Questões de Concurso
Comentadas sobre pontuação em português
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“Comece pelo começo”, disse o rei, muito grave, “e siga adiante até chegar ao fim: então, pare e ponto”.
(Lewis Carroll, As Aventuras de Alice no país das maravilhas)
Alterando-se a pontuação, a frase se mantém correta em:
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 11.
Diminuto feito grão de poeira, mera mancha de caneta, migalha no teclado, o ponto final é o sumo magistrado de nossos sistemas de escrita, ainda à espera de ser cantado em verso. Sem ele, não haveria fim para o sofrimento do jovem Werther e as viagens do hobbit jamais se completariam. Sua presença permitiu que Henri Michaux comparasse nossa essência a “um ponto que a morte devora”.
Ele coroa o pensamento que se completa, propicia a quimera de uma conclusão e guarda certa altivez que, como a de Napoleão, provém de seu tamanho minúsculo. Ansiosos por seguir em frente, não precisamos de nada que assinale o início, mas precisamos saber onde parar: esse pequeno memento mori, “lembrança da morte”, faz recordar que para tudo há de ter um fim, inclusive para nós mesmos. Como um professor sugeriu, um ponto final é “sinal de um sentido que se perfaz e de uma frase perfeita”.
A necessidade de indicar o fim de uma frase escrita é talvez tão velha quanto a própria escrita, mas a solução, sucinta e prodigiosa, não se estabeleceu até o Renascimento italiano. Por séculos, a pontuação fora assunto irremediavelmente errático.
Já no século I d.C., Quintiliano propunha que a frase além de expressar uma ideia completa devia ainda ser pronunciada de um só fôlego. Por muito tempo os escribas pontuaram os textos com todo o tipo de sinais e símbolos, de um simples espaço em branco a toda uma variedade de pontos e barras.
No começo do século 5 d. C., São Jerônimo, tradutor da Bíblia, concebeu um sistema que assinalava cada unidade de sentido por meio de uma letra que avançava para fora da margem, como indicando um novo parágrafo.
Três séculos mais tarde, o “ponto” era usado para indicar tanto uma pausa no interior da frase como o fim da frase propriamente dito. Valendo-se de convenções tão confusas assim, os escritores não tinham como esperar que o público lesse determinado texto conforme as intenções do autor.
Então, no ano de 1556, Aldo Manuzio, o Jovem, em seu manual de pontuação, Interpungendi ratio, caracterizou pela primeira vez a função e o aspecto definitivo do ponto final. Queria escrever um manual para tipógrafos; não tinha como saber que legava a nós as dádivas de sentido e música de toda a literatura por vir.
(Adaptado de: MANGUEL, A. “Ponto final”, Serrote, jul. 2012)
As frases abaixo referem-se à pontuação do texto.
I. No segmento ...de sinais e símbolos, de um simples espaço... (4º parágrafo), a vírgula pode ser substituída por dois-pontos, uma vez que a ela se segue uma explicação.
II. No segmento ...manual de pontuação, Interpungendi ratio... (último parágrafo), com a supressão da vírgula entenderíamos que Aldo Manuzio escreveu mais de um manual de pontuação.
III. No segmento ...o sofrimento do jovem Werther e as viagens do hobbit... (1º parágrafo), o acréscimo de uma vírgula imediatamente após Werther comprometeria a correção da frase.
Está correto o que se afirma em
Como prejuízo, a perda de dois itens cobiçados: tempo e dinheiro.
Os dois pontos foram empregados, nesse texto, para:
Texto para responder às questões de 8 a 10.
1 Cultura, pela definição clássica de Edward B. Tylor,
que é considerado o pai do conceito moderno de cultura, é
“aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as
4 crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os
outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como
membro da sociedade”.
7 A cultura de massa é aquela considerada, por uma
maioria, sem valor cultural real. Ela é veiculada nos meios
de comunicação de massa, produzida pela indústria cultural
10 e apreciada pela massa, a qual, é preciso dizer, não é uma
classe social. Esse termo se refere à maioria da população.
Cultura erudita, por sua vez, é aquela considerada
13 superior, normalmente apreciada por um público com maior
acúmulo de capital, e seu acesso é restrito a quem possui o
necessário para usufruir dela. A cultura erudita está muitas
16 vezes ligada a museus e obras de arte, óperas e espetáculos
de teatro.
Por último, há a cultura popular, que engloba
19 qualquer estilo musical e de dança, crença, literatura,
costumes, artesanatos e outras formas de expressão
transmitidas por um povo, por gerações, muitas vezes
22 oralmente. Essa cultura vem do povo, não é imposta por
uma indústria cultural ou por uma elite. Por exemplo, o
carnaval é uma festa da cultura popular brasileira.
