Questões de Concurso Sobre pontuação em português

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Q2522579 Português
IGUALDADE E EQUIDADE


A filosofia guarda uma máxima: “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida da sua desigualdade”. A frase é de Aristóteles e está diretamente relacionada ao conceito de equidade. Mas qual a diferença entre igualdade e equidade?

Em uma busca rápida na internet, o significado de igualdade que surge é: "a inexistência de desvios ou incongruências sob determinado ponto de vista, entre dois ou mais elementos comparados, sejam objetos, indivíduos, ideias, conceitos ou quaisquer coisas que permitam que seja feita uma comparação”. Para além do dicionário, a igualdade está presente no artigo 5º da Constituição Federal, que diz o seguinte: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”.

Sendo assim, igualdade parece ser o ideal para se viver numa sociedade plena e justa. Onde entraria, assim, o conceito de equidade? Essa busca por um equilíbrio real se dá pela certeza de que não são todos iguais. Numa sociedade múltipla, as pessoas vêm de lugares diferentes e, por isso, vivem contextos diferentes. As mulheres, por exemplo, vivem situações específicas e diferentes dos homens, e esse aspecto de desigualdade presume que os direitos devem ser amplos, a ponto de ultrapassar as desigualdades, ainda que as diferenças existam.

A diferença entre igualdade e equidade se dá pelo direito à diferença: a diversidade dos indivíduos é levada em conta na equidade. Quando se fala em igualdade, acredita-se que todos são regidos pelas mesmas regras, sem levar em conta as especificidades. A equidade usa a igualdade como base, mas busca o equilíbrio dos desiguais, reconhecendo as características de cada grupo. Um exemplo nítido do reconhecimento da importância da equidade são as ações afirmativas. A política de cotas raciais entende que as pessoas negras, por razões históricas, não possuem os mesmos acessos. Dessa forma, as cotas atuam como uma ferramenta para garantir que a disputa seja equilibrada, a partir dessa desigualdade prévia. No caso das mulheres, a cota criada para que haja um mínimo do fundo partidário a ser destinado a candidaturas femininas é uma forma de harmonizar as chances, sabendo que as representações de mulheres dos cargos eletivos ainda são bem menores.

A equidade aproxima-se do conceito de justiça: somos diversos, temos características e necessidades específicas e, por isso, precisamos de diferentes soluções para garantirmos oportunidades equivalentes e efetivas. A equidade se aplica, portanto, a uma adaptação à situação específica. Se há diferenças  salariais, não são todos iguais. Se um corpo está mais vulnerável a abusos e violências, não há igualdade. Então a análise se dá tendo essas desigualdades como pressuposto, para o diagnóstico poder ser justo. Desse modo, para uma sociedade mais justa e igualitária, exige-se a construção de uma realidade mais equânime que igual. Trata-se de levar em consideração o que cada um necessita. (https://jornaldaparaiba.com.br/, com adaptações)
[Questão Inédita] Assinale a alternativa com a afirmação errada.
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Q2522551 Português
De acordo com as regras de pontuação e o sentido das frases, assinalar a alternativa CORRETA.
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Q2522422 Português
Há fome por trás do aquecimento global



           A escalada da temperatura global empurra para cima indicadores de insegurança alimentar, fome e desigualdade socioeconômica. Dados divulgados recentemente pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM), uma agência especializada das Nações Unidas, confirmam essa premissa e expõem sua assustadora dimensão humana. Em 2023, quando a temperatura global cravou o recorde de 1,45 ºC acima da média registrada no período de 1850-1900, pelo menos 333 milhões de pessoas estavam vivendo em situação de insegurança alimentar mundo afora.


       A mudança climática não é, obviamente, a causa primária dessa massa de desvalidos, como ressalta a OMM em seu recente relatório Estado do Clima Global. Conflitos, violência, crises econômicas locais, preços de alimentos e quebras de safras agrícolas estão comumente no epicentro do problema. Porém, são agravados por secas, inundações e eventos climáticos cada vez mais acentuados e frequentes – os efeitos há muito reconhecidos do aquecimento global. Esse quadro explica o aumento da pobreza e da fome no planeta e a desesperada migração de contingentes humanos vulneráveis para locais onde esperam, no mínimo, sobreviver.


         “A crise climática é o maior desafio da humanidade e está diretamente relacionada à desigualdade e ao aumento da pobreza e da instabilidade, com agravamento da insegurança alimentar, de deslocamento de populações e da perda de biodiversidade”, resumiu Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
Assinale a alternativa em que a pontuação está em conformidade com a norma-padrão.
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Q2521877 Português
Leia o texto para responder à questão.

