgula acontece para:
Alternativas
Q3640555 Português




Disponível em: https://www.trt6.jus.br/portal/noticias/2018/06/12/srtbpe-iniciacampanha-contra-o-trabalho-infantil 

Assinale a alternativa que apresenta o trecho da campanha reescrito de acordo com a norma culta da língua portuguesa. 
Alternativas
Q3640219 Português
Leia o texto a seguir.


Amor proibido


    Fernanda, bela, carismática, filha de uma família muito rica.

    Ele, belo, sem nome, simples, de uma família pobre. Pobre não tem nome; tem apelido.

    Conheceram-se na praça. Apaixonaram-se na praça.

    Começaram a escrever uma história de amor. Todavia, foram vistos pelo irmão dela e, este ao contar para os pais, aquela história foi dada como ponto final. Para os dois, fez-se em reticências............

    Reticências estas que denunciaram, em fuga, a continuação daquela história de amor.


Fabiana e Otávio – Alunos do Ensino Médio de uma escola pública.
As expressões “ponto final” e “reticências” condizem com o contexto, respectivamente:
Alternativas
Q3640148 Português
Leia o texto a seguir.


ESTIMAÇÃO


    O apartamento era minúsculo.

    − Mal cabe a nossa família − dizia a mãe. − Além disso, anda infestado de insetos, que não sei de onde vieram.

    Guardando sua barata na caixinha, o menino resmunga: “Quem manda ela não me deixar ter um cachorro”...


Sandra 
O texto é um miniconto. Nesse tipo de texto há alguns aspectos relacionados aos elementos da narrativa. Mesmo sendo um texto breve, ele possui início, meio e desfecho. Analisando os travessões utilizados no segundo parágrafo, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q3639897 Português

Considere o texto a seguir para responder à próxima questão.



“Segunda-feira. Amanheço com uma pontinha de febre. Nada grave, mas o homem, desde que sinta uma pontinha de febre, deveria ter direito a ficar na cama e não fazer absolutamente nada que não fosse viver a sua febre. O ideal seria recolher-se a uma Casa de Saúde, cercado de enfermeiras, de batas alvíssimas, que lhe fizessem perguntas carinhosas. Quando se está doente, mesmo que tudo não passe de uma pontinha de febre, é preciso proceder como doente. Vestir um pijama claro, tomar banho e comer (torradas, maçãs descascadas, sucos de fruta), na cama. As pessoas da família devem estar por perto e, de vez em quando, a mulher, se o doente for casado, deve pôr-lhe a mão na testa e dizer coisas que o envaideçam – por exemplo: ‘Eu gosto tanto quando você está doente. A gente fica mais junto um do outro’. Então, o doente abre os olhos (o bom doente é aquele que mantém os olhos fechados), sorri e, tomando a mão da esposa, aperta-a docemente. Tudo isto é ridículo, mas necessário ao doente. Todos os doentes, quanto menos grave for a doença, mais precisam de carinhos formais; exatamente, os ridículos. Cá estou, com uma pontinha de febre, que ninguém levou a sério. Nem eu. Mas gostaria de ser tratado como doente. À tarde, terei que sair para fazer uma entrevista. Vestir paletó e gravata – duas peças que nenhum doente, mesmo que seja um resfriado, deveria vestir. Depois de vestido, suarei na testa. Tomarei o automóvel... E ninguém perguntará se estou melhorzinho. A ciência médica progrediu e já não se tomam tantos cuidados com quem tem doença ‘micha’. Para se ser bem tratado é preciso que se tenha uma lesão cardíaca, um acidente de circulação ou uma leucemia. Com uma pontinha de febre não adianta fazer fita porque ninguém liga”.


(A consolação da doença, por Antônio Maria, com adaptações). 