Internet: http://www.portaleducacao.com.br/ (com adaptações)
Tem a função de separar termo de uma enumeração a vírgula empregada imediatamente após
Texto para responder às questões de 1 a 7.
1 Podemos entender cultura como uma dimensão do
processo social e utilizá-la como um instrumento para
compreender as sociedades contemporâneas. O que não
4 podemos fazer é discutir sobre cultura ignorando as relações
de poder dentro de uma sociedade ou entre sociedades.
Notem bem: o estudo da cultura não se reduz a isso, mas
7 essa é uma realidade que sempre se impõe. Assim é porque
as próprias preocupações com cultura nasceram associadas
às relações de poder, e também porque, como dimensão do
10 processo social, a cultura registra as tendências e os
conflitos da história coletiva por cuja transformação e por
cujos benefícios as forças sociais se defrontam.
13 O que quer dizer que as preocupações com a cultura
desenvolveram-se associadas às relações de poder?
Lembrem-se que elas se consolidaram junto com o
16 processo de formação de nações modernas dominadas por
uma classe social. Por outro lado, consolidaram-se
integrando a nova ciência do mundo contemporâneo, que
19 rompia com o domínio da interpretação religiosa,
transformando a vida e a sociedade em esferas que podiam
ser estudadas para que se pudesse agir sobre elas.
22 As preocupações com cultura surgiram associadas
tanto ao progresso da sociedade do conhecimento quanto a
novas formas de dominação. Notem que o conhecimento não
25 é só conteúdo básico das concepções da cultura; as próprias
preocupações com cultura são instrumentos de
conhecimento, respondem a necessidades de conhecimento
28 da sociedade, as quais se desenvolveram claramente
associadas com relações de poder.
Hoje os centros de poder da sociedade se
31 preocupam com a cultura, procuram defini-la, entendê-la,
controlá-la, agir sobre seu desenvolvimento. Há instituições
públicas encarregadas disso; da mesma forma, a cultura é
34 uma esfera de atuação econômica, com empresas
diretamente voltadas para ela. As preocupações com a
cultura são institucionalizadas, fazem parte da própria
37 organização social. Expressam seus conflitos e interesses, e
nelas os interesses dominantes da sociedade manifestam
sua força.
José Luiz dos Santos. O que é cultura. São Paulo: Brasiliense, 2007 (com adaptações).
A correção gramatical e o sentido original do texto seriam mantidos caso fosse inserida uma vírgula imediatamente após
A pontuação está INCORRETA em:
A pontuação está INCORRETAMENTE empregada em:
Texto
Minhas
maturidade
Circunspecção, siso, prudência.
(Mario Prata)
É o que o homem pensa durante anos, enquanto envelhece. Já está perto dos 50 e a pergunta ainda martela. Um dia ele vai amadurecer.
Quando um homem descobre que não é necessário escovar os dentes com tanta rapidez, tenha certeza, ele virou um homem maduro. Só sendo mesmo muito imaturo para escovar os dentes com tanta pressa.
E o amarrar do sapato pode ser mais tranquilo, arrumandose uma posição menos incômoda, acertando as pontas.
[...]
Não sente culpa de nada. Mas, se sente, sofre como nunca. Mas já é capaz de assistir à sessão da tarde sem a culpa a lhe desviar a atenção.
É um homem mais bonito, não resta a menor dúvida.
Homem maduro não bebe, vai à praia.
Não malha: a malhação denota toda a imaturidade de quem a faz. Curtir o corpo é ligeiramente imaturo.
Nada como a maturidade para perceber que os intelectuais de esquerda estão, finalmente, acabando. Restam uns cinco.
Sorri tranquilo quando pensa que a pressa é coisa daqueles imaturos.
O homem maduro gosta de mulheres imaturas. Fazer o quê?
Muda muito de opinião. Essa coisa de ter sempre a mesma opinião, ele já foi assim.
[...]
Se ninguém segurar, é capaz do homem maduro ficar com mania de apagar as luzes da casa.
O homem maduro faz palavras cruzadas!
Se você observar bem, ele começa a implicar com horários.
A maturidade faz com que ele não possa mais fazer algumas coisas. Se pega pensando: sou um homem maduro. Um homem maduro não pode fazer isso.
O homem maduro começa, pouco a pouco, a se irritar com as pessoas imaturas.
Depois de um tempo, percebe que está começando é a sentir inveja dos imaturos.