Sobre escrever bem: uma declaração contra o império da simplicidade

    Que tudo seja expresso com o mínimo de ruído, que o leitor compreenda de imediato cada mensagem, que as sentenças sejam diretas e limpas, concisas e coerentes – e que se escolha apenas um desses adjetivos para dizer o que se deseja. No império da simplicidade, eliminar palavras é o gesto literário por excelência. E assim vamos formando uma geração de escritores contrários ao dicionário e à linguagem; e uma geração de leitores que só desejam histórias fortes narradas limpidamente.
      Ao escritor cabe sobretudo o medo. Deve temer os termos longos e abstratos, cada um passível de se tornar um peso morto sobre a página, a assombrar os leitores também assustados. Deve temer as palavras incomuns, as estranhas, as antigas, maculadas pela poeira dos séculos. Deve temer o olhar dos críticos, encarados como fiscais da clareza, e fugir de seu juízo definitivo de pretensão excessiva, de vaidade ou pedantismo. Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis.
    Assim recomendou a revista The Economist, num artigo que se propunha a ditar o que devem ler aqueles que querem escrever melhor. O que deve ler um bom escritor, segundo os economistas?
    Uma sequência de manuais de estilo que defendem sempre a mesma doutrina, a começar pelo manual clássico do escritor George Orwell, que parece ter aberto a tradição de ataque à escrita obscura ou labiríntica, a tradição de defesa da razão, algo que só se encontraria nas palavras cotidianas reunidas na ordem costumeira. Que a literatura siga as diretrizes de eficácia que regem o pensamento econômico, que se faça objetiva e vendável, com custos mínimos: nisso culminam tantos princípios.
    Para dar riqueza a essa visão um tanto empobrecida, evocam-se sempre alguns grandes nomes da boa literatura concisa. Entre anglófonos, Ernest Hemingway é incensado como modelo maior da economia das letras. Entre brasileiros, Graciliano Ramos se torna a referência máxima, na obsessão por um estilo seco assemelhado às vidas que ele retrata.

(FUKS, Julián. Em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2023/10/07/sobre-escrever-bem-uma-declaracao-contra- -o-imperio-da-simplicidade.htm. 07.10.2023. Adaptado)
No trecho do 2º parágrafo – Ao escritor cabe a dieta da língua: ingerir apenas palavras magras e nutritivas, que não suscitem qualquer risco de resultarem indigestas aos estômagos sensíveis. –, os dois-pontos foram empregados para introduzir uma
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Q2521804 Português
Leia o texto, para responder à questão.

    Com tanta coisa acontecendo no mundo, deve ser molez a arranjar assunto fresquinho para escrever. Foi o que me disseram outro dia, e me flagrei pensando: quem dera.
    Recebemos uma overdose de informação, mas isso não significa que os acontecimentos sejam surpreendentes a ponto de fazer a festa dos colunistas. É leite tirado de pedra diariamente. Como ser original quando tudo se repete e repete e repete?
    O Brasil inteiro está comentando a lista de convocados pelo técnico, uns o criticando, outros o absolvendo, e daqui a pouco uma nova Copa começará em que a nossa seleção terá boa chance de vencer, e alguma de perder. Já não passamos por isso antes, igualzinho?
    Questões envolvendo a extradição de um criminoso, ataques sangrentos em alguns países, crise nas Bolsas de Valores, barreiras comerciais afetando a relação entre países, alerta para chuva forte, violência nas estradas. Mais do mesmo.
    Atos insanos surgem aqui e ali, nos escandalizando por alguns dias, fazendo com que discutamos sobre mentes d oentias e a necessidade que tantos têm de espetacularizar a própria história, e então, passado o susto, viramos a página.
    Crises econômicas, conflitos religiosos, garotos matando colegas de aula, casamentos e separações de celebridades, denúncias de corrupção, tendências da moda outono-inverno, últimos capítulos de novela. O que ainda suspende a nossa respiração? O que é que ainda falta dizer? O que ainda nos deixa perplexos? Como ofertar um pouco de originalidade ao leitor? Que pretensão.
    É só um desabafo: hoje os absurdos se sucedem em e scala industrial e os fatos novos são como mariposas, nascem e morrem no mesmo dia. Por essas e outras, persevero no trivial, que, contrariando sua natureza, passou a ser o inusitado da vida.

(Martha Medeiros, Feliz por nada. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o acréscimo da vírgula no enunciado está de acordo com a norma-padrão.
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Q2521362 Português

Atenção: Leia o texto a seguir e responda a questão:


O que é SAMU?