O trecho “o bom doente é aquele que mantém os olhos fechados” aparece no texto entre parênteses. Nesse caso, os parênteses foram utilizados pelo autor para inserir no texto um: 
Alternativas
Q3639236 Português
Marque a frase em que aparece ponto de exclamação: 
Alternativas
Q3639235 Português
Marque a frase em que aparece ponto de interrogação: 
Alternativas
Q3639107 Português
Todas as frases estão pontuadas corretamente, EXCETO
Alternativas
Q3638028 Português
Assinale a alternativa que apresenta a frase pontuada conforme a norma padrão da língua portuguesa.
Alternativas
Q3637954 Português

Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por Rachel de Queiroz e publicada na década de 1950, para responder à próxima questão.



“Sim, é a velha história da árvore da ciência: melhor não provar do fruto e não saber. Viva a gente, leitor, como você e eu, que só temos uma ideia vaga daquilo que nos ocorre nas entranhas e, enquanto a febre não sobe aos quarenta, a dor não pede gritos e a tontura não vira vertigem, achamos que tudo vai bem. Já os tristes doutores, que fizeram o seu reino no mundo das tripas, o seu ofício é o saber, e no saber está a tragédia. Mas é melhor contar um caso que exemplifique a tese… Não há nada como um apólogo para fazer entendida uma teoria. Era um doutor, nosso conhecido. Solteiro, ou antes solteirão, pois já fizera os 52. Boa figura, boa prosa, bem tratado – era pessoa que cuidava de si. Tinha as suas amigas, levava-as às boates. Era abastado e bem nascido – o que lhe favorecia ainda mais os êxitos profissionais e sociais. Pois um belo dia o nosso homem, ao descer do lotação, defronte do hospital, sentiu uma leve tontura. Foi coisa rápida, e com pouco já estava de uniforme, batia um papo, tomava café, iniciava a visita na enfermaria. E eis que o primeiro doente (que o detestava), antes de dizer se melhorara da falta de ar, olhou-o bem e comentou: ‘O senhor hoje está com a cara ruim, hem, doutor?’ E a enfermeira, também com ódio, ajudou: ‘Eu já tinha reparado’. Impressionado com aquela unanimidade que se seguira à tontura, o doutor, terminada a visita foi à sala dos médicos e chamou um colega mais íntimo: ‘Fulano, vem cá, me tira a pressão’. Fulano zombou, perguntou o que ele estaria planejando para a noite, mas o outro insistiu, tiraram. O paciente logo notou no amigo aquela expressão característica que os médicos pretendem ser de impenetrabilidade e não passa de uma cara muitíssimo agourenta, capaz de assustar o mais bravo. E Fulano falou, grave: ‘Meu caro, a gente vai ver de brincadeira e sempre acha qualquer coisa. Talvez seja a emoção do exame – por outro lado você já não é nenhuma criança – mas a pressão está a dezesseis’. Nada mais precisou ser dito. Nosso doutor era suficientemente médico para saber o que significava aquela pressão a dezesseis. E já que entrara a deslizar na ladeira das suspeitas, fez como certos maridos – quis saber tudo. Dosagem de ureia – e o papelinho do laboratório lhe aumentou o frio do estômago: 0,55. Colesterol? Aumentado. Densidade de urina – um pouco baixa. Sim, um pouco. Só um pouco. Tudo passava um pouco do normal, não era ainda a moléstia, a morte – mas era um aviso. E estava instilado o veneno. O doutor começou a ler – e de autor em autor foi aumentando as suspeitas. Quem sabe não seria uma nefrosclerose maligna? Renunciou ao uísque, renunciou aos prazeres de gourmet, renunciou às boates. Com o passar dos meses, e um ano, e outro, de renúncia em renúncia, o solteirão chibante e bom partido já não é mais que um velho – e cauteloso, e escravo da dieta e dos remédios, escravo das artérias e dos rins. E se passaram dez anos nessa agonia, em que o nosso amigo praticamente não viveu. No mês passado morreu, afinal; de um câncer de pulmão que em dois meses o levou. – Sim, um câncer, que não tinha nada com a história.”  