Será que os imaturos são mais felizes?, pensa, enquanto começa a escovar os dentes depressa, mais depressa, mais depressa ainda.
O homem maduro é de uma imaturidade a toda prova.
Meu Deus, o que será de nós, os maduros?
Considere o fragmento abaixo para responder às questões 6 e 7 seguintes:
“Depois de um tempo, percebe que está começando é a sentir inveja dos imaturos.” (17º§)
O emprego da vírgula justifica-se por:

Quanto ao uso da vírgula, assinale a opção incorreta.
Meninxs, eu vi!
Na coluna ‘Palavreado’, Sírio Possenti discute as relações entre gênero gramatical e gênero social. Será realmente necessário alterar a concordância de certas expressões para evitar o sexismo?
Por: Sírio Possenti
Publicado em 26/11/2015
A pretexto de incluir todos os gêneros, o colégio D. Pedro II, no Rio de Janeiro, passou a adotar, em comunicados oficiais, uma grafia que elimina Os e As em palavras como “alunos” e “alunas”, substituindo essas letras por X: “alunxs”. A opção faz parte de uma pletora de casos em que se pretende corrigir aspectos da língua e de textos, supostamente por serem ofensivos, excludentes ou inexatos.
Na categoria dos inexatos está, por exemplo, a intervenção (basicamente da Rede Globo, mas que pegou) visando corrigir a expressão “risco de vida” por “risco de morte”. A ideia é que risco para a vida não é risco de vida, que significaria risco de viver.
A análise da expressão, sem considerar seu domínio semântico mais amplo, corre o risco de ser falsa. No mínimo, deveriam ser levadas em conta construções como “arriscar a vida”, que significa 'correr risco de perder a vida' (análoga a “arriscar o salário nos cavalos”, que significa, evidentemente, 'correr risco de perder o salário...'). É o que se pode ver nos bons dicionários (Houaiss registra "arriscar: expor a risco ou perigo") e mesmo em outras línguas (como risquer la vie, em francês, cf. Petit Larousse). Em suma: ninguém arrisca a morte, ninguém arrisca perder o que não tem. Por isso, só se corre risco de vida.
Outras correções são tão ou mais bobas que esta. Por exemplo, “quem tem boca vaia Roma”, por “vai a Roma”; “batatinha quando nasce, põe a rama pelo chão” por “se esparrama pelo chão”; “matar a cobra mostrar a cobra”, em vez de “mostrar o pau” etc.
Sabe-se que as línguas mudam. Em geral, fazem isso seguindo forças mais ou menos ‘ocultas’. Políticas linguísticas dificilmente interferem em questões como o sentido das palavras ou de textos, pequenos ou grandes. Elas podem registrar, inibir ou incentivar. Mas não criam nem desfazem fatos.
Os casos acima mencionados podem ser considerados, além de tudo, erros de análise. Provérbios não são literais: “quem tem boca vai a Roma” significa que, perguntando, pode-se chegar a qualquer lugar (não se trata de boca, mas de fala, nem de Roma, mas de qualquer lugar).
Ref.: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/meninxs-eu-vi [adaptado]
Considere o texto “Meninxs, eu vi!” para responder as questões de 01 a 05.
Em Sabe-se que as línguas mudam. Em geral, fazem isso seguindo forças mais ou menos ‘ocultas’, as aspas simples têm a função de:
Assinale a alternativa corretamente pontuada.
Aposentados que são voluntários sofrem menos de depressão
Um quinto da população de idosos do planeta sofre de depressão, segundo estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença costuma se manifestar, na maioria dos casos, pouco depois da aposentadoria, quando as pessoas passam a acreditar que já não são mais úteis à sociedade, mesmo que isso não seja verdade. No Brasil, este índice é um pouco inferior - 15% dos idosos - , porém, de qualquer forma, é uma triste realidade para muitas pessoas. Embora sejam os fatores biológicos, sociais e psicológicos os maiores responsáveis pelo desencadeamento dos casos de depressão, dizem os médicos, a propensão aumenta nesta faixa etária porque, ao parar de trabalhar, muitas vezes os aposentados deixam de fazer qualquer outra atividade e acabam perdendo o interesse pela vida.