    As pressões sobre os serviços de urgência e emergência têm aumentado em face de mudanças demográficas, epidemiológicas e sociais, por isso muitos países organizaram sistemas para atendimento às urgências e emergências, sob modelos distintos.

        Em 2011, o Ministério da Saúde lançou a Rede denominada Saúde Toda Hora, que está reorganizando a Rede de Atenção às Urgências e Emergências no Sistema Único de Saúde (SUS). Com este novo modelo, o Ministério da Saúde está ampliando o acesso da população brasileira aos serviços de urgência e emergência na rede pública, garantindo atendimento rápido, universal, equânime e adequado aos pacientes, o que ajuda a reduzir mortes e sequelas, além de diminuir o tempo de espera. Integram a Rede os serviços da Atenção Básica, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), as UPAs 24 horas, as Salas de Estabilização, o S.O.S Emergências e a Força Nacional do SUS.

     No Brasil, o SAMU 192 teve início através de um acordo bilateral, assinado entre o Brasil e a França, através de uma solicitação do Ministério da Saúde. Foi criado em 2003 e oficializado pelo Ministério da Saúde por meio do Decreto nº. 5.055, de 27 de abril de 2004. Hoje, a PORTARIA Nº 1.010, DE 21 DE MAIO DE 2012 - Redefine as diretrizes para a implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e sua Central de Regulação das Urgências, componente da Rede de Atenção às Urgências.

      O SAMU, no Brasil, propõe um modelo de assistência padronizado que opera através do acionamento à Central de Regulação das Urgências, com discagem telefônica gratuita e de fácil acesso (linha 192), com regulação médica regionalizada, hierarquizada e descentralizada.

    Para o planejamento, implantação e implementação da regionalização, interiorização e ampliação do acesso ao SAMU 192 no Brasil, deverá ser utilizado, prioritariamente, o parâmetro de tempo-resposta, ou seja, o tempo adequado tecnicamente transcorrido entre a ocorrência do evento de urgência e emergência e a intervenção necessária.

     A função básica de um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é responder de forma organizada, a fim de evitar o uso excessivo de recursos, a toda situação de urgência que necessite de meios médicos, desde o primeiro contato telefônico até a liberação das vítimas ou seus encaminhamentos aos serviços de saúde. O sistema deve determinar e desencadear a resposta mais adequada para o caso, assegurar a disponibilidade dos meios hospitalares, determinar o tipo de transporte exigido e preparar o acolhimento dos pacientes nos serviços de saúde.

     Entretanto, o SAMU 192, ultrapassa a dimensão do atendimento, assistência e transporte de vítimas. Ocupa-se, também, de conhecer a magnitude, caracterização e tendências no que diz respeito a tempo médio de resposta dos atendimentos de urgência, percentual de atendimento por meio de intervenção básica e avançada e tipos de atendimentos, propiciando uma postura mais pró-ativa frente a morbidade/mortalidade.

     A informação da demanda feita à Central de Regulação das Urgências, assim como dos atendimentos realizados pelo SAMU, é estratégica para o planejamento das ações de uma atenção cada vez mais qualificada em todos os componentes da Rede de Atenção às Urgências e Emergências, de acordo com as necessidades da área de abrangência de cada SAMU.


Fonte <https://sage.saude.gov.br/paineis/samu/oquee.html>. Acesso em 28/04/2024.

 

No trecho “A função básica de um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é responder de forma organizada, a fim de evitar o uso excessivo de recursos” (6º parágrafo), a vírgula foi empregada:
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Q2520728 Português

Julgue o item que se segue. 


É correto inserir uma vírgula para separar a oração principal da oração adjetiva restritiva, como no exemplo: "aqueles, que pegaram o livro emprestado deverão devolvê-lo", para garantir a clareza da separação entre as orações.

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Q2520660 Português




(Bill Waterson. O melhor de Calvin. www.estadao.com.br, 29.05.2023)