(A árvore da ciência, por Rachel de Queiroz, com adaptações) 

Logo após a expressão “velha história da árvore da ciência”, a autora emprega o sinal de pontuação denominado dois-pontos. Nesse caso, essa pontuação é utilizada para inserir no texto uma: 
Alternativas
Q3637117 Português

Ana das Carrancas: artista que transformou a tradição em arte completaria 100 anos em 2023


A artesã pernambucana ficou conhecida por suas obras em barro inspiradas em carrancas de madeira que via nas embarcações


Rodolfo Rodrigo

Brasil de Fato | Recife (PE)

15 de Março de 2023



    No dia 18 de fevereiro, a artesã pernambucana Ana Leopoldina dos Santos, também conhecida como Ana das Carrancas, completaria 100 anos de idade se estivesse viva. Ela ficou conhecida por suas esculturas em barro inspiradas nas carrancas de madeira que via nas embarcações e sua história de superação marcou a arte do Nordeste até hoje.

    Ana das Carrancas era uma mulher negra e sertaneja que enfrentou muitas dificuldades até encontrar na arte uma forma de sustentar sua família por meio das esculturas de carrancas feitas no barro. À medida que seu trabalho evoluiu, as figuras ganharam uma definição cada vez mais característica, chamando a atenção sobretudo pelos olhos vazados em homenagem a seu marido, Zé Vicente, que era uma pessoa com deficiência visual e ajudava na preparação do barro.

    Hoje, as responsáveis por manter o legado de Ana das Carrancas são suas filhas, Maria da Cruz e Ângela, que mantêm, juntas, o Centro de Arte Ana das Carrancas, em Petrolina. Maria, filha de Ana das Carrancas, revelou que a habilidade da mãe em moldar o barro foi transmitida de geração em geração em sua família.

    “Ana das Carrancas aprendeu a moldar o barro com a mãe dela. É um trabalho hereditário. A mãe dela era descendente de índios e o pai de afrodescendentes e através dessa família ela conseguiu construir no barro uma arte singular aqui na região que deu origem às carrancas de barro”, disse.

    Ao longo dos anos, o nome de Ana das Carrancas abriu novos caminhos e lhe trouxe muitas conquistas. Décadas depois do início do seu trabalho, ela foi homenageada com o título de cidadã de Petrolina, reconhecida como patrimônio vivo de Pernambuco, em 2006, e convidada a Brasília para receber a comenda de Ordem ao Mérito Cultural, ao lado de um grande elenco de artistas de diversas linguagens.

    A Arte de moldar o barro e criar peças únicas é uma tradição que Ana também passou para suas filhas. "Através do amor que ela tinha na arte, ela repassa pras filhas esse conhecimento e até então a gente dá continuidade ao trabalho produzindo peças rústicas e diversificadas no barro", afirmou Maria.

    Ana das Carrancas faleceu em 2008, após enfrentar consecutivos problemas de saúde, deixando saudades. Sua obra permanece como um legado valioso para a cultura popular e para o artesanato pernambucano e brasileiro que permanece influenciando nas produções em barro.

    “A maior influência foi de eu ter aprendido a arte através do amor e da boa vontade dela, e o que ficou de influência foi a gente dar continuidade até hoje. Para mim, eu só deixo de ter essa vontade de construir, fabricar e ser artesã quando eu for para o andar de cima”, concluiu Maria.



Disponível em: Ana das Carrancas: artista que transformou a

tradição em | Cultura (brasildefato.com.br) –

Acesso em: 05/11/2023 

Assinale a alternativa que apresenta a correta afirmação sobre o uso de vírgula no primeiro período do corpo do texto. 
Alternativas
Respostas
5001: C
5002: C
5003: A
5004: D
5005: A
5006: C
5007: B
5008: C
5009: B
5010: B
5011: B
5012: A
5013: A
5014: A
5015: B
5016: B
5017: C
5018: D
5019: B
5020: A