Repassar conhecimentos, doar este tempo que está sobrando e descobrir novas potencialidades podem ser grandes e surpreendentes experiências para quem está na terceira idade. Os problemas relacionados à solidão, tristeza, decepção e até a própria depressão, tão comuns nessa fase da vida, têm grandes chances de serem solucionadas (ou pelo menos minimizados) se o tempo livre for utilizado, por exemplo, para a realização de trabalhos voluntários. É muito comum recém-aposentados queixarem-se da falta do que fazer, e para quem trabalhou a vida toda isso não é muito fácil de lidar. Os médicos normalmente recomendam a prática de atividades ocupacionais, como artesanato, exercícios, aulas de dança e informática, dentre outras coisas que os agrade. Mesmo assim, às vezes estas atividades ainda não são suficientes, pois o que prevalece é o sentimento de não serem mais úteis à sociedade.
Dentro deste contexto, a psicóloga Danielle Sá, da Sociedade Brasileira de Arte, Cultura e Cidadania, aconselha aos aposentados realizarem algum tipo de trabalho voluntário, uma prática que só traz benefícios - tanto para quem atua quanto para aquele que recebe a atenção. Para os idosos, o primeiro benefício é quase instantâneo: a recuperação da autoestima e a satisfação de sentir-se importante para o outro, o que diminui muito os índices de ansiedade e estresse. O voluntariado é, sem dúvida, uma excelente oportunidade para o aposentado demonstrar suas habilidades, conhecer novas pessoas, dedicar-se a uma causa nobre e ainda exercitar novas competências, diz a especialista. Enfim, uma grande motivação para não entregar-se ao pijama e ao sofá pelo resto da vida.
Viviane Bevilacqua, Diário Catarinense, 15/02/2016- 21h46min, atualizada em 15/02/2016- 21h48min
No Brasil, este índice é um pouco inferior - 15% dos idosos - , porém, de qualquer forma, é uma triste realidade para muitas pessoas.
No período acima, a primeira vírgula foi empregada para:
Leia o texto a seguir, para responder às questões 7 e 8.
O isopor dela foi parar no “lixão”
1____Depois de liderar uma campanha para que seus
2--vizinhos passassem a reciclar o lixo, num prédio de São
3--Paulo, a economista Liz Pontes Moreira, 45 anos, sofreu
4--duas decepções. Primeiro, ela e os outros viram os restos
5--se acumular duas semanas a fio na lixeira, sem que a
6--cooperativa de catadores cumprisse o combinado:
7--removê-los. Depois, foi a vez de a empresa particular que
8--havia sido acionada pelo síndico falhar. Ao ligar para a
9--firma, Liz foi informada pelo gerente: “Enviamos uma
10--parte do lixo da senhora para o ‘lixão’”. A razão? “Isopor
11--e caixas longa vida não valem nada neste mercado”.
12--Desiludida, a economista resolveu deixar o lixo num
13--posto de coleta.
Veja, n. 2.204, São Paulo, p. 119, 5 set.2007.
Coloque (V) ou (F), conforme sejam verdadeiras ou falsas as proposições sobre a pontuação do texto.
( ) Os dois pontos nas duas situações do texto (linhas 6 e 9) foram usados pelo mesmo motivo.
( ) Em “a economista Liz Pontes Moreira, 45 anos,” (linha 3) a expressão destacada está entre vírgulas porque é um aposto, já que apresenta uma informação sobre a economista, sem uso de conectivo ou verbo.
( ) Empregou-se vírgula antes sem que (linha 5) para separar a oração subordinada adverbial da oração principal.
( ) Aoração “Ao ligar para a firma,” (linhas 8 e 9) está separada por vírgula porque é reduzida e subordinada adverbial deslocada de seu lugar habitual, no final do período.
( ) As aspas em: “Enviamos uma parte do lixo da senhora para o ‘lixão’”, (linha 9 e 10) delimitam a fala do gerente.
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA:

No segundo quadrinho, foram empregadas as aspas. O que elas indicam?

Releia este período do primeiro quadrinho:
Este livro policial que eu acabei de ler é demais, Mickey!
Nele a vírgula foi empregada de maneira:
Assinale a alternativa que esteja incorreta com relação aos usos da vírgula.
1) E ninguém reclama, que o povo tem um respeito quase religioso pelos nobres bacharéis. 2) Grande parte dos fazendeiros vive à custa do café, que é a maior riqueza daquele país, mas também sua maior pobreza. 3) Lá, a pobreza no campo é geral. 4) (...) tudo ali está baseado em latifúndio, monocultura e trabalho quase escravo. 5) O preço do café é artificialmente controlado pelo governo, que desembolsa fortunas do dinheiro público, que o negócio das oligarquias se mantenha sempre lucrativo.
Nos trechos acima ocorrem cinco casos de emprego de vírgulas, devidamente numerados. Os números que indicam casos em que a vírgula foi empregada em função de idênticos motivos são