Assinale a alternativa em que o acréscimo da vírgula ao trecho preserva a correção gramatical.
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Q2520616 Português
     Pra lhes dizer a verdade, não sei onde meu pai arranjou aquele almanaque, velharia do século passado, e que catalogava os municípios das Minas Gerais, um por um. Tenho de confessar que, como aquele, ainda não vi outro, tão bem arranjado e consciente das coisas que deviam ser preservadas para a posteridade. Tanto assim que, além de exaltar as belezas do lugar e as excelências do clima, descrevia o povo, listando os vultos mais ilustres, começando, como era de se esperar, pelos capitalistas, fazendeiros e donos de lojas, passando então aos médicos, boticários, bacharéis e sacerdotes, sem se esquecer, ainda que no fim, dos mestres-escolas. Lá, bem no começo, seguindo a ordem alfabética, estava Boa Esperança, terra de meu pai, e ele ajeitou os óculos para ver se descobria naquele registro do passado a informação de algum antepassado ilustre, quem sabe alguma glória de que se pudesse gabar! E o dedo indicador foi percorrendo o rol dos importantes pelo sobrenome, pois que de primeiro nome todas as memórias já tinham sido apagadas. Até que parou. Lá estava. Não podia haver dúvidas. O sobrenome era o mesmo: Espírito Santo. Profissão: tropeiro. Tropeiro? Isto mesmo. E com a tropa de burros e o barulho imaginário dos sinos da madrinha, pelas trilhas da serra da Boa Esperança que o Lamartine Babo cantou, foram-se também as esperanças de um passado glorioso.



(Rubem Alves, Conversas com quem gosta de ensinar. Adaptado)

Considere as passagens:

•  Lá [...] estava Boa Esperança, terra de meu pai, e ele ajeitou os óculos...
•  ... quem sabe alguma glória de que se pudesse gabar!

As vírgulas, na primeira passagem, e o ponto de exclamação, na segunda, são empregados, correta e respectivamente, para
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Q2519166 Português
        Embora haja relação entre os conceitos, racismo difere de preconceito racial e de discriminação racial. O preconceito racial é o juízo que se baseia em estereótipos acerca de indivíduos que pertençam a determinado grupo racializado e que pode ou não resultar em práticas discriminatórias. As ideias de que negros são violentos e inconfiáveis, de que judeus são avarentos ou de que orientais são “naturalmente” preparados para as ciências exatas são exemplos de preconceitos.
         A discriminação racial, por sua vez, é a atribuição de tratamento diferenciado a membros de grupos racialmente identificados. Portanto, a discriminação tem como requisito fundamental o poder, ou seja, a possibilidade efetiva do uso da força, sem o qual não é possível atribuir vantagens ou desvantagens por conta da raça. Assim, a discriminação pode ser direta ou indireta.
         A discriminação direta é o repúdio ostensivo a indivíduos ou grupos, motivado pela condição racial, exemplo do que ocorre em países que proíbem a entrada de negros, judeus, muçulmanos, pessoas de origem árabe ou persa, ou ainda em lojas que se recusem a atender clientes de determinada raça. Adilson José Moreira afirma que o conceito de discriminação direta “pressupõe que as pessoas são discriminadas a partir de um único vetor e também que a imposição de um tratamento desvantajoso requer a existência da intenção de discriminar”. Por isso, conclui Moreira, o conceito de discriminação direta é “incompleto” para lidar com a complexidade do fenômeno da discriminação.
         Já a discriminação indireta é um processo em que a situação específica de grupos minoritários é ignorada — discriminação de fato —, ou sobre ela são impostas regras de “neutralidade racial”, sem que se leve em conta a existência de diferenças sociais significativas — discriminação pelo direito ou discriminação por impacto adverso. A discriminação indireta é “marcada pela ausência de intencionalidade explícita de discriminar pessoas. Isso pode acontecer porque a norma ou prática não leva em consideração ou não pode prever de forma concreta as consequências da norma.”, segundo Moreira.
         A consequência de práticas de discriminação direta e indireta ao longo do tempo leva à estratificação social, um fenômeno intergeracional em que o percurso de vida de todos os membros de um grupo social — o que inclui as chances de ascensão social, de reconhecimento e de sustento material — é afetado.

Silvio Almeida. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019, p. 22-23 (com adaptações)

Considerando as ideias veiculadas no texto apresentado e seus aspectos linguísticos, julgue o seguinte item.


Os usos das aspas têm finalidades distintas em ‘incompleto’ (último período do terceiro parágrafo) e ‘neutralidade racial’ (primeiro período do quarto parágrafo).

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Q2518921 Português
Traumas do Trânsito


    Entre 2011 e 2021, o número de motocicletas circulando no Brasil cresceu 64,7%, de 18 milhões para 30,3 milhões. Como se sabe e boletim do Ministério da Saúde comprova, a escalada elevou a insegurança.

    Em 2011, 70,5 mil motociclistas lesionados em acidentes de trânsito foram hospitalizados (3,9 a cada 100 mil habitantes). Já em 2021, foram 115,7 mil (6,1 a cada 100 mil) – aumento de 55% em dez anos.

   Apesar de o número de mortos ter permanecido quase estável no período (11,5 mil e 11,1 mil, respectivamente), ele representa 26,6% das fatalidades no tráfego em 2011 e 35,3% em 2021.

   Acidentes de trânsito são grave problema de saúde pública no país que, no caso de motocicletas, atinge estratos sociais fragilizados.

   Em 2021, as hospitalizações de motociclistas custaram R$ 167 milhões ao Estado. Despesas por traumatismo cranioencefálico grave (TCE) passaram de R$ 123,7 milhões, em 2008, para R$ 278 milhões em 2019. Acidentes de trânsito são a principal causa de TCEs, seguidos por violência interpessoal.

    Os custos não findam com a internação. Traumas geram sequelas que exigem tratamentos custosos para reabilitação e podem incapacitar o paciente por toda a vida. Ou seja, além dos gastos públicos, o país perde força laboral.

    Para diminuir gastos na saúde e proteger jovens trabalhadores, é fundamental que o poder público, nas esferas municipal, estadual e federal, implemente ações de fiscalização e de conscientização que integrem órgãos de transporte, justiça, saúde e educação.

    Tal orientação já consta do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, legislação aprovada pelo Congresso em 2018. Basta tirá-lo do papel.


(Editorial. Folha de S.Paulo, 31.05.2023. Adaptado) 
A pontuação está em conformidade com a norma-padrão em: 
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Q2518764 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

O destino de ser mãe

     A concepção e o valor da maternidade foram se transformando ao longo da história — e a ciência teve um papel fundamental nessas construções. “Não dá para falar em termos lineares e, ao longo do tempo, vemos muitas facetas de maternidade”, pontua a pesquisadora da UFPR [Marlene Tamanini]. Até a Idade Média, a maternidade era desvalorizada e as mulheres não tinham um papel de destaque na criação dos filhos. Entre os motivos que contribuíam para essa visão estavam a ênfase no poder paterno, a fragilidade física das crianças e a alta taxa de mortalidade infantil.

     Durante o Renascimento (dos séculos 15 ao 17), a atenção materna às crianças começou a aparecer como valor essencial, especialmente nas classes mais abastadas. A ampliação dessas responsabilidades levou a uma crescente valorização do ideal mulher-mãe, ainda que isso não ultrapassasse o ambiente doméstico e não significasse a redução da autoridade paterna. No Ocidente, a mulher passou a ser vista como “predestinada” a ter filhos, principalmente a partir do século 18. Segundo a filósofa francesa Elisabeth Badinter, uma das mais importantes pesquisadoras da área, dois discursos diferentes confluíram para modificar a atitude da mulher em relação aos filhos: um econômico, que se apoiava em estudos demográficos demonstrando a importância do crescimento populacional para o país; e o liberalismo, que favorecia ideias de liberdade, igualdade e felicidade individual.

    Para completar, um terceiro discurso, sustentado pelo desenvolvimento da biomedicina, reforçava a ideia de que era função da mulher se ocupar dos filhos. “O útero como definidor exclusivo das mulheres vira quase um fetiche dos discursos médicos. Ela passa a ser definida como um ser que se completa e se organiza no papel de mãe”, destaca Tamanini. “A maternidade entra como a solução para a vida das mulheres. Quem faz esse discurso agora é o médico, e essa construção moderna passa a ser necessária para organizar a ordem da sociedade.” [...]

     Com o surgimento dos métodos contraceptivos e o avanço do movimento feminista nos anos 1960, a mulher contemporânea pode escolher não ter filhos. Entretanto, a maternidade segue um marcador social relevante. “Parece ser uma escolha individual, mas nem sempre é, porque existem muitas estruturas por trás dessa decisão. Existe uma cobrança, uma expectativa de que se não formos mães, não seremos mulheres de verdade. Às vezes ela é tão forte que faz muitas mulheres serem mães sem nem saberem por quê”, destaca a socióloga Thaís de Souza Lapa, professora adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora do laboratório de Sociologia do Trabalho na mesma universidade. Na avaliação dela, embora atualmente consigam ocupar locais não permitidos no passado, como em cargos de chefia ou cursando ensino superior, muitas mulheres ainda são vistas como “estrangeiras” nesses espaços — e a maternidade é um dos poucos lugares onde isso não acontece.

Revista Galileu, ed. 384, mar. 2024. 

Releia o seguinte trecho:


Segundo a filósofa francesa Elisabeth Badinter, uma das mais importantes pesquisadoras da área, dois discursos diferentes confluíram para modificar a atitude da mulher em relação aos filhos: um econômico, que se apoiava em estudos demográficos demonstrando a importância do crescimento populacional para o país; e o liberalismo, que favorecia ideias de liberdade, igualdade e felicidade individual.


Sem prejuízo de sentido e observando-se a norma padrão escrita da língua, a seguinte alteração pode ser realizada:

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Q2517692 Português
Texto CG3A1

      — Afinador de piano, em excursão, vinte e cinco mil-réis.
      — Quanto?
      — Vinte e cinco mil.
     — É exagero. Às vezes o afinador não ganha isso durante a viagem. O Juca Silveira me contou. A principal fonte de renda dele é a criação de perus. E já paga imposto de indústria e profissão...
     — Bem, se nós formos indagar dos contribuintes quanto é que eles querem pagar, a tesouraria fica sem recursos para comprar um maço de velas quando faltar luz. Seria preferível que eles mesmos fizessem o lançamento.
     A Câmara Municipal discutia o orçamento para 1920, e os dois vereadores ponderavam ponto por ponto cada título da receita. O município é pobre, arrecada setenta e dois contos por ano. Houve praga na lavoura; deu peste no gado; o empréstimo para instalação de luz elétrica vence juros penosos. Para atender ao serviço de estradas, à instrução, às eleições, ao funcionalismo, a tanto compromisso, torna-se imperioso lançar novos impostos, criar taxas inéditas, como essa de afinador. Mas piano — quantos pianos terá o município? Quinze, no máximo; dos quais apenas uns cinco nos distritos: a taxa talvez não produza cinquenta mil-réis. Uma ninharia, meu caro!
    No calor da sala, os vereadores tentam reerguer as finanças públicas. Salão muito quente, com efeito. Dá para a frente da praça, que recolhe o sol da tarde, ao passo que a outra sala, olhando para a montanha e o vale profundo, recebe uma doce brisa, em que narinas mais apuradas distinguem o perfume de árvores distantes, e os caçadores chegam a identificar um cheiro de anta. No inverno, sim, a sala das sessões recomenda-se pelo aconchego — mas o orçamento é feito naquela época do ano em que as cigarras estouram, e secam os córregos.
    — Barbeiro com uma só cadeira, vinte mil-réis na cidade; em outros lugares, dezoito mil. Cada mão de engenho de mineração, quando fabricada no país...

Carlos Drummond de Andrade. Câmara e cadeia. In: Contos de aprendiz.
Companhia das Letras (com adaptações). 
No que se refere aos aspectos linguísticos do texto CG3A1, julgue os itens a seguir.
I Na oração “e secam os córregos”, no final do sétimo parágrafo do texto, o termo “os córregos” complementa a forma verbal “secam”.
II O emprego do travessão no texto, em todas as suas ocorrências, justifica-se com base na mesma regra de pontuação.
III O sentido e a correção gramatical do texto seriam mantidos caso a locução verbal “formos indagar”, no quinto parágrafo, fosse substituída por indagarmos.
Assinale a opção correta.
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Q2516920 Português
FALA, AMENDOEIRA



Carlos Drummond de Andrade












ANDRADE, C. D. de. Fala, amendoeira. 14, ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.
Nessa crônica, o travessão foi empregado com funções diversas. O trecho em que esse sinal de pontuação cumpre a função de separar o aposto, marcando uma explicação, é:
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Q2516880 Português
Analise as assertivas abaixo sobre pontuação:
I. A frase “Chegou em casa pegou as chaves e saiu novamente.” não requer o uso de vírgula.
II. Em “Meu irmão mais novo, finalmente passou no vestibular.” há um uso inadequado da vírgula.
III. A frase “Vamos aos fatos: o projeto precisa ser finalizado até sexta-feira.” está corretamente pontuada.
Quais estão corretas?
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Ano: 2024 Banca: IBADE Órgão: Faceli Prova: IBADE - 2024 - Faceli - Auxiliar de Secretaria |
Q2516781 Português
Um cadáver no banco, um meme no celular


A sociedade do espetáculo se apresenta em sua forma mais cruel, casada com a alta tecnologia que permite atrocidades com a velocidade de um clique

Renato de Faria | 28/04/2024



         Uma sociedade produtiva e eficiente, idólatra da pura razão instrumental, dá passos certeiros em direção [a]1 barbárie. A técnica, por si só, é carente de reflexão ética, pois esse modo de pensar exige tempo, ócio e debate. Os burocratas da tecnoidolatria, tendo em vista seu baixo vocabulário e sua curtíssima carta de leitura, desconhecem a importância do desenvolvimento moral.

         É por isso que a inovação tecnológica, isolada das Humanidades, não nos levará [a]2 lugar algum.

       Diariamente, constatamos as ações inconsequentes na Rede, nos assustando quanto [a]3 escalada da BOÇALIDADE/BOSSALIDADE que impera nessa terra sem lei e sem reflexão ética.

      Assistimos [a]4 uma delas, estarrecidos, nos últimos dias: cenas macabras que mostravam um cadáver sendo levado [a]5 uma agência bancária. Não era filme de terror, era a vida em carne e nosso. Confesso que resisti a ver a cena. Apenas o relato bastava. A cultura da imagem escandalosa, comum em nosso tempo, não acrescentaria nada em minha reflexão.

   Porém, mesmo negando o acesso às cenas e todo o seu SENSSACIONALISMO/SENSACIONALISMO midiático, propício à indústria jornalística do escândalo, em pouco tempo, meu telefone já se encontrava infestado com a enxurrada de memes, figurinhas e cenas que retratavam o próprio corpo, vilipendiado pela segunda vez, em situações constrangedoras.

      Já defendi (e defendo!) [...] a ironia como sobrevivência, como prática de resistência à vida burocratizada e contabilizada. Com isso, reafirmo que o humor é uma das poucas formas que sobraram de uma humanidade corrompida. No entanto, a questão é bem diferente. Os memes, produzidos pelo concreto do corpo representado, ultrapassam qualquer limite ético. Isso não é piada, é sadismo puro, PERVERCIDADE/PERVERSIDADE customizada por aplicativo e compartilhada por alguns que, dessensibilizados pelo cotidiano maldoso que infesta os suportes digitais, ainda dizem, "deixa de ser careta, moralista, isso é apenas uma imagem, uma brincadeira". Não, meu amigo. Sinto em informar, não é apenas uma piada.

       Uma das cenas mais tristes da Ilíada é justamente quando Aquiles, herói grego, após vencer o nobre Heitor em um duelo de honra, amarra seu cadáver à carruagem e o arrasta diante dos muros de Troia. Príamo, seu pai e Rei daquela cidade, e Andrómaca, sua esposa, presenciaram o vilipêndio e nada puderam fazer. Na guerra, os bárbaros mostram toda sua voracidade, literalmente, dançando sobre o corpo alheio.

        Estamos construindo uma forma de convivência que desconsidera qualquer limite moral. Os devotos da tecnoidolatria se comportam como Eichmann (o burocrata nazista relatado por Hannah Arendt), cheios de clichês, esquivando-se da corresponsabilidade no compartilhamento das imagens e sem a noção profunda do mal que estão fazendo.

        É preciso lembrar que essa civilização já não nos oferece nenhuma garantia, caso caiamos desmaiados em algum lugar por aí, sejamos atropelados ou soframos algum acidente. Em poucas horas, nossos filhos, esposa, mãe e pai verão a cena de nosso corpo sem vida compartilhada nos grupos de WhatsApp da família, do futebol e da igreja. A sociedade do espetáculo se apresenta em sua forma mais cruel, casada com a alta tecnologia que permite ATROCIDADES/ATROÇIDADES com a velocidade de um clique.

       Certo dia, ouvi alguém dizendo: "sossego mesmo só quando estivermos comendo capim pela raiz, quando esticarmos a canela e fecharmos o paletó de madeira". Agora, acho que nem isso... Com muitas câmeras nas mãos e nenhuma ideia na cabeça, perdemos até o direito a essa paz eterna.



FARIA, Renato de. Um cadáver no banco, um meme no celular. Estado de
Minas, 28 de abril de 2024. Disponível em:
https://www.em.com.br/colunistas/filosofiaexplicadinha/2024/04/6846875-um-cadaver-no-banco-um-meme-nocelular.html. Acesso em: 29 abr. 2024. Adaptado.


Qual é a função da vírgula empregada no trecho “Não, meu amigo.” (6º parágrafo)? 
Alternativas
Q2516625 Português

Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão: 


Imunoterapia e tratamento direcionado têm resultados promissores contra câncer colorretal


Combinação de estratégias mostraram desfechos positivos para pacientes com câncer de intestino, segundo estudo publicado na Nature Medicine.


        Pacientes com câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino ou de câncer de cólon e reto, que receberam tratamento combinado de imunoterapia e terapia direcionada apresentaram melhores respostas no combate ao tumor.

        O estudo, liderado por pesquisadores do Mass General Cancer Center, nos Estados Unidos, incluiu 37 pacientes com mutações encontradas em cerca de 10% desses tipos de câncer, chamada BRAF V600. 

        Em um artigo publicado no periódico Nature Medicine, a equipe relata uma resposta duradoura entre os pacientes que responderam ao tratamento combinado e revela como uma terapia direcionada pode contribuir com a imunoterapia para obter melhores resultados.

        “A imunoterapia e a terapia direcionada representam dois dos maiores avanços no tratamento do câncer na última década”, disse Ryan Corcoran, diretor do Gastrointestinal Cancer Center Program e pesquisador do Mass General Cancer Center, em comunicado. “Ao combinar essas duas abordagens, vimos um aumento significativo no número de pacientes que responderam ao tratamento e uma durabilidade sem precedentes, com 18% dos pacientes permanecendo no estudo por um ano ou mais”, completa.

        Para o coautor do estudo, Nir Hacohen, as descobertas sugerem que há um grande potencial para que essas duas terapias sejam administradas juntas. “Isso merece mais investigação clínica e experimentos pré-clínicos para determinar a melhor abordagem direcionada para aumentar a reatividade imunológica contra o câncer colorretal com BRAF com mutações”, aponta Hacohen, diretor do MGH Center for Cancer Immunotherapy.


Fonte <https://www.cnnbrasil.com.br/saude/imunoterapia-e-tratamento-direcionado-tem-resultados-promissores-contra-cancer-colorretal/>.Acesso em 17/03/2024. Com adaptações.

As vírgulas utilizadas no primeiro parágrafo do texto servem para:
Alternativas
Q2516437 Português

        Maniçoba, 19 de junho de 1911. Minha mãe: Aqui cheguei em paz e salvamento, graças a Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto aqui é bom como o diabo: acorda-se às cinco da manhã, leva-se o dia lendo, fumando, comendo e rezando; dorme-se às nove da noite. Uma vida de anjo. Quando chegar aí — está compreendendo? — hei de ter o corpo pesando 70 quilos e a alma leve de pecados, tão leve como os vagons que levam material para a construção da estrada de ferro de Palmeira. Fui visitar o tal Lajedo das Cobras, segundo a senhora insinuou-me, e não vi nada que se parecesse com cobras. Tenha a bondade de dizer-me onde ficam esses bichos, sempre tenho vontade de admirá-los. Só se são umas listas pretas que há em cima da pedra. Mas quem lhe meteu na cabeça que aquilo eram cobras, hem? Nem semelhança, minha senhora! Ali nunca houve cobras nem nada. Isto agora está seco, sabe? Um pouquinho seco. A água do Ipanema tem assim uns tons de verde-paris: é mesmo da cor do açude daí. Por aqui nada de novo, tudo na santa paz do senhor... não, há uma coisa de novo: o Siriaco, o velho Siriaco, o impagável, o incomensurável Siriaco. Diga a meu pai que lhe não escrevo porque nesta carta vai tudo o que é preciso dizer. Adeus. Lembranças às meninas, a tia Ju, etc. Recomendações à família do sr. Antero, a d. Iaiá, e mais a algumas pessoas conhecidas. O filho e amigo Graciliano. NB: Mando dizer ao Antônio Panta que guarde todos os meus Malhos. Não se esqueça deste recado. Lembranças a d. Anatólia.


Graciliano Ramos. Cartas. Rio de Janeiro: Record, 2013 (com adaptações).

Julgue o item que se segue, relativos aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto precedente. 


No décimo quinto período, o sinal de dois-pontos subsequente à oração “há uma coisa de novo” introduz um esclarecimento. 

Alternativas
Q2514910 Português

Aprendizado e benefícios a longo prazo








In https://escoladainteligencia.com.br/blog/o-poder-da-empatia-como-ela-impacta-a-vida-das-pessoas/. Acesso em: 20 mar. 2023.

Os elementos “muitas vezes” (l. 01) e “aos poucos” (l. 02) são interpostos entre vírgulas para separar:
Alternativas
Q2514791 Português



Internet:<g1.globo.com (com adaptações).

Quanto aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto, julgue o item.


A inserção de vírgula imediatamente depois do vocábulo “desordenadamente” (linha 17) não prejudicaria a correção gramatical do texto.  

Alternativas
Respostas
4341: D
4342: C
4343: B
4344: C
4345: B
4346: D
4347: E
4348: B
4349: D
4350: C
4351: D
4352: E
4353: B
4354: D
4355: D
4356: B
4357: A
4358: C
4359: B
4360